Dicionrio de Teatro
               INSTITUTO GEIA
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    65075-440  So Lus  Maranho  Brasil
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              INSTITUTO GEIA
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               Agrom Empreendimentos Rurais S.A.
           Alpha Mquinas e Veculos do Nordeste Ltda.
                       Armazm Mateus Ltda.
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            Agropecuria e Industrial Serra Grande Ltda.
           Alumar  Consrcio de Alumnio do Maranho
             Bel Sul Administrao e Participaes Ltda.
                       Bunge Alimentos S.A.
          Cemar- Companhia Energtica do Maranho S.A.
              Companhia Maranhense de Refrigerantes
               CIGLA  Cia. Ind. Galletti de Laminados
                    Companhia Vale do Rio Doce
                      Ducol Engenharia Ltda.
                    Haroldo Cavalcanti Cia. Ltda.
                        Lojas Gabryella Ltda.
                       Mardisa Veculos Ltda.
                   Moinhos Cruzeiro do Sul S.A.
                  Nigara Empreendimentos Ltda.
                        Rpido London S.A.
               Servi Porto  Servios Porturios Ltda.
                       Skala Engenharia Ltda.
                      Telemar Norte Leste S.A.
                      Televiso Mirante Ltda.
                 VCR Produes e Publicidade Ltda.
UDI Hospital  Empreendimentos Mdico Hospitalar do Maranho Ltda.
   UBIRATAN TEIXEIRA




Dicionrio de Teatro
         2 edio
    revista e aumentada




         So Lus
          2005
                              Copyright 2005 by
                              Ubiratan Teixeira

                Direitos desta edio reservados em nome de
                             INSTITUTO GEIA

                             Superviso Editorial
                                Jorge Murad

                               Reviso
                Nauro Machado e Sebastio Moreira Duarte

                                 Digitao
                              Ubiratan Teixeira

                           Editorao Eletrnica
                   Elio Moraes e Roberto Sousa Carvalho

      Ordenamento textual, Pesquisa suplementar e Tratamento tcnico
                       Sebastio Moreira Duarte

                         Projeto grfico e acabamento
                             Arlete Nogueira da Cruz

                                   Capa
                         Albani Ramos e Jorge Murad
                                  Impresso
                         Halley S.A. Grfica e Editora

 A primeira edio desta obra foi publicada em 1970, pelo Departamento de
Cultura do Estado do Maranho, com o ttulo de Pequeno dicionrio de teatro.

         Dados Internacionais de Catalogao na Publicao (CIP)
  ___________________________________________________________
    Teixeira, Ubiratan
       Dicionrio de teatro/Ubiratan Teixeira.  So Lus: Editora Instituto
    Geia, 2005.

       311 p. (Coleo Geia de Temas Maranhenses, v. 7)

       ISBN 85-89786-07-2

       1. Teatro  Dicionrio. I. Ttulo.
                                              CDU 792 (038)
  ___________________________________________________________

               A reproduo no autorizada desta publicao,
            no todo ou em parte, constitui violao do copyright.
                      SUMRIO


                GENEALOGIA DA OBRA
                   Ubiratan Teixeira
                         p. 9


           PREFCIO DA EDIO ORIGINAL
                   Joo Mohana
                       p. 11


             O PALCO COMO EXISTNCIA
                   Nauro Machado
                        p. 13


                      DICIONRIO
                          p. 15

                      CRONOLOGIA
de acontecimentos influentes na formao da cultura teatral
                           p. 287


                     BIBLIOGRAFIA
                         p. 307
                 GENEALOGIA DA OBRA


    Toda obra tem suas razes para existir; didtica, testemunhal, documen-
tal, lazer, proftica, etc. Este dicionrio no foi diferente; nasceu de um
mirrado glossrio que eu ia engordando a partir das palestras, encontros,
pequenos cursos que eu ia ministrando no incio de minha vida no teatro,
para um universo de curiosos que tentavam entender teatro, falar teatro, ver
teatro de forma mais participante. De repente eu tinha reunido um volume
considervel de expresses, termos, curiosidades e informaes especficas
da linguagem teatral que chegou s mos de Arlete Nogueira Machado,
ento diretora do Departamento de Cultura do Estado, embrio da atual
Fundao Cultural, que no seu delrio histrico/cultural resolveu transfor-
mar em livro, que circulou numa primeira edio no ano de 1972 com o
nome de Pequeno Dicionrio de Teatro, uma brochura de pouco mais de
cem pginas, apresentada aos leitores pelo padre/escritor Joo Mohana 
apresentao essa que fiz questo de reproduzir nesta 2 edio.
    Por vcio e necessidade de crescimento continuei meu prprio auto-
aprendizado, atravs de leituras crticas de obras de formao e informa-
o, de onde fui catando e catalogando a parte mais especfica da lingua-
gem teatral, e ampliando de forma considervel o projeto original que
hoje, trinta anos passados, constituem o contedo desta obra, que volta 
circulao graas ao interesse do Dr. Jorge Murad e este precioso e ne-
cessrio projeto que  o Instituto Geia.
    Teatro  arte e como Arte, linguagem, que como tal nunca se estratifica,
donde continua seu processo de expanso, de crescimento natural. Aos
crticos severos peo caridade no julgamento e considerem que este hu-
milde coletor de palavras e expresses realizou um trabalho solitrio,
morando numa cidade longe de tudo, carente de livrarias e das grandes
fontes de informao.

                                                        Ubiratan Teixeira
                                               So Lus, fevereiro de 2005
         PREFCIO DA EDIO ORIGINAL


        Existe uma filosofia desfavorvel a prefcios. Aos meus ouvidos,
foi Rachel de Queiroz quem pela ltima vez aludiu a ela.
        No deixa de ser bvio. Se um livro tem valor, o prefcio torna-se
desnecessrio. Se nenhum valor possui, o prefcio no lhe confere.
        Este Pequeno dicionrio de teatro vai confirmar essa filosofia. No
por ter surgido em paisagem vazia de obras congneres, embora este fato
signifique uma chance. Mas sobretudo porque possui valor intrnseco.
        Maritain mostrou o destino das obras portadoras de valor intrnse-
co, diferente daquelas que despertam ateno por razes meramente cir-
cunstanciais.
        Este trabalho de Ubiratan Teixeira nasce vigoroso, por no ter sido
improvisado.  obra morigerada, enriquecida pela pesquisa atenta, tei-
mosa, pela abertura inteligente, pelo faro objetivo com que o Autor soube
triar o essencial do acessrio, pondo nas mos do leitor um instrumento
categorizado.
        Alm disso, trata-se de um livro til ao processo de comunicao:
os dicionrios ganham cada vez mais funo iluminadora. Sim. Nada co-
munica melhor que o dilogo. E nada melhor para o dilogo do que a
palavra correta, o vocbulo exato. Em plena Idade Mdia, Nicolau de
Cusa mostrava a seus alunos o valor do vocbulo preciso, da palavra bem
conceituada no processo reflexivo. Ora, este  o papel de um dicionrio.
 o dicionrio que permite a reflexo correta e a correta comunicao.
Porque  o dicionrio que permite o correto uso das palavras e dos voc-
bulos.  o dicionrio que permite o encontro dos homens na comunho do
dilogo.
        Mais do que cultural, o dicionrio tem uma vocao humanizante,
pois tudo o que contribui para aproximar os homens, humaniza. No caso
deste Dicionrio, a humanizao  mais valiosa por atingir um grupo par-
ticularmente rico de sensibilidade e expresso social  o grupo daqueles
que fazem ou amam o teatro. Para esses, sejam iniciados ou amadores,
sejam profissionais ou curiosos, Ubiratan Teixeira est entregando um
arsenal de vocbulos que lhes permitir falar e ouvir com preciso, dialo-
gar e conversar sobre as coisas e as gentes da arte de Molire. Nas escolas
dramticas, nos colgios e universidades, na imprensa especializada ou
no, nos bastidores do espetculo, ningum estar impossibilitado de se
comunicar, por no poder aprender o que seja emblima, cliga, mimodrama
e tantos outros termos tcnicos que este precioso livro pe ao alcance dos
interessados.
       Sou tentado a dizer que, em relao a prefcios, alguns propsitos
existem para no serem cumpridos. Jorge de Lima apoiaria esta tese, se j
no tivesse deixado o palco do mundo, ele que sempre mostrou simpatia
por prefcios.
       No caso de Ubiratan Teixeira,  um prazer estar aqui acompanhan-
do-o  ribalta das letras. Pois no tenho dvida de que sobraro aplausos
para este seu Pequeno dicionrio de teatro.



                                                            Joo Mohana
            O PALCO COMO EXISTNCIA


        Este livro, pesquisado com f de apstolo e desenvolvido ao longo
de muitos anos, no intervalo de uma escrita voltada para a criao liter-
ria de vrios gneros,  o testemunho de uma paixo exercida entre duas
posturas de vida, pelo seu autor indissociveis: na existncia factual e no
palco imaginrio, como representao das inmeras personas com as quais
Ubiratan Teixeira revela a urdidura dos enredos que lhe exteriorizam o
drama e/ou a comdia de pensar o ser e o mundo  esta forma teatral por
excelncia.
        Os bastidores onde se desenrola essa ao so aqui abertos e pos-
tos  mostra como espelhos da corporeidade mais extremada e com a com-
petncia de uma restauradora cirurgia plstica, de mincia impressiva, a
que no falta a inciso exata no tecido do glossrio utilizado.
        Prova disso  a afortunada indignao com que Ubiratan Teixeira
no h muito fustigou, defendendo o templo que lhe  sagrado, aqueles
que, por fora de um solipsismo mais que redutor, lhe atriburam proposi-
talmente falhas, por no saberem que ele, alm da consistente cultura tea-
tral, absorve e considera o Teatro como a verdadeira transparncia do
Ser, algo  maneira kierkgaardiana, abrindo-lhe as cortinas para um pal-
co onde possa monologar dialogicamente com a prpria divindade.
        No escamoteando o ser-em-si, na interioridade que lhe internaliza
as emoes, Ubiratan Teixeira, criador de algumas obras-primas do con-
to brasileiro contemporneo, consegue desdobrar-se neste Dicionrio de
teatro, na sua condio de autor-ator, espectador e intrprete do palco
mundi que, para ele,  o proscnio ainda provinciano de nossa So Lus
do Maranho.
        Diramos, aps a leitura deste livro, que a arte teatral no pos-
sui nenhum segredo para Ubiratan Teixeira, este escafandrista a lem-
brar-nos curiosamente, para ns que fomos apaixonados cinfilos no
tempo em que o Teatro Artur Azevedo era tambm cinema, aquele Fan-
tasma da pera, interpretado por Claude Rains, ou o torturado Hamlet,
interpretado por Sir Laurence Olivier, cumprindo a vingana pelo as-
sassinato do pai.
        Convm lembrar que o Teatro Artur Azevedo, de So Lus, pode
servir de ponto de partida para qualquer estudo que se queira fazer da
realidade cnica maranhense, nele confundida, atravs dos ltimos 50
anos, com os espetculos ali realizados (alguns deles pelo prprio
Ubiratan) no espao de um palco e diante de um ciclorama a confundir-se
naquele tempo com a tela cinematogrfica.
        Lembramos, por exemplo, do impacto que nos causou Srgio Car-
doso no papel de Hamlet, encenado ali pelo Teatro do Estudante do Bra-
sil, cujo paradigmal nome passou a ser conhecido do at ento acanhado
e satisfeito pblico freqentador da Casa de Apolnia Pinto. E mais: aqui
j havia, para contrabalanar esse provincianismo cultural, um pequeno
grupo de escritores catlicos, tendo  frente o depois padre Joo Mohana,
secundado por Ubiratan Teixeira e poucos outros, que se propunha, com
seriedade, talento e propsito modernista,  revitalizao do nosso Tea-
tro, por meio de um enfoque dado sobretudo aos textos movidos pela
problemtica religiosa de um Claudel, Ghon, Bernanos e muitos outros.
        Com uma viagem que ganhou  Europa para estudar Teatro, gra-
as  viso e sensibilidade de Paschoal Carlos Magno, Ubiratan Teixeira
se revelaria logo depois, voltando para So Lus, como o mais respeitado
terico e o mais profundo conhecedor de Teatro, entre ns. Ele , dessa
maneira, na sua funo exemplar de teatrlogo, contista, romancista,
cronista, reprter, memorialista, professor de arte dramtica, cristo no
ortodoxo, catlico sem aura de santidade e incansvel estudioso da lite-
ratura universal, um dos nossos raros e conscientes escritores que se tem
negado a escamotear os meandros da psique humana, onde a alma pulsa
como mercadoria inegocivel, elastecendo aquela vontade
schopenhaureana a nominalizar o mundo como vontade e representao.
        Representao de um mundo que Ubiratan Teixeira, com a pertin-
cia da sua vontade, revela agora a todos ns, atravs desta exuberante
segunda edio de seu Dicionrio  necessrio, didtico e autoral , de
amplas perspectivas para aqueles que consideram no s o Teatro, mas a
Arte, como a razo maior da Vida.

                                                         Nauro Machado
Dicionrio de Teatro
         ABREVIATURAS e CONVENES
             usadas neste dicionrio


c. Cerca de, mais ou menos em
Cf. Confronte
F. Feminino
M. Masculino
n. Nascido(a)
Pron. Pronuncia-se
V. Veja
v. Verso
vv. Versos
 Sinal usado antes de palavra ou expresso que, no Dicionrio, figura
   como subverbete.
* Sinal usado para indicar referncia cruzada ou informao complemen-
   tar  que se contm na palavra consultada.
[      ] Sugerem o confronto do verbete com outro que com ele se aproxi-
         ma ou se distancia, quanto a seu uso ou significado.
 Usado para marcar a transio, no texto explicativo do verbete, entre o
   entendimento de seu significado e o segmento da Histria do Espetculo
   que eventualmente o acompanhe.
abertura. 1. A rea ou espao com-      valores sociais pelos quais havia se
preendido pela abertura da boca de      regido at ento. A nova esttica
cena. 2. Em alguns elencos ou casas     denunciava e pretendia desmontar
de espetculos, a msica executada      as mistificaes da sociedade, pon-
no incio, antes da abertura do pano.   do a nu as foras de opresso que
 Abertura do pano. O momento            agiam sobre ela. Caracteriza-se por
em que o pano de boca  aberto para     apresentar personagens bizarras,
dar incio ao espetculo.  Abertu-      que ora se comportam sem nenhu-
ra de passagem. 1. O espao livre       ma motivao no centro de tramas
nos bastidores, entre o cenrio e a     absurdas ou inexistentes, ora im-
rotunda ou o ciclorama, para circu-     pregnadas por um sentido de futili-
lao do elenco em atuao e dos        dade e constante adiamento de es-
tcnicos em atividade durante o es-     peranas. Originado na linha do pen-
petculo. 2. Trecho sinfnico           samento filosfico desenvolvido
introdutrio de uma pera, ou o         por Jean-Paul Sartre* e Albert
tema musical executado, em alguns       Camus*  o existencialismo, que
casos, antes de ser aberto o pano de    mostra a existncia humana sob o
boca; ouverture.                        prisma do incomunicvel, do irra-
                                        cional e do intil , nesse modelo de
abrilhantar. Palavra que j teve lar-
                                        esttica teatral o homem tambm j
go uso para designar a presena de
                                        no est mais submetido a um fatum
um ator ou atriz notvel no elenco,
                                        e suas cadeias j no so mais forja-
principalmente nos espetculos em
                                        das pelos deuses, mas por outros
benefcio.
                                        homens. Os eventos da vida so
Absurdo (Teatro do). Expresso cri-     mostrados sob um ngulo pessimis-
ada pelo crtico teatral norte-ameri-   ta, sem o verniz social e cultural que
cano Martin Esslin, pelo meado da       adornava a criatura humana para jus-
dcada de 50, aplicada  esttica em    tificar sua prpria vida ou a explora-
voga na Europa, que denunciava a        o praticada pelos outros. Para os
angstia e o ceticismo da criatura      mais radicais nessa esttica, o trata-
humana que perdera a noo dos          mento formal  produto da reflexo
Academia Brasileira de Teatro                                                   ao

de que a sociedade se expressa com            agosto de 1931, nos moldes da Aca-
uma linguagem fossilizada que deve            demia Brasileira de Letras. Era com-
ser destruda, refletindo, conse-             posta por 25 membros perptuos,
qentemente, naquilo em que se                com a singularidade de ter entre seus
converteu: frmulas vazias, dilogos          pares pelo menos um representante
que na realidade so trgicos mon-           de cada Estado da Federao. Cada
logos, perguntas que no exigem               cadeira possua um patrono entre os
respostas, puros automatismos, pa-            nomes representativos na literatura
radoxos e incoerncias. O centro              teatral brasileira. Como seus funda-
dessa esttica da desmistificao,            dores constam os nomes de lvaro
que marca o fim da Belle poque e             Moreyra*, Carlos Sussekind, Rena-
da vulnerabilidade do homem e do              to Viana*, Joracy Camargo (1878-
mundo, foi a Frana ainda ocupada             1973), Mrio Nunes (1886-1968),
pelos nazistas. Seus principais re-           entre outros.
presentantes so Arthur Adamov*
                                              ao. 1. Todo movimento realizado
(La grande et la petite manouvre),
                                              num espetculo, conferindo-lhe a
Eugne Ionesco* (A cantora care-
                                              qualificao de lento, gil ou mon-
ca), Fernando Arrabal*, Harold
                                              tono. De acordo com seu carter,
Pinter* e Samuel Beckett*, o mais
                                              define o ato teatral como trgico,
notvel de todos eles, cuja obra-pri-
                                              cmico ou dramtico. 2. Em
ma, Esperando Godot, surpreendeu
                                              dramaturgia, podemos dizer que sig-
e continua surpreendendo o mundo
                                              nifica a inteno motivadora do en-
artstico e estudioso do teatro, estu-
                                              redo ou da seqncia dos eventos.
pefato diante de um dilogo sem
                                               Ao anterior. Todos os aconte-
sentido, mantido por dois vagabun-
                                              cimentos ocorridos antes de a his-
dos. Esses dramaturgos constroem
                                              tria se iniciar diante do pblico, de
suas peas com os destroos da lin-
                                              importncia dramtica para o desen-
guagem verbal e cnica. Da uma
                                              volvimento de alguns enredos, como
aparente falta de lgica quanto ao
                                              no caso da morte de Laio, em dipo,
enredo de seus textos, falas e perso-
                                              de Sfocles.* Alguns dramaturgos
nagens, que refletem o mundo ml-
                                              costumam usar do recurso do prlo-
tiplo, descontnuo e arbitrrio para
                                              go ou do confidente*, para mostrar
os quais ser representado. Eles pro-
                                              essa motivao ocorrida anterior-
curam levar o leitor/platia a perder
                                              mente, e outros chegam ao requinte
o respeito pelo texto como elemento
                                              preciosstico do flashback; ao an-
norteador da cena, contribuindo
                                              tecedente.  Ao contnua. Expres-
desse modo para a crise do teatro
                                              so usada pelo encenador e terico
no tocante  literatura, mas abrindo
                                              russo Konstantin Stanislavski*,
novos caminhos para uma esttica
                                              para qualificar a tarefa do ator traba-
teatral mais imaginativa e sensual.
                                              lhando seu papel, mesmo nos inter-
Academia Brasileira de Teatro. En-            valos de suas falas, nos momentos
tidade cultural fundada em 15 de              em que ele, aparentemente, no es-


                                         20
ao                                                                Actor's Studio

teja fazendo nada. Segundo Stanis-            principal.  Ao posterior. Expres-
lavski, apesar dos intervalos existen-        so proposta por Stanislavski, para
tes entre cenas e intervenes, a             justificar o processo temporal da
ao da personagem  contnua  o             ao, considerando-se que todo
ator tem que "viver" esse tipo de             gesto tem seu momento anterior e
vida assumida, nem que seja apenas            sua concluso posterior a seu ato
mentalmente.  Ao dramtica. 1.              legtimo.  esse tempo terico da
No plano do ator,  o conjunto de             ao que possibilita a continuida-
reaes externas que envolvem e               de da mesma.  Ao principal. O
animam o intrprete enquanto atua             fio condutor da trama.  Ao sim-
na criao da personagem, ao de-              ples. De acordo com Aristteles*,
senvolver o enredo proposto pelo              na estrutura orgnica da tragdia 
texto teatral. Dependendo das ten-            aquela ao desprovida de perip-
dncias a serem defendidas pelo es-           cia e de reconhecimento, limitando-
petculo e de algumas escolas de              se apenas  catstrofe. O exemplo
interpretao, pode-se considerar             clssico  encontrado em As
como ao o comportamento inter-              troianas, de Eurpides.*
no de cada uma das personagens.
                                              acessrio. Qualquer elemento fsi-
2. No plano do texto, pode-se con-
                                              co e material que sirva para comple-
siderar o movimento interno que
                                              mentar um figurino e caracterizar a
deflui do conflito entre duas posi-
                                              personagem (sapato, espada, ben-
es antagnicas colocadas no tex-
                                              gala, muleta, etc.), um cenrio (ca-
to dramtico, com a funo de ge-
                                              deiras, armas, enfeites) ou o prprio
rar um evoluir constante de acon-
                                              intrprete (cabeleiras, braceletes,
tecimentos, de vontades, de senti-
                                              postios). V. Adereo.
mentos e de emoes.  Ao exte-
rior. Expresso proposta pelo te-            acomodador. Expresso fora de uso,
rico russo Konstantin Stanislavski,           no Brasil, para identificar o
para designar a atividade fsica do           lanterninha, profissional encarre-
ator ao exteriorizar sua ao interi-         gado de localizar os assentos, na
or na caracterizao de sua perso-            platia, depois que as luzes se apa-
nagem  gestos, movimentos, com-              gam e o espetculo tenha comea-
portamentos, atitudes.  Ao in-              do; vagalume, em algumas regies
terior. Terminologia tambm pro-              do Pas.
posta por Stanislavski, para quali-
                                              Actor's Studio. Laboratrio dram-
ficar a etapa da ao que deve ocor-
                                              tico criado em outubro de 1947, nos
rer no pensamento e na emoo do
                                              Estados Unidos, pelo diretor cine-
intrprete ao construir sua perso-
                                              matogrfico Elia Kazan* e os
nagem. Ela  complementada e re-
                                              teatrlogos Cheryl Crawford (1902-
forada pela ao exterior; ao in-
                                              1986) e Robert Lewis (1909-1997), a
terna.  Ao paralela. Ao que
                                              partir do que havia restado de outro
se desenvolve paralelamente  ao
                                              movimento vanguardista, o Group


                                         21
Actor's Studio                                                    Adamov, Arthur

Theater.* Em 1948, junta-se ao gru-           Marlon Brando, Paul Newman e
po o vienense Lee Strasberg*, que             James Dean.
se torna, rapidamente, a alma do n-
                                              acstica. Condio de audibilidade
cleo. O objetivo da organizao era
                                              necessria s salas de espetculo.
formar e aperfeioar atores, a partir
                                              Apesar do avano da engenharia do
das regras de representao e cria-
                                              som e da inveno de equipamentos
o elaboradas pelo russo Konstan-
                                              para a ampliao mecnica da voz
tin Stanislavski*, pai do sistema
                                              humana, nada substitui, em uma sala
antiaristotlico de representar, que
                                              de espetculos, o planejamento
ficou conhecido, na Histria do Es-
                                              arquitetnico de uma boa acstica.
petculo, por Mtodo ou Sistema.
Por sua nova maneira de expressar,            ad lib. Improviso; caco; qualquer
Stanislavski prope um teatro de ca-          elemento introduzido em um espe-
rter psicolgico, que exige do ator          tculo  palavras, aes etc.  que
uma concentrao completa, quer f-           no tenha sido especificamente es-
sica, quer espiritual, que enseje uma         crito ou ensaiado; interpretao te-
interpretao introspectiva do papel          atral feita de improviso, sem previ-
e a identificao emocional do ator           so antecipada, quer no texto, quer
com a personagem. Originalmente,              nos ensaios, ou no projeto geral do
o Actor's Studio era apenas um local          espetculo, prtica que acaba sem-
de encontro para atores e encena-             pre se transformando numa grande
dores que desejassem aprofundar e             dor-de-cabea para artistas, direto-
aperfeioar a sua arte atravs da dis-        res e, quando mal usada, at mesmo
cusso dos seus pontos de vista e             para o pblico. Abreviao do latim
da crtica. Mais tarde, passou a fun-         ad libitum,  vontade.
cionar agregada ao Studio uma es-
                                              Adamov, Arthur (1908-1970).
cola de formao em arte dramtica,
                                              Dramaturgo de origem russa, radi-
surgindo em 1962 um elenco perma-
                                              cado em Paris desde 1924. Ligado 
nente da prpria organizao. Mar-
                                              esquerda francesa, tentou conciliar,
cado por uma esttica severa, exi-
                                              em sua obra, o desespero caracte-
gente, no conformista, o Actor's
                                              rstico do Teatro do Absurdo* com
Studio recusou-se terminantemente
                                              os procedimentos do Teatro pico.*
a curvar-se aos compromissos do es-
                                              Seu ponto de partida  o de que a
petculo comercial, criando uma es-
                                              morte  inevitvel (da a angstia),
ttica prpria de representao, tor-
                                              mas a sociedade pode ser transfor-
nando-se famoso o conhecido "re-
                                              mada. Influenciado inicialmente por
curso dos silncios". O Laboratrio
                                              Strindberg* e pelo surrealismo, op-
foi o responsvel pela formao de
                                              tou depois por um teatro de temtica
vrias geraes de excelentes ato-
                                              social e poltica. Entre suas peas
res, que muito contriburam para a
                                              mais significativas esto: A pardia
renovao no estilo de representar
                                              (1950), A invaso (1950), O ping-
e viver um papel, entre os quais
                                              pong (1959), Paolo Paoli  de cu-


                                         22
adaptao                                                                   afinao

nho explicitamente poltico  (1957),         Objeto(s) de uso pessoal do ator,
Primavera 71 (1963), O sr. Modera-            cuja funo principal  ajud-lo na
do (1968).                                    composio da personagem. Pode
                                              ser uma jia, um relgio de algibeira,
adaptao. Transposio de uma
                                              lenos, aquele camafeu com o retra-
obra literria de uma linguagem ou
                                              to do "pai ansiosamente procurado
gnero (poesia, conto, lendas popu-
                                              pelo protagonista", bengalas, armas,
lares, romance) para a linguagem
                                              etc.  Adereo(s) de cena.
teatral. Pode ocorrer tambm a
                                              Objeto(s) que decora(m) a cena,
adaptao de uma poca para outra,
                                              quer como adorno para situar po-
envolvendo hbitos sociais,
                                              ca, condio econmica, social ou
linguajar, viso poltica, ambiente
                                              poltica das personagens, quer para
etc. No Brasil, o dramaturgo Artur
                                              o uso em determinado momento da
Azevedo* foi muito hbil nessa pr-
                                              ao.  Adereo(s) de representa-
tica. Um exemplo de boas adapta-
                                              o. Qualquer objeto colocado
es, a partir de outros gneros lite-
                                              previamente em cena para ser usa-
rrios, est em Morte e vida
                                              do pelos atores, independentemente
severina, o poema de Joo Cabral
                                              de sua funo decorativa (um enve-
de Mello Neto, e Memrias de um
                                              lope com "documentos", uma vela
sargento de milcias, o romance de
                                              que ser acesa, uma caixa de fsfo-
Joaquim Manuel de Macedo. No te-
                                              ros que ser usada, ou at mesmo
atro universal, h os exemplos de
                                              uma arma). Normalmente so peas
Shakespeare*, Ben Jonson* e
                                              construdas a propsito.
Goldoni*, que se aproveitaram de
lendas e contos populares de suas             afinao. 1. O ato de harmonizar en-
pocas para construir belos textos            tre si os vrios elementos cnicos e
dramticos. O Fausto, de Goethe*,             dramticos de um espetculo (cen-
 o exemplo clssico de adaptao             rios, efeitos de luz, guarda-roupa, rit-
de uma lenda popular em teatro.               mo do espetculo, etc.). 2. Ao de
                                              nivelar todas as partes do cenrio a
aderecista. Profissional especializa-
                                              partir do nvel do palco. 3. Ao de
do na confeco dos materiais a se-
                                              amarrar as cordas para deixar as v-
rem usados em cena. O aderecista
                                              rias partes cenogrficas no mesmo
trabalha sempre de comum acordo
                                              nvel. 4. Instalao e colocao dos
com a direo do espetculo, junto
                                              refletores de acordo com o plano de
ao cengrafo e contra-regra  quan-
                                              iluminao do espetculo.  Afina-
do no  este quem acumula esta
                                              o de ensaio. Atividade que con-
funo.
                                              siste nos ajustes finais de um espe-
adereo. Todo material de comple-             tculo antes de sua estria. Etapa
mento, quer cenogrfico, usado du-            em que so harmonizadas as vrias
rante o espetculo, quer para enfei-          partes da representao e dos cen-
te dos intrpretes, quer para supor-          rios  iluminao, dos adereos e
te da cena.  Adereo(s) do ator.              materiais postios s roupas, de


                                         23
afinar                                                                    agitprop

todo o conjunto ao ritmo da repre-           nao, no lugar do aproveitamento
sentao, incluindo a msica, quan-          de lendas ou narrativas orais, como
do esta  usada.  Afinao de per-           era o hbito em sua poca. Tambm
na. Nome pelo qual  designado, pela          atribuda a Agaton a prtica de in-
equipe de execuo numa caixa de             tercalar em suas peas interldios
teatro, o segundo travesso da va-           musicais (emblima*) ou, quando
randa, onde as manobras mantm os            usava uma lenda, faz-lo de modo
panos devidamente afinados.                  integral, em vez de um ou outro epi-
                                             sdio, como era de uso pelos de-
afinar. 1. Ajustar de forma harmo-
                                             mais poetas dramticos.
niosa todos os elementos cnicos
e dramticos de um espetculo. 2.            agente. Profissional que representa
Ato de colocar em condies de uso           e trata dos negcios dos artistas, res-
uma cabeleira, um cenrio, um efei-          ponsvel pelos contratos junto s
to de luz, e at mesmo todo o espe-          empresas teatrais, questes traba-
tculo.  Afinar a cabeleira.                 lhistas e judiciais, zelando pela qua-
Harmoniz-la com a caracterizao,           lidade da imagem de seu representa-
adequando-a  feio e ao carter            do junto ao pblico e ao empresrio
da personagem; coloc-la em con-             da rea, a partir do conceito de que
dio de parecer natural, de acordo          o artista representa seu investimen-
com a exigncia do espetculo.               to comercial. O agente mantm uma
Afinar o cenrio. Nivelar e harmo-           estrutura trabalhista bem montada,
nizar as diferentes partes entre si e        um controle absoluto sobre os pro-
todas com o piso do palco.  Afi-             fissionais que esto sob seus cui-
nar a luz. Distribuir criteriosamente        dados, e dispe, nos seus arquivos,
as reas de luz e sombra pelos vri-         de fichrios completos, tanto de
os planos do palco, a partir de um           grandes astros como de figurantes,
projeto pr-definido.  Afinar a re-          tcnicos, e at mesmo de animais
presentao. Nivelar todo o espe-            amestrados.
tculo, harmonizando seus valores
                                             Agitprop. Termo criado pelo grupo
dramticos entre si, desde a voz dos
                                             de lngua alem Prolet-Bhne, que
intrpretes at o ltimo detalhe de
                                             se exibia nos Estados Unidos, para
movimentao em cena ou uso de
                                             identificar seus espetculos de agi-
um objeto.
                                             tao e propaganda, protesto social
Agaton (n. c. 445 a. C). Tragedigra-        e carter poltico, exibidos nas por-
fo ateniense, tido como o mais im-           tas de fbrica, contra o baixo nvel
portante no gnero, depois de                social dos operrios de Nova York.
squilo*, Sfocles* e Eurpides.* A          O termo deriva da juno das pala-
ele so atribudas algumas importan-         vras agitao e propaganda. Esse
tes inovaes dramticas, entre as           gnero ganhou repercusso nos Es-
quais a utilizao, pela primeira vez        tados Unidos, sobretudo depois da
na prtica teatral, de um tema inven-        adeso do dramaturgo Clifford
tado pelo prprio poeta para a ence-         Odets*, que passou a escrever tex-


                                        24
agon                                                                      Alcazar

tos nessa linha para o Group                  Albee, Edward Franklin (1928-1234).
Theater*, a partir de 1935.                   Teatrlogo norte-americano, o prin-
                                              cipal representante do chamado Te-
agon. Na comdia antiga grega, de-
                                              atro do Absurdo* em seu pas, e cuja
signao dada ao debate que se ins-
                                              fama internacional aconteceu logo
taura entre o ator principal, condu-
                                              aps ter escrito Quem tem medo de
tor do jogo, e o coro. Admite-se,
                                              Virgnia Woolf? (1962), comentrio
geralmente, que este debate, em que
                                              penetrante sobre o casamento nor-
so avaliados os mritos da idia
                                              te-americano contemporneo. O re-
central que mobiliza a prpria co-
                                              trato satrico que traa da vida fa-
mdia,  uma herana das cenas de
                                              miliar e social norte-americana "no
comos.* O agon sucede  parbase*
                                              se filia a um engajamento poltico ou
na Comdia Antiga, e, em ltima ins-
                                              social preciso, como acontece com
tncia, representa o princpio que es-
                                              os dramaturgos da gerao anteri-
tabelece a relao do conflito entre
                                              or, mas  tomada de conscincia de
os personagens.
                                              uma certa angstia coletiva que no
agonoteta. Magistrado grego, res-             se satisfaz nem no conformismo,
ponsvel, a partir de 308 a. C., pe-          nem no `sonho americano', nem com
los fundos pblicos para a manuten-           solues revolucionrias pr-
o dos coros cmicos. At os fins            fabricadas." (Grande enciclopdia
do sculo IV  o chamado Perodo              Larousse cultural). De sua autoria: A
Clssico grego  eram os cidados             Histria do zoolgico (1959), A mor-
mais ricos que assumiam as despe-             te de Bessie Smith (1960), O sonho
sas com a coregia.*                           americano (1961), Pequena Alice
                                              (1964), Um equilbrio delicado
AI-5. Ato institucional, editado em
                                              (1966) e Vista do mar (que lhe deu o
13 de dezembro de 1968, pelo regi-
                                              Prmio Pulitzer de 1975), entre ou-
me militar ditatorial instalado no
                                              tras obras.
Brasil a partir de 31 de maro de
1964. Foi o mais drstico e o mais            alapo. Abertura no piso de um
cruel de todos os atos institucionais         palco, invisvel para a platia,
desse perodo da histria poltica do         disfarada por uma tampa embutida
Brasil, restringindo as liberdades            na quartelada, que se abre para o
essenciais do cidado e desencade-            poro, de muita utilidade nos espe-
ando um rude processo de repres-              tculos de mgica ou para efeitos
so das artes em geral, perseguindo           fantsticos.  pelo alapo que apa-
artistas, produtores culturais e inte-        recem ou desaparecem personagens,
lectuais, prendendo, torturando e             mveis, adereos, e at mesmo ce-
exilando, proibindo mostras de pin-           nrios inteiros.
tura, edio de livros, projeo de
                                              Alcazar. Teatro de variedades que
filmes e exibio de espetculos de
                                              funcionou no Rio de Janeiro no s-
todos os gneros, no simpticos
                                              culo XVIII e comeo do XIX, de muita
ao regime.


                                         25
alegoria                                                                   amador

popularidade e constantemente ci-             interna do palco mais prxima do
tado em obras dos romancistas bra-            fundo da cena, conveniente de ser
sileiros da poca.                            conhecida por intrpretes e tcnicos,
                                              para efeito de marcao de um es-
alegoria. Recurso literrio que con-
                                              petculo, montagem do cenrio e
siste na exposio de um pensamen-
                                              projeto de iluminao de cena.
to sob forma figurada, sobretudo na
personificao de qualidades morais,          amador. Convencionalmente, ator
vcios, virtudes, sentimentos, concei-        ou atriz no profissional, que prati-
tos ou valores abstratos. A alegoria          ca sua arte sem visar lucros; artista
foi exaustivamente usada durante a            no profissional.  Longe da idia
Idade Mdia, sobretudo no gnero              errnea de que o trabalho do ama-
moralidade*, quando conceitos                 dor  destitudo de mrito artstico
como morte, amor, luxria, carida-            e qualidade esttica, e que essa ca-
de, criaram personalidade, vida e             tegoria s pratica uma arte inferior,
alma prpria sobre o palco.                    necessrio entender que so esses
                                              ativistas que geralmente foram a
alfaiate. Dizia-se do/da auxiliar
                                              renovao de linguagem de uma co-
(que no tinha necessariamente a
                                              munidade artstica, sobretudo por-
qualificao profissional especfica)
                                              que descompromissada com o mer-
e que ajudava atores e atrizes a se
                                              cado e com o sistema poltico e so-
vestirem. Funo fora de uso, subs-
                                              cial vigente. Tanto na Europa como
tituda pela dos camareiros e cama-
                                              nos Estados Unidos,  nesses no-
reiras.
                                              profissionais que se encontram nor-
alienao. Expresso cunhada pelo             malmente os elementos de renova-
dramaturgo, encenador e terico ale-          o da dramaturgia. No Brasil, os
mo Bertholt Brecht*, por volta de            amadores deixaram marcas bem pro-
1936/37, para identificar mecanis-            fundas atravs de movimentos como
mos de representao e comporta-              o do Teatro do Estudante do Brasil,
mento do intrprete para uma nova             promovido por Paschoal Carlos
esttica dramtica, elaborada a par-          Magno*; o Teatro de Amadores de
tir do teatro oriental.                       Pernambuco, de Waldemar de Oli-
                                              veira (1900-1977); o Teatro de Brin-
alvio cmico. V. Pausa cmica.
                                              quedo*, de lvaro Moreyra*; O
alma. Expresso usada para desig-             Tablado, de Maria Clara Machado*,
nar o estado de esprito com que o            no Rio de Janeiro; o Teatro Experi-
intrprete desempenhou seu papel;             mental do Maranho  TEMA, cri-
dom de comover o espectador, ar-              ado por Reynaldo Faray (1931-
rancando-lhe lgrimas e conservan-            2002); e o Laboratrio de Expres-
do-o preso s palavras do texto.              ses Artsticas  Grupo Laborarte,
alta. Na linguagem tcnica da divi-           organizado pelo dramaturgo e
so fsica da caixa do teatro, a parte        encenador Tcito Borralho (1941-
                                              1234), no Maranho. Um elenco des-


                                         26
amarrao                                                             andamento

sa categoria, Os Comediantes*, foi          cortinas. Longa, de aproximadamen-
responsvel pelo espetculo/data da         te 30cm de largura, serve eventual-
modernidade da cena brasileira,             mente para substituir a primeira vara,
Vestido de noiva, de Nelson                 se esta no suporta o peso que lhe 
Rodrigues*, dirigido por Ziembinski         destinado.
(1908-1978) e estreado no Rio de
                                            Amoroso. 1. Personagem, ou tipo
Janeiro em 28 de dezembro de 1943.
                                            masculino, da velha escola, que re-
Outro elenco da mesma categoria,
                                            presentava o papel do gal, do na-
desenvolvendo sua atividade no
                                            morado ou do amante, quando a in-
Maranho, o Grupo Mutiro, ao en-
                                            triga tinha carter romntico. 2. Na
cenar no Rio e em So Paulo, parti-
                                            Commedia dell'Arte, Innamorato,
cipando de festivais nacionais e in-
                                            o jovem apaixonado, cujos amores
ternacionais, ganhou inclusive des-
                                            esbarravam na oposio dos mais
taque no Festival de Nancy, Frana,
                                            velhos; Amoureux, na sua origem
em 1975, com a pea Tempo de es-
                                            francesa. Palavra e tipos hoje fora
pera, que possibilitou ao Governo
                                            de uso.
Federal a idia de criao do Mam-
bembo. F. Amadora.                         anbase. Espcie de discurso inclu-
                                            do nos textos do antigo teatro gre-
amarrao. Termo usado para de-
                                            go, pronunciado pelo corifeu, justi-
signar o ato de fixar o cenrio no
                                            ficando as razes da moral e a fina-
cho do palco, evitando que suas
                                            lidade proposta pelo espetculo.
paredes balancem ao longo do es-
                                            Esse enxerto muitas vezes assumia
petculo. Faz-se a amarrao, mais
                                            a forma de um verdadeiro manifes-
comum em cenrios de gabinete,
                                            to de civismo e exposio crtica, em
usando-se pedaos de sarrafo, es-
                                            que eram denunciados os erros ad-
quadros, mo francesa, etc.;
                                            ministrativos, os crimes e as menti-
travamento; travao.
                                            ras do governo e das autoridades
ambientao. Fase de construo             pblicas locais ou do pas. Era, em
do espetculo, em que cengrafo,            sua essncia, a voz e a opinio do
figurinista, iluminador, aderecista,        prprio autor.
msico, em harmonia com o diretor
                                            anagnrise. Reconhecimento, des-
e o coregrafo, definem a linha do
                                            coberta. Na estrutura do teatro gre-
espetculo, harmonizando as dife-
                                            go antigo, acontece quando o pro-
rentes reas, de maneira que trans-
                                            tagonista "cai em si", momento que
mita ao espectador a dramaticidade
                                            antecede a reviravolta de seu desti-
que a narrativa pretende evocar.
                                            no. Na comdia, essa crise resolve-
americana. Armao de madeira ou            se "para cima', culminando com um
ferro, em forma retangular, que cor-        final feliz; na tragdia, "para baixo",
re acima e excede em comprimento            terminando em queda e castigo.
o rasgo da boca de cena, onde se
                                            andamento. Determinao da velo-
penduram cenrios ou correm as
                                            cidade e do ritmo em que devem se

                                       27
Andrade, Jorge                                                      animador(a)

desenvolver as diferentes etapas do          crise da filosofia, de 1950, procura
espetculo; ritmo.                           fundamentar filosoficamente a An-
                                             tropofagia. Sua produo de drama-
Andrade Franco, Alusio Jorge
                                             turgo comea em 1934, com a pea O
(1922-1984). Dramaturgo nascido
                                             homem e o cavalo (1934), e prosse-
em Barretos, SP. Estreou na cena
                                             gue com A morta e O rei da vela
nacional em 1954, com as peas O
                                             (1937). O rei da vela s seria ence-
faqueiro de prata e O telescpio.
                                             nada em 1967, pelo Teatro Oficina,
Escreveu em seguida A moratria,
                                             de Jos Celso Martinez Correia.*
que o tornaria famoso, seguindo-
se Pedreira das almas e Os ossos             anfiteatro. 1. Na Roma Antiga, cir-
do baro, que formam sua obra                co destinado  apresentao de es-
cclica sobre a economia do caf na          petculos populares, combates, jo-
sociedade paulista, cada pea dan-           gos, e at mesmo espetculos tea-
do nova dimenso  anterior, at             trais. 2. Espao de exibio, nor-
fechar o ciclo com Rastro atrs. A           malmente em forma de crculo e pre-
moratria focaliza a crise do caf           ferentemente ao ar livre, provido
do ponto de vista da classe domi-            de palco, onde se realizam espet-
nante, enquanto Vereda da salva-             culos, e em torno do qual fica a
o trata do mesmo assunto sob a             platia, normalmente disposta em
perspectiva dos lavradores.                  degraus; teatro de arena. 3. Atual-
                                             mente so chamados de anfiteatros
Andrade, Jos Oswald de Sousa
                                             os locais, geralmente de forma cir-
(1890-1954). Poeta, romancista,
                                             cular ou semicircular, dotados de
dramaturgo, ensasta e jornalista,
                                             poltronas ou arquibancadas, des-
nascido em So Paulo, SP. Viajando
                                             tinados a aulas, palestras, confe-
pela Frana em 1912, tomou conta-
                                             rncias etc.
to com o cubismo e o futurismo. Ao
retornar ao Brasil, articulou com Di         animador(a). Homem ou mulher
Cavalcanti (1897-1976) e Mrio de            que, pelo seu interesse, cultura,
Andrade (1893-1945) um movimen-              projeo social, prestgio poltico
to modernista e a Semana de Arte             ou condio econmica privilegia-
Moderna, que aconteceu em 1922.              da, toma sob sua responsabilidade
Em 1924, lanou o Manifesto da               dinamizar, projetar ou financiar um
Poesia Pau-Brasil, em que se decla-          movimento teatral, um grupo ou
rava "contra a cpia, pela inveno          uma idia.  No Brasil, ficaram na
e pela surpresa". Em 1927, fundou            histria do teatro nacional figuras
a Revista de Antropofagia e logo em          como as de Paschoal Carlos Mag-
seguida (1928), criou o Movimento            no*, fundador do Teatro do Estu-
Antropofgico, lanando o Manifes-           dante do Brasil; Franco Zampari
to Antropfago, que, como o ante-            (1898-1966), que possibilitou uma
rior,  uma sntese do iderio poti-        direo renovadora ao teatro pro-
co do Modernismo. No seu livro A             fissional nos anos 40; Maria Clara


                                        28
animar                                                                  antstrofe

Machado*, com O Tablado*;                     antejogo. Prtica usada pelo ence-
Waldemar de Oliveira (1900-1977),             nador e terico russo Meyerhold*,
em Pernambuco; entre outros.                  para que seus atores atingissem uma
                                              carga intensa de energia e verossi-
animar. No teatro de bonecos (mari-
                                              milhana na interpretao de seus
onetes e fantoches),  a ao execu-
                                              papis. Consistia numa forma de pre-
tada por tcnicos e especialistas para
                                              parao interior, que partia de uma
"dar vida" a um boneco; arte de
                                              espcie de pantomima, atravs da
transformar um boneco comum e
                                              qual o intrprete passava ao espec-
sem vida num "indivduo" com per-
                                              tador a idia da personagem por ele
sonalidade, alma e vida prpria. Em
                                              encarnada, preparando-o para en-
linguagem de titeriteiro*, dar vida.
                                              xergar o que viria em seguida.
aniquilador. Espcie de estandarte
                                              anti-heri. Personagem despido das
sagrado que protegia os atores
                                              caractersticas convencionais do he-
hindus, dando origem, entre eles, 
                                              ri-padro: beleza fsica, carter
lenda de que o teatro nasceu como
                                              ilibado, coragem, nobreza de espri-
resultado de uma cerimnia que ce-
                                              to, honra sem mcula, fortuna ma-
lebrava a vitria do deus Hidra con-
                                              terial. Expresso oposta ao concei-
tra os demnios. De certo modo, o
                                              to de heri. Com os movimentos
estandarte transformou-se, mais tar-
                                              estticos da Crueldade* e do Absur-
de, num smbolo internacional de
                                              do*, essa categoria adquiriu status
teatro, podendo ser encontrado,
                                              de protagonista.
muitos deles, ainda hoje, iados em
dias de espetculos nos teatros eu-           antimascarada. Figura de entrete-
ropeus, principalmente os ingleses.           nimento sob a forma de dana dra-
                                              mtica grotesca, de carter satrico,
antagonista. Termo criado pelos
                                              encenada sempre antes de uma mas-
gregos da Antiguidade clssica, para
                                              carada. Desenvolvida entre o final do
identificar o vilo de uma tragdia,
                                              sculo XVI e comeo do XVII, teve
personagem conflitante em relao
                                              no dramaturgo ingls Ben Jonson*
ao protagonista, e seu principal opo-
                                              seu grande cultor.
nente. Colocado frente a frente ao
protagonista, emite a luz ou a som-           antipea. Termo cunhado pelo dra-
bra necessria para projetar ou no           maturgo franco-romeno Eugne
o seu oponente. Antgona, de                  Ionesco*, para definir sua pea A
Sfocles*, nunca teria o relevo que           cantora careca (1950), e posterior-
tem, se no fosse a figura belicosa           mente adotada para identificar ou-
de Creon e a passividade de Ismnia;          tras obras produzidas pelo chama-
aquele que atua em sentido oposto.            do Teatro do Absurdo.*
antecena. Parte da cena, ou do pal-           antstrofe. A segunda parte de uma
co, que se estende adiante da boca            ode coral, no drama grego antigo,
de cena. O mesmo que proscnio.               precedida pela estrofe.


                                         29
Antoine, Andr                                                        antropofgico

Antoine, Andr (1858-1943). Ence-              lhido de espectadores, que muito
nador francs, que tentou levar a              contribuiu para pr um termo ao
verdade naturalista ao espetculo              "mito do fim do teatro" muito em
teatral (revoluo verista), criando           voga desde 1879, a partir do que os
a teoria da Tranche de Vie, atravs            irmos Goncourt  Edmond (1822-
da qual procurou terminar com o                1896) e Jules (1830-1870)  vaticina-
artificialismo das falas quilomtricas.        ram no prefcio do drama Henriette
Para Antoine, o espetculo deveria             Marchal. Andr Antoine foi tam-
refletir uma fatia da vida. Sua pro-           bm o criador do Teatro Antoine
posta tinha como objetivo imediato             (1896), de cuja experincia surgiu o
a reforma dos velhos sistemas de               Teatro de Arte de Moscou, contri-
interpretao. Para tanto, ele busca-          buio vital para a reformulao dos
va copiar a vida em todas as suas              velhos conceitos da criao do pa-
mincias, empregando para isso os              pel. A reformulao terica de
recursos da iluminao e dos cen-             Antoine consistiu, sobretudo, em:
rios caprichosamente elaborados                a) criao de um novo repertrio fran-
que transformavam o palco numa                 cs e lanamento de novos textos
grande fotografia. Dos atores, exi-            estrangeiros; b) substituio da ce-
gia no apenas que interpretassem,             nografia convencional em voga, com
mas que "vivessem" suas persona-               grandes teles pintados, por uma
gens com identificao total. A ele, a         cenoplastia arquitetural, construda
teoria do espetculo teatral deve um           com detalhes minuciosos, quase fo-
dos pontos bsicos da interpreta-              togrficos; c) combate  declamao
o naturalista: o conceito da quar-           e aos gestos grandiloqentes: o in-
ta parede*, segundo a expresso                trprete deveria ser sbrio e o mais
cunhada por Diderot.* S assim                natural possvel. Andr Antoine foi
defendia  os atores poderiam se               o primeiro encenador no sentido
considerar "isolados" do pblico,              contemporneo e completo atribu-
podendo agir normalmente no seu                do ao termo, e o primeiro a sistema-
"ambiente ntimo". Esta quarta pa-             tizar suas concepes, teorizando a
rede estaria situada  altura do pano          arte da encenao.
de boca, atravs da qual o especta-
                                               antropofgico. Termo sugerido por
dor iria surpreender a vida daquelas
                                               tericos e adotada por historiadores
pessoas, como se estivesse espian-
                                               da dramaturgia brasileira para qua-
do pelo buraco de uma fechadura.
                                               lificar a produo teatral de Oswald
S desse modo  teorizava Antoine
                                               de Andrade*, constituda de textos,
 os atores poderiam atingir a plena
                                               entre os quais O homem e o cavalo
verdade da personagem. Criador do
                                               (1934), A morta e O rei da vela
cenrio realista, fundou o Teatro
                                               (1937), que so uma tentativa de re-
Livre de Paris (1887), destinado a
                                               novao esttica da arte dramtica
representaes de cmera, com ad-
                                               em sua poca. Eliminando a aplica-
misso reduzida a um nmero esco-
                                               o da lgica aristotlica e rompen-


                                          30
antropologia (teatral)                                                       apoio

do com todo tipo de linearidade do            ator no se dirige, de modo especial,
teatro naturalista e realista, Oswald         a um algum, devendo deixar a im-
de Andrade criou uma forma origi-             presso de que fala consigo mes-
nal, inovadora e nacional de                  mo; reflexo em voz alta.  Ocorren-
dramaturgia, carregada, segundo               do regularmente na Renascena,
seus crticos, de "procedimentos              usado com regularidade por
antropofgicos". Exigindo a cons-             Shakespeare*, o aparte atingiu sua
tante participao do pblico, o te-          plenitude no classicismo francs e
atro de Oswald de Andrade  um                teve no melodrama o seu campo ide-
mosaico em que se interseccionam              al de proliferao, quando serviu
citaes de outros textos, outras for-        para identificar o estado de esprito
mas teatrais, outros conceitos soci-          da personagem, diante de seus
ais e estticos.                              questionamentos e dvidas interio-
                                              res. Mais ou menos fora de uso, ser-
antropologia (teatral). Como a an-
                                              via tambm para comentar fatos ocor-
tropologia cultural, a teatral tambm
                                              ridos fora de cena e sublinhar algu-
estuda o comportamento do homem
                                              ma inteno pessoal.
em nvel scio-cultural, fisiolgico e
biolgico, s que em situao de re-          apetrecho. Adereo.
presentao. Segundo seu grande
                                              aplauso. Demonstrao de simpatia
terico, o encenador italiano Euge-
                                              por parte do pblico, atravs de pal-
nio Barba (1937-1234), a antropolo-
                                              mas delirantes, gritos de bravos, e
gia teatral: a) no busca princpios
                                              at assobio.
universalmente "verdadeiros", mas
sim indicaes "teis"; b) no tem a          aplique. 1. Pequeno elemento
humildade de uma cincia, mas a am-           cenogrfico que se adapta a um ce-
bio de individualizar os conheci-           nrio, com inteno de alterar-lhe o
mentos teis para o trabalho do ator;         aspecto original. 2. Peas comple-
c) no quer descobrir "leis", mas es-         mentares, pr-fabricadas, que ser-
tudar regras de comportamento.                vem para compor a caracterizao,
                                              tais como bigodes, cavanhaques,
aparte. Frase curta pronunciada de
                                              tufos de plos, verrugas, etc. 3.
forma convencional para no ser "es-
                                              Complementos para a indumentria.
cutada" pelos demais personagens
em cena, mas suficientemente aud-            apoiar. Na linguagem dos maquinis-
vel para a platia. Recurso privile-          tas em atividade na caixa do teatro,
giado pela farsa, cujo objetivo prin-         indica fazer uma cenoplastia subir;
cipal  o de manter o pblico "avisa-         suspender o cenrio em direo ao
do" sobre intenes e andamentos              urdimento; levantar; fazer subir um
presentes ou futuros da ao, no             cenrio.
permitindo a criao de "equvocos"
                                              apoio. Na linguagem da tcnica vo-
ao sentido real dos fatos em desen-
                                              cal, traduz a capacidade que o intr-
volvimento. Ao formular o aparte, o
                                              prete desenvolve para economizar o


                                         31
apontar                                                                          apuro

ar armazenado nos pulmes, no ato               presena do ator que, segundo sua
de emitir a voz, evitando consumi-              opinio,  o elemento essencial no
lo num s movimento da fala.                    espetculo, na interpretao do qual
                                                todo o ato teatral deve se apoiar. Em
apontar. Em linguagem de carpin-
                                                decorrncia dessa reforma do espa-
taria de palco, o cuidado, ao fixar
                                                o cnico, tambm o sistema de ilu-
peas sobre o cho do palco, para
                                                minao sofreu radical transforma-
no enfiar um prego inteiro, deixan-
                                                o, colocando-se a servio da total
do sempre a cabea de fora uns
                                                plasticidade da cena. Aspirando tra-
5mm, facilitando sua retirada rpi-
                                                duzir cenicamente o ritmo musical,
da, sobretudo quando se tem que
                                                Appia chegou a escrever e publicar
fazer mudanas rpidas de cenrios.
                                                um volume de teoria intitulado M-
apoteose. Cena ou quadro final, de              sicas da mise-en-scne. Sua primei-
efeito deslumbrante e normalmente               ra experincia teatral data de 1891,
com a presena de todo o elenco,                com a encenao de obras de
com a finalidade de transmitir viso            Wagner.* Foi seu colaborador o di-
de glria. No gnero revista musi-              retor, encenador e terico ingls
cal e mgica, era o ltimo quadro,              Gordon Craig.*
de presena obrigatria, fartamente
                                                apropsito. Texto sem nenhuma
deslumbrante, gloriosamente ilumi-
                                                pretenso esttica e de curta dura-
nado, mostrando ao pblico, de for-
                                                o, cujo principal objetivo  fazer
ma rpida, uma cena alegrica.
                                                rir. Usa como tema, ou motivo, fa-
Appia, Adolph (1862-1928). Cen-                tos sociais, artsticos ou polticos que
grafo, diretor teatral e crtico de arte        estejam ocorrendo quer na comuni-
suo, cuja contribuio foi expres-            dade, quer no pas.  sempre mais
siva para a criao do palco                    extenso que o esquete. Fora de uso.
tridimensional, em substituio ao
                                                apupado. Que sofreu um apupo.
clssico, de duas dimenses, at en-
to em voga, elaborando a anlise               apupar. Lanar apupos.
do movimento como elemento do
                                                apupo. Forma debochada de o p-
espetculo. Reformulador da ceno-
                                                blico mostrar que o espetculo ou
grafia, a iluminao para ele passou
                                                um personagem no est agradan-
a ter um papel de destaque, consti-
                                                do. No chega a ter o carter da vaia,
tuindo-se elemento essencial na en-
                                                que  mais geral e tem tom mais
cenao, a partir do que foi possvel
                                                agressivo, radical e coletivo. O apu-
elaborar o princpio de que o espa-
                                                po pode ser considerado como o
o/luz tem funo psicolgica. Usan-
                                                descontentamento de uns poucos,
do com muita habilidade trainis e
                                                e sem muita intensidade. [Cf. Vaia.]
praticveis para organizar e compor
o espao vertical, cortinas para o              apuro. 1. Etapa final da preparao
horizontal e escadas para os planos             de um espetculo, anterior  de afi-
altos, Appia procurava dar relevo              nao e ensaio geral, quando j es-


                                           32
arara                                                                 Aristfanes

to estabelecidas as marcaes e os          viveram entre os anos de 1660 e 1757.
papis perfeitamente decorados.             O compositor alemo Gluck (1714-
nessa etapa da preparao de um              1787) e o austraco Mozart (1756-
espetculo que o seu ritmo  esta-           1791) transformaram a ria, de sim-
belecido. 2. Ensaio de apuro.                ples pea de exibio dos cantores,
                                             em parte essencial do drama. A par-
arara. Estrutura de madeira ou me-
                                             tir de Wagner*, e sobretudo entre
tal, prpria para receber os cabides
                                             os modernos, evitou-se o uso da ria.
com as roupas a serem usadas no
espetculo. Normalmente, fica nos            Arion. Dramaturgo grego nascido
camarins ou nas coxias.  formada            em Lesbos, considerado o criador,
por dois ps laterais ligados ao alto        por volta dos anos 610 a. C., da tra-
por um cano ou vara arredondada.             gdia lrica, gnero que marcou a
                                             fase transitria entre o ditirambo e
arco de cena. Na arquitetura teatral
                                             o drama regular. Essa mudana con-
 italiana, a moldura que envolve a
                                             sistiu na transformao da orques-
boca de cena; arco do proscnio.
                                             tra errante dos sectrios, num coro
arconte-rei. Arconte epnimo. Na             fixo ou cclico, criando, inclusive,
Grcia Antiga, o cidado respons-           um estilo de msica adaptada ao ca-
vel pela organizao das represen-           rter do coro.
taes dramticas que, na poca, era
                                             Aristfanes (450/445-385 a. C.). Um
uma das formas de cultuar Dioniso.*
                                             dos mais famosos dramaturgos da
Ao arconte-rei competia escolher,
                                             Grcia Antiga, criador da comdia e
entre os concorrentes, os trs poe-
                                             um dos criadores do moderno teatro
tas cujas obras se lhe afigurassem
                                             ocidental. Especializado na stira
merecedoras de serem representa-
                                             social e poltica, cuja contundncia
das, s quais ele fornecia um coro e
                                             de argumentao  dificilmente en-
a permisso de encenao s custas
                                             contrada em outros escritores de sua
de um cidado, o corego.*
                                             poca e nos dias atuais, sua produ-
arena. Espao cnico circular ou se-         o  ligada ao perodo da Comdia
micircular, no centro da platia; an-        Antiga.* Escreveu aproximadamen-
fiteatro. [Cf. Teatro de Arena.]             te 44 comdias, das quais apenas 11
                                             chegaram integrais at nossos dias.
ria. Palavra de origem italiana que
                                             Mestre da fantasia e da stira, ridi-
identifica a melodia vocal ou instru-
                                             cularizou figuras de sua poca, assi-
mental, carregada de ornamentos,
                                             nando suas primeiras comdias com
que se ope, na pera, ao recitativo
                                             o pseudnimo de Calstrato, passan-
e ao parlando; solo vocal em pe-
                                             do a assinar com o prprio nome s
ras e oratrios. Desenvolveu-se com
                                             a partir de 425, com Os cavaleiros.
a pera do sculo XVII e sua forma
                                             Suas peas constituem variaes sa-
padro foi estabelecida por um dos
                                             tricas sobre temas da atualidade
membros da famlia Scarlatti, com-
                                             ateniense, defendendo a tradio
positores e regentes italianos que


                                        33
Aristfanes                                                               Arlequim

contra a tendncia de novas idias,            aristofanesco. Pertencente ou rela-
sem deixar de denunciar a incom-               tivo a Aristfanes.*
petncia e venalidade dos governan-
                                               aristofanismo. Gnero, estilo ou in-
tes, os maus costumes da juventu-
                                               fluncia de Aristfanes.*
de ateniense, proclamando os sofis-
tas como corruptores das institui-             Aristteles (384-322 a. C.). Filso-
es. Sua carreira  marcada pela              fo grego, elaborou, em sua Poti-
Guerra do Peloponeso, na qual se               ca, a primeira esttica da arte dra-
enfrentaram as duas maiores potn-             mtica, onde foram definidos o pen-
cias da Grcia: Esparta e Atenas.              samento, a fbula, o carter, a lin-
Como no poderia ser diferente, a              guagem, a melodia e a encenao,
guerra e o desejo da paz so temas             os seis elementos essenciais da
predominantes na sua obra, confor-             obra teatral. Segundo Aristteles,
me demonstra logo no incio da car-            esses elementos deveriam estar
reira, em Os arcanos (425)                    subordinados  Regra das Trs
Arcanianos, em algumas tradues               Unidades*  ao/tempo/lugar  o
, e numa comdia sobre a guerra,              que limitava, classicamente, o dra-
As nuvens, na qual Scrates  ataca-           ma a um s local de ao.
do como professor amoral de retri-
                                               Arlequim. Mscara da Commedia
ca. E o tema se estende em A paz
                                               dell'Arte italiana, cuja funo origi-
(421), em Lisstrata (411), onde as
                                               nal era divertir o pblico com piadas
mulheres conseguem a paz quando
                                               e acrobacias durante os intervalos
se recusam a fazer sexo com seus
                                               do espetculo. S muito mais tarde
maridos guerreiros. Em As rs,
                                                que o personagem foi lentamente
Aristfanes retrata a descida do deus
                                               se introduzindo no corpo da trama,
Dioniso* ao Hades, e o seu julga-
                                               acabando por se transformar num
mento em favor de squilo*, numa
                                               dos mais importantes e populares
competio com Eurpides* pela pri-
                                               tipos da poca, entre os sculos XVI
mazia na arte de escrever tragdias.
                                               e XVII, sobretudo pelo seu carter
Denunciou tambm os demagogos,
                                               de mltiplas nuanas, que ia do pa-
as utopias polticas, as ambies guer-
                                               lhao ao rufio, passando pelo
reiras e outros males da "vida moder-
                                               bufo, farsante, volvel, irrespon-
na", ridicularizando figures de seu
                                               svel, provocador e fanfarro. Teve
tempo, filsofos e, sobretudo, os pro-
                                               presena destacada em quase todas
tagonistas da Guerra do Peloponeso,
                                               as dramaturgias de sua poca, na Eu-
marcando a passagem do teatro
                                               ropa. Seu traje tpico  sempre
engajado para a alegoria de carter
                                               multicolorido, feito de remendos de
moralizador. A encenao de suas
                                               vrios tipos de fazenda, cortados
comdias, em seu tempo, dava mais a
                                               normalmente em forma de losangos.
idia de um comcio poltico, onde a
                                               Usa mscara negra e chapu de cor
participao do pblico era constan-
                                               de feitio variado, dependendo da
temente incentivada.
                                               cultura em que foi adotado, nunca


                                          34
arlequinada                                                                arranjo

deixando, contudo, seu inseparvel            arquibancada. A forma de platia dis-
sabre de madeira. Normalmente,               posta em degraus, fartamente usada
apresentado como um criado igno-              nos teatros em forma de arena.
rante, mas profundamente sagaz,
                                              Arrabal, Fernando (1932-1234). Dra-
capaz de enganar com habilidade
                                              maturgo espanhol radicado na Fran-
seus amos e todas as pessoas em
                                              a desde 1955, onde produziu tanto
sua volta. Vive em oposio a
                                              em lngua espanhola, como france-
Briguela*, o servo atoleimado. He-
                                              sa. Idealizador do Teatro Pnico, es-
ri de diversas comdias de Regnard
                                              ttica que descreve um mundo de
(1655-1709), Lesage (1668-1747) e
                                              vtimas e carrascos que se compra-
Goldoni*, foi na obra de Marivaux*
                                              zem alternadamente no domnio e na
que mais se desenvolveu todas as
                                              servido, como fica bem claro num
facetas de sua personalidade e do
                                              dos seus textos clssicos, O arqui-
seu carter, que podia trocar de vci-
                                              teto e Imperador da Assria (1967).
os e virtudes. Na reformulao do
                                              Sua obra, vinculada ao Teatro do
gnero, feito por Goldoni, o Arlequim
                                              Absurdo*, com razes dadastas e
ficou mais gil, sutil, trapalho e
                                              surrealistas,  sempre carregada de
mentiroso por convenincia.  per-
                                              forte aluso poltica, em que a inspi-
sonagem do auto popular do bumba-
                                              rao no fantstico se mescla conti-
meu-boi pernambucano, espcie de
                                              nuamente, como  fcil de identifi-
moo de recados do Cavalo-Mari-
                                              car em O cemitrio de automveis
nho, que  tratado por capito e re-
                                              (1966) e O jardim das delcias (1969).
presenta o proprietrio da fazenda.
                                              Ainda de sua autoria, Piquenique
arlequinada. Comdia em que o pro-            no front (1958), O triciclo (1961),
tagonista  um dos personagens da             Jardim das delcias (1969). V. Movi-
Commedia dell'Arte, com especiali-            mento Pnico.
dade o prprio Arlequim. Como for-
                                              arranco. Forma exagerada e defei-
ma teatral, originou-se da fuso da
                                              tuosa que alguns atores e atrizes ti-
Commedia dell'Arte italiana com os
                                              nham, na velha escola de represen-
espetculos mmicos das feiras de
                                              tar, de declamar seus papis, quer
Paris, nos quais o dilogo era proi-
                                              no drama, quer na tragdia: "Fula-
bido; espetculo musical muito po-
                                              no foi aos arrancos". Deficincia
pular na Inglaterra do sculo XVIII,
                                              modernamente corrigida pelas esco-
no qual as personagens contavam
                                              las de teatro, cursos de declamao,
uma histria alegre atravs da dan-
                                              aulas de impostao de voz.
a; palhaada de Arlequim; dana
prpria de Arlequim.                          arranjo. Palavra prxima ao espa-
                                              nhol arreglo, usada para designar a
armar a cena. Ao de montar o ce-
                                              reduo ou modificao da obra de
nrio; preparar o ambiente fsico para
                                              um autor; adaptao.
a representao.




                                         35
arremedo                                                           Artaud, Antonin

arremedo. Pea escrita nos moldes             acabou propondo uma nova concep-
de outra; plgio literrio; imitao.         o esttica para o teatro, a partir da
                                              qual o espetculo dramtico deveria
arremedilho. Durante a Idade M-
                                              retomar o verdadeiro sentido de sua
dia, jogral palaciano portugus cons-
                                              funo sagrada e ritualstica, tentan-
titudo de imitao mmica e falada
                                              do, com isso, obter uma relao
de personalidades, com freqentes
                                              nova entre ator e espectador, visan-
tiradas jocosas; escaranho, no pa-
                                              do uma comunho mais estreita en-
dro lusitano da poca. Com o pas-
                                              tre o palco e platia, proposta estti-
sar dos tempos, passou a ser conhe-
                                              ca desenvolvida a partir de 1926,
cido pela expresso entremez.
                                              quando funda o Teatro Alfredo
arriar. Folgar as cordas  a curta, a         Jarry e pe em prtica o seu Teatro
do meio ou a comprida  para facili-          da Crueldade, em que defende o prin-
tar a descida do objeto suspenso na           cpio de que as foras elementares
manobra.  Arriar tudo. Folgar si-             da mente so expostas em forma de
multaneamente as trs cordas.                 ritual, princpio que exerceu forte in-
Arriar tudo at o cho. Fazer des-            fluncia para a transformao est-
cer a vara at o cho do palco.               tica do espetculo, modificando o
                                              comportamento de muitos diretores
Ars poetica. V. Epistola ad Pisones.
                                              de seu tempo. Essa proposta no fica
arsenal. Expresso usada pelo te-            apenas no campo material do espe-
rico e encenador polons Jerzy                tculo, mas avana de forma ousada
Grotowski*, no seu Teatro-Labora-             na criao da idia de um texto total,
trio de Wroclaw, para designar o             antiliterrio, concebido como espe-
elenco de mtodos, artifcios, tru-           lho do inconsciente coletivo, apoiado
ques e coleo de clichs que um              essencialmente na direo do espet-
ator ou diretor acumula consigo,              culo: "No se trata de suprimir a
transformando o artista no que ele            palavra, mas de fazer com que ela
denominava de "ator corteso", que            mude sua direo e, sobretudo, de
 o profissional cuja arte de repre-          reduzir seu lugar, consider-la como
sentar fica bem prxima da prosti-            coisa diferente de um simples meio
tuio, porque s visa a ganhar os            de conduzir caracteres humanos e
favores das platias.                         seus fins exteriores". Insatisfeito
Artaud, Antonin (1896-1948). Drama-           com as mudanas que estava pro-
turgo e terico francs, ator, diretor        pondo e pondo em prtica, Artaud
e poeta, com participao significa-          sugeriu a substituio do palco e da
tiva no movimento surrealista, quer           platia por uma espcie de local ni-
como terico, quer como ativista,             co, sem separao nem barreiras de
no s dirigindo e secretariando jor-         qualquer espcie. S assim, pensa-
nais e revistas representativas do            va ele, poder-se-ia estabelecer uma
movimento, como assinando mani-               comunicao verdadeiramente dire-
festos. Adepto da teoria da catarse,          ta entre ator e espectador, pelo fato


                                         36
arte dramtica                                               assistente de direo

de este, colocado no meio da ao,            de, e vo desde a idade, o tempera-
ser envolvido e afetado pelo espe-            mento ou a situao social da per-
tculo, o que viria a criar uma iluso        sonagem. Um mesmo papel poder
mgico-ritual: "Proponho um teatro            exigir que se recorra a vrios modos
onde violentas imagens fsicas vio-           de articulao no decorrer da repre-
lem e hipnotizem a sensibilidade do           sentao, como no caso de textos
espectador, que abandone a psico-             que retratem a vida inteira de uma
logia e narre o extraordinrio, que           mesma personagem, como acontece
induza ao transe", registrou em O             em Peer Gynt, de Ibsen*, Galileu,
teatro e seu duplo (1938), um dos             de Brecht*, etc.
textos tericos mais polmicos e
                                              asas (do palco). Passagem livre en-
importantes do sculo XX, em que
                                              tre o espao cnico e as paredes la-
ele tambm fala do teatro como pes-
                                              terais do palco, por onde os tcni-
te: "A peste  um mal superior, por-
                                              cos e intrpretes circulam livremen-
que  uma crise completa, aps a
                                              te na hora do espetculo.
qual nada resta, exceto a morte ou a
purificao absoluta. Assim tambm            assinatura. Venda ou aquisio de
o teatro  um mal, por ser o supre-           ingressos para uma temporada intei-
mo estado de equilbrio, que no              ra. Houve um perodo, no Brasil, em
pode ser alcanado sem destruio.            que as companhias de teatro do sul
Ele requer do esprito a participa-           do Pas, principalmente do Rio e So
o num delrio que intensifica am-           Paulo, saam em tournes pelas ca-
plamente suas energias". Comedian-            pitais do Norte e Nordeste  fazen-
te, formado por Charles Dullin*,              do o Norte, como falavam seus em-
Artaud exerceu forte influncia no            presrios  com repertrio de seis a
teatro moderno. "Seu desejo de vi-            mais peas. Era usual, ento, que as
ver experincias absolutas acabaria           pessoas abastadas adquirissem, por
por conduzi-lo  loucura" (Grande             antecipao, ingressos para a tem-
enciclopdia Larousse cultural).              porada inteira: faziam assinatura.
                                              Prtica ainda em uso nas grandes ca-
arte dramtica. A arte da interpreta-
                                              pitais do mundo inteiro.
o teatral, de carter essencialmen-
te coletivo, que envolve um conjun-           assistncia. A reunio de pessoas
to de tcnicas, recursos e conheci-           na platia de um teatro para assis-
mentos tericos por parte de quem a           tir a um espetculo; a platia; o au-
pratica; a arte teatral.                      ditrio.
Arte potica (de Horcio). V.                 assistente de direo. O principal au-
Epistola ad Pisones.                          xiliar do diretor do espetculo e seu
                                              substituto eventual. Atua normal-
articulao. Tcnica de emisso da
                                              mente como ensaiador, seguindo a
voz dada pelo intrprete em situa-
                                              orientao do diretor.  quem quase
o de representao. Diferentes fa-
                                              sempre faz todas as anotaes das
tores determinam essa expressivida-


                                         37
assoalho                                                                        ato

indicaes tcnicas dadas aos ato-            bavam, no decorrer da representa-
res, referentes  marcao e atitu-           o, recebendo a interferncia dos
des, atividade dos tcnicos e equi-           atores, que atuando sempre masca-
pe de operaes, no que diz respei-           rados, personificavam tipos fixos e
to  movimentao de cena, ilumina-           no deixavam de dar sua colabora-
o, efeitos de som, etc.                     o, improvisando inevitveis ca-
                                              cos. Seus textos consistiam basi-
assoalho. O piso do palco. Deve ser
                                              camente no delineamento da vida
feito de madeira, por alguns moti-
                                              nas pequenas cidades, as persona-
vos importantes: facilidade de fixa-
                                              gens principais da comunidade as-
o do cenrio, som, estabilidade
                                              sumindo, aos poucos, carter con-
dos atores.
                                              vencional. Estereotipadas, essas
astro. O ator destacado de um elen-           personagens normalmente eram
co, quer pelo seu talento, quer pela          Pappus, o pai ou marido rabugen-
sua posio proeminente, ou pelos             to; Maccus, o gluto; Buco, o
atributos conferidos pela imprensa;           bochechudo; e Dossennus, o ma-
o ator principal. Sir Laurence Olivier        nhoso. As Fabulae Attelanae j pre-
(1907-1989) foi um grande astro do            nunciavam a Commedia dell'Arte.
teatro britnico; Orson Welles                O modelo que lhe est mais prximo,
(1915-1985) e Charles Chaplin                 em nossos dias,  o do esquete da
(1889-1977), do cinema americano;             revista musical.
Srgio Cardoso*, Paulo Autran*,
                                              Atletismo da afetividade. Ttulo de
Procpio Ferreira*, do teatro brasi-
                                              um ensaio de Antonin Artaud*, em
leiro. F. Estrela.
                                              que esse autor desenvolve e defen-
atacar. Na linguagem dos maquinis-            de sua idia da "teoria da
tas em atividade na caixa de um tea-          musculao afetiva", referente  re-
tro, o ato de amarrar trainis* e             lao existente entre o afeto, a emo-
tapadeiras uns aos outros na cons-            o e o movimento muscular. Nesse
truo e afinao dos cenrios, prin-         ensaio, Artaud insiste na idia de que
cipalmente dos gabinetes; firmar,             a emoo no  uma simples abstra-
ajustar, fixar.                               o. Partindo do pressuposto de que
                                              "a alma tem uma expresso
Atellanae (Fabulae). Peas curtas,
                                              corprea", ele afirma ento que alma,
no estilo farsa, originrias de Roma,
                                              emoo e sentimento podem ser atin-
que tinham por objetivo criticar a
                                              gidos a partir da mobilizao fsica.
atualidade poltica. Receberam esse
nome em homenagem  villa de                  atmosfera. Clima emocional que d
Atelano (Atella, em latim), na                a caracterstica da cena ou do espe-
Campnia, local de sua origem. Em-            tculo inteiro, cujas variantes so
bora possussem um esboo de tex-             chamadas de tons.
to de extrema simplicidade, previa-
                                              ato. Cada uma das partes em que,
mente traado, mesmo assim aca-
                                              convencionalmente,  dividida a


                                         38
ator                                                                            ator

pea teatral, e que, por sua vez, pode         ator.  ele que empresta plenitude
ser constitudo de cenas e quadros.            fsica e espiritual ao texto do drama-
O ato cria estrategicamente um in-             turgo, usando seu corpo e sua voz
tervalo que serve para a troca de              para comunicar ao pblico a perso-
cenrios e "desliga" momentanea-               nagem que interpreta. Por essa qua-
mente a platia da tenso do espet-           lidade  que o ator  essencialmente
culo. Historicamente, a primeira re-           o instrumento de expresso teatral,
ferncia  diviso de uma pea em              o elemento preciso de um espetcu-
atos est no Epistola ad Pisones*              lo, desenvolvendo at as ltimas
(versos 189-90) de Horcio, que fi-            conseqncias o material que lhe 
xava o nmero obrigatrio de cinco             fornecido pelo autor e pelo diretor;
atos para cada pea, prtica que se            pessoa que, utilizando a arte da imi-
tornou norma durante a Renascen-               tao, representa uma outra diver-
a. S no sculo XIX, sobretudo por            samente contrria  sua personali-
influncia do dramaturgo noruegus             dade, no teatro, no cinema, no rdio
Henrique Ibsen*, esta norma foi                ou televiso. A Enciclopdia fran-
quebrada, estabelecendo-se trs                cesa estabelece algumas distines
atos como critrio ideal para se de-           de carter terico entre comediante
senvolver uma histria e a durao             e ator. Para ela, "o ator s pode re-
de um espetculo. O sculo XX tem-             presentar certos papis  os outros
se mostrado indiferente a um crit-            ele deforma na medida de sua perso-
rio rgido, diversificando ou mesmo            nalidade , enquanto o comediante
ignorando essa prtica, que comea             pode representar todos." E mais: "O
a ser banida por algumas companhi-             ator habita uma personagem, en-
as de teatro e em algumas casas de             quanto o comediante  habitado por
espetculos.  Ato variado. Nmero              ela  o ator impe e exibe a prpria
de canto, dana, cenas de humor,               personalidade, enquanto o comedi-
sem nenhuma unidade episdica,                 ante se esconde por detrs do pa-
apresentado ordinariamente nos in-             pel, apagando sua natureza em be-
tervalos de um espetculo maior. Foi           nefcio da transmisso objetiva da
tambm uma forma de espetculo                 imagem sugerida pela pea." A figu-
misto muito usado at a metade do              ra do ator tem sua origem no
sculo XX, nos chamados benefci-              hypokrits grego, que significa
os, onde acontecia de tudo:                    respondedor, e era aquele que re-
canonetas, rias de pera, atos de            presentava todos os papis requeri-
comdia ou drama, esquetes, qua-               dos pelo coro;  o simulador, aquele
dros de revistas, exerccios circen-           que finge, e  o nico responsvel
ses, nmeros de mgica etc.                    pelo fenmeno teatral. A tarefa pri-
                                               mordial do ator  transformar o texto
ator. Principal agente de expresso
                                               literrio em um fato artstico e cni-
ou comunicao em um espetculo
                                               co. Tradicionalmente, os atores eram
teatral. O texto teatral, em princpio,
                                               dispostos em cena obedecendo a
s adquire vida ao ser animado pelo


                                          39
atrasar                                                                         auto

uma hierarquia, quer de elenco, quer           atuar. Estar participando de um es-
de importncia na companhia. Mas               petculo; interpretar; dar vida a uma
a maneira de atuar do ator tem se              personagem.
modificado muito atravs da Hist-
                                               audio. Ato de apresentar ou es-
ria do Espetculo, acompanhando,
                                               cutar uma pera, pea sinfnica ou
sobretudo, as estticas da represen-
                                               concerto musical: "O violonista
tao, dependentes das tendncias
                                               maranhense, Turbio Santos, apre-
polticas, filosficas e at mesmo
                                               sentou em primeira audio, na
econmicas, em voga. F. Atriz. 
                                               Sala Ceclia Meireles, o arranjo para
Ator (atriz) complementar. O(a) fi-
                                               violo da Missa Solene de Ant-
gurante ou comparsa.  Ator (atriz)
                                               nio Rayol."
convidado(a). Ator ou atriz de gran-
de talento, em alguns casos,                   auditrio. 1. Numa casa de espet-
especializado(a) em determinados ti-           culo, o espao destinado ao pbli-
pos, incorporado(a) momentanea-                co, equipado normalmente com pol-
mente a um elenco para trabalho es-            tronas. 2. O pblico que compe uma
pecfico.  Ator santo. Expresso               sala de espetculo para ver e ouvir o
criada pelo encenador e terico po-            que se desenrola no palco. Platia.
lons Jerzy Grotowski*, para quali-
                                               auleum. No antigo teatro romano,
ficar o profissional que no se deixa
                                               provavelmente a partir do ano 133 a.
seduzir pela mercantilizao. Para
                                               C., um telo que descia  frente da
Grotowski (Em busca de um teatro
                                               cena quando o espetculo estava
pobre), se o ator "no faz nenhuma
                                               para ser iniciado. S a partir desse
exibio de seu corpo, mas o quei-
                                               perodo  que o equipamento pas-
ma, o aniquila, o libera de toda resis-
                                               sou a ser suspenso por cordas para
tncia a qualquer impulso psquico,
                                               o topo da scaenae frons. Foi a primi-
na realidade no est vendendo seu
                                               tiva forma do atual pano de boca.
corpo, mas sacrificando-o."
                                               auto. Gnero teatral ligeiro, geral-
atrasar (a deixa). V. Deixa.
                                               mente versando sobre temas religi-
atuadores. Expresso proposta pelo             osos, originrio da Idade Mdia,
diretor e animador de teatro brasilei-         bastante popular durante o sculo
ro Jos Celso Martinez Correia*, em            XVI. Normalmente escrito em ver-
1972, para designar os membros da              sos, o auto privilegiava, de prefe-
comunidade artstica em que fora               rncia, os assuntos chamados no-
transformado o Teatro Oficina* na              bres. Estruturado por Gil Vicente*,
ltima etapa de sua existncia, quan-          o primeiro texto, no gnero, de que
do representavam uma forma de                  se tem notcia,  o Auto da visitao,
happening, estabelecendo uma es-               escrito por volta de 1502. No Brasil,
pcie de relao efetiva, colabora-            foi introduzido e usado fartamente
o ou conflito, entre os integrantes          por Jos de Anchieta (1534-1597)
do grupo e o pblico.                          como instrumento de catequese e


                                          40
auto                                                             avant-premire

educao do ndio. Os autos de              gnero. Na Frana e na Inglaterra,
Jos de Anchieta eram espetcu-             ficaram populares com o nome de
los profundamente alegricos, re-           milagres* e mistrios.*
pletos de aluses a demnios e
                                            Autran, Paulo (1922-1234). Ator e
pecados, com atores personifican-
                                            diretor de teatro brasileiro. Estreou
do o inferno, o cu, o bem, o mal,
                                            em 1949, com a comdia de Guilher-
etc., em que no faltavam manifes-
                                            me de Figueiredo, Um deus dormiu
taes de msica e de dana. Mais
                                            l em casa, integrando o elenco do
tarde, mesclado  tradio indge-
                                            Teatro Brasileiro de Comdia, onde
na e africana, o gnero deu origem
                                            permaneceu at 1955. Desligando-
aos autos populares. Pela prpria
                                            se do TBC, formou companhia pr-
natureza festiva e popular dos au-
                                            pria com Tnia Carrero (1928-1234)
tos, para eles convergiram vrias
                                            e Adolfo Celi (1923-1985), o histri-
manifestaes folclricas, princi-
                                            co Tnia-Celli-Autran, onde mon-
palmente as danas dramticas, tor-
                                            taram Otelo, de Shakespeare*, o
nando bastante imprecisos os limi-
                                            musical May fair lady, de Loewe
tes entre uns e outros. O mais na-
                                            (Frederick, 1901-1988) & Lerner (Alan
cional de todos os autos  o bumba-
                                            Jay, 1918-1986), Liberdade, liberda-
meu-boi*, tambm o de maior
                                            de, de Millr Fernandes (1924-1234),
prestgio popular e de difuso
                                            Antgona, de Sfocles*, Seis per-
mais ampla  Auto pastoril. De-
                                            sonagens  procura de um autor,
signao dada ao gnero, quando o
                                            de Luigi Pirandello*, A morte do cai-
assunto tratado era de cunho pro-
                                            xeiro-viajante, de Arthur Miller*,
fano.  Auto sacramental. Na Pe-
                                            entre outras. Dissolvido o grupo em
nnsula Ibrica, o nome dado s
                                            1962, Autran passou a trabalhar
peas de cunho religioso, de tra-
                                            como ator independente. Fez cine-
dio medieval, inspiradas quer
                                            ma e atuou em novelas de televiso,
nos sacramentos, quer nos eventos
                                            a partir de 1977.
bblicos, ou na vida dos santos.
Lanando mo de alegorias, esta              valoir. Expresso francesa e de uso
forma dramtica foi largamente usa-         universal, usada nas assinaturas dos
da como funo didtica para for-           contratos de direitos autorais, so-
talecer a f junto s comunidades,          bretudo quando  feito um adianta-
quer reafirmando os valores morais          mento ao autor de uma pea, carac-
da Igreja, quer explicando os mist-        terizando a posse dos direitos de en-
rios que cercavam os sacramentos.           cenao pelo perodo de tempo esti-
O mais antigo auto sacramental co-          pulado no contrato. Literalmente,
nhecido  o Auto de los Reyes Ma-           significa por conta.
gos, escrito possivelmente por vol-
                                            avant-premire. Expresso france-
ta de 1200. Lope de Vega* e
                                            sa, para dizer a apresentao de um
Caldern de La Barca*, na Espanha,
                                            espetculo em carter reservado para
conferiram dimenso literria ao
                                            crticos, imprensa especializada e


                                       41
avant-scne                                                        Azevedo, Artur

convidados especiais, antes de sua           Azevedo, Artur Nabantino Gonal-
primeira representao para o p-            ves de (1855-1908). Dramaturgo
blico de bilheteria. No Brasil, vem          brasileiro, nascido em So Lus do
sendo substituda por pr-estria.           Maranho, introdutor do gnero re-
                                             vista do ano no Brasil. Consolidou
avant-scne. Expresso francesa,
                                             a comdia de costumes e, ao lado de
que j teve seu uso corrente na lin-
                                             Martins Pena*,  considerado como
guagem teatral brasileira, e serve
                                             ponto de partida para uma drama-
para qualificar a parte do palco que
                                             turgia nacional.
fica abaixo da linha do pano de boca;
hoje, proscnio.                             Deixou mais de setenta peas, deze-
                                             nas de tradues e um grande n-
avental. Estilo de palco usado no pe-
                                             mero de adaptaes, sendo que uma
rodo elisabetano, projetando um
                                             das caractersticas que mais valori-
espao de representao alm do
                                             zam sua obra  a permanente atuali-
proscnio. V. Palco elisabetano.
                                             dade. Como jornalista e homem in-
avisador. Pessoa que exerce funo           fluente de sua poca, foi um dos
facultativa na caixa do teatro, cuja         batalhadores pela construo do Te-
obrigao durante o espetculo era           atro Municipal do Rio de Janeiro,
a de "avisar", aos participantes do          e, como diretor do Teatro Joo Cae-
elenco, a sua vez de entrar em cena.         tano, na antiga Capital Federal, um
Ao longo dos ensaios e fora dessa            incentivador sem precedentes do te-
funo, esse auxiliar  usado tam-           atro nacional, numa poca em que o
bm para o servio de recados ou             chique era encenar textos importa-
pequenas tarefas fora da caixa do            dos da Frana. Entre suas peas de
teatro. Dispensvel e fora de uso,           interesse geral, vale a pena registrar
foi substituda com maior vantagem           O bilontra (1885), A almanjarra
pelo contra-regra.                           (1888), A capital federal (1897), O
                                             badejo (1898), O dote (1888), O mam-
                                             bembe (1904).




                                        42
Babau. Nome dado ao mamulengo                  para designar uma pea de m quali-
na Zona da Mata, em Pernambuco.                dade. 2. Espetculo sem nenhum
Popular e presena obrigatria nas             mrito artstico; chanchada.
festas comunitrias, so persona-
                                               bailado. Manifestao de dana,
gens caractersticas desta ocorrn-
                                               quase sempre ilustrada com mmica
cia: Cabo 70, Preto Benedito, Z Ras-
                                               e acompanhamento musical, poden-
gado, Simo e Etelvina. Suas hist-
                                               do constituir um espetculo inde-
rias so normalmente ambientadas e
                                               pendente, ou acontecer no meio de
refletem a vida nos engenhos e nas
                                               uma comdia ou de uma pera.
fazendas da regio.
                                               bailarino. Profissional especializado
baby. Nome pelos quais os tcnicos
                                               em dana, portador desse ttulo de-
em iluminao identificam os peque-
                                               pois de freqentar, tradicionalmen-
nos refletores utilizados para ilumi-
                                               te, um curso regular dessa arte. F.
nar pequenas superfcies.
                                               Bailarina.
back light. Feixe de luz auxiliar situ-
                                               baixa. Designao dada  rea do
ado por trs do objeto.
                                               palco que fica mais prxima  boca
background. A msica de fundo; o               de cena, em oposio  alta, que fica
tradicional BG.                                ao fundo, e dividida em esquerda e
                                               direita.  um espao subjetivo usa-
Baco. Nome latino de Dioniso*,
                                               do na terminologia de direo duran-
deus do vinho e da embriaguez, da
                                               te o trabalho de marcao, tanto do
colheita e da fertilidade. Era consi-
                                               espetculo como da luz e da contra-
derado o protetor das belas-artes,
                                               regragem, servindo inclusive para
em particular do teatro, que se teria
                                               orientar o projeto de cenografia.
originado das festas que os anti-
gos promoviam em sua honra, as                 baixo. No canto lrico, a voz mas-
Bacanais.                                      culina mais grave, segundo a esca-
                                               la clssica das vozes dos cantores.
bagaceira. 1. Expresso de gria, fora
                                               Subdivide-se em baixo cantante,
de uso, que serviu por muito tempo
                                               baixo profundo e baixo bufo. 

                                          43
balancim                                                                       bal

Baixo cmico. Classificao desa-             tos para os espectadores, acompa-
parecida da nomenclatura dos elen-            nhando as paredes laterais e a do fun-
cos. Foi representado por atores ou           do, ao longo da platia. Nos grandes
atrizes entre 30 e 35 anos de idade,          teatros  italiana, em que a sala 
que compunham tipos de fisionomia             bastante alta, contam-se vrios bal-
aparvalhada, com gestos de perso-             ces superpostos, dos quais o pri-
nagens destitudas de qualquer in-            meiro  chamado de balco nobre
teligncia, chocantes e mesmo gros-           ou platia alta e o ltimo, galeria,
seiros  estpidos em todos os sen-           o popular poleiro. De qualquer
tidos, sem conscincia dessa sua              modo, so as locaes populares
condio. Estavam normalmente                 reservadas ao pblico com menor
nesta categoria os criados, homens            poder aquisitivo. 2. No cenrio,  a
e mulheres, copeiros, cozinheiros,            varanda ou a sacada, com grade e
vendedores ambulantes, quitandei-             peitoril, que se liga ao interior da
ros, profissionais de baixa catego-           cena por meio de portas ou abertu-
ria. O baixo cmico personificava a           ras decoradas.
baixa camada social. Banido em al-
                                              bal. Representao teatral onde a
gum tempo da comdia propriamen-
                                              dana, combinada com a msica,
te dita, fixou-se na de "costumes" e
                                              conta uma histria ou expressa um
na farsa, sendo finalmente esqueci-
                                              tema. Em algumas manifestaes, a
do como tipo especfico.
                                              coreografia  baseada numa narrati-
balancim. Equipamento para usos               va, quando  lanada mo da panto-
especiais, preso ao urdimento, cuja           mima com o objetivo de transmitir o
funo  servir para levantar pesso-          enredo; bailado; dana figurada; o
as sobre a cena nos efeitos dos vos          conjunto dos bailarinos que inter-
de personagens: anjos, ascenso               pretam uma histria musicada e co-
dos santos, descidas de deuses e              reogrfica.  O bal surgiu nos di-
demnios, etc. O mesmo que tra-               vertimentos das cortes da Renas-
mia. Fora de uso.                            cena italiana, e foi introduzido na
                                              Frana, em 1581, pelo mestre de m-
balano. Na velha escola de repre-
                                              sica e dana italiano Baltazarini di
sentao, a verificao que o diretor
                                              Belgioioso (?-1587), para identificar
fazia, junto aos atores, antes das
                                              o espetculo que lhe encomendara
estrias de um espetculo, para sa-
                                              Catarina de Mdicis, rainha de Fran-
ber se j estavam com o papel deco-
                                              a, para festejar o casamento da prin-
rado, bastando ao ponto apenas so-
                                              cesa Margarida de Lorena com o
prar* suas primeiras falas, para que
                                              duque Joyeuse. Inspirando-se na
seguissem seu dilogo sem titubeio.
                                              lenda mitolgica de Circe e seu po-
Prtica fora de uso.
                                              der de transformar os heris em ani-
balco. 1. Na antiga estrutura                mais, Baltazarini comps o seu es-
arquitetnica das casas de espetcu-          petculo misturando dana, mmica
los, a galeria semicircular com assen-        e representao dramtica. A essa


                                         44
bal                                                                           bal

alquimia de gneros, ele deu o nome           da pera italiana (que introduziria na
de Ballet comique de la reyne, que            Frana maquinrio sofisticado para
explicou como sendo a "mistura ge-            efeitos cnicos), o bal francs ga-
omtrica de vrias pessoas que dan-           nha projeo continental, com a atu-
avam juntas, acompanhadas por                ao destacada de notveis artistas,
instrumentos musicais", acrescen-             entre os quais Franoise Prvost
tando que o qualificativo comique             (1680-1741), Marie Sall (1707-1756),
era empregado no sentido de ao              Jean Dauberval (1742-1806), Louis
dramtica. Nesse mesmo ano, outro             Dupr (1789-1837), Jules Perrot
artista e estudioso italiano, Fabricio        (1810-1892), entre outros. Bastante
Caroso (c. 1526-c. 1600), publicava           discutido e muito controvertido, o
o primeiro tratado de dana, Il               "bal sem ao" acaba cedendo es-
ballerino. Mas s em 1585  que foi           pao para o "ballet d'action", em
dada a primeira definio clssica do         que predominava a pantomima. Ino-
bal, ainda de autoria de outro mes-          vado na Frana pelo coregrafo
tre italiano, Di Rossi: "Uma ao             Jean-Georges Noverre (1727-1810) e
pantommica, com msica e dana".             pelo italiano Salvatore Vigan (1769-
Em 1661, Lus XIV funda na Frana a           1821), estes acrescentaram o elemen-
primeira escola de bal, cujo mestre,         to emocional e criaram o "drama dan-
Pierre Beauchamps (1636-1705), criou          ado", que tornou o bal uma arte
as cinco posies bsicas do p, que          independente, unindo argumento,
ainda hoje perduram. Ainda no rei-            msica, decorao e movimento. No
nado de Lus XIV, o msico italiano           sculo XIX, enfatizam-se a leveza, a
Lully* teve um papel preponderan-             graa dos movimentos e do gesto,
te na criao de inmeros bals, co-          surgindo a dana "sur les pointes"
laborando com Molire* e com                  e a saia curta (tutu*) usada pelas
Beauchamps. Em seguida, registra-             bailarinas. Em meados do sculo
se o surgimento do bal trgico, com          XIX, a Rssia tornou-se o centro
a dana intercalada  ao, passan-           mundial do bal, com a nomeao
do-se ao bal-pera, composto de              de Marius Petipa (1818-1910) para o
vrios atos independentes, canta-             Bal Imperial, em 1862. Petipa inspi-
dos e danados. Era o princpio do            rou os originais de O lago dos cis-
sculo XVIII, o bal fazendo parte            nes, Quebra-nozes e A bela ador-
da pera, surgindo o danarino pro-           mecida. No incio da dcada de 1900,
fissional e criando-se a escola de            em Paris, o Bal Russo de Sergei
dana da pera em 1713, quando fo-            Diaghilev (1872-1929) revitalizou o
ram elaboradas regras para um mai-            gnero com grandes bailarinos, como
or desenvolvimento das tcnicas e             Vaslav Nijinsky (1888-1950), Anna
dos passos, passando o bal a ser             Pavlova (1881-1931), Leonide
um espetculo encenado. Nesse pe-             Massine (1895-1979) e Mikhail
rodo, os danarinos ainda usavam             Fokine (1880-1942). Em 1933, Ninette
pesadas vestimentas. Com a moda               de Valois (1898-2001) formou a pri-


                                         45
bal                                                                bambinelas

meira companhia permanente da In-           (1930-1234) e pela magia de Alvin
glaterra, o atual Royal Ballet, no-         Nikolais (1913-1993). A histria do
tabilizado pela coreografia de              gnero, no Brasil, aponta a primeira
William Ashton (1906-1988). En-             ocorrncia acontecendo em 1813,
quanto isso, nos Estados Unidos,            com um grupo dirigido por Lacombe
George Ballanchine (1904-1983) fun-         exibindo-se no Real Teatro de So
dava o American Ballet na dcada            Joo, no Rio de Janeiro. Um sculo
de 30, fundindo em seu New York             depois, registra-se a atuao da
City Ballet a tradio clssica com         Companhia de Diaghilev, com
a dana moderna, conforme foi de-           Vaslav Nijinski (1889-1950), Leonide
senvolvido por Isadora Duncan*,             Massine (1895-1979), Tmara
Ruth St. Denis (1880-1968), Martha          Karsavina (1885-1978) e Ldia
Graham (1894-1991) e Jerme                 Lepokova, no Teatro Municipal,
Robbins (1918-1999). O sculo XX            tambm do Rio de Janeiro, seguin-
surpreende a todos com o apareci-           do-se a visita da Companhia de
mento dessa grande renovadora e             Anna Pavlova, que deu incio a um
revolucionria que  Isadora                interesse mais crescente pelo bal
Duncan, com seu estilo livre de dan-        neste pas. Em 1927, Maria Olenova
ar, que acabou influenciando po-           (ou Olenewa, ?-1965) cria a Escola
derosamente os "pioneiros", que             de Dana do Teatro Municipal, na
criaram a dana moderna norte-              Capital Federal, onde se formariam
americana. Com o fim da Segunda             grandes artistas como Leda Yuqui,
Guerra Mundial, uma nova gerao            Berta Rosanova, Carlos Leite,
de bailarinos e coregrafos despon-         Marlia Gremo. Da em diante, fo-
ta: Roland Petit (1924-1234), Janine        ram surgindo grandes nomes e elen-
Charrat (1924-1234), entre outros,          cos de destaque, como Juliana
contribuindo para uma nova revo-            Yanakieva, Raul Sdevero, Edith
luo no gnero, quando as ques-            Pudeiko, Tmara Capeller, Tatiana
tes do homem moderno foram tra-            Leskova, Nina Verchinina, Dalal
tadas por Jerme Robbins, nos Es-           Achcar, Mrcia Haide, Beatriz
tados Unidos e por Maurice Bjart           Consuelo, Dennis Gray, Alice
(1927-1234), na Frana. A dana mo-         Colino, Ana Botafogo e os Bal da
derna enriqueceu o bal tradicio-           Juventude, Bal do IV Centenrio,
nal, dando origem a um gnero h-           Bal do Rio de Janeiro, entre ou-
brido que Maurice Bjart e John             tros.  Bal-pera. Gnero de pe-
Butler (1920-1234) desenvolveram            ra onde predominam cenas de dan-
com maestria; e momentos artsti-           a e que chegou a se tornar popu-
cos de qualidade incomparvel so           lar na Frana. O exemplo mais tpi-
propiciados pelo gnio criador de           co deste gnero  As ndias
Martha Graham, pela paixo                  galantes, de Rameau (1683-1764);
incontrolvel de Jos Limn (1908-          ballet. [Cf. pera-ballet.]
1972), pelo humor de Paul Taylor
                                            bambinelas. Bambolinas.


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bambolinas                                                                   barbas

bambolinas. Faixas de pano ou pa-             luxuosa.  sempre colocada logo
pel, pendentes do teto da cena e              aps o montalqum.
dispostas em srie a partir do pano
                                              bancada. Mesa no camarim, junto ao
de boca, atravessando o palco, ho-
                                              espelho, onde so colocados os ape-
rizontalmente, de um bastidor a ou-
                                              trechos de maquiagem e todo o ma-
tro. Servem, em princpio, para ocul-
                                              terial necessrio para o/a artista se
tar da vista da platia a varanda de
                                              transformar na personagem  cabe-
manobra e toda parte superior do
                                              leiras, apliques, etc.
palco ou urdimento, de onde pen-
dem as varas de luz, cordas, e todo           bandeiras. Pequenas placas de me-
o material de apoio usado pelos ma-           tal presas s bordas dos refletores
quinistas durante o espetculo. Po-           com a funo de variar a abertura do
dem ser tantas quantas forem ne-              ngulo de iluminao, limitando o
cessrias para a funo desejada, e           campo de ao do foco, de acordo
servem tambm para enquadramen-               com as necessidades tcnicas da
to das cenas, unio superior dos              cena.
rompimentos e dos bastidores. Em
                                              bandeja (Ator/atriz de). Na gria tea-
alguns casos, podem ser usadas
                                              tral, o ator ou atriz que, apesar de
tambm como elemento cenogrfi-
                                              todo empenho, mas por extrema fal-
co, fingindo de cu, folhagens ou
                                              ta de talento, no consegue passar
simplesmente de teto da cena. Po-
                                              de um nvel medocre de atuao,
dem ser usadas soltas, presas a
                                              sendo-lhe, ento, reservados papis
uma vara, ou sob a forma de estrei-
                                              que no requeiram grandes desem-
tas armaes de madeira forradas
                                              penhos, tais como serviais que s
de pano.  Bambolina de cu. A que
                                              entram em cena para oferecer, em
 usada para dar a impresso de infi-
                                              bandejas, cafezinhos, bebidas, ou
nito, no alto dos cenrios de exterio-
                                              transportar correspondncia em am-
res.  Bambolina-mestra. Situada
                                              bientes elegantes etc., constando
logo aps a bambolina rgia,  cons-
                                              sempre nos programas dos espet-
tituda por planos verticais que po-
                                              culos com a clssica designao N.
dem deslizar lateral e verticalmente,
                                              N.* Tanto o termo como o tipo esto
diminuindo assim a altura e a largu-
                                              fora de uso.
ra do arco de cena. Conjugando-se
com os primeiros reguladores, for-            barbas. Na antiga terminologia do
ma o prtico de cena. Tambm co-              espetculo, designao pela qual
nhecida como reguladora ou regu-              eram chamados os profissionais que
lador.  Bambolina no ar.                      se especializavam na interpretao
Bambolina azul clara ou cinzento-             dos papis de reis, profetas, ancios,
azulada, que envolve o limite supe-           sumos-sacerdotes e outros tipos
rior do ciclorama.  Bambolina r-             que exigiam o uso de longas barbas.
gia. Com a mesma funo das de-               Tanto o termo como a especialidade
mais, toma este nome por ser a mais           desapareceram do cenrio teatral.


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bartono                                                              bastidor(es)

bartono. Na arte do canto lrico, a          basto de Molire. Tradicionalmen-
voz masculina intermediria entre o           te, o pedao de sarrafo de que se
tenor e o baixo. Pelo seu timbre e            serve o contra-regra para bater con-
pela sua extenso, pode ser baixo             tra o assoalho do palco, em panca-
ou verde.                                     das rpidas e secas, o aviso
                                              alertando o pblico para o comeo
barra. Vara de ferro ou madeira re-
                                              do espetculo. Historicamente, teve
sistente, colocada a certa altura nas
                                              sua origem com o dramaturgo fran-
salas de aula das escolas de dana,
                                              cs Jean Baptiste Poquelin, o
e fixada ao solo, prpria para exerc-
                                              Molire*, que usava um basto ar-
cios dos profissionais dessa arte.
                                              tisticamente entalhado e ornamen-
Barrault, Jean-Louis (1910-1943).             tado exclusivamente para essa fun-
Ator, diretor e mmico francs, disc-        o. Apesar de muitos teatros terem
pulo de Charles Dullin.* Esteve li-           abolido essa tradio em favor dos
gado  Comdie Franaise de 1940              sinais eletrnicos, a herana ainda 
a 1946, perodo em que montou O               respeitada no mundo inteiro, at
sapato de cetim (1943), de Paul               mesmo nos teatros mais modernos.
Claudel*, autor que constituiu uma
                                              bastidor(es). 1. Cada uma das peas
de suas constantes preocupaes
                                              mveis, geralmente uma armao de
como diretor. Fundou, juntamente
                                              madeira coberta de pano, colocada
com sua mulher, Madaleine Renault,
                                              verticalmente nas laterais do palco,
uma companhia, que se instalou no
                                              com a funo de delimitar o espao
Teatro Marigny de 1946 a 1956 e
                                              cnico. Pode ser tambm um elemen-
mudou a direo esttica do teatro
                                              to cenogrfico representando ape-
na Frana. De 1959 a 1968, assumiu
                                              nas um detalhe do ambiente a ser
a direo do Odon Thtre de
                                              sugerido, ou estar distribudo por
France e, em 1972, criou o Thtre
                                              vrios planos da cena. 2. Espao in-
d'Orsey. Atravs da interpretao de
                                              terno do palco, em volta do cenrio,
autores clssicos (Shakespeare*,
                                              por onde circulam atores e outros
Molire*, Tchekhov*) ou contem-
                                              profissionais durante o espetculo;
porneos (Beckett*, Genet*), procu-
                                              o interior do palco, a rea de servi-
rou uma linguagem dramtica "cor-
                                              o.  A linha imaginria que liga os
poral" e visceral, na linha de Artaud*
                                              bastidores entre si  chamada de li-
e Jarry (1873-1907), sobre a qual ela-
                                              nha dos bastidores, e a outra, que
borou reflexes em seus artigos e
                                              lhe  perpendicular e corta a linha
ensaios.
                                              dos bastidores bem no centro,  a
base. Produto de maquiagem que                linha do centro. O perfeito manejo
serve para dar uniformidade  cor             dessa rea geogrfica do palco  de
da pele onde ser aplicada a carac-           grande importncia para os tcnicos
terizao definitiva; pintura de              que montam os cenrios, j que to-
aparelhagem do rosto; o mesmo                 das as medidas para determinar a po-
que geral.*                                   sio dos elementos cnicos so cal-


                                         48
bater                                                           Beckett, Samuel

culadas a partir dessas linhas. A            tesanato e restabelecendo o con-
parte do palco que fica abaixo da li-        tato entre a arte e a produo in-
nha dos bastidores  chamada de              dustrial. Influenciou a arquitetura
avant-scne; coxias. Recolher-se             teatral de seu tempo.
aos bastidores. Sair de cena. O ter-
                                             Beckett, Samuel (1906-1989). Dra-
mo acabou sendo adotado pela clas-
                                             maturgo irlands, cujo nome est li-
se poltica e pela imprensa, para ca-
                                             gado aos fundamentos do Teatro do
racterizar a pessoa que se retira das
                                             Absurdo.* Sua obra, marcada por
atividades pblicas.
                                             um sentimento niilista profundo, em
bater. Repetir um texto ou qualquer          que a criatura humana vive mergu-
trecho do espetculo vezes segui-            lhada numa rotina tediosa, pontilha-
das, at decor-lo ou at que seu            da de sofrimentos, est bem carac-
rendimento seja satisfatrio; bater          terizada no drama Esperando Godot,
o papel.                                     de 1953, onde ele homenageava os
                                             indivduos passivos que vivem num
batidas de Molire. V. Basto de
                                             mundo atormentado por um deus
Molire.
                                             cruel imaginrio, e que, ao ser ence-
batom. Produto em forma de peque-            nado, atingiu um status mstico at
no basto, de tons variados, para a          ento nunca visto num espetculo
pintura do rosto dos atores; cosm-          dramtico no Ocidente. O pessimis-
tico prprio para a maquiagem tea-           mo desesperado de Beckett ainda 
tral. So muitas as tonalidades no           mais pungente na pea Fim de par-
mercado, cerca de vinte, no Brasil.          tida (1957), seguida da pantomima
                                             Ato sem palavras, tambm de 1957.
Baty, Gaston (1885-1952). Diretor de
                                             Agindo em profundidade, a obra de
teatro francs e um dos principais
                                             Beckett renuncia  superficialidade
animadores do Cartel*, afirmando-
                                             realista, mostrando mais eficazmen-
se pela originalidade com que diri-
                                             te a realidade do que as outras cor-
gia seus atores, imaginava o guar-
                                             rentes e escolas dramticas que a
da-roupa e construa o cenrio.
                                             isto tm-se proposto. Beckett "no
Bauhaus. Escola alem de ensino              acreditava em nenhum sentido da
de arte (e arquitetura), fundada por         vida, que lhe parecia absurda e de-
Walter Gropius (1883-1969), em               sesperada, nem na possibilidade de
Weimar, em 1919. Transferida para            qualquer comunicao entre os in-
Dassau (1925-1932) e depois para             divduos, nem na capacidade da lin-
Berlim (1933), foi definitivamente           guagem de manifestar esse estado
fechada pelos nazistas. A inteno           de coisas, cujo efeito  uma angs-
de Gropius era criar uma nova ar-            tia irremedivel." (Grande enciclo-
quitetura, dando vida e significa-           pdia Larousse).  o mais importan-
o ao habitat, atravs da sntese           te representante da Literatura da
das artes plsticas, do artesanato           Angstia, do sculo. Ganhou o Pr-
e da indstria, revalorizando o ar-          mio Nobel de Literatura de 1969.


                                        49
bel canto                                                       Bernhardt, Sarah

bel canto. Expresso italiana para           nome de efeito de distanciamento*,
identificar o estilo de canto prprio        que reformula a teoria aristotlica
da pera italiana do sculo XIX; o           das trs unidades e se confronta
belo canto. Caracterizava-se pela            com a esttica de representao psi-
ornamentao excessiva da msica             colgica do terico russo Konstan-
e pelo exibicionismo exagerado por           tin Stanislavski.* Foram colabora-
parte do cantor, que procurava au-           dores de Brecht, nesse projeto, des-
mentar o contedo emocional da               de o primeiro momento, a atriz
pea que estava interpretando, para          Helene Weigel (1900-1971)  que se
mostrar tcnica, versatilidade e ta-         tornaria sua esposa , os encena-
lento. Por extenso, o prprio gne-         dores Benno Besson (1922-1234) e
ro pera.                                    Erich Engel (1891-1966), o ator Ernst
                                             Busch (1900-1980) e o cengrafo
Benavente, Jacinto (1866-1954).
                                             Caspar Neher (1897-1962). Instala-
Dramaturgo espanhol, responsvel
                                             do no Schiffbauerdamm-Theatre, o
pela popularizao do dramaturgo
                                             Berliner Ensemble tornou-se ime-
noruegus Henrique Ibsen* e das
                                             diatamente o mais importante n-
idias de Freud na literatura e no
                                             cleo de teatro da Europa, permane-
teatro espanhol das primeiras d-
                                             cendo por muitos anos no primeiro
cadas do sculo XX. Observador
                                             plano da vida teatral internacional,
crtico dos costumes e das paixes,
                                             inspirando as tcnicas de represen-
contribuiu para implantar na
                                             tao de outros importantes elen-
Espanha um repertrio de teatro de
                                             cos da Europa. De acordo com os
boulevard* de boa qualidade. En-
                                             princpios do distanciamento, o
tre seus textos, merecem destaque
                                             Berliner Ensemble evita que seu
O ninho alheio (1894), Os interes-
                                             intrprete se identifique com o he-
ses criados (1907), A malquista
                                             ri e rejeita o culto ao vedetismo,
(1913), Vidas cruzadas (1925), Don
                                             muito embora Helena Weigel tenha
Magin, el de las mgicas (1940).
                                             se transformado num "monstro sa-
benefcio. Espetculo cuja renda se          grado". Depois da unificao ale-
destina a fins beneficentes. O bene-         m, em 1989, o Berliner Ensemble
fcio pode ser em favor de uma pes-          passou a enfrentar dificuldades fi-
soa (um artista em dificuldade, por          nanceiras e artsticas cada vez mai-
exemplo) ou entidade.                        ores, mergulhando finalmente numa
                                             crise sem precedentes.
Berliner Ensemble. Companhia de
teatro criada na ento Alemanha              Bernhardt, Sarah (1844-1923). Nome
Oriental, pelo dramaturgo Bertholt           artstico da artista francesa Henriette
Brecht*, quando de seu retorno do            Rosine Bernard, a maior intrprete
exlio nos Estados Unidos, em 1949.          do teatro francs de sua poca e a
A empresa foi criada para colocar            ltima intrprete romntica do pano-
em prtica a teoria esttica criada          rama teatral do Ocidente. Teve suas
por seu fundador, conhecida pelo             primeiras aulas de interpretao com


                                        50
besteirol                                                                    bidunga

o escritor francs Alexandre Du-                culo Bar, doce bar, criado por Filipe
mas*, que lhe ensinou a recitar                 Pinheiro, Pedro Cardoso e o msico
Fedra, de Racine*. Temperamental,               Tim Rescala. O gnero foi consagra-
tinha uma voz frgil e doce. Apesar             do pelos trabalhos do grupo
de seu aprendizado em arte dramti-             Asdrbal Trouxe o Trombone.
ca ter sido com os grandes mestres
                                                bexigada. Gria teatral, fora de uso,
de seu tempo, alm de Dumas, s
                                                para dizer caco.
conseguiu entrar para a Comdie
Franaise por influncia de Mony,               BG. Abreviatura para o ingls
outro grande artista de seu tempo.              background, que identifica tudo
Em 1880, desligou-se da companhia               aquilo que constitui o fundo de uma
oficial francesa, organizando seu               cena  vozes, rudos, msica, etc.
prprio elenco, passando a fazer
                                                Bibiena. Nome pelo qual ficaram
tournes pelo exterior. Em 1893, pas-
                                                conhecidos os Galli, famlia de ar-
sou a dirigir o Thtre de la
                                                quitetos, cengrafos, pintores e gra-
Rnaissance. Em 1898, transformou
                                                vadores italianos do sculo XVII,
o Teatro das Naes, que havia alu-
                                                que deram uma contribuio valiosa
gado, em Teatro Sarah Bernhardt.
                                                para a histria da cenografia teatral,
Nas suas viagens pelo exterior, es-
                                                com a introduo das perspectivas
teve no Brasil, onde fez grande su-
                                                em diagonal, ao invs da perspecti-
cesso, mas fraturou o joelho, tendo
                                                va central, at ento utilizada. Resi-
que amputar a perna, circunstncia
                                                dindo na cidade de Bolonha, os Galli
que no a impediu de continuar atu-
                                                 Ferdinando (1657-1743); seu irmo
ando. Em 1922, fez sua ltima cria-
                                                Francesco (1659-1739); Giuseppe
o em Rgine Armand, de Louis
                                                (1696-175) e Antnio (1700-1774), fi-
Verneuil.
                                                lhos de Ferdinando  percorreram
besteirol. Gnero tipicamente brasi-            toda a Europa projetando teatros,
leiro, surgido nos anos 70 do sculo            maquinarias de cena, cenrios e todo
XX, composto de pequenos                        tipo de parafernlia visual para ser-
esquetes que comentam, atravs de               vir ao espetculo teatral. Contribu-
um humor escrachado e com toques                ram fundamentalmente para o desen-
de absurdo, flagrantes do cotidia-              volvimento do teatro barroco.
no, privilegiando como tema de sua
                                                bidunga. Tcnica usada pelos cen-
especialidade assuntos da atualida-
                                                grafos e maquinistas para tornar o
de poltica e social do Pas. Para atin-
                                                cenrio opaco, de maneira que as
gir mais integralmente o seu objeti-
                                                luzes internas, na caixa do teatro,
vo, os textos e espetculos so mes-
                                                durante o espetculo, no se refli-
clados com elementos do teatro de
                                                tam atravs dele. Consiste na apli-
revista, do vaudeville e do caf-tea-
                                                cao de tinta preta na sua face tra-
tro, gneros de feio europia. A
                                                seira ou na aplicao de outro mate-
primeira manifestao registrada do
                                                rial de vedao, quando o cenrio 
besteirol aconteceu com o espet-


                                           51
bidungar                                                            Boal, Augusto

de pano. Desnecessrio nos cenri-            movimentos do trabalho rotineiro,
os de madeira compensada ou ou-               funcionando como a linha de mon-
tros similares mais modernos.                 tagem mecnica industrial, onde um
                                              intrprete comea um movimento
bidungar. Tornar opacas as
                                              continuado por outro e concludo
tapadeiras e outros elementos do
                                              por um terceiro. A formao do ator,
cenrio, usando a tcnica da
                                              para Meyerhold*, deve incluir estu-
bidunga; vedar as tapadeiras, evi-
                                              do da dana e da msica, a prtica
tando que a luz colocada por trs
                                              de esportes como o atletismo, a es-
dos cenrios vaze para a platia, cri-
                                              grima e o tnis, entre outros que de-
ando um efeito incmodo de trans-
                                              senvolvem reas especficas do cor-
parncia.
                                              po. O projeto da biomecnica de
bife. Na linguagem teatral, a fala            Meyerhold desenvolveu-se parale-
muito extensa; tirada; monlogo ou            lamente ao construtivismo; biodin-
solilquio no interior de um texto            mica, taylorismo.
teatral, normalmente sem muito m-
                                              Bip. O palhao chapliniano criado em
rito literrio. Difere do monlogo.
                                              1947 por Marcel Marceau*, na pea
bilheteria. Local da casa de espet-          Les enfants du paradis. Trajando cal-
culo onde so vendidos os ingressos.          as brancas, camisa listrada, colete,
                                              e usando um chapu coco, encimado
biomecnica. Sistema de treinamen-
                                              por uma flor, Bip, para Marceau, re-
to do ator, desenvolvido pelo russo
                                              presenta "o heri romntico e
Meyerhold*, dissidente do Teatro
                                              burlesco de nosso tempo".
de Arte de Moscou, em oposio 
tendncia naturalista e  atuao             bis. Interjeio empregada pelo p-
psicolgica de Stanislavski.*                 blico, quando deseja a repetio de
Meyerhold prope uma abordagem                um nmero ou de qualquer trecho
da personagem de fora para dentro,            da representao. Raro acontecer
estado de comportamento que o                 com o teatro declamado.
ator atinge "desenhando" com seus
                                              boa-noite. Gria teatral fora de uso,
gestos e movimentos a atitude
                                              aplicada ao freqentador de espet-
comportamental da personagem,
                                              culos que no gostava de pagar in-
desligando-o completamente da in-
                                              gresso, geralmente tipos populares
terpretao realista e subordinando-
                                              e conhecidos da administrao do
o s regras da mecnica e da mate-
                                              teatro. A nica contribuio desses
mtica. Os exerccios biomecnicos
                                              penetras era a sonora saudao
 defende seu criador  acentuam a
                                              "boa-noite" aos porteiros.
interpretao exterior fsica, quase
acrobtica, obedecendo ao princpio           Boal, Augusto Pinto (1931-1234). Dra-
de que "o ator deve ser um virtuose           maturgo e diretor teatral, cujo nome
do instrumento que  o seu corpo".            est ligado estreitamente ao Teatro
Um dos aspectos dessa teoria con-             de Arena* de So Paulo e ao Grupo
duz o intrprete a se espelhar nos            Opinio* do Rio de Janeiro. Em par-

                                         52
Boal, Augusto                                                                 boneco

ceria com Gianfrancesco Guarnieri*,             Bobo. Personagem tpica do teatro
escreveu Arena conta Zumbi, espe-               elisabetano, invariavelmente inteli-
tculo onde colocou em prtica o Sis-           gente e sagaz, cuja principal funo
tema Curinga.* Preso por motivos po-             a de observador e comentador da
lticos, em 1971, pela Ditadura Militar,        ao da pea. O modelo desse tipo 
ao ser libertado exilou-se na Argenti-          o Bobo de Rei Lear, de Shakespea-
na, onde trabalhou at a derrubada              re*, espcie de alter ego do rei, cuja
do governo constitucional daquele               voz soa como a razo em conflito
pas, em 1976, transferindo-se ento            com a demncia do monarca.
para Portugal, onde exercitou sua te-
                                                boca de cena. Abertura frontal do
oria do Teatro do Oprimido. Benefici-
                                                palco, nos tradicionais teatros  ita-
ado com a anistia, retornou ao Brasil,
                                                liana, formada pelo regulador-mes-
dedicando-se ao trabalho de direo,
                                                tre, associado  bambolina-mestra,
quando assinou trabalhos como
                                                que serve para determinar altura e
Fedra (1986) e Encontro marcado
                                                largura da cena, atravs da qual o
(1988). So representativos de sua
                                                pblico v o espetculo. De acordo
dramaturgia: Revoluo na Amrica
                                                com alguns tericos,  a que fica
do Sul (1960), Arena conta
                                                localizada a suposta quarta parede*
Tiradentes (1967), Arena conta
                                                de cena. No modelo de palco com
Bolvar (1969), Torquemada (1971),
                                                esse tipo de moldura, ela  normal-
Tio Patinhas e a plula (1972), Mur-
                                                mente provida de cortinas, pano de
ro em ponta de faca (1978). Sempre 
                                                boca ou velrio, como era designa-
frente de um processo de renovao
                                                do o panejamento com essa finali-
do teatro brasileiro, cria os seminri-
                                                dade, at fins do sculo passado.
os de dramaturgia e o Teatro do Opri-
mido, expresso genrica para um                Boca de pera. Rompimento inde-
conjunto de regras, jogos e tcnicas            pendente, com a mesma serventia
que ajudam a desenvolver aquilo que             dos contra-reguladores.
cada um j , e d ttulo a um conjun-
                                                bocca chiusa. Expresso italiana que
to de ensaios onde ele discute o seu
                                                qualifica a passagem, no coro can-
iderio de teatrlogo e metteur-en-
                                                tado, feita com a boca fechada: Coro
scne e relata suas experincias reali-
                                                a bocca chiusa
zadas de 1962 a 1973 no Brasil, Ar-
gentina, Peru, Venezuela e outros               boneco. Nome genrico dado s fi-
pases latino-americanos, publicadas            guras do teatro de fantoches e mari-
em 1975, com o ttulo Teatro do opri-           onetes. Os bonecos podem ser con-
mido e outras poticas polticas. Em            feccionados com os materiais mais
2000, publica sua autobiografia,                diversos, sendo que os mais popu-
Hamlet e o filho do padeiro, que de-            lares so de pano, massa de papel
nomina de memrias imaginrias. A               ou madeira. Podem tambm ser de
seu nome tambm se associa a idia              couro ou sola, fibras vegetais,
e a prtica do Teatro-Jornal.*                  isopor, objetos de uso domstico


                                           53
bonifrates                                                              boulevard

fora de uso, sacos de papel, etc. Se-        uma palmilha de couro ou madeira
gundo o estilo de cada um e o g-            chamada calceus, e de uma parte
nero a que so destinados dentro de          superior, de pele de animal ajustvel
sua categoria, recebem designaes            perna, a cliga.
as mais variadas: luva, vara, som-
                                             boulevard. Um conceito antigo de
bra, engono, etc. V. Fantoche.
                                             espao cnico, entendido por fes-
bonifrates. Uma das vrias designa-          ta/circo/feira, e uma das vrias for-
es pelas quais so conhecidos os           mas de linguagem esttica pela qual
bonecos articulados de algumas re-           passou a arte teatral ao longo de
gies do Brasil e de Portugal. Bone-         sua histria. O gnero caracterizou-
co de engono; autmato; ttere.             se pela leveza do texto, discreta dose
                                             de malcia, e temtica envolvendo
borboleta. Tipo de porca com duas
                                             o eterno tringulo amoroso e suas
aletas que facilitam o seu manuseio.
                                             implicaes sentimentais. O tom
Usadas em combinao com parafu-
                                             melodramtico e popularesco de
sos, so de grande utilidade para a
                                             suas primeiras manifestaes foi-
montagem e desmontagem de peas
                                             se modificando ao longo do tem-
do cenrio.
                                             po, chegando a adquirir uma
bordo. Frase ou palavra repetida            entonao burguesa nos ltimos
com freqncia por uma personagem            instantes de sua efervescncia. De
para produzir efeito cmico.                 carter eminentemente comercial e
                                             sem nenhuma pretenso literria,
border. Palavra importada da ln-
                                             o gnero estava voltado apenas
gua francesa, bordereau, para de-
                                             para a distrao fcil. Florescendo
signar o resultado bruto da renda de
                                             na metade do sculo XIX, na Fran-
um espetculo.
                                             a, durante a Belle poque, sofreu
borla. Termo fora de uso, para iden-         crtica severa, por parte dos adep-
tificar o prosaico convite.                  tos do teatro revolucionrio russo
borracheira. Palavra fora de uso,            de Stanislavski* e Meyerhold*, e
para qualificar o espetculo em que          uma represso feroz movida pelo ex-
o nvel artstico do texto e de todos        pressionismo alemo, anterior ao
os elementos da encenao deixava            nazismo, das associaes de espec-
muito a desejar, e no qual figurinos,        tadores criadas a partir do fim do
cenrios, adereos e interpretao           sculo XIX e conhecidas pelo nome
no mereceram, por parte da direo          de Volksbhnem. Apesar de tudo,
e produo, um tratamento estetica-          conseguiu espalhar-se por toda a
mente decente.                               Europa. O nome originou-se em ra-
                                             zo das primeiras salas de espet-
borzeguim. Calado que os antigos            culo estarem localizadas no
atores cmicos romanos usavam                Boulevard du Temple, passando, a
durante o espetculo, para lhes au-          partir de sua popularizao, aos
mentar a estatura. Compunha-se de            grandes boulevards parisienses. A


                                        54
boy                                                               Brecht, Bertholt

expresso chegou ao sculo XX,                onetes gigantes que chegavam s
difundindo-se por todo o Ociden-              vezes a atingir trs metros de altura,
te, para designar qualquer tipo de            mscaras, pantomima, recitativos,
teatro ligeiro, em oposio aos re-           msica, dana, pintura, atores mas-
pertrios clssicos ou de vanguar-            carados ou de rostos pintados, es-
da; teatro de bulevar.  possvel             culturas, jogos de luz, etc., reunin-
identificar o dramaturgo francs              do numa unidade passional,
Georges Feydeau* como um autor                dramaturgia, poltica e religio. Seus
tpico do gnero.                             espetculos, nunca realistas e fre-
                                              qentemente gratuitos, podiam acon-
boy. Palavra inglesa para designar
                                              tecer tanto em salas convencionais
o bailarino jovem, principalmente
                                              e tradicionais, como ao ar livre e
no gnero revista. Os boys atuam
                                              ambiente improvisado, no decurso
normalmente ao lado das girls (bai-
                                              de manifestaes polticas como as
larinas).
                                              "marchas pela paz" ou contra "a
branco. Lapso de memria que pode             matana das focas no Plo Norte".
surpreender o intrprete, deixando-           O nome do grupo, Bread and
o momentaneamente esquecido do                Puppet, vem do cerimonial simbli-
texto ou parte dele.                          co que o elenco fazia antes de qual-
                                              quer espetculo, distribuindo pes
Bread and Puppet Theater. Grupo
                                              aos espectadores da primeira fila:
criado pelo escultor alemo Peter
                                              "Tentamos persuadi-los  justifica-
Schumann, constituiu-se num mo-
                                              va seu idealizador  de que o teatro
vimento no profissional, de carter
                                               to indispensvel ao homem como
revolucionrio e vanguardista, que
                                              o po."
atuou nos Estados Unidos, muito
embora tenha sido mais conhecido              Brecht, Eugen Bertholt Friedrich
na Europa. Fundado em 1958, a es-             (1898-1956). Dramaturgo e diretor de
tria do grupo s aconteceu em 1961,          teatro alemo, poeta, jornalista e
com o espetculo Dana dos mor-               terico, responsvel por mudanas
tos, no Judson Memorial de Nova               radicais na elaborao do espetcu-
York. Distinguiu-se dos demais gru-           lo e criao da personagem. Consi-
pos off-Broadway pelo carter radi-           derado um dos nomes mais originais
cal de sua tcnica, recusa sistemti-         e universais do teatro contempor-
ca e ferrenha ao profissionalismo,            neo, Brecht pretendeu escrever o
vontade poltica de se inserir na rea-        teatro da era cientfica, pico ou
lidade quotidiana, ambies morais,           dialtico, em oposio ao clssico
e pela originalidade do voto de "po-          aristotlico, que se realiza numa at-
breza" como princpio fundamental             mosfera de iluso. Defendeu de for-
de funcionamento. Teatro total, o             ma radical o princpio de que a "arte
grupo utilizava e combinava simul-            dramtica deve ter a tarefa primordi-
taneamente todos os recursos do               al de despertar a conscincia crtica
espetculo e das artes: atores, mari-         do espectador para os problemas


                                         55
Brecht, Bertholt                                                   Brecht, Bertholt

sociais e poticos de seu tempo".              oria do Distanciamento*, em que
Recusando o que considerava men-               reestuda, em linhas gerais, a manei-
tira na arte e os artifcios habituais         ra de o intrprete encarar a persona-
em favor de uma crtica social, o tea-         gem que vai defender. Aderindo fi-
tro proposto por Brecht  tico e              nalmente ao marxismo, passa a pro-
poltico, devendo sempre carregar no           duzir um teatro eminentemente pol-
seu bojo uma lio social. Assisten-           tico, sendo obrigado a deixar a Ale-
te, no comeo de sua carreira, de Max          manha nazista em 1923, quando vai
Reinhardt (1873-1940), e de Erwin              viver em vrios pases da Europa,
Piscator*, a primeira fase de sua fe-          sempre produzindo, mas tambm
cunda produo  marcada pelo                  seguido de perto por seus inimigos
inconformismo e ligada ao expres-              polticos, at 1941, ano em que se
sionismo alemo, quando escreveu               transfere para os Estados Unidos,
Na selva das cidades e Tambores                onde vive at 1947, perodo em que
da noite, ambas em 1922. Logo em               desenvolve de maneira precisa sua
seguida, no que poderia ser chama-             teoria sobre o teatro pico*, que 
do de sua segunda fase de produ-               uma reformulao radical da viso
o, que comea em 1926, desenvol-             aristotlica do drama. Nesse pero-
ve uma espcie de crtica anarquista           do de fugas e sobrevivncia polti-
 sociedade burguesa, que revela               ca, desenvolve a terceira fase de
atravs de comdias satricas do               sua produo, nos textos Terror e
gnero Um homem  um homem, de                 misria do Terceiro Reich (1935/38),
1926, perodo marcado pelo encon-              Os fuzis da senhora Carrar (1937),
tro com o msico Kurt Weill*, que              Galileu Galilei (1937/39), Me Co-
passou a ser um de seus colabora-              ragem, A ascenso irresistvel de
dores mais importantes, ao lado de             Arturo Ui (1941), O sr. Puntila e
quem deixaria marcas profundas na              seu criado Matti e O crculo de giz
histria da dramaturgia e do espet-           caucasiano (1948). Vtima do
culo, com peas do nvel da pera              macarthismo, volta para a Europa,
dos trs vintns (1928), uma releitura         indo morar em Berlim Oriental a par-
fantstica da pera dos mendigos,              tir de 1949, quando funda o Berliner
de John Gay*, e Ascenso e queda               Ensemble*, que serve de laborat-
da cidade de Mahagonny (1929),                 rio para desenvolver suas idias so-
que marca sua adeso ao marxismo               bre o pico que, entre tantas reno-
e ao teatro poltico. Para Brecht, a           vaes na concepo do espetcu-
estrutura da obra, quando represen-            lo e na estrutura da representao,
tada, no deve "distrair" ou "pertur-          tem a de permitir o aparecimento do
bar" a ateno do pblico, mas incit-         aparato de iluminao, mudanas de
lo a modificar a sociedade e a condi-          cenrios diante do pblico, o uso
o do prprio homem. Brecht co-               de narrao e de cartazes para ex-
mea a elaborar uma nova esttica              plicar cenas, e cenografia abstrata.
da representao, inspirando-se no             Como autor e diretor teatral, sua
teatro oriental, sintetizada na sua Te-        influncia sobre as tcnicas de di-


                                          56
brechtiano                                                             Broadway

reo e de concepo teatral foi             adepto das teorias de Bertholt
imensa, insistindo ele em despertar          Brecht. [Cf. Efeito brechtiano.]
a conscincia do espectador para
                                             Briguela. Na Commedia dell'Arte,
os problemas sociais e polticos de
                                             representava o servo bobo, em
seu tempo. Brecht se ops tambm
                                             oposio ao Arlequim, que repre-
 teoria da criao psicolgica da
                                             sentava o criado astuto. Ocasio-
personagem, defendida pelo ence-
                                             nalmente, podiam trocar de vcios
nador e terico russo Konstantin
                                             e de virtudes. Na reformulao do
Stanislavski.* O contedo poltico
                                             gnero feita por Goldoni*, essa
e a esttica do distanciamento por
                                             personagem torna-se perspicaz,
ele idealizada se beneficiaro sem-
                                             discreta e leal. No Brasil, passou a
pre de um poderoso lirismo criador e
                                             identificar o fantoche em algumas
da utilizao sistemtica da msica
                                             regies do Leste e do Sul, justa-
 songs , graas  colaborao es-
                                             mente a de maior concentrao do
treita, quase umbilical, com os com-
                                             imigrante europeu.
positores Kurt Weill* e Paul Dessau
(18941979). Entre seus trabalhos te-        brilhar. Dar grande relevo a um pa-
ricos, destaca-se o Pequeno                 pel; sobressair-se.
organon, publicado em 1949, que 
                                             Brinquedo, Teatro de. V. Teatro de
uma espcie de manual de represen-
                                             Brinquedo.
tao, tendo se tornado a bblia dos
encenadores brechtianos dos anos             Broadway. Alguns quarteires pr-
50, contendo o seguinte axioma: "O           ximo  avenida do mesmo nome, na
espectador deve ser o observador             cidade de Nova York, Estados Uni-
vigilante e imparcial dos problemas          dos, onde se concentra o maior n-
e das situaes que o autor expe            mero de teatros do mundo e os es-
em cena". Entre os textos para tea-          petculos ali apresentados so os
tro, os estudiosos de sua obra sem-          mais bem construdos do Ocidente,
pre destacam as peas didticas,             em acabamento e requinte, embora
entre as quais o "nico drama                no em esttica e linguagem. Pelo
bolchevista" escrito na histria do          nvel da qualificao comercial atri-
comunismo universal, A medida,               buda pela imprensa, ali s se apre-
que data de 1928. A obra de Brecht           senta o que h de mais luxuoso na
denuncia e desmonta teatralmente             produo teatral americana, o que
as mistificaes da sociedade, colo-         no significa o melhor. Ao longo do
cando a nu as foras de opresso.            tempo e do uso, a palavra transfor-
Suas teorias teatrais, no Brasil, es-        mou-se em sinnimo de teatro co-
to nos livros Pequeno instrumen-            mercial, em oposio s criaes ex-
to para o teatro (1949), Estudos so-         perimentais ou s produes sem
bre teatro (1978).                           objetivos to nitidamente comerci-
                                             ais praticadas off-Broadway* e off-
brechtiano. 1. Relativo a Bertholt
                                             off-Broadway.*
Brecht*. 2. Profissional do teatro


                                        57
Brook, Peter                                                                    bufo

Brook, Peter (1925-1234). Encena-             se para Paris, onde fundou o Centro
dor ingls, dos mais importantes de           Internacional de Pesquisas Teatrais.
sua gerao no Ocidente, cujo prin-           A busca desesperada de Brook por
cpio esttico residia no restabeleci-        um teatro que transcendesse as fron-
mento de uma autenticidade teatral            teiras nacionais e lingsticas, levou-
e na tentativa de recriao do ato            o a viajar ao Ir e  frica, resultan-
dramtico completo, no sentido                do em alguns trabalhos impressio-
isabelino (ou elisabetano). Brook             nantes, entre eles o Mahabharata,
procurou desesperadamente uma                 em 1985, adaptado por ele e por Jean-
expresso moderna susceptvel de              Claude Carrire (1931-1234), a par-
restituir ao teatro o que ele chamou          tir do pico snscrito, espetculo
de "a dignidade perdida", reaproxi-           que teve a durao de nove horas.
mando-se para tanto da esttica de-            sua tambm a proposta de um te-
senvolvida por Andr Antoine*,                atro rstico*, como ele designava
atravs da qual pretendeu alcanar            espetculos que promovia, ultra-
uma espcie de realismo total, em             passando o simplesmente "popu-
que o desempenho do intrprete                lar" e buscando maior aproximao
constitusse um ato que se bastasse           ao pblico, envolvendo atores ou
a si mesmo. Estreando como diretor            fantoches, em lugares no conven-
teatral com apenas 17 anos, com a             cionais  vages de trem, garagens,
pea Doutor Fausto, Peter Brook fez           quartos de fundo ou stos, celei-
questo de conhecer em profundi-              ros, armazns, igrejas  e com a pla-
dade as mais diferentes formas de             tia de p ou sentada ao redor das
esttica e de concepo teatral ocor-         paredes, participando ativamente
ridas no Ocidente. Co-diretor do              da apresentao.
Royal Shakespeare, sua celebrida-
                                              Buco. Personagem loquaz e
de surgiu com as encenaes de
                                              beberrona, tpica das Fabulae
Romeu e Julieta e Canseiras de
                                              Atellanae.*
amor baldadas, de Shakespeare*,
em Stratford-on-Avon, em 1947, e             bufa (pera) V. pera bufa.
essa experincia shakespeariana que
                                              bufo. Ator ou personagem tpico do
domina em grande parte a esttica
                                              gnero comdia, responsvel pela
de seu trabalho. Alm das peas de
                                              ocorrncia do riso, o que consegue
Shakespeare, Brook dirigiu peras,
                                              atravs de esgares, mmicas exage-
comdias burlescas e musicais, no
                                              radas, quedas, cambalhotas e outros
West End e na Broadway. Avesso
                                              recursos, alguns deles circenses. 
s frmulas preestabelecidas, foi
                                              popularmente conhecido por vrios
com grande dificuldade que con-
                                              nomes, entre os quais bufo, truo,
cluiu, em 1964, a produo de Marat-
                                              saltimbanco, cmico-burlesco,
Sade, dedicada ao Teatro da Cruel-
                                              fescenino, farsesco.
dade*, esttica defendida por
Antonin Artaud.* Em 1947, mudou-              bufo. V. Bufo [Cf. Baixo.]


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bufonear                                                                   buraco

bufonear. Representar o papel de             enorme habilidade manual. Cada per-
bufo ou bufo; representar de modo           sonagem pode pesar de seis a vinte
burlesco.                                    quilos e  acionada por trs
                                             manipuladores: o mestre, omozukai,
bufoneria. Dito ou ao do bufo;
                                             que trabalha de rosto descoberto e
palhaada; bufonaria.
                                             dois assistentes, encapuzados. Os
bumba-meu-boi. Auto de origem por-           bonecos, que se constituem de sim-
tuguesa, surgido no sculo XVIII,            ples cabeas montadas sobre arma-
no chamado Ciclo do Gado, espa-              es de bambu, articulam olhos e
lhando-se posteriormente, no Bra-            lbios e so movimentados por ala-
sil, pela regio nordestina, e assu-         vancas e maquinismos interiores em
mindo aspectos distintos. Na sua             lugar dos fios e cordis tradicionais
origem, o auto gira em torno do epi-         do Ocidente. As histrias  joruri
sdio da escrava de uma fazenda,              de cunho potico com toque pi-
Me Catirina, que, gestante, dese-           co, so recitadas por um narrador 
jou comer a lngua do novilho mais           tahu  que fica sentado em uma
famoso da fazenda, obrigando Pai             mesa. A narrao  acompanhada
Francisco a matar o animal. Desco-           por msica produzida por um ins-
berto o desaparecimento do novi-             trumento de trs cordas, o
lho, Pai Francisco  preso, submeti-         shamisen. Surgido no sculo VII, o
do a interrogatrio e, quando o crime        gnero s foi mostrado no Ociden-
 descoberto, pela graa de um mila-         te na primavera de 1968, por uma
gre, o animal ressuscita. Apresenta-         companhia de 66 pessoas, cuja m-
do ao ar livre, com indumentria e           dia de idade rondava pelos 50 anos.
acompanhamento de instrumental t-
                                             buraco. 1. Quebra de continuidade
pico  originalmente, pandeires,
                                             ou de ritmo na representao de um
zabumbas, maracs , rene tambm
                                             papel. 2. esquecimento momentneo
um elenco, bem caracterstico, de ca-
                                             do texto durante o espetculo; bran-
boclos de pena ou fita, e outros per-
                                             co. 3. Dilogo suprfluo num texto,
sonagens tpicos, como demnios,
                                             sem nenhuma relao com a intriga.
ndios, "caretas", etc., que danam e
                                              Buraco do pano de boca. Pequeno
cantam a noite inteira. No Maranho,
                                             orifcio tradicionalmente aberto em
o auto tem seus "sotaques" prpri-
                                             uma das laterais do pano de boca,
os, caracterizados pelo instrumental
                                             usado pelos atores para, do lado de
usado: matraca, zabumba e, mais re-
                                             dentro do palco, antes de ser inicia-
centemente, orquestra.
                                             do o espetculo, espiarem a platia.
Bunraku. Espetculo de marionete              Buraco do ponto. Abertura no
de origem japonesa, que se notabili-         cho do proscnio, coberta por uma
zou pela elegncia da forma e pela           cpula, onde fica uma pessoa, o pon-
arte de seu desempenho. Semelhan-            to, acompanhando atentamente o
te  pera, na sua parte cantada, a          desenrolar do espetculo, tendo 
manipulao dos bonecos exige uma            mo seu texto integral, com a finali-


                                        59
burla                                                                      burleta

dade de avivar a memria dos intr-          (1885-1950) e Fany Brice (1891-1951)
pretes no caso de estes esquecerem           comearam a participar desse gne-
suas falas. Prtica em desuso.               ro de espetculos. Aps a Primeira
                                             Guerra Mundial, visando enfrentar a
burla. Tipo caracterstico da
                                             competio do cinema, aumentaram
Commedia dell'Arte, que interferia
                                             a dose de erotismo, incluindo cenas
inopinadamente na ao, produzin-
                                             de strip-tease, o que provocou a ira
do um efeito cmico inesperado. O
                                             dos moralistas. Historicamente, des-
ator, aps criar a sua burla, deveria
retornar ao ponto da situao que            de a Antigidade que o burlesco tem
havia interrompido. Essas interfern-        sido um gnero de pardia, caracte-
cias poderiam ser posteriormente in-         rizando-se, nos sculos XVI e XVII,
corporadas ao texto. Elas diferem do         como forma de reao contra o ro-
lazzi*, por serem mais extensas e            manesco e o precioso, quando mos-
conter um tema prprio.                      travam os personagens que preten-
                                             diam criticar na sua postura clssica,
burlesco. 1. O que  carregado de            mas exibindo sentimentos e lingua-
comicidade exagerada; grotesco;              gem vulgares. No Brasil, essa forma
caricato; cmico; o que provoca riso.        de crtica foi largamente usada pelo
2. Gnero de espetculo que inclui           dramaturgo maranhense Artur Aze-
canes, danas, esquetes de                 vedo*, que a cultivou de forma mais
comicidade grosseira e caricatural.         amena, sem os radicalismos de sua
No Brasil, o gnero acabou dando             origem histrica. Entre as grandes
origem  revista musical. Nos Esta-          pardias de Artur Azevedo, est A
dos Unidos, houve uma variante des-          filha de Maria Angu, calcada em La
tinada exclusivamente ao pblico             fille de madame Angot, de Charles
masculino, criada por volta de 1865,         Lecocq (1832-1918). Vtima dos mo-
por Michael Bennet, na qual anedo-           ralistas religiosos e sem condies
tas de carter fescenino eram alter-         de competir com o cinema, o burlesco
nadas com nmeros de cantos e dan-           entrou em decadncia, desaparecen-
as, e as girls apareciam parcial ou         do quase que abruptamente na d-
completamente despidas, incluindo            cada de 40 do sculo passado.
cenas de mgica, acrobacias,
esquetes de comicidade grosseira e           burleta. Comdia ligeira, originria
caricatural, em que era enfatizado o         do teatro italiano do sculo XVI,
contedo ertico. Esses espetcu-            menos caricatural que a farsa e ge-
los eram apresentados clandestina-           ralmente entremeada de nmeros
mente,       participando      deles         musicais. De carter alegre e vivo e
canonetistas, danarinos e profis-          muito prxima da opereta, seu texto
sionais de luta romana, e show-girls.        parte, em princpio, de um ludbrio
O apogeu desta manifestao se deu           preconcebido; pea alegre, em pro-
no incio do sculo XX, quando co-           sa, entremeada de versos cantados.
mediantes do porte dos irmos Marx           No Brasil, Artur Azevedo*-  o seu
e cantores famosos como Al Jolson            expoente mximo.


                                        60
cabar. 1. Gnero teatral, em que se          onde se reuniam grupos polticos,
apresentam peas musicais curtas e            ideolgicos, e artisticamente mais
esquetes, normalmente de cunho                avanados, que exerceram, inclusive,
satrico e picante. 2. No sculo XIX,         grande influncia na carreira do dra-
local de espetculo onde o                    maturgo Bertholt Brecht* e do com-
freqentador podia comer, beber e             positor Kurt Weill.*
assistir a apresentao de canes
                                              cabaretier. Palavra que esteve mui-
e esquetes que satirizavam aspec-
                                              to em voga nas primeiras dcadas
tos de sua atualidade social e polti-
                                              do sculo XX, para identificar o pro-
ca. O primeiro cabar historicamen-
                                              fissional encarregado de anunciar os
te conhecido com essas caracters-
                                              nmeros num espetculo de varie-
ticas surgiu no bairro bomio de
                                              dades. Fora de uso, tanto a palavra
Montmartre, em Paris, criado pelo
                                              como a funo.
pintor Rodolphe Salis (1851-1897), por
volta de 1881, e era chamado de Le            cabelereiro. Profissional especi-
Chat Noir. O tamanho reduzido da              alizado no arranjo das cabeleiras e
rea de atuao dos atores e a proxi-         dos penteados dos intrpretes. 
midade com a platia favoreciam o             quem, em momentos especiais, se
tom intimista da representao, faci-         responsabiliza pela confeco das
litando o desenvolvimento de um               cabeleiras, postios e demais apli-
humor mais incisivo, podendo ser              ques a serem usados pelos intrpre-
considerado como o modelo que                 tes, em cena.
serviu ao music-hall tradicional. Di-
                                              cabo. Nos teatros de grande estru-
fundindo-se por toda a Europa, de-
                                              tura fsica, designa, entre as dife-
sempenhou papel importante na
                                              rentes funes na caixa cnica, o
promoo de movimentos de van-
                                              profissional mais hbil e mais capa-
guarda como o desenvolvido pelo
                                              citado na funo que exerce, res-
Cabar Voltaire, em Zurique, onde
                                              ponsvel pelo funcionamento per-
nasceu o dadasmo, e os cabars de
                                              feito de um determinado setor do
Berlim, na Alemanha pr-nazista,
                                              palco.  Cabo de comparsa. Com-


                                         61
cabriola                                                                caf-teatro

parsa antigo e de grande tirocnio,            quer no dilogo, quer na gesticula-
responsvel pela disciplina e per-             o. Em Portugal, bexigada; gag.
feita atuao dos demais, junto 
                                               cadeiras (trabalhar para as). Reali-
empresa contratante.  Cabo de co-
                                               zar espetculo com a platia vazia;
rista. Segue o mesmo critrio do an-
                                               sem pblico.
terior, na rea das coristas.  Cabo
de poro. Auxiliar do maquinista-              Caetano, Joo Caetano dos Santos,
chefe, responsvel pela coordena-              dito Joo, (1808-1863). Empresrio,
o dos carpinteiros e pessoal tc-            ator, dramaturgo e terico, pioneiro
nico em atividade nos pores.                  na criao de uma dramaturgia e de
 Cabo de varanda. O chefe dos car-             uma arte de representar autentica-
pinteiros de manobra, que atua na              mente brasileiras, numa poca onde
varanda, sob as ordens do maqui-               os moldes eram rigidamente lusita-
nista-chefe.                                   nos. Iniciou sua carreira de ator em
                                               1831, formando sua prpria compa-
cabriola. Salto de agilidade invulgar,
                                               nhia em 1838, s com atores brasilei-
adornado de movimentos que o bai-
                                               ros e sotaque nacional. Entre suas
larino executa durante sua exibio.
                                               interpretaes de maior sucesso
caarola. Equipamento para ilumina-            para a crtica da poca e que conti-
o de cena. Consiste num amplo                nua merecendo registro pela Hist-
refletor de luz, desprovido de qual-           ria do Espetculo, est Antnio Jos
quer tipo de lente concentradora de            ou o poeta e a Inquisio, de Do-
foco, e que serve para clarear am-             mingos Jos Gonalves de Maga-
plas reas do palco; panelo.                  lhes.* Protegido pelo Marqus de
                                               Paran e admirado por D. Pedro II,
cach. Pagamento em dinheiro fei-
                                               deixou dois livros de teoria teatral:
to a um artista, por seu trabalho
                                               Reflexes dramticas (1837) e Li-
num espetculo. O cach pode ser
                                               es dramticas (1862).
por espetculo, semanal ou quin-
zenalmente.                                    caf-teatro. Tendncia de espetcu-
                                               lo no convencional, montado em
caco. Palavra ou frase fora do texto
                                               cafs e casas de diverses notur-
literrio, criado de improviso pelo in-
                                               nas, onde se reuniam atores e um
trprete, com a finalidade especfica
                                               pblico reduzido. A cumplicidade
de provocar o riso. Foi usado e abu-
                                               com o pblico, constitudo pelos
sado pelas velhas escolas de come-
                                               freqentadores habituais dos locais,
diantes, constituindo um verdadei-
                                               provocava uma identidade platia-
ro suplcio para os artistas iniciantes
                                               atores muito grande, levando os in-
ou aqueles que no tinham muita
                                               trpretes a uma atuao bastante
agilidade de improvisao ou
                                               prxima ao que se presume ter sido
espirituosidade bastante para
                                               nas origens do teatro. Os textos usa-
enfrent-lo em cena aberta; enxerto
                                               dos neste tipo de espetculo eram
de elementos literrios estranhos,



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caf-teatro                                                                   cair

geralmente curtos, os dilogos dire-         cado nas regras. Expresso muito
tos, intimistas, com predileo pelo         em voga nos meios teatrais france-
humor e o inslito, cenrio e outros         ses, entre os sculos XVII e XVIII,
acessrios extremamente simplifica-          para identificar o texto retirado de
dos ou mesmo inexistentes. Diferen-          cartaz por insuficincia de renda que
te da moda dos cafs concertos, que          garantisse a remunerao devida ao
proliferavam no perodo, por toda a          autor. Funcionando com carter de
Europa, essa tendncia, obedecen-            lei, a medida parece ter se originado
do a um modelo bem peculiar, surgiu          por volta de 1653, com o dramaturgo
em 1957, em Nova York, quando o              Philippe Quinault*, em razo de um
empresrio Joe Cino (?-1967), pro-           critrio de remunerao existente,
prietrio de um caf em Greenwich            segundo o qual Quinault receberia
Village, autorizou uma companhia de          uma duodcima parte das rcitas, de
jovens atores beatniks a se exibi-           acordo com o nmero de atos que
rem para seus clientes. Em 1966, a           os textos tivessem  de trs a cinco.
idia  levada para a Frana, por            Pelo acordo, os comediantes pode-
Michel Guitton, proprietrio de um           riam retirar a pea de cartaz quando
caf em Montparnasse, Paris, que             a receita fosse, em dois espetculos
repete ali a experincia, franquean-         seguidos, inferior a 550 libras, no
do sua casa para o jovem dramatur-           inverno, e 350, no vero. Devido a
go Bernard Costa montar sua pea,            esse dispositivo legal, a pea cada
Trio pour deux canaris, novidade             nas regras poderia ser usada livre-
que logo se alastrou pelo Velho              mente pelos atores, sem compromis-
Mundo. Pelas restries que impe            so com os direitos autorais. Do fran-
aos organizadores desse tipo de es-          cs tomber des rgles.
petculo e pela relao diferente que
                                             caimento. O desconto do desnvel
se estabelece entre a sala e o palco,
                                             do palco, calculado na parte inferi-
o caf-teatro deu origem a uma nova
                                             or do cenrio, quando da constru-
forma de linguagem dramtica, pra-
                                             o de uma ilharga ou de um
ticada ento por dramaturgos como
                                             reprego, prevendo o seu ajuste per-
Eugne Ionesco*, Fernando
                                             feito. Por extenso, d-se tambm o
Obalda*, Edward Albee*, Romain
                                             nome de caimento a esse desnvel
Bouteille (1937-1234), entre outros,
                                             do piso do palco.
que produziram alguns textos para
essa nova tendncia. Ficaram famo-           cair. Palavra usada na linguagem
sos os cafs-teatros Pizza du                teatral, para qualificar o espetculo
Marais, Fanol, Petit Casino,                 que est sendo mal recebido pelo
Splendid, Caf de la Gare, Grille e          pblico. O espetculo cai quando,
o Voeille, um local de 480 lugares,          alm de estar sendo vaiado e pateado
dirigido pelo humorista Romain               constantemente, no consegue ter
Bouteille, que instituiu o hbito de         uma bilheteria satisfatria, obrigan-
distribuir sopa nos intervalos.              do-se, conseqentemente, a ser re-


                                        63
caixa                                                        Caldern de la Barca

tirado de cartaz, para evitar maiores         embutido, especializado em soprar
prejuzos financeiros.                        o texto, para os atores.
caixa. Toda a rea de operaes si-           caixilho. A armao de um trainel,
tuada alm da cortina de boca de              que serve para a construo de um
cena, que compreende o espao de              cenrio, antes de receber a devida
representao e as coxias: espao             forrao.
fsico do edifcio do teatro a partir
                                              calceus. Palmilha de couro ou ma-
da boca de cena, em direo ao fun-
                                              deira colocada nos borzeguins usa-
do do edifcio, onde se encontra o
                                              dos pelos antigos atores cmicos
palco e demais dependncias de ser-
                                              romanos, com a finalidade de torn-
vio  camarins, salas de costuras,
                                              los mais altos e, de acordo com ou-
oficinas de carpintaria, depsitos de
                                              tros artifcios que usavam, para pro-
materiais, almoxarifados, salas de
                                              jetar sua figura diante da platia 
contra-regras, etc.  o espao de tra-
                                              sua frente.
balho, despido de glamour, onde o
espetculo  armado e de onde  exi-          Caldern de la Barca, Pedro (1600-
bido para o pblico.  Caixa de ex-            1681). Ao lado de Lope de Vega*, o
ploses. Equipamento de seguran-              mais representativo dramaturgo do
a de uso da contra-regragem, den-            barroco espanhol e da Contra-Re-
tro do qual so produzidos os efei-           forma. Sua obra caracteriza-se pela
tos especiais de exploses, quando            presena de elementos eruditos da
o texto requer.  Caixa de fumaa.             filosofia patrstica e da neo-
Com as mesmas caractersticas fsi-           escolstica de Francisco Surez
cas da de exploses, para a produ-            (1545-1617), com fortes marcas de
o de efeito de fumaa. O equipa-            pessimismo e religiosidade fatalista,
mento artesanal foi substitudo               destacando-se a reflexo sobre as
modernamente por mquina espe-                condies sociais e polticas da
cial.  Caixa de luz. O mesmo que              Espanha de sua poca. Autor de obra
panelo.  Caixa de tica. Expres-             volumosa, sua morte assinalou o fim
so com a qual os adeptos do natu-            do chamado Sculo do Ouro da lite-
ralismo, especialmente Andr                  ratura espanhola, na qual foi respon-
Antoine*, Meiningen* e Stanisla-              svel pelo aperfeioamento de pelo
vski*, denominavam o espao de                menos dois gneros: o auto sacra-
representao visto a partir do p-           mental e a comdia. Recorrendo 
blico; a cena onde se desenvolve o            alegoria, escreveu cerca de 80 autos
espetculo; o palco a partir da viso         sacramentais, que normalmente re-
do espectador.  Caixa do ponto.               fletem um pessimismo e uma religio-
Espcie de armao em forma de c-            sidade fatalista, e mais de 100 com-
pula, em zinco ou madeira, colocada           dias, algumas de carter histrico e
sobre o buraco do ponto aberto no             outras com fundo teolgico. Colo-
proscnio, servindo para escamote-            cou sempre em cena os valores de-
ar da viso do pblico o tcnico ali          fendidos em seu tempo, como fideli-


                                         64
calha                                                                    camarote

dade ao rei, honra, f e esprito ca-         camareira. Profissional respons-
valheiresco. Entre as obras de sua            vel pela ordem e funcionamento
autoria, pode-se referir O mdico e           adequado dos camarins, pelo esta-
sua honra (1629/35), O alcaide de             do perfeito das roupas e adereos
Zalamea (1636), O mdico prodigi-             que os atores usaro no espetcu-
oso (1637), A devoo e a cruz, me-           lo.  quem organiza o guarda-rou-
recendo destaque o profundo dra-              pa, arruma os trajes e, no caso de
ma filosfico A vida  um sonho               viagem,  quem se responsabiliza
(1677). Credita-se ainda  sua auto-          pela sua embalagem. Alm dessas
ria o excepcional O grande teatro             funes, em casos excepcionais, a
do mundo (1633).                              camareira ajuda os atores e atrizes
                                              a vestir e a despir seus trajes. M.
calha. Abertura estreita que atraves-
                                              Camareiro.
sa o piso do palco, de lado a lado,
convenientemente disfarada da vis-           camarim. Aposento reservado, nas
ta do pblico, de muita utilidade para        proximidades do palco, na caixa do
as cenas de efeitos fantsticos nos           teatro, onde o elenco se prepara
espetculos de mgica. Ajuda nos              para o espetculo e aguarda o mo-
efeitos dos desaparecimentos extra-           mento de entrar em cena  o cama-
ordinrios, que pode ser de um pe-            rim pode ser coletivo ou individual.
queno objeto, como o anel de um               Normalmente  dotado de gua cor-
dedo ou todo um imenso cenrio.               rente, bancada com espelhos, boa
Este recurso, fora de uso, era ope-           iluminao, poltronas para descan-
rado por um complexo sistema de               so do artista, conforto relativo. Nos
cordas e roldanas que movimenta-              grandes teatros, alguns desses alo-
vam um trainel montado num carro              jamentos chegam a ter o conforto
sobre rodas.                                  de sutes de grandes hotis.  Ca-
                                              marim de palco. Espao improvisa-
cliga. A parte superior dos
                                              do nas coxias ou entre os bastido-
borzeguins, ajustveis  perna, que
                                              res, onde os atores trocam de rou-
os atores cmicos romanos usavam
                                              pas, quando se trata de mutaes
como pea da indumentria.
                                              rpidas.
Calope. Musa da poesia pica, na
                                              camarote. Na organizao arquite-
mitologia grega.  a principal das
                                              tnica do prdio teatral, local espe-
musas, a que presidia as artes e o
                                              cial para acomodar o pblico, esp-
pensamento em geral.
                                              cie de reservado na platia, com vis-
calota. Armao de pasta de algo-             ta privilegiada do palco. Dispostos
do ou seda, mais ou menos consis-            em volta da platia, costumam ser
tente, aplicada  cabea do ator para         localizados um piso acima da frisa,
cobrir seus cabelos, deixando para a          geralmente dispostos em andares ou
platia a iluso de que a persona-            ordens, que lhes do a classificao
gem  careca.                                 de primeira, segunda, etc; acima dos


                                         65
campainha de aviso                                                   capa-e-espada

camarotes instalam-se normalmente             (1956). Ganhou o Prmio Nobel de
as gerais ou galerias.                        Literatura em 1957.
campainha de aviso. Campainha ou              canastro. Na gria teatral, o ator ou
cigarra que se faz ouvir no teatro in-        atriz sem nenhum talento; ator ou
teiro, anunciando que o espetculo            atriz medocre, de pssima qualida-
est para comear.                            de. F. Canastr.
Camus, Albert (1913-1960). Drama-             canastrice. A qualidade de ser ca-
turgo francs nascido na Arglia,             nastro; atuao sem qualidade.
um dos intelectuais mais importan-
                                              canho. Refletor mvel de grande
tes do movimento existencialista.
                                              alcance de foco.
Sua primeira atividade no campo do
teatro foi a criao do grupo                 canovacci. Palavra italiana, usada
Thtre du Travail, em 1935. Entre            pela Commedia dell'Arte para de-
os anos de 1941 e 1942, escreveu O            signar uma forma especial de roteiro
mito de Ssifo, ensaio que se trans-          de aes que servia de orientao
formou na mais importante contri-             para o ator desenvolver seu traba-
buio para a filosofia da existn-           lho no palco; esquema de desenvol-
cia. Nessa obra ele apresenta a con-          vimento da ao dramtica e dos jo-
dio humana como circunscrita ao             gos cnicos; roteiro.
plano da contingncia, porm mo-              cantata. Antiga forma de poema lri-
vida pelo anseio permanente de
                                              co, que mais tarde se transformou
superao de si mesma. Avesso a
                                              em composio potica para ser can-
qualquer tipo de totalitarismo, con-
                                              tada. De inspirao profana ou reli-
siderou o stalinismo como um regi-
                                              giosa, destinava-se a uma ou mais
me to opressor quanto o nazi-fas-
                                              vozes com acompanhamento instru-
cismo. Apesar de ter-se projetado
                                              mental, freqentemente associada a
mais como romancista, sua obra te-
                                              um coro cuja letra, em vez de historiar
atral  de excepcional qualidade e
                                              um fato dramtico qualquer, descre-
altamente significativa para a
                                              ve, de forma lrica, uma situao psi-
dramaturgia universal, tendo deixa-
                                              colgica. Do italiano cantata.
do textos de importncia capital
para a dramaturgia ocidental, onde            capa-e-espada. Gnero desenvolvi-
refletiu sobre a condio humana,             do na Espanha durante o Sculo de
sondando-a a partir de situaes ex-          Ouro, e que tinha na galanteria a ca-
tremas, nas quais o absurdo dos li-           racterstica que animava suas per-
mites (a morte, a existncia do ou-           sonagens centrais, invariavelmente
tro, a impermeabilidade do mundo             inspiradas nos vrios segmentos da
conscincia) faz eclodir a                    sociedade da poca, movimentan-
autoconscincia.  digno de refe-             do-se numa instigante, complicada,
rncia, no gnero, Calgula (1945),           mas sempre bem construda trama.
Estado de stio (1948), A queda               O nome se originou do hbito de as



                                         66
Capito                                                                     carter

personagens se trajar usualmente              dem ao intrprete a aparncia ade-
com uma capa, e resolverem suas               quada  personagem que vai inter-
pendengas em duelos de espada,                pretar; maquiagem. 3. Em drama-
normalmente fatais.                           turgia, o grau de verdade e solidez
                                              que o dramaturgo consegue inje-
Capito. Personagem tpica da
                                              tar na personagem que cria, naqui-
Commedia dell'Arte, cuja caracte-
                                              lo que diga respeito  fidelidade
rstica marcante de carter era ser um
                                              histrica, propriedade emocional,
mentiroso inveterado, contador de
                                              social e intelectual. Atribui-se a
fantasiosas aventuras amorosas e
                                              Daniel de Bac, famoso cmico fran-
participao em batalhas mirabolan-
                                              cs, a inveno da caracterizao.
tes que s existiam na sua mente.
Normalmente desmoralizado e ridi-             caracterizado. Ator ou atriz prepa-
cularizado, usava capa e espada que           rado convenientemente para atuar
manejava espalhafatosamente du-               em cena; maquiado.
rante suas narraes, e um chapu
                                              caracterizador. Profissional especi-
ridculo, no qual espetava uma enor-
                                              alizado em caracterizao; aquele que
me pena de cauda de pavo.
                                              sabe caracterizar. O profissional en-
capocmico. Espcie de diretor de             carregado da caracterizao de um
cena italiano que na Commedia                 elenco.
dell'Arte explicava aos atores o en-
                                              carapua. Na gria teatral, o papel
redo da pea, orientando a todos
                                              criado sob medida para um ator es-
como deviam desenvolver o enredo
                                              pecfico  papel escrito sob enco-
a ser improvisado.
                                              menda do artista ou criado pelo dra-
caracterizao. 1. Em linguagem               maturgo, visando determinado in-
cnica mais ampla, a preparao f-           trprete; tipo de papel de fcil assi-
sica e psicolgica do ator para vi-           milao que se integra sem grande
ver sua personagem. 2. De forma               esforo, quer de criao psicol-
mais especfica, a arte e a tcnica           gica ou de construo fsica.  A
utilizadas pelo artista, valendo-se           Histria do Espetculo registra
de recursos materiais como cosm-             com fartura esse tipo de compor-
ticos, apliques, mscaras, indu-              tamento, no Brasil. Henriqueta, da
mentrias, para adquirir as carac-            pea O dote, de Artur Azevedo*,
tersticas fsicas que completaro            foi uma carapua para a atriz
a figura da personagem; conjunto              Luclia Peres (1881-1962). Joracy
de meios que o intrprete utiliza             Camargo (1878-1973) escreveu
para vestir sua pessoa com a apa-             algumas de suas peas pensando no
rncia fsica adequada e convin-              ator Procpio Ferreira.*
cente da personagem; o processo
                                              carter. Classicamente,  o ele-
e a tcnica de preparar o rosto,
                                              mento do texto teatral ligado direta-
usando cremes, batons, bases,
                                              mente s personagens. Os gregos
carmins, apliques e cabeleiras, que


                                         67
carda                                                                  carpinteiro

criaram dois termos especficos para          quase todas as montagens, entre as
designar caracteres opostos: prota-           quais Entre quatro paredes, de Jean-
gonista, que normalmente deve ser             Paul Sartre*, e Seis personagens 
a figura do heri, e antagonista, o           procura de um autor, de Pirandello.*
vilo. Esses dois caracteres                  Em companhia de Nydia Lcia (1926-
conflitantes perduraram at o scu-           1234), fundou o Teatro Bela Vista,
lo XIX, quando a cincia do com-              em So Paulo, onde continuou bri-
portamento passou a considerar o              lhantemente sua carreira. Participou
homem como um produto do meio                 de novelas de televiso, morrendo
em que vive: nem inteiramente bom,            no meio da gravao de uma delas,
nem totalmente mau  apenas hu-               Antnio Maria.
mano, ambguo, com suas qualida-
                                              caricato. Ator idoso especializado
des e seus defeitos. Aristteles* di-
                                              na interpretao de tipos alegres das
zia que o carter  importante, mas
                                              farsas e antigas comdias de costu-
no imprescindvel: "Sem ao no
                                              me; tipo caricatural moldado especi-
poderia haver tragdia, mas poderia
                                              almente para provocar o riso. F.
hav-la sem carter" (Potica).
                                              Caricata.
carda. Prego curto, de cabea gros-
                                              carona. Na antiga sociedade, o in-
sa e achatada, prprio para prender
                                              divduo que adquiria o hbito de
cenrios no cho do palco. Com um
                                              s assistir espetculos sem pagar
dispositivo saliente que o impede de
                                              ingressos, valendo-se normalmen-
ser totalmente enfiado na madeira,
                                              te dos passes gratuitos distribu-
facilita sua remoo nas mudanas
                                              dos pelas casas de espetculos ou
rpidas dos cenrios.  tambm co-
                                              dos convites graciosos oferecidos
nhecida pelo nome de tacha ou
                                              pela empresa responsvel pelo es-
tacharola.
                                              petculo.
Cardoso, Srgio (1925-1972). Ator
                                              carpintaria. 1. O conjunto de tcni-
brasileiro nascido em Belm do Par,
                                              cas que o autor deve dominar, para
cuja carreira iniciou em 1948, inter-
                                              conferir ao seu texto condies plau-
pretando o Hamlet da tragdia de
                                              sveis de montagem. 2. Os recursos
Shakespeare*, no Teatro do Estu-
                                              teatrais sugeridos pelo autor ao lon-
dante do Brasil, criado por Paschoal
                                              go do seu texto, que conduzem a
Carlos Magno.* Depois do grande
                                              pea  naturalidade cnica quando
sucesso que foi, organizou seu pr-
                                              traduzida em espetculo. 3. A jun-
prio elenco, o Teatro dos Doze, onde
                                              o de cenrios e apetrechos cni-
fez grandes criaes, entre elas o es-
                                              cos. 4. A tcnica teatral.
petculo de estria, Arlequim, ser-
vidor de dois amos, de Carlo                  carpinteiro. Profissional que traba-
Goldoni.* No incio da dcada de 50,          lha junto ao maquinista e ao
passou a trabalhar no Teatro Brasi-           cenotcnico, responsvel pela tare-
leiro de Comdia, participando de             fa de armar e desarmar os cenrios.


                                         68
carrapato                                                                    Cartel

carrapato. Na linguagem de basti-             sobre plataformas que ocupam toda
dores, o profissional com algum ta-           a altura do primeiro poro. Histori-
lento que, por qualquer circunstn-           camente, so conhecidos registros
cia, dificilmente consegue se firmar          de um carro de Tspis, que servia
num elenco estvel, vivendo, con-             de palco e veculo para a divulgao
seqentemente, de fazer figuraes            da tragdia por volta de 560 a. C.,
a troco de pequenos cachs. Nos               provavelmente o primeiro tablado de
programas dos espetculos apare-              onde algum podia dirigir as evolu-
cem sempre entre os annimos N.               es e os cantos do coro, e mais
N.* Expresso fora de uso.                    vantajosamente dar a rplica. Na sua
                                              Epistola ad Pisones*, Horcio in-
carregar. 1. Ato de acentuar ou exa-
                                              forma: "Dizem que Tspis inventou
gerar os traos e as cores de uma
                                              a musa trgica, anteriormente des-
caracterizao* (2); intensificar a
                                              conhecida. E em carroas, divulga-
pintura do rosto. 2. Na linguagem
                                              va os seus poemas, cantados e re-
dos maquinistas, carpinteiros e
                                              presentados por homens com as ca-
cenotcnicos, a ao de fazer os ce-
                                              ras lambuzadas de borra de vinho"
nrios descerem do urdimento para
                                              (vv. 276-78).
compor a cena.
                                              carroo. Na gria de palco, a falha
carrilho. Gambiarras verticais mu-
                                              do intrprete ao pular um pedao
nidas de pantalhas coloridas, que
                                              considervel do texto: "Deixou pu-
servem para iluminar o fundo da
                                              lar um carroo"; buraco.*
cena, especialmente o ciclorama.
                                              carto. O projeto do cenrio, ainda
 carrinho. Praticvel sobre o qual
                                              apenas desenhado.
est instalado um local de ao, equi-
pado com rodinhas, para facilitar sua         cartaz. Pea publicitria para ser afi-
entrada e sada rpida pelas laterais         xada em locais pblicos, anuncian-
ou fundo do cenrio.                          do um espetculo; anncio.  Es-
                                              tar em cartaz. Expresso que serve
carro. Elemento mecnico inventa-
                                              para indicar que determinado espe-
do na Idade Mdia e usado na ceno-
                                              tculo est sendo exibido em algum
grafia. Constitua-se de um disposi-
                                              teatro, fazendo temporada.
tivo mvel, sobre o qual eram arma-
dos grandes cenrios, mantidos fora           Cartel. Associao de carter ofici-
da vista do pblico, antes de sua uti-        oso, criada entre 1926 e a Segunda
lizao. Os carros medievais foram            Guerra Mundial, por quatro dos
idealizados para atender  comple-            mais importantes diretores france-
xidade cenogrfica da poca.                  ses da poca, Louis Jouvet*,
Modernamente, esses elementos fo-             Charles Dullin*, Gaston Baty* e
ram substitudos pelos palcos gira-           Georges Pitoff*, com o objetivo
trios, no sentido horizontal, en-            de trabalhar em favor de um teatro
quanto os verticais so montados              verdadeiramente artstico, numa re-


                                         69
cartello (di primo)                                                          catarse

ao contra o amadorismo sem ta-               cast. Elenco. Palavra da lngua ingle-
lento, improvisado e irresponsvel,            sa, usada por influncia americana.
que reinava  poca. Dos plidos
                                               castelos. V. Manses.
momentos em que vivia, o encenador
de repente voltou a ser a figura mais          Castelvetro, Ludovico (1505-1571).
importante do espetculo, reassu-              Crtico italiano, que props, durante
mindo o primeiro plano na constru-             a Renascena, a retomada da Regra
o da obra.                                   das Trs Unidades* estabelecidas
                                               por Aristteles, visando reorganizar
cartello (di primo). Expresso ita-
                                               o caos institudo pela Idade Mdia
liana com largo uso entre os
                                               na carpintaria teatral.
freqentadores de pera, no Brasil,
para identificar os cantores que               castrati. Cantores de pera do sexo
exerciam grande influncia sobre o             masculino, emasculados antes da
pblico.                                       puberdade, com a finalidade de con-
                                               servar o registro de sopranos e con-
casa. No jargo teatral, a platia ocu-
                                               traltos, prtica em uso notadamente
pada pelo pblico, nos horrios de
                                               na Itlia, entre os sculos XVI e
espetculos.  Casa boa. Platia ra-
                                               XVII. Ao se desenvolverem total-
zovel.  Casa  cunha. Platia
                                               mente, essas pessoas ganhariam a
lotada.  Casa meia. S a metade
                                               vantagem de combinar a fora da
dos ingressos vendidos. Casa da
                                               emisso ao volume da voz do adul-
pera. Nome pelos quais eram de-
                                               to. Apesar da aberrao, tal prtica
signados os primeiros edifcios ou
                                               recebia o estmulo e a proteo da
sales para representaes teatrais
                                               Igreja Catlica, pois era vedada a
construdos no Brasil, por instruo
                                               presena das mulheres nos coros
do alvar de 17 de julho de 1771, aps
                                               das igrejas. Representando um fe-
a proibio do bispo D. Jos Fialho
                                               nmeno musical, social e cultural
que, por pastoral de 13 de maro de
                                               de sua poca, este tipo de artista
1726, havia proibido as represen-
                                               ganhou notoriedade no mundo da
taes teatrais no interior das igre-
                                               msica em toda a Europa. Chega-
jas brasileiras; casa de comdia.
                                               ram a ser trazidos para o Brasil en-
Cassemiro Coco. Mamulengo de                   tre 1824 e 1826; castrados.
sotaque e manifestao essencial-
                                               catarse. Conceito que vem da Grcia
mente maranhense, ainda em uso
                                               Antiga, usado tanto pela tragdia
profissional, praticado pelas fam-
                                               como pela medicina, podendo sig-
lias que guardam as malas tradicio-
                                               nificar purificao, para o teatro, ou
nais completas. Esta manifestao
                                               purgao, no sentido mdico. Na
chegou a Roraima, levada pelos imi-
                                               Potica de Aristteles, designa um
grantes maranhenses durante o Ci-
                                               dos traos fundamentais da trag-
clo da Borracha.
                                               dia: "Ao inspirar, por meio da fico,
                                               certas emoes penosas e malss,


                                          70
catstase                                                                      cena

especialmente a piedade e o terror, a         a uma s voz. Distingue-se da ria
catarse nos liberta desses sentimen-          justamente por no ter segunda par-
tos dolorosos"; o efeito moral e pu-          te nem repetio.
rificador despertado pela tragdia
                                              cavea. Termo latino para designar,
clssica, na Grcia Antiga, onde as
                                              no antigo prdio teatral romano, o
situaes dramticas, de extrema in-
                                              local destinado ao pblico.
tensidade, traziam  tona os senti-
                                              Construda em declive e em forma
mentos de terror e piedade aos es-
                                              de leque, a cavea era dividida, quer
pectadores, proporcionando o alvio
                                              no sentido vertical, como no hori-
ou a purgao desses sentimentos;
                                              zontal, por uma srie de corredores,
purgao; purificao; catrsis.
                                              como nos grandes estdios de fute-
catstase. A terceira parte da trag-         bol da atualidade, facilitando a livre
dia clssica que ocorre logo em se-           movimentao do pblico.
guida  prtase* e  eptase.* Nes-
                                              cazuela. 1. Palavra espanhola para
se espao convencional do texto li-
                                              um gnero com o mesmo significa-
terrio  que os acontecimentos, ou
                                              do e carter dos corrales.* 2. Nos
peripcias, se adensam, se preci-
                                              corrales espanhis, nome dado 
pitam e se esclarecem; desenredo;
                                              galeria alta, localizada no fundo da
desenlace.
                                              praa, de frente para o palco.
catstrofe. 1. Expresso usada por
                                              cena. 1. Nas antigas construes dos
largos anos para designar, no texto
                                              teatros gregos e romanos, o espao
literrio, o desfecho infeliz de um
                                              coberto, situado ao fundo do palco,
drama; desgraa; desenlace. 2. Na
                                              logo atrs do proscnio, onde acon-
tragdia clssica, a concluso ou
                                              tecia a representao. 2. Com a evo-
consumao da ao trgica; acon-
                                              luo do prdio e do espao da re-
tecimento principal e decisivo da tra-
                                              presentao, o local central do pal-
gdia, no qual a ao se esclarece
                                              co, em qualquer formato fsico, onde
inteiramente.  Aristteles definiu a
                                              se desenvolve a ao dramtica; o
catstrofe como sendo o aconteci-
                                              principal espao da representao.
mento que causa piedade e tristeza.
                                              3. Espao correspondente, nos atos
Corresponde  expresso grega
                                              de uma pea teatral, ao tempo em
paths, acontecimento pattico.
                                              que os mesmos atores permanecem
cavalete (fixo ou desmontvel).               no palco; trecho do espetculo.
Pea que serve para sustentar os              Neste sentido, a durao da cena 
praticveis.                                  determinada pela entrada ou sada
                                              de uma ou mais personagens.  Nos
cavatina. Palavra de origem italia-
                                              dramaturgos clssicos e nos romn-
na, que designa uma pequena ria,
                                              ticos, bem como na "velha escola
sem repetio nem segunda parte,
                                              brasileira de dramaturgia", sobretu-
originalmente intercalada num
                                              do quando se tratava das chancha-
recitativo; pea musical para canto
                                              das, era prtica normal a indicao,


                                         71
cena                                                                       cenrio

no texto literrio, das cenas que             nar uma pea teatral.  Roubar a
compunham os atos. A cena, no                 cena. 1. Diz-se do intrprete que con-
caso, equivale teoricamente s to-            centra em sua figura, pelo fora de
madas no cinema e aos takes na                sua interpretao, determinadas
teledramaturgia. Por outro lado, con-         passagens do espetculo. 2. Diz-se
sidere-se os diferentes momentos              tambm do intrprete que, por seu
do espetculo ou da pea, que po-             esprito criativo e sua extroverso
der estar cheia de "cenas de amor"           de temperamento, chama para si a
ou "cenas de violncia" ou "cenas             ateno da platia, pela natureza das
de sobrenatural". 4. O espetculo em          falas de sua personagem ou atitu-
si: "Est em cena, no Teatro Praia            des sugeridas pelo texto. 3. Ao
Grande, um texto de Artur Azeve-              do ator, de chamar, por qualquer ar-
do".  Cena cmica. 1. Momento                 tifcio  gestos, acrscimos de fa-
hilariante ao longo de um espetcu-           las de efeito ao texto do autor  a
lo. 2. A comdia.  Cena especial.             ateno da platia, "roubando" para
Introduo de uma cano, dana,              si a projeo que deveria estar em
ou qualquer outro artifcio no pre-          outro local da cena.  Sair de cena.
visto no texto, para ilustrar, ampliar        Diz-se quando a pea pra de ser
o tempo ou enriquecer o espetcu-             encenada, ou porque cumpriu a
lo.  Cena fechada. O tradicional              temporada prevista, ou porque fra-
palco  italiana onde bambolinas e            cassou; o mesmo que sair de car-
reguladores escondem da vista do              taz.  Tomar a cena. Ao do/da
espectador todo o equipamento que             ator/atriz de sair de um local de pou-
produz a iluso cnica, tais como as          ca evidncia para se colocar no cen-
varas de iluminao, urdimentos,              tro de interesse, ocupando a rea
gambiarras, etc.; palco fechado.              forte da cena, transformando-se,
Cena francesa. Nome pelo qual era             conseqentemente, de figura sem
identificada, na linguagem de caixa           projeo que era, em centro das
de teatro, cada uma das unidades de           atenes; tomar o palco.
ao de uma pea, cuja diviso se
                                              cenrio. O ambiente sobre um pal-
fazia segundo as entradas e sadas
                                              co, onde o espetculo  formado
dos intrpretes. Terminologia fora
                                              pelo conjunto dos diversos materi-
de uso.  Cena lrica. A pera. 
                                              ais e efeitos que servem para criar a
Cena muda. A que se passa entre
                                              realidade visual ou a atmosfera dos
duas ou mais personagens em cena,
                                              locais onde decorre a ao dram-
que se expressam apenas por ges-
                                              tica; o dispositivo decorado, que si-
tos, sem o auxlio do dilogo falado
                                              tua geogrfica, poltica e socialmen-
(a pantomima, no caso).  Cena tr-
                                              te o ambiente onde o texto ocorre;
gica. A tragdia.  Ir  cena. O texto
                                              espao limitado por paredes, rvo-
teatral quando vai ser encenado, le-
                                              res, casas ou outro qualquer elemen-
vado  representao.  Levar 
                                              to que crie o ambiente necessrio ao
cena. Montar um espetculo; ence-
                                              desenvolvimento dramtico.  Se-


                                         72
cenrio                                                                   cenrio

gundo alguns tericos, deve existir          tral comeou no interior das igrejas,
uma relao de interpendncia entre          tendo o prprio interior dos templos
o espao cnico e aquilo que ele             como cenrio. Por volta do sculo
contm: o cenrio tem que falar do           X, quando o drama se contaminou
texto que est sendo ali representa-         de elementos profanos, a represen-
do, dizer alguma coisa a respeito dos        tao passou para o adro, tendo os
personagens, de suas relaes rec-          prticos como moldura cenogrfica.
procas e com o mundo; pode ser rico          Com o tempo, porm, como os tex-
e deslumbrante, como o das peras            tos comearam a se tornar muito ex-
e revistas musicais; minucioso, como         tensos e aumentava enormemente o
os realistas; fantstico, ou simples-        nmero de personagens, o espet-
mente despojado de qualquer ele-             culo foi para a praa pblica. A, os
mento decorativo, onde apenas os             cengrafos inventaram o palco si-
efeitos de luz criam a atmosfera e a         multneo, para atender s exignci-
linguagem necessria para ampliar o          as da variedade de locais onde as
clima do espetculo. A idia do ce-          cenas dos mistrios* transcorriam,
nrio no teatro ocidental nasceu na          justapondo ao longo de um estrado,
Grcia, no sculo V a. C. As unida-          de forma sumria e esquemtica, as
des de ao, lugar e tempo da trag-         diferentes indicaes de ambiente.
dia grega simplificaram bastante o           Desse modo, um simples porto po-
problema da cenografia, que se re-           dia sugerir uma cidade, e uma ligeira
duziu ento a fachadas de palcios,          elevao uma alta montanha. No can-
templos e tendas de campanha, com            to esquerdo do cenrio podia dese-
mecanismos que produziam efeitos             nhar-se uma enorme goela escanca-
especiais e enriqueciam o aspecto            rada de um drago, atravs da qual
visual do espetculo, como o                 eram enviadas as almas condenadas
ekyclema*, que podia mostrar de              ao inferno, ou saam os demnios,
improviso, ao pblico, uma cena              enquanto do lado direito, um pouco
ocorrida no interior do palcio; a           acima do nvel do palco, ficava o cu.
mechan*, que elevava s alturas             O cenrio propriamente dito, como
deuses e heris; o theologion*,             hoje o conhecemos, s comeou re-
que trazia do "cu" para a cena uma          almente a se desenvolver a partir da
divindade, alapo que possibilita-          Renascena, por volta do sculo
va as sombras dos mortos subirem             XVI, quando foram descobertas as
para o palco. Em Roma, o cenrio             perspectivas sucessivas, que tinham
acompanhava a construo faustosa            como objetivo alargar ilusoriamente
dos teatros, buscando impacto vi-            o espao onde se desenrolava a
sual de luxo e riqueza. Como na              ao. Os princpios em que se base-
Grcia, havia uma parte construda           avam as primeiras cenografias ela-
 as fachadas dos palcios  e ou-           boradas foram criados por
tras mveis  os maquinismos. Na             Baldassare Peruzzi (1481-1536) e por
Idade Mdia, a representao tea-            seu discpulo, Sebastiano Serlio


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cenrio                                                                     cenrio

(1475-1554). Em seguida, vm Torrelli,        mente beneficiada a partir de 1895,
no sculo XVII, e a famlia Bibiena*,         com a descoberta da luz eltrica, que
que inventou os cenrios em pers-             propiciou uma nova linguagem na
pectiva diagonal. A grande constru-           iluminao da cena, provocando
o arquitetnica desses cenrios,            transformaes radicais e de grande
entretanto, prestava-se mais  pe-           repercusso esttica. Conveniente-
ra que ao teatro declamado. No meio           mente iluminado, o palco mostrou
de tantas colunas, cpulas, arcos e           as imperfeies do telo pintado, a
perspectivas, a figura humana fica-           falsidade dos "rochedos" de papel,
va reduzida a uma insignificante in-          tornando ridcula e ultrapassada a
dicao, s se fazendo sentir pela            magia cenogrfica at ento pratica-
manifestao do canto vigoroso. No            da. No final do sculo XIX, Adolph
sculo XVIII, foi inventado o telo           Appia* j afirmava que a luz era o
de fundo, pintado, exibindo geral-            grande elemento cnico, o fator b-
mente uma paisagem no estilo mais             sico de uma boa decorao, salien-
naturalista possvel, e os bastido-           tando a plasticidade do corpo hu-
res, igualmente de tela pintada. Os           mano, secionando espaos, aumen-
cenrios pintados dominaram a cena            tando ou diminuindo de intensida-
teatral at meados do sculo XIX,             de para conferir com adequao o
quando o duque de Meiningen* co-              "clima" da cena, capaz de funcionar
meou a reforma realista que se im-           sozinha como cenrio. Entre os prin-
ps como tendncia revolucionria             cipais inovadores da cenografia te-
na segunda metade do sculo pas-              atral, podemos ainda lembrar Edward
sado. Andr Antoine*, no Teatro               Gordon Craig*, que concebeu cen-
Livre, em Paris, chegou a utilizar pe-        rios onde a natureza e as coisas eram
daos de carne verdadeira na cena             apenas sugeridas, e Max Reinhardt
de um aougue, levando ao paroxis-            (1873-1940), que realizou um traba-
mo a tendncia de ser construdo no           lho ecltico, assimilando as perspec-
palco um ambiente que reproduzis-             tivas abertas por seus predecesso-
se o mais fielmente possvel a rea-           res e contemporneos. A tendncia
lidade. Esse naturalismo, que ainda           atual, ecltica e democrtica, sem pre-
se observou em muitas montagens               dominncia de uma linha esttica, 
do segundo tero deste sculo, foi            aceitar todas as linguagens e esti-
questionado por Paul Fort (1872-              los, desde o abstrato e experimental
1960) e Lugn-Poe (1869-1940),                at o naturalista radical, usando ma-
do Thtre d'Art, que, sob influn-           teriais tradicionais ou no, depen-
cia do movimento simbolista, vol-             dendo, a escolha, mais da concep-
tava-se para um cenrio meramen-              o do espetculo ou do encenador.
te sugestivo, dando mais liberdade             Cenrio com porta. Cenrio tipo
 imaginao do espectador. A ilu-            gabinete, no qual  instalada uma
minao, feita por velas at 1785             espcie de bandeira de porta para
e, depois, a gs, at 1845,  alta-           entrada e sada das personagens. 


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cenrio                                                                   cenografia

Cenrio mvel. Trainel ou conjunto            dificuldades em qualquer lugar. V.
de trainis que pode ser deslocado            Cenografia.
 vontade no palco, por meio de ro-
                                              cenarista. Profissional responsvel
das ou carretilhas.  Cenrio proje-
                                              pelo projeto dos cenrios; cengrafo.
tado. Cenrio, ou parte dele, projeta-
do com equipamento adequado                  cnico. Relativo  cena.  Espao
normalmente um retroprojetor  so-            cnico. rea ocupada pela repre-
bre uma tela, o ciclorama ou outro            sentao de um espetculo teatral,
tipo de suporte adequado.  poss-            no necessariamente restrita a um
vel tambm fazer a projeo de ce-            palco tradicional.
nas ou de outros personagens, mas
                                              cenografia. Espao adequadamente
a j foge da rea cenogrfica.  Ce-
                                              preparado para o espetculo ocorrer;
nrio pronto. Cenrio com todos os
                                              cenrio. Segundo velhos conceitos, o
seus elementos no lugar programa-
                                              cenrio foi cenografia quando sua
do, pronto para ser usado.  Cen-
                                              construo se limitava a teles de fun-
rio de repertrio. Cenrio cujas pe-
                                              do e bambolinas laterais pintadas que
as podem ser combinadas de vri-
                                              pendiam suspensas do urdimento
as formas, servindo a espetculos
                                              pelas manobras. Esse gnero de ce-
diferentes. Normalmente  usado
                                              nrio compunha-se invariavelmente
numa mesma temporada, quando a
                                              de fundos, fundos vazados, rompi-
companhia excursiona por diferen-
                                              mentos, telas, trainis, etc. No con-
tes cidades.  Cenrio simultneo.
                                              ceito mais recente, a cenografia in-
Organizao cenogrfica tpica da
                                              corporou outras designaes, depen-
Idade Mdia, que consistia na colo-
                                              dendo da necessidade para a qual foi
cao dos diferentes cenrios de um
                                              criada, tais como sugestes cnicas,
mesmo espetculo, um ao lado do
                                              arranjos cnicos, elementos cnicos
outro. Atores e pblico, de acordo
                                              ou, dependendo do gosto do usurio,
com as exigncias da ao dramti-
                                              o dcor.  A mais remota referncia
ca e o desenvolvimento da histria,
                                              histrica do termo cenografia e seu
iam naturalmente passando de um
                                              uso encontram-se na Potica de
cenrio para outro ao longo do es-
                                              Aristteles*, para designar certos
petculo. Exemplo tpico desse tipo
                                              embelezamentos da sken. Mais tar-
de cenrio encontra-se em Fazenda
                                              de, a palavra  identificada no texto
Nova, interior do Estado de
                                              latino de Vitrvio (sc. I a. C.), De
Pernambuco, onde todos os anos 
                                              architectura, para definir, no dese-
representada uma Paixo de Cris-
                                              nho, uma noo de profundidade.
to, atrao no calendrio do turismo
                                              No Renascimento, esta idia passou
cultural brasileiro.  Cenrio nico.
                                              a ser usada para designar os traos
Aquele que serve para diferentes
                                              em perspectiva do cenrio no espe-
espetculos, sem precisar de ser al-
                                              tculo teatral, a arte e tcnica de con-
terado.  Cenrio volante. O que
                                              ceber e projetar cenrios.
pode ser pendurado sem grandes


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cengrafo                                                                  centro

cengrafo. Profissional com prepa-          censura. Exame crtico de uma obra
ro adequado para "encenar" plasti-          artstica, feito por um funcionrio do
camente um texto dramtico  show,          Governo  o censor , com a finali-
bal, revista musical, etc.; tcnico        dade de detectar desvios de carter
responsvel pelo projeto dos cen-          poltico, moral ou religioso, que pos-
rios de um espetculo, podendo ser          sam ofender o sistema constitudo,
ou no um artista plstico ou at           e conseqentemente vetem, ou no,
mesmo um arquiteto. O cengrafo             seu contedo ao conhecimento p-
no s cria, como deve acompanhar           blico.  Censura teatral brasileira.
a construo dos cenrios.                  Tal prtica teve sua primeira mani-
                                            festao no aviso n 123, de 21 de
cenoplastia. Cenrios construdos
                                            julho de 1829, o qual "proibia que
com requintes arquitetnicos,
                                            fossem levadas peas no Teatro So
usando-se na sua construo ma-
                                            Pedro, sem prvio exame do
teriais como a madeira, o vidro ou o
                                            desembargador encarregado do ex-
ferro. A cenoplastia, que pode re-
                                            pediente da Intendncia Geral da
presentar interiores, fachadas ou
                                            Polcia." Desde ento, essa figura
ambientes externos,  armada a par-
                                            tem passado por uma srie de refor-
tir de trainis dispostos com certa
                                            mas, sendo usada da maneira mais
tcnica e seguindo um projeto pre-
                                            indiscriminada possvel, atravs de
viamente elaborado; cenrio com
                                            diferentes perodos. Marcou profun-
aspecto arquitetural. A cenoplastia
                                            damente a cultura brasileira o pero-
 sempre montada em partes que se
                                            do de censura implantado pela Dita-
reajustam no todo.
                                            dura Vargas, atravs do famigerado
cenotcnica. Tcnica de executar e          Departamento de Imprensa e Propa-
fazer funcionar cenrios e demais           ganda, o DIP, e pela Ditadura dos
dispositivos cnicos de um espet-          Militares, a partir de 1964, exercida
culo. Envolve tambm a criao e o          pela Polcia Federal e outros rgos
uso de mquinas necessrias para            de represso montados pelas For-
fazer com que o espetculo acon-            as Armadas.
tea conforme planejado.
                                            centenrio. A centsima represen-
cenotcnico. Profissional com               tao de uma pea teatral.
conhecimentos especiais de car-
                                            central (corda). Nas cordas de
pintaria e construo cnica, encar-
                                            manobra, a que faz a sustentao
regado de executar o projeto
                                            do meio.
cenogrfico elaborado pelo cen-
grafo.                                      centro. 1. Na linguagem tcnica,
                                            para efeito de marcao do palco, a
censor. Funcionrio pblico encar-
                                            rea que fica entre a direita e a es-
regado da censura a obras literrias
                                            querda, subdividindo-se em centro
e artsticas.
                                            alto, ao fundo do palco, e centro
                                            baixo, junto  boca de cena. 2. G-


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Cervantes, Miguel de                                                       charriot

nero de personagem idoso e com boa            atores de pouco ou nenhum talento,
aparncia fsica, que ocorre tanto no         com a finalidade exclusiva de pro-
drama como na comdia. 3. Atores e            vocar o riso fcil e atrair a grande
atrizes especializados em viver o             massa popular e iletrada  bilheteria.
tipo, que pode ser classificado em            Na chanchada predominam os recur-
centro cmico ou centro dramti-              sos histrinicos fceis, abusa-se dos
co, ocorrendo com freqncia na               esteretipos, a comicidade  normal-
velha escola de representar, hoje fora        mente atingida mais pelo esforo f-
de uso.                                       sico de seus intrpretes e pela con-
                                              fuso generalizada do que pela inte-
Cervantes Saavedra, Miguel de
                                              ligncia do texto. Apesar da m fama
(15471616). Escritor espanhol e uma
                                              que sempre envolveu o gnero,  de
das figuras mais significativas da li-
                                              grande significado a fase da chan-
teratura universal. Teve vida atribu-
                                              chada no cinema brasileiro, a qual
lada, sofrendo diversas prises por
                                              fez histria com grandes chancha-
vrios motivos, incluindo-se uma
                                              deiros que criaram um estilo prprio;
sob a acusao de assassinato; per-
                                              farsa grosseira; espetculo ruim, fei-
deu uma das mos na Batalha de
                                              to s pressas; do francs pochade.
Lepanto, viveu como escravo em
Argel, de 1575 a 1580, e foi excomun-         chanchadeiro. Profissional especi-
gado pela Igreja Catlica. Ao voltar          alizado na montagem de chancha-
de seu exlio em Argel, escreveu              das; ator ou empresrio teatral que
Numncia, tragdia patritica,                s encena espetculos de inferior
publicada em 1582.                            qualidade. F. Chanchadeira.
chamins. Espaos vazios entre a              Chanchete. Personagem tpica das
rea de representao e as paredes            marionetes de Lige, na Blgica.
laterais, protegidos por paliadas e
                                              charada. Comdia em dois quadros,
mantidos permanentemente desim-
                                              no indo alm de um curto improvi-
pedidos, servindo para a movimen-
                                              so. Na Frana, as charadas eram equi-
tao dos contrapesos que facili-
                                              paradas aos sainetes, e de uso entre
tam a subida e a descida dos cen-
                                              amadores, mais como passatempo de
rios.  Chamins de segurana.
                                              salo. Gnero fora de uso.
Mecanismo de ventilao instalado
no teto da caixa do teatro, com a fi-         charge. Esquete em que  posto em
nalidade de criar uma suco de ar            ridculo um figuro da poltica, das
para, nos casos de incndio, redu-            letras ou da vida social.
zir o alcance do fogo.
                                              charriot. Praticvel montado sobre
chanchada. Historicamente, com-              rodas, destinado  mutao rpida
dia popularesca de fundo vulgar e             de cena. O mecanismo entra geral-
sem nenhum mrito artstico, apre-            mente em cena pelas asas ou pelo
sentada de forma desleixada e com             fundo do palco.



                                         77
chaspulho                                                                Cinthio

chaspulho. Reprego ou trainel,               ciclorama. Armao de metal ou
representando plantas, tufos de              compensado, em forma semicircular,
flores, pedras etc., ocupando a              forrada de fazenda ou pintada, abran-
cena, de acordo com o projeto                gendo todo o fundo do palco. Ser-
cenogrfico.                                 ve, quando convenientemente ilu-
                                             minado, para dar a iluso de cu,
chass. Palavra francesa para iden-
                                             horizonte ou infinito, bem como, em
tificar, na dana, o movimento de fa-
                                             casos especiais, para a projeo de
zer um p se deslocar empurrado vi-
                                             efeitos cenogrficos. Surgiu em me-
olentamente pelo outro.
                                             ados do sculo XIX, para substituir
chassis. O mesmo que caixilho.               as arcaicas "bambolinas de ares",
                                             chegando a influenciar a tcnica da
chavetas. Pequenas hastes de ma-
                                             decorao cnica; infinito.
deira com vrias serventias.
                                             cigarra. 1. Sirene que serve para
Cheiroso. Mamulengueiro pernam-
                                             alertar a platia sobre o comeo do
bucano, pernstico e analfabeto,
                                             espetculo, acionada sempre em pe-
que praticou uma das formas mais
                                             quenos intervalos, normalmente em
autnticas de marionete popular 
                                             trs etapas. A ltima chamada  pre-
selvagem, puro e angelical  no Nor-
                                             cedida pelas pancadas caractersti-
deste brasileiro.
                                             cas do sarrafo contra o piso do pal-
chiton. Tnica drapejada, curta ou           co, com o tradicional basto de
longa, usada solta ou presa  cintu-         Molire.* 2. Campainha de som aba-
ra, que os gregos da Antiguidade             fado, que serve para dar ao
Clssica trajavam no seu dia e tam-          cortineiro ou conta-regra o sinal
bm servindo para o teatro. Usada            convencional para que o pano de
em princpio s pelos homens, por            boca seja aberto.
volta do sculo V a. C. foi adotada
                                             cima (estar em). A posio do ator,
tambm pelas mulheres.
                                             demasiadamente prxima a outro.
choragi (co). Cidado grego esco-
                                             cimalha (de boca). A parte superior
lhido para arcar com as despesas de
                                             fixa da boca de cena.
montagem e manuteno dos coros
das tragdias; corrgio. V. Corego.          cnico. Uma das vrias tipologias
Chronegk, Ludwig (1837-1891).                com que era rotulado o tipo con-
Diretor intendente da troupe de Jor-         vencionalmente classificado de
ge II, duque de Meiningen*, e autor          gal: trazia na fisionomia um sorri-
de um projeto para remodelar as              so sarcstico, trajando-se e revelan-
bases vigentes na organizao, in-           do atitudes correspondentes ao
terpretao e encenao teatrais.            meio em que atuava.
Historicamente, pode ser conside-            Cinthio (Giambattista, ou
rado o primeiro dos modernos                 Giovanni Battista, Giraldi) dito
encenadores do teatro ocidental.             (1504-1573). Escritor italiano,


                                        78
circo                                                              Claudel, Paul

considerado o inventor do drama              insignificantes detalhes de sua pr-
pastoril e introdutor de algumas ino-        pria indumentria.
vaes na carpintaria teatral, entre
                                             circunstncias propostas. Expres-
elas a separao do prlogo e do
                                             so usada por Konstantin
eplogo, do corpo da ao. Autor de
                                             Stanislavski* para definir as vrias
tragdias e obras satricas, alm de
                                             fases que o ator deve conhecer du-
uma coleo de 113 narrativas de
                                             rante a criao da personagem, em
cunho moral, intituladas Hecatomi-
                                             nome da qual est agindo, conforme
thi, das quais a histria O Mouro
                                             seja m, jovem, estpida, onde vive,
de Veneza inspirou o Otelo de
                                             por que vive, de onde vem e, princi-
Shakespeare.*
                                             palmente, o que quer.
circo. Na Antiguidade, o local des-
                                             claque. Grupo de pessoas, normal-
tinado s corridas, lutas e jogos. A
                                             mente remuneradas com um peque-
partir do sculo XVIII, o espao re-
                                             no cach, incorporadas  platia e
servado para espetculos variados.
                                             convenientemente instrudas para
O circo, na concepo moderna, sur-
                                             aplaudir o espetculo. A claque j
giu em 1786, em Londres, quando
                                             funcionou quase como uma institui-
Philip Astley (1742-1814) criou um
                                             o obrigatria de casas de espet-
show eqestre com nmeros varia-
                                             culos, havendo poca em que figu-
dos, inclusive as pantomimas dos
                                             rava, inclusive, nas folhas de paga-
palhaos, gnero de espetculo que
                                             mento das companhias. Artistas e
rapidamente se difundiu na Europa
                                             dramaturgos tambm mantiveram
e nos Estados Unidos. O primeiro
                                             suas claques, que, em casos especi-
circo de carter colossal foi monta-
                                             ais, serviam de instrumento de
do no sculo XIX pelo norte-ameri-
                                             pateada para artistas e dramaturgos
cano Phineas Taylor Barnum (1810-
                                             desafetos. Atualmente, a instituio
1891), introdutor dos chamados "fe-
                                             funciona com o nome de f-clube.
nmenos da natureza", como irmos
siameses, mulheres barbadas e                clssico. Historicamente,  o pero-
faquires. Atualmente os circos mais          do de produo literria que vai do
importantes so os russos, chine-            final do sculo XV ao final do scu-
ses e norte-americanos.                      lo XVIII. O perodo pretende criar na
                                             Europa renascentista uma produo
crculos de ateno. Recurso tc-
                                             comparvel ao da Grcia e Roma
nico aplicado pelo Mtodo* de
                                             antigas. Na Frana,  considerado
Konstantin Stanislavski*, para fi-
                                             clssico todo teatro escrito at
xar a ateno na personagem. Nes-
                                             1857, data da morte de Alfred de
sa etapa de treinamento, o ator am-
                                             Musset.*
plia ou reduz seu foco de ateno,
variando, desde uma ampla                    Claudel, Paul (1868-1955). Dra-
abrangncia do ambiente ou da rea           maturgo francs, cujas peas so
geogrfica onde se movimenta, at            marcadas por um lirismo acentuado


                                        79
clich                                                             Coates, Robert

e pela exaltao de um catolicismo           clmax. Gradao ascendente da
imponente e tradicionalista. Seu te-         ao dramtica, que leva ao ponto
atro marca uma ruptura total com o           culminante de um espetculo ou de
teatro naturalista, baseado na pas-          uma cena; momento decisivo da
sividade do espectador, que se iden-         ao em que o enredo atinge seu
tifica com seus heris. Embora origi-        ponto mximo de tenso  o con-
nalmente marcado pelo simbolismo             flito , e anuncia o desfecho, que
e pela influncia de Nietzsche,              desembocar no esclarecimento
Claudel consegue se libertar dessa           dos fatos dramticos que o ante-
tendncia esttica e filosfica, que         cedem ou o sucedero.  o divisor
no era de seu agrado. Predomina             de guas entre a ao ascendente
no seu teatro, de dimenses csmi-           e a descendente.
cas, uma desordem alegre de nasci-
                                             clip. Na linguagem dos tcnicos em
mento do mundo segundo as Escri-
                                             operao na caixa de um teatro, os
turas, criando um universo meio ima-
                                             prendedores para os cabos de ao.
ginrio, impregnado pela presena
divina, que leva as personagens a            coadjuvante. O intrprete de um pa-
praticar uma forma de auto-sacrif-          pel considerado tecnicamente de
cio. Paradoxalmente, por mais incr-         pouco destaque; ator que interpreta
vel que possa parecer, o teatro de           papis considerados secundrios.
Paul Claudel est muito prximo 
                                             Coates, Robert (1772-1847). Nasci-
linguagem da moderna dramaturgia
                                             do em Antgua e exercendo sua pro-
universal. De sua produo teatral
                                             fisso em Londres, foi considerado
pode se destacar Partilha do sul
                                             o pior ator de sua poca, a ponto de
(1906), O refm (1911), O anncio
                                             atrair espectadores dos pases mais
feito a Maria (1913), O sapato de
                                             prximos s para v-lo atuar no
cetim (1925/28), entre outras.
                                             Regency de Londres. Era de uma in-
clich. Gestos e aes convencio-            competncia to grande, que atin-
nais, ditados pela tradio, para re-        gia a genialidade pela incapacidade
presentar ou ilustrar situaes emo-         de tornar pattica suas cenas de
cionais, estados afetivos, etc, reco-        morte, levando a platia a pedir bis 
nhecidos com facilidade pela platia:        e ele bisava. O grande desejo de sua
mo no corao significa amor; bra-          vida profissional era representar o
os esticados para a frente do corpo         papel de Romeu, tanto que usava
e rosto virado em sentido contr-            freqentemente, no dia-a-dia, um
rio traduzem repulsa; semblante              traje recamado de falsas jias, que
dulcssimo pode caracterizar a face          supostamente lembrava o clssico
de Jesus ou de Maria, etc. O clich          personagem shakespereano. Quan-
tambm pode ocorrer sob a forma de           do finalmente foi convidado a faz-
caracterizaes, quando o intrpre-          lo, em fevereiro de 1810, na cida-
te usa postios, adereos de guar-           de de Bath, o fez de uma forma to
da-roupa, cabeleiras etc.                    escandalosa e bombstica, transfor-


                                        80
cobrir                                                                   comdia

mando-se rapidamente num xito po-           pelo tratamento satrico ou mordaz
pular espetacular. Reescreveu algu-          dado  intriga, ridicularizando cos-
mas tragdias de Shakespeare*, que           tumes ou criticando-os escancara-
representava entre ovaes e coros           damente, quer pela forma debocha-
de gargalhadas, interrompendo fre-           da com que apresenta o indivduo
qentemente sua atuao para de-             ou a sociedade. Comentando de for-
safiar algum na platia. Morreu             ma caricatural as situaes ridculas
aos 75 anos, de forma dramtica:             do dia-a-dia da humanidade, usan-
atropelado por um cabriol, quando           do e destacando as personagens ex-
atravessava uma rua de Londres.              cntricas que esto ao nosso lado
                                             no ir-e-vir do cotidiano, a comdia
cobrir. 1. Ao de um ator se ante-
                                             tem suas razes nas mascaradas po-
por, de forma descuidada e desas-
                                             pulares e festas rsticas em home-
trosa,  figura de outro, em cena,
                                             nagem a Dioniso*, na Grcia Anti-
cobrindo-o indevidamente da viso
                                             ga, quando era celebrado o retorno
da platia. Deslize ocasionado por
                                             da fertilidade. Com uma estrutura
uma marcao mal programada, ou
                                             muito complexa no seu embrio, o
propositadamente cometido pelo
                                             gnero, como tal, comea a tomar
ator, na tentativa maldosa de preju-
                                             forma e a ser tratado com persona-
dicar seu companheiro de trabalho.
                                             lidade prpria a partir de 460 a. C.,
2. Emprega-se tambm o termo,
                                             com Aristfanes*, trs quartos de
quando ocorre a substituio even-
                                             sculo depois da instituio do con-
tual, por impedimento de um dos ti-
                                             curso de tragdias. Foi na tica que
tulares do elenco, principalmente nos
                                             o gnero se desenvolveu em trs
papis de relevo.
                                             perodos diferentes: Comdia An-
Colombina. Mscara tradicional da            tiga, que era uma forma violenta de
Commedia dell'Arte, cuja perso-              stira aos costumes, cujo represen-
nalidade  semelhante  de Arle-             tante maior foi Aristfanes; Com-
quim. Teve seu papel saliente no             dia Mdia, que tentou suprimir o
perodo que antecedeu  Revolu-              elemento lrico, tratando de temas
o Francesa.                                de costumes ou inspirando-se na
                                             mitologia, como se encontra na l-
coluna de mar. Tambor ou rolo
                                             tima fase da produo de
construdo em forma de saca-rolha,
                                             Aristfanes; e Comdia Nova, no
s vezes recoberto de seda ou fla-
                                             chamado Perodo Helenstico, com
nela azul, que se faz girar junto 
                                             Menandro*, quando o gnero ga-
boca de cena para dar a impresso
                                             nhou mais personalidade e criou ti-
do movimento das ondas do mar.
                                             pos como o Filho de Famlia, o Es-
comdia. Gnero que se caracte-              cravo Astucioso, a Cortes, como
riza pela leveza do tema, sempre             vamos identificar em Menandro.
alegre e de final feliz, cujo objeti-        Essa herana constituiu a base do
vo central  provocar o riso, quer           teatro cmico latino, a Comoedia


                                        81
comdia                                                                     comdia

Palliata, cujos maiores representan-         sa.  Comdia Antiga. O conjunto
tes so Plauto* e Terncio.* A co-           das obras do teatro cmico da
mdia consagrada  descrio dos             Grcia Antiga, escritas no perodo
costumes romanos, Comoedia                   que vai at o sculo IV a. C. Coinci-
Togata, jamais alcanou o sucesso            de com a fase urea da poltica
da Farsa Atellana, suplantada por            ateniense (458-404 a. C.). Originada
sua vez, desde a poca de Ccero,            nos ritos da fertilidade, era de con-
pelo mimo, cujo prestgio perdurou           tedo predominantemente poltico-
at a poca imperial, que viu o fra-         social, abusando da stira violenta
casso da Comoedia Trabeata. A Ida-            sua atualidade, abordando a vida
de Mdia pouco ou quase nada con-            pblica, a religio, a moral tradicio-
tribuiu para o desenvolvimento do            nal, os conflitos sociais, a paz, a guer-
gnero. J o Renascimento, imitan-           ra, enfim, todos os conflitos polti-
do o modelo romano, inspirou de al-          cos e sociais dos atenienses. Sua
guma forma a Commedia dell'Arte              linguagem era livre e desabrida, no
italiana. Na dramaturgia espanhola           recuando diante da pornografia e do
desse perodo, o termo era usado             escabroso. Era comum, na parbase,
para designar qualquer pea que no          o autor dirigir-se ao pblico em seu
fosse um auto sacramental.*                  prprio nome para censurar e criti-
Aristteles escreveu que a comdia           car. Acredita-se terem sido escritas
 uma imitao de homens de quali-           cerca de 365 comdias durante essa
dade inferior. Conforme o tempo his-         fase, sendo Aristfanes* o seu mais
trico e a contribuio de tericos e        significativo autor, do qual chega-
autores, a comdia foi passando por          ram at ns 11 das 14 peas que se
transformaes substanciais e to-            supe ser de sua autoria, entre elas
mando designaes prprias.  Alta            A paz e Lisstrata.  Comdia
Comdia. Designao que se deu              Atelana. V. Atellanae, Fabulae. 
comdia construda com dilogos              Comdia-ballet. Comdia composta
brilhantes e refinados, e que desen-         de intermdios* e divertimentos de
volve sua ao abordando temas               dana.  Comdia de Arte. V.
considerados de nvel elevado, en-           Commedia dell'Arte.  Comdia de
volvendo personagens de uma pos-             carter. Aquela em que a ao se
svel camada social mais nobre. De           define pelas atitudes peculiares s
sua fecunda produo, a histria da          diferentes personalidades, e procu-
dramaturgia destaca O alfaiate de            ra fazer a anlise psicolgica de um
senhoras, de Georges Feydeau*,               trao caracterstico do carter das
Amor, de Oduvaldo Viana (1892-               pessoas.  Comdia cortes. G-
1973), Quando o amor vem, de                 nero que floresceu nos reinados de
Edouard Bourdet (1887-1945), etc.            Jaime I e Elisabeth I, na Inglaterra,
Baixa Comdia. Aquela que trata de           escrito especialmente para a corte.
situaes consideradas de carter            De estilo afetado e linguagem refi-
grotesco ou temas licenciosos; far-          nada, recheada de discursos lauda-


                                        82
comdia                                                                  comdia

trios, versava principalmente sobre        para desmascarar os pretendentes a
assuntos mitolgicos. A encenao           sua fortuna. No Brasil, o exemplo
das peas desse perodo envolvia            clssico  A comdia do corao,
um grande aparato cnico, genero-           de E. de Paula Gonalves, que usa
sa participao da msica e da dan-         alguns sentimentos humanos  a
a. No deixou nenhuma influncia           paixo, o amor, o dio  como perso-
para os perodos seguintes. Co-             nagens de sua intriga.  Comdia
mdia de costumes. A que reflete os         de improviso. V. Commedia del'Arte.
costumes, usos, idias e sentimen-           Comdia Intermdia. Gnero in-
tos habituais de determinada socie-         termedirio entre a Comdia Antiga
dade em uma poca, de uma classe            e a Comdia Nova, quando os auto-
social ou de uma profisso, trata-          res abandonaram os temas polticos,
mento que constitui a base do tea-          abundantes nas manifestaes an-
tro cmico latino. Reavaliada por           teriores, dedicando-se a simples pa-
Molire*, ganhou substncia e res-          rdias de estrias mmicas, stiras
tabeleceu-se durante a Restaurao          ao sistema filosfico e  instabilida-
inglesa, especialmente com a obra           de da fortuna, ou assuntos
de William Congreve*, que teve              gastronmicos e temas considera-
muitos seguidores nos sculos XIX           dos inocentes. Floresceu em Roma
e XX. Seu representante mximo no           ao longo do sculo IV, sendo
Brasil foi Martins Pena.* Comdia           Antfanes e Alxis seus principais
da Restaurao.  Comdia-farsa.             representantes. Antfanes viveu nos
Comdia com caractersticas da far-         dois primeiros teros do sculo IV, e
sa.  Comdia herica. A que colo-           Alxis comeou a escrever por volta
ca em cena personagens nobres en-           de 370. A caracterstica marcante
volvidos em aventuras gloriosas ou          desse gnero, que explora sempre o
romnticas.  Comdia de humores.            tema amoroso,  a de colocar em evi-
Gnero que floresceu na Inglaterra          dncia tipos sociais como o solda-
do sculo XVII, no qual as persona-         do fanfarro, o cozinheiro, o parasi-
gens so animadas por um dos "hu-           ta, o filsofo ridculo, tipos que vol-
mores do homem", manifestado de             taro  evidncia em fases posterio-
forma extravagante e exagerada: a           res do teatro romano e at mesmo
clera, a melancolia, a paixo, etc.        em manifestaes mais  frente. A
Um dos primeiros exemplos do g-            historiografia dramtica costuma
nero foi a pea de Ben Jonson*,             tambm classificar de Comdia
Cada um a seu modo (1598), na               Intermdia, ou Mdia, o conjunto
qual vrios personagens so domi-           das obras do teatro cmico da
nados por um tipo particular de "hu-        Grcia Antiga, de contedo alegri-
mor" ou paixo, sendo que sua               co, mitolgico e literrio, tratando de
obra-prima nesse gnero  Volpone           temas de costumes, com tendncia
(1606-07), onde a personagem-t-            a suprimir o elemento lrico, produzi-
tulo se faz passar por moribundo            das nos trs primeiros quartis do


                                       83
comdia                                                                  comdia

sculo IV a. C. Nessa manifestao,         considerada a obra mais significati-
a parbase* desaparece e o coro fica        va do gnero; do francs comdie
reduzido a quase nada. O enredo             larmoyante. Corresponde  com-
prevalece sobre a forma. Nenhum             dia sentimental inglesa, surgida no
texto desse perodo chegou at nos-         mesmo perodo.  Comdia Mdia.
sos dias. Comdia Mdia.  Com-             V. Comdia Intermdia.  Comdia
dia de intriga. Aquela cuja                 moral. Comdia de costumes cujo
comicidade resulta da multiplicidade        contedo  marcado por princpios
e variedade de incidentes e se ba-          ticos.  Comdia musical. Pea
seia na imbricao de estratagemas.         teatral de contedo ligeiro, carrega-
 Comdia italiana. Nome com que             da de esquetes e dilogos humors-
eram designadas na Frana, do s-           ticos, entremeada de msica, canto,
culo XVI ao sculo XVIII, as compa-         bailado e at mesmo mgicas; teatro
nhias italianas que se apresentavam         de revista; rebolado. O gnero, com
em Paris, no Hotel de Bourgognes, a         caractersticas especficas, tem sua
convite dos soberanos franceses.            primeira manifestao nos fins do s-
Expulsas do pas em 1697, por causa         culo XIX, na Inglaterra, mas foi nos
de uma pea que atacava Madame              Estados Unidos, a partir do incio
de Maintenon (1635-1719), s                do sculo XX, que atingiu sua for-
retornaram a Paris em 1716. Para re-        ma definitiva.  Comdia Nova. Con-
conquistar o pblico francs, can-          junto de obras do teatro cmico da
sado dos temas e da forma de repre-         Grcia, escritas no perodo final do
sentar de seus atores, os italianos         sculo IV a. C., coincidindo com a
procuraram modificar seus projetos,         extino completa da liberdade dos
a comear pela forma italiana de            gregos, sob o domnio macednico.
fazer teatro, e usando melhor os au-        Privilegia como tema a vida priva-
tores franceses, entre eles                 da e os aspectos mais prosaicos da
Marivaux*, Lesage (1668-1747).              existncia do homem, tais como o
Comdia lacrimejante. Em lugar do           amor, os prazeres volveis da exis-
riso desbragado, o choro doloroso,          tncia e as intrigas sentimentais, tra-
nesse gnero, em decorrncia dos            tados em tom de stira. Foi nesse
sofrimentos injustos impostos ao            perodo que se criaram tipos que
heri ou  herona. Beirando o              ainda hoje persistem no gnero,
dramalho, ocorreu na Frana do             como o jovem apaixonado, a cor-
sculo XVIII e  uma vertente me-           tes, o criado alcoviteiro, os cunha-
nor do estilo caracterstico de             dos parasitas, entre outros. Sua lin-
Pierre Marivaux*, que introduziu            guagem, contudo, era comportada
no teatro francs a temtica do             e o coro tinha funo quase mera-
amor. O grande representante des-           mente decorativa, limitando-se ape-
sa vertente  o dramaturgo Pierre           nas a evolues coreogrficas para
de la Chausse (1692-1754), autor           marcar os intervalos corresponden-
de La fausse antipathic (1733),             tes ao que seria hoje o entreato. Os


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comdia                                                         Comediantes (Os)

autores mais representativos deste            pallium como vestimenta),  medi-
perodo ou modelo so Menandro*               da que requintavam mais os seus
e Filmon.* Sob essa designao, a            estilos, tornavam-se cada vez mais
histria do teatro registra outra ma-         dependentes dos seus modelos, re-
nifestao ocorrida durante o                 cusando-se a lisonjear os gostos
Renascimento espanhol, criada pelo            rudes do pblico com aluses locais
dramaturgo Lope de Vega*, que fun-            ou quaisquer outros atrativos me-
diu os elementos trgicos e cmi-             nos delicados. Foram exmios auto-
cos, dinamizou a ao e a intriga, re-        res da Palliata Lvio Andrnico (c.
peliu as unidades aristotlicas de            180-107 a. C.), Nvio (270-201 a. C.),
tempo, lugar e ao, e reduziu de cin-        nio (239-169 a. C.), Plauto*, o me-
co para trs o nmero de atos. As             lhor entre todos, e Terncio.* V. In-
comdias deste perodo se caracte-            trprete.
rizaram pelo lirismo e pela improvi-
                                              comediante. 1. Ator ou atriz de co-
sao, valorizando mais a ao que
                                              mdia. 2. Por extenso e em sentido
a caracterizao sociolgica. Esse
                                              pejorativo, o prprio profissional do
gnero foi em princpio severamen-
                                              teatro.  Os tericos da arte de re-
te combatido por Cervantes*, que
                                              presentar, atravs dos tempos, mi-
preferia se manter fiel s tcnicas
                                              ram e remiram com simpatia esse
clssicas.  Comdia-pastelo. Co-
                                              precioso elemento da arte milenar e
mdia cuja caracterstica marcante 
                                              o cumulam de virtudes. Diderot*, por
a movimentao intensa dos atores,
                                              exemplo, no seu polmico Parado-
repleta de cenas grotescas e momen-
                                              xo do comediante, considera essa
tos cmicos, onde a pancadaria e a
                                              figura como o camaleo frio e calcu-
perseguio em cena correm soltas.
                                              lista capaz de encarnar as persona-
Sua caracterstica mais evidente,
                                              lidades mais opostas, possuidor da
contudo,  a fria com que os perso-
                                              mais rica tcnica, que lhe permite ser
nagens constantemente se agridem
                                              sempre diferente de si mesmo cada
com imensos pasteles ou tortas
                                              vez que est atuando sobre um pal-
doces.  Comdia tabernria. No
                                              co. Para esse terico francs, h uma
antigo teatro romano, comdia de
                                              diferena bastante acentuada entre
inspirao popular, cuja ambientao
                                              ator e comediante. E o comedian-
e personagens so copiados das ca-
                                              te francs Louis Jouvet* admite
madas mais pobres da populao;
                                              que, enquanto o comediante se es-
fbula tabernria.  Comoedia
                                              conde por trs do papel, o ator exi-
Palliata. Cultivada entre 250 e 150
                                              be a prpria personalidade.
a. C, imitao da Comdia Nova, foi
uma das formas da comdia romana              Comediantes (Os). Grupo teatral ca-
que desenvolvia tanto o assunto,              rioca, formado em 1941, com o ob-
como copiava originais gregos. Os             jetivo de renovar a esttica da lin-
autores da Palliata (assim chama-             guagem dramtica brasileira,
da, porque os atores usavam o                 reavaliando o uso tradicional da


                                         85
Comdie Franaise                                                         cmico

marcao, adotando um melhor                 que ameaavam desestabilizar a tra-
aproveitamento do espao cnico              dio cultural francesa. A nova or-
e suas adjacncias, transferindo             ganizao transformou-se de pron-
para a figura do diretor o papel mais        to no elenco oficial do teatro fran-
importante da encenao, funo              cs, conservando at hoje o com-
at ento exercida pelo ator mais            portamento clssico de sua origem,
importante ou experiente do elen-            quer na escolha do repertrio, quer
co. Os cenrios passaram a ser               no estilo de representar. A Comdie
esquemticos, deixando ao espec-             esteve instalada em vrios locais,
tador a chance de recri-los em sua          sofrendo uma ciso durante a Re-
imaginao. Seu primeiro coorde-             voluo Francesa, cujas disputas
nador e animador foi o encenador             polticas dividiram seus atores. A
Brutus Pedreira (1904-1964), asses-          partir de 1804, passou a ocupar as
sorado pelo artista plstico e ce-           dependncias do Palais-Royal, uma
ngrafo Toms Santa Rosa (1909-              sala com capacidade para 900 es-
1956) e por Lusa Barreto Leite, a           pectadores que, por extenso, pas-
quem se juntaram posteriormente              sou a ser conhecida tambm pelo
Gustavo Dria (1910-1979) e Agos-            nome de Comdie.
tinho Olavo (1919-1234). A princ-
                                             comediografia. Arte e tcnica de es-
pio amador, o grupo teve seu per-
                                             crever e encenar comdias.
odo de profissionalismo, mas al-
guns fracassos financeiros obriga-           comedigrafo. 1. Especificamente, o
ram o encerramento de suas ativi-            autor de comdias. 2. O dramaturgo,
dades ainda na dcada de 40. En-             por extenso; teatrlogo.
tre os grandes espetculos ence-
                                             cmico. 1. Relativo  comdia;
nados, a histria destaca Desejo,
                                             burlesco. 2. No gnero comdia, o
de Eugene O'Neill*, A rainha mor-
                                             tipo ou esteretipo responsvel pela
ta, de Montherlant (1895-1972) e
                                             parte hilariante da encenao, seu
Vestido de noiva, de Nelson Ro-
                                             centro de interesse, basicamente
drigues*, dirigido por Ziembinski
                                             dotado de movimentos geis e ges-
(1908-1978).
                                             tos ora elegantes, ora grotescos. 3.
Comdie Franaise. Sociedade                 Ator que se especializa no trabalho
dos comediantes franceses, nasci-            desse gnero; aquele que faz
da em agosto de 1680, da fuso de            comicidade. 4. Forma pejorativa
dois ncleos tradicionais: Antigos           como foram tratados, por muito
Companheiros de Molire e Gran-              tempo, atores e atrizes do teatro. 
des Comediantes do Hotel de                  As personagens cmicas exigem,
Bourgogne. A fuso foi coordena-             tradicionalmente, ritmo alegre,
da por Luis XIV, que, com essa me-           marcado sempre por uma agilidade
dida, pretendia no s preservar a           corporal alm do normal e racioc-
cultura clssica francesa, como fa-          nio brilhante. V. Gal cmico.
zer frente aos comediantes italianos


                                        86
comit de leitura                                                       comoedos

comit de leitura. Organizao                mento de apoio est nos atores, que
mantida por muitos teatros, compos-           s contam com um roteiro muito sim-
ta geralmente por intelectuais, ato-          ples, onde esto apenas especifica-
res e crticos, responsvel pela sele-        das as entradas e sadas e as indica-
o dos textos a serem montados               es elementares para as falas, que
pela casa de espetculos.                     devem ser improvisadas. Multiface-
                                              tada,  graas  acrobacia,  dana e
Commedia dell'Arte. Gnero ligei-
                                              aos lazzi* que o ator dell'arte al-
ro e nitidamente popular, de origem
                                              cana seus maiores triunfos. Ape-
italiana e originado na Renascena,
                                              sar de frias e inexpressivas na sua
que floresceu entre os sculos XVI
                                              essncia, as mscaras acabam se
e XVIII. Sua ao  marcada por ges-
                                              transformando num acessrio obri-
tos estereotipados e nitidamente
                                              gatrio do gnero, concebidas que
improvisados, embora o enredo e as
                                              so para "representar" todas as ex-
personagens sejam mais ou menos
fixas: a jovem esposa sempre enga-            presses possveis, dando liberda-
nada pelo marido velho, o amo e o             de ao ator para expressar seus senti-
criado sempre trocando de papis              mentos e suas reaes apenas com
para testemunhar algum flagrante              o corpo. Embora o gnero desapare-
delituoso, etc. Vinculando-se a uma           a em meados do sculo XVIII, sua
idia de profissionalizao do tea-           esttica contribui vigorosamente
tro, a nova tcnica procura distin-           para a evoluo do teatro.  sob sua
guir os atores deste gnero, do tipo          inspirao que se estrutura a co-
amadorstico, do intrprete medieval          mdia literria de Molire* e
em voga. Na Itlia, o gnero  prati-         Marivaux*, a pera-bufa de
cado por atores itinerantes, que usam         Pergolese (1710-1736) e Cimarosa
mscaras para identificar os tipos            (1749-1801), e a tradio dos mi-
especficos dentro da trama, como o           mos* na Frana, influenciando a
Arlequim, a Colombina, Pantaleo,             arte de Jean-Louis Barrault* e
o Doutor, Briguela, etc. Algumas              Marcel Marceau.* Sua forma de re-
dessas mscaras atravessaram o                presentar e de se exibir em pblico
tempo e ainda so encontradas nos             acaba sendo imitada pelos grupos
dias atuais, disseminadas pelo mun-           de ruas, adotada bem mais recente-
do inteiro. A Commedia dell'Arte              mente pelo San Francisco Mime
ocorre pelo desvio e a ruptura com a          Troup; comdia italiana.
Commedia Sostenuta, forma liga-               comodim. Cortina em apanhados ou
da  literatura teatral escrita. O g-        franzidos, de seda, veludo ou outro
nero oscila entre o respeito  tra-           tecido nobre, colocada em primeiro
dio e a improvisao, sendo que             plano, prpria para mutaes rpi-
seu fundamento bsico  mesmo a               das, com movimentos verticais, em
improvisao, conferindo ao ator a            lugar de abrir horizontalmente.
condio de autor,  medida que vai
improvisando. Seu grande instru-              comoedos (e). Cantores dos comos.


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comos                                                                   comparsa

comos (em grego, komos). Na Grcia           programar exibies para outras par-
antiga, um cortejo grotesco em hon-          tes do pas. Podem se organizar pela
ra a Dioniso.* Seus participantes,           convocao de um ator-empresrio,
instalados no alto de carros ou ca-          um mecenas, um produtor influente,
minhando a p, excitados pelo vi-            ou mesmo o Estado. Fizeram hist-
nho farto, saltavam alegremente,             ria no Brasil companhias lideradas
produziam algazarras, disfaravam-           pelo ator-empresrio Jaime Costa
se, imitavam gestos e vozes, zomba-          (1897-1967), Procpio Ferreira*,
vam de defeitos, inventavam e de-            Dulcina/Odilon, Tnia/Celli/Autran.
turpavam cnticos e danas, num ri-          Ficou na histria do teatro brasileiro
tual muito parecido com o carnaval           Os Artistas Unidos, de Henriette
de rua no Brasil, sobretudo o de             Morineau (1907-1990), o Teatro Bra-
Olinda, Pernambuco, e o de So Lus,         sileiro de Comdia*, o Teatro de
no Maranho. A palavra e a prtica           Amadores de Pernambuco, o Tea-
deram origem  comdia.                      tro de Estudantes do Brasil*, entre
                                             outros; grupo teatral, circense, co-
Compadre. Tipo tradicional das re-
                                             reogrfico, etc.
vistas do ano, gnero de teatro po-
pular que floresceu no Brasil entre          Companhia Nacional. Historicamen-
meados do sculo XIX e o XX. Nor-            te o primeiro elenco teatral de car-
malmente hilrio, o tipo  respons-         ter essencialmente brasileiro, criado
vel pelos comentrios crticos e pela        em 1833, por Joo Caetano*, cuja
ligao dos quadros entre si. Quan-          estria se deu a 2 de dezembro, com
do ocorria uma dupla de compadres,           o drama O prncipe amante da li-
um deles era normalmente mais es-            berdade ou a independncia da
perto que o outro. Originrio da             Esccia.
Frana, o compre ganhava vida a
                                             comparsa. Artista que entra em cena
partir do acordo feito entre um "ter-
                                             apenas para fazer nmero; figurante.
restre" e o representante de um deus
                                             Normalmente sem falas, finge gesti-
do Olimpo ou do Parnaso, onde o
                                             cular ou conversar em cena ou, em
mortal tinha ido pedir ajuda para so-
                                             alguns momentos, dependendo da
lucionar algum problema. Ao
                                             necessidade, fazer algum tipo de ru-
retornar  terra, os compadres eram
                                             do: gritos, exclamaes etc. An-
normalmente surpreendidos por
                                             nimo, nessa figura podem participar
algum acontecimento estranho:
                                             at mesmo os prprios funcionri-
podiam ser roubados, ser tomados
                                             os do teatro onde o espetculo es-
por outras pessoas, ou passavam a
                                             teja sendo montado ou pessoas
ser perseguidos.
                                             convocadas aleatoriamente, antes do
companhia. Grupo de atores pro-              espetculo. So, em alguns casos, os
fissionais ou amadores, organizados          tradicionais N. N.* que aparecem
para a promoo de espetculos,              nos programas do espetculo.
podendo se fixar numa cidade ou


                                        88
comparsaria                                                             confidente

comparsaria. O conjunto de com-                dell'Arte; espcie de diretor ou re-
parsas; homens e mulheres inclu-              gente de orquestra que conduzia o
dos num espetculo com a nica fi-             desenvolvimento sugerido pelos
nalidade de participar das cenas de            canovacci.*
multido; figurao.
                                               concertante. Final grandioso, sobre-
composio. Conjunto de tcnicas e             tudo num espetculo musical ou na
processos empregados por um(a)                 pera, em que figuram as vozes prin-
ator ou atriz para a elaborao de             cipais acompanhadas de coro e or-
seu papel; criao e montagem da               questra, atingindo um andamento
personagem por parte do intrprete,            fortssimo.
envolvendo caracterizao fsica e
                                               concha do ponto. Dispositivo mvel,
psicolgica  tiques e cacoetes, ges-
                                               de madeira ou de folha de metal, qua-
ticulao, impostao da voz, etc.
                                               drada, redonda ou oitavada, artisti-
Diferente do processo, ou tcnica,
                                               camente decorado nas casas de es-
da encarnao, a composio da
                                               petculo mais sofisticadas, coloca-
personagem, segundo alguns teri-
                                               do sobre o buraco do ponto, para
cos,  o caminho mais seguro para o
                                               disfar-lo da vista da platia e es-
intrprete conseguir a criao de um
                                               conder o tcnico responsvel pelo
tipo "real". Se maduramente prepa-
                                               ponto. A qualificao concha deve-
rado por meio de tcnica adequada,
                                               se ao seu formato primitivo, seme-
o/a ator/atriz no perder de vista
                                               lhante a uma concha marinha. Abo-
que est fingindo, permanecendo
                                               lido na moderna arquitetura teatral.
sempre lcido para preparar sua cena
seguinte. O ator/atriz que compe              confidente. Personagem secundria,
tecnicamente sua personagem pode               alter ego do heri ou seu desdobra-
at perder em intensidade, no mo-              mento, usado pelos autores clssi-
mento de apresent-lo ao pblico,              cos da tragdia grega, com a funo
mas seguramente o far com mais                explcita de escutar as confidncias
sutileza.                                      das personagens centrais ou trans-
                                               mitir ao pblico informaes sobre
comprida (corda). A corda mais lon-
                                               os acontecimentos desenrolados
ga e mais distante, na vara ou no
                                               fora de cena. Foi um recurso larga-
ponto de amarrao da manobra, que
                                               mente usado, posteriormente, por
suspende da teia cada vara.
                                               muitos autores, ao longo da histria
comprimrio. Comparsa de compa-                da dramaturgia, para colocar a pla-
nhia lrica; os cantores secundrios,          tia informada sobre o estado de
na terminologia da pera.                      alma de alguma personagem, anteci-
                                               par acontecimentos-chaves, etc.
concertadores. Expresso emprega-
                                               Oenone, em Fedra, de Racine*, e a
da, na linguagem teatral italiana, para
                                               Aia, em Romeu e Julieta, de Sha-
designar o responsvel pela unida-
                                               kespeare*, so exemplos clssicos
de do espetculo, na Commedia
                                               de confidentes.


                                          89
conflito                                                             contracena

conflito. Luta entre foras antag-          se um dos dramaturgos mais impor-
nicas que tornam as tramas mais in-          tantes de sua poca no seu pas.
tensas. Constitui-se basicamente na          Suas peas ainda so largamente
relao mais ou menos tensa entre            procuradas nos dias atuais e entre
personagens e outras foras, como            elas esto Amor por amor (1695), A
a social. Uma instabilidade entre es-        noiva enlutada (1697), Assim vai o
sas, sob a forma de um desequilbrio,        mundo (1700).
pode estar, por exemplo, numa situ-
                                             conjunto. A totalidade dos atores de
ao de incorrespondncia amoro-
                                             um espetculo; companhia; elenco.
sa ou num ato de injustia social. O
conflito pode ir aumentando at seu          Conservatrio Nacional Superior de
ponto mximo, o clmax, e se desfaz          Arte Dramtica de Paris. Criado por
no desenlace, ao qual segue-se o ep-        Napoleo em 1808 e reorganizado
logo. Quando foi identificado, na sua        pelo Decreto de Moscou de 15 de
origem, o conflito envolvia homens e         outubro de 1812,  o nico estabele-
deuses  deuses maus e deuses bons           cimento no ensino de arte dramtica
 heris e inimigos, opressores e            na Frana a conquistar a categoria
escravos, ricos e poderosos. Com o           de superior, o que aconteceu em
conflito, na sua origem grega, nas-          1868. Nele, os alunos completam a
ceu o drama  o teatro, em si.               sua formao profissional de ator,
                                             ao mesmo tempo em que adquirem
congelar. Parar um gesto ou toda
                                             uma formao geral, de nvel univer-
uma ao, permanecendo esttico.
                                             sitrio. A maioria dos grandes no-
Congresso (de teatro no Brasil). O           mes do teatro francs passou por
primeiro Congresso de Teatro reali-          esse Conservatrio.
zado no Brasil aconteceu por inicia-
                                             contato. Habilidade e tcnica desen-
tiva da Associao Brasileira de Cr-
                                             volvida pelo ator de qualquer esco-
ticos Teatrais, na cidade do Rio de
                                             la, modelo ou tendncia dramtica,
Janeiro, de 9 a 13 de julho de 1951.
                                             para se manter permanentemente in-
Presidido por Lopes Gonalves, nele
                                             tegrado ao espetculo, de modo que
foram apresentados muitos projetos
                                             possa reagir convincentemente e de
para assegurar o desenvolvimento
                                             forma eficaz como elo de uma cadeia
da arte cnica brasileira, quer como
                                             que no pode se romper, sob pena
espetculo, quer como literatura.
                                             de o espetculo se fragmentar.
Congreve, William (1670-1729).
                                             contracena. 1. Ato de contracenar.
Dramaturgo ingls, principal expoen-
                                             2. Ao desenvolvida permanente-
te da Restaurao no seu pas, mes-
                                             mente por um intrprete, para mant-
tre da comdia de costumes, conhe-
                                             lo integrado  cena, quer seja numa
cedor profundo da psicologia femi-
                                             cena principal, quer seja numa cena
nina. Iniciou-se no teatro com a co-
                                             secundria. 3. Marcao comple-
mdia O solteiro (1693), tornando-
                                             mentar ou dilogo fingido que se


                                        90
contracenar                                                               contrato

desenvolve paralelamente  cena              ambiente  mveis, peas decorati-
principal.                                   vas e outros adereos adequados
                                             para a perfeita realizao da trama
contracenar. 1. Ao e reao de
                                             prevista pelo texto. So tambm de
um ator ou grupo de atores, enquan-
                                             sua responsabilidade as entradas
to outro conduz a cena principal, com
                                             dos intrpretes em cena, ao longo
o objetivo de manter a continuidade
                                             do espetculo, momento em que
dramtica. 2. Ao ou dilogo se-
                                             deve lembrar ao ator a primeira fala
cundrio entre dois ou mais intr-
                                             da cena. Cabe a ele, no caso de no
pretes, paralelo  ao principal 3.
                                             haver um sonoplasta especial, a pro-
Cena simulada; cena muda de um
                                             duo dos efeitos sonoros, rudos
ator, fisionmica ou expressiva, em
                                             internos e a disciplina do palco e das
relao ao que escuta ou lhe est no
                                             coxias nas horas do espetculo. 2.
pensamento; ato de um intrprete
                                             Roteiro escrito, onde esto anota-
escutar seu oponente sem interferir
                                             das todas as disposies dos m-
com falas; fingir que dialoga enquan-
                                             veis na cena, os adereos indispen-
to os demais atores falam e agem. 4.
                                             sveis  representao, inclusive as
Marcao complementar ou dilogo
                                             entradas dos atores.
fingido que se desenvolve paralela-
mente  ao principal; corresponde          contra-regragem. O conjunto das
ao subtexto.                                 aes do contra-regra.
contralto. 1. A voz feminina de re-          contra-reguladores. Designao
gistro mais grave. 2. Cantora que            de todos os demais reguladores que
possui esse timbre de voz.                   sucedem ao primeiro e vo fechan-
                                             do a cena em perspectiva. Serve,
contrapeso. Peso usado com o fim
                                             inclusive, para convencionar mais
de equilibrar objetos muito pesados,
                                             ao fundo do palco uma segunda
suspensos ao urdimento; lingada.
                                             ou terceira boca de cena, deixando
contra-regra. 1. Profissional en-            o primeiro plano livre para aes
carregado, a partir do projeto do            especficas.
espetculo, de prover o cenrio, a
                                             contrato. Documento firmado en-
cena e os intrpretes, o material ne-
                                             tre o artista e uma empresa, para a
cessrio para o perfeito desenvol-
                                             prestao de servio, no qual figu-
vimento do espetculo.  ao con-
                                             ram todos os direitos e deveres de
tra-regra, seguindo o plano
                                             ambas as partes. Mesmo que os da-
preestabelecido pela direo do es-
                                             dos constantes desse contrato j es-
petculo e de sua prpria iniciativa,
                                             tejam previstos na legislao que
que compete providenciar todo o
                                             regulamenta a profisso de artistas
material, tanto de apoio, como de uso
                                             e tcnicos em espetculos e diver-
da cena e dos atores, incluindo a
                                             ses, itens novos, de acordo com as
decorao de cena, com tudo o que
                                             partes, podem ser includos.
for necessrio para caracterizar o


                                        91
conveno                                                                       corda

conveno. Qualquer dos processos               es estticas, entre as quais o
de encenao consagrados pelo                   despojamento da cena teatral,
uso: um gesto caracterstico, uma               assoberbada de elementos estra-
impostao de voz, o uso de um de-              nhos  ao dramtica. Sua propos-
terminado efeito de luz, a movimen-             ta de renovao da tcnica teatral
tao dos atores em cena, com a fi-             foi uma forma de rebeldia contra a
nalidade de tornar funcional e con-             tradio realista segundo o modelo
vincente para a platia o desenvol-             vigente, servil s rubricas dos tex-
vimento do espetculo. As conven-               tos de Ibsen* e Tchekhov*, os dra-
es tm variado ao longo dos tem-              maturgos em moda, na sua poca.
pos e da Histria do Espetculo.                Com o Vieux-Colombier, combateu
                                                a mesmice que estava comprometen-
convencer. O ato ou virtude de ser
                                                do a arte dramtica, reduzida ento a
convincente em cena; a qualidade
                                                simples comrcio do entretenimen-
de um espetculo bem concebido,
                                                to, distanciada de qualquer autenti-
na sua linha geral.
                                                cidade humana e a servio de uma
convidado(a). Ator ou atriz de gran-            sociedade furiosamente preocupa-
de talento ou, sobretudo, habilida-             da em colher os frutos de uma
de para compor determinados tipos,              infindvel Belle poque. Adaptou
"convidado(a)" especialmente para               para o teatro o romance Os irmos
participar de um espetculo. A prti-           Karamazov, de Dostoievski, e fez
ca chegou a virar moda, sobretudo               encenaes histricas de Shakes-
nos chamados espetculos em be-                 peare*, Merime (1803-1870), Vidrac.
nefcio, quando esse profissional vi-           Convidado para assumir a funo de
rava chamariz para o pblico.                   diretor teatral da Comdie Franaise
                                                em 1936, tornou-se seu diretor geral
convite. Ingresso distribudo gratui-
                                                a partir de 1940.
tamente pela empresa teatral a crti-
cos e pessoas amigas da empresa;                copio. Cpia integral do texto da
ingresso de favor.                              pea ou do roteiro do espetculo,
                                                onde esto anotadas todas as mar-
coordenadas. Linhas imaginrias
                                                caes e outras peculiaridades c-
que dividem o palco em zonas,
                                                nicas, como marcao de luz e som,
para facilitar a distribuio das
                                                para uso do diretor, do contra-re-
massas, nas cenas de multido e
                                                gra e, quando for o caso, do ponto.
de orientao tcnica para arru-
mao dos cenrios.                             corda. Cabos de manilha, ao ou
                                                outro qualquer material flexvel, usa-
Copeau, Jacques (1879-1949). Escri-
                                                do para manter os cenrios pendu-
tor, ator, diretor e crtico teatral, um
                                                rados nas varandas, atravs do
dos fundadores da Nouvelle Revue
                                                urdimento. Cada corda tem sua pr-
Franaise (1912), criador e diretor
                                                pria roldana ou gorne fixada ao
do Vieux-Colombier (Paris, 1913),
                                                urdimento, e trabalham sempre em
responsvel por inmeras renova-


                                           92
cordelinhos                                                            coreografia

grupo de trs, designadas pelos no-           muito mais dispendioso que o coro
mes de curta, do meio e comprida.             trgico. A instituio da coregia
 Corda comprida.  a corda mais               manteve-se durante os sculos V e
longa da manobra, sustentando a               IV a. C., sendo abolida em 308, quan-
vara no lugar mais distante do pon-           do foi substituda por uma espcie
to de amarrao.  Corda curta.               de administrao do Estado, confia-
aquela que fica mais prxima do pon-          da a um magistrado, o agonoteta, que
to de sustentao da manobra.  a             dispunha de fundos pblicos para
menor das trs.  Corda dramtica.             esse fim.
Demonstrao de sentimento, vigor
                                              corego. No antigo estado grego, o
e expresso no desempenho do pa-
                                              cidado designado pelo arconte
pel, donde surgiu a expresso que j
                                              epnimo, ou arconte-rei, para esco-
teve largo uso na linguagem de bas-
                                              lher e selecionar os componentes
tidores: estar ou no estar nas suas
                                              do coro e diretores para a represen-
cordas, querendo significar que o/a
                                              tao da tragdia, responsabilizan-
intrprete teve ou no teve bom de-
                                              do-se, inclusive, pelo pagamento
sempenho.  Corda do meio. A cor-
                                              dos salrios e gratificaes desse
da que fica no centro do ponto de
                                              pessoal, alm das despesas com
amarrao da vara.  Cordas mor-
                                              montagem e vesturio: corrgio;
tas. Aquelas que suspendem os
                                              choregus.
teles ao urdimento, normalmente
dotadas de ganchos de ferro numa              coreografia. 1. A arte da dana, obe-
das pontas, prendendo-se a outra a            decendo a regras e a um sistema
uma orelha do telo; cordas falsas.           constitudo de figuras e expresses
                                              diversas, para registro dos movi-
cordelinhos. Na pera, personagem
                                              mentos a partir de um projeto tcni-
sem peso visvel na trama e sem
                                              co e esttico elaborado por um pro-
grande importncia para o conte-
                                              fissional chamado coregrafo. 2. A
do, mas de grande efeito emocional
                                              tcnica de conceber e compor a se-
junto ao espectador. Ficaram cle-
                                              qncia de movimentos e gestos de
bres tradicionais cordelinhos como
                                              um bailado e fazer a respectiva no-
as leiteiras, da Bomia, de Puccini;
                                              tao. 3. A arte de compor bailados.
o pastor do terceiro ato da Tosca,
                                              4. O conjunto de passos e figuras
tambm de Puccini; o lanterneiro,
                                              de um bal.  As notaes dos pas-
de Manon Lescaut, ainda de
                                              sos da dana foi iniciada numa obra
Puccini.
                                              de Jehan Tabourot (1519/20-1595/
coregia. Nome pelo qual eram co-              96), Orchsographie, em 1588, e
nhecidos os recursos materiais for-           desenvolvida no sistema publicado
necidos pelos cidados ricos, na              em 1699 por Raoul Feuillet (c.
Grcia, durante o Perodo Clssico,           1660/75-c. 1730), seguindo-se as
at os finais do sculo IV a. C., para        contribuies de Magny (1765) e
a organizao de um coro cmico,              Saint-Lon (1852). No sculo XX,


                                         93
coreogrfico                                                    Corneille, Pierre

Rudolf von Laban (1879-1958) de-             cais, revistas, variedades, danan-
senvolveu sua Labanotation.                  do ou simplesmente fazendo figura-
                                             o para compor o cenrio e enfeitar
coreogrfico. Pertencente ou relati-
                                             a cena. 2. Aquela ou aquele que par-
vo  coreografia.
                                             ticipa de um coro.
coregrafo. Profissional especializa-
                                             Corneille, Pierre (1606-1684). Dra-
do em dana e expresso corporal,
                                             maturgo francs que, ao lado de Jean
que cria e coordena o movimento
                                             Racine*, foi a maior figura do
dos atores em cena, ou compe e
                                             classicismo no seu pas. De 1629
transcreve situaes a partir de sig-
                                             at 1636, quando escreveu A iluso
nos e sinais convencionais, ou exe-
                                             cmica, dedicou-se principalmen-
cuta bailados; anotador; autor de
                                             te  comdia e participou do Grupo
obras de coreografia.
                                             dos Cinco, que trabalhava sob a pro-
coreologia. Termo importado da               teo do cardeal Richelieu. Seus
lngua inglesa (choreology) para             heris caracterizam-se por enfren-
identificar o registro escrito dos           tar situaes excepcionais e triun-
passos de um bal.                           far sobre o destino. O sucesso de
                                             sua primeira tragdia, Media, con-
coreu. Cntico acompanhado de
                                             firmado pelo triunfo de Cid, mudou
danas dramticas e de msica de
                                             o rumo de sua carreira. Esta pea,
flautas e crtalos.
                                             inclusive, acirrou os debates acerca
coreuta(s). 1. No antigo teatro gre-         dos princpios fundamentais do tea-
go, as personagens introduzidas na           tro clssico, pois, apesar de o autor
cena com a funo de dialogar com            respeitar externamente todas as re-
os participantes do coro. 2. Cada um         gras da escola  unidade de tempo,
dos membros do coro.                         espao e ao , os cinco atos do
crico. Os versos cantados pelo              drama esto repletos de incidentes
coro grego nas peas teatrais: do            inesperados, como jamais havia ocor-
grego choriks  do latim choricu.           rido numa tragdia clssica. O enre-
                                             do, com final feliz, originou grande
corifeu. 1. Mestre do coro na an-            discusso: de um lado, batiam-se os
tiga tragdia grega, exercendo a             adeptos da verossimilhana, enquan-
funo de principal representan-             to do outro, os defensores da manu-
te do povo e de intermedirio en-            teno das regras clssicas. A agita-
tre os coreutas e as personagens             o foi to grande que a Academia
principais; o chefe do coro; o               Francesa foi convocada para emitir
narrador. 2. Poeta e cantor imagi-           opinio. A partir da, Corneille atra-
noso e eloqente que contava as              vessou momentos de depresso e
cenas da vida dos deuses.                    fracasso. Entre suas obras, alm de
corista. 1. Mulher, geralmente jo-           Cid (1637), destacam-se Horace e
vem e bonita, que figura em musi-            Cinna (1640), Polyeucte (1641), A



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coro                                                                       corrales

morte de Pompeu (1642/43) e                   nueva, gnero criado pelo dramatur-
Nicomde (1650/1).                            go Lope de Vega.* Funcionavam a
                                              cu aberto, localizados de prefern-
coro. 1. Conjunto de atores que re-
                                              cia nas praas pblicas ou nos pti-
presentavam o povo no teatro cls-
                                              os, alguns deles alugados pelas or-
sico. 2. Parte de uma obra dramtica,
                                              dens religiosas. As janelas das ca-
declamada ou cantada por vrios
                                              sas em volta, quando altas, eram
atores.  Na sua origem histrica,
                                              usadas para instalar o pblico eco-
na tragdia e na comdia grega, o
                                              nomicamente privilegiado, enquan-
coro narrava ou comentava a ao,
                                              to as baixas serviam como camaro-
cantando ou declamando. Na sua
                                              tes. O ptio, correspondendo  pla-
forma organizada mais primitiva, for-
                                              tia atual, era o lugar mais barato,
mava um conjunto de quinze
                                              reservado exclusivamente aos ho-
coreutas dirigidos pelo corifeu, com-
                                              mens, denominados mosqueteiros,
petindo a eles apresentar ou comen-
                                              que assistiam o espetculo em p,
tar a ao dramtica, declamar a par-
                                              como na grande maioria das casas
te lrica da obra, cantar e danar. Os
                                              de shows do final do sculo XX. As
movimentos dos coros eram realiza-
                                              mulheres, por sua vez, ocupavam
dos na orchestra, espao do edif-
                                              uma galeria alta, chamada cazuela*,
cio teatral especialmente reservado
                                              localizada no fundo da praa, de fren-
s suas evolues.
                                              te para o palco. Os cenrios, neste
coronel. No comeo do sculo XX,              modelo de local de espetculo, eram
homem rico e j idoso, normalmente            os mais simples possveis, e as mu-
proprietrio de fazendas de gado,             danas dos locais da ao anuncia-
caf ou cacau, membro da Guarda               das pelos prprios atores ou cmi-
Nacional, que freqentava a Corte             cos. Os corrales podiam tambm ser
durante as temporadas teatrais e fi-          montados com um estrado sob um
cava "arrastando asas" para as co-            toldo, a platia protegida por outro
ristas, primeiras bailarinas e prima-         toldo, ou ento organizados sob a
donas. Tornaram-se famosos, cria-             forma de uma construo tosca de
ram escola de amantes eventuais e             madeira, na qual se sobrepunham
se transformaram em "tipos" para as           balco e camarotes, estes ltimos
comdias e revistas nacionais.                denominados de galinheiros ou ca-
                                              arolas; corral. Ficaram famosos os
corpo de baile. Conjunto dos dan-
                                              corrales de Madri, Valena, Sevi-
arinos, de ambos os sexos, liga-
                                              lha, Barcelona e Granada; entre
dos a uma casa de espetculos ou
                                              eles, pela sua importncia histri-
companhia teatral.
                                              ca, o Teatro de la Cruz e Teatro
corrales. Teatros pblicos urbanos            del Prncipe, onde se apresenta-
surgidos na Espanha entre os scu-            ram pela primeira vez peas de
los XVI e XVII, nos quais era ence-           Lope de Vega*, Caldern de la Bar-
nada principalmente a comedia                 ca* e Tirso de Molina.*


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corredia                                                                   cortina

corredia. Tampa de madeira que               correr (um ensaio). Expresso usa-
recompe o assoalho do palco aps             da para identificar que o ensaio pas-
o uso de um alapo; corredia de             sou ou foi deixado passar, sem ne-
alapo.                                      nhuma interrupo.
corrgio. Cidado de alguma pos-              corta. Ordem dada pelo diretor, du-
se, na Grcia antiga, responsvel             rante os ensaios, para fazer com
pela manuteno e despesa dos tea-            que uma ao, um dilogo, um ges-
tros; o mesmo que corego.                     to ou uma atitude sejam interrom-
                                              pidos, parando o ensaio para algu-
Correia, Jos Celso Martinez (1937-
                                              ma correo.
1234). Autor e diretor de teatro, fun-
dador do Teatro Oficina* de So               cortar. Expresso usada em marca-
Paulo, responsvel por grandes mo-            o para designar o ato de um intr-
mentos do teatro brasileiro nas d-           prete atravessar a cena em qualquer
cadas de 60 e comeo dos anos 70,             sentido, no momento em que est
no sculo XX. Depois de estrear               havendo um dilogo ou um monlo-
como autor, com as peas Vento for-           go. O movimento pode ser feito de
te para papagaio subir e A                    forma desastrosa, sem estar no pro-
incubadeira, fundou o Oficina e               jeto de marcao, ou estar previsto
logo em seguida o Teatro de Are-              por antecipao; passar.  Cortar a
na*, responsveis pela renovao              figura. 1. Ao de o ator gesticular
cnica brasileira. Nos anos 60, assi-         de forma inadequada na frente do
nou espetculos tecnicamente revo-            prprio corpo ou rosto. 2. Postura
lucionrios e de grande fora dra-            de marcao defeituosa, que pode
mtica, destacando-se Os pequenos             levar um intrprete a encobrir de for-
burgueses, de Mximo Gorki (1868-             ma inconveniente a figura de outro.
1936), Andorra, de Max Frisch (1911-
                                              corte. Trecho de um texto retirado
1991), O rei da vela, escrita em 1934
                                              da obra. O corte pode ser feito pela
por Oswald de Andrade* e at en-
                                              ao da censura ou por convenin-
to nunca encenada, com a qual re-
                                              cia pessoal do encenador, adaptador
alizou uma montagem inovadora,
                                              ou tradutor.
surpreendendo, em 1968, no Festi-
val Internacional de Nancy, Frana;           cortina. 1. Cena curta, represen-
Roda viva, de Chico Buarque de                tada nos entreatos da revista mu-
Holanda (1944-1234), Galileu                  sical, normalmente na ribalta ou na
Galilei e Na selva da cidade, de              frente de uma "cortina de efeito",
Bertholt Brecht.* Em 1975, realizou           com a finalidade de cobrir o tem-
em Moambique, juntamente com                 po necessrio para a mudana de
Celso Lucas, o documentrio cine-             cenrios, enquanto o pano de boca
matogrfico 25, sobre a independn-           permanece fechado. 2. Entenda-se
cia daquele pas.                             tambm como sendo a empanada
                                              colocada normalmente  altura do


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cortina                                                            costureiro (a)

proscnio, entre a ribalta e o palco,        frente do pano de boca, de uso obri-
para encobrir da vista do especta-           gatrio at meados do sculo XX
dor o ambiente em que a ao da              pelos teatros mais importantes do
pea transcorrer, antes do espet-          Ocidente, com o objetivo de prote-
culo comear e entre os atos.                ger o pblico, no caso de incndio
Cortina d'gua. Lmina de gua que           na caixa do teatro, durante o espe-
se faz descer por fora das janelas e         tculo; cortina de segurana. 
portas de um cenrio para dar a im-          Cortina de fundo. Outro nome dado
presso de chuva, no exterior.               ao grande e ltimo telo, cujos de-
Cortina alem. Cortina inteiria,            senhos completam o tema do cen-
presa, na parte superior, a uma bar-         rio.  Cortina italiana. Construda
ra horizontal mvel que sobe e des-          de duas partes e franzidas, levanta-
ce verticalmente.  Cortina de ar-            das verticalmente e ao mesmo tem-
lequim. Cortina que corre logo em            po por um cordo atado no meio do
seguida ao pano de boca, indepen-            debrum interior de cada uma. 
dente do cenrio e usada para ocul-          Cortina lenta. Abertura ou fecha-
tar a cena, nas mudanas dos qua-            mento gradual do pano de boca,
dros. Diz-se "de arlequim", porque           para que seja atingido determinado
 armada no primeiro enquadramen-            efeito cnico; pano lento.  Corti-
to, espao reservado pela tradio           na de manobra. Cortina leve, colo-
para as entradas das personagens,            cada logo atrs do pano de boca,
na Commedia dell'Arte; cortina de            descida quando h necessidade de
corte.  Cortina de ar livre. Corti-          uma troca rpida de cenrio, sem
na de tecido azul plido, usada em           que a ao se interrompa. Essa ma-
substituio ao ciclorama, buscan-           nobra  feita enquanto os atores
do dar a impresso de que a cena             passam a representar no proscnio.
transcorre ao ar-livre; cortina de            Cortina rpida. Abertura ou fe-
cu.  Cortina de boca. O mesmo               chamento rpido do pano de boca.
que pano de boca.  Cortina                   Cortina de segurana. Cortina de
polichinelo. Pano de boca que               ferro.
aberto usando-se o recurso de
                                             cortineiro. Funcionrio do teatro
enrol-lo, a partir da base, sobre
                                             responsvel pela movimentao das
um rolo levantado por dois cor-
                                             cortinas e panos de boca do espet-
des. Este sistema  prprio para
                                             culo, funo que tambm pode ser
um teatro onde no existam
                                             executada pelo contra-regra.
urdimentos que possibilitem a
abertura para as laterais, ou em que         costume. Qualquer tipo de vesti-
a altura da caixa  insuficiente para        menta usada pelo artista em cena; o
conter a cortina que sobe vertical-          mesmo que vesturio.
mente.  Cortina de ferro. Dis-
                                             costureiro(a). Profissional res-
positivo mecnico, construdo com
                                             ponsvel pela confeco das roupas
placas de amianto e colocado em
                                             e adereos pertinentes  sua rea de


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coturno                                                             Craig, Gordon

atuao, a partir dos modelos e pro-          dantes e suas lideranas, todos que
jetos fornecidos pelo figurinista.            se interessassem pela reformulao
Estes/estas profissionais podem               da cultura popular, em oposio s
tambm ajudar o elenco a se arrumar           expresses artstico-literrias vigen-
para entrar em cena na hora do es-            tes. O teatro, que seria usado como
petculo.                                     arma em favor das grandes trans-
                                              formaes sociais pregadas pela es-
coturno. Calado de solas grossas
                                              querda, foi o grande instrumento de
que os atores da tragdia grega usa-
                                              mobilizao de seus quadros. Para
vam no Perodo Helenstico, para
                                              alcanar seus objetivos, foi monta-
aumentar a estatura e deslocar o
                                              do um dinmico esquema de ativi-
centro de gravidade de seu corpo.
                                              dades Agitprop, viabilizado atravs
Modificava o andar natural, acentu-
                                              da encenao de esquetes circuns-
ando o efeito de estranhamento pro-
                                              tanciais feitas nos comcios, mani-
duzido pela mscara. Da deriva a
                                              festaes de rua, etc. No Nordeste,
expresso popular "do alto do seu
                                              os CPCs usavam as tcnicas tea-
coturno".
                                              trais nas suas campanhas de
coxia. A parte interna do palco, situ-        conscientizao e catequese polti-
ada nas laterais e no fundo da caixa          ca das populaes interioranas. O
do teatro, em volta da cena e do es-          Centro estava com a inaugurao de
pao da representao, por onde cir-          sua casa oficial marcada, que seria
culam tcnicos e artistas no momen-           na sede da UNE, na Praia do
to do espetculo. Sempre mencio-              Flamengo, no Rio de Janeiro, com a
nada no plural, coxias, fica oculta           pea Os Azeredos mais os Benevi-
da vista do pblico pelos cenrios e          des, de Oduvaldo Viana Filho*, sob
rompimentos; bastidores.                      a direo de Nelson Xavier, quando
                                              o edifcio foi queimado pela organi-
CPC. Sigla do Centro Popular de
                                              zao fascista Comando de Caa aos
Cultura, movimento cultural criado
                                              Comunistas, o famigerado CCC, no
pelo dramaturgo Oduvaldo Viana
                                              dia 1 de abril de 1964.
Filho*, o cineasta Leon Hirzsman
(1937-1987) e o professor Carlos              Craig, Edward Gordon (1872-1966).
Estevam Martins. Nascido como r-             Cengrafo, encenador e terico in-
go autnomo, ligou-se posterior-             gls, defensor do princpio de um
mente  Unio Nacional de Estu-               teatro como "rito religioso, obra de
dantes, sem perder sua autonomia              arte absoluta para ser assistida de
financeira e administrativa, tendo            longe pelo espectador". Admirador
atuao efetiva de dezembro de                dos simbolistas, considerava o na-
1961 a maro de 1964. Com sede na             turalismo uma arte desqualificada,
cidade do Rio de Janeiro, a entida-           mera reproduo da vida, sem ne-
de congregava dramaturgos, artis-             nhum valor artstico. Interessando-
tas de teatro, msicos, cineastas,            se vivamente pela revoluo
artistas plsticos, escritores, estu-         cenogrfica promovida por Adolph


                                         98
crepe                                                                         cruzar

Appia*, tornou-se um dos mais im-              semilogos e tericos da literatura.
portantes inovadores da encenao              Essa anlise e julgamento estticos,
teatral do sculo XX. E como consi-            que levam ao exame detalhado da
derava a arte teatral essencialmente           obra  artstica/literria  visam es-
visual, admitia que a mesma deveria            tabelecer, na medida da lgica, uma
atingir os sentidos do espectador,             verdade e uma autenticidade do ob-
especialmente a viso. No seu en-              jeto em estudo. A crtica teatral data
tender, o diretor teria que ser um cri-        possivelmente de 3000 a. C., quan-
ador completo, responsvel por to-             do o ator egpcio I-Kher-Nefert te-
dos os aspectos do espetculo, des-            ceu comentrios sobre sua atuao
de a orientao dos atores at a cri-          em uma pea a respeito de Osris. A
ao do cenrio e do projeto de ilu-           construo de uma teoria crtica s
minao. Simplicidade e estilizao            aparece no sculo IV a. C., na Grcia,
foram a base de seu trabalho. Opon-            com Aristteles* (Potica), em que
do-se ao realismo, concebeu cenri-            esto fixados os elementos neces-
os em que a natureza e as coisas se-           srios para que a tragdia seja con-
riam apenas sugeridas atravs de               siderada um gnero artstico: pen-
formas abstratas. Priorizando a                samento, fbula, carter, linguagem,
verticalidade, criou a moderna ceno-           melodia e encenao. A partir de en-
grafia para revelar o universo e pre-          to, foram estabelecidos grandes
gou que, para ser arte, o teatro teria         princpios genricos, desde Horcio
que ser uma revelao envolvida de             (65-8 a. C.) e Quintiliano, at os mais
simplicidade. A arte do teatro  obra          recentes tericos.
fundamental de Craig.
                                               cromide. Gelatina de cor que se
crepe. Material sinttico ou natu-             adapta a um projetor, para colorir o
ral, adquirido normalmente sob a               feixe de luz.
forma de tranas, prprio para a
                                               croque. Vara longa provida de gan-
confeco de barbas, bigodes, ca-
                                               cho numa das extremidades, para
beleiras ou qualquer tipo de apli-
                                               puxar manobras e objetos.
ques e postios.
                                               Crueldade (Teatro da). V. Teatro.
criar. Compor e representar pela pri-
meira vez uma determinada perso-               cruzar. Ao de um ator, de passar
nagem; inventar no palco a perso-              sobre a cena; movimento do ator, em
nagem imaginada pelo dramaturgo.               cena, modificando tecnicamente as
                                               posies dos que esto em cena. O
crise. O mesmo que clmax.
                                               termo  sempre aplicado, no jargo
crtica. Gnero literrio ou                   do palco, para marcar o deslocamen-
jornalstico que consiste no estudo            to do ator em qualquer sentido  para
e na avaliao de uma obra de arte             cima ou para baixo, para um lado ou
segundo princpios e convenes                para outro.
estabelecidos entre lingistas,


                                          99
cumprimentar                                                          curinga

cumprimentar. O gesto do ator jun-       vezes mais o tamanho destes. Os ce-
to ao proscnio, sozinho ou com          nrios so normalmente montados
todo o elenco, para agradecer os         sob essa armao.  Cpula do pon-
aplausos.                                to. O mesmo que concha.
cunha (casa a). Platia com todos        curatores ludorum. Na Roma Anti-
os lugares ocupados e espectado-         ga, os funcionrios pblicos que
res em p pelas laterais e outras pas-   exerciam a superintendncia dos
sagens de circulao da sala; lota-      divertimentos pblicos, forma em-
o esgotada.                            brionria dos atuais ministrios, se-
                                         cretarias e fundaes de Cultura.
cpula. Parede ou dispositivo no
                                         Atravs deles eram feitos os contra-
fundo do palco, em forma de  da
                                         tos dos espetculos teatrais
esfera, onde se produzem efeitos
especiais de iluminao.  um dis-       curinga. Nome pelo qual o drama-
positivo que pode ser substitudo        turgo, encenador e terico do teatro
com grandes vantagens pelo               brasileiro Augusto Boal* denominou
ciclorama.  Cpula de Fortuny. Ar-       sua proposta de fazer com que um
mao em forma de abbada, cobrin-       ator representasse vrios papis
do toda a cena. Sua criao se deve      num mesmo espetculo. O sistema
ao pintor espanhol Mariano Fortuny       foi posto em prtica pela primeira vez
(1838-1874). Quando fortemente ilu-      pelo Teatro de Arena de So Paulo,
minada, d a idia de infinito, subs-    em 1965, com a pea Arena conta
tituindo com grandes vantagens o         Zumbi, escrita por Boal em parceria
uso pouco convincente das                com Gianfrancesco Guarnieri* e m-
bambolinas de cu. Parecida com          sica de Edu Lobo (1943-1234).
os cicloramas, tem, contudo, duas




                                     100
Dadasmo. Movimento de vanguar-          no teatro, foi expressiva na rebeldia
da surgido em 1916, em Zurique, ten-     da encenao.
do como centro irradiador o Cabar
                                         daikon. O mau ator, nos crculos do
Voltaire. De tendncia essencialmen-
                                         kabuki.* Corresponde ao tradicio-
te anrquica, caracterizou-se pela re-
                                         nal canastro do teatro brasileiro.
volta violenta contra os valores tra-
dicionais do racionalismo do sculo      Dalang. O ator responsvel pela ani-
XIX que desembocaram nos horro-          mao  fala e movimentos  dos
res da Guerra, dando nfase ao irra-     bonecos de sombra, na ilha de Java.
cional e ao absurdo, acentuando com      Alm de artista e animador, essa pes-
exagero a importncia do acaso na        soa pode ser tambm o sacerdote,
criao artstica. O maior animador      pois em Java esse gnero de teatro
do movimento foi o romeno Tristan        tem carter religioso. Ali, quase to-
Tzara (1896-1916), juntamente com        das as casas, ricas ou pobres, tm
artistas e intelectuais como Louis       sempre um lugar reservado para o
Aragon (1897-1982), Andr Breton         Dalang instalar sua tela. Alm das
(1896-1966), Paul Eluard (1895-1952),    funes acima enumeradas, ele 
Max Ernst (1891-1976), Oskar             tambm o filsofo, o poeta, o orador,
Kokochka (1886-1980), Hans Arp           o cantor, o regente de orquestra, o
(1886-1966), entre outros. O primei-     msico e o metteur-en-scne.
ro texto deste movimento, de auto-
                                         dama central. Personagem feminina
ria do pintor Oscar Kokochka, foi
                                         que figurava quase que obrigatoria-
Sphinx und Strohmann (1917). Mas
                                         mente nos elencos da Alta Comdia*,
 o texto teatral, Le coeur  gas, de
                                         na velha escola de representar do
Tristan Tzara, que os estudiosos
                                         teatro brasileiro. Interpretava o que
consideram a melhor manifestao
                                         se convencionava classificar de cen-
no gnero, desse perodo. Com vida
                                         tro nobre feminino, tipo considera-
curta, mas exercendo grande influ-
                                         do de difcil composio, requeren-
ncia na histria do pensamento hu-
                                         do, por parte da atriz que a represen-
mano, a manifestao do Dadasmo,
                                         tava, delicada sensibilidade. Costu-
dama-gal                                                            declamar

mava-se situ-la na faixa etria entre   ritmos sincopados da msica popu-
os quarenta e quarenta e cinco anos,     lar, tornaram-se cada vez mais livres
e eram normalmente as mes de fam-      e descontrados, fazendo lembrar, s
lia, as tias solteiras quarentonas e     vezes, danas tribais. Uma inovao
bem conservadas, as damas da alta        difundida tem sido a inveno inten-
sociedade, as senhoras, enfim.           cional e a promoo comercial de
                                         estilos de dana.
dama-gal. Expresso tradicional,
fora de uso, para identificar a atriz    Dana da Fecundidade. Entre os an-
elegante de comprovada beleza cls-      tigos gregos, dana ritual e dramti-
sica, com idade situada entre os vin-    ca em honra a Dioniso*, deus dos
te e cinco e trinta anos, especializa-   ciclos vitais; dana flica.
da em personagens de carter no-
                                         dana macabra. Gnero artstico
bre, tipo obrigatrio nos elencos da
                                         surgido na Europa, no sculo XIV,
Alta Comdia.* A dama gal invaria-
                                         em que era representado o julgamen-
velmente era vista como tal, at mes-
                                         to das pessoas de todas as condi-
mo na sua vida privada.
                                         es sociais, por seus pecados. Ti-
dana. Arte de movimentar o corpo        nha incio quando a Morte chama-
ritmicamente, em geral com acompa-       va os condenados, que eram con-
nhamento musical. Pode ser ritual        duzidos  cena, como esqueletos, e
mgico ou religioso, espetculo, ou      participavam de uma espcie de dan-
simples divertimento comunitrio.        a. Serviu de tema para pintores da
Entre os povos tribais, a crena na      poca, como Hans Holbein, e com-
magia da dana encontrou expres-         positores posteriores, como Franz
so nas danas da chuva e da fertili-    Liszt e Camille Saint-Sans; dana
dade, danas de exorcismo e ressur-      dos mortos.
reio, danas preparatrias da caa
                                         Danarino(a). Profissional que se
e da pescaria. Nos pases cristos,
                                         submeteu a um curso regular de dan-
as danas de origem pag e profana
                                         a e que vive para esse gnero de
associaram-se s festas religiosas,
                                         arte; bailarino(a).
passando a fazer parte, em algumas
comunidades, das prprias procis-        declamao. Forma tradicional de
ses litrgicas. No Oriente, a dana     designar a arte ou o modo de uma
 originariamente religiosa, havendo     pessoa dizer poesias. Aplicada ao
pouca tradio de dana social pro-      teatro,  o ato de o intrprete dizer o
fana. O bal clssico teve suas ori-     seu papel.
gens nas danas da corte na Itlia e
                                         declamar. Tcnica de dizer um texto,
na Frana, nos sculos XV e XVI.
                                         que o ator adquire atravs de treina-
No sculo XIX, a valsa teve enorme
                                         mento, crescendo ou diminuindo de
popularidade, e com ela a dana po-
                                         intensidade a voz, destacando as s-
pular atingiu o seu pice. Os estilos
                                         labas em staccato, quando se fizer
de dana do sculo XX, ligados aos
                                         necessrio, ou fundindo-as num s


                                     102
degrees                                                       desenvolvimento

jato (legato) de voz e flego, de acor-   preparao. Palavra, ou grupo de
do com a idia a ser transmitida. Essa    palavras, convencionalmente esco-
habilidade exige do declamador um         lhida (s) para servir de aviso para a
perfeito controle na emisso da voz       deixa de execuo.
e da respirao, que o aproxima do
                                          desarmar. Retirar o cenrio do palco.
processo de declamao.
                                          descer. Movimento do intrprete ao
degrees. Nos antigos teatros
                                          se deslocar, no cenrio, do fundo do
elisabetanos, os assentos comuns,
                                          palco  ou da cena  em direo 
dispostos em volta das salas, reser-
                                          ribalta; ao de avanar para o
vados aos espectadores. A pea,
                                          proscnio.  As expresses descer e
nesse modelo de sala, era represen-
                                          subir surgiram por volta de 1913, na
tada em forma aberta, no centro da
                                          Frana, onde os palcos eram inclina-
platia,  moda arena.
                                          dos, para facilitar a viso da platia.
deixa. A ltima palavra de uma fala,      Foram conservadas, mesmo depois
sinalizando a entrada ou interfern-      da construo do Thtre des
cia de outra personagem, quer falan-      Champs-Elyses, que tinha um pal-
do, quer praticando uma ao fsica       co nivelado horizontalmente. [Cf.
qualquer, dando continuidade             Subir.]
cena; gesto ou rudo previamente
                                          desempenhar. representar: "O ator
convencionado, indicando o incio
                                          Fulano de Tal desempenha bem o seu
de uma nova ao dramtica, que
                                          papel".
pode ser um movimento, uma fala,
um bailado, ou at mesmo uma mu-          desempenho. O mesmo que repre-
tao de cenrios e luzes; fala, ges-     sentao.
to ou rudos convencionados para a
                                          desenlace. Teoricamente, a parte da
entrada de personagens, produo
                                          composio dramtica, segundo os
de sons, efeitos musicais ou especi-
                                          moldes tradicionais, que vem logo
ais; deixa morta.  Deixa antecipa-
                                          aps a gradao. O objetivo do de-
da. Deixa anterior  morta, que indi-
                                          senlace  evitar que o interesse se
ca o instante para comear a ser pre-
                                          dissipe; desfecho; soluo. O mes-
parada a fala de outra personagem
                                          mo que catstase.
ou uma ao nova, que pode ser o
incio de um gesto ou o armazena-         desenvolvimento. Segundo a teoria
mento de ar, nos pulmes, para a          clssica da construo de um texto
emisso de um fala.  Deixa de exe-        dramtico,  a segunda etapa do
cuo. Fala ou sinal convencionado        entrecho, que vem logo aps a expo-
que indica ao maquinista, contra-         sio, j mais prxima ao clmax, e
regra, tcnico de luz ou som, o ins-      envolve todos os acontecimentos
tante de executar determinado efei-       ocorridos na trama, desde a
to ou ao, previstos para aquele         deflagrao do conflito at o momen-
determinado momento.  Deixa de            to da crise; complicao.



                                      103
desfecho                                                             dilogo

desfecho. Em dramaturgia, o desen-      grega, quando o enredo se tornava
lace, a resoluo do conflito. Trecho   altamente complicado e insolvel,
da trama em que o impasse provoca-      os autores faziam descer ao palco
do pelo confronto das foras em opo-    a figura de um deus, que resolvia
sio  solucionado. O desfecho en-     de pronto todas as complicaes,
volve o clmax e corresponde, na sua    usando seus artifcios sobrenatu-
maior parte, a uma ao descenden-      rais. Essa apario fantstica era
te. Pode ser seguido do eplogo; re-    conseguida com o auxlio de um en-
soluo.                                genhoso mecanismo, o theolo-
                                        geion. Passou, mais tarde, a quali-
desmontar. 1. Retirar de cena o es-
                                        ficar, de forma depreciativa, as so-
petculo em cartaz; desencenar. 2.
                                        lues artificiosas propostas a um
Desarmar o cenrio.
                                        problema dramtico ou cnico. Ex-
desvendamento (ato de). Expresso       presso latina fora de uso, queren-
proposta pelo terico e encenador       do significar, literalmente, que um
polons Jerzy Grotowski*, para          deus [aparece] por meio de uma
identificar a tcnica de atuao do     mquina.
intrprete, por ele desenvolvida
                                        deuteragonista. O segundo ator das
com sua equipe do Teatro-Labo-
                                        tragdias gregas clssicas, criado
ratrio de Wroclaw. Com ela,
                                        por squilo, e responsvel pela in-
Grotowski concentrava de forma
                                        veno do conflito.
radical o foco da representao na
figura do intrprete, que se "trans-    diagonais. Faixas de pano pintadas
formava no seu prprio persona-         conforme o cenrio, penduradas ao
gem, atuando diante do especta-         urdimento. Servem para completar o
dor, mas no especificamente para       cenrio ou disfarar algum defeito
ele." Nessa condio, a persona-        que a se possa encontrar.
gem tradicional no teria mais ra-
                                        dilogo. 1. De um modo geral,  a
zo de ser, servindo apenas de mo-
                                        forma de linguagem usada pelo dra-
delo e permitindo uma formalizao
                                        maturgo, com um encadeamento pr-
decifrvel do trabalho do ator.
                                        prio, objetivando revelar a persona-
Deterp. Marionetes russas que repre-    gem interpretada pelo ator, constitu-
sentam temas populares, numa forma      indo-se no elemento bsico da ao
ainda embrionria de espetculo.        dramtica, que resta na troca verbal
                                        ou conversa entre duas ou mais per-
deus ex machina. Expresso fora
                                        sonagens; elemento bsico de qual-
de uso, indicava que "um deus iria
                                        quer pea de teatro que, teoricamen-
aparecer mediante o emprego de um
                                        te, supe tenso, e presume que
mecanismo". No antigo teatro
                                        duas pessoas no estejam de acor-
greco-romano, ator que personifi-
                                        do, gerando conflito. O dilogo tea-
cava um deus que era trazido  cena
                                        tral requer um encadeamento prprio
por meios mecnicos. Na tragdia
                                        para ser transmitido pelo ator, para


                                    104
dinoia                                                             Dionsias

que a personagem possa ter vida. 2.      Diderot, Denis (1713-1784). Formu-
As falas das personagens. 3. Todo o      lou uma teoria especial para o drama,
texto de uma pea de teatro em pro-      atravs da qual devia-se entender
sa, excluindo marcaes, notas e         esse gnero como uma espcie de
observaes.                             tragdia, escrita em prosa, e que re-
                                         presentava o homem em seu viver
dinoia. Palavra grega que significa
                                         quotidiano, envolvido nas situaes
pensamento. A dinoia  uma das
                                         decorrentes de sua profisso ou de
seis partes componentes da trag-
                                         sua vida em famlia. Diderot  tam-
dia, juntamente com o enredo ou f-
                                         bm autor do livro Paradoxo sobre
bula, a personagem, a dico, o es-
                                         o comediante, reflexes sobre est-
petculo e a melopia.
                                         tica teatral, escritas entre 1769/1777
diazmata. Degraus dispostos em pla-     (s publicadas em 1830), onde ele an-
nos nas platias dos teatros gregos,     tecipa Bertholt Brecht* na concep-
separados por galerias circulares.       o da Teoria do Distanciamento.*
                                         Ainda, segundo alguns, em seu li-
dico. Tcnica de uso da voz, que
                                         vro Discours de la posie
permite ao ator dizer o seu texto com
                                         dramatique, teria cunhado a expres-
entendimento e clareza. Conforme a
                                         so e formulado o esboo de uma
maneira de o ator emitir seu som (sua
                                         teoria da quarta parede*, posterior-
fala), a dico pode ser bonita, feia,
                                         mente divulgada por Andr
engraada, ou truncada. Todo ator
                                         Antoine.*
precisa de uma boa dico, consi-
derando-se que  a voz o instrumen-      dionisaco. Relativo a Dioniso.*
to de trabalho mais importante de um
                                         Dionsias. Festas da Antigidade
profissional do teatro. E a boa dic-
                                         grega, em homenagem a Dioniso.*
o s  conseguida com treino in-
                                         Eram celebradas por toda a Grcia e,
tensivo, atravs do qual o ator con-
                                         segundo o carter especfico e obje-
segue dominar seu instrumento de
                                         tivo de cada uma delas, de comemo-
trabalho com alta preciso; dio.
                                         rar determinado acontecimento civil
didasclia. Entre os gregos antigos,     do calendrio social e cultural, toma-
instrues e indicaes que o poe-       va nomes especficos. Destacaram-
ta (dramaturgo) inclua em seus tex-     se, entre elas, as Antestrias, em que
tos para orientao dos atores, se-      era provado o vinho novo; as
melhantes s rubricas atuais, que        Oscoforias, que acompanhavam a
podiam ser simples indicaes de         colheita; as Pequenas Dionsias ou
comportamento, forma de atuar em         Dionsias Campestres, aps a vindi-
cena, e at mesmo crtica sobre a        ma, em dezembro; as Grandes
arte teatral.                            Dionsias, celebradas em maro e na
                                         zona urbana, que tinham carter ar-
didasclico. Na antiga Grcia, aque-
                                         tstico, com cantos, danas e repre-
le que anotava, comentava ou criti-
                                         sentaes de cenas da vida de
cava peas teatrais.


                                     105
Dioniso                                                                 diretor

Dioniso*. Das Grandes Dionsias ori-      varia entre a Europa e os Estados
ginaram-se a tragdia e a comdia.        Unidos. Na Amrica do Norte, a dis-
                                          tino  feita segundo o ponto de
Dioniso. Na mitologia dos gregos, o
                                          vista do espectador. L, quando o
deus de Nisa, antiga cidade grega
                                          ator encontra no seu texto a rubrica
situada no Parnaso, filho de Zeus e
                                          de que determinada ao deva ser
Smele, de cujo ritual em sua honra
                                          feita pela direita (ou pela esquerda),
nasceu o teatro grego. Deus dos ins-
                                          ele raciocina em termos de esquerda
tintos e da natureza, do vinho e da
                                          (ou direita) de quem est na platia.
embriaguez, da colheita e da fertili-
                                          J na Europa,  esquerda ou  direi-
dade, sua personalidade parece ser
                                          ta para o intrprete  a sua prpria
o resultado da fuso de um deus gre-
                                          esquerda ou direita. Para facilitar e
go, do vinho e dos vinhedos, com
                                          disciplinar marcaes, arrumao da
um deus trcio. Seus adoradores re-
                                          cena, construo dos cenrios, os
alizavam rituais acompanhados de
                                          planos do placo esto divididos em
sacrifcios, em princpio humanos
                                          alto, mdio e baixo, esquerdo, cen-
("este  o meu corpo; comei. Este  o
                                          tro e direito. Assim, para o diretor,
meu sangue; bebei"), posteriormen-
                                          cengrafo, contra-regra, iluminador,
te com animais, sobretudo bodes
                                          e carpinteiros, existe uma direita
(trags, em grego, donde tragdia)
                                          baixa, que  a parte direita do palco
e muito vinho, evidentemente. Do
                                          prxima da ribalta, uma esquerda
cortejo ritual figuravam os stiros,
                                          mdia, que  a parte central do pal-
os silenos, P, Prapo e as bacantes.
                                          co, do lado esquerdo, etc.
Diante do trags, o corifeu entoava
cnticos em louvor, apoiado pelos         direito autoral. Valor em dinheiro
danarinos e pelos coreutas, surgin-      devido a um escritor pelo uso de sua
do desse grupo ritual, o coro. Segun-     obra literria, no que se refere  pu-
do a lenda, Dioniso* morre sempre         blicao grfica, traduo, encena-
no outono e ressuscita na primave-        o teatral ou adaptao para qual-
ra: simboliza o teatro, no seu todo.      quer outro meio de reproduo arts-
Baco  a divindade que lhe corres-        tica, mecnica ou no.
ponde, entre os latinos. V. Teatro
                                          diretor. Aquele que dirige um espe-
de Dioniso.
                                          tculo, figura que sofreu, atravs da
direo. Toda a ao do profissional      histria, transformao substanci-
que produza a transformao do tex-       al, quer como funo, quer como
to literrio em espetculo; ato ou ao   concepo terica. O profissional
de algum dirigir um espetculo.          ideal para assumir essa funo se-
                                          ria aquele que tivesse uma refinada
direita. O lado direito do plano de
                                          educao esttica, um bom lastro de
cena, a partir do ponto de vista do
                                          informao cultural, um razovel en-
ator. Esta conveno, direita ou es-
                                          tendimento de psicologia e fosse,
querda da cena, segundo o ponto
                                          em ltima instncia, um artista re-
de vista do ator ou do espectador,


                                      106
diretor                                                             disparate

quintado. Mas nada impede que ele       ensaiador; encenador; metteur-en-
seja apenas um esteta bem dotado,       scne.  Diretor de cena. Nas or-
um intuitivo modelador de               ganizaes administrativas mais
caracteres, ou apenas um ilumina-       complexas, pessoa que exerce fun-
do. O trabalho desta categoria pro-     o de apoio entre a direo da casa
fissional, junto ao elenco, deve co-    de espetculos e o ensaiador, e  res-
mear com a anlise em busca da         ponsvel por dirigir e administrar a
essncia do texto e "desenvolve-se      caixa do teatro, zelando pela disci-
atravs da linha de ao contnua",     plina no palco e pelo andamento nor-
como admite Konstantin Stanisla-        mal dos servios.  a ele que com-
vski.* A partir dessa etapa, o dire-    pete estabelecer os horrios de en-
tor se pe  procura da especifica-     saios, redigir e assinar as tabelas de
o da linha contnua para cada um      servio, e se responsabilizar por toda
dos papis. Embora a funo do di-      a ao administrativa da caixa.
retor, como se conhece hoje, s te-
                                        dirigir. Ao de transformar o
nha comeado a se definir no ltimo
                                        texto teatral, enquanto literatura,
tero do sculo XIX, sua figura sem-
                                        em termos de espetculo, estabe-
pre existiu de forma latente, desde
                                        lecendo toda a ao de uma pea;
os trgicos gregos, na figura da pes-
                                        atuar como diretor.
soa responsvel pela preparao do
coro e dos intrpretes. Mas, at en-    disfarce. Forma teatral, de carter
to, os atores se valiam apenas da      semidramtico, que antecedeu a mas-
intuio e do talento natural de cada   carada na Inglaterra. Consistia de
um, procurando seguir o mais pr-       um desfile de cortesos diante do rei,
ximo possvel as tcnicas dos in-       usando trajes e mscaras extravagan-
trpretes que haviam inventado          tes. O ato envolvia msica, dana,
macetes, elaborado truques enge-        oferta de presentes, e culminava com
nhosos, criado clichs, tornando-se     uma festa.
desse modo famosos e respeitados.
                                        disparate. Gnero j fora de uso, com
Foi Andr Antoine* que definiu a
                                        extenso mxima equivalente a um
funo do diretor, mostrando a ne-
                                        ato normal, poucas personagens e
cessidade de sua existncia para os
                                        temtica totalmente ilgica. Possivel-
elencos, como coordenador de toda
                                        mente alguns textos do chamado
a ao do espetculo e elemento
                                        Teatro do Absurdo*, principalmen-
padronizador da unidade cnica.
                                        te os de autoria do francs Eugne
Com Andr Antoine, a figura do di-
                                        Ionesco* e do brasileiro Qorpo San-
retor assume a responsabilidade in-
                                        to*, talvez pudessem ser, inadverti-
tegral da obra a ser realizada, que
                                        damente, associados a esse gnero
pode ser desde a escolha do texto a
                                        por parte de pessoas despreocupa-
ser encenado, a seleo dos atores
                                        das na avaliao do valor literrio do
a interpret-lo, e at mesmo do p-
                                        texto de suas peas.
blico a que se destina o espetculo;


                                    107
dispositivo cnico                                                   ditirambo

dispositivo cnico. Expresso para       intrprete para determinado papel
identificar o projeto cenogrfico a      etc., critrios que mudaram atravs
partir da dcada de 60, quando pas-      da Histria. Nos velhos elencos es-
saram a ser usados espaos alter-        tveis, por exemplo, onde normal-
nativos para a encenao de es-          mente um ator ou atriz de talento ou
petculos.                               de posses financeiras era o dono(a)
                                         da companhia, os papis de desta-
distanciamento. Tcnica antiga que
                                         que, obviamente, ficavam sob sua
o dramaturgo e terico alemo
                                         responsabilidade, pelo que usavam
Bertholt Brecht* teve a habilidade
                                         o critrios natural de s selecionar
de rever e revestir com uma propos-
                                         textos que melhor se adaptassem ao
ta esttico-poltica contempornea.
                                         gnero ou ao tipo de cada um. Na
Consiste em levar o ator a conviver
                                         histria do teatro brasileiro so exem-
com sua personagem, sem necessi-
                                         plos tpicos desse comportamento
dade de sofrer a tortura de "encarn-
                                         atores que marcaram poca, como
la", sacrificando, conseqentemen-
                                         Jaime Costa (1897-1967), Procpio
te, sua prpria personalidade. Com
                                         Ferreira*, Henriette Morineau (1907-
esta pedagogia da representao,
                                         1990), Dulcina de Morais (1911-1996),
Brecht rebelava-se contra a concep-
                                         Dercy Gonalves (1908-1234), que s
o aristotlica da catarse, de origem
                                         encenavam textos onde houvesse
religiosa, que levava o pblico a uma
                                         papis de destaque adaptveis aos
comunho emocional com a repre-
                                         seus tipos genricos. O Teatro Bra-
sentao e, sobretudo, contra o m-
                                         sileiro de Comdia  TBC*, o Ofici-
todo desenvolvido pelo terico rus-
                                         na* conseguiram romper com esse
so Konstantin Stanislavski*, que de-
                                         critrio, poltica tambm adotada pelo
fendia o princpio da fuso do ator
                                         Teatro de Estudante do Brasil*, pelo
com sua personagem. Com o
                                         Tablado* e pelos bons elencos con-
distanciamento, ou efeito de
                                         temporneos.
estranhamento, enquanto ocorria o
afastamento ator-personagem, a pla-      ditirambo. Gnero de canto coral de
tia, por sua vez, no mais se aban-     carter religioso e acentuao lrica,
donaria  magia hipntica da cena,       com acompanhamento de flauta, en-
conservando-se desperta, fria e vi-      volvendo cerca de cinqenta pesso-
gilante, para melhor perceber a in-      as entre homens e crianas, que ocor-
teno das propostas do dramatur-        ria na Grcia antes do surgimento da
go; do alemo Verfremdungseffekt;        tragdia, ligado, sobretudo, ao culto
efeito em v. V. Alienao.               do deus Dioniso.* Originalmente
                                         este grupo cumpria seu ritual sem
distribuio. Diviso dos papis de
                                         roupas especiais ou outro qualquer
um texto teatral entre os membros do
                                         adorno. S mais tarde, quando rea-
elenco, a partir de critrios como ta-
                                         parece no drama satrico de tonali-
lento dos intrpretes para determi-
                                         dade burlesca,  que, segundo a tra-
nados tipos, adequao do fsico do
                                         dio, seus componentes surgiram


                                     108
diva                                                                     drama

travestidos de stiros, simbolizando      Disciplinado por convenes inter-
os companheiros da Divindade pro-         nacionais, contudo, o direito auto-
tetora da semeadura e da colheita,        ral tem legislao prpria que varia
desfilando, assim, em procisso, at      de pas para pas, bem como o pe-
o local do ritual. Durante a celebra-     rodo de carncia dos textos. No
o, feita normalmente  noite e em       Brasil, so de cinqenta anos aps
carter litrgico, danavam e canta-      a morte do autor, seus colaborado-
vam, evocando episdios suposta-          res ou herdeiros.
mente relativos  vida de Dioniso.
                                          Dominus gregis. Cidado romano
Segundo a opinio mais corrente,
                                          pago pelo Estado para organizar os
desse coro cclico do ditirambo teria
                                          espetculos pblicos.
se originado a tragdia tica, na qual
os aspectos lricos passaram a ser        Doutor (O). Mscara da Commedia
funo do coro. Segundo Suidas, o         dell'Arte surgida no sculo XVIII,
primeiro ditirambo literrio foi escri-   que representa o lado intelectual da
to no ano 612, por Arion.                 classe mdia, podendo ser um advo-
                                          gado ou um mdico. Cabotino, usan-
diva. A prima-dona do canto lrico,
                                          do termos e expresses latinas no
que monopoliza a simpatia do pbli-
                                          meio de sua fala, pronunciando pa-
co. Embora raro e de uso mais
                                          lavras empoladas e incompreens-
debochativo, pode-se empregar a
                                          veis para impressionar os ignoran-
palavra no masculino, divo.
                                          tes, traja-se normalmente de negro e
divertissement. Palavra de origem          o aliado natural de Pantaleo, ou-
francesa, para caracterizar o bailado     tra mscara clebre de sua poca.
com poucas figuras e sem um enre-         Aparece com nomes diferentes; en-
do profundo.                              tre eles, Doutor Balano, doutor
                                          Lombardi, etc.
Dossennus. Personagem tpico das
Fabulae Atellanae*, cuja caracters-      drama. Designao genrica da com-
tica principal  ter uma gulodice in-     posio literria dialogada; a pea
sacivel, ser manhoso e viver eter-       teatral, em que o cmico e o trgico
namente  custa do prximo.  nor-        se misturam; o gnero teatral por ex-
malmente mostrado com uma proe-           celncia.  Na classificao dos g-
minente corcunda.                         neros,  a manifestao dramtica
                                          entre a tragdia e a comdia, na qual
domnio pblico. Espao de tempo
                                          se mesclam o alegre e o triste, o c-
que o texto dramtico leva, a partir
                                          mico ao trgico. Surgindo na Ingla-
da morte de seu autor e de seu lti-
                                          terra no sculo XVII, seu embrio
mo herdeiro, para que possa ser
                                          est no romance. Ao se definir como
usado por qualquer encenador,
                                          gnero especfico, o drama tinha
independendo de uma solicitao
                                          substitudo a dureza do classicismo
formal antecipada e obrigaes com
                                          por uma intensa piedade pelos so-
pagamento de direitos autorais.
                                          fredores e infelizes, atendendo a dois


                                      109
drama                                                                      drama

imperativos da poca: valorizao da        comuns no perodo, e as casacas
classe mdia e difuso da idia de          eram o dernier cri da moda no Rio
que o homem nasce bom. Sendo ba-            de Janeiro de ento. Asas de um anjo,
sicamente uma reao esttica  tra-        Histria de uma moa rica, Expia-
gdia clssica, em cinco atos e em          o, foram peas de grande bilhete-
versos, atingiu tambm a estrutura          ria no seu aparecimento histrico. 
da linguagem, substituindo a poesia         Drama-documentrio. Originado na
pela prosa e ganhando vrias desig-         Alemanha nos anos 50, consiste na
naes, dependendo da forma como            dramatizao de eventos sociais e
tratava o tema proposto:  Drama             polticos, envolvendo questes de
de biblioteca. Pea literria escrita sob   culpa e responsabilidade registradas
forma teatral, recheada de algum va-        na histria cultural da humanidade.
lor artstico, teoricamente imprpria       Os principais expoentes desse g-
para o palco, mas agradando  leitu-        nero so Heinar Kipphardt (1922-
ra, pois desperta o prazer esttico.        1982) e Rolf Hochhuth (1931-1234),
So exemplos dessa classificao,           na Alemanha. O mais significativo es-
Manfredo, de Byron, Os Cenci, de            petculo no gnero, contudo, foi fei-
Shelley. Do ingls closet dramas;           to nos Estados Unidos, em 1966, com
drama de gabinete.  Drama de ca-            a pea US, sobre a guerra do
saca. Com este nome, ficaram conhe-         Vietnam, criado e dirigido por Peter
cidas, no Brasil, a partir de 1885, as      Brook.*  Drama histrico. Gnero
peas ligadas  experincia realista e      desaparecido, era uma espcie de
que sempre giravam em torno do de-          epopia teatral de grande aparato e
bate de questes sociais da atuali-         alta suntuosidade. Exigia de autores,
dade. Faziam proselitismo da famlia        encenadores e intrpretes tcnica
como clula da sociedade burguesa,          aprimorada, primando pela
defendendo a moral e os bons cos-           "reconstituio fiel" de tipos, ambi-
tumes, a necessidade de a famlia se        entes e indumentrias, copiados com
resguardar de qualquer ato vil e as         a maior fidelidade da histria da cul-
donzelas se conservarem virgens at         tura representada. Sustentava-se
a hora do casamento. Nessa ques-            este gnero na ao tumultuosa, nos
to, o tema que mais apaixonava os          lances sensacionais e imprevistos,
autores filiados ao gnero era o da         na movimentao de grande massa
"mulher decadente", e o gnero no          de comparsaria, na sublimidade pi-
admitia perdo a quem desse "um             ca dos dilogos, no final dos atos,
mau passo", sobretudo a mulher,             em desfechos arrojados e vibrantes,
condenando irremediavelmente a              reservando-se o ltimo para a glori-
prostituta ao "vale de lgrimas". Dra-      ficao alegrica do heri principal.
mas de casaca, porque os atores              Drama lacrimoso. O melodrama.
apareciam invariavelmente vestidos           Drama lrico. Arte dramtica na
" moderna", sem as roupas a car-          qual intervm o canto e a msica; a
ter das peas histricas e de poca,        pera.  Drama litrgico. Desen-


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drama                                                               dramtico

volvendo-se a partir dos tropos, foi     fins do sculo XI e princpios do XII,
a primeira manifestao dramtica do     nos primrdios do teatro medieval.
teatro medieval, florescendo entre os    Caracteriza-se pelos textos redigidos
sculos IX e X, sob a forma de uma       em linguagem vulga,r em vez da lati-
pea rudimentar. Constitudo de ce-      na, como os litrgicos.  Drama
nas dialogadas, escritas originalmen-    sentimental. Melodrama.
te em latim e posteriormente em ln-
                                         dramalho. Texto dramtico normal-
gua verncula, usava como tema o
                                         mente longo, com prlogos e eplo-
assunto dos ofcios litrgicos. 
                                         gos, cheio de situaes da mais alta
Drama "de movimento". Expresso
                                         dramaticidade, apelando normalmen-
pela qual, na Idade Mdia, eram de-
                                         te para situaes exacerbadas e pie-
nominados os autos, gnero em um
                                         gas. Inspirado pelo romantismo dos
ato, com indisfarvel carter aleg-
                                         primeiros momentos, o dramalho
rico, que integravam as encenaes
                                         teve seu grande momento na cena
cclicas. A expresso foi criada para
                                         brasileira com o dramaturgo Dias
contrapor-se ao corrente "drama lo-
                                         Braga, que deixou textos antolgicos
calizado".  Drama musical. V. pe-
                                         como O remorso vivo, O anjo da
ra.  Drama sacro. De carter religi-
                                         meia-noite, entre dezenas.
oso e moral, concentrava-se nos te-
mas que exploravam os vcios e as        dramtica. A arte do teatro. A ten-
virtudes em luta pela posse da alma      so que se estabelece entre o sujei-
humana, tais como a Verdade, a For-      to e o objeto, representada por per-
a, a Prudncia, inspirando-se, gros-    sonagens que agem dramaticamen-
so modo, nos episdios bblicos ou       te diante de um pblico.
na vida dos santos. V. Mistrios. 
                                         dramaticidade. Qualidade de ser
Drama satrico. Originrio de
                                         dramtico.
Flionte, ao noroeste do Peloponeso,
 um dos quatro gneros teatrais da      dramtico. 1. Elemento da ao que
antiga Grcia, cujas fontes esto nas    implica na tenso, de pathos psico-
mscaras populares, nos coros sat-      lgico, num choque filosfico de
ricos, poemas homricos e lendas         antagonistas. Nesse elemento  que
que tinham carter cmico. Alm de       vamos flagrar a manifestao da luta
sua forma cmica, tinha carter licen-   entre o eu e o mundo, o sujeito e o
cioso e era representado normalmen-      objeto. O elemento dramtico  ex-
te em seguida s trilogias trgicas,     presso por meio das personagens
quando o coro era constitudo de         encarnadas pelos atores, antagonis-
atores que interpretavam stiros e       tas que porfiam para atingir uma sn-
provavelmente tinha a funo de atre-    tese. 2. Personagem tpico da classi-
lar o espetculo ao culto religioso.     ficao do "gal" numa determinada
Foi levado para Atenas por Prtinas,     fase do teatro. Ocorria normalmente
no sculo V.  Drama semilitrgico.       no gnero Alta Comdia* e era um
Gnero dramtico que apareceu nos        tipo torturado pelo amor, podendo,


                                     111
dramatis personae                                              Dullin, Charles

contudo, esta sua condio, partir        do atores e tcnicos de informaes
de outras razes humanas, tambm          literrias e tericas sobre o texto e o
poderosas. Apoiavam-se no "gal           carter do espetculo.
dramtico" as grandes crises da pea.
                                          dramaturgia. A arte de compor pe-
dramatis personae. Expresso lati-        as de teatro.
na, usada por um largo tempo na sua
                                          Dramaturgia de Hamburgo. Cole-
forma original, nos programas e ca-
                                          o de artigos e crticas dramticas
tlogos dos espetculos, para indi-
                                          publicados por Lessing (1729-1781),
car as personagens e seus intrpre-
                                          em 1768, contra o teatro clssico fran-
tes: "as personagens do drama";
                                          cs. Ao propor uma nova esttica
elenco.
                                          dramtica, Lessing recomendava que
dramatista. O dramaturgo; o autor         voltassem a olhar para o teatro de
do texto teatral.                         Shakespeare*, que suportaria servir
                                          de modelo.
dramatizao. Ato ou efeito de
dramatizar.                               dramatrgico. Referente  drama-
                                          turgia.
dramatizar. Dar a forma de drama;
tornar dramtico.                         dramaturgo. O autor teatral; aquele
                                          que escreve peas de teatro.
dramatologia. O mesmo que
dramaturgia.                              drolls. Cenas vulgares extradas de
                                          peas populares e representadas
Dramaturg. 1. Termo criado pe-
                                          nas feiras inglesas durante a guerra
los alemes para designar a gera-
                                          civil de 1642, logo aps a publica-
o de encenadores formada por
                                          o do decreto dos Lordes e
Max Reinhardt (1873-1940),
                                          Commons, determinando "que en-
Adolph Appia*, Gordon Craig*,
                                          quanto aquelas tristes coisas e ig-
Meyerhold*, que reelaboravam os
                                          nominiosos tempos de humilhaes
textos dos dramaturgos, cortando
                                          continuassem, os teatros pblicos
ou acrescentando, para oferecer ao
                                          cessariam de funcionar". Os drolls
espectador um espetculo mais pes-
                                          tinham a mesma feio dos
soal a cada encenador. 2. O diretor
                                          entremezes e foram a chama que
literrio, em algumas companhias es-
                                          manteve vivo o teatro na Inglaterra,
tveis de teatro, cuja principal ativi-
                                          nesse perodo; farsas, entremezes.
dade  a seleo de textos e o traba-
lho junto aos dramaturgos, se ne-         dueto. Na pera, trecho de msica
cessrio, para a reviso e adapta-        para duas vozes.
o de suas obras. 3. Mais recente-
                                          Dullin, Charles (1885-1949). Ator e
mente, o profissional bem dotado,
                                          diretor de teatro francs, colabora-
que funciona como crebro auxiliar
                                          dor de Jacques Copeau* e depois de
do diretor, uma espcie de alter ego
                                          Jmier. Fundou em 1921 o Teatro do
da teoria, que acompanha todo o
                                          Atelier, onde renovou a interpreta-
processo e montagem, abastecen-

                                      112
Dumas, Alexandre                                                     durao

o dramtica dos repertrios cls-      conta a histria de uma cortes que
sicos e modernos, adotando, tam-         renuncia voluntariamente ao amor
bm, a proposta de um teatro total*,     de um homem respeitvel e morre
conforme preconizado por Wagner*,        tuberculosa. Inspirou a pera A
conferindo pesos iguais ao dilogo,      traviata, de Verdi.* O sucesso de A
 idia,  gesticulao,  mmica, ao    dama das camlias levou o autor a
colorido,  msica e  movimenta-        se dedicar a temas cada vez mais
o. Foi diretor do Teatro Sarah         realistas, embora impregnados de
Bernhardt (hoje Thtre de la Cit).     idealismo romntico. Suas peas
                                         mais importantes: A questo do di-
Dumas, Alexandre (1802-1870). Dra-
                                         nheiro (1857), O filho natural
maturgo francs que se notabilizou
                                         (1853), O romance de uma mulher e
principalmente por sua vasta produ-
                                         Antonina (1849), O caso Clemen-
o romanesca, publicada em folhe-
                                         ceau (1866).
tins. Pouco fiel  verdade histrica,
mas muito hbil na construo dos        Duncan, Isadora (1878-1927). Baila-
dilogos e intrigas, foi mestre no g-   rina norte-americana, responsvel
nero de aventuras. Como dramatur-        por importante revoluo na dana
go, comeou com Henrique III e sua       como uma das pioneiras da dana
Corte (1829), considerado o primei-      expressionista, da anlise cientfica
ro drama romntico em prosa.             do gesto e da capacidade de expres-
                                         so do corpo humano. Opondo-se
Dumas, Alexandre, dito Dumas fi-
                                         s normas do bal clssico, aparecia
lho (1824-1895). Filho natural do es-
                                         freqentemente em cena de ps des-
critor francs Alexandre Dumas
                                         calos, envolta por tnicas difanas.
(1802-1870). Exmio conhecedor da
                                         Sua carreira, iniciada na cidade de
construo dramtica e um dos mais
                                         Nova York em 1897, conquistou o
importantes artfices da chamada
                                         pblico alemo em 1902, quando fez
pice bien-faite, modelo de drama
                                         uma rcita em Berlim. Exibindo-se em
muito popular no teatro francs da
                                         1905 em So Petersburgo, atraiu para
segunda metade do sculo XIX, 
                                         seu estilo a ateno do coregrafo
um dos mais bem sucedidos drama-
                                         Mikhail Fokine (1880-1942), criador
turgos do Segundo Imprio. Produ-
                                         de vrias escolas de dana em Ate-
ziu um teatro em que combateu com
                                         nas, Berlim e nos Estados Unidos.
veemncia os preconceitos em to-
                                         Em 1921, a convite de Konstantin
dos os nveis e defendeu com igual
                                         Stanislavski*, fundou uma escola na
fora os direitos da mulher e da cri-
                                         Rssia.
ana. Seu grande sucesso foi A
dama das camlias, originalmente         duo. O mesmo que dueto.
um romance escrito em 1848, trans-
                                         durao. Tempo em que um espet-
formado posteriormente, por ele
                                         culo leva com a cena aberta.
mesmo, em pea teatral (1852), que




                                     113
cart. Tcnica de o bailarino levar      para colocar em cena deuses e enti-
o p, de lado, ao realizar determina-    dades divinas; ekyclema.
do passo em sua exibio. Quando
                                         efeito. Recurso de carter mecni-
o afastamento das pernas  exage-
                                         co, usado pelo encenador, cengra-
rado, de forma que a parte posteri-
                                         fo ou figurinista para destacar uma
or das coxas chegue a tocar o piso
                                         cena ou determinadas passagens do
do palco, est acontecendo o
                                         espetculo.  Efeito brechtiano.
grand cart.
                                         Jogo baseado no efeito do distan-
clogas. Dilogos dramticos, de         ciamento* (ou em v) proposto por
carter religioso ou pastoril, que ca-   Brecht*, pelo qual o pblico no
racterizou as primeiras manifestaes    deve se envolver emocionalmente
do teatro espanhol, criado por Juan      na ao dramtica, mas refletir so-
del Encina.*                             bre ela.  Efeito de fogo. Efeito lu-
                                         minoso produzido no palco para dar
eclclema. Elemento cenogrfico
                                         ao espectador a impresso de incn-
usado no antigo teatro grego, que
                                         dio.  Efeito de luz. O resultado que
consistia de um estrado monumen-
                                         a direo do espetculo consegue,
tal armado sobre rodas, localizado ao
                                         usando com adequao o equipa-
fundo ou acima da cena que avana-
                                         mento de luz que dispe, no s
va ou descia para o centro da cena,
                                         para iluminar o espetculo e ressal-
revelando  platia os acontecimen-
                                         tar detalhes do cenrio, como para
tos trgicos e violentos, como as-
                                         criar clima, ambientes e determinar
sassinatos, suicdios, crimes brba-
                                         os locais da ao. Uma boa ilumina-
ros, que aconteciam no interior de
                                         o associa cores e intensidade dos
um palcio, fora das vistas do pbli-
                                         focos de luz para valorizar o cen-
co. Com esse artifcio, os gregos ad-
                                         rio, adereos de cena, figurinos e
mitiam poupar sua platia de assistir
                                         a prpria maquiagem dos atores. 
as cenas de violncia propostas pelo
                                         Efeito de mar. Efeito visual con-
dramaturgo  apesar de exp-las,
                                         seguido com o uso da coluna de
logo em seguida. Servia tambm
                                         mar.  Efeito de ondas. Efeito de mar.
ekyclema                                                                  emploi

 Efeito de som. Efeito artificial de      eletricista. Tcnico responsvel
sons naturais, ou produo de sons        pela execuo das luzes de um es-
no naturais, por meio de aparelhos       petculo e instalaes eltricas de
sonoros acionados atravs de um           um teatro.  o eletricista, orientado
quadro de efeitos.  Efeito em v.          pelo iluminador, que coloca em po-
Uma das vrias expresses pela qual       sio de uso os efeitos de luz de um
ficou conhecida a esttica de repre-      espetculo.
sentao da Teoria do Distancia-
                                          elevador. Dispositivo mecnico que
mento* proposta pelo dramaturgo
                                          se movimenta verticalmente, aciona-
alemo Bertholt Brecht*, em oposi-
                                          do por meio de roldanas e contrape-
o ao teatro da emoo e da
                                          sos, usado para transportar figuras
encarnao aristotlico. Enquanto
                                          e objetos do poro para o palco ou
no teatro tradicional, sobretudo de
                                          deste para o poro, atravs dos ala-
origem religiosa, o ator tentava vi-
                                          pes embutidos nas quarteladas.
ver sua personagem, procurando le-
var o pblico a se identificar com o      elo do entrecho. Expresso usada por
heri, para Brecht o que deveria ser      Aristteles* para identificar a
feito era justamente a recusa  ilu-      gradao e o desenlace na urdidura
so. O Efeito em v afasta ou tenta        da ao dramtica.
afastar a familiaridade platia-per-
                                          em casa. Expresso de uso raro na
sonagem, impede ou tenta impedir
                                          linguagem de bastidores no teatro
qualquer forma de "comunho",
                                          brasileiro, usada, contudo, por dire-
prazer passivo, suscitando uma ati-
                                          tores e tericos em outros pases,
tude desperta e sobretudo crtica.
                                          para informar que o intrprete j est
Com ele, a ao torna-se inslita,
                                          com o texto e a linha de sua persona-
nunca acontece como se realmen-
                                          gem fielmente entendidos: "O ator j
te presente, mas "distanciada", 
                                          deve estar mais ou menos em casa,
maneira de uma narrao do tipo
                                          no papel".
"era uma vez". O ator tem que
"mostrar" sua personagem, no             embates. Sandlias usadas na com-
viv-la. Ao propor essa nova orga-        dia helnica e romana.
nizao das relaes entre platia        emblima. Espcie de canto coral,
e palco, Brecht desejava desenvol-        sem nenhuma ligao com a ao
ver duas artes: a arte do ator e a arte   dramtica, introduzido por Agaton*
do espectador; do alemo                  na tragdia tica.
Verfremdungseffekt. V. Distancia-
mento.                                    emploi. Gnero de papel em que o
                                          intrprete no sentia dificuldade ne-
ekyclema. V. Eclclema.                   nhuma de acertar o tom ideal de sua
elenco. O conjunto de atores e atri-      interpretao e nem precisava de uma
zes, figurantes e tcnicos que partici-   caracterizao especfica para
pam da montagem de um espetculo.         interpret-lo. O termo est fora de uso.



                                      116
emplois                                                            encenador

emplois. Palavra francesa para iden-     cenao compreendemos o desem-
tificar o gnero ou o modelo tpico      penho de uma ao dramtica.  o
da personagem que, no portugus,         conjunto dos movimentos, dos ges-
pode receber a qualificao especfi-    tos e atitudes, o acordo das
ca de gal, ingnua, o pai nobre, a      fisionomias, das vozes e dos siln-
dama gal, o tirano, o caricato, etc.    cios,  a totalidade do espetculo
                                         cnico, emanado de um pensamen-
empresrio. Profissional que se en-
                                         to nico, que concebe, governa e
carrega de mediar o espetculo jun-
                                         harmoniza".
to ao pblico, transformando-o num
negcio financeiro rentvel.  quem      encenador. Profissional com forma-
viabiliza o projeto do espetculo em     o e informao adequadas para a
termos econmicos e garante sua          realizao tcnica e esttica do es-
permanncia em cartaz. Em algumas        petculo.  aquele que define a linha
situaes, chega a se confundir com      artstica do trabalho na direo do
o produtor.                              elenco, determinando sobre cenri-
                                         os, orientando figurinos, opinando
encarnar (um papel). Ato ou ao
                                         sobre a iluminao, tendo, enfim, uma
de um/a intrprete "viver" emocio-
                                         viso geral da obra a ser vista pelo
nalmente e prximo  realidade, se-
                                         pblico; sinnimo de diretor,  o ar-
gundo o ideal aristotlico, a perso-
                                         tista que concebe o espetculo como
nagem criada pelo dramaturgo; dar
                                         um todo, a partir de um texto dram-
vida a um papel; encarnar a persona-
                                         tico ou de outra proposta que possa
gem. Nesta concepo, em que no
                                         prescindir do roteiro literrio.
h uma tcnica preestabelecida, em
                                         Ensaiador; metteur-en-scne. 
que o ator  a prpria personagem,
                                         Como categoria profissional autno-
criador e criatura correm o risco de
                                         ma e rea de atuao definida, a figu-
se atropelarem.
                                         ra do encenador surgiu no comeo
encenao. Realizao do espetcu-       do sculo, na Frana, com a criao
lo. Resultado da elaborao criati-      do Cartel*, cujos diretores (Louis
va de uma linguagem expressiva au-       Jouvet*, Gaston Baty*, Charles
tnoma, que se completa com o ato        Dullin* e Georges Pitoff*) aos pou-
de mostrar em cena, a uma platia,       cos foram ocupando a posio de
determinado espetculo.  A verda-       grandes mestres do espetculo de
deira encenao d um sentido glo-       seu tempo. A Histria do Espetculo
bal no apenas  pea representa-        registra, entre os mais significativos
da, mas  prtica do teatro em geral.    do primeiro momento, encenadores
Para tanto, ela deriva de uma viso      como Adolph Appia*, na Sua,
terica que abrange todos os ele-        Erwin Piscator* e Max Reinhardt
mentos componentes da montagem:          (1873-1940), na Alemanha, Konstan-
o espao (palco e platia), o texto, o   tin Stanislavski* e Meyerhold*, na
espectador e o intrprete. Jacques       Rssia, Lee Strasberg*, nos Estados
Copeau* teorizou, dizendo: "Por en-      Unidos. No Brasil, mais recentemen-


                                     117
encenar                                                                 ensaio

te, profissionais do porte de             ensaiador. Profissional responsvel
Ziembinski (1908-1978), Jos Celso        pela movimentao dos atores em
Martinez Correia*, Antunes Filho          cena, cuidando para que o espet-
(1930-1234). Essa categoria profissi-     culo fique esteticamente bonito e
onal  a responsvel, aps a Segun-       compreensvel para o pblico. No
da Guerra Mundial, pela renovao         gnero teatral,  anterior ao advento
dos clssicos mundiais. V. Diretor.       da figura do diretor, cuja apario
                                          mudou teoricamente sua rea de
encenar. Colocar em cena um espe-
                                          ao, reduzindo-o apenas ao profis-
tculo teatral; transformar o texto li-
                                          sional dotado de um limitado poder
terrio de uma pea (ou de qualquer
                                          de liderana, e cuja principal funo
outro gnero literrio), com a ajuda
                                          ficou restrita aos cuidados com os
de um elenco de atores, msicos,
                                          aspectos mecnicos do espetculo,
bailarinos, bonecos e tcnicos, em
                                          aqueles realizados sem nenhuma fun-
espetculo de teatro; preparar uma
                                          o esttica ou estilstica.  Profes-
pea de teatro, um show, uma revista
                                          sor ensaiador. Antes da criao dos
musical para mostrar num espao de
                                          cursos e das escolas de arte dram-
representao teatral.
                                          tica, onde so ensinadas tcnicas de
enchente. Casa cheia; a platia de        expresso corporal, impostao de
um teatro lotada de espectadores.         voz, interpretao, etc., aos preten-
                                          dentes a intrprete, quem supria essa
encher. Ter a casa cheia.
                                          lacuna era normalmente um ator ou
Encina, Juan del (1469-1529). Dra-        atriz experiente, dotado/a de algum
maturgo e poeta espanhol, um dos          talento e capacidade para transmitir
pioneiros do teatro profano em seu        informaes, passando ao nefito
pas. Sua produo dramtica, em-         no s a sua experincia, adquirida
bora de inspirao religiosa, revela      pelo mtodo do "ensaio e erro"
um esprito humanista ligado  Re-        (inflexo de voz, expresses faciais,
nascena. De sua produo teatral         gesticulaes, pausas, silncios,
ou "representaes", como ele as          clichs, etc.), como noes de no-
chamava, nas quais predomina o            menclatura da geografia do palco e
tema pastoril, merecem destaque:          do espao cnico, "afinao" de ce-
Auto de Natal, Plcido e Vitoriano        nrios e luz, entre outros.
e a cloga Cristino e Febia.
                                          ensaiar. Harmonizar, a partir de uma
enredo. A histria de que o dramatur-     proposta esttica e tcnica, a ao
go se serve, como ilustrao e moti-      do elenco com as falas e os movi-
vo, para dar forma ao esqueleto da        mentos dramticos sugeridos pelo
ao dramtica; a histria contada e      texto literrio.
desenvolvida; os encadeamentos dos
                                          ensaio. Treino metdico e sistemti-
episdios conforme apaream orga-
                                          co feito com atores e tcnicos, sob a
nizados na narrativa; intriga; trama. 
                                          orientao de um diretor teatral, vi-
a chave clssica da estrutura da pea.


                                      118
ensaio                                                                  ensaio

sando  encenao de um espetcu-         obra, devendo, para melhor proveito
lo. Existem vrias formas de organi-      e rendimento do trabalho, ser feito
zar os ensaios, dependendo da for-        dentro do respectivo cenrio, com
mao, da origem ou da escola onde        mobilirios nos seus devidos luga-
o profissional adquiriu seus conhe-       res, todos os intrpretes de posse
cimentos. Duas so as normas cls-        de seus pertences, execuo de ru-
sicas mais usuais para conduzir um        dos, efeitos de luz, tudo, enfim. 
ensaio: uma delas  programar as          Ensaio de cenrio. Realiza-se quan-
vrias cenas, em ordem arbitrria,        do os atores so colocados pela pri-
para fazer que sejam ensaiadas jun-       meira vez no cenrio do espetculo
tas todas aquelas em que entrem as        com os adereos de cena nos seus
mesmas personagens; a outra, mais         devidos lugares.  Ensaio corrido.
tradicional,  a de ensaiar ato por ato   Ensaio feito com a movimentao
at que todo o elenco domine, sem         das personagens/atores toda esta-
atropelos, falas, deixas de ao e        belecida, e ajustados os elementos
marcaes. Para efeito de controle e      da direo: serve para cronometrar o
disciplina, a experincia e a tradio    tempo do espetculo e imprimir-lhe
recomendam dividir os ensaios em          o ritmo desejado.  Ensaio de figu-
etapas, que vo: a) das preliminares,     rino. Ensaio com o elenco trajando
de mesa, quando os intrpretes, to-       as roupas do espetculo; tambm
dos reunidos, ainda esto fazendo         serve para os ajustes de iluminao
um reconhecimento geral do texto e        e movimentao.  Ensaio geral.
das personagens que encarnaro,           Normalmente,  o ltimo ensaio an-
etapa em que  discutida a linha das      tes da estria do espetculo, em que
personagens e a inteno geral do          estabelecido o ritmo geral. Esse
texto; b) ensaios bsicos, quando as      ensaio  basicamente um espetcu-
bases da ao vo sendo discutidas        lo experimental, com todos os ele-
 marcaes, objetivos, gesticula-        mentos em funcionamento, momen-
o, entonaes, etc.; c) ensaio de       to em que so regulados e defini-
velocidade; d) at o ensaio geral, do     dos todos os efeitos de luz, som,
apronto final. Numa etapa mais adi-       uma cena mais inusitada, permitin-
antada do apronto do espetculo,          do um balano antecipado do espe-
ainda so feitos ensaios como os          tculo.  Ensaio de juno. Nos mu-
seguintes:  Ensaio de apuro. Em           sicais, o momento em que o texto, a
algum momento da histria da dire-        coreografia e a parte cantada se jun-
o, aquele em que o intrprete co-       tam na construo do todo nico.
meava a se despir da prpria perso-       Ensaio de luz. Ensaio com todas
nalidade para "integrar-se" na da per-    as luzes do espetculo devidamen-
sonagem que ia representar. Admiti-       te afinadas e em funcionamento. 
am os cultores da direo, desse pe-      Ensaio de marcao. Etapa dos en-
rodo, ser a etapa em que o elenco        saios em que  definida a movimen-
comeava a "interpretao fiel" da        tao geral das personagens.


                                      119
ensemble                                                                  pico

ensemble. Palavra da lngua france-      racterstica de farsa burlesca e joco-
sa para designar, nas operetas, o tre-   sa, de carter popular ou palaciano,
cho cantado por todo o elenco em         transformou-se, com o passar dos
cena, nos finais dos atos.               tempos, num pequeno texto prprio
                                         para ser representado entre os atos
entrada. 1. Indicao da deixa e das
                                         de uma pea mais longa. Famosos
primeiras palavras de uma fala. 2.
                                         autores de entremezes foram Juan del
Princpio de um papel. 3. Bilhete que
                                         Encina*, Cervantes*, Gil Vicente*,
d direito ao ingresso na sala do es-
                                         Lope de Rueda (c. 1510-c.1565) e
petculo.  Entrada de favor. Aque-
                                         Molire.*
la que a empresa distribui aos jorna-
listas, pessoas amigas da companhia,     entremezista. 1. Autor de entreme-
familiares dos artistas e funcionri-    zes. 2. Ator que representa entreme-
os da casa de espetculos.               zes; farsante.
entreato. 1. Intervalo entre os atos     entrudo (peas do dia de). Cenas
de uma pea. 2. Pequena cena dra-        da vida comum, representadas na
mtica ou musical, com as mesmas         Alemanha durante o sculo XIV, in-
caractersticas do entremez, sendo       tercaladas com prticas galhofeiras.
um pouco mais sinttico e enriqueci-     Em alemo, Fastmachtsspiel.
do com alguns requintes literrios,
                                         Epicarmo de Castro (550-460 a. C.).
representada nos intervalos de uma
                                         Nascido em Siracusa, foi, historica-
pea principal.
                                         mente, o primeiro autor grego a se pro-
entrecena. Intervalo entre duas ce-      jetar como comedigrafo. Antes dele,
nas. Ao dramtica desenvolvida         a comdia mais no reunia alm de
nesse intervalo. V. Entreato;            cantos licenciosos e episdios satri-
Interldio; Intermdio.                  cos, sem unidade nem consistncia.
                                         Epicarmo deu sentido de continuida-
entrechat. Salto que o/a bailarino/a
                                         de ao dilogo cmico, em substitui-
executa, fazendo os ps se choca-
                                         o  fala solta que antes se pratica-
rem vrias vezes no ar. Nijinsky
                                         va. De sua obra, perdida para a poste-
(1889-1950), um dos maiores da his-
                                         ridade, conhecem-se trinta e cinco t-
tria da dana clssica, chegou a fa-
                                         tulos. Inventor da Comdia  diz dele
zer um entrechat-dix, dando a im-
                                         um epigrama de Tecrito. Plato con-
presso que voava.
                                         siderou-o Rei dos Comedigrafos.
entrecho. O mesmo que enredo.            Plauto*, tomando-o como modelo,
                                         tomou-lhe tambm temas e enredos
entremez. Forma arcaica de dilogos
                                         por emprstimo.
encenados, cuja origem remonta ao
sculo XII. Era exibido nos festins      pico (teatro). Segundo Aristteles,
palacianos ou festas pblicas, e ter-    a pica, ou epopia,  a forma de com-
minava sempre com um nmero mu-          posio literria que rene uma gran-
sical e cantado. Sem perder sua ca-      de quantidade de fbulas. A epopia


                                     120
pico                                                                  episdio

surgiu como gnero puro, basica-          o efeito de distanciamento*, pelo
mente diverso da tragdia. A viso        qual ele  levado a refletir, a fim de
aristotlica do gnero resistiu ao tem-   ser capaz de modificar uma situao
po, at o aparecimento dos tericos       real. Para Brecht, em sntese, pico
alemes Erwin Piscator* e Bertholt        significa narrao. E, a partir desse
Brecht*, que, por volta de 1927,          princpio, o espectador  conserva-
reformularam o conceito clssico do       do a certa distncia do episdio. Em
gnero, admitindo uma tentativa de        lugar de se identificar com a perso-
conciliao entre os gneros pico e      nagem, ele a critica, reorganizando-
dramtico, que no conceito                se num indivduo atuante, capaz de
aristotlico se repeliam. O objetivo      transformar a sociedade. O teatro
de Brecht ao reformular o conceito, e     pico proposto por Brecht/Piscator
tambm ao se insurgir contra a teoria     tem um cunho narrativo e didtico,
pura e simples de espao-tempo-ao       utilizando-se de uma srie de recur-
aristotlicos, foi o de levar o espec-    sos teatrais, como msica, faixas,
tador a refletir, tomar conscincia e     palavras de ordem, projees cine-
atitudes diante dos problemas soci-       matogrficas, que comentam a ao
ais e polticos de sua poca. Segun-      e levam o espectador a refletir. Os
do Brecht e Piscator, o teatro pico      cenrios so estilizados e reduzidos
ope-se  iluso cnica da forma dra-     ao indispensvel. O contedo das
mtica convencional. De carter ci-       canes  demonstrativo. O ator no
entfico-sociolgico, essa nova for-      incorpora a personagem, mas apre-
ma dramtica no quer ser somente         senta-a, guardando dela um respei-
um documento, uma denncia, mas           tvel distanciamento crtico; pica;
quer envolver o espectador na luta        teoria pica da representao.
de classes. No pico, a partir da pro-
                                          eplogo. Discurso de encerramento
posta de Brecht, a narrativa, agindo
                                          de um texto dramtico, sem nenhu-
por meio de argumentos e no de
                                          ma conexo com o enredo, dirigido
sugestes, agua o esprito crtico,
                                          ao pblico geralmente com finalida-
ao invs de provocar o efeito ilus-
                                          de moralista, ao modo dos sermes.
rio. Opor-se  iluso cnica  a ques-
                                          Acessrio abolido pelos dramatur-
to fundamental da proposta restau-
                                          gos modernos, sem nenhum preju-
radora brechtiana. Nela, o homem,
                                          zo para o texto dramtico.
como ser mutvel,  estudado e
pesquisado. As tenses so coloca-        episdio. Ao idntica ligada  ao
das ao longo e no no fim, e cada         principal. Na tragdia e na comdia
cena  independente uma da outra.         clssicas, cada uma das aes parci-
O narrador quase sempre se faz pre-       ais do argumento dramtico, mais ou
sente para orientar a ao; o carter     menos equivalente aos atos do tea-
fictcio do teatro  constantemente       tro moderno, entre as quais se inter-
lembrado, e todos os elementos con-       calavam os cnticos e intervenes
correm para provocar no espectador        do coro.


                                      121
Epistola ad Pisones                                             Escaramuccio

Epistola ad Pisones. Nome "ofici-        divina no desenlace dramtico.
al" do que, a partir de Quintiliano      Quanto ao coro, seu papel  como o
(c. 30?-c. 100), passou a divulgar-      de um ator a tomar parte no enredo.
se com o nome de Arte potica de         Assim tambm, a msica no deve
Horcio. Trata-se, de fato, de uma       desgarrar-se do que seja central no
carta versificada, de no mais que       drama. Um ligeiro esboo histrico
476 hexmetros dactlicos, escrita       refere os "inventores" do gnero:
pelo poeta latino Quinto Horcio         Tspis*, da tragdia, e squilo*,
Flaco (65-8 a. C.), dedicada "aos        introdutor da mscara, "ensinando
Pises", que eram, conforme se h        a falar com grande eloqncia e a
de concluir pela cronologia, seu         sobressair sobre o coturno". A es-
amigo Lcio Piso e os filhos deste.     ses gneros sucedeu a comdia an-
Apesar da aparente despretenso e        tiga, non sine multa laude, apesar
do tom faceto em que foi redigida,       de que, depois, "a liberdade dege-
a Epistola ad Pisones tornou-se          nerou em vcio". O texto horaciano
uma espcie de manual para a              um manifesto em prol do bom gos-
preceitstica clssica, confundindo-     to e do senso de equilbrio, pelo que
se e suplantando em prestgio a          no surpreende tenha agradado
Aristteles*, sobretudo porque o         tanto aos artistas do classicismo
que se conhece da Potica                renascentista.
aristotlica no Renascimento s
                                         eptase. Parte do poema dramtico
chegou a circular, em latim, em 1498
                                         que se segue  prtase* e antecede
(na traduo latina de Giorgio Valla),
                                          catstase.*  a que se desenvol-
e em grego, em 1508 (na edio de
                                         vem os incidentes principais da in-
Aldus Manutius). A parte que se de-
                                         triga; eptese.
dica aos gneros dramticos (trag-
dia, comdia e drama satrico) de        Escapino. Uma das mais importantes
Grcia e Roma encontra-se entre os       mscaras da Commedia dell'Arte,
versos 153 e 294. Horcio discorre       introduzida na dramaturgia francesa
sobre os caracteres que podem apa-       no sculo XVII, por Molire*, na
recer nesses diferentes gneros, e       comdia Artimanhas de Escapino.
consagra a regra helenstica de que      Representa o jovem astuto, matrei-
uma pea teatral no deveria esten-      ro, intrigante, que s vezes desem-
der-se nem para mais nem para me-        penha a funo de criado ladino; o
nos de cinco atos, assim como o n-      mesmo Scaramouche; Scaramuccio.
mero de atores no deveria passar
                                         Escaramuccio, Tibrio Fiorilli, dito
de trs (um quarto ator, se apare-
                                         (1606-1694). Ator italiano, criador de
cesse, deveria permanecer mudo).
                                         uma personagem para o teatro italia-
Faz a apologia da verossimilhana,
                                         no de Paris, misto de palhao e Arle-
conforme Aristteles, mas, ao con-
                                         quim, ganhando grande popularida-
trrio deste, admite o deus ex
                                         de entre o pblico com o nome de
machina, nos casos de interveno
                                         Scaramouche.


                                     122
Escaramuche                                                        espetculo

Escaramuche. Personagem da com-         representa uma cena dramtica. 
dia italiana*, misto de palhao com o    Aconselha a experincia que, antes
Arlequim; Scaramuccio.                   de representar num palco desconhe-
                                         cido  sobretudo se no houve tem-
escora. Pea de madeira ou de metal
                                         po de o/a intrprete ensaiar naquele
usada para sustentar e fixar ao piso
                                         local  o/a ator/atriz deva tomar con-
do palco trainis e cenrios; escoras
                                         tato com o novo espao que vai ocu-
de palco; apoio.
                                         par, percorrendo-o em todas as dire-
escotilha. Pequena rea do assoalho      es com bastante calma e muita con-
do palco, vinda de baixo, sobre a qual   centrao, inteirando-se da rea dis-
se monta uma plataforma de apari-        ponvel que vai ter para sua atuao.
o. Diferente do alapo, dispe de     Para efeito de exerccios, os teri-
dois montantes verticais, as almas,      cos dividem o espao cnico em or-
que se deslocam ao longo de duas         gnico, vegetal, animal e sensvel.
guias, ou encaixes.                       Espao de projeo. Concepo
                                         de Walter Gropius*, para a utiliza-
escrita cnica. O "texto" escrito pelo
                                         o da sala de espetculos  palco e
encenador ao longo do seu trabalho
                                         platia  na projeo de filmes, em
de direo, a partir da sugesto lite-
                                         substituio  tela cinematogrfica
rria do dramaturgo, em que ele, o
                                         tradicional. Segundo ele, o verda-
encenador, vai colocando sua con-
                                         deiro recinto dos espetculos, neu-
cepo cnica, que acaba se trans-
                                         tralizado pela ausncia de luz, tor-
formando num texto tcnico de ricas
                                         nar-se-ia, sob o efeito da luz de pro-
informaes para pesquisadores;
                                         jeo, um recinto de iluses, palco
todos os passos da direo na cons-
                                         dos prprios fatos cnicos.
truo do espetculo; as relaes,
vistas pelo encenador, que unem tex-     espectador. A pessoa que est sen-
to e encenao, e o sentido que ir      tada na platia para espiar o que se
adquirir a obra em contato com o         desenrola no palco; aquele que par-
palco, atravs da interveno dos        ticipa do ato dramtico apenas como
atores, diante de um pblico dado e      testemunha. Tradicionalmente, aque-
em circunstncias histricas e soci-     le que est na platia para ver.
ais determinadas.
                                         espelho. Tiras de papel pintadas com
esfriar. Diz-se do espetculo quan-      elementos cenogrficos para reves-
do o entusiasmo do elenco, por           timento frontal dos degraus de uma
qualquer motivo, desaparece. Pode        escada.
acontecer com apenas um elemen-
                                         espetculo. A representao teatral,
to do elenco.
                                         ou qualquer exibio pblica ou pri-
espao (cnico). rea ocupada pela       vada de uma obra dramtica ou n-
representao de um espetculo te-       meros de canto, dana e msica; re-
atral, no necessariamente restrita a    sultado visual da releitura do texto
um palco; local onde o/a ator/atriz      feita pelo diretor e elenco. Espet-


                                     123
espinha                                                                  squilo

culo coletivo. Sistema de criao ar-      esquadro. Pea de madeira ou me-
tstica que substitui a figura do dire-    tal, de tamanho variado, prprio
tor, tradicionalmente o responsvel        para a fixao de tapadeiras, painis
absoluto pelo espetculo, por uma          ou pequenos repregos. Em forma-
participao de todos os componen-         to de um L ou ngulo reto, o lado
tes do elenco, que sugere o texto,         maior  fixado ao elemento
cria a movimentao cnica, os ce-         cenogrfico e o menor preso ao
nrios e figurinos. Os defensores          piso do palco por prego, tacharola
desse tipo de espetculo supem que        ou pesos de ferro; mo francesa.
os resultados atingidos possam ser
                                           esquerda. O lado esquerdo da cena.
mais criativos, e essa forma de
                                           Divide-se em baixa, mdia e alta, que
mutiro favorea um maior nvel de
                                           equivale a um primeiro ou plano in-
autoconfiana ao grupo, passando
                                           ferior, segundo ou mdio e terceiro
uma agradvel sensao de respon-
                                           ou plano superior. [Cf. Direita.]
sabilidade democrtica, em razo da
eliminao da figura ditatorial e hie-     esquete. Pequeno quadro teatral
rrquica do diretor, favorecendo um        rapidssimo, geralmente cmico, de
compromisso total, de todos, com os        fcil entendimento, improvisado ou
resultados do espetculo. Normal-          no, com unidade dramtica de prin-
mente os adeptos desta forma de fa-        cpio, meio e fim. Representado de
zer teatro dispensam tambm uma            preferncia entre os quadros das re-
autoria literria nica.  Espetculo       vistas musicais, show de variedades
de gala. Qualquer exibio oferecida       ou no music-hall, serve como pre-
em carter excepcional, normalmen-         texto para satirizar a atualidade soci-
te patrocinada por rgos pblicos,        al, poltica e cultural; pochade. Do
entidades, empresas, congressos, em        ingls sketch.
homenagem a datas ou personalida-
                                           squilo. Um dos trs grandes repre-
des.  Espetculo-manifesto. Desig-
                                           sentantes da tragdia grega, que vi-
nao dada pelo encenador brasilei-
                                           veu entre 525 e 456 a. C. Concebeu
ro Jos Celso Martinez Correia* ao
                                           o drama como instrumento de pro-
espetculo do Teatro Oficina*, O rei
                                           paganda nacional, renovou a trag-
da vela, de Oswald de Andrade*,
                                           dia, devendo-se a ele a inveno do
inaugurado em So Paulo em 29 de
                                           segundo ator, ou deuteragonista*,
setembro, s vsperas do Ato
                                           o que equivale dizer a criao do
Institucional n. 5, o AI-5, que desa-
                                           dilogo dramtico, valorizando a pa-
bou sobre as artes e artistas de um
                                           lavra em detrimento da dana e da
modo geral, de forma truculenta e
                                           msica, reduzindo de 50 para 12 o
ignominiosa.
                                           nmero dos participantes do coro.
espinha. Na gria teatral, furto feito    Maquinista, figurinista, cengrafo,
empresa na despesa diria da con-          poeta, arquiteto, pensador e oper-
tra-regragem.                              rio teatral, fez de tudo nessa rea de
                                           sua intensa atividade, conferindo


                                       124
estandarte                                                             Eurpides

maior expressividade s mascaras,          panhias itinerantes, antes ou depois
decorando o palco com cenrios, in-        da pea ser encenada em Nova York;
ventando inclusive muitas das m-          "fazer a estrada"; as tournes.
quinas que serviam de apoio  ilu-
                                           estranhamento. V. Distanciamento.
so cnica, utilizando o silncio
como efeito dramtico. Aos 40 anos         estria. A primeira representao
de idade, conquistou sua primeira          de um espetculo para o pblico; a
vitria num concurso de tragdias.         primeira vez que um artista ou um
Alm do excelente poeta dramtico          elenco se apresenta num determi-
que foi, exerceu com destaque a            nado local.
profisso de militar, tendo lutado
                                           estrela. A mais importante figura
como soldado contra os persas na
                                           feminina de um elenco, em torno da
batalha de Maratona. Deixando de
                                           qual todos os demais intrpretes de-
lado os temas homricos, das se-
                                           vem gravitar; atriz principal de um
tenta tragdias e vinte dramas de
                                           espetculo ou de uma companhia
sua autoria, apenas sete chegaram
                                           teatral de repertrio. Era hbito s
at nossos dias, pela provvel or-
                                           ser considerada estrela a atriz que
dem de produo: As suplicantes (c.
                                           somasse, a um corpo bonito, um ros-
490 a. C.), Os persas (472 a. C.), Os
                                           to deslumbrante, e fosse popular
sete contra Tebas (467 a. C.), Pro-
                                           entre o pblico e louvada pela crtica
meteu acorrentado (465 a. C.) e a
                                           teatral. V. Astro.
trilogia Orstia, formada por
Agamenon, As coforas e As                 estrelismo. Neologismo brasileiro
Eumnides (458 a. C.).                     para qualificar a maneira de ser e agir
                                           daqueles que aspiram  mais alta
estandarte. Smbolo de proteo dos
                                           posio da carreira artstica ou dese-
atores hindus. V. Aniquilador.
                                           jam conserv-la a qualquer custo;
estsimo. A parte lrica da antiga tra-    vedetismo.
gdia grega, que o coro cantava en-
                                           estrofe. Primeira das trs partes l-
tre os episdios. De stasima.
                                           ricas da tragdia grega, cantada
estilo. A relao do texto literrio com   pelo coro.
a realidade contingente. Em teatro, o
                                           estdio. Teatro ou sala de pequenas
estilo pode ser realista, quando a
                                           dimenses destinada geralmente
pea deve ser julgada pelos critrios
                                           para espetculos experimentais.
do quotidiano, evitando a ocorrn-
cia de qualquer elemento irreal ou         Eurpides. Nasceu em Salamina, na
antinatural, e no realista, que  jus-    corte do rei Arquelau, e viveu entre
tamente o inverso.                         480 e 406 a. C. Historicamente,  con-
                                           siderado o terceiro dos grandes au-
estrada. Expresso pela qual, nos          tores dramticos gregos. Vencedor
Estados Unidos, so designadas as          de cinco concursos teatrais, foi se-
cidades de interior visitadas por com-     veramente criticado em Atenas, so-


                                       125
exarconte                                                     Expressionismo

bretudo por causa das inovaes que       ponto, emitido preferentemente atra-
introduziu na tragdia, entre elas a      vs de uma sirene, alertando o con-
anlise psicolgica, coros indepen-       tra-regra, pessoal da varanda e
dentes da ao, introduo de per-        cortineiros, para a execuo de de-
sonagens do povo, como tambm             terminada ao, que poderia ser a
por seu esprito crtico e seu ceticis-   mudana de um cenrio, a execuo
mo filosfico e religioso. Sua obra       de um efeito mecnico ou um sim-
distingue-se da de seus concorren-        ples abaixar de cortina no final do
tes, justamente porque as cenas e as      ato. O sinal de execuo vinha logo
personagens por ele imaginadas se         aps o de preveno.
aproximam mais da realidade mortal
                                          exit. Palavra encontrada com fre-
da criatura humana, enquanto os
                                          qncia nos antigos textos teatrais,
heris imaginados por squilo* e
                                          para indicar que a personagem sai
Sfocles* identificam-se mais
                                          de cena. Outrora, de largo uso, hoje
com as personagens mticas de sua
                                          fora de cena. Do latim: sai. O plu-
poca, deuses e super-heris imor-
                                          ral  exeunt.
tais. Em sua obra, Eurpides pro-
curou manter o interesse do pbli-        exdia. Nome pelo qual eram de-
co pela variedade das situaes e         signadas as saturae, peas romanas
pelo que havia de pattico nos des-       de fino lavor.
fechos dos episdios, j se notan-
                                          exodirio. Entre os antigos roma-
do mais ntida a separao entre a
                                          nos, ator cmico que representava
ao principal e os cantos do coro.
                                          um exodus.
Foi ele o introdutor de uma tercei-
ra personagem, inovao ocorrida          exodus. No antigo teatro romano, a
com a pea Orestes. Das mais de           parte final de uma comdia ou o epi-
90 peas atribudas  sua autoria,        sdio cmico subseqente  repre-
apenas 17 tragdias chegaram com          sentao de uma tragdia.
texto integral at nossos dias, en-       exposio. Uma das partes em que,
tre elas Media (431 a.C.), As            teoricamente, est dividido o texto
troianas (415 a.C.), Electra (423         dramtico, enquanto literatura.  a
a.C.), As bacantes, e o drama sat-       etapa em que o autor explana seu
rico Cclope.                             assunto. Os hindus dizem que  a
exarconte. O condutor do coro gre-        que est a semente ou circunstncia
go, ao ser transformado por Tspis*       donde nasce o entrecho. O grande
num dialogante; basicamente, o pri-       requisito da exposio  a clareza.
meiro ator.                               Aristteles* chamava a exposio de
                                          lei do entrecho; introduo.
execuo. Expresso largamente usa-
da na caixa do teatro para caracteri-     Expressionismo. Movimento estti-
zar a emisso de um sinal previamen-      co de origem alem que ocorreu no
te convencionado, transmitido pelo        incio do sculo XX, em oposio ao



                                      126
Expressionismo                                                       extrema

Realismo. Os adeptos desta tendn-      extravaganza. Gnero de teatro
cia procuravam refletir a face subje-   musicado rico de danas e canes,
tiva dos eventos atravs da distoro   que floresceu na Inglaterra em mea-
da realidade objetiva, da fragmenta-    dos do sculo XII, montado
o da narrativa, superpondo cenas      preferentemente em cima de temas
como no processo cinematogrfico,       da mitologia, do folclore ou de con-
conferindo um carter simblico s      tos de fadas.  o precursor da com-
coisas e s personagens, entre ou-      dia musical.
tras criaes. Podem ser includos
                                        extrema. Na linguagem convencio-
nesta tendncia os dramaturgos
                                        nal da marcao de cena, espao em
August Strindberg*, Ernst Toller
                                        que na baixa,  esquerda ou  direita,
(1893-1939), Oskar Kokochka (1886-
                                         limitado o domnio da cena, bem
1980), Eugene O'Neill*, Elmer Rice
                                        junto ao regulador-mestre.
(1892-1967), entre outros.




                                    127
Fbula. Artifcio de inveno gre-      falsa (rua). Srie de quarteladas mais
ga para contar a trama, por meio da     estreitas, com cerca de 25cm de lar-
qual o dramaturgo expe e desen-        gura, que se alternam com a rua pro-
volve os acontecimentos, estabe-        priamente dita sobre o assoalho de
lecendo, inclusive, o clmax e o de-    um palco.
senlace. Segundo Aristteles*,
                                        falsas (cordas). Cordas mortas.
conforme est em sua Potica, 
um dos seis elementos essenciais        falso (proscnio). Prolongamento do
da obra teatral. Modernamente, a        palco para alm dos limites habituais
palavra contm a idia do prprio       do proscnio. Tambm conhecido
enredo e os acontecimentos prin-        pelo nome de antecena.
cipais, como defende Bertholt
                                        fandango. No Nordeste brasileiro, a
Brecht*, admitindo que a "fbula
                                        representao do auto de chegana,
deve conter tudo em si". A fbula,
                                        em que os participantes, vestidos de
em sntese,  tudo aquilo que  con-
                                        marujos, danam carregando um pe-
tado e que d forma  obra literria,
                                        queno navio e depois contam aven-
ou seja: o conjunto de aconteci-
                                        turas martimas herdadas do folclore
mentos ligados entre si e comuni-
                                        ibrico.
cados ao espectador no decorrer
do espetculo; enredo.                  fantasia. Gnero teatral de carter
                                        simblico, cujo assunto envolve nor-
face. A parte anterior do palco.        malmente personagens irreais, e qua-
fala. Cada trecho do papel ou do tex-   se sempre a trama se orienta para um
to que cabe a um ator, dentro do es-    clima de stira.
petculo, que pode ter a forma de
                                        fantoche. Gnero de boneco cujo
dilogo ou de um monlogo, consti-
                                        corpo, tradicionalmente,  formado
tuindo o discurso primrio do autor.
                                        por uma luva onde o manipulador
 Fala final. Palavra ou frase que
                                        enfia uma das mos que dar vida ao
encerra o texto de uma pea ou de
                                        personagem, enquanto o dedo indi-
um espetculo.
                                        cador  enfiado na cabea, e o pole-
farsa                                                                    farsa

gar e o mdio movimentam cada uma        reconhecimentos inesperados, etc.
das mos. A cabea  geralmente fei-     Na farsa, so ridicularizados tanto os
ta de massa de papel  papier-           poderosos como os humildes, numa
mcher , madeira ou outro material      crtica direta que envolve os costu-
de fcil modelagem e peso reduzido.      mes sociais ou polticos, os erros, os
 um gnero de personagem muito          vcios e as deformaes. Havia, no
antigo, possivelmente originrio da      gnero, um exacerbado exagero c-
ndia ou do Egito, muito difundido       mico, privilegiando a ao e os as-
na Idade Mdia, relativamente apre-      pectos externos  cenrios, figuri-
ciado nos dias atuais. Dependendo        nos, gesticulao , cabendo um
das diferentes regies onde ocorrem,     papel menor  linguagem (dilogos)
no Brasil, so conhecidos pelos no-      e ao conflito dramtico. Graas a seu
mes genricos de mamulengo,              humor direto, a seu jogo com a cari-
bonifrate, briguela, man gostoso,       catura, ao absurdo, s situaes ri-
boneco de engono, etc.                  dculas propostas e aos qiproqus,
                                         a farsa tinha uma capacidade admi-
farsa. Pea curta, de comicidade
                                         rvel de estabelecer uma comunica-
burlesca e vulgar, beirando a licenci-
                                         o rpida e eficiente com sua pla-
osidade, recheada com ditos de rua
                                         tia, o que deve explicar, em parte, a
e ocorrncias do quotidiano, cujo
                                         longevidade do gnero. Embora j
principal objetivo  apenas divertir,
                                         se encontrem elementos farsescos
sem nenhum compromisso com men-
                                         nas comdias de Aristfanes* e
sagens de ordem moral, poltica, filo-
                                         Plauto*, o gnero, na sua forma defi-
sfica ou social. Fazendo o humor
                                         nitiva, originou-se, historicamente,
pelo humor, distingue-se da stira, e
                                         nos mimos* medievais, sendo a prin-
lana mo de todos os recursos que
                                         cipal forma de teatro cmico do per-
possam escandalizar e transformar
                                         odo que vai do sculo XV ao XVI.
uma ao normal num acidente ex-
                                         Vrios autores no Renascimento de-
traordinrio, com aes exageradas,
                                         dicaram-se ao gnero, entre os quais
situaes inverossmeis ou enxertos
                                         Gil Vicente.* A farsa teve seu apo-
introduzidos bruscamente, sem pre-
                                         geu no sculo XIX, com as obras de
juzo ao fio da ao. Usando poucos
                                         Labiche* (Um chapu de palha da
atores, enredo simples, ao viva,
                                         Itlia, 1851; A viagem do senhor
apoiada sobretudo em atividades f-
                                         Perrichon, 1860; Poeira nos olhos)
sicas e efeitos visuais, com muitos
                                         e Feydeau* (Alfaiate para senhoras,
pontos de contato com a comdia de
                                         1887; O marido vai  caa, 1892; A
costumes, para atingir seus objeti-
                                         dama do Maxim's, 1899).  Farsa de
vos conta com um elenco de estere-
                                         cordel. Com a perseguio ao teatro
tipos como o amante, o pai feroz, a
                                         durante a Inquisio em Portugal,
donzela super-ingnua, a alcovitei-
                                         comedigrafos populares expunham
ra, ou situaes conhecidas, como o
                                         seus textos nas feiras, pendurados
amante escondido no armrio ou sob
                                         em cordis, hbito que chegou at o
o colcho da cama, irmos trocados,


                                     130
f cnica                                  festivais (internacionais de teatro)

Brasil. Esses textos, pequenas peas     Maia (1887-19...) e na Companhia
satricas, abasteceram o teatro de       Dramtica Nacional, antes de for-
1753 a 1853. A primeira pea surgida     mar sua prpria empresa, em 1924.
com essa denominao tinha por t-       Seu primeiro sucesso foi com a
tulo O juzo novo dos borracheiros.      opereta A juriti, de Viriato Corra
                                         (1884-1967). Mas foi Deus lhe pague,
f cnica. Expresso criada pelo
                                         de Joracy Camargo (1878-1973), que
encenador e terico russo Kons-
                                         o tornou clebre.
tantin Stanislavski* para identifi-
car o nvel de envolvimento do ator      festa artstica. Espetculo dado em
com sua personagem, a ponto de           homenagem ou benefcio a um ator.
ele acreditar que seu fingimento 
                                         Festa dos Loucos. Nome pelo qual
pura realidade.
                                         eram designadas as pantomimas e
fechar. A casa de espetculos fecha      danas lascivas representadas duran-
quando termina a temporada ou a          te as festas religiosas, no interior
empresa encerra suas atividades.         das igrejas, na fase do Brasil Coloni-
Fechar a cena. Reduzir os limites do     al. Banidas pelos jesutas.
espao cnico, usando os recursos
                                         festivais (internacionais de tea-
naturais da cenografia, como regula-
                                         tro). Os festivais internacionais,
dores, bambolinas, fraldes e teles
                                         que freqentemente incluem amos-
de fundo. [Cf. Cena fechada.]
                                         tras de todos os gneros das artes
ferie. Expresso de origem france-      cnicas, so uma oportunidade
sa para designar um gnero de espe-      para o intercmbio de idias e dis-
tculo que prima pela temtica fan-      cusso sobre experincias com no-
tstica, irreal, no qual aparecem per-   vas linguagens. Entre os mais fa-
sonagens dotados de poder sobre-         mosos do mundo esto o Teatro
natural, como fadas, demnios etc.,      das Naes, que  itinerante, o Fes-
e predominam truques mirabolantes        tival de Dois Mundos, na cidade
realizados com o auxlio de maquina-     de Spoleto, Itlia, e o de Avinho,
rias, luzes excessivas, deixando a       na Frana.  Festival de Avinho.
impresso ferica de irrealidade;        Criado em 1947, por Jean Vilar (1912-
pea de fabulao fantasista, irreal.    1971), por sugesto do crtico de arte
                                         Christian Zervos (1889-1970), cons-
Ferreira, Joo Procpio (1898-1979).
                                         tituiu-se na mais prestigiosa dessas
Ator brasileiro, que iniciou sua car-
                                         manifestaes de arte dramtica ao
reira aos 18 anos de idade no Teatro
                                         ar livre, dos tempos modernos. A
Carlos Gomes, na pea Amigo, mu-
                                         idia inicial era a apresentao da
lher e marido, adaptao de L'ange
                                         pea de T. S. Eliot (1888-1965), Mor-
du foyer, de Robert de Flers (1872-
                                         te na catedral, mas, graas a incen-
1927) e Gaston de Caillavet (1869-
                                         tivos, transformou-se imediatamen-
1915). Trabalhou nas companhias de
                                         te numa mostra com trs peas, en-
Itlia Fausta (1887-1951), Abigail
                                         tre os dias 4 e 10 de setembro:


                                     131
Feydeau, Georges                                                       figurante

Ricardo II, de Shakespeare*, no           te de seu pblico, numa noite em que
Palcio dos Papas, La terrasse de         se apresentou segurando uma gar-
midi, de Maurice Clavel (1921-1979),      rafa  fiasco, em italiano , com a
no Teatro Municipal, e A histria         qual procurava tirar efeitos cmicos,
de Sara e Tobias, de Paul Claudel*,       sem disso obter os resultados que
no Verger d'Urbain VI. O xito e a        esperava.
fama do Festival foi crescendo de
                                          fiesta. Gnero introduzido no Mxi-
ano para ano, passando a aconte-
                                          co pelos padres espanhis, quando,
cer por vrias semanas no ms de
                                          sentindo que os ndios no podiam
julho, sendo que Jean Villar ficou
                                          ser "curados" de sua paixo pela
at 1968 como seu diretor, afastan-
                                          dana e pelo canto, transformaram
do-se espontaneamente dessa fun-
                                          ento seus ritos pagos em repre-
o quando da "contestao de
                                          sentaes dramticas. Freqentes
maio de 1968". A fama e a qualidade
                                          nas cidades do interior, as fiestas
dos espetculos, assim como as
                                          assumem o aspecto de uma feira, com
conferncias, cursos, mesas-redon-
                                          vrios dias de durao, ocasio em
das e debates entre atores, anima-
                                          que se combinam representaes te-
dores, crticos, tericos e especta-
                                          atrais, feira e ritos religiosos. As pe-
dores, comearam a atrair outros
                                          as a representadas so simples e
pases, que passaram a participar do
                                          ingnuas, ligeiras representaes de
Festival. Em 1975, foram apresenta-
                                          incidentes das vidas dos santos ou
dos 38 espetculos oficiais e uma
                                          de Jesus Cristo, sendo que o tema
mdia de 60 espetculos-dia na pro-
                                          favorito  a converso dos mouros
gramao paralela.
                                          por So Tiago; festa.
Feydeau, Georges Lon Jules Marie
                                          figura. Cada uma das personagens
(1862-1921). Comedigrafo francs,
                                          de uma pea; o ator, o intrprete;
um dos criadores do vaudeville e
                                          comediante que as representa.
notvel autor de farsas. Suas peas,
ainda bastante encenadas, inspiram-       figurao. 1. Conjunto dos atores
se no cotidiano, do qual o autor sou-     que entram em cena apenas para fa-
be extrair uma irresistvel comicidade.   zer volume no elenco, normalmen-
Entre suas obras mais conhecidas,         te na pele de povo. 2. O trabalho por
esto: Alfaiate de senhoras (1886),       eles realizado.
Com um fio na pata, (1894), O peru
                                          figurante. Pessoa que entra em cena
(1896), A dama do Maxim's (1899),
                                          para compor a ao, quer s, quer
Com a pulga atrs da orelha (1907),
                                          formando grupos de multido, com a
Tome conta de Amlia (1908).
                                          nica funo de fazer nmero. O fi-
fiasco. Desagrado. A expresso se         gurante no  necessariamente um
originou do desagrado em que, no          elemento do elenco, e pode at mes-
sculo XVII, incorreu o clebre ator      mo ser convocado momentos antes
italiano Domenico Biancolelli, dian-      do incio do espetculo. Sem um tex-


                                      132
figuro                                                              Fo, Dario

to literrio a seguir, ele se movimen-   Fo, Dario (1926-1234). Dramaturgo,
ta, ora gesticulando, ora emitindo       autor e ator de teatro italiano que de-
gritos e exclamaes, algumas pala-      senvolveu um trabalho de pesquisa
vras isoladas, na pele de soldados,      de alcance internacional, tanto que
camponeses, gals, sem-terras, etc.,     em 1997 foi-lhe concedido o Prmio
conferindo movimentao  cena; o        Nobel de Literatura, "porque, na tra-
mesmo que comparsa.                      dio dos jograis medievais, (ele)
                                         zomba do poder e restitui a dignida-
figuro. Tipo caricatural e enfatuado,
                                         de aos oprimidos", como justificou a
que afeta gravidade nas aes e nas
                                         Academia da Sucia. Iniciou sua car-
palavras, j fora de uso nos elencos
                                         reira como ator de cabar e de revis-
e textos dramticos. O termo foi pro-
                                         ta. Inconformado com o modelo vi-
fusamente usado at o princpio do
                                         gente de fazer teatro, foi lentamente
sculo XX, sendo que o prottipo 
                                         se libertando do modelo comercial e,
a figura central de El lindo don
                                         na sua busca por um pblico e um
Diego, de Agustn Moreto (1618-
                                         teatro popular, recuperou muitos ele-
1669). Deram nome s famosas "co-
                                         mentos da Commedia dell'Arte. Jun-
mdias de figurn" espanholas.
                                         tamente com sua mulher, a atriz Fran-
figurinista. Profissional que cria,      ca Rame (1929-1234), funda a Com-
projeta e orienta a confeco do ves-    panhia Dario Fo-Franca Rame em
turio das personagens de um espe-       1959, para apresentar seu teatro de
tculo, indicando, em alguns casos,      ideologia esquerdista, de crtica ao
at mesmo os materiais a serem utili-    sistema social e poltico vigente e
zados, inclusive os complementos a       suas instituies, muito embora o seu
serem usados por cada um dos intr-      teatro no tenha vinculao com
pretes.                                  qualquer instituio poltico-partid-
                                         ria. Em 1968, cria a Nuova Scena, li-
figurino. As roupas usadas pelos
                                         gada ao PCI, e, em 1970, ainda ao
intrpretes ao longo do espetculo.
                                         lado da esposa, cria o Colletivo
O figurino deve refletir a poca em
                                         Teatrale La Comune, que se apre-
que a ao se desenrola, a situao
                                         senta em fbricas e outros locais
social, religiosa, econmica e at
                                         pblicos. Foi buscar no repertrio
mesmo poltica de quem os usa; traje
                                         das farsas populares seu meio de
de cena.
                                         expresso. De suas obras, internaci-
Filmon (360-263 a. C.). Poeta cmi-     onalmente conhecidas, citam-se Mis-
co grego ligado  Comdia Nova,          trio bufo (1969), A morte acidental
imitado mais tarde por Plauto* e         de um anarquista (1970), No pode-
Terncio.* De sua produo liter-       mos pagar? No vamos pagar?
ria, avaliada em 60 obras, restaram      (1974), Brincando em cima daquilo,
apenas fragmentos.                       Orgasmo adulto escapa do zool-
final. Trecho de efeito, no final de     gico, Manual mnimo do ator (1987),
uma pera e opereta.                     entre outras.


                                     133
formas animadas (teatro de)                                              frisa

formas animadas (teatro de). Gne-      fraldo. Elemento cenogrfico, em
ro no qual se fundem o teatro de bo-    propores normais, do mesmo tom
necos, de mscaras e de objetos.        que a cena, que serve para impedir
Conceito desenvolvido no Brasil pela    a viso do interior do palco, pelo
pedagoga e animadora de teatro Ana      espectador.
Maria Amaral, para definir a reunio,
                                        frieza. Falta de entusiasmo por par-
numa nica manifestao ou num s
                                        te do pblico, devido, quase sem-
momento, de linguagens que, ao se-
                                        pre,  inexpressividade do espetcu-
rem mostradas em separado, se
                                        lo, ou  mediocridade dos intrpre-
constituem gneros autnomos: "O
                                        tes, ou ao no entendimento da pro-
Teatro de Animao inclui mscaras,
                                        posta do diretor; interpretao con-
bonecos, objetos. Cada um em sepa-
                                        tida, sem emoo exterior.
rado pertence a um gnero teatral e,
quando heterogeneamente mistura-        frigideira. Dispositivo de iluminao
dos, adquirem caractersticas prpri-   que j teve largo uso, com fundo
as e constituem o teatro de formas      espelhado, que emite luz muito forte,
animadas. (A. M. A.)"                   mas tambm esquenta em demasia.
formigo. Palavra muito usada at       Frnico. Poeta ateniense, predeces-
meados do sculo XX, para qualifi-      sor de squilo*, tendo alcanado
car o ator sem talento, com poucas      reconhecimento pblico em 511 a.
possibilidades de alcanar xito na     C. Foi um dos criadores da trag-
carreira; candidato a canastro.        dia, sendo o responsvel pela in-
                                        troduo de trs elementos no g-
fosso. Espao localizado sob o pal-
                                        nero: dividiu o coro em dois gru-
co, acessvel por meio das aberturas
                                        pos, acrescentou a personagem fe-
das quarteladas e alapes, onde
                                        minina, ao criar a mscara espec-
so instalados elevadores, escadas
                                        fica para a personagem, com a qual
e outros equipamentos para efeitos
                                        foi possvel injetar ternura e pie-
de fuga ou apario em cena; po-
                                        dade na tragdia, e fixou antecipa-
ro.  Fosso da orquestra. Espao
                                        damente as entradas e sadas de
entre o palco e a platia, onde a or-
                                        cena dos atores. A mscara femi-
questra  instalada nos espetculos
                                        nina, criada por Frnico, em cores
musicais e de pera.
                                        claras, para contrastar com a dos
foyer. Palavra francesa que designa     homens, que eram escuras, abriu
o espao, no prdio do teatro, re-      a possibilidade de serem tambm
servado  platia, enquanto aguar-      introduzidos temas sentimentais
da o incio do espetculo ou se reu-    no gnero, ao lado dos hericos.
ne nos intervalos do mesmo; sala        Foi ele tambm o introdutor dos
de espera.                              temas histricos na tragdia.
fralda. Pedao de cenrio solto do      frisa. Espao privilegiado nas casas
trainel que serve para cobrir peque-    de espetculo, destinado ao pbli-
nos praticveis.                        co. Nos teatros  italiana, ficam sem-

                                    134
fuga                                                              Futurismo

pre acima do nvel normal da platia     fundo neutro. O pano colocado ao
e, em volta desta,  altura do           fundo da cena, rotunda ou ciclorama,
proscnio, ao nvel do palco. Outro-     sem nenhuma funo para a cena.
ra, em alguns teatros, essas localiza-
                                         Futurismo. Movimento esttico cri-
es eram construdas de forma a
                                         ado pelo poeta Filippo Tommaso
preservar seus ocupantes da vista
                                         Marinetti (1878-1944) e surgido na
do resto da platia, e usadas por pes-
                                         Itlia, em 1909. O objetivo do mo-
soas que no queriam ser percebi-
                                         vimento, descrito em vrios mani-
das pelo resto do pblico. Essa for-
                                         festos, era o de romper com o pas-
ma de local para o espectador come-
                                         sado e celebrar a tecnologia, o di-
a a se configurar no barroco euro-
                                         namismo e a fora. Em 1913, cir-
peu e o seu modelo tpico  o Teatro
                                         cula o manifesto O Teatro de Varie-
Farnese (1628), na cidade de Parma,
                                         dade, que pregava oposio radical
Itlia, projetado pelo arquiteto
                                         ao teatro dramtico, no qual os res-
Giovanni Battista Aleotti (1546-1636).
                                         ponsveis pelo documento afirma-
Esse modelo de espao se define com
                                         vam que o espetculo deveria estar
a construo do Alla Scalla (1778)
                                         carregado de uma excitao ertica e
de Milo, projetado pelo arquiteto
                                         provocar um estupor imaginativo
Giuseppe Piermarini (1734-1808).
                                         capaz de arrancar a platia da passi-
fuga. Espao destinado s sadas de      vidade. Em 1915, circula outro ma-
cena dos atores, muitas vezes por        nifesto, O Teatro Futurista e Sint-
detrs de uma perna ou rotunda, ou       tico, que pregava um teatro
mesmo por escadas ou rampas, es-         atcnico, dinmico, simultneo,
condidas da vista do pblico.            autnomo, algico e irreal,
                                         conclamando o pblico a deixar de
funo. A apresentao de um es-
                                         ser preguioso e, para tanto, a cena
petculo.
                                         iria invadir a platia. Nesse mesmo
fundinho. Telo ou trainel que se        ano surge o Manifesto da Cenogra-
coloca por trs de alguma abertura       fia Futurista, de autoria de Enrico
funcional do cenrio, como janela,       Prampolini (1894-1956), onde es-
ou porta, no s para compor o am-       tava escrito que "a cena deve viver a
biente, como para impedir que a pla-     ao teatral na sua sntese dinmi-
tia devasse o interior do palco.        ca, deve exprimir, como o ator ex-
                                         prime e viver em si mesma, de ma-
fundo de cena. A parte da cena mais
                                         neira imediata, a alma da persona-
distante da platia; a que fica no
                                         gem concebida pelo dramaturgo".
fundo.




                                     135
gabinete. Designao genrica para        escola de representar, era sempre
os cenrios que procuram reprodu-         reservado o papel do mocinho, he-
zir o mais fielmente possvel o interi-   ri, ou do personagem apaixona-
or de uma residncia. Armados com         do. Os gals eram divididos em
a ajuda de trainis, reproduzem com       amorosos e dramticos no gnero
requintes de detalhes o interior de       Alta Comdia*, havendo ainda os
uma habitao, constituindo-se,           cnicos, os cmicos, os tpicos, os
quando completos, de teto, portas,        tmidos e os centrais; abreviao
janelas, arcos, rodaps, etc. Esse        de galante. Quando mulher, dama-
gnero de cenrio, usado teoricamen-      gal.  Gal cmico. Personagem
te para comdias e especialmente          central de uma comdia, em torno
para dramas burgueses, surgiu por         do qual gira o enredo.
volta de 1827, na Comdie Franaise,
                                          galerias. Espao reservado ao p-
onde era chamado dcor ferm. An-
                                          blico, na parte mais alta da platia,
tes do aparecimento deste tipo de
                                          nos edifcios teatrais, acima dos ca-
cenrio, os ambientes eram pintados
                                          marotes, onde os ingressos so mais
em teles. Est includo na classifi-
                                          baratos; torrinha; geral. O popular
cao das cenoplastias.
                                          poleiro ou galinheiro.
gabiru. Indivduo que vive nas cai-
                                          galharufa. Termo jocoso, usado pe-
xas de teatro tentando conquistar as
                                          los veteranos em uma caixa de tea-
atrizes. Expresso fora de uso.
                                          tro, ao receberem os iniciantes no
gag. Palavra inglesa para qualificar      ramo, alertando-os de que o suces-
qualquer tipo de ao no prevista        so no teatro depende de uma
nos ensaios, introduzidas, no ato da      galharufa; trote.
representao, para produzir graa.
                                          galinheiro. Termo popular para qua-
Pode ser uma palavra, um gesto ou
                                          lificar os lugares de preo reduzido
at mesmo uma situao; caco.
                                          de uma casa de espetculo, normal-
gal. Ator elegante, de belos do-         mente localizados na parte mais alta
tes fsicos, para o qual, na velha        da platia. So geralmente ocupados
gambiarra                                                             Gay, John

por estudantes ou pessoas de renda        da pelos homens, sobretudo nos es-
baixa, que se manifestam livremente       petculos de revista, para ficarem
e sem preconceitos contra ou a fa-        mais prximos s suas artistas prefe-
vor do espetculo. Essencialmente         ridas, sobretudo as vedetes.
democrticas em qualquer regime e
                                          garra. Pea com vrias opes de
em todos os tempos, so essas ge-
                                          formato para fixao de refletores e
rais que mantm um espetculo em
                                          outros equipamentos s varas.
cartaz ou fecham a temporada; po-
leiro; galerias.                          gaveta. 1. Palavra usada entre pro-
                                          fissionais de teatro, para identificar
gambiarra. Caixa de luz horizontal,
                                          algum que esteja temporariamente
presa ao urdimento e colocada habil-
                                          sem trabalho: a frase "Fulano est
mente entre as bambolinas, de modo
                                          na gaveta do empresrio" significa
que fique fora da vista do pblico.
                                          que aquele determinado profissional
Serve para a iluminao do palco de
                                          est aguardando ser chamado a qual-
cima para baixo.  Gambiarra de fun-
                                          quer hora para atuar num espetcu-
do. Instalada no fundo da cena, jun-
                                          lo. 2. Diz-se tambm de um texto en-
to ao ciclorama ou  cpula de
                                          tregue a um empresrio, aguardando
Fortuny*, dotada normalmente com
                                          vez para ser encenado  ou que foi
luzes coloridas de acordo com o efei-
                                          definitivamente arquivado.
to pretendido pela direo do espe-
tculo.  Gambiarra do proscnio.          Gay, John (1668-1732). Poeta e dra-
Armao horizontal colocada do lado       maturgo ingls, cujo esprito de fan-
de fora do palco, sobre a platia, onde   tasia domina toda sua obra, merecen-
so instalados refletores para ilumi-     do destaque a comdia Como se cha-
nao frontal da cena.                    ma isso? (1717), a farsa trgica Trs
                                          horas aps o casamento (1717), es-
ganchos. Em linguagem de carpin-
                                          crita em colaborao com Alexander
taria de teatro, equipamento auxili-
                                          Pope (1688-1744) e John Arbuthnot
ar, com vrias serventias:  Gan-
                                          (1667-1735). Sua obra-prima, entre-
chos de amarrao. Servem para o
                                          tanto,  A pera dos mendigos
arremate das cordas de amarrao.
                                          (1728), pardia ao teatro sentimental
 Ganchos de assoalho. Espcie
                                          e  pera italiana, onde a stira pol-
de travas usadas para a fixao de
                                          tica est bem encarnada pelo capi-
escadas s mesas dos praticveis.
                                          to Macheat e refletida, de maneira
 Ganchos de quadro. Conjuntos
                                          soberba, pelas cenas realistas do
de macho e fmea, tipo colchetes,
                                          submundo. Essa pea foi mais tarde
que servem para prender quadros
                                          adaptada por Bertholt Brecht* e Kurt
e outros objetos leves aos trainis.
                                          Weill*, com o ttulo de pera dos
Quando em s, servem para reforar
                                          trs vintns. Sua obra seguinte, Polly
os trainis.
                                          (1729), foi proibida pela Justia de
gargarejo (fila do). A primeira or-       seu pas, sob a alegao de que ofen-
dem de cadeiras, na platia, disputa-     dia o primeiro-ministro Robert


                                      138
gelatina                                                   gnero (dramtico)

Walpole (1676-1745) e s pde ser         (1927), Don Juan (1928), Barrabs
representada em 1777. Publicada,          (1933), Hop Signor (1935).
contudo, fez um tremendo sucesso
                                          genrico. Palavra para qualificar o
de leitores. Mesmo tendo satirizado
                                          ator de pouco talento que, no ten-
a obra de Hendel, foi quem escre-
                                          do obtido sucesso na carreira, aten-
veu o libreto de cis e Galatia, des-
                                          de a eventuais chamados para re-
se compositor.
                                          montes de ltima hora ou interpreta-
gelatina. Folha de material transpa-      es de pouca relevncia.
rente, outrora de papel gelatina, atu-
                                          gnero (dramtico). 1. A arte tea-
almente de polister ou policarbona-
                                          tral. Histria contada por persona-
to, que  colocada em frente aos refle-
                                          gens, sob a forma de dilogo, dis-
tores, para colorir o foco ou filtrar a
                                          pensando a mediao do narrador,
luz, dependendo do clima desejado.
                                          num local adrede preparado. 2.
Gelderod, Michel de (1898-1962).          Ao expressa por meio de perso-
Dramaturgo belga de expresso fran-       nagens encarnadas por atores, 
cesa, considerado um dos mais im-         protagonistas e antagonistas , que
portantes e expressivos de sua po-       porfiam por chegar a uma sntese. 
ca. Com um estilo que se caracteriza      O gnero dramtico s se realiza
por um medievalismo fantstico e          quando posto em cena sob a forma
freqentemente macabro, mesclado          de espetculo. Pode se manifestar
com elementos de moral, combina           em prosa, em verso, atravs da dan-
com talento a procura verbal, o ca-       a e da msica, admitindo subdivi-
rter popular e o sentido do trgi-       ses como tragdia, comdia, tragi-
co, no qual o humor freqentemente        comdia, farsa, auto, drama, etc. O
mordaz tem preferncia pelo fants-       gnero dramtico acontece atravs
tico. Praticando uma dramaturgia ori-     de uma histria contada apenas pelo
ginal, bastante prxima do Teatro da      dilogo das personagens em ao
Crueldade pregado por Antonin             no palco, dispensando a presena
Artaud*, Gelderod provocou uma            de um narrador. A principal caracte-
renovao na linguagem teatral de         rstica do gnero dramtico  a ten-
seu tempo. Para ele o "teatro  um        so entre antagonistas, traduzindo
jogo do instinto", e "o autor dram-      o eterno conflito entre o eu e o mun-
tico no deve viver seno de viso e      do, o sujeito e o objeto.  Gnero
de adivinhao".  um dos drama-          livre. Expresso fora de uso, para
turgos mais originais do sculo XX.       qualificar, em determinada poca da
Alm dos textos para atores, dedi-        Histria do Espetculo, o que era
cou extenso espao para a produo        considerado "pornogrfico", em es-
de textos para marionetes. Entre suas     petculos onde ocorriam situaes
principais peas, destacam-se La          escabrosas, ou se diziam frases de
mort du docteur Faust (1926),             duplo sentido, aluses equvocas,
Escorial (1927), Critvo Colombo         coplas apimentadas. O Palais


                                      139
Genet, Jean                                                                gesto

Royal, de Paris, foi especialista nes-   ngres, encenado por Roger Blim em
se tipo de espetculos.                  1959. Les paravents, sobre a guerra
                                         da Arglia, criada em Berlim em 1961,
Genet, Jean (1910-1234). Dramatur-
                                         s  vista em Paris em 1965, na mon-
go francs, cujos temas deliberada-
                                         tagem de Roger Blim. Genet detesta
mente provocantes fazem dele um
                                         o teatro ocidental e a representao
dos autores mais polmicos de sua
                                         de suas peas deveria ser um ritual,
gerao. Sua linguagem  carrega-
                                         uma cerimnia, uma missa.
da de simbolismos, freqentemente
desconcertante e de grande riqueza       geral. 1. As localidades mais bara-
lrica, que oscila entre o preciosis-    tas de uma platia em casa de espe-
mo e a escatologia, conferindo  sua     tculos, ocupadas normalmente por
obra uma aura potica, rigorosamen-      estudantes e pessoas de pequeno
te anti-realista. Seu teatro  um tea-   poder aquisitivo; torrinha; galinhei-
tro de falsa aparncia, da iluso e      ros; poleiro. 2. Em maquiagem tea-
dos fantasmas irrefutveis, retratan-    tral,  o nome tcnico da tinta que se
do a violncia, a marginalidade e a      aplica como aparelhamento funda-
injustia social: antinaturalista, tem   mental sobre a qual o/a artista  ou
uma dimenso mtica e potica, que       o/a maquiador/a  faz a pintura do
o coloca entre os principais drama-      rosto. Havendo dela em vrias to-
turgos do sculo XX. Homossexu-          nalidades, a mais usual  a de colo-
al, ladro e pervertido, Genet nas-      rao rsea; base.
ceu em Paris e comeou a escrever
                                         gesticulao. Movimento ou s-
na priso, em 1940. Apesar de seus
                                         rie de movimentos expressivos que
textos teatrais denunciarem as inf-
                                         o intrprete faz com a finalidade de
mias de uma sociedade abjeta, o que
                                         transmitir uma idia, reforar ou dar
no fundo eles promovem  o elogio
                                         apoio  sua fala.
ao mal e pregam o refgio no isola-
mento, numa existncia marginal que      gesto. Movimento da cabea, dos
permita apreender a horrvel beleza      braos ou de todo o corpo, carrega-
deste mundo, considerado espet-         do de sentimento e expressividade,
culo por ele. Assediado pelos gran-      para enfatizar falas ou dar fora a ati-
des encenadores europeus, ansio-         tudes, podendo, inclusive, transmi-
sos por um teatro menos formal e         tir idias ou realar expresses. Al-
mais participante, escreve em 1947,      guns tericos, entre eles H. V. Wesp,
a pedido de Louis Jouvet*, Les           admitem que deva haver entre o ges-
bonnes, que provoca um tremendo          to e a palavra trs formas de relao:
escndalo quando mostrado ao p-         acompanhamento, que refora, pro-
blico parisiense. O mesmo ocorren-       longa e amplifica a mensagem enun-
do com Le balcon, ensaiado por           ciada; complementao, que cons-
Peter Brook* em 1957, em Londres,        titui um prolongamento significati-
mas s mostrado em 1969 em Paris.        vo do discurso, capaz de introduzir
A consagrao acontece com Les           sentido onde a palavra, por impotn-


                                     140
gestus                                                                 Goethe

cia, deixa uma lacuna, e substituio,    girela. Conjunto de roldanas co-
que  quando o gesto intervm e           locadas verticalmente na direo
onde, por diversas razes, a palavra      das malaguetas, pelas quais pas-
se torna impossvel.  aconselhvel,      sam as trs cordas de sustentao
contudo, que haja uma clara consci-       de uma vara.
ncia, por parte do intrprete, na for-
                                          girl. A profissional normalmente jo-
ma de relao entre o gesto e a pala-
                                          vem, de belas formas fsicas, com re-
vra, que deve ser carregada de coe-
                                          lativo talento para a dana, que tra-
rncia quando refora, prolonga ou
                                          balha como corista, sobretudo nos
amplia a mensagem enunciada pela
                                          espetculos musicais; danarina e
voz.  Gesto-chave. Cada um dos
                                          corista em espetculos de varieda-
gestos convencionais dos atores,
                                          des. Palavra inglesa: moa.
principalmente no teatro oriental e
na Commedia dell'Arte, cujos signi-       gliss. No bal, o coup que  feito
ficados j so do conhecimento dos        de lado, sobre uma linha reta.
espectadores.
                                          Globus-Segment-Buhne. Inovao
gestus. termo recriado do latim (ati-     na estrutura fsica do palco, feita
tude) por Bertholt Brecht* para qua-      pelo diretor de teatro alemo Erwin
lificar a atitude que acompanha cer-      Piscator* na dcada de 20, substi-
tas situaes e que deve comple-          tuindo o tablado de representao
mentar a frase enunciada pelo ator;       por uma grande esfera que se abria
" o todo harmnico que resulta da        inteira ou paralelamente, por seg-
soma da atitude e da gesticulao         mentos. Com esse artifcio,
peculiar a cada frase do dilogo"         Piscator pretendia fazer oposio
(Lo Gilson Ribeiro, in Cronistas do      ao que chamava de teatro mgico,
absurdo).                                 levando o espectador a sentir que
                                          no estava ali para viver uma vida
Gidaxu. Escola de marionetes cri-
                                          imaginria, mas uma vida mais am-
ada por Takemoto Chikugo, nos
                                          pla, fragmentos da vida real, feita
fins do sculo XVII, em Osaka, Ja-
                                          de inmeros acontecimentos.
po, onde os principais persona-
gens so: Runshichi, responsvel          gobo. Disco de metal ou vidro, uti-
pelos papis de homem piedoso;            lizado para a projeo de efeitos lu-
Danschichi, que fazia os homens           minosos  principalmente em refle-
maus; Kesai, que representava os          tores elipsoidais  e para mascarar
amantes; Musum, os de moa;              o feixe de luz. Os globos so
Shinzo, os de esposa; Fukooyama,          comercializados em diferentes pa-
os de velha; e Wakaatoko, os de           dres; os de vidro podem ser colori-
rapazes. Neste modelo, as mario-          dos.
netes que representam as mulhe-
                                          Goethe, Johann Wolfgang von
res no tm pernas, com exceo
                                          (1749-1832). Escritor e pensador ale-
das que tm de "viajar".
                                          mo, um dos maiores representantes


                                      141
Gogol, Nicolai                                                 Golfo Mstico

do romantismo, produziu uma obra        a plena realizao dos intrpretes.
que abrange desde o subjetivismo        Escreveu mais de 50 comdias, exal-
do movimento Sturm und Drang*           tando as virtudes da burguesia e ri-
at a conscincia harmnica do          dicularizando os aristocratas deca-
classicismo. Alm de sua excepcio-      dentes.  freqentemente conside-
nal produo teatral, deixou roman-     rado uma espcie de ltimo represen-
ces, poemas e uma correspondncia       tante da Commedia dell'Arte. De
monumental com Schiller*, alm de       1761 at sua morte, viveu em Paris,
14 volumes de estudos cientficos.      onde dirigia a Comdia Italiana de
Sua grande faanha literria e obra-    Paris (1762/64). Entre sua produo
prima da cultura universal  o poema    destacam-se La locandiera (A hote-
dramtico Fausto (1808/33), em duas     leira, 1753), Il servitore de due
partes, que representa uma afirma-      patroni (1745), Um curioso aciden-
o potica e filosfica da procura     te (1745), O caf (1750). Episdio me-
do homem por experincias e conhe-      morvel de sua biografia  a reprise,
cimentos completos. Seu reconheci-      no Teatro San Angelo, de Veneza
mento nacional aconteceu em 1773,       (1749), da comdia A viva astuciosa,
com o drama Gtz von Berlichingen       que levou o ex-jesuta Pietro Chiari a
e com o romance Sofrimentos do          escrever a pardia Escola de vivas,
jovem Werther (1774). De 1775 at       provocando acesa polmica, que du-
sua morte, viveu na corte ducal de      raria por treze anos. Ao retrucar com
Saxe-Weimar, onde publicou outras       o Prlogo apologtico, Chiari foi
obras, entre as quais as peas          motivo de sria disputa que empol-
Ifignia em Turida (1787) e            gou o pblico, atingindo um nvel tal,
Egmonte (1788).                         que o Tribunal da Santa Inquisio
                                        suspendeu ambos os espetculos e
Gogol, Nicolai Vasilievich (1809-
                                        instituiu a censura teatral em Veneza.
1852). Dramaturgo e romancista rus-
                                        Goldoni nasceu a 25 de fevereiro, uma
so, nascido na Ucrnia. Sua comdia
                                        tera-feira de carnaval.
satrica, O inspetor-geral (1836), em
que mostra a corrupo e a preten-      Golfo Mstico. Proposta esttica ar-
so numa cidade provinciana, tor-       quitetnica visando estabelecer uma
nou-se clssica no gnero.              relao mgica entre pblico e cena,
                                        elaborada a partir da renovao na
Goldoni, Carlo (1707-1793).
                                        arquitetura teatral, com a construo
Teatrlogo italiano, cuja comdia,
                                        do Festspielhaus, da cidade de
fundamentada nos costumes e tipos
                                        Bayreuth, Alemanha, em 1876. Ser-
sociais de Veneza, provocou o
                                        viria  concepo wagneriana do es-
declnio da Commedia dell'Arte, fa-
                                        petculo total, s possvel em razo
zendo valer a supremacia do bom tex-
                                        da descoberta recente da luz
to sobre o de improvisao, em uso
                                        incandescente. A platia foi trans-
pelos cmicos dell'Arte, alm de ter
                                        formada num anfiteatro em forma de
criado personagens que favoreciam
                                        trapzio, balces e galerias elimina-


                                    142
gorne                                                        Grotowski, Jerzy

das, a orquestra retirada de cima do      bras, as gambiarras e os cabos que
palco, a platia escurecida durante o     firmam os cenrios; teia.
espetculo e o pblico no tinha ou-
                                          Gropius, Walter (1883-1969). Arqui-
tra alternativa a no ser prestar aten-
                                          teto alemo, naturalizado america-
o ao que se desenrola no palco. A
                                          no, considerado um dos mais impor-
proposta ficou tambm conhecida
                                          tantes entre os fundadores da ar-
por abismo mstico.
                                          quitetura moderna. Foi um dos cria-
gorne. Espcie de polia de madeira,       dores da Bauhaus, que tenta ade-
dotada de um possante carretel, pre-      quar a forma  funo, estudando
so ao urdimento, por onde passam          as possibilidades funcionais nas
os elementos cnicos, e que os sus-       artes plsticas, na arquitetura, no
pende ou abaixa. Moito; roldana;         teatro, no cinema e na propaganda,
gorno.  Gorne de cabea. Polia de         durante a Repblica de Weimar, em
tamanho maior e mais largo, prprio       1919, admitindo que "o arquiteto de
para receber as cordas de outros          teatro contemporneo deva criar um
gornes. Geralmente  instalado numa       vasto quadro de luzes e um espao
das extremidades do urdimento, de         to objetivamente adaptvel, que
onde as cordas so puxadas.               possa responder a qualquer viso
                                          imaginativa do diretor de cena". Tra-
gradao. A parte final de um drama
                                          tava-se de criar espetculos sem te-
clssico; o clmax. Na sua origem, o
                                          atros, destruindo a tradicional se-
objetivo da gradao era concentrar
                                          parao entre palco e platia.
o interesse da platia, residindo a
uma das principais manifestaes da       Grotowski, Jerzy (1933-1999). Dire-
arte do dramaturgo. Enquanto, nos         tor e terico de teatro polons, cria-
acontecimentos da vida real, a            dor do Teatro-Laboratrio de Opole
gradao  freqentemente uma sim-        (1959), transferido em 1965 para
ples questo de momento, na ao          Wroclaw. Influenciado por Artaud*
dramtica ela  sempre evidente.          e pela arte cnica oriental, props o
                                          espetculo-ritual, de volta aos mitos
grade. Esqueleto de madeira para
                                          e arqutipos, centrado no ator e na
repregos, recoberta de pano encor-
                                          relao deste com o espectador. Sua
pado e pintado para completar o ce-
                                          idia de interpretao tem por objeti-
nrio; o mesmo que caixilho.
                                          vo a liberao fsica e psquica do
grampo (roseira). Tipo de prego           ator. Sua insistncia sobre a expres-
em forma de u, utilizado para fixa-       so corporal e seu conceito de "tea-
o dos cantos das tapadeiras e ou-       tro pobre", exposto em seu livro Em
tros encaixes.                            busca de um teatro pobre (1968), fi-
                                          zeram surgir o Mtodo Grotowski,
grelha. Estrutura da caixa do teatro,
                                          que exerceu grande influncia nos
acima do palco, prxima ao teto do
                                          movimentos artsticos de vanguar-
prdio, localizada entre as varandas,
                                          da contemporneos. Radical em seu
que serve para sustentar as mano-


                                      143
Group Theater                                                    guarda-roupa

ponto de vista e em sua postura,          do o modelo do Teatro de Arte de
Grotowski privilegia o ator, conside-     Moscou, de Stanislavski*, e se opu-
rando desnecessria toda e qualquer       nha ao sistema comercial que carac-
superficialidade esttica do tipo ce-     terizava o teatro da Broadway. Ence-
nrios decorativos, maquiagens, efei-     nava preferencialmente autores jo-
tos visuais. Avana na sua proposta       vens e iniciantes, que abordavam
e nega o teatro poltico e o teatro       temas de significao social, entre
como simples diverso, o chamado          os quais Lillian Hellman*, Irwin Shaw
teatro-sntese e o teatro total, defen-   (1913-1984), William Saroyan (1908-
dendo o princpio de que a arte dra-      1981), Clifford Odets.* Apoiados em
mtica pode existir sem essas coisas,     Stanislavski e nas contribuies de
s no o podendo "sem uma relao         Strasberg, os atores Franchot Tone,
direta e palpvel, uma comunicao        John Garfield, Lee J. Cobb e Stella
de vida entre o ator e o espectador".     Adler, assim como os diretores Elia
Ficaram famosas suas montagens de         Kazan*, Morris Carnovski e outros,
Caim (1960), Fausto e Akropolis           desenvolveram um mtodo prprio
(1962) e O prncipe constante. A par-     de criao dramtica que influen-
tir das teorias de Stanislavski* e de     ciou o teatro e o cinema dos Esta-
Meyerhold*, elaborou uma teoria da        dos Unidos dos anos 40. O grupo
criao do papel e da representao,      foi dissolvido em 1941.
chegando  concluso de que o va-
                                          grupo. Genericamente o elenco de
lor maior do teatro  acima do cine-
                                          atores, atrizes, tcnicos e diretores
ma e da televiso  seria o confronto
                                          reunidos para montar espetculos.
entre ator e espectador, tanto que seu
                                          De forma muito particular, o conjun-
"teatro pobre" era totalmente des-
                                          to de figuras reunidas e dispostas
pojado de tecnologia e de qualquer
                                          no final de um espetculo, de forma
elemento estranho ao espetculo,
                                          que todas sejam vistas pelos espec-
mostrado sempre a uma platia que
                                          tadores para os aplausos e agrade-
no excedia aos sessenta lugares.
                                          cimentos finais. Com a transforma-
Morreu na Itlia, aos 65 anos de ida-
                                          o do comportamento econmico,
de, no dia 14 de janeiro de 1999. V.
                                          que passou a tratar a produo tea-
Teatro Pobre.
                                          tral de forma empresarial, a idia de
Group Theater. Companhia de tea-          grupo foi dando lugar  de empresa.
tro norte-americana, fundada em           Ficaram na histria do teatro brasi-
1929, na cidade de Nova York, por         leiro grupos profissionais coman-
Harold Clurman (1901-1980), Lee           dados por Procpio Ferreira*, Jai-
Strasberg* e Cheryl Crawford (1902-       me Costa (1897-1967), Dulcina de
1986), com o objetivo principal de        Morais (1911-1996), Henriette
encontrar, atravs do teatro, respos-     Morineau (1907-1990).
tas aos grandes problemas que afli-
                                          guarda-roupa. 1. Conjunto dos
giam os Estados Unidos na poca. O
                                          vesturios e acessrios de um es-
Grupo trabalhava em equipe, segun-


                                      144
Guarnieri, Gianfrancesco                                                 gwee

petculo; figurino. 2. O profissio-      guidaiu. No teatro oriental tradicio-
nal de uma casa de espetculos, res-     nal, gnero kabuki*, o narrador que
ponsvel pelo acervo de roupas dos       fica sentado  direita do palco e a
espetculos.                             quem compete a enunciao total ou
                                         parcial dos dilogos ou monlogos,
Guarnieri, Gianfrancesco (1934-
                                         bem como das didasclias: " noi-
1234). Dramaturgo e ator brasileiro,
                                         te", "Ela fica triste", "Eles se abra-
nascido em Milo, Itlia. Encontra-
                                         am" etc.
se entre os mais importantes reno-
vadores do teatro brasileiro recen-      Guignol. Mistura de Pierr e Arle-
te. Um dos principais criadores do       quim, uma das mais importantes per-
Teatro de Arena* de So Paulo, no        sonagens do teatro de bonecos, na
final dos anos 50, realizou uma obra     Europa. Surgiu depois da Revoluo
dramtica de grande qualidade c-        Francesa, j no Imprio, e sua pri-
nica e potica, voltada principalmen-    meira apario foi no teatrinho de
te para a realidade poltica e social.   Laurent Mourguet (1769-1844), que
Sua estria como autor e ator deu-       havia se instalado no jardim chins,
se com a pea Eles no usam black-       em Paris, tornando-se mais tarde per-
tie (1958), escrevendo em seguida        sonagem tpica das marionetes
Gimba (1959), A semente (1961), O        lionesas. Guignol  nome de um dos
filho do co (1964). Em colabora-        principais personagens dos pupazzi
o com Augusto Boal*, escreveu          franceses; fantoches ou bonecos de
Arena conta Zumbi (1965), espet-        engono.
culo que assimilava algumas tcni-
                                         Grand-Guignol. Casa de espetcu-
cas brechtianas, tendncia que
                                         los, em Paris, onde s se apresentam
prosseguiu em Arena canta
                                         peas de terror, geralmente em um
Tiradentes (1967), Marta Sar (1968)
                                         ato; gnero de teatro horripilante.
e Castro Alves pede passagem
(1971), peas que introduziram na        gwee. Palco circular dos senegale-
encenao brasileira o Sistema Cu-       ses, com caractersticas prprias e
ringa.* Escreveu ainda Um grito          peculiares, que no deve ser confun-
parado no ar (1973) e Ponto de par-      dido com o teatro em crculo ou te-
tida (1976).                             atro de arena ocidentais.




                                     145
Hacks, Peter (1928-2003). Dramatur-       palco principal, olhos perdidos no
go alemo, fortemente influenciado        xtase do mien.
por Brecht*, cuja obra dialtica e
                                          Handke, Peter (1942-1234). Um dos
progressista favoreceu-lhe a
                                          mais notveis dramaturgos contem-
reinterpretao brilhante das hist-
                                          porneos, de origem austraca, que
rias populares de sua cultura, parti-
                                          traduz, na sua obra, a angstia da
cularmente em Der Mller von
                                          solido e da incomunicabilidade,
Sanssouci (1958).
                                          num estilo preocupado com a origi-
Hamlet. Personagem lendrio, pro-         nalidade e as criaes verbais.
tagonista de uma narrativa do his-
                                          happening. Forma parateatral situa-
toriador Sextus Grammaticus, His-
                                          da entre o que at ento se entendia
tria da Dinamarca do final do s-
                                          como arte dramtica e o fato real.
culo XII, que teria simulado loucura
                                          Espetculo nico, preparado, mas
para vingar seu pai, assassinado
                                          nunca repetido, o happening foi visto
pelo prprio irmo, Fengo. Shakes-
                                          pela primeira vez em outubro de 1959,
peare* transformou a lenda desse
                                          na Reuben Gallery de Nova York, com
prncipe da Dinamarca numa de suas
                                          a mostra dos Dezoito Happenings,
mais importantes tragdias, em cin-
                                          em seis quadros, de Allan Kaprow
co atos, cuja trama tem paralelos evi-
                                          (1927-1234). Constitudo de uma s-
dentes com a Orestade, de
                                          rie de acontecimentos baseados em
squilo*; Amleth.
                                          movimentos fsicos violentos e sen-
hanamichi. Passarela que atravessa        suais, difuso de sons, de luzes e de
a platia pelo lado esquerdo, nos         cheiros, a ao desenvolve-se num
espetculos do teatro kabuki*, indo       espao restrito, podendo estar cheio
do palco at a parte frontal do teatro,   de objetos utilizveis pelos partici-
convencionalmente conhecida como          pantes, sem que, entre eles, haja qual-
o "caminho da flor". Nessa espcie        quer prvio acordo. O espetculo
de ponte de ao, muitas vezes o          ignora a noo de tempo, podendo
personagem principal pra, ao som         acontecer em qualquer lugar, a qual-
crescente de tbuas percutidas no         quer hora, onde nada  exigido e nada
happening                                                             harmatia

 tabu, e  freqentemente acompa-        ta e certa agitao social. A manifes-
nhado de turbulentas discusses. O        tao, que  uma forma de agredir o
principal impulso dramtico do            espetculo subvencionado e o es-
happening consiste na preparao          pectador passivo, alm de se trans-
do pblico, deliberadamente maltra-       formar num meio de comunicao
tado, agredido e forado a participar,    interior, lembra que " preciso no
considerando-se que cada especta-         fugir da realidade, refugiando-se no
dor  parte da obra, assim como tam-      teatro, e sim fugir para a realidade".
bm se tornam protagonistas tanto         Segundo seus tericos, atuar sobre
o espao onde o evento est acon-         o pblico implica em duas intenes
tecendo, como os objetos utilizados.      distintas: distanciamento e participa-
O happening pode ser espontneo,          o. Em escala histrica, os grandes
formal, anarquista, e pode gerar ener-    centros desse tipo de manifestao
gia intoxicante, existindo por trs de    foram as cidades de Nova York e
cada manifestao o necessrio gri-       aquelas em que estavam Oldenburg,
to de "acorde". A idia comeou a         Lebel, Kaprow. E h tantas formas
ganhar o mundo a partir de 1960,          de happening quantos seus organi-
quando artistas de diversas nacio-        zadores. Nos Estados Unidos, des-
nalidades desencadearam uma srie         tacaram-se o professor de esttica e
de manifestaes com a inteno de        de histria da arte Allan Kaprow, o
fazer o espectador participar direta-     msico John Cage (1912-1992), os
mente dos eventos teatrais. Os obje-      pintores Robert Rauschenberg
tivos mais definidos eram: o livre fun-   (1925-1234) e Claes Oldenburg (1929-
cionamento da criao, a eliminao       1234); no Japo, Tarayame, lder do
do intermedirio entre artista e p-      Grupo Gutai; Jean-Jacques Lebel, na
blico, o fim do "patrulhamento cul-       Frana; Wolf Vostell (1932-1234),
tural" e a supresso da fronteira su-     Bazon Brock, na Alemanha; Hlio
jeito-objeto. Sinnimo de arte-vida       Oiticica (1937-1980), Flvio de Car-
ou arte-cotidiano, o gnero contou        valho (1899-1073), J. R. Aguilar (1941-
com vrios seguidores no mundo            1234) e o Oficina de Expresso Li-
inteiro, entre eles Jean-Jacques Lebel    vre, no Brasil. Do ingls to happen 
(1936-1234), um de seus mais ferre-       acontecer, passar-se.
nhos pontfices, que exigia que a arte
                                          Harlem, Dance Theater of. Com-
passasse literalmente para a rua: "que
                                          panhia de bal clssico fundada em
sasse do zoolgico cultural e se en-
                                          1971 por Arthur Mitchell (1934-
riquecesse com a contaminao do
                                          1234), primeiro bailarino do New
casual". Recorrendo  emoo pas-
                                          York City Ballet, e Karel Shook
sageira, o happening pretendeu de-
                                          (1920-1985), formada exclusivamen-
volver  atividade artstica o que lhe
                                          te de artistas negros.
haviam retirado: a intensificao dos
sentimentos, o papel dos instintos,       harmatia. Como est na Potica de
conferindo ao ato um sentido de fes-      Aristteles,  o erro de julgamento


                                      148
Harpago                                                    Heywood, Thomas

cometido pela personagem ao esta-         Heijermans, Herman (1864-1924).
belecer sua ao, causado por seu         Dramaturgo holands, fundador de
desconhecimento de alguns detalhes        um teatro engajado, dirigido contra
importantes na seqncia dos acon-        os estetas e os formalistas.
tecimentos anteriores. O reconheci-
                                          Heike, Monogatari. Obra pica ja-
mento do erro provoca a peripcia,
                                          ponesa, de autor desconhecido do
gerando a catstrofe.
                                          sculo XIII, que relata os combates
Harpago. Personagem da comdia           entre as famlias Taira (Heike) e
O avarento, do dramaturgo francs         Minamoto (Gengi). Muito popular,
Molire*, que simboliza a pessoa          marcou a evoluo da literatura ja-
sovina, avarenta. Harpagon.               ponesa e est nas origens do teatro
                                          do sculo XVII.
Hauptmann, Gerhart (1862-1946).
Dramaturgo alemo, introdutor do          Heldentenor. Gnero de tenor pico
naturalismo no teatro de seu pas.        alemo, exigido freqentemente para
Estreou com a pea Antes do ama-          as msicas de Richard Wagner.*
nhecer e celebrizou-se com Os te-
                                          hell. No teatro elisabetano, nome
celes (1892), drama sobre uma gre-
                                          de origem medieval dado ao ala-
ve de trabalhadores e um dos pri-
                                          po localizado no centro do palco,
meiros textos modernos em que o
                                          usado para efeitos teatrais; infer-
heri  a prpria multido annima.
                                          no, em ingls.
Influenciou, com o seu trabalho, o
teatro social do sculo XX. Foi lau-      Hellman, Lillian Florence (1905-
reado com o Prmio Nobel de Li-           1984). Dramaturga norte-americana
teratura em 1912.                         cuja obra se caracteriza pela crtica
                                          implacvel aos costumes americanos
Heavens. Palavra inglesa que signi-
                                          de sua poca, analisando os efeitos
fica cus, dada, no teatro elisabetano,
                                          da explorao e da ambio sem limi-
 cobertura do palco, cuja funo
                                          tes nas relaes pessoais, sociais e
principal era a de encobrir a maqui-
                                          polticas. Na sua produo, destaca-
naria da vista do pblico.
                                          se Calnia (1934), Perfdia (1941),
Hebbel, Friedrich (1813-1863). Dra-       entre outras.
maturgo alemo, responsvel pela
                                          heri. Principal personagem de um
renovao do sentimento trgico na
                                          texto teatral; protagonista.
literatura dramtica alem.  bastan-
te significativa a sua produo, em       Heywood, Thomas (1574-1641). Ator
que se destacam textos como Judite        e dramaturgo ingls, que produziu
(1840), Maria Madalena (1843),            para o teatro elisabetano mais de 200
Giles e seu anel (1855). Celebrou em      peas, das quais apenas 23 so co-
sua trilogia dos Nibelungen (1861/        nhecidas em nossos dias. Escreveu
1862) a vitria do cristianismo sobre     comdias, dramas e uma Defesa dos
o paganismo.                              atores (1612).



                                      149
hierodrama                                                             hora

hierodrama. Drama cujo enredo se      Europa. Os histries apresentavam-
baseia na histria dos santos;        se nas ruas, praas, residncias par-
oratrio.                             ticulares e at mesmo em palcios,
                                      com a finalidade nica de alegrar o
Hilbert, Jaroslav (1817-1936). Dra-
                                      ambiente, provocando o riso fcil
maturgo tcheco, renovador do tea-
                                      com seus ditos e suas infinitas habi-
tro no seu pas, onde implantou uma
                                      lidades. Em princpio, eram apenas
corrente naturalista. Entre suas
                                      bailarinos e pantomimos, e sua lin-
obras, so destacveis: O erro
                                      guagem era ininteligvel. Os primei-
(1896), O ninho na tempestade
                                      ros a serem assim chamados foram
(1919).
                                      os atores etruscos, que fizeram re-
himation. Traje usado normalmen-      presentaes de fbulas ou farsas
te pelos homens, na Grcia Antiga,    com fins religiosos, em Roma, no ano
que consistia numa capa longa e vo-   de 364; divertidor; bufo; farsista;
lumosa jogada por cima do chiton*     palhao; aquele que faz rir; comedi-
ou, ocasionalmente, sobre a pele      ante cmico.
nua, adotada pelo teatro.
                                      hora. "Est na hora!" Grito corriquei-
histrio. Categoria de ator surgido   ro nas platias de teatro, quando o
em Roma, durante a Idade Mdia, e     espetculo est passando da hora
logo se disseminando por toda a       marcada para comear.




                                  150
Io (Ion). Rapsodo, natural de feso,   nacionalista, aderindo logo depois
vencedor de vrios festivais de tea-    ao realismo, quando apresentou de
tro em toda a Hlade, personagem        forma crtica os dilemas morais de seu
do dilogo platnico Io, recebendo     tempo. Em suas peas, os valores
de Scrates o ttulo de divino, como    ticos do individualismo liberal en-
intrprete dos intrpretes de Homero.   tram em conflito com as presses e
                                        as convenes oriundas da organi-
Ibsen, Henrik (1828-1906). Dramatur-
                                        zao social. Apologista da alegria
go noruegus, foi o renovador do
                                        de viver, em luta contra a tristeza re-
teatro em seu tempo e criador do mo-
                                        ligiosa da conscincia individual,
derno drama realista. Sua vida e obra
                                        escreveu peas com tendncias filo-
so marcadas pela luta contra as con-
                                        sficas e sociais, nas quais exaltava
venes sociais, pregando fervoro-
                                        o individualismo como opo de
samente a antiga concepo natura-
                                        vida. Seus primeiros sucessos de
lista da vida humana. Aps uma ado-
                                        pblico e crtica foram as peas po-
lescncia marcada pela misria, tor-
                                        ticas idealistas Brandt (1866) e Peer
nou-se diretor de cena do Teatro Na-
                                        Gynt (1867), em que ataca a hipocri-
cional de Bergen (1851), fase em que
                                        sia, louvando o individualismo e a
escreveu dramas histricos que lhe
                                        recusa ao comprometimento, consi-
valeram uma bolsa de estudos na
                                        deradas precursoras do teatro
Alemanha e na Dinamarca. Por volta
                                        expressionista. Peer Gynt tornou-se
de 1856, assumiu a direo do novo
                                        um dos clssicos do sculo XIX, ga-
Teatro de Cristinia, quando ence-
                                        nhou msica de seu compatriota
na Os vikings de Helgeland, drama
                                        Edvard Grieg (1842-1907), a primeira
histrico baseado nas sagas
                                        trilha sonora para uma obra dramti-
islandesas e que caracteriza esse
                                        ca. Ibsen aderiu em seguida a uma
perodo de produo, marcado por
                                        forma peculiar de realismo, em que
uma tendncia romntica, carregada
                                        revelou criticamente os dilemas mo-
de nacionalismo. Comeou sua car-
                                        rais de seu tempo. Poucos dramatur-
reira de dramaturgo escrevendo pe-
                                        gos atingiram domnio to perfeito
as enquadradas num romantismo


                                    151
iluminao                                                              imitao

da tcnica teatral como Ibsen, que         quando o espetculo foi definitiva-
influenciou toda uma gerao de es-        mente encerrado num ambiente fe-
critores, exercendo grande fascnio        chado e criado o proscnio, o uso da
sobre encenadores do sculo XX,            luz foi sendo sofisticado, passando-
que acabaram, na dcada de 20, des-        se a usar velas e lamparinas de azei-
cobrindo seus escritos da primeira         te, mais tarde (sculo XIX) substitu-
fase. Entre suas obras, merecem des-       das pelo gs, dando vez  diversifi-
taque Casa de bonecas (1879), Os           cao dos locais de onde partiam
espectros (1881), O inimigo do povo        essas fontes de luz, criando-se en-
(1882), O pato selvagem (1884),            to as gambiarras (que iluminavam
Hedda Gabler (1890).                       do alto), os tanges (laterais) e a ri-
                                           balta (ao nvel do piso do palco), que
iluminao. 1. Conjunto de luzes ou
                                           no tinham ainda a funo de criar
pontos luminosos que servem para
                                           ambiente ou efeitos especiais, mas
realar o espetculo, e no apenas
                                           simplesmente iluminar a cena. S
torn-lo visvel para a platia. 2. Tc-
                                           com a luz eltrica, na segunda meta-
nica de dispor as luzes em cena, de
                                           de do sculo XIX, e graas a Richard
acordo com um plano pr-elabora-
                                           Wagner*, a luz comeou a ter impor-
do.  A boa iluminao teatral tem
                                           tncia esttica. Wagner no s pas-
vrias funes simultneas, alm
                                           sou a pensar na funo esttica da
daquela de clarear a cena: ajuda na
                                           iluminao, como escureceu a pla-
criao do estilo e do "clima" de um
                                           tia ao longo dos espetculos, cri-
espetculo, contribui para a compo-
                                           ando o clima ilusionista e dando a
sio do quadro cnico, transmite
                                           sensao de hipnose ao espetculo.
informaes, enfatiza situaes, in-
                                           Mas foi um outro alemo genial, Max
tensifica ou conserva interesses, en-
                                           Reinhardt (1873-1940), no incio do
tre outros aspectos. A iluminao
                                           sculo XX, que iria fazer uso dos re-
teatral, com os valores atuais, s co-
                                           fletores, projetores de luz, lanternas
meou a se desenvolver a partir do
                                           de horizonte, como meio para criar
momento em que o espetculo saiu
                                           clima e conferir qualidade esttica ao
do espao aberto, segundo a tradi-
                                           espetculo.
o, para o interior de um edifcio, no
incio do sculo XVII. At ento as        iluminador. Profissional que cria e
peas eram encenadas ao ar livre,         faz funcionar a iluminao do espe-
luz do dia, usando-se tochas ou            tculo, a partir de um projeto de par-
lamparinas para indicar que a cena         ceria com o diretor do espetculo, o
transcorria durante a noite. No pe-        figurinista e o cengrafo.
rodo barroco j se defendia o princ-
                                           iluminar em resistncia. Clarear a
pio de que o palco deveria ser ilumi-
                                           cena gradualmente, a partir do zero.
nado durante o espetculo, enquan-
to a platia permaneceria s escuras,      imitao. Pea decalcada no assun-
idia que s foi posta em prtica no       to de outra, seja seguindo-lhe a or-
sculo XIX. A partir do sculo XVII,       dem integral do enredo, seja fazen-


                                       152
impertubvel                                                            ingnua

do-lhe ligeiras alteraes; o mesmo        indumentria. Termo genrico para
que arremedo.                              as roupas de poca usadas num es-
                                           petculo. O conceito de indument-
imperturbvel. Em linguagem te-
                                           ria data do momento em que o teatro
atral, diz-se que o texto est "imper-
                                           deixou de usar as roupas do cotidia-
turbvel", quando j se incorporou
                                           no nos espetculos, por volta de
ao intrprete, a ponto de os lbios,
                                           meados do sculo XIX.
lngua e ouvidos dos atores, de to
familiarizados com as palavras e fra-      inner stage. O espao interior, ao
ses de seu papel, funcionarem, quer        fundo do palco elisabetano.*
escutando ou falando, sem quase ne-
                                           inferior. Rubrica, no texto, para indi-
nhum esforo de memria.
                                           car se uma personagem est mais
implantao de cena. Desenho que           para a frente em relao a outra, ou
o diretor do espetculo faz no cho        em relao a um mvel ou outro
do palco ou da sala de ensaios, indi-      adereo de cena.
cando a posio dos elementos do
                                           infinito. Rotunda de pano azul-ce-
cenrio, visando a marcao dos
                                           leste, armada no fundo do palco, e
movimentos dos atores.
                                           cuja finalidade, quando convenien-
impostao (de voz). 1. Tcnica de         temente iluminada,  representar o
bem colocar e projetar a voz. 2. Nvel     horizonte; o mesmo que ciclorama.
e diapaso com que a voz do/da in-          Parede do infinito. Parede do fun-
trprete deve ser emitida, para que o      do da caixa do teatro; ciclorama.
texto seja entendido pelo pblico. 3.
                                           inflexo. A tonalidade, altura e modo
A forma e o estilo com que o espet-
                                           com que o/a intrprete emite suas
culo  montado. 4. A maneira dada
                                           falas.
pelo/a intrprete a seu papel.
                                           ingnua. 1. Tipo, na velha escola
INACEN. Sigla do Instituto Nacio-
                                           de "representar", simbolizado pela
nal de Artes Cnicas, criado em 1981,
                                           jovem entre 16 e 20 anos, de voz
para substituir o Servio Nacional de
                                           suave, gestos serenos e discretos,
Teatro, assumindo a estrutura e to-
                                           cheia de recatos e ingnuas inten-
das as atribuies deste, absorven-
                                           es. Foi um tipo largamente usa-
do tambm as reas do circo, da dan-
                                           do para simbolizar as personagens
a e da pera.
                                           femininas quase sempre vtimas de
incidente. Expresso de uso na             algum malefcio social. O tipo era
dramaturgia clssica, para qualificar      freqente nos gneros comdia,
parte constitutiva da intriga e, por       Alta Comdia* ou drama. 2. Atriz
vezes, um acontecimento secund-           normalmente jovem, de certa atra-
rio  ao principal. Hoje, fora de uso,   o fsica, que se especializava na
foi substituda pelos termos motivo,       interpretao de "donzelas amoro-
peripcia, episdio ou acontecimen-        sas e pudicas".
to da ao.


                                       153
ingresso                                                      Ionesco, Eugne

ingresso. O bilhete que d ao espec-      traduz em linguagem visual e auditiva
tador o direito de assistir ao espet-    as palavras e os silncios do texto
culo; entrada.  Ingresso de favor.        dramtico, conferindo "vida"  per-
Convite.                                  sonagem proposta pelo dramaturgo.
                                          3. Desempenho do ator em cena.
Innamorato. O mesmo que Amoro-
so*, atribudo ao personagem jovem,       interpretar. Traduzir em gestos, ati-
apaixonado, na Commedia dell'Arte,        tudes e sons o texto literrio criado
cujos amores esbarravam na oposi-         pelo dramaturgo, transformando-o
o dos mais velhos.                      em coisa viva; representar.
integrao de elenco. Expresso cri-      intrprete. O profissional respons-
ada pelo dramaturgo e terico de te-      vel pela criao artstica da persona-
atro brasileiro Augusto Boal*, e que      gem imaginada pelo dramaturgo; ar-
identifica um tipo de exerccio para      tista que interpreta e representa uma
atrair e estimular um elenco de no-      personagem num palco; o ator ou
atores (operrios, estudantes, cam-       atriz no desempenho de sua funo.
poneses) a representar. Na prtica,       Segundo os tericos,  o "profissio-
mais se parece com um jogo de salo       nal que v sua personagem com ti-
que com um laboratrio artstico.         ca prpria, corporificando-a de acor-
                                          do com sua viso pessoal". Alguns
interior. O mesmo que gabinete.
                                          tericos fazem grande diferena en-
interldio(s). Gnero dramtico sur-      tre intrprete e comediante. V. Ator.
gido nos fins do sculo XV, consti-
                                          intervalo. Tempo sem nenhuma ao
tudo de debate dramatizado, de cu-
                                          no palco, que transcorre entre os atos
nho folgazo e agrosseirado, cujas
                                          ou quadros de um espetculo, ne-
personagens eram os tipos caracte-
                                          cessrio para mudanas de cenri-
rsticos da sociedade: o boticrio, o
                                          os ou outras alteraes.
peregrino, o lavrador, o proco, etc;
entreato.                                 intriga. Na estrutura dramtica de
                                          uma pea, o elemento que se segue 
intermdio. 1. Trecho dramtico-
                                          exposio e culmina no clmax e no
musical, de origem italiana, interca-
                                          desenlace, durante o qual se desen-
lado entre os atos de uma pea tea-
                                          volvem os caracteres e incidentes
tral, pera, etc., e cuja origem re-
                                          imaginados pelo dramaturgo; enre-
monta ao sculo XVI. 2. Ato varia-
                                          do; trama.
do que pode acontecer nos interva-
los de uma pea, em rcitas extraor-      introdutor. Parte integrante da ao
dinrias. 3. Monlogos para serem         dramtica de um texto, introdutrio
declamados em festivais, saraus, en-      do assunto, diferente do prlogo*
tre os atos de uma pea; entreato;        e tambm conhecido pelo nome de
intermezzo. Prtica fora de uso.          exposio.
interpretao. 1. Arte e tcnica de re-   Ionesco, Eugne (1912-1994). Dra-
presentar. 2. Tcnica pela qual o ator    maturgo francs de origem romena,

                                      154
Ionesco, Eugne                                            Ionesco, Eugne

dos mais destacados e significati-     ra da linguagem, o absurdo da exis-
vos do chamado Teatro do Absur-        tncia e das relaes sociais, abor-
do.* Iniciou sua carreira dramtica    dando as paranias da poltica e mer-
em 1950, com a pea em um ato A        gulhando fundo no universo
cantora careca, inspirada em suas      pardico do simbolismo, de onde
primeiras tentativas de aprender in-   emergiu com o clssico O rinoce-
gls, usando um curso de aulas gra-    ronte (1959), onde explora com
vadas. Utilizando alguns meios do      genialidade a viso absurda da exis-
teatro dada e surrealista, Ionesco     tncia. Sua obra densa e de esttica
escreveu a princpio algumas obras     peculiar  bem recebida em todo o
curtas, marcadas pelo humor gro-       Ocidente. Pedestre do ar (1963) e A
tesco e pelo clima obsessivo, entre    sede e a fome (1965) so exemplos
elas A lio (1951), As cadeiras       disso. Seus temas prediletos giram
(1952) A vtima do dever (1953),       em torno do carter incompreens-
Jacques ou a submisso. Em 1959,       vel das relaes humanas, o medo
iniciou uma segunda fase de sua        da morte, o aspecto tragicmico e
produo, ainda de carter anti-rea-   absurdo da existncia, a presso das
lista, quando denunciou a impostu-     convenes sociais.




                                   155
Jacopo, Peri (1561-1633). Composi-         dentes, ao mesmo tempo tentando
tor e cantor italiano, criador do estilo   encobrir um do outro. De extrema
representativo ou recitativo na m-        comicidade, a farsa terminava quan-
sica, inspirando-se para isso na reci-     do um dos pretendentes descobria
tao lrica dos gregos, dando ori-        a trama.
gem  pera.
                                           Joo Minhoca. Teatro de fantoches
jardim. Expresso de uso corrente          muito popular na cidade do Rio de
na linguagem tcnica das monta-            Janeiro, entre os anos de 1880 e 1890.
gens dos espetculos na Frana, in-        O nome vem do apelido do proprie-
dicando o lado esquerdo do palco.          trio de um desses grupos, que mos-
A terminologia teve origem no s-          trava seus espetculos no mais im-
culo XVIII, na Comdie Franaise,          portante dos teatros do Rio, na po-
quando, para encenar seus espet-          ca, o Politeama, situado  Rua do
culos, o elenco utilizava a sala das       Lavradio. V. Mamulengo.
Tulherias, cujo palco, do lado es-
                                           jogo. Uma das mais antigas compo-
querdo, dava para o jardim do pal-
                                           sies dramticas da Idade Mdia,
cio, enquanto o direito, para o p-
                                           cujas ocorrncias mais significativas
tio. No lugar do clssico  direita
                                           foram registradas na Alemanha, Fran-
ou  esquerda, usavam jardim ou
                                           a e Espanha. Era constitudo de bre-
ptio. V. Ptio.
                                           ves dilogos, cenas ou recitaes e
jarni. Espcie de juramento que os         representaes em praa pblica, por
autores cmicos franceses do scu-         trovadores e jograis.  Jogo s aves-
lo XIV punham na boca de suas per-         sas. Esttica criada pelo terico e
sonagens camponesas. Corruptela            encenador russo Meyerhold*, que
de je rnie (eu renego).                   induzia o/a ator/atriz a abandonar
                                           subitamente seu trabalho de inter-
Jilt. Personagem tpica do teatro in-
                                           pretao para interpelar o pblico e
gls no perodo da Restaurao. Era
                                           lembr-lo de que ele/ela, ator/atriz,
figurada por uma mulher que aceita-
                                           estava apenas representando uma
va os galanteios de vrios preten-
                                           personagem fictcia, e que na reali-
jogral                                                                jornada

dade o espectador e ele/ela eram cm-     tante para a secularizao do teatro
plices naquele ato.  Jogo de cena.        medieval e para a profissionalizao
Maneira como o/a artista se movi-         do ator.
menta em cena, segundo as exign-
                                          Jonson, Benjamin, dito Ben (1572-
cias do papel.  Jogo cnico. O con-
                                          1637). Dramaturgo ingls, conheci-
junto orgnico das marcaes de um
                                          do por suas stiras  ambio huma-
espetculo, incluindo a movimenta-
                                          na. Autor de masques  forma de es-
o dos atores, dilogos, jogos de
                                          petculo corteso , comdias e tra-
luzes, cenrios, diviso das cenas,
                                          gdias, esteve preso por vrias ve-
dos atos, o ritmo, a atmosfera do es-
                                          zes, acusado de produzir textos se-
petculo, e at mesmo os intervalos.
                                          diciosos ou ofensivos  moral e ao
 Jogo fisionmico. Maneira como
                                          rei, sendo que uma dessas prises
o/a intrprete deixa transparecer no
                                          deu-se por ter morto um ator em du-
rosto, mesmo quando nada tenha a
                                          elo. Mesmo assim, gozava dos favo-
dizer, o que possa estar se passando
                                          res do Rei Jaime, tendo colaborado
na alma de sua personagem.
                                          bastante com Inigo Jones* na mon-
jogral. 1. Na Idade Mdia, o trova-       tagem de peas para a corte. Seu pri-
dor ou intrprete de poemas e can-        meiro sucesso foi Cada um a seu
es de carter pico, romntico ou       modo (1598), representado pelo elen-
dramtico; espcie de ator ambulan-       co de Shakespeare*, de quem se tor-
te que percorria cidades e povoa-         naria amigo ntimo, e quando revela
dos, cantando e recitando em pra-         sua grande capacidade para compor
as pblicas para o povo ou nas           stira dramtica, apresentando per-
cortes senhoriais. O jogral era ao        sonagens dominadas por um tipo
mesmo tempo instrumentista, baila-        particular de humor ou paixo. Suas
rino e cantor. 2. Aquele que inter-       comdias de caracteres, como
preta poemas ou canes; recitador;       Volpone (1606) e O alquimista
declamador; trovador.                     (1610), consideradas as mais not-
                                          veis da Renascena inglesa, consa-
Jones, Inigo (1573-1652). Arquiteto
                                          gram-no para sempre. Dedicou-se
e cengrafo ingls, que revolucio-
                                          tambm  renovao da masque, in-
nou o teatro da Inglaterra, a partir de
                                          troduzindo a antimasque, pardia a
1565, quando assumiu a cenografia
                                          esse gnero, que desfrutou de gran-
de uma srie de espetculos para a
                                          de popularidade no reinado de Jaime
corte e introduziu o cenrio pintado
                                          I. Sua pea A feira de So
 italiana no arco do proscnio.
                                          Bartolomeu garantiu-lhe uma pen-
jongleur. Em francs, o menestrel,        so real.
ao longo da Idade Mdia, que, indi-
                                          jornada. Designao para o ato, no
vidualmente ou participando de um
                                          teatro espanhol, durante o sculo XV.
jogral, recitava canes, acompa-
                                          Quem primeiro usou a palavra nesse
nhado de algum instrumento musi-
                                          sentido foi o dramaturgo espanhol
cal. Essa ocorrncia contribuiu bas-


                                      158
jruri                                                                  juno

Cristbal de Virus (1550-1609), na sua   do uma nova teoria da interpretao,
pea Dido (1580). O drama religioso       perodo em que encenou os primei-
ao longo da Idade Mdia, em toda a        ros sucessos de Jules Romains
Europa, usava essa mesma expresso,       (1885-1972), Jean Giraudoux (1882-
no mesmo sentido. O intervalo entre       1944) e Jean Anouilh (1910-1987), or-
duas jornadas podia variar entre uma      ganizando, logo em seguida, o
e vinte e quatro horas.                   Cartel*, em colaborao com Gaston
                                          Baty*, Charles Dullin* e Georges
jruri. V. Bunraku.
                                          Pitoff.* Em 1936, com a montagem
Jouvet, Louis (1887-1951). Ator e di-     de Escola de mulheres, de Molire*,
retor de teatro francs. Foi colabora-    revolucionou a abordagem dos cls-
dor de Jacques Copeau* na compa-          sicos franceses.
nhia do Vieux-Colombier (1912/17).
                                          juno. Ato de juntar os solistas e
A partir de 1992, instalou-se no
                                          coros nos ensaios de peras,
Thtre des Champs-Elyses, crian-
                                          operetas e revistas musicais.
do seu prprio repertrio e elaboran-




                                      159
kabuki. Gnero tradicional de tea-      va, na sua origem, a ser uma pea
tro japons, que mistura canto, dan-    dramtica, mas um gnero de dana
a e mmica, surgido no sculo          primitiva, conhecida pelo nome de
XVI, na era Keich (1596 -1615), em     nembustsu-odori, ou "dana da pre-
contraposio ao n.  o resultado      ce". Okuni se apresentava sem ms-
da fuso de duas expresses mais        cara, com maquiagem carregada, de
antigas: o kygene, interldios c-     cor branca, vestia quimonos iguais
micos representados nos intervalos      aos samurais, e portava um par de
das representaes do n, e do          sabres, entoando cnticos budistas
Bunraku*, a arte das marionetes.        e requebrando-se sensualmente.
Desenvolvido numa poca em que          Em outros momentos, ornamenta-
os mercadores se tornavam cada vez      va-se com uma cruz dourada, usava
mais poderosos, os dramas do g-        um chapu de pele de castor, man-
nero exprimem, de um modo geral,        tos de veludos e outras peas de te-
as emoes e as aspiraes de uma       cidos estranhos a um pas que s
classe em conflito com o regime feu-    produzia algodo e seda. Florescen-
dal. Caracteriza-se pelo realismo dos   do em Quioto e Edo, atual Tquio,
argumentos e dos dilogos, pelo uso     adotava o estilo segundo o carter
amplo do canto e da dana de ori-       da atividade predominante em cada
gem folclrica e de indumentrias de    um dos centros onde ocorria. O es-
gosto popular. As peas, de enredo      tilo wagoto, por exemplo, pratica-
muito complexo, so conhecidas          do em Osaca, centro de atividade
pelo nome de kyugeki ou "peas da       comercial,  suave, refletindo a ati-
escola antiga" e dramatizam tanto as    vidade mais corts e realista do co-
histrias tradicionais como os even-    merciante. Em Edo, centro do go-
tos contemporneos, de maneira          verno militar guerreiro-cidado, a
estilizada e exuberante. Criado por     manifestao  altamente estilizada
Okuni, atriz e ex-sacerdotisa ligada    e mais violenta. A partir de 1629,
ao templo Izumo-Taixha, em Quioto,      devido a uma regulamentao ofici-
capital do antigo Japo, no chega-     al que proibia a participao da mu-
kabuki                                                                 katsura

lher nos palcos dos teatros, passou      tculos kabuki, em Tquio, locali-
a ser representada por artistas mas-     zada no bairro de Ginza. Ainda mui-
culinos, os onogata*, pacientemen-       to popular na atualidade, o kabuki
te preparados pela prpria famlia       exerceu forte influncia sobre o te-
para esse mister desde o comeo de       atro ocidental.
sua infncia. A partir da presena
                                         kantata. Gnero de teatro praticado
dos homens, passaram a ser incor-
                                         na frica Ocidental  Togo, Gana 
porados elementos do n, enrique-
                                         sob a influncia da Igreja Catlica,
cendo-se o texto com um enredo.
                                         onde fragmentos da Bblia so asso-
Apia-se na figura do ator, cujo cor-
                                         ciados ao contexto scio-cultural
po funciona como ncleo da ence-
                                         africano.
nao, como verdadeiro feixe de sig-
nos. Como grande parte dos textos        Karags. Personagem tpico do tea-
so inspirados nos do teatro de ma-      tro de bonecos, na Turquia. Trapa-
rionetes, a voz do ator no  natural,   lho, hipcrita, brutal, egosta, libi-
e sua entonao, ritmo, velocidade       dinoso, vive enganando a todos e
ou intensidade, variam abruptamen-       distribuindo pancadaria a torto e a
te ao sabor de modulaes exagera-       direito. Mente descaradamente, no
das, que vai dos tons mais surdos        tem escrpulos de qualquer espcie,
aos mais agudos, do mais baixo ao        e sua sensualidade  anormal, sendo
mais alto. Os cenrios e as caracteri-   a luxria sua principal caracterstica.
zaes so extraordinariamente so-       Calvo, ostenta um ventre descomu-
fisticados, e o simbolismo por eles      nal, uma corcunda proeminente e
representados tem significados pr-      um rgo sexual monstruoso. Seu
prios, conhecidos antecipadamente        companheiro inseparvel  Hacivad,
pelo pblico. At ento, cerca de 20     tipo astucioso que sabe de tudo, co-
mil peas no gnero j foram produ-      nhece tudo, v tudo, j estudou tudo
zidas, s no Japo. O gnero firmou-     e experimentou todas as coisas do
se no princpio do sculo XVIII, com     mundo, mesmo assim levando sovas
o aparecimento de Chikamatsu             homricas porque todos os servios
Monzaemon (1653-1724), considera-        que tenta prestar a seu amo e parcei-
do por muitos o Shakespeare japo-        ro do errado.
ns. De origem popular, o kabuki
                                         kathakali. Gnero de teatro origi-
persegue o maravilhoso, importan-
                                         nrio do sul da ndia, considerado
do to-somente a viso potica que
                                         como de origem divina. Faz uma
possa proporcionar, muito mais do
                                         mistura esttica de dana, mmica e
que a estrutura intelectual ou a men-
                                         canto, que se junta a um texto dra-
sagem sentimental. O palco tradici-      mtico, cujos temas so extrados
onal onde  apresentado  girat-        do Ramayana e Mahabharata.
rio, amplo, prprio para a livre ex-
presso dos bailarinos. Em 1889, foi     katsura. As perucas usadas no tea-
inaugurada a grande casa de espe-        tro kabuki*, que do as caractersti-



                                     162
Kazan                                                               korombo

cas sociais das personagens e lhes      V a. C., o lugar  mirador  destinado
conferem uma dimenso de supra-         ao pblico, equivalente  platia dos
realidade. O uso ou a ausncia de       dias atuais. Tinha normalmente a for-
tranas, flores ou outros adornos       ma de um anfiteatro, com degraus que
distinguem a cortes de um repre-       envolviam o crculo central, a
sentante da nobreza e da princesa, o    orchestra; platia.
tipo traioeiro do heri.
                                        komos. Expresso grega que deu
Kazan, Elia Kazanjoglus, dito Elia      origem  palavra comdia e servia
(1909-1234). Terico e encenador        para caracterizar um cortejo grotes-
americano, de origem turca, fundou      co em honra a Dioniso. Seus parti-
em 1947, com Lee Strasberg* e           cipantes, instalados no alto de car-
Cheryl Crawford (1902-1986), o          ros ou caminhando a p, excitados
Actor's Stdio, que seria uma esp-     pelo vinho farto, saltavam alegre-
cie de celeiro de uma nova esttica     mente, produziam algazarra, disfar-
de representar, formando atores para    am-se, imitavam gestos e vozes,
uma nova dramaturgia americana. O       zombavam de defeitos, inventavam
ncleo funcionou sob a inspirao       e deturpavam cnticos e danas,
dos ensinamentos do terico russo       num ritual muito parecido com o car-
Konstantin Stanislavski* e marcou       naval de rua no Brasil, sobretudo
profundamente o teatro e o cinema       Olinda, Pernambuco, e So Lus, no
americano do Ps-Guerra.                Maranho.
ki. Plaquinhas de madeira, em for-      korombo. Expresso usada pelo n
ma quadrada, usada no gnero            medieval japons, gnero corteso,
kabuki*, para chamar a ateno da       para designar o servidor de cena, uma
platia a momentos importantes da       espcie de contra-regra do teatro oci-
ao, ou fazer o espectador voltar      dental. Trajando, normalmente, ves-
seu interesse para o espetculo.        te preta, exercia inmeras funes
Isto, porque houve um tempo em          durante o espetculo, todas elas 
que era freqente os espectadores       vista do pblico, que convencional-
esquecerem do que estava ocorren-       mente ignorava sua presena, tais
do no palco, conversando entre si,      como: pontar o texto para os atores,
comendo ou bebendo. Com as pla-         endireitar a roupa e arranjar a cabe-
quinhas duras, algum dava batidas      leira dos que interpretavam os pa-
espaadas ou frenticas noutra pla-     pis femininos aps as cenas patti-
ca metlica, sonora.                    cas, apanhar objetos jogados ou es-
knockabout. Gnero de espetculo        quecidos sobre o palco  lanternas,
ingls demasiadamente barulhento e      leques, vestes, utenslios que foram
profundamente turbulento.               usados , conduzir as cabeleiras, ar-
                                        mas e capas aps as "batalhas" e
koilon. Palavra do grego arcaico para
                                        jogar sobre o "cadver" do heri,
designar, na primitiva arquitetura do
                                        caso ele "morresse" em cena, um xale
edifcio teatral, por volta do sculo


                                    163
koteba                                                                 kyogen

preto, proteo que dava direito ao       kumadori. Nome dado  mscara de
"morto" de se levantar e sair corren-     tinta espessa que os artistas japo-
do de cena; kurombo. A figura, com        neses do teatro kabuki* pintam, com
a mesma funo, ocorre no gnero          cores vivas, diretamente sobre o ros-
kabuki*, com a designao de              to, para suas representaes. As co-
kurogo.                                   res, habilmente combinadas, tm
                                          significado prprio. Assim, o ver-
koteba. Uma das formas tradicionais
                                          melho alternando com o negro, em
do teatro de Mali, frica, praticado
                                          curvas simples,  sinal do guerreiro
por aldees e lavradores nos pero-
                                          leal e valente. O cinza tingindo o
dos das secas. As peas encenadas
                                          azul, acompanhando verdes dbios,
dramatizam acontecimentos da vida
                                           o nobre malfico. O azul plido
das aldeias ou o relacionamento en-
                                          que contorna o escarlate dos lbios
tre os nativos e as autoridades. O
                                           o fantasma vingativo e aterroriza-
espetculo sempre comea com uma
                                          dor. Essa prtica no s qualifica as
forma de procisso em que os atores
                                          personagens, como cria atmosfera.
caminham lentamente pelo palco,
cantando, para convencer os espri-       kurogo. V. Korombo.
tos a deixarem o local livre s para os
                                          kyogen. Pequena farsa ou entremez
humanos.
                                          cmico do teatro japons, cujos te-
                                          mas se baseiam nas lendas e nos
                                          contos populares.




                                      164
Labiche, Eugne Marie (1815-1888).        lambrequim. Fralda ornamental que
Comedigrafo francs, um dos              pende da parte superior da boca de
mestres do vaudeville, autor de           pera, por dentro da parede que, em
mais de cem obras cmicas, nas            algumas situaes, pode servir para
quais as confuses e os qipro-           aumentar ou reduzir a altura da boca
qus se sucedem num ritmo                 de cena. Em algumas casas de espe-
alucinante, e o bom senso burgus         tculos, esse ornamento aparece
se mistura  observao saborosa          como uma estreita salincia, traba-
do ridculo.  um dos mais impor-         lhado em madeira, massa ou metal,
tantes autores do seu tempo, e seu        que se destaca no alto da fachada
humor reflete por vezes sobre o           do palco; pequena sanefa que orna
sentido da vida. Iniciou sua carrei-      o arco do proscnio; montalqum.
ra em 1838, com O senhor de
                                          land art. Momento efmero da ativi-
Coyllin (1838) ou o homem extre-
                                          dade teatral, que aconteceu sobre-
mamente polido. Sua carreira pros-
                                          tudo nos Estados Unidos, nos anos
seguiu, levando a farsa ao apogeu,
                                          70 do sculo XX, e era uma forma de
com peas como Um chapu de
                                          aprovar ou desaprovar uma atitude
palha da Itlia (1851), A viagem
                                          governamental com frases ou ges-
do senhor Perrichon (1860), Poei-
                                          tos improvisados, aproveitando uma
ra nos olhos (1861), A coleta (1864),
                                          concentrao poltica.
A gramtica (1867). V. Farsa.
                                          Lang, Jack (1939-1234). Terico e
lado. As laterais de uma cena ou ce-
                                          animador do teatro na Frana, cria-
nrio, para efeito do trabalho de mar-
                                          dor, em 1964, do Festival de Nancy,
cao. A nomenclatura italiana e fran-
                                          direcionado s para estudantes, inau-
cesa difere da anglo-americana. A
                                          gurado com o grupo americano
prtica europia se refere  direita ou
                                          Bread and Puppet* e pelo mexicano
 esquerda da platia, enquanto a
                                          Los Campesinos. Em 1967, o Festi-
anglo-americano designa a direita ou
                                          val  aberto aos grupos de todos os
a esquerda do ator colocado de fren-
                                          segmentos, inclusive profissionais.
te para a platia.


                                      165
lanterna mgica                                                          lazzo

Interessado em fazer arte para crian-   cortando o horizonte, etc. Elemento
as, funda em 1973, com sua mulher,     j fora de uso.
Christiane Dupavillon, e com o en-
                                        laudi. Gnero teatral italiano sur-
cenador Antoine Vitez (1930-1990),
                                        gido na segunda metade do sculo
o Teatro Nacional das Crianas. Fiel
                                        XIII, constitudo de cnticos de
 sua esttica da mitologia quotidia-
                                        louvor religioso que os frades e o
na e da politizao, prope ao pbli-
                                        povo entoavam pelo campo e pe-
co jovem obras "comprometidas" e
                                        las ruas das cidades, servindo-lhes
at mesmo esquerdizantes. Por duas
                                        de tema os fatos dos evangelhos,
vezes, Jack Lang foi ministro da Cul-
                                        os milagres de Nossa Senhora e a
tura da Frana. Nessa condio, or-
                                        vida dos santos.
ganizou as festas do centenrio da
Revoluo Francesa e foi respons-      lazzi. Pantomimas cmicas do teatro
vel pela construo da pera da         italiano, ou pequenas peripcias im-
Bastilha, da Biblioteca da Frana e     provisadas, destinadas a tornar mais
do Grande Louvre.                       alegre e engraado o espetculo, evi-
                                        tando que a ao all'improviso se
lanterna mgica. Gnero de espet-
                                        perdesse na monotonia. Conhecidas
culo teatral que rene uma ou vrias
                                        desde a Comdia dell'Arte clssica
fitas cinematogrficas projetadas
                                        e Molire, consistiam normalmente
sincronizadamente com a atuao
                                        em um jogo de cena inesperado, com
do/a artista, no palco, e no qual a
                                        ou sem acessrios, e mais ou menos
atuao do/a ator/atriz ao vivo no
                                        autnomo, improvisado em cima do
pode acontecer desassociada da ima-
                                        roteiro bsico da representao em
gem cinematogrfica, porque as per-
                                        curso. O que acontecia nessas inter-
sonagens, no palco e no filme, so
                                        venes era surpresa pura e, como
as mesmas. Esse tipo de espetculo
                                        se sustentava no gestual, o que ocor-
foi criado por Joseph Svoboda* e
                                        ria eram acrobacias, caretas, gestos
Alfred Rodock, em 1950, e mostrado
                                        extravagantes e, no caso de haver
pela primeira vez num programa es-
                                        algum suporte textual, aconteciam jo-
pecial da Sala de Cultura do Pavi-
                                        gos de palavras, trocadilhos, obsce-
lho Tcheco, na Exposio Mundial
                                        nidades, etc. Para o/a ator/atriz, os
de Bruxelas.
                                        lazzi eram uma espcie de afirmao
lanternas mecnicas. Dispositivo        de liberdade criadora. Segundo sua
mecnico que, graduado, fazia per-      origem, quer seja lombarda  lazzi 
correr, diante de uma lente e sobre     , quer seja toscana  lacci , signifi-
o infinito, vidros desenhados e de-     ca ligaes, elos.  possvel que seja
corados com variados motivos           destes pequenos e espirituosos re-
massas de nuvens tempestuosas, far-     cursos que surgiu a gag e at mes-
rapos de vapores calmos e vagaro-       mo o popular caco.
sos, nascentes e poentes de sol, on-
                                        lazzo. Diferente dos lazzi, que so
dulaes marinhas, transatlnticos
                                        improvisados, o lazzo possui um tex-


                                    166
Lei das Trs Unidades                                              ler no ponto

to preestabelecido. A palavra tem         Sentados em torno de uma mesa (real
origem no latim actio, que signifi-       ou imaginria), os atores fazem a lei-
ca ao e qualifica o gnero como         tura do texto, em voz alta, enquanto
"um jogo de falas em ao".               o diretor ou contra-regra l as rubri-
                                          cas. As leituras de mesa devem ser
Lei das Trs Unidades. V. Regra das
                                          feitas em grande nmero, e direto-
Trs Unidades.
                                          res clebres, conscientes de sua
leitmotiv. Motivo ou tema bastante        grande responsabilidade na cons-
caracterstico destinado a evocar, em     truo de um espetculo, admitem
uma obra musical, uma idia, um sen-      que essa etapa deva ocupar no m-
timento, ou o estado de esprito de       nimo um tero do tempo despendido
uma personagem; tema ou motivo            para todos os ensaios; leitura bran-
persistente numa obra.                    ca.  Leitura de palco. Nesta etapa,
                                          ainda preliminar, os atores j fazem
leitura. Segundo a tradio, a pri-
                                          a leitura em p.
meira e essencial etapa para a ence-
nao de um espetculo, quando o          Lekain, Henri Louis Cain, dito (1728-
elenco toma conhecimento do con-          1778). Terico e encenador francs,
junto do texto a ser encenado. O ide-     realizou algumas transformaes b-
al  que a primeira leitura seja feita    sicas na encenao de sua poca,
com a presena de todos os integran-      devolvendo ao palco a sua plena fun-
tes do elenco  intrpretes e tcni-      o de local de espetculo, e situan-
cos. Essa leitura pode ser feita pelo     do a tragdia na linha verdadeira do
diretor, por um ou vrios membros         gnero. Tendo sido um dos maiores
da equipe. Quando existia a figura        "trgicos" de sua poca, transfor-
do ponto, era a este que competia tal     mou-se num mestre de sua arte. Jun-
funo.  Leitura dramtica. Forma         tou, na veemncia de seu modo de
de espetculo despido dos acess-         interpretar, a finura do trato com o
rios cnicos, do tipo cenrios, figuri-   papel e a majestade do porte dram-
nos, luzes especiais, quando os ato-      tico. Reformou o convencional e dis-
res fazem uma leitura interpretativa      paratado modo de o ator se trajar em
do texto.  Leitura de gabinete. Lei-      cena, simplificando as vestes mas-
tura que o diretor do espetculo faz      culinas e retirando do palco os cos-
sozinho do texto a ser encenado.          tumeiros e importunos espectadores,
Leitura geral. A primeira leitura da      como era o hbito na sua poca.
pea para todo o elenco. Nos velhos
                                          ler no ponto. Habilidade que tinha
tempos, quando as companhias en-
                                          o/a ator/atriz que no conseguia de-
comendavam a um dramaturgo um
                                          corar suas falas de reproduzi-las em
texto para encenar, essa tarefa com-
                                          cena a partir do ponto, "lendo" o
petia ao prprio autor.  Leitura de
                                          texto nos lbios desse elemento de
mesa. Primeira etapa dos ensaios de
                                          apoio, ou entendendo as prprias
uma pea, com a participao do di-
                                          falas conforme eram sopradas por
retor, atores e demais colaboradores.


                                      167
levantar                                                                    Lied

ele, ao correr do espetculo. A pr-       Jos de Alencar, e estreada no Tea-
tica terminou, com a extino dos          tro alla Scalla, Milo, em 1870. Na
pontos e com a inveno do ponto           dana, o libreto inclui o texto em que
eletrnico.                                deve constar, com detalhes, a expli-
                                           cao sobre a coreografia de um bal.
levantar. Dar vida a um texto teatral
sem qualidade dramtica, ou mesmo          licena. Autorizao concedida pelo
a um espetculo que tenha ficado           autor ou seu representante legal 
medocre.  Levantar a pea. Fazer o        agente, associao de direito auto-
primeiro ensaio de marcao.               ral, herdeiros  para uso do texto num
                                           espetculo. No Brasil, a no ser em
levar  cena. O mesmo que encenar.
                                           caso excepcional que, no mnimo,
lever-de-rideau. Expresso francesa,       redunda num entendimento pessoal
que j teve seu apogeu inclusive no        entre autor e empresrio, qualquer
meio teatral brasileiro, para qualifi-     texto teatral s pode ser encenado
car um texto leve, gracioso, de pe-        com a autorizao expressa da Soci-
quena extenso e com poucas per-           edade Brasileira de Autores Teatrais
sonagens, com o qual se dava incio,        SBAT, que representa legalmente
s vezes, a uma noitada teatral. Mui-      todos os autores de teatro, em todo
to usado para abrir saraus artsticos      o territrio nacional, a ela filiados.
ou mesmo como apritif para uma
                                           Lied. Na estrutura da pera, o solo
pea de extenso normal.
                                           que traduz a lrica emoo da perso-
libretista. Autor do libreto de uma obra   nagem e tem o mesmo peso dos mo-
lrica (pera) ou coreogrfica (bal).     nlogos no teatro em prosa; poema
                                           cantado uma ou vrias vezes, com
libreto. O texto literrio de uma pe-
                                           ou sem acompanhamento. O Lied 
ra, opereta, ou, mesmo, de uma re-
                                           de origem alem, criado ao longo da
vista musicada. No caso especfico
                                           Idade Mdia, dele originando-se o
da pera, o autor do texto, libretista,
                                           canto coral. No sculo XVI, foi cria-
quando no parte de uma idia pr-
                                           do o Lied polifnico, de carter reli-
pria, original, faz a adaptao de uma
                                           gioso, e, no sculo XVIII, desenvol-
obra corrente, normalmente do tea-
                                           veu-se o Lied artstico (Kunstlied),
tro clssico, com a ajuda ou no de
                                           muito prximo  melodia de salo e
um compositor. Continuam clebres
                                           acompanhado pelo alade ou cravo.
os libretos extrados de Otelo, de
                                           O Lied de concerto surgiu no sculo
Shakespeare*, adaptado por Boito e
                                           XIX, acompanhado por piano ou or-
Verdi*; A dama das camlias, de
                                           questra. Com o romantismo, o Lied
Dumas Filho*, que virou La Traviata,
                                           ganha uma estrutura musical, orga-
na adaptao de Piave e Verdi. No
                                           nizada a partir de um poema e con-
Brasil, famosa  a pera O guarani,
                                           juntamente com ele. A msica, de
de Carlos Gomes (1836-1896), cujo
                                           grande complexidade harmnica e
libreto foi extrado do romance ho-
                                           bastante elaborada, sobrepe-se
mnimo, tambm de grande fama, de


                                       168
lingada                                                      Living Theater

sempre ao texto, que passa para um       da Amrica do Norte, para ajudar a
plano secundrio. A parte musical,       solucionar o problema do desem-
ento,  geralmente escrita para pia-    prego da classe teatral. O grupo en-
no. Beethoven escreveu um ciclo pi-      cenava notcias publicadas pelos
oneiro de Lieder sobre um mesmo          jornais da poca, referentes sobre-
assunto, frmula depois repetida por     tudo  crise de habitao, desempre-
outros compositores.                     go, problemas sindicais e reforma
                                         agrria. Os temas eram pesquisados
lingada. O mesmo que contrapeso.
                                         por uma equipe de jornalistas e es-
linha. Corte imaginrio no palco,        critores, e depois colocados em
dividindo-o em zonas, muito usado        forma dramtica por dramaturgos. O
para situar a movimentao da cena.      movimento chegou a possuir cerca
A que separa cena e proscnio, cha-      de 182 salas de exibio e mobilizou
ma-se linha dos bastidores; a do         aproximadamente 10 mil profissionais
centro, linha do centro. Todas as        de todos os nveis e categorias. Seu
medidas, para determinar a posio       encenador mais importante foi
do cenrio, devem ser calculadas por     Joseph Losey (1909-1984) e o dra-
elas. Planos; coordenadas.  Linha        maturgo mais destacado, Arthur
de fogo. A fonte de iluminao fron-     Arent (1904-1972).
tal do palco, proveniente da ribalta,
                                         Living Theater. Organizao teatral
hoje abolida por tcnicas e fontes de
                                         norte-americana, fundada em 1951,
iluminao mais adequadas, como os
                                         por Judith Malina (1926-1234) e seu
spots, projetores, etc.
                                         marido Julian Beck (1925-1985), com
lrica (arte). Gnero no qual inter-     o objetivo de ser um "teatro vivo",
vm o canto e a msica.                  transformando-se logo no exemplo
                                         mais significativo, na segunda me-
lrico (gnero). V. Teatro.
                                         tade do sculo XX, da procura de-
lista de adereos. Relao completa      sesperada e otimista de uma forma
dos adereos que sero utilizados no     de espetculo em que pblico e ato-
decorrer de um espetculo. Esse rol      res se comunicassem num s impul-
de objetos deve ser organizado pelo      so e numa s direo  liberdade.
contra-regra e, obrigatoriamente, con-   Tentando uma sntese do Teatro
sultado antes de cada espetculo.        pico de Brecht* e do Teatro da Cru-
Living Newspaper, The (O Jornal          eldade de Artaud*, evoluindo de-
Vivo). Movimento criado durante o        pois para uma esttica de expresso
New Deal (programa de interveno        corporal prxima do happening*,
econmica estatal adotado pelo pre-      funcionou segundo uma forma sui-
sidente norte-americano, Franklin        generis de comunidade. Foi o mais
D. Roosevelt, logo aps sua eleio,     autntico smbolo da contestao
visando combater os efeitos da Gran-     mais radical, chegando a produzir
de Depresso), nos Estados Unidos        a maior tempestade esquerdista no
                                         Festival de Avinho, em 1968. Proi-


                                     169
livro de ponto                                         Lorca, Federico Garca

bido de atuar em vrios pases e fes-    uma produo entre 1.200 a 1.500 tex-
tivais, seus atores chegaram a ser       tos teatrais. Teve uma vida sentimen-
presos pelos generais no Brasil, em      tal muito agitada, mesmo depois de
1971, e a organizao teatral acabou     ter se ordenado sacerdote em 1613, e
se fracionando em pequenos gru-          vrias das mulheres com que mante-
pos que passaram a fazer teatro de       ve ligaes amorosas influenciaram
guerrilha, at se dissolver integral-    sua obra. Conquistou muitos adver-
mente em 1972.                           srios literrios de peso, entre eles
                                         Cervantes* e Gngora (1561-1627).
livro de ponto. Texto integral da pea
                                         Criou a comdia de cunho nacional,
teatral que est sendo encenada,
                                         com elementos cmicos, trgicos,
para uso do ponto pelo profissional
                                         eruditos e populares. Muitas de suas
que serve de apoio para os intr-
                                         peas se caracterizam pela vitalida-
pretes durante o espetculo, com
                                         de e pelo enredo intrincado. O
indicaes para orientao dos ato-
                                         alcaide de Zalamea (1600),
res em cena.
                                         Peribnez y el comendador Ocaa
localidade. Cada um dos assentos         (1614), Fuenteovejuna (1618), La
da sala de espetculos, seja uma fri-    dorotea (1632) esto entre suas prin-
sa, um camarote, a poltrona da pla-      cipais obras para o teatro. Deixou
tia, ou o assento das galerias.         tambm poesias lricas, peas religi-
                                         osas e histricas, a novela autobio-
logeion. Tablado de pouca profun-
                                         grfica La dorotea, uma epopia
didade, historicamente o primeiro
                                         burlesca, algumas imitaes de
palco teatral onde os atores repre-
                                         Ariosto e de Tasso, novelas pasto-
sentavam na antiga Grcia. Foi uma
                                         ris, poemas.
evoluo do primitivo estrado do in-
trprete solitrio, com o aparecimen-    Lorca, Federico Garca (1898-1936).
to de mais um ator.                      Poeta e dramaturgo espanhol, tor-
                                         nou-se um dos grandes nomes do
logos. Elemento grego usado em
                                         gnero no sculo XX, associando a
composio, para indicar a idia da
                                         seu talento literrio um ativismo po-
palavra; discurso. "Se a epopia, a
                                         ltico revolucionrio intenso. Sua pre-
grande narrativa mtica,  manifes-
                                         sena foi significativa como lder da
tao primeva do logos, no drama
                                         chamada Gerao de 27, que domi-
que surge em fases posteriores j
                                         nou o panorama cultural espanhol,
se manifesta o dia-logos, o logos
                                         no perodo. Poeta de extrema sensi-
fragmentado."
                                         bilidade, cantou a alma popular da
Lope de Vega, Flix de Lope de           Andaluzia, identificando-se com o
Vega y Carpio, dito (1562-1635).         sofrimento dos mouros, judeus, ne-
Historicamente, o primeiro grande        gros e ciganos, perseguidos na re-
dramaturgo espanhol e provavel-          gio desde o sculo XV, ele mesmo,
mente o escritor mais prolfico da       sendo homossexual, discriminado
histria literria do Planeta, com       pela obsesso que os espanhis tm


                                     170
Lorca, Federico Garca                                            lugar teatral

pela virilidade. De grande sonorida-     a solteira (1935) e as experincias
de e aura marcadamente sensual,          dramticas que ele mesmo chamava
seus versos passaram a ser recita-       de Teatro Breve, como O passeio de
dos pelo povo espanhol. As perso-        Buster Keaton, A donzela, O mari-
nagens femininas de seu teatro vi-       nheiro e O estudante e a quimera.
vem atormentadas entre o dever de
                                         lotao. O nmero de lugares exis-
uma tradio castradora e o apelo
                                         tentes na platia de uma casa de es-
irresistvel de libertao sexual. Bo-
                                         petculos para acomodar os espec-
das de sangue (1936), A casa de
                                         tadores sentados. Lotao esgotada.
Bernarda Alba (1936), Dona Rosita,
                                         Todos os lugares da platia ocupa-
a solteira (1935) focalizam a frustra-
                                         dos, sem acomodao disponvel.
o da mulher presa pelo preconcei-
to, pela perfdia do amante, tudo en-    ludi scenae. Mome pelo qual eram
volto em dramas silenciosos ou en-       conhecidos os espetculos
tregues a uma atmosfera de violn-       efetuados pelos ludiones. Os ludi
cia e morte. Garca Lorca tinha pla-     scenae foram uma etapa mais avan-
nos de produzir peas chocantes          ada das saturae romanae.
para o pblico sonolento da Madri
                                         ludiones. Designao pela qual eram
de seu tempo. Embora no estivesse
                                         conhecidos os atores etruscos que
ligado a nenhum partido poltico e
                                         estiveram em Roma, em 364 a. C., para
sem ser militante, manifestou-se sem-
                                         fazer espetculos de propaganda re-
pre corajosamente contra o fascis-
                                         ligiosa.
mo que ameaou dominar o Pas e,
com o advento da Repblica, em           lugar do prncipe. Na antiga estru-
1931, foi nomeado diretor de La Bar-     tura arquitetnica da casa teatral, o
raca, companhia teatral itinerante       espao central reservado ao prnci-
que percorria aldeias de todo o pas.    pe, sua corte e convidados.  o equi-
Em 1934, j era famoso como poeta e      valente, nos dias atuais, aos cama-
dramaturgo, morrendo prematura-          rotes de honra na arquitetura  italia-
mente, fuzilado em 1936 pela polcia     na, reservados s autoridades.
fascista de Francisco Franco, em Gra-    lugar teatral. Local onde  apre-
nada, no comeo da Guerra Civil es-      sentado o espetculo teatral e onde
panhola. Deixou uma obra internaci-      se estabelece a relao cena-pbli-
onalmente aplaudida, onde pontifi-       co, podendo ser sobre um palco tra-
cam, no campo da dramaturgia:            dicional, com cenrios tradicio-
Mariana Pieda (1925), O                 nais, ou numa praa pblica, num
malefcio da mariposa (1919), Os         estbulo, num vago de trem, por
tteres de Cachiporra (1920), A          entre as runas de um edifcio. O
sapateira prodigiosa (1930), O amor      lugar teatral  basicamente com-
de dom Perlimpim com dona Belisa         posto pelo lugar do espectador e
no seu jardim (1931), Retbulo de        pelo lugar cnico  onde atua o
dom Cristbal (1931), Dona Rosita,       ator e acontece o ato cnico.


                                     171
Lully                                                        luz de servio

Lully ou Lulli, Jean-Baptiste (1632-   gdias lricas Alceste (1674), Teseu
1687). Compositor italiano naturali-   (1675), sis (1677), Amadis (1684).
zado francs. Caindo nas graas de
                                       luz de cena. 1. Luminria acesa o
Luis XIV, foi nomeado para a funo
                                       suficiente para clarear o palco, en-
de compositor de msica de cmara
                                       quanto  feito algum ensaio. 2. Lu-
real e encarregado dos bals da cor-
                                       minria que fica iluminando o palco
te. Em 1661, recebeu o cargo de su-
                                       nos intervalos do espetculo; luz de
perintendente de msica. De 1664 at
                                       ensaio.
1670, colaborou estreitamente com
Molire* na criao das comdias-      luz difusa. Luz que se espalha pelo
bal Le mariage forc (1664),          cenrio sem fixar com muita nitidez
L'amour mdecin (1665), O burgus      os contornos dos objetos por ela ilu-
fidalgo (1670). Em seguida, passou     minados.
a colaborar com Quinault*, em com-
                                       luz negra. Luz intensa, ultravioleta,
panhia de quem criou Cadmus et
                                       projetada por meio de equipamento
Hermione, em 1673, que deu ori-
                                       especial, servindo para dar destaque
gem a um novo gnero musical: a
                                       a determinados pontos do cenrio,
tragdia lrica. Sua obra alcanou
                                       figurino ou adereos previamente
grande sucesso na Europa de seu
                                       retocados ou contornados com tinta
tempo, desenvolvendo a estrutura
                                       fosforescente. Ao contato com a
musical da pera e renovando o es-
                                       ultravioleta, criam-se na cena, mer-
tilo e a forma das aberturas, crian-
                                       gulhada na escurido, efeitos lumi-
do a chamada "abertura francesa",
                                       nosos de grande impacto visual.
que comea com um movimento len-
to, ganha vivacidade e termina no-     luz de horizonte. Gambiarras ver-
vamente lenta. Incorporou a dana      ticais destinadas a iluminar o fundo
como elemento especial de atrativo     da cena; carrilo.
ao espetculo, e criou uma escola      luz de servio. Iluminao normal
francesa de violino. Entre sua vasta   para ensaios; luz de cena.
produo, merecem destaque as tra-




                                   172
Maccus. Personagem caractersti-         maestro. Profissional responsvel
co das Fabulae Atellanae*, cujas         pela conduo da orquestra e do
caractersticas eram rusticidade e       coro vocal.  Maestro auxiliar. Res-
glutonaria, no linguajar e no com-       ponsvel pelo ensaio isolado dos
portamento, e estupidez de carter.      msicos e dos cantores, preparan-
                                         do-os para pass-los ao regente ti-
Machado, Maria Clara (1921-2001).
                                         tular; o segundo maestro. Maestro-
Dramaturga, diretora de teatro e
                                         regente. O titular do elenco ou do
atriz. Em 1952, fundou O Tablado,
                                         teatro que, teoricamente, s deveria
grupo experimental que acabou se
                                         assumir sua funo junto aos msi-
transformando em escola de arte
                                         cos e cantores, depois de estes te-
dramtica, responsvel pela publi-
                                         rem passado por um preparo prelimi-
cao dos Cadernos de Teatro
                                         nar com o maestro auxiliar.
(1956), uma das raras publicaes es-
pecializadas do pas. Transformadora     Magalhes, Domingos Jos Gonal-
da dramaturgia infantil, tem uma vasta   ves de (1811-1882). Primeiro drama-
obra, com ttulos clssicos: Pluft, o    turgo brasileiro a escrever sobre
fantasminha (1951), O cavalinho          tema brasileiro, com a pea Antnio
azul (1960), Gata Borralheira (1962),    Jos ou o poeta e a Inquisio
A bruxinha que era boa (1950), en-       (1839), representada por um elenco
tre outras.                              genuinamente brasileiro, o do ator
                                         Joo Caetano.*
Machiavelli, Niccol (1469-1527).
Diplomata e cientista poltico           mgica. Gnero popular, de monta-
florentino, autor de O prncipe, um      gem deslumbrante. Consistia numa
dos clssicos da cincia poltica uni-   pea de ao fantstica, normalmen-
versal, e de uma das grandes stiras     te musicada, podendo ocorrer enxer-
do sculo XVI, A mandrgora              tos cmicos, fundamentada no so-
(1520). [Cf. Maquiavel.]                 brenatural e grandiloqente, plena de
                                         transformaes, sortilgios e efeitos
maestrino. Compositor de msica
                                         visuais, na qual era comum a exis-
ligeira.


                                     173
Magno, Paschoal Carlos                                            Mambembo

tncia de fadas, demnios e duen-         dante do Brasil*, encenando textos
des. Seus autores ou tradutores en-       de Shakespeare*, Sfocles*,
tregavam-se sem reservas  fantasia,      Eurpides*, Ibsen*, Martins Pena*,
sem ligar para a verossimilhana e        e revelando grandes atores para a
no tendo outro objetivo seno o de       cena nacional. Instalou em sua pr-
provocar a iluso e o prestgio que       pria casa, no bairro de Santa Teresa,
lhes pudesse dar o luxo da encena-        Rio de Janeiro, o Teatro Duse, com
o, o esplendor dos cenrios, a ri-      cem lugares. Organizou a histrica
queza dos figurinos, a graa dos bai-     Concentrao do Teatro do Estudan-
lados e o encanto da msica. No se       te, na Tijuca, rplica da iniciativa de
descuidavam de uma grande figura-         Copeau*, na Frana. Instituiu o Pr-
o, serviam-se de maquinismos com-       mio Nicolau Carlos Magno, para au-
plicados para atingir a irrealidade       tores novos, sob os auspcios do
desejada e os efeitos fericos de luz.    Teatro do Estudante de Pernambuco
Foram clebres, no gnero: Ali-Bab       (1948), e foi o idealizador do Semin-
e os 40 ladres, O Diabo coxo, O          rio de Arte Dramtica e do Teatro Ex-
bico do papagaio, A pra de Sata-         perimental de pera (1948). Em 1957,
ns, Os sete castelos do Diabo, A         ganhou o prmio de melhor servio
filha do ar, As mas de ouro, Frei       prestado ao Teatro, conferido pela
Satans, A fada de coral, entre ou-       Associao Brasileira de Crticos
tras. Praticaram esse gnero escrito-     Teatrais. Sua vida de dedicao s
res notveis, como Molire*, com          artes cnicas pode resumir-se no que
sua desconcertante Psych,                a seu respeito disse Paulo Betten-
Corneille*, Shakespeare*, com A           court: "O Teatro Brasileiro tem duas
tempestade e Sonho de uma noite           fases, uma antes e outra depois de
de vero, e tantssimos outros no-        Paschoal Carlos Magno".
mes dos teatros russo, alemo,
                                          mai. Cala de meia, algodo, laicra
escandinavo e espanhol. No Brasil,
                                          ou nilon, ajustada s pernas, usada
destacaram-se como autores desse
                                          por bailarinos/as ou atores/atrizes em
gnero Eduardo Garrido, Soares de
                                          peas de poca; malha.
Sousa Jnior, Assis Pacheco e os
compositores Lus Moreira Capitani,       malagueta. Calo pontudo, de ma-
Paulino Sacramento e Costa Jnior.        deira ou ferro, que  enfiado no pri-
                                          meiro travesso da varanda, e serve
Magno, Paschoal Carlos (1906-
                                          para fixar as cordas de manobras que
1980). Teatrlogo, crtico teatral, di-
                                          sustentam os cenrios presos ao
plomata. Em 1918, inicia-se como
                                          urdimento. Usa-se geralmente no plu-
poeta. Em 1930, ganha o prmio da
                                          ral, malaguetas.
Academia Brasileira de Letras com
sua pea Pierr, representada no          Mambembo. Projeto desenvolvido
ano seguinte pela Companhia Jai-          pelo Ministrio da Educao e Cul-
me Costa, no Teatro Joo Caetano.         tura brasileiro, atravs do Servio
Em 1938, fundou o Teatro do Estu-         Nacional do Teatro  SNT, nas dca-


                                      174
mambembar                                                           manobra

das 70/80 do sculo XX, que consis-      mentar o boneco: o dedo indicador
tia no patrocnio de grupos de tea-      trabalha com a cabea, e os dedos
tro, amadores e profissionais, em        polegar e mdio, com os braos; mo
turns e festivais pelo pas, privile-   mole, mo que se move. No Nordes-
giando as regies culturalmente pou-     te brasileiro, principalmente em
co favorecidas.                          Pernambuco, essa manifestao se
                                         faz atravs de representaes dra-
mambembar. Representar num
                                         mticas, usando-se um palco ou al-
mambembe.
                                         gum espao elevado, onde so re-
mambembe. 1. Grupo de artistas sem       presentadas de preferncia cenas de
grandes requintes, quer de formao      assuntos bblicos ou de atualidade
artstica, quer de talento, que monta    local. Tem lugar preferentemente por
um repertrio com textos de qualida-     ocasio das festividades da igreja. O
de duvidosa, quase sempre apelan-        mamulengo  conhecido por outros
do para o riso fcil ou o dramalho      nomes, em diferentes partes do Bra-
carregado de lugares-comuns e            sil: Joo Redondo, no Rio Grande
cacoetes pr-fabricados, saindo en-      do Norte; Joo Minhoca, no Rio de
to pelo interior do pas em tempora-    Janeiro. Na Frana, tem o nome de
das caa-nqueis. O mambembe dife-       Marionette ou Polichinelle; na In-
re da chanchada*, que qualifica o        glaterra, Punch; Jen Klassen, na
espetculo isolado, enquanto aque-       ustria; Hans Pikelharing, na
le envolve todo o conjunto de artis-     Holanda. V. Fantoche.
tas e o repertrio, quase sempre em
                                         mamulengueiro. Aquele que traba-
excurso. O dramaturgo maranhense
                                         lha com mamulengos.
Artur Azevedo caricaturou de forma
magistral esse tipo de teatro em sua     man-gostoso. V. Fantoche.
comdia O mambembe. 2. Espetcu-
                                         manipulador. O tcnico que d vida
lo de qualidade duvidosa.
                                         a todos os gneros de bonecos: fan-
mamulengo. Gnero de teatro de bo-       toches, marionetes, bonecos de vara,
necos muito popular no Nordeste          mamulengos, etc.
brasileiro. De um modo mais geral, o
                                         manobra. Mutao ou parte da mu-
boneco para teatro de fantoches, rico
                                         tao dos cenrios. Essa operao 
em situaes cmicas e satricas. O
                                         normalmente feita da varanda. Por
nome talvez tenha se originada da
                                         extenso, pode-se chamar de mano-
juno das palavras mo e mole, ine-
                                         bra a todos os movimentos neces-
rente  tcnica de dar vida ao bone-
                                         srios s mudanas de cena. Numa
co, que  constitudo de uma cabe-
                                         outra concepo,  o conjunto de
a, moldada em massa de papel
                                         trs cordas que servem para movi-
(papier-mcher), argila, pano, ou
                                         mentar cenrios e teles na vertical.
outro material de fcil modelao, e
                                         Essas cordas so designadas pelos
um corpo com saiote por onde o
                                         nomes de comprida, a que fica  es-
manipulador enfia a mo para movi-


                                     175
mansion                                                            maquinria

querda; do meio, a que fica no cen-       maquiagem. 1. ato ou efeito de
tro; e curta, a que fica  direita. De-   maquiar-(se). Maquilagem; caracte-
vidamente afinadas, isto , nivela-       rizao. 2. Tcnica de preparar o ros-
das por igual, so operadas harmo-        to do/a ator/atriz,  custa de batons,
niosamente a um s tempo. Tambm          ruges, ps-de-arroz ou apliques e
fazem parte do conjunto de mano-          mscaras, de acordo com a perso-
bras as roldanas e as alavancas, des-     nagem a ser interpretada ou, em al-
tinadas  sustentao e  movimen-        guns casos, para contrabalanar a
tao dos cenrios; a movimentao        crueza das luzes ou a falta delas, no
desses conjuntos.                         palco. No caso de excesso de luz em
                                          cena, a maquiagem  invisvel para
mansion. O palco do teatro medie-
                                          o espectador, mas evita que o/a ator/
val. V. Manses.
                                          atriz parea "plido" sob a luz dos
manses. Cenrios alinhados ou            refletores, como tambm serve para
superpostos no palco medieval,            "disfarar" a ao do tempo sobre a
onde a ao dramtica se desenvol-        face do/a ator/atriz, em determina-
via. Esses palcos, em algumas situ-       das situaes. 3. O cosmtico usa-
aes, chegavam a medir at cin-          do pelos atores e atrizes para prote-
qenta metros de comprimento por          ger ou fazer a modificao da apa-
vinte e cinco de fundo. E os cenri-      rncia do rosto e as partes desco-
os se assemelhavam muito aos dos          bertas do corpo.
dias atuais, com estrutura de arma-
                                          maquiar. Ao de aplicar no rosto,
o de madeira forrada de lona pin-
                                          seguindo tcnicas especiais, o ma-
tada, representando construes de
                                          terial de maquiagem.
vrios tipos, de acordo com as ne-
cessidades das obras a serem ence-        Maquiavel, Nicolau. V. Machiavelli,
nadas. Na Alemanha, eram chama-           Niccol.
dos castelos; no teatro elisabetano,
                                          Maquiavel. Tipo convencional no
mansions.
                                          teatro elisabetano, cuja nica preo-
mo francesa. O mesmo que es-             cupao era fazer maldades.  calca-
quadro.                                   do na figura do dramaturgo e pensa-
                                          dor poltico italiano Niccol
maquete. Modelo em miniatura de um
                                          Machiavelli.
cenrio, onde esto figurados todos
os detalhes. De grande utilidade para     maquinria. O conjunto das mqui-
o trabalho do cenotcnico, diretor e      nas e equipamentos que garantem a
iluminador; maqueta.                      infra-estrutura necessria para que
                                          o espetculo acontea, quer deslo-
maquiador. Profissional respons-
                                          cando os elementos cenogrficos,
vel pela preparao do rosto dos
                                          quer produzindo efeitos especiais
intrpretes que vo atuar em cena;
                                          impossveis de serem realizados sem
aquele que faz a maquiagem dos
                                          ajuda mecnica; maquinismo.
intrpretes.


                                      176
maquinismo                                                         marionete

maquinismo. O mesmo que maqui-           desde as entradas e sadas de cada
nria.                                   intrprete, postura e localizao de
                                         cada personagem dentro do cenrio,
maquinista. Profissional respons-
                                         produo de rudos, efeitos de luz e
vel pela montagem dos cenrios em
                                         sons, at o mnimo gesto que possa
todos os seus detalhes, movimenta-
                                         contribuir para o entendimento da
o e troca dos mesmos durante o
                                         ao dramtica. Todo plano de uma
espetculo, a partir do projeto do ce-
                                         produo profissional exige minuci-
ngrafo.  tambm o responsvel
                                         oso projeto de marcao, sendo usu-
pela afinao dos panos, mutaes,
                                         ais a marcao de luz, de som, etc.
movimento das cortinas e pelo bom
                                         Jean Vilar (1912-1971), o grande en-
funcionamento de alapes, calhas,
                                         cenador francs, escreveu em uma
tramias, enfim, pela sade material
                                         de suas obras tericas, "aqui, trata-
do palco e perfeito funcionamento
                                         se de simplificar, de despojar. No se
da caixa do teatro. Nessa funo, o
                                         trata de fazer valer o espao, mas sim
maquinista pode ser considerado
                                         de desprez-lo ou ignor-lo."
o engenheiro, cujos projetos so
executados por carpinteiros espe-        marcar (o papel). Ao de fazer a
cializados ou tcnicos diferencia-       marcao (o diretor) ou marca (o/a
dos.  Maquinista auxiliar. Aquele        intrprete), anotao grfica minu-
que auxilia o maquinista-chefe em        ciosa que cada intrprete faz em
suas atribuies.  Maquinista-che-       seu texto, de acordo com as su-
fe. O principal de uma equipe de ma-     gestes do ensaiador quanto  sua
quinistas, responsvel pela atuao      movimentao em cena: entradas,
e superviso de todo o pessoal tc-      sadas, gestos, comportamento e,
nico, seja o que atua no palco, como     na medida do possvel, at deter-
os que esto operando das varan-         minadas entonaes de algumas
das; carpinteiro-chefe.  Maquinis-       falas especiais.
ta de varanda. Aquele que maneja a
                                         Marceau, Marcel (1923-1234).
manobra e demais equipamentos a
                                         Mmico francs, discpulo de
partir do urdimento.
                                         Etienne Decroux, iniciou-se na pan-
marca. Definio de cada uma das         tomima ao lado de Jean-Louis
posies ocupadas pelo ator dentro       Barrault.* Em 1947, fundou sua pr-
do espao cnico durante sua atua-       pria companhia e, nesse mesmo ano,
o no espetculo; anotao feita no     criou sua mais famosa personagem,
texto pelo ator, indicando suas posi-    o palhao chaplinesco de rosto bran-
es ou deslocamentos no palco           co, Bip*, que associa a conscincia
durante a ao; rea de ao limitada    trgica  sensibilidade romntica.
para o ator. V. Marcao.                Em 1958, fundou uma escola para
                                         mmicos, em Paris.
marcao. O conjunto de movimen-
tos estabelecidos pelo diretor para o    marionete. Boneco de engono, fei-
desenvolvimento de ao, em cena,        to de madeira, papelo ou metal, re-


                                     177
marionete                                               Marlowe, Christopher

presentando pessoas ou animais,           co, o polegar e o mdio em cada uma
controlado por fios ou vareta, mani-      das luvas que fingem ser mo ou bra-
pulado por uma pessoa, o                  o.  Marionete de teclado. Mario-
marionetista, em representaes dra-      nete manejada por uma haste que lhe
mticas; ttere.  A tcnica de apre-     segura a cabea. Os movimentos se
sentao de marionetes  bastante         processam por meio de teclas que
antiga e sua origem remonta ao Egi-       orientam cordis ligados aos braos
to. Do Oriente, essa forma de espe-       e s pernas.  Marionete de vareta.
tculo foi transportada para a Itlia     Boneco de madeira, massa ou outro
e, dali,  Espanha, tornando-se po-       material, articulado e movimentado
pular em muitos pases da Europa.         por baixo atravs de varetas que fir-
Durante a Idade Mdia, na Frana, o       mam o corpo e esto ligadas aos bra-
espetculo de marionetes tinha ca-        os do boneco. Este tipo possui per-
rter religioso e nele apareciam sem-     nas e braos, e pode tambm fazer
pre figuras representando Nossa           movimentos de boca e olhos, depen-
Senhora. Da, possivelmente, a ori-       dendo da habilidade de seu constru-
gem da palavra: marionette, em fran-      tor e manipulador. Marionete de has-
cs, deriva de Marion, diminutivo de      te; fantoche de vareta.
Marie  a Virgem Maria.  Marione-
                                          Marivaux, Pierre Carlet de
te de fio. Nesta designao, incluem-
                                          Chamblain de (1688-1763). Dramatur-
se os bonecos mais sofisticados e
                                          go francs, autor de 55 comdias es-
mais autnticos, que ficam pendura-
                                          critas entre 1720 e 1740, caracteriza-
dos por fios a uma pequena cruzeta,
                                          das pela delicadeza de tratamento e
atravs dos quais pode executar os
                                          dilogos espirituosos, um estilo que
mais diferentes movimentos, desde
                                          consagrou a expresso marivauda-
o pestanejar de plpebras at com-
                                          ge, para dizer algo elaborado ao modo
plicados passos de dana. Neste
                                          de Marivaux. Ficaram famosas: Arle-
gnero, o manipulador se coloca aci-
                                          quim educado pelo amor (1720), A
ma do palco. Tradicionalmente
                                          surpresa do amor (1722), O jogo do
construdos de pano, massa de pa-
                                          amor e do acaso (1730), As falsas
pel ou madeira, hoje eles j so fei-
                                          confidncias (1737), entre outras.
tos de plstico e outros materiais sin-
tticos, e at manipulados por con-       Marlowe, Christopher (1564-1593).
trole remoto ou eletronicamente.          Dramaturgo e poeta ingls, predeces-
Marionete de luva. Popular com a          sor de Shakespeare*, e um dos mais
designao de fantoche,  constitu-       influentes autores para o desenvol-
do por uma cabea em madeira, mas-       vimento do teatro elisabetano. Es-
sa de papel, papelo ou outro mate-       treou sua carreira de dramaturgo aos
rial, montada num camisolo de pano,      23 anos de idade com Tamerlo, o
cujos movimentos so conseguidos          grande (1587), e, de sua produo,
pela mo do manipulador que enfia o       chegaram at nossos dias obras de
dedo indicador na cabea do bone-         grande valor para a histria do tea-


                                      178
Martins Pena                                                          mscara

tro universal. Vale citar O judeu de     destaque O juiz de paz, na roa
Malta (1589/90), Eduardo II (1593),      (1842), Judas em sbado de aleluia
a primeira grande tragdia histrica     (1844), O novio e Quem casa,
da dramaturgia inglesa, que influen-     quer casa (1845).
ciou o Ricardo II, de Shakespeare*,
                                         mscara. Expresso do rosto do/da
A tragdia de Dido, rainha de
                                         artista. Adereo de papel pintado, te-
Cartago (1594), escrita em parceria
                                         cido, madeira ou outro material, com
com Thomas Nashe, Massacre em
                                         que o/a ator/atriz cobre parcial ou to-
Paris (1593), e A trgica histria do
                                         talmente o rosto, originalmente para
dr. Fausto (1604), a primeira aborda-
                                         realar a caracterizao de persona-
gem da figura lendria que serviu de
                                         gens fantsticas (deuses, figuras mi-
modelo a Goethe.* Marlowe colocou
                                         tolgicas, demnios), sentimentos,
o ator como centro dominante da
                                         estados de esprito e at animais.
pea e fez com que a personalidade
                                         Confundindo-se com a origem do
da personagem sobressasse mais do
                                         drama, a mscara foi praticamente o
que a prpria ao. Segundo a maio-
                                         primeiro elemento cnico a ser a ele
ria dos estudiosos, foi o introdutor
                                         incorporado. Usada necessariamen-
do verso branco de cinco ps, que
                                         te no teatro grego, pois o ator
seria mais tarde largamente usado
                                         encarnava diversas personagens su-
pela dramaturgia inglesa nos scu-
                                         cessivamente, era uma conveno,
los XVIII e XIX, e tambm na alem,
                                         um smbolo ou uma abstrao da
sobretudo com Goethe e Schiller, e
                                         emoo ligada  personagem. Na
teria escrito seus trabalhos mais ama-
                                         Grcia, ligada ao culto de Dioniso*,
durecidos, supem os estudiosos de
                                         de cujo ritual se originou a tragdia,
sua obra, por razes polticas. Mor-
                                         nasceu como elemento zoomrfico.
reu assassinado, admitem os histori-
                                         Com Tspis*, ganhou feies huma-
adores, por motivos polticos, sob a
                                         nas. Seu aprimoramento expressivo,
suposio de ser agente secreto da
                                         contudo, deve-se ao escultor Fdias
rainha Elisabeth.
                                         (sec. V a. C.), relacionando-se com a
Martins Pena, Lus Carlos (1815-         evoluo das artes plsticas, quan-
1848). Dramaturgo brasileiro, criador    do ela passou a exprimir sentimen-
do teatro de costumes no Brasil, au-     tos, perdendo a expresso original e
tor de farsas e comdias que criticam    nica do rictus, que se repetia uni-
a hipocrisia e as convenes soci-       formemente em rostos alegres ou tris-
ais, satirizando principalmente os       tes. No princpio, a mscara era feita
cones da sociedade, como o padre,       de uma mistura de farrapos com es-
o juiz corrompido, o poltico            tuque fortemente comprimido, reves-
inescrupuloso, o novo rico deslum-       tido por um reboco de gesso sobre o
brado, o casamento e a famlia. Escri-   qual os pintores traavam expresses
tas em pleno domnio do romantis-        fisionmicas, e servia no s para
mo, antecipam o realismo no teatro.      caracterizar tipos e emoes, como
 volumosa sua obra, merecendo           tambm para realar a figura do ator


                                     179
mscara                                                              mascarada

e projetar sua voz, como se fosse uma     personagem imediatamente reconhe-
espcie de megafone, contribuindo         cvel por um pblico pouco familiari-
para o efeito de estranhamento even-      zado com o gnero, preservar a inte-
tualmente exigido pela representao      gridade da personagem, como tal,
das figuras divinas e legendrias. Os     sem o perigo de ser corrompida pe-
orifcios existentes para os olhos        los diferentes intrpretes, e deixar ao
eram diminutos, correspondendo            ator espao para cuidar, no ato cria-
apenas  pupila, pois o resto era in-     tivo, da inveno dos jogos corpo-
dicado pela pintura, enquanto a ca-       rais. Foi nesse perodo, sculo XVI,
vidade da boca, em regra, se abria        que surgiram as mais populares ms-
enorme, de maneira a projetar a voz       caras da comdia, como a do Arle-
do ator, e s por exceo continha        quim.* Pantaleo* surge no sculo
simulao de dentes. Segundo uma          XVIII e  outra mscara que ficou
descrio de Plux, existiram 28 ti-      clebre. Polichinelo*, sempre traja-
pos diferentes de mscaras para a         do de branco, atravessou o tempo,
tragdia, 4 para o drama satrico e 43    como descendente do Maccus das
para a comdia. Do repertrio trgi-      Fabulae Atellanae.* O Doutor*,
co, 6 tipos eram de ancios, 8 de         cabotino,  quase sempre aliado de
moos, 11 de mulheres e 3 de empre-       Pantaleo. A Colombina*  um Ar-
gados. As 4 mscaras do drama sat-       lequim de saias. Gradualmente, a
rico representavam um stiro velho,       mscara foi perdendo seu lugar, sen-
um barbudo, um imberbe e Silene. As       do substituda pela caracterizao
da comdia destinavam-se a figuras        ou maquiagem. Houve uma tentati-
diferentes de tipos de velhos, velhas,    va de reintroduzi-la no espetculo,
parasitas, camponeses, etc. As ms-       no incio do sculo XX, com a des-
caras do teatro romano no eram ge-       coberta do teatro n, de origem ja-
nricas como as do teatro grego, des-     ponesa. Voltando ao uso por um
tinadas a indicar o gnero de pea        perodo considervel, sobretudo
ou a categoria social da personagem,      pelos encenadores ligados ao
e sim mscaras individuais, destina-      Expressionismo*, e especialmente
das a indicar o tipo e at tornar reco-   pelo dramaturgo irlands William
nhecvel o ator. Entre essas, as mais     Butler Yeats (1865-1939), a idia no
antigas foram a de Pappus, ora apa-       avanou muito na prtica.
recendo como um pai rabugento, ora
                                          Mscaras (Os). Nome plural como
como um velho ridculo namorador
                                          ficaram conhecidas as vrias msca-
de mocinhas; Maccus, o avarento e
                                          ras da Commedia dell'Arte.
gluto; Baccus, o bbado; e Baldus,
o fanfarro. Na Commedia dell'Arte,       mascarada. Forma de espetculo
passaram a usar meia mscara, que         corteso, com caractersticas de en-
deixava a boca e a parte inferior do      tretenimento dramtico, conjugando
rosto descobertas, com funes mais       elementos musicais ao texto dram-
especficas, entre elas a de tornar a     tico, algo entre o bailado e a revista


                                      180
masques                                                                  matar

musicada, surgida no sculo XVII,         do texto potico e literrio, e a do
na Inglaterra, e muito popular entre a    espetculo de grande maquinaria e
nobreza. Nesse gnero, membros da         de efeitos visuais. A antimscara, in-
aristocracia freqentemente se jun-       ventada por Ben Jonson*,  a ver-
tavam aos atores e, em regra, sobre-      so grotesca e puramente pantom-
tudo para guardar o anonimato, usa-       mica do gnero, sempre representa-
vam mscaras, da o nome da diver-        da como interldio cmico, antes ou
so. Explorando geralmente temas          durante a mscara propriamente dita.
mitolgicos, caracterizava-se pela        Mscaras.
sucesso de quadros, danas e
                                          massa. 1. Conjunto de coros. 2. Fi-
comicidades, representadas com re-
                                          gurao. 3. Comparsaria. 4. Em ca-
quintes de luxo pelos seus partici-
                                          racterizao, pasta compacta que
pantes. As mascaradas tiveram
                                          serve para efeitos especiais no ros-
grande desenvolvimento nas cortes
                                          to do/da intrprete, modificando a
de Jaime I, tendo o poeta e drama-
                                          estrutura de sua face.
turgo ingls Ben Jonson* produzi-
do vrias obras no gnero. Outro          mastro. Haste vertical de madei-
grande colaborador do gnero foi          ra, com seis a nove metros de altu-
Inigo Jones*, criando a maquinaria        ra, que serve de suporte a um trainel
necessria para viabilizar o espet-      e tem sua extremidade inferior en-
culo, desenhando trajes, principal-       caixada num carro que se move no
mente os da corte.                        primeiro poro.
masques. Forma de representao           matar. Termo que define o conjun-
teatral, de origem francesa e italiana,   to de erros e equvocos do elenco,
muito popular no teatro elisabetano,      ou do diretor, que concorre para
que ampliava as perspectivas da ela-      transformar a pea num espetculo
borao de decoraes e efeitos es-       medocre ("matou a pea"). Quan-
petaculares, como a descida dos deu-      do esses equvocos e erros acon-
ses do cu, muito apreciada na corte      tecem s com uma personagem, diz-
inglesa da ltima parte do sculo XVI     se que o ator Fulano matou o pa-
e comeo do XVII. Em Cimbelino,           pel. Uma pea, alis, j pode nas-
de Shakespeare*, por exemplo,             cer morta, de acordo com seu valor
Jpiter desce de um trovo e de um        literrio. A ocorrncia da morte de
relmpago montado numa guia. No          um papel ou de uma pea pode nor-
gnero, os atores usavam mscaras,        malmente se registrar quando o di-
donde seu nome, e realizavam uma          retor ou o intrprete no compre-
forma de espetculo de dana, de          ende a inteno do autor ou o que
msica, de poesia, de alegoria e de       ele estaria dizendo com o seu texto
encenao de grande espetculo. A         e suas personagens. Pode tambm
mscara  comparvel ao bal da cor-      acontecer que o trabalho esteja
te e aos primrdios da pera. Duas        sendo feito sem o devido interesse
tendncias dominavam a mscara: a         profissional.


                                      181
material de cena                                                   meia-entrada

material de cena. Mveis, objetos          letras e das artes de seu tempo, entre
de decorao do cenrio e de uso           as quais Virglio, Horcio, Vrio,
dos atores e, em alguns pases, at        Proprcio, chegando a sustent-los
mesmo as rvores cenogrficas que          materialmente para que produzissem,
so usadas ao longo do espetculo.         sem restringir-lhes a liberdade. De
 Material de cena dramtico. Toda          substantivo prprio, seu nome,
a matria contida no texto literrio       Mecenas, transformou-se em subs-
ou por ele sugerida, que rene des-        tantivo comum, para identificar o
de as falas das personagens s idi-       patrocinador generoso, protetor das
as, gesticulaes, etc.                    letras, artes e cincias, ou dos artis-
                                           tas e sbios.
matinal. Espetculo feito pela manh.
                                           mecenato. Condio, ttulo ou papel
matin. Palavra de origem francesa
                                           de mecenas.
que serve para designar, em algumas
regies brasileiras, o espetculo apre-    medidas de cena. As medidas da rea
sentado durante o dia, em geral no         de representao.
fim da tarde, eventualmente pela ma-
                                           medieval. Perodo histrico em que a
nh. Em outras regies, para cada
                                           arte teatral tomou rumos diferentes,
momento do dia so usadas expres-
                                           criando gneros e formas prprias
ses especficas, como matinais, para
                                           de expresso dramtica, rompendo
espetculos pela manh, e vesperais,
                                           inclusive com a velha tradio
para os realizados durante  tarde.
                                           helenstica das trs unidades dram-
mecan. Mecanismo cenogrfico              ticas, passando a ao de sucessiva
usado nos antigos teatros gregos, o        para simultnea. Aproveitando-se,
qual se constitua de uma viga hori-       inclusive, das novas concepes
zontal estendida sobre a orchestra,        cenogrficas, a cena passou a refle-
partindo do teto da sken, prprio         tir a imagem reduzida do mundo.
para "transportar para os cus" deu-
                                           megrica (farsa). Gnero que explo-
ses e heris.
                                           rava a crtica de determinadas clas-
Mecenas, Gaio. Estadista romano que        ses e funes sociais, encontrando
viveu de 60 a. C. a 8 a. D., de signifi-   no cozinheiro um dos seus melhores
cativa projeo poltica no seu tem-       alvos. A importncia atribuda  co-
po, tendo participado de grandes           zinha,  comida e  boa vida so a
negociaes internacionais. Quando         descritas com intuito de denncia.
Otvio foi sagrado imperador e lhe         Entre os melhores autores do pero-
ofereceu cargos e honras, recusou a        do e do gnero, esto Epicarmo,
todos, alegando ser-lhe suficiente a       Antfanes e Alxis.
amizade das pessoas. De gosto bas-
                                           meia-entrada. Ingresso colocado 
tante refinado, dedicava-se a escre-
                                           venda pela metade do preo para
ver poesias e reuniu em torno de si
                                           determinadas categorias sociais, tais
as figuras mais representativas das
                                           como estudantes, militares, crianas,


                                       182
Meiningen, Duque de                                           melodramtico

religiosos etc., a critrio dos empre-   XVIII, ganhou outras caractersti-
srios, da direo das casas de es-      cas, quando as falas passaram a ser
petculos e por dispositivo de lei.      intercaladas ou acompanhadas de
                                         msica, como em Pigmaleo, escri-
Meiningen, Jorge II de Saxe e, dito
                                         to em 1770, por Jean-Jacques
Duque de (1827-1914). Revolucionou
                                         Rousseau. Mas foi o poeta e drama-
o teatro europeu de sua poca, aca-
                                         turgo italiano Pietro Metastasio
bando com o primado do ator, insti-
                                         (1698-1782) quem popularizou o g-
tuindo o teatro de equipe e dando, a
                                         nero, dando-lhe as caractersticas
um diretor geral, a autoridade indis-
                                         definitivas em que os dilogos, de-
pensvel para que houvesse unida-
                                         masiadamente sentimentais e ro-
de artstica no espetculo. Interes-
                                         mnticos, entremeados de msica
sado pela exatido histrica, no que
                                         (donde sua designao), esto re-
dizia respeito aos ambientes ou
                                         cheados de situaes turbulentas e
indumentrias, procurou a ajuda at
                                         pomposas, muito embora vazios de
mesmo de arquelogos, instigando
                                         contedo. Posteriormente, a msi-
ento uma linguagem cenogrfica
                                         ca foi abolida, podendo acontecer
naturalista. O cenrio deixou de ser
                                         eventualmente, passando o termo a
pintado em papel para ser construdo,
                                         designar peas teatrais em que as
e todos os elementos do espetculo
                                         personagens so estereotipadas e
passaram a ter sua importncia des-
                                         o conflito  resolvido pelo arrepen-
tacada. Historicamente, foi o inicia-
                                         dimento e pela penitncia  liberto,
dor da direo moderna, tendo influ-
                                         por conseguinte, da fatalidade ,
enciado tanto o encenador e terico
                                         predominando a intriga sobre a
russo Stanislavski* como o diretor
                                         ao, resultando sempre em situa-
francs Andr Antoine.*
                                         es de grande sofrimento, de efei-
meio-soprano. No campo da msi-          tos fceis e lacrimejantes, destina-
ca, o registro da voz feminina gra-      dos a comover a platia; pea tea-
ve, logo abaixo do soprano e acima       tral sentimentalesca, de um roman-
do contralto.                            tismo piegas, com situaes e di-
                                         logos turbulentos, de cunho pom-
melodia infinita. Expresso propos-
                                         poso, mas de caracterizao escas-
ta por Richard Wagner* para desig-
                                         sa, superficial e de m qualidade; o
nar uma pera sem rias e sem
                                         mesmo que dramalho; drama sen-
recitativos, como nas obras anterio-
                                         timental; drama lacrimoso.
res, que, no entendimento dos
experts, sufocavam os cantores.          melodramtico. Relativo ao melodra-
                                         ma; que tem carter ou apresenta si-
melodrama. Na tragdia grega anti-
                                         tuaes de melodrama. Tudo que tra-
ga, o dilogo cantado entre o
                                         duz sentimentos exagerados, ridcu-
corifeu e uma personagem, embrio
                                         los. Ator ou atriz que exagera na in-
remotssimo dos duetos da pera.
                                         terpretao.
Mais tarde, entre os sculos XVII e


                                     183
mlodrame                                                   mesa de controle

mlodrame. pera de dilogos fala-      danarino e acrobata, executando
dos, usados por Ludwig von              divertimentos de todos os gneros,
Beethoven em algumas de suas pe-       desde as canes de bailes s hist-
ras, ocorrendo pela primeira vez em     rias de fadas e lendas dos santos. A
Fidlio (1805-1814).                    partir de 1321, os menestris passa-
                                        ram a se organizar em corporaes.
melopia. A palavra grega para a arte
                                        2. Nome dado aos comediantes ne-
de compor msica, considerada por
                                        gros ambulantes, nos Estados Uni-
Aristteles* como uma das seis par-
                                        dos, por volta de 1896.
tes da tragdia, sendo as outras cin-
co o enredo, a personagem, a dic-       Menipo. Escravo liberto, de origem
o, a dinoia e o espetculo.          fencia, que, entre os sculos IV e
                                        III a. C., se consagrou na Grcia,
Melpmene. Uma das nove musas
                                        como poeta e filsofo da Escola C-
gregas, a que representava e defen-
                                        nica. Suas stiras, vivas e espiritu-
dia a tragdia.
                                        osas, constituram a primeira expres-
Menandro (342-292 a. C.). Comedi-      so da filosofia cnica, inspirando
grafo grego, criador da Comdia         Varro e Luciano.
Nova, a quem so atribudas 108 pe-
                                        mensageiro. Personagem convenci-
as, quase sempre sobre o tema do
                                        onal no teatro grego. Sua funo era
amor contrariado, das quais apenas
                                        a de narrar os eventos que haviam
O misantropo sobreviveu na ntegra.
                                        acontecido antes do incio da pea
Do restante, conhecem-se apenas t-
                                        ou ocorridos fora de cena. Usando
tulos, alguns fragmentos e cpias
                                        uma linguagem de grande teor poti-
romanas. Partindo-se do princpio de
                                        co, o dramaturgo eximia o especta-
que os comedigrafos de sua poca
                                        dor das cenas de violncia fsica,
ocupavam-se geralmente de casos
                                        como suicdios, enforcamentos, as-
amorosos e intrigas familiares,  de
                                        sassinatos.
se supor que seus enredos se fixas-
sem tambm nesses casos e temas         merda. Forma cabalstica de trata-
de sua poca.                           mento entre artistas de teatro, de ca-
                                        rter e origem francesa, para desejar
menestrel. 1. Na sociedade feudal
                                        boa sorte e sucesso um ao outro. 
europia dos sculos XII e XIII, mis-
                                        usada antes de o espetculo come-
tura de cantor da corte e do antigo
                                        ar, ou de o artista entrar em cena. 
jogral dos tempos clssicos, que vi-
                                        hbito, no Brasil, usar eufemistica-
via sob a dependncia de um senhor
                                        mente a forma merde. A superstio
e, em alguns casos, acumulava tam-
                                        aconselha no agradecer nem dar
bm a funo de trovador. Dotado
                                        qualquer rplica aos votos de
de impressionante versatilidade, o
                                        "merda para voc".
menestrel ocupou o lugar do poeta
culto, especializado na balada heri-   mesa de controle. Mesa especial, com
ca, sendo a um s tempo msico,         chaves e botes, atravs dos quais 


                                    184
mestre de bailado                                        Meyerhold, Vsevolod

feito o controle dos quadros de luz e     Mtodo. Uma das inmeras expres-
de efeitos; mesa de comando.              ses usadas para designar o conjun-
                                          to de regras de comportamento, ela-
mestre de bailado. Bailarino, no ne-
                                          boradas pelo encenador e terico
cessariamente o coregrafo, que pre-
                                          russo Konstantin Stanislavski*,
para e ensaia os demais para os n-
                                          adotadas na poca urea do realis-
meros de bailado no espetculo.
                                          mo pelo Teatro de Arte de Moscou,
mestre coregrafo. O que dirige a         para uma esttica de representar fora
parte coreogrfica, ensaiando os          do modelo aristotlico tradicional. O
grandes bailes e todas as marcaes,      Mtodo resume-se numa tcnica de
desfiles e evolues, indicados no        adestramento, que conduz o ator a
texto da pea e sugeridos pelo            um processo de educao do duplo
ensaiador, a cuja orientao artstica    instrumento de que o artista dispe
est imediatamente subordinado.            alma e corpo  atravs de tcnicas
                                          psicofsicas. Seu criador partiu do
mestre-de-cerimnias. Figura liga-
                                          princpio de que a criao dramtica
da ao teatro elisabetano, cuja princi-
                                          exige em primeiro lugar uma concen-
pal funo ou tarefa era fazer com
                                          trao completa de todo o ser, quer
que os grupos teatrais ensaiassem
                                          fsica, quer espiritual; formalizao
diante dele os textos que deveriam
                                          codificada da tcnica de interpreta-
ser encenados para o pblico. Foi a
                                          o; Sistema.*
forma embrionria dos modernos
encenadores, coordenando de for-          metteur-en-scne. Expresso france-
ma bastante elementar os diferentes       sa, para qualificar o profissional que
elementos que contribuam para a re-      dirige um espetculo; especialista
alizao do espetculo, segundo os        que faz a mise-en-scne; o diretor ou
critrios admitidos entre as partes       encenador.
envolvidas.
                                          Meyerhold, Vsevolod Yemilyevitch
meter em cena. Organizar o conjun-        (1874-1940). Diretor e terico russo
to de uma pea com todos os porme-        de origem alem, discpulo de
nores da encenao.                       Nemirovitch-Danchenko (1858-
                                          1943) e mais tarde de Stanislavski*,
Method. Adaptao norte-america-
                                          defensor intransigente do constru-
na feita pelo Actor's Studio, para uso,
                                          tivismo e da estilizao do ato de
nos seus laboratrios, da teoria de
                                          representar, que exerceu uma influ-
Konstantin Stanislavski* sobre atu-
                                          ncia poderosa no teatro de van-
ao, criao e direo, defendendo
                                          guarda do Ocidente. Introduziu uma
o princpio de que o ator deve
                                          srie de inovaes na mecnica do
encarnar a personagem at perder-
                                          espetculo e na gentica do palco,
se nela. Os mais importantes expo-
                                          comeando sua revoluo propon-
entes americanos desse sistema so
                                          do a eliminao de uma srie de con-
os encenadores Lee Strasberg* e Elia
                                          venes cnicas do teatro natura-
Kazan.* V. Actor's Studio.


                                      185
Meyerhold, Vsevolod                                                 mezzanino

lista, entre elas a da quarta parede.*   sentao dramtica um movimento
Pensando numa comunicao mais           prprio do music-hall e da agitao
direta com o espectador, tentou a        poltica. Quando de seu aprendiza-
eliminao do pano de boca, da ri-       do com Stanislavski*, no Teatro de
balta e dos cenrios, propostas es-      Arte de Moscou, divergiu do realis-
sas que marcariam a ruptura defini-      mo psicolgico do mestre, dizendo-
tiva com o naturalismo. Para             o inadequado para dar uma soluo
Meyerhold, o teatro no  uma sim-       ao exigido pela literatura, separan-
ples imitao da realidade, mas um       do-se dele em 1902, decidido a en-
organismo com vida prpria. Res-         contrar seu prprio caminho e lin-
tringindo o cenrio ao mnimo in-        guagem. Organizou ento um grupo
dispensvel, criou mecanismos que        a que deu o nome de Sociedade do
possibilitassem a multiplicao do       Drama Novo, tentando substituir a
espao cnico, com o uso de estru-       massa individualizada de Stanislavski
turas geomtricas, cubos, escadas,       por grupos coloridos, chegando a
arcos dinamizados pelo movimento         utilizar pela primeira vez na histria
de discos giratrios, planos e esca-     da encenao teatral a luz para dar
das rolantes, terraos em desloca-       ambientao, em lugar do cenrio.
mentos verticais, paredes rotativas      Depois de algum tempo, voltou a tra-
e guindastes. Revolucionando a           balhar com Stanislavski no Stdio
cena com esses apetrechos, deu           Teatral, espcie de laboratrio para
novo sentido ao cenrio, que ficou       profissionais, onde foram postas em
restrito ao mnimo indispensvel. Do     prtica as primeiras experimentaes
ator, ele exigia que tivesse a habili-   com o surrealismo no teatro. Parcei-
dade do bailarino, a mobilidade do       ro e aliado dos bolcheviques, inau-
atleta, a agilidade do palhao e res-    gurou em 1920, em Moscou, o Tea-
pondesse s solicitaes do diretor      tro da Repblica dos Sovietes, que
com a preciso de uma mquina. Em        se transformar, em 1923, no Teatro
1917, mostrou pela primeira vez, na      Meyerhold. Depois do clebre Con-
encenao da pea Mascarada, de          gresso dos Artistas, contra o Realis-
Lermontov, a sua concepo               mo Socialista, em 1939,  preso e exe-
biomecnica de atuao do ator, que      cutado pela Revoluo de 1940. En-
consistia no uso dos gestos rgidos      tre suas montagens mais notveis,
da marionete, o que conferia  per-      ficaram registradas, na Histria do
sonagem a iluso de uma figura de        Espetculo, as de Hedda Gabler, de
pesadelo, e que, para ele, traduzia a    Ibsen* (1906) e As auroras, de Ver
essncia do espetculo, no se tra-      Haldran (1902).
tando de criar o verossmil, mas de
                                         mezzanino. Palavra italiana para de-
exprimir pelo uso do artifcio a ver-
                                         signar um estreito balco, ao fundo
dade da arte. Recorrendo a tipos so-
                                         da sala,  meia altura entre a platia e
ciais que acentuam brutalmente o
                                         o balco nobre.
significado da obra, conferiu  repre-


                                     186
mie (mostrar)                                                          mmica

mie (mostrar). Postura fixa, indivi-     rados pela Bblia, e da moralidade*,
dual ou em grupo, usada excessiva-       por no visar necessariamente a
mente pelo teatro kabuki*, que pos-      transmisso de um ensinamento. Em
sibilita a exibio do/da artista aos    geral, os textos eram versificados, e
aplausos do pblico, quer no inicio,     a msica tinha papel importante na
quer no fim, ou em qualquer momen-       representao. So exemplos not-
to do espetculo. Marcada pelo es-       veis, do gnero, O milagre de
talido do ki, e executada sempre no      Tefilo, de Rutebeuf, do sculo XIII,
hanamitchi, na postura mie o intr-      e Robert, o diabo, do sculo XIV.
prete executa movimentos circulares
                                         Miller, Arthur (1915-2005). Drama-
com a cabea e imobiliza-se repenti-
                                         turgo norte-americano, cuja obra 
namente de frente ou de perfil, acom-
                                         ao mesmo tempo uma crtica aos va-
panhado do mirami. A funo do mie
                                         lores da sociedade de seu pas, em
 sobretudo potica, centrada em si
                                         sua poca, e um retrato de conflitos
mesma, numa exibio da forma pela
                                         psicolgicos individuais decorrentes
forma e gratuita do ponto de vista
                                         da presso exercida pelo meio. Entre
expressivo. O ato ocorre normalmente
                                         suas principais produes merecem
depois de cenas clssicas expressi-
                                         destaque: A morte do caixeiro-via-
vas, como os "combates de espa-
                                         jante, que lhe valeu o Prmio Pulitzer
das", que se constituem normalmen-
                                         (1949), As feiticeiras de Salm (1953),
te na parte mais brilhante do espet-
                                         Panorama visto da ponte (1955),
culo; "cenas de assassinato", em
                                         Depois da queda (1964).
que  posta em relevo a forma de
morrer e requer at quinze minutos       Mimi. Espcie de ator surgido em
de imobilidade, com a expresso          Roma, na Idade Mdia, e que reunia
facial de sete sentimentos diferen-      habilidades de palhao, ginasta e
tes; a "retirada do cinto" nas cenas     cmico; arremedador; zombador.
de violentao de uma mulher; a
                                         mmica. Arte da linguagem do cor-
"venda de um ser humano", sobre-
                                         po e do rosto, expressa por meio de
tudo de uma mulher pelo seu marido
                                         gestos, destinada a completar e es-
a uma casa de prostituio, a fim de
                                         miuar a linguagem verbal, ou mes-
obter recursos para o cumprimento
                                         mo substitu-la integralmente; espe-
de um gesto de lealdade (sendo que
                                         tculo sem palavras, acompanhado
a tristeza dos esposos  considera-
                                         ou no por msica, em que o artista
da uma das mais belas cenas de emo-
                                         comunica seus pensamentos e sen-
o do gnero); e o "suicdio ritual".
                                         timentos atravs da expresso facial
milagre. Gnero surgido na Idade         e corporal. Diferentemente do teatro
Mdia, na segunda metade do scu-        de texto oral, em que o autor procura
lo XIV, e cujo tema central era a pro-   estabelecer relaes no interior de
jeo da vida de um santo ou da Vir-     um conjunto de artistas, o mmico
gem Maria. Distingue-se do mist-        est quase sempre s, autnomo,
rio*, por no se basear em fatos nar-    concentrando em si todo o espao 


                                     187
mmico                                                            mimodrama

sua volta.  Essa forma de expresso     tao burlesca, de cunho realista,
teatral tem suas razes na mais remota   entremeada de danas e jogos, que
antiguidade. Ao contrrio da com-       procuravam imitar os caracteres e
dia e da tragdia, no se desenvolveu    costumes da poca. Sua criao  atri-
de forma contnua, atravessando fa-      buda a Sfron de Siracusa, que vi-
ses ureas e longo perodos de obs-      veu entre 465 e 435 a. C. Muito mais
curidade. Muito popular no Imprio       antigo que a tragdia, entrou na his-
Romano, foi adotada mais tarde pela      tria do teatro por intermdio dos
Commedia dell'Arte. Na Inglaterra,       camponeses da Siclia que, aproxi-
desenvolveu-se por volta do sculo       madamente, h dois mil e quinhen-
XVIII, numa forma peculiar, quando       tos anos, tinham uma forma seme-
foi enxertada com o canto, a dana e     lhante de teatro. Dentre seus temas
algum texto. No Oriente, integra o       preferidos esteve sempre o adultrio
kabuki* japons. Teve uma grande         e a mitologia. Primitivamente, era uma
fase com Jean-Baptiste Debureau          representao de puro gesto, sendo
(1796-1840), seguido de Etienne          mais tarde enriquecida com a intro-
Decroux, na dcada de vinte do scu-     duo de trechos falados, pela ne-
lo passado, mas s foi encontrar sua     cessidade que os atores sentiram de
forma exclusiva de expresso j perto    comentar e explicar a pantomima,
da segunda metade do sculo XX, na       chegando ento ao exagero de intro-
Frana, onde o mmico Marcel             duzir piadas, normalmente bem acei-
Marceau*, por volta de 1947, a torna     tas pelo pblico. Ao ser introduzida
popular internacionalmente atravs       em Roma, foi conservada a pureza
do seu Les enfants du paradis, em        de sua origem, adquirindo mais tar-
que criou seu tipo antolgico de pa-     de o carter de farsa, quando era re-
lhao, o Bip.* Aps a Segunda Guer-      presentada na ltima parte dos es-
ra Mundial, surgiram outros mmicos      petculos. Dentre seus temas prefe-
de grande projeo internacional, en-    ridos esteve sempre o adultrio e a
tre os quais Jean-Louis Barrault.* No    mitologia. 2. Forma dramtica sem pa-
Brasil, merecem destaque Luis de         lavras, baseada na imitao, mais ou
Lima, Ricardo Bandeira e Denise          menos estilizada. 3. Designao do
Stoklos (1951-1234).                     ator que representava essa espcie
                                         de farsa. 4. Pequeno drama familiar
mmico. Profissional especializado
                                         no dialeto siracusano; representao
em espetculos em que a comunica-
                                         burlesca.
o  feita exclusivamente atravs
dos gestos e da expresso corporal       mimodrama. Ao dramtica repre-
e facial; ator que exprime sua arte      sentada atravs da mmica; pantomi-
exclusivamente por meio de gestos e      ma. Na sua origem romana, foi um
expresso corporal; pantomimeiro.        gnero repleto de intrigas complica-
                                         das e mltiplas aventuras, procuran-
mimo. 1. No antigo teatro greco-ro-
                                         do arrancar risadas do pblico atra-
mano, espcie de farsa ou represen-
                                         vs de uma avalanche de situaes


                                     188
mimodramtico                                                            mistrio

hilrias; ao dramtica representa-        dades de carter cvico ou religioso,
da atravs da mmica.                       e o autor seguia a narrativa bblica
                                            na sua prpria seqncia, de forma
mimodramtico. Relativo ao
                                            completa e pormenorizada, com o au-
mimodrama.
                                            xlio dos evangelhos apcrifos e das
mimografia. Estudo ou tratado acer-         Meditationes de vita Christi, atribu-
ca da mmica.                               das a So Boaventura. No existin-
                                            do unidade de ao, a narrativa b-
mimgrafo. Autor de mmicas ou ro-
                                            blica era seguida sem a preocupao
teiros para os espetculos de mmica.
                                            de agrup-la em torno de um epis-
mimologia. Arte e tcnica da mmica         dio nodal. Para o autor do mistrio,
mise-en-scne. Expresso cunhada na         normalmente um clrigo, a unidade
Frana, por volta de 1820, para tradu-      dramtica era o prprio Auto da Re-
zir o conjunto de movimentos, aes,        deno, que comeava com a cria-
atitudes e sons de um espetculo e as       o do mundo e o pecado original,
providncias de ordem tcnica, toma-        e terminava com a descida de Cris-
das pelo encenador, para transformar        to ao limbo. Contando sempre um
o texto teatral numa obra de arte a ser     fato magnnimo da Virgem Maria
entendida claramente pelo pblico;          ou dos santos, e tentando fazer
todo o desenvolvimento da ao c-          reconstituio histrica, o mistrio
nica; a direo ou encenao. Segun-        teve seu apogeu no sculo XV, quan-
do o encenador francs Jacques              do comeou a introduzir assuntos
Copeau, " a passagem de uma vida           mitolgicos e alegricos. Os espet-
espiritual e latente, a do texto escrito,   culos podiam ter a durao de algu-
a uma vida concreta e atual, a da cena."    mas horas ou se estender por vrios
A expresso, hoje fora de uso, j teve      dias, como Os mistrios dos Atos dos
largo uso no Brasil.                        Apstolos, de Arnoul e Simon
                                            Grban, que levava 40 dias. As en-
mistrio. Gnero popular do teatro          cenaes, a princpio patrocinadas
medieval, baseado em temas de fun-          pela Igreja, a partir do sculo XV pas-
do religioso, normalmente passagens         saram a ser organizadas por corpo-
dos evangelhos, sobretudo os da             raes chamadas de Confrarias da
Paixo de Cristo, ou episdios da vida      Paixo. Na Inglaterra, a produo do
dos santos e mrtires cristos, com         texto obedeceu a quatro ciclos dis-
inteno moralizante. Sua origem re-        tintos, a saber: York, Chester,
monta ao drama semilitrgico e suas         Wakefield e da Cidade N (assim clas-
primeiras manifestaes ocorreram           sificados por no se saber onde as
ao longo do sculo XII. Desligado           peas eram representadas). O gne-
do culto religioso, as representaes       ro desapareceu a partir de 1548,
eram realizadas na praa pblica, p-       quando foi proibido pelo Parlamen-
tios dos mosteiros e conventos, ou          to de Paris. Assemelha-se bastante
no adro das igrejas durante festivi-        ao milagre.*


                                        189
mito                                                                    Molire

mito. Segundo o filsofo grego            de comdia, comeou a produzir sua
Aristteles*, o enredo ou a trama.        obra com uma linguagem prpria, pe-
                                          culiar, usando como modelo as per-
moblia. Conjunto dos mveis que
                                          sonagens da cultura francesa, fir-
fazem parte da cenografia; mobilirio.
                                          mando sua originalidade a partir de
moito. Roldana presa ao urdimento,       As preciosas ridculas (1659). Mas
por onde passam as cordas que sus-        no se deu bem quando tentou tro-
tentam os cenrios; gorne.                car a farsa, to bem representada em
                                          Sganarelle ou o cornudo imagin-
mojiganga. Pequena companhia
                                          rio, por um gnero srio, personifi-
itinerante de farsa, muito popular na
                                          cado em Dom Garcia de Navarra
Espanha e em Portugal no sculo
                                          (1660). Fracassou e voltou correndo
XVII. Era normalmente constituda
                                          para a comdia, que dominou com
por duas mulheres, cinco ou seis
                                          uma perfeio invejvel, produzindo
homens, quatro cavalos para o trans-
                                          sucessivamente Escola de maridos
porte da bagagem, dois auxiliares e
                                          (1661), Escola de mulheres (1663).
um repertrio de seis peas. Muito
                                          De 1664 a 1666, escreveu trs peas
se assemelhavam aos mambembes
                                          de carter moral ou religioso, que se
brasileiros.
                                          inscreveram entre as obras-primas da
Molire, Jean-Baptiste Poquelin,          literatura universal: Tartufo (1664),
dito (1622-1673). Dramaturgo francs      Dom Juan (1665), O misantropo
que se notabilizou pela sua intensa       (1666). Para distrair a corte, em Saint-
atividade na arte dramtica, quer         Germain, criou as comdias musicais,
como encenador, quer como autor de        entre as quais Anfitrio (1668), O
stiras e comdias refletindo a soci-     burgus fidalgo (1670), As artima-
edade de sua poca, povoadas de           nhas de Escapino (1671). O grande e
tipos notveis que se tornaram imor-      rpido sucesso da dramaturgia de
tais na literatura mundial. Em 1642,      Molire, entre outras virtudes, deve-
abandona seus estudos de direito          se ao ritmo quase frentico das ce-
para criar, no ano seguinte, com a        nas, ao encadeamento dos dilogos,
famlia Bjart, o Illustre Thtre, ex-    trama bem construda, ao retrato
perincia sem sucesso. Por cerca de       do cotidiano,  mordacidade de sua
doze anos percorreu o interior do         crtica social e, sobretudo,  notvel
pas, representando um texto de sua       caracterizao psicolgica das per-
autoria, O despeito amoroso (1655),       sonagens.  Trs pancadas de
inspirado na farsa italiana. Aps uma     Molire. V. Basto de Molire. 
exibio para o rei, em 1658, com pe-     Prmio Molire. Prmio concedido
as de seus contemporneos, obtm         desde 1965 pela companhia de avia-
a sala do Petit-Bourbon e logo em         o francesa Air France s persona-
seguida (1660) a do Palais-Royal ,        lidades que mais se destacam na rea
que conservou at sua morte. De-          do teatro, nas cidades do Rio de Ja-
sinteressando-se do modelo italiano       neiro e So Paulo, cobertas por essa


                                      190
molinete                                                      monstro sagrado

companhia de aviao, nas seguin-          monlogo. Trecho de uma pea tea-
tes categorias: Direo, Interpreta-       tral em que atua apenas uma perso-
o, Cenografia, Gnero Infantil, e um     nagem fazendo reflexo, comentan-
prmio especial, geralmente destina-       do fatos ocorridos ou ao a ser de-
do a uma personalidade teatral, pelo       senvolvida, dirigindo-se ao pblico
conjunto de sua obra ou importn-          ou falando consigo mesma; solil-
cia de sua atuao, num setor espe-        quio. O teatro grego  rico de gran-
cfico da rea.                            des monlogos, e so clebres, na
                                           histria da dramaturgia mundial, o de
molinete. Espcie de cabrestante,
                                           Hamlet, de Shakespeare*, e o de
manual ou eltrico, usado para mo-
                                           Cyrano de Bergerac, de Edmond
vimentar alapes e suspender pe-
                                           Rostand.* Mas esse tipo de cena, ou
sos na caixa do teatro.
                                           conjunto de cenas, com um nico
momo. Nome que os gregos antigos           intrprete, tambm se transformou
davam  stira sob a forma de farsa.       em textos mais longos, constituindo
                                           um espetculo normal, produzidos
monodrama. Pea com um s per-
                                           por grandes dramaturgos. V.
sonagem; monlogo; monovox. Ne-
                                           Monodrama.  Monlogo interior.
gao do dilogo, neste gnero, o/a
                                           Recurso expressivo pelo qual se faz
ator/atriz usa de todos os truques
                                           ouvir "o pensamento da persona-
possveis e imaginveis, alm do tex-
                                           gem" enquanto seus lbios perma-
to literrio, para manter o interesse
                                           necem imveis.
do espectador: l cartas, interpela fi-
gurantes imaginrios, fala ao telefo-      monovox. V. Monodrama.
ne, escreve, conta, canta, narra, acu-
                                           monstro sagrado. Diz-se dos/das
sa, faz planos, deita moral, etc. O dra-
                                           grandes intrpretes que atingem
maturgo Pedro Bloch (1914-1997) foi
                                           grau incomum de tcnica, resultado
o renovador do gnero no Brasil, com
                                           no s de um talento excepcional e
suas peas As mos de Eurdice e
                                           fora da mdia para a arte de repre-
Esta noite choveu prata. Outros dra-
                                           sentar, como do esforo excepcio-
maturgos clebres andaram produ-
                                           nal que fazem, atravs do estudo
zindo o gnero, entre os quais o fran-
                                           sistemtico e treinamento exausti-
cs Jean Cocteau: O belo indiferen-
                                           vo e contnuo; artista excepcional,
te, A voz humana; Eugene O'Neill*:
                                           de grande talento, que por seu re-
Antes do caf; Luigi Pirandello*: O
                                           nome e prestgio fica acima da se-
homem da flor na boca; Joo
                                           veridade da crtica; mito intocvel.
Mohana (1925-1995): O marido de
                                           Houve uma fase na histria do tea-
Conceio Saldanha.
                                           tro em que essa figura tinha mais
monogatari (recitativos). No teatro        pose que talento. Era geralmente o
kabuki*, intervenes durante a re-        dono ou dona da companhia, e s
presentao em tom de melopia har-        montava espetculos cuja ao
moniosa ou cortante.                       gravitasse em torno de sua pessoa,


                                       191
monta-cargas                                                     moralidade

ocorrendo, inclusive, que textos fos-   para armar harmonias expressivas e
sem escritos visando exclusivamen-      fortes linhas meldicas de sua msi-
te sua criatura. Essa figura come-      ca. Seu primeiro trabalho foi Orfeu,
ou a desaparecer entre 1920 e 1930,    escrito em Mntua (1607). Em segui-
com o aparecimento gradativo de         da, escreveu Ariadne (1608).
outra figura, a do diretor.
                                        moralidade. Gnero teatral a que per-
monta-cargas. Tipo de elevador gran-    tenciam originariamente certas peas
de e aberto, semelhante ao usado na     didticas medievais que tinham o
construo civil, existente nos gran-   objetivo de "ensinar lies de mo-
des teatros para o transporte dos       ral", divertindo atravs de alegorias.
cenrios do subsolo ou poro, at o     De cunho religioso, juntamente com
nvel do palco.                         os mistrios* e os milagres*, foi uma
                                        das mais populares formas desenvol-
montagem. Ato ou efeito de encenar
                                        vidas pelo teatro medieval. Trata-se,
um espetculo teatral, juntando as
                                        geralmente, de uma alegoria cujas
vrias etapas da direo, que vo da
                                        personagens so abstraes de v-
leitura dos papis e ensaios  inter-
                                        cios ou virtudes, atravs das quais o
pretao, passando por todo o pro-
                                        autor pretende transmitir ensinamen-
cesso de produo  maquilagem,
                                        tos morais, instruindo os espectado-
seleo de adereos, concepo dos
                                        res sobre a necessidade da salvao
cenrios e organizao dos peque-
                                        eterna. Inventada pelos trovadores
nos detalhes; processo de realizao
                                        normandos, surgiu no sculo XIII,
de uma pea teatral a partir da con-
                                        na Frana, e seu maior desenvolvi-
cepo do seu diretor quanto  for-
                                        mento ocorreu no sculo XV. Um
ma e ao estilo da encenao do texto
                                        dos exemplos mais notveis de
escolhido. A montagem de um espe-
                                        moralidade, como gnero teatral, 
tculo envolve seleo do elenco,
                                        a pea Todo mundo, criada na Ingla-
criao dos cenrios, figurinos, ilu-
                                        terra no sculo XV e ainda encena-
minao, sonoplastia, ensaios e apre-
                                        da, eventualmente, nos dias atuais.
sentao do espetculo para o p-
                                        Etapa importante da secularizao
blico. V. Encenao.
                                        do teatro, as moralidades deram ori-
montalqum. V. Lambrequim.              gem a vrias formas dramticas, en-
                                        tre elas a farsa moral, os autos, as
montar. Encenar; preparar um texto
                                        tragicomdias alegricas, os autos
em termos de encenao; armar o ce-
                                        sacramentais, entre outros. Influen-
nrio ou partes do cenrio; encenar.
                                        ciou tambm diversos autores
Monteverdi, Cludio Giovanni Anto-      elisabetanos, entre eles Cristopher
nio (1567-1643). Compositor italiano,   Marlowe*, Gil Vicente*, e os autores
autor de madrigais, que se tornou um    espanhis do Sculo do Ouro, entre
dos autores mais importantes da his-    os quais Juan del Encina*, Snchez
tria da pera mundial, em razo de     de Bordajaz e Lope de Vega.* Moral
sua habilidade dramatrgica, talento    plays; moral interludes.


                                    192
Moreyra, lvaro                                               Mller, Heiner

Moreyra, lvaro Maria da Soledade        movimento. Toda a ao executada
Pinto da Fonseca Velhinho Rodri-         pelo maquinista e seus auxiliares
gues Moreira da Silva, dito lvaro       durante o espetculo: montagem,
(1888-1964). Poeta, cronista e jorna-    transporte, subida e descida dos ce-
lista, nascido no Rio Grande do Sul.     nrios durante o espetculo, abertu-
Diretor de revistas literrias, fundou   ra e fechamento das cortinas.  Mo-
o Teatro de Brinquedo, que, na po-      vimento Pnico. V. Teatro Pnico.
ca, muito contribuiu para a renova-
                                         Mller, Heiner (1929-1969). Drama-
o do teatro brasileiro. Em 1929, es-
                                         turgo e diretor de teatro alemo,
creveu a pea Ado, Eva e outros
                                         continuador de Brecht*, uma das
membros da famlia.
                                         personalidades mais importantes do
Moreyra, Eugnia (1899-1948). Jor-       moderno teatro europeu. Colabora-
nalista e artista de teatro que, em      dor e dramaturgo no Teatro Mximo
companhia do marido lvaro               Gorki, no Berliner Ensemble* e na
Moreyra, fundou o Teatro de Brin-        Volksbhne da Repblica Democr-
quedo. Criou tambm o Teatro de          tica Alem. Em 1959, recebeu o Pr-
Arte, com o qual levou o teatro         mio Heinrich Mann e, em 1975, o
populao das periferias do Rio de       Lessing. Escreveu alguns dos tex-
Janeiro e excursionou pelo Brasil.       tos teatrais mais expressivos da
                                         dramaturgia alem, depois de Brecht,
moritat. Gnero de representao e
                                         e  o mais instigante e significativo
cano popular, originrio do sculo
                                         dramaturgo alemo, cuja obra trans-
XIX, na Alemanha, em que eram nar-
                                         forma irreversivelmente o prprio
rados crimes e calamidades. O nome
                                         conceito de dramaturgia. Seu teatro,
deriva da expresso mordtad, que
                                         de cunho estritamente poltico, tra-
quer dizer assassinato.
                                         ta essencialmente da reviso do pro-
mosca (estar s moscas). Diz-se          cesso histrico alemo, questionan-
de um espetculo com pouca aflun-       do o significado e a prtica da revo-
cia de pblico.                          luo e discutindo de forma incisiva
                                         a construo do socialismo. Ele pro-
mosqueteiros. A platia masculina,
                                         voca a destruio do tempo e do es-
geralmente barulhenta e rufiona,
                                         pao, rompendo com o discurso li-
que freqentava os ptios dos
                                         near. Seus textos so fragmentos,
corrales* espanhis durante os s-
                                         cenas estraalhadas, dilogos ou
culos XVI e XVII.
                                         monlogos deliberadamente derris-
mouricas. Espcie de espetculo         rios, constituindo um estmulo para
parte, intercalado  representao       a criao inventiva de uma nova rea-
dos dramas clssicos, durante a          lidade cnica. Na sua densa obra,
Renascena, constitudo de dana,        pode-se apontar como significativa
no qual figuravam ninfas, stiros        a pea Mauser (escrita em 1970, como
ou mouros.                               a terceira de uma srie experimental,



                                     193
Multido                                                          music-hall

sendo a primeira o Filocteto e a se-     nrios exuberantes, um elenco for-
gunda O Horcio).                        mado sobretudo por mulheres boni-
                                         tas e ricamente adornadas de plumas,
multido. Conjunto de pessoas que
                                         paets, miangas e pouca roupa ou
aparecem em determinadas cenas
                                         roupa nenhuma. A introduo do
quando  necessrio representar po-
                                         bal, nesse gnero, deve-se a Agnes
pulaes, grupos de guerreiros, ce-
                                         de Mille (1909-1993). Produto tpico
nas de massa popular.
                                         da Broadway, tem como marco mais
musas. Segundo a mitologia grega,        importante Oklahoma! (1943), de au-
as divindades que protegiam as ar-       toria dos norte-americanos Oscar
tes, em nmero de nove. As do tea-       Hammerstein II (1898-1960) e Richard
tro eram: Talia, para a comdia; e       Rodgers (1902-1979), primeiro espe-
Melpmene, para a tragdia.              tculo em que as msicas, colabo-
                                         rando no desenvolvimento da trama,
msica de cena. Msica feita espe-
                                         reforavam a caracterizao das per-
cialmente, ou arranjo de alguma j
                                         sonagens e situaes. At ento, a
existente, que se faz ouvir em algu-
                                         histria, personagens e situaes
mas passagens do espetculo, para
                                         eram meros pretextos para a apresen-
produzir no pblico determinadas
                                         tao de danas, canes, entrechos
reaes emocionais.
                                         cmicos e romnticos. Grosso modo,
msica incidental. Msica escrita        o elo de ligao das cenas do musi-
especialmente para acompanhar uma        cal  um entrecho amoroso. Entre as
pea de teatro, diferente da compos-     expresses mais notveis do gne-
ta para uma pera, comdia ou revis-     ro, merecem destaque Alegre divor-
ta musical.                              ciada, de Cole Porter, Johnny
musical. Gnero de comdia que as-       Johnson, de Kurt Weill*, Annie, get
socia a msica, o canto, a dana e o     your gun, de Irving Berlin, West side
texto em prosa, de carter espirituo-    story, de Leonard Bernstein (1918-
so, sob a forma de esquete. Descen-      1990), My fair lady, de Loewe
dente do burlesco, da opereta, do        (Frederick, 1901-1988) & Lerner (Alan
vaudeville e da revista, o musical de-   Jay, 1918-1986), A novia rebelde, de
senvolveu-se nos Estados Unidos a        Rodgers e Hammerstein, Show boat,
partir do final do sculo XIX, firman-   de Jerome Kern (1885-1945).
do-se como gnero prprio na dca-       music-hall. 1. Expresso inglesa para
da de 40, a partir da aproximao do     identificar um gnero de espetculo
jazz, que influenciou o gnero com       de variedades surgido na Europa, em
ritmos mais sincopados, brilhante-       meados do sculo XIX, composto de
mente criados por George Gershwin        nmeros de canto, humor, dana, cir-
(1898-1937) e Cole Porter (1892-1964).   co e outras atraes, representado
Antes disso, manifestava-se na for-      enquanto o pblico consome bebi-
ma tmida de revista. Ao criar vida      da. 2. Estabelecimento destinado a
prpria, ficou enriquecido com ce-       esse gnero de espetculos.  Os


                                     194
Musset, Alfred de                                                  mutao

anos 60 do sculo XX viram um re-      mutao. Transformao total ou
torno dessa forma teatral, levada,     parcial de uma parte ou de todo o
como em suas origens, gratuitamen-     cenrio no desenrolar de uma cena,
te nos bares dos bairros operrios.    ou no final de um quadro, ou de um
                                       ato. Pode ser realizada no escuro, 
Musset, Louis Charles Alfred de
                                       vista do espectador, o qual  atordo-
(1810-1857). Dramaturgo francs
                                       ado (ou no) com fortes jatos de luz
do perodo romntico, mais conhe-
                                       ou tem sua visibilidade perturbada
cido de leitura que de encenao.
                                       por cortinas de fumaa, ou outros
Sua breve e acidentada ligao amo-
                                       recursos, ou com o pano de boca fe-
rosa com George Sand parece ter
                                       chado.  Mutao  vista. A que se
sido a fonte de inspirao para al-
                                       faz sem descer ou fechar o pano de
guns de seus trabalhos mais signifi-
                                       boca.  Mutao rpida. Troca de
cativos. De sua obra dramtica, po-
                                       cenrios ou figurinos muito rapida-
dem ser destacadas Os caprichos de
                                       mente, s vezes  frente do pblico.
Marianne (1833), Lorenzaccio e
                                       Ordem comandada pelo contra-regra
Com o amor no se brinca (1834).
                                       ao maquinista-chefe, e deste para
                                       seus subordinados, para a mudana
                                       de cenrios; troca instantnea.




                                   195
N. N. Conveno usada nos impres-          no s elevou o gnero  perfeio
sos do espetculo, onde figura o           artstica, como lhe deu uma base fi-
elenco, ao se referir s personagens       losfica centrada nas manifestaes
sem importncia para o contexto; fi-       do zen-budismo da cultura japone-
gurante; comparsaria.                      sa. Gnero que ganhou de pronto a
                                           preferncia da classe guerreira medi-
nirami (olhos quase fora das rbi-
                                           eval do Japo, no s por sua rigidez
tas). Forma de expresso que o ator
                                           esttica, como por apresentar mui-
do teatro kabuki* imprime no olhar
                                           tos pontos em comum com o rigor
ao final dos mie.*
                                           do samurai. Os intrpretes so ho-
n. Gnero de drama lrico e intelec-      mens, usam mscaras tradicionais de
tual do teatro clssico japons, cria-     madeira e o elenco  formado por um
do pelo ator Kan-Ami Kiyotsugu, na         coro, uma orquestra e duas persona-
segunda metade do sculo XIV, por          gens: o waki, sem mscara, que pre-
solicitao do shogun Yoshimitsu           para a ao, e o shit, mascarado, o
Asi Kaga, ficando sob a proteo da        verdadeiro protagonista, que pode
corte, exercida prioritariamente pelos     representar um deus, um demnio,
nobres samurais. Originado da fuso        um samurai, uma mulher ou um lou-
de vrias formas de danas e panto-        co. O espetculo se inicia sempre
mimas, as peas eram representadas         com uma espcie de prlogo coreo-
originalmente durante as funes re-       grfico, em que o naki apresenta-se
ligiosas nos festivais xintostas e dra-   ao pblico danando e proferindo
matizavam normalmente a vida espi-         palavras, num snscrito ininteligvel,
ritual do personagem central, utili-       colocando a mscara em seguida,
zando dilogos em prosa, alternados        como querendo "informar" que a fun-
com declamaes feitas por um coro,        o teatral propriamente dita est
canes, msica instrumental, dan-         comeando. O espetculo  caracte-
a e mmica, num estilo altamente          rizado pelo simbolismo, pelo lirismo,
ritualizado. A sua forma primitiva, o      pelos movimentos altamente
saragakuno-no, foi aperfeioada            estilizados dos intrpretes, que obe-
por Zeami, filho de seu criador, que       decem a convenes cnicas perma-
n                                                                       nobre

nentes e tradicionais. O repertrio      fundo, no qual est vivamente pin-
varia entre 240 e 250 peas, classifi-   tado um pinheiro retorcido. Se o ator
cadas por seu contedo: okina e          faz uma pausa junto ao primeiro pi-
sambaso, que so as peas rituais        nheiro, a personagem  divina e a
em que um deus toma a forma huma-        sua primeira dana comea por um
na de velho e conversa com um esp-      crculo largo; se ele pra junto ao se-
rito local que usa mscara preta; waki   gundo,  uma personagem
no, em que aparecem deuses locais        semidivina e limita-se a um semicr-
de menor categoria; peas divinas,       culo; e se s pra no terceiro pinhei-
peas de fantasmas guerreiros, pe-       ro,  um humano, e a coreografia da
as de cabeleira ou de mulheres, pe-     sua primeira dana inscreve-se na fi-
as da lua, peas sobre insanidade,      gura de dois tringulos. No h m-
peas de demnios, peas de vin-         veis nem quaisquer outros acessri-
gana, peas terrenas, peas-eplo-      os, excetuando almofadas para os
go. Cada pea  dividida em duas         msicos e cantores, que permanecem
partes: a primeira, com carter de       sentados no palco durante a ao e,
enigma, onde os espritos se confun-     raramente, uma ou duas plataformas
dem com os vivos; e a segunda, que       suplementares. Os acessrios da re-
 uma revelao. Uma representao       presentao resumem-se num leque,
geralmente consiste de vrias peas      que serve sucessivamente de escu-
tiradas dessas diferentes categorias.    do, alade ou taas. A movimenta-
Um programa de seis horas compre-        o  conseqentemente restrita e
ende cinco peas, que podem se al-       simblica, onde poucos passos pelo
ternar com farsas burlescas ou           palco significam uma longa caminha-
kyogen. Cinco escolas ou famlias        da. Tal como no teatro grego primiti-
distintas de n so conhecidas:          vo, h dois atores principais, um de-
kanz, kita, hosho, komparu e            les representando exclusivamente os
kongo. Mas so muito diminutas as        papis femininos e o nico a usar
diferenas de texto e estilo entre es-   mscara. O n  essencialmente um
sas escolas: apenas o vesturio so-      teatro de fantasia: suas personagens-
fre ligeira alterao de uma para ou-    chave esto sempre ligadas a figu-
tra. Os espectadores sentam-se dos       ras terrenas, e o coro  a voz interior
dois lados do palco, que  apenas        do pblico. Embora curta, a pea n
uma plataforma retangular, de madei-     tem carter pico e o gnero deu ori-
ra muito polida, onde  armado um        gem ao kabuki*, forma dramtica
dossel sustentado por quatro varas.      mais popular que atingiu sua pleni-
O cenrio, extremamente simplifica-      tude no sculo XVII.
do, quase o mesmo para todo o re-
                                         nobre. 1. Classificao dada a alguns
pertrio, constitui-se normalmente
                                         tipos de personagens clssicos da
de trs pinheiros colocados ao lon-
                                         comdia ou do drama; centro nobre.
go da galeria que d acesso ao palco
                                         2. Nas antigas estruturas arquitet-
e s vezes de uma tela ou pano de
                                         nicas das casas de espetculos, o


                                     198
nome de guerra                                                       nmero

"balco" que ficava  altura dos ca-     Nova (Comdia). O conjunto de
marotes de primeira ordem.               obras do teatro cmico da Grcia
                                         antiga, escritas no perodo final do
nome de guerra. Um nome que pos-
                                         sculo IV a. C., caracterizadas pela
sa ser mais representativo que o pr-
                                         stira aos costumes e cujos princi-
prio, escolhido pelo artista para se
                                         pais autores foram Menandro* e
exibir no palco e ficar conhecido de
                                         Filmon.*
seu pblico; nome-fantasia, para efei-
to publicitrio; pseudnimo. Nessa       nmero. Indicao numrica que se
estratgia de marketing, Carlos Pra-     d a um ator para marcar sua posio
ta virou Grande Otelo, Balduna vi-      em cena, quando nela se encontra
rou Bidu Sayo, Maria da Graa,          simultaneamente com outro.
Xuxa, e por a a fora.




                                     199
Obalda, Ren de (1918-1955). Escri-     Broadway e Off-off. Off Broadway.
tor francs, romancista e dramatur-      Teatro no comercial, de carter ex-
go, autor de comdias de inspirao      perimental, surgido nos Estados
surrealista, entre elas, Vento nos ga-   Unidos a partir dos anos 40 do scu-
lhos de sassafrs (1965) e Os bons       lo XX. Incorporando a tendncia re-
burgueses (1980).                        volucionria do teatro europeu em
                                         voga, como o Teatro da Crueldade*,
objeto de controvrsia. Expresso da
                                         de Antonin Artaud*, e as propostas
teoria do gnero, para indicar a per-
                                         estticas de Bertholt Brecht*, o mo-
sonagem central que, pela sua forma
                                         vimento tinha como objetivo
esquemtica, tem o poder de centra-
                                         rechaar a organizao comercial ti-
lizar a controvrsia do drama.
                                         picamente competitiva e alienante da
Odets, Clifford (1906-1963). Ator,       Broadway, cuja produo de espe-
roteirista e dramaturgo norte-ameri-     tculos comeava a revelar uma ten-
cano, um dos mais destacados do          dncia para substituir o nvel artsti-
Group Theater, com vasta obra            co dos espetculos por uma apre-
publicada e representada nos palcos      sentao apenas comercialmente lu-
do Planeta: A vida impressa em d-       xuosa. Praticado em stos, depsi-
lares (1935), Paraso perdido (1935),    tos e armazns adaptados, os inte-
O menino de ouro (1937), A grande        grantes dessa onda renovadora fi-
chantagem (1949), entre outras.          zeram uma releitura inteligente e aten-
                                         ta da obra de dramaturgos como
off (teatro). Nos Estados Unidos,
                                         Tennessee Williams*, Eugene
designao para os espetculos re-
                                         O'Neill*, William Inge (1913-1973),
presentados fora dos circuitos cir-
                                         que j haviam passado pela
cunscritos s zonas urbanas centrais
                                         Broadway, onde sofreram tremendos
da Broadway, em Nova York. Por ex-
                                         fracassos e revelaram o talento de
tenso, passou a designar toda uma
                                         outros dramaturgos que se encon-
corrente de teatro experimental nor-
                                         travam incubados, como Edward
te-americana, desde a opereta rock,
                                         Albee*, Arthur Kopit (1937-1234),
ao teatro off-off, e underground. V.
Offenbach, Jacques                                            Oficina (Teatro)

Jack Gelber (1932-1234), etc. Off-       imitar o virtuosismo de Niccol
Off Broadway. Teatro fora dos es-        Paganini (1782-1840) com o violino.
quemas comerciais da Broadway            Dirigiu msica cnica no Thtre
como do off. Movimento nascido em        Franais e dedicou-se  direo tea-
Nova York na dcada de 60 do scu-       tral, o que o favoreceu na sua carrei-
lo passado, questionando o off-          ra de operetista. Dirigiu tambm pera
Broadway, que comeava a se iden-        cmica, tendendo para o caricatural
tificar com o teatro comercial e         (pera bufa). Seu primeiro sucesso
consumista praticado na Broadway.        foi a Chanson de Fortunio, escrita
Os adeptos dessa nova tendncia          para a comdia Le chardelier. Em
comearam tambm usando espaos          1855, passou a dirigir o teatro Bolffes-
alternativos, incluindo igrejas e ca-    Parisiens e, em 1876, abandonou o
fs, e tinham tambm o carter expe-     teatro para se dedicar exclusivamen-
rimental e vanguardista. Sensveis      te  composio. Viajou pela Ingla-
luta pelos direitos civis,  revoluo   terra, Alemanha e Estados Unidos,
sexual, ao mal-estar urbano e ao mo-     fixando-se em seguida em Paris, para
vimento antiblico, os dramaturgos       cuidar s de suas operetas. Nelas, o
que aderiram ao movimento discuti-       que mais importava eram o ritmo e o
am isso nas suas obras, ao mesmo         humor das situaes. Entre suas
tempo em que, rebelando-se contra        grandes obras, registre-se: Orfeu no
o texto broadwayanamente "bem            inferno (1858), A bela Helena
acabado", de esmerada finalizao e      (1864), Barba-Azul (1866), A vida
obviedade presumvel, levantaram a       parisiense (1866), Robinson Cruso
bandeira em favor do acaso e da fal-     (1876), A gr-duquesa de Grolstein
ta de lgica que pareciam fazer parte    (1876) e sua obra-prima, Os contos
da nova conscincia coletiva. Entre      de Hoffman, encenada e publicada
os mais importantes dramaturgos          postumamente, em 1881.
desse perodo, esto Sam Shepard
                                         Oficina (Teatro). Grupo teatral cria-
(1943-1234), David Rabe (1940-1234),
                                         do em So Paulo, em 1963, por Jos
Megan Terry (1932-1234).
                                         Celso Martinez Correia, com atuao
Offenbach, Jacques (1819-1880).          marcante na dramaturgia brasileira,
Compositor francs nascido na Ale-       enquanto existiu, pela audcia de
manha, autor de uma vasta produ-         suas experincias estticas e inova-
o de operetas, em princpio influ-     es cnicas. Estreou com Os peque-
enciado pelas alegres msicas do         nos burgueses, de Mximo Gorki, um
carnaval de Colnia. Suas melodias       dos mais perfeitos espetculos rea-
so cheias de vivacidade e repletas      listas j realizados no Brasil. Raros
de refres populares. Em Paris, com-     elencos brasileiros aplicaram de for-
pletou os estudos musicais, aperfei-     ma talentosa e oportuna as teorias
oando-se em violoncelo, tamanha         de Bertholt Brecht.* Procurando uma
tendo ido sua habilidade no manejo       linguagem nova para se expressar, o
desse instrumento, que chegou a          Oficina elaborou uma esttica nova


                                     202
Oficina (Teatro)                                              O'neill, Eugene

que denominou de "teatro da agres-        Oliveira, Manuel Botelho de. Poeta
so", e todas as suas montagens           barroco nascido em Salvador, Bahia,
despertavam o interesse da crtica e      em 1636, e falecido em 1711, consi-
do pblico. Num ritmo polmico,           derado o primeiro comedigrafo bra-
montou, envolvendo num clima rea-         sileiro, tendo escrito em espanhol
lista, Os inimigos (1966), de Gorki,      Hay amigo para amigo e Amor,
lanou Roda viva, de Chico Buarque        engaos y celos.
de Holanda (1968), produziu em 1970
                                          Olivier, Laurence (1907-1989). Um
a mais polmica criao coletiva da
                                          dos intrpretes mais versteis e
histria do teatro brasileiro, Grcias,
                                          completos de sua poca, tanto em
seor, incluindo em seu repertrio a
                                          papis clssicos, como modernos.
primeira e histrica montagem de O
                                          Nascido na Inglaterra, ingressou no
rei da vela, de Oswald de Andrade.*
                                          Teatro Old Vic em 1937, especi-
Fechou por falta de recursos, em
                                          alizando-se na interpretao e en-
1973. Os grandes momentos do Ofi-
                                          cenao da obra de Shakespeare.
cina no se contam s no campo da
                                          Com o filme Hamlet (1948), ganhou
encenao, mas sua histria envol-
                                          o Oscar de diretor e ator. Em 1962,
ve tambm a construo de casas de
                                          ocupou o cargo de diretor do Tea-
espetculos prprias. A primeira foi
                                          tro Nacional da Inglaterra. Des-
construda pelo arquiteto Joaquim
                                          tacou-se ainda com Henrique V
Guedes , em 1961, e criminosamente
                                          (1954) e Ricardo III (1955), peas
incendiada em 1966, com a conivn-
                                          shakespearianas, recriadas para a
cia da Ditadura Militar, pelo ativo
                                          linguagem cinematogrfica.
Comando de Caa aos Comunistas.
A segunda foi construda por Fl-         O'neill, Eugene Gladstone (1883-
vio Imprio (1935-1985) e inaugura-       1953). Dramaturgo norte-americano,
da em 1967, com O rei da vela, de         que exerceu enorme influncia na li-
Oswald de Andrade. E a terceira,          teratura teatral de sua poca, sendo
que os membros do elenco chama-           o responsvel pela introduo do
vam de "terreiro eletrnico", foi pro-    Expressionismo na dramaturgia de
jetada pela arquiteta Lina Bo Bardi       seu pas, com a pea O imperador
(1914-1992), e inaugurada, ainda          Jones, escrita em 1921. Comeou a
inacabada, em 1 de outubro de 1993,      escrever aos 24 anos, em 1912, quan-
com o Vzyna Uzona, que substituiu         do esteve internado num sanatrio
o antigo Oficina, ainda sob a dire-       para tuberculosos. Em 1916, conhe-
o de Jos Celso, encenando o            ceu em Provincetown um grupo de
Hamlet, de Shakespeare, adaptado          teatro de Greenwich Village, posteri-
por Jos Celso, com Marcelo               ormente denominado de Province-
Drummond no papel de Hamlet, e            town Players, que encenou sua pri-
Jlia Lemmerts (em So Paulo) e           meira pea, Rumo a leste, para
Christiane Torloni (no Rio de Janei-      Cardiff. Em 1920, Alm do horizonte
ro), no papel da Rainha Gertrudes.        foi montada na Broadway, dando-lhe


                                      203
onkos                                                                   pera

o Prmio Pulitzer. O ano seguinte foi    muito contribuiu para a evoluo do
a grande novidade expressionista de      teatro contemporneo. O Open se
O imperador Jones. Com O'Neill, a        estruturou para realizar uma forma
cena foi tomada pela gente do povo,      de teatro oposta s insatisfatrias
o dilogo das ruas foi para o palco, e   tendncias do teatro oficial existen-
o quotidiano das docas e dos bair-       te. Constitudo inicialmente de
ros perifricos ganharam relevo lite-    dezessete atores e quatro escrito-
rrio e condio artstica. Qualquer     res, durante os dez anos em que es-
que seja a sua forma de expresso,       teve ativo, o Open Theater, viven-
naturalista ou expressionista, ligada    do em comunidade, criou uma est-
ao realismo simblico ou assumindo       tica pessoal, questionando as for-
feies clssicas, a dramaturgia de      mas estabelecidas do teatro e sua
O'Neill  sempre permeada por uma        funo. Seu criador e diretor acha-
ironia trgica. Suas personagens, ao     va que "atuar dramaticamente  ma-
mesmo tempo em que so respons-         nifestar visivelmente partes de ns
veis pela prpria destruio, so tam-   mesmos, sem separar nossa mente
bm vtimas de algo que no conse-       de nossas vsceras." Seus integran-
guem controlar, que se poderia cha-      tes atuavam no s nos teatros cls-
mar de destino. Merecem destaque         sicos, mas tambm em igrejas, arma-
na sua dramaturgia O macaco pelu-        zns, universidades e prises. A in-
do (1921), Desejo sob os olmos (1924),   teno do grupo foi sempre a de se-
Estranho interldio (1928), Electra      guir uma evoluo contnua e cons-
e os fantasmas (1931), Longa jorna-      truir um processo aberto.
da noite adentro (1941). Ganhou o
                                         pera. 1. Gnero teatral, de carter
Prmio Nobel de Literatura em 1936.
                                         trgico ou dramtico, raramente ale-
onkos. Caracterstica da mscara         gre, em versos e inteiramente canta-
trgica do teatro clssico grego, que    da, acompanhada por msica gran-
consistia numa testa exagerada e         diosa. Ornado de bailados e abusan-
proeminente.                             do das cenas de multides, nas quais
                                         intervm grande massa coral, o g-
onogata. Ator de boa aparncia, res-
                                         nero engloba obras de carter diver-
ponsvel pelos papis femininos no
                                         so, que vo desde composies tr-
gnero kabuki.* Treinado desde a
                                         gicas, grandiosas, chamadas de pe-
infncia para tal mister,  tambm
                                         ras srias dos italianos  ou melo-
conhecido pelo nome de oyama;
                                         dramtica  at o gnero ligeiro, de
onagata. Homem-atriz.
                                         carter cmico, popularmente conhe-
Open Theater. Movimento de tea-          cido pelos italianos de pera bufa 
tro norte-americano, criado, em          para os franceses, pera comique e
1964, por Joseph Chaitin (1935-          para os alemes, Singspiel. Entre
1234), que, juntamente com o Living      seus principais componentes estti-
Theater, de Julian Beck, e os atelis    cos, uma pera tem uma abertura,
de Peter Brook* e Jerzy Grotowski*,      rias, coros, etc. A origem do gnero


                                     204
pera                                                                  pera

deve-se principalmente ao encontro      Brasil, com a chegada de D. Joo VI
de msicos e literatos humanistas em    e da Corte portuguesa ao Rio de Ja-
Florena, Itlia, para reviver o que    neiro, foram montadas em 1809 as
imaginavam ter sido a tragdia grega    peras As duas gmeas, do Padre
primitiva, num projeto que denomi-      Jos Maurcio Nunes Garcia (1767-
naram Cameratta Fiorentina. Parti-      1830) e, em 1812, Artaxexes de Mar-
cipavam desse projeto o poeta           cos Portugal (1762-1830). Entre as
Ottavio Rinuccini (1562-1621) e os      criaes seguintes, sobressaem as
msicos Jacopo Peri (1561-1633) e       peras de Carlos Gomes (1836-1896),
Giulio Caccini (1550-1618), resultan-   O guarani (representada em Milo
do da o primeiro modelo de uma pe-    em 1870), Fosca (1873), Salvador
ra, Daphne, com libreto de Ottavio      Rosa (1874), O escravo (1889). Tam-
Rinuccini e msica de Jacopo Peri,      bm se destacaram no gnero os
inspirada na mitologia clssica, en-    compositores Leopoldo Miguez
cenada em 1597 para um pblico se-      (1850-1902), Alberto Nepomuceno
leto no Palcio Pitti, da qual ainda    (1864-1920), Henrique Oswald (1852-
restam alguns fragmentos. Trs anos     1931), Delgado de Carvalho (1872-
depois, em 1660, foi encenada           1921), autor de Moema, que inaugu-
Eurdice, ainda no Palcio Pitti, de    rou o Teatro Municipal do Rio de
autoria da dupla Peri/Rinuccini, com    Janeiro em 1909, Heitor Villa-Lobos
o nome de "tragdia lrica", sendo a    (1887-1959), Francisco Mignone
mais antiga partitura de pera, com-    (1897-1986), Eleazar de Carvalho
pleta, que a humanidade conhece         (1912-1996), Lourenzo Fernandez
nos dias atuais. O canto monocrdi-     (1897-1948), entre outros. Dentre os
co de sua origem, acompanhado de        maiores compositores do gnero, po-
uns poucos instrumentos, foi altera-    demos destacar: na Itlia, Scarlatti,
do mais tarde pelo compositor Clu-     Rossini, Donizetti, Verdi* e Puccini;
dio Monteverdi*, o primeiro grande      na Frana, Lully*, Rameau (1683-
compositor do gnero, que criou a       1764), Gounod, Bizet, Massenet; na
modulao e determinou a moderna        Alemanha, Gluck (1714-1787),
tonalidade, e que, a pedido do Du-      Wagner*, Strauss; na ustria,
que de Mntua, escreveu Orfeu           Mozart (1756-1791); na Inglaterra,
(1607). Apesar de a pera ter adqui-    Purcell; na Rssia, Glinka,
rido status como gnero na Itlia, j   Mussorgski, Borodin. 2. Casa de es-
 possvel localizar-se vestgios de    petculo onde  encenado exclusi-
sua manifestao nas encenaes         vamente o gnero.  pera-bal. Es-
das tragdias gregas no sculo V a.     petculo composto de dana e de
C., bem como nos espetculos, tan-      canto, cujos atos se baseiam em epi-
to litrgicos como profanos, da Ida-    sdios diferentes e completos, uni-
de Mdia. A partir do romantismo e      dos entre si apenas por uma idia
do surto nacionalista do sculo XIX,    geral, que  anunciada no ttulo ou
a pera alem se imps  italiana. No   no prlogo. De tratamento bastante


                                    205
opereta                                                               opereta

complexo, pelo envolvimento de           vaz, simples,  um gnero repleto
rias conflitantes com o carter do      de alegria, bom humor, graa, po-
gnero, a incluso da dana no vai      dendo ser includa na classificao
muito alm de simples adorno, facil-     das peras burlescas. As operetas
mente descartvel. O exemplo mais        exploravam, normalmente, na sua
caracterstico desse gnero  As n-     origem, temas de pura fantasia, se
dias galantes, de Rameau (1683-          srios na forma, grotescos no fun-
1764).  pera bufa. pera de as-         do. Sob a influncia de hngaros,
sunto jocoso, caracterizada por seu      austracos, poloneses e italianos,
carter cmico e muito prximo da        tornou-se musicalmente revolucio-
farsa, que surgiu na Itlia no fim do    nria, chegando a adquirir apurado
sculo XVII, como desenvolvimen-         bom gosto.  considerada precur-
to dos intermdios* e dos melodra-       sora do gnero A pera dos mendi-
mas.* Distingue-se da pera cmi-        gos (1728), do poeta e dramaturgo
ca* pela introduo em cena de per-      ingls John Gay*, que parodiava as
sonagens burlescas, tipos facetos ou     peras tradicionais de Hendel
patuscos, e por uma msica mais li-      (1685-1759). Em 1847, o gnero che-
geira ou exageradamente cmica. Ori-     ga a Paris atravs de Herve (1825-
ginalmente, quando ainda tinha mui-      1892), embora sua designao de-
to das caractersticas do intermdio*,   finitiva s tenha surgido muito
era encenada na frente do pano de        mais tarde, com Offenbach*, que
boca, entre dois atos de uma pera       lhe deu forma definitiva e perso-
tradicional. Dela derivou a opereta.     nalidade, caracterizando-a ento
 pera burlesca. Pea feita sobre        pela partitura e libreto alegres e
assuntos de pura fantasia.  pera        bem movimentados, envolvendo
cmica. Designao dada por Joa-         participao de corais. O gnero
quim Norberto de Sousa e Silva (1820-    foi conhecido no Rio de Janeiro em
1891) ao vaudeville, gnero de co-       1846, quando o elenco francs, di-
mdia musical francesa, ao introdu-      rigido pelo ensaiador Emlio Mge
zi-lo no Brasil. Era uma pea em que     e liderado pelas atrizes Duval e
se alternavam passagens faladas e        Eugnia Mge, estreou o gnero no
episdios cantados, combinando           Teatro So Francisco no dia 26 de
msica e comdia.                        setembro, com a opereta Le pr
                                         aux clers, de Planard e Herold. Mas
opereta. Gnero leve de teatro
                                         foi a partir de 1859 que o gnero pas-
musicado, espcie de pera-cmi-
                                         sou a gozar de popularidade e maior
ca, derivado da pera bufa, como
                                         favor do pblico no Alcazar
uma pardia  pera tradicional e 
                                         Lyrique, situado na rua da Vala (hoje
cmica. Explorando tema cmico e
                                         Uruguaiana), considerado a perdi-
sentimental, nela as partes canta-
                                         o de circunspectos chefes de fa-
das se alternam com as faladas, e se
                                         mlia, e o atrativo de maridos trans-
fundem a nmeros de danas de
                                         viados e da bomia carioca. Fica-
cunho popularesco. De carter vi-


                                     206
opinio                                                            orquestra

ram populares, produzindo o gne-       puramente instrumentais.  normal-
ro, compositores emritos como          mente exibido em salas de concer-
S Noronha, Abdon Milanez, Ciraco      tos, sem cenrios, sem figurinos e
Cardoso, Supp. Os maiores repre-       sem dramatizao cnica. Entre seus
sentantes do gnero so os compo-       cultores esto J. S. Bach e Haendel,
sitores alemes Johann Straus           cujo Messias  provavelmente a mais
(1825-1899)  O Morcego , Franz        famosa composio do gnero.
Lehar (1870-1948)  A viva alegre
                                        orelhas. Pontos de ferro, madeira ou
 e Oskar Strauss (1870-1954).
                                        mesmo grossos pregos, enfiados
Opinio. Companhia teatral brasilei-    pela metade sobre o sarrafo e
ra, que inaugurou suas atividades no    enfileirados, por entre os quais, de
Rio de Janeiro, a 11 de agosto de       espao em espao e em ziguezague,
1964. Caracterizou-se pela valoriza-    passa a corda que une o ngulo dos
o e popularizao do show musi-       trainis de um gabinete; dispositivo
cal, adaptado s exigncias do palco    para ajustar fortemente as vrias
teatral, no qual predominava a stira   tapadeiras de uma cenoplastia.
poltica comprometida com ideais
                                        organon (Pequeno). Ttulo de uma
democrticos, num perodo tenebro-
                                        obra terica de Bertholt Brecht*, com
so para os anseios de liberdade de
                                        caractersticas revolucionrias e to-
opinio, no Brasil. Autores como
                                        talmente diversas do que pregou
Oduvaldo Viana Filho*, Paulo Pon-
                                        Aristteles.*
tes, Augusto Boal* participaram do
grupo, em que pontificavam artistas     orlar. Reforar um cenrio de papel
como Nara Leo e Joo do Vale. En-      com uma tira de pano colada s suas
tre os seus mais polmicos e popula-    beiradas.
res espetculos, a histria registra
                                        orquestra. 1. No primitivo teatro
Opinio (1964), Liberdade, liberda-
                                        grego, por volta do sculo V a. C.,
de (1965), Se correr o bicho pega, se
                                        o espao circular central, em frente
ficar o bicho come (1966/67), e dois
                                        ao espaoso estrado de vinte e dois
espetculos em prosa, de grande im-
                                        metros de dimetro  o logeion ,
pacto popular: O inspetor geral, de
                                        onde o coro se movia e, segundo
Gogol* (1966) e Antgona, de
                                        alguns tericos, ocorria eventual-
Sfocles* (1969/70).
                                        mente a representao de atores.
oratrio. Gnero teatral dramtico-     Sem correspondncia no prdio 
musical, de origem italiana, que sur-   italiana, pode-se considerar como
giu por volta de 1600, do teatro sa-    o espao reservado ao proscnio.
cro medieval. De assunto religioso      2. O crculo em volta ao altar gre-
ou profano, era um gnero para so-      go.  Fosso da orquestra. Vo entre
listas vocais, coro e orquestra,        o palco e a platia, abaixo e  frente
estruturado na alternncia de           do proscnio, reservado para a or-
recitativos, rias, coros e episdios   questra. Criado a partir da renova-


                                    207
outer stage                                                        oyama

o da arquitetura teatral, iniciada   ouverture. Palavra francesa que de-
com a construo do Festspielhaus      signa uma pea musical sinfnica
de Bayreuth, famoso centro musical     tocada pela orquestra do teatro, 
europeu, na Alemanha, em 1876.         guisa de introduo para um espet-
                                       culo de grandes propores, poden-
outer stage. O grande proscnio do
                                       do este ser uma pera ou um con-
palco elisabetano, que avana at a
                                       certo sinfnico; abertura.
platia, que o circunda por trs la-
dos; palco exterior.                   oyama. V. Onogata.




                                   208
paixo. Cantata ou oratrio em que      acordo com a influncia de tericos
so musicados os textos dos evan-       e engenheiros, segundo concepes
gelhos descrevendo a Paixo de Cris-    de escolas e tendncias estticas. Em
to. A partir do cantocho, evoluiu      Roma, com a eliminao do coro, o
para o drama musical medieval e para    espao da orquestra diminuiu e do
o motete renascentista.                 proscnio aumentou. Os romanos
                                        foram os criadores da cortina, usada
palco. Espao da caixa do teatro re-
                                        ao fim de cada ato e antes da apre-
servado para a atuao dos intrpre-
                                        sentao. No perodo elisabetano, na
tes. Modernamente, o palco  forma-
                                        Inglaterra, os atores se exibiam num
do por um conjunto que engloba
                                        proscnio que avanava sobre a pla-
proscnio ou ribalta, boca de cena,
                                        tia, no fundo do qual se erguia uma
coxias ou bastidores, urdimentos,
                                        pequena construo que eventual-
camarins, pores e tudo o mais que
                                        mente servia como cenrio e que era
fica abrigado por trs do pano de
                                        ocupada por espectadores privilegi-
boca. O assoalho de um palco  ba-
                                        ados. Em 1919, Max Reinhardt (1873-
sicamente formado por elementos
                                        1940) aboliu o palco fechado, insta-
independentes uns dos outros, cha-
                                        lando em sua casa de espetculos,
mados quarteladas.  Na sua origem,
                                        em Berlim, um grande proscnio que
era um singelo tablado onde o fato
                                        se lanava em direo  platia, o pal-
teatral acontecia. No sculo V a. C.,
                                        co aberto. O teatro de arena, mais
com a construo dos primeiros edi-
                                        tarde, foi outra renovao, podendo
fcios especialmente reservados para
                                        o palco adaptar-se a qualquer espa-
as funes teatrais, o palco compre-
                                        o, onde cadeiras ou arquibancadas
endia a orchestra, local reservado ao
                                        possam ser colocadas em torno de
coro, a sken, uma fachada por trs
                                        um crculo, quadrado ou retngulo.
do proskenion, que funcionava tam-
                                         Palco aberto. Aquele em que no
bm como cenrio, e o proskenion,
                                        h preocupao em camuflar os ins-
onde se movimentavam os atores.
                                        trumentos do espetculo, como
Mas, desde os gregos, o palco tem
                                        acontecia no teatro medieval, no pal-
sofrido transformaes radicais, de


                                    209
palco                                                                    palco

co elisabetano, nos tablados da         mais cenrios, cuja mutao pode ser
Commedia dell'Arte e em todos os        feita rapidamente e  vista do pbli-
palcos tradicionais.  Palco corre-      co.  Palco  italiana. Concepo
dio. Inovao introduzida na estru-    arquitetnica em que a platia  se-
tura do espao cnico, constituda      parada do palco por um espao mor-
de trs palcos mveis dispostos dos     to chamado ribalta, de onde a cena 
dois lados e atrs do espao central,   iluminada sem iluminar a platia,
assentados sobre trilhos que podem      guarnecida por uma boca de cena
deslizar de acordo com a necessida-     que forma uma moldura, incluindo em
de de ambientao, colocando-se         alguns casos o fosso da orquestra.*
diante da boca de cena ou afastan-      Essa concepo foi adotada pelos
do-se para os lados dela. Desse         arquitetos italianos do sculo XVI,
modo, trs cenrios ou ambientes        para reforar a concepo fantasiosa,
diferentes podem ser mudados em         recorrente na poca, de que o espec-
questes de segundos,  vista do        tador deveria ser transportado ao
pblico, sem que a ao tenha solu-     mundo da iluso, totalmente diferen-
o de continuidade.  o velho ce-      te daquele em que vivia no dia-a-dia.
nrio mltiplo medieval, beneficiado    Este princpio, contudo, vai perden-
pela tecnologia.  Palco elisabetano.    do sentido diante das representaes
Originrio do tempo da rainha           de peas mais realistas, nas quais a
Elizabeth I (1558-1603), da Inglater-   humanidade dos personagens  an-
ra,  constitudo por um espao inte-   loga  dos espectadores. O palco 
rior, ao fundo, denominado inner        italiana tem seu assoalho dividido em
stage e de um proscnio bem mais        ruas, calhas, falsas ruas, etc.; o pal-
amplo, chamado de outer stage; pal-     co tradicional.  Palco levadio. Seg-
co de avental.  Palco fechado. O        mento do palco, armado sobre ele-
palco clssico, onde a grande preo-     vadores, podendo faz-lo subir ou
cupao com a esttica e o compro-      descer mecanicamente do poro, ou
misso com a fantasia induz as pes-      ser levantado em direo ao
soas a escamotearem da vista do         urdimento.  Palco rotativo. Palco
pblico todo equipamento que pro-       giratrio.  Palcos sobre elevado-
duz a iluso, como varas de ilumina-    res. Palcos superpostos, que sobem
o, gambiarras, escoras, usando        do poro ou descem do urdimento,
para isso as bambolinas, os regula-     com os cenrios montados. Uma
dores e at mesmo os cenrios.          verso na vertical do palco corredi-
Palco giratrio. Palco prprio para     o e com a mesma utilidade do leva-
espetculos de variedades (shows,       dio.  Palco sucessivo. Modelo
revistas musicadas), em que o           constitudo por uma srie de carros,
assoalho da cena  constitudo de       cada qual com um cenrio diferente,
um disco, acionado por engrenagens      representando lugares diferentes,
eltricas, sobre o qual, dividindo-se   usado na Idade Mdia. No Brasil
em setores, montam-se dois, trs ou     pode-se considerar com esse car-


                                    210
palhaada                                                               pano

ter o cenrio da Paixo, montado em     palmeta. calo para alapes,
Fazenda Nova, Pernambuco.  Pi-          quarteladas, etc.
sar o palco. Estar participando de
                                        pancadas de Molire. V. Basto de
um espetculo; representar em tea-
                                        Molire.
tro. V. Asas (do palco).
                                        panelo. Fonte de iluminao que
palhaada. Nome pelo qual era dis-
                                        consiste de uma ou vrias lmpa-
tinguido, at meados do sculo XX,
                                        das agrupadas num dispositivo es-
um espetculo de comdia sem ne-
                                        pecial, sem lentes ou focos
nhum valor literrio ou artstico, em
                                        condensados, que espalha sua luz
que os tipos no tinham uma defini-
                                        em todas as direes.  colocado
o exata, sem nada de recomend-
                                        normalmente sobre o cho, oculto
vel, exceto pelos disparates que pro-
                                        por alguma praieta, ou outro elemen-
vocavam riso.
                                        to do cenrio, ou pode apoiar-se so-
palhao. Personagem cmica da           bre trips, para iluminaes horizon-
pantomima e do circo, que se exibe      tais; tacho.
normalmente vestido com roupas
                                        Pnico. V. Movimento Pnico.
exageradamente coloridas, detalhes
espalhafatosos e o rosto pintado,       panne. Palavra francesa, para desig-
com o objetivo explcito de provo-      nar a parte ou o papel em que o intr-
car riso. Descende das personagens      prete no tem nenhuma possibilida-
demonacas do teatro medieval, em-      de de mostrar sua arte e seu talento.
bora j fosse conhecido em forma
                                        pano. Palavra impressa logo aps a
embrionria na Grcia e em Roma
                                        ltima fala de uma pea teatral, para
e, na pele dos bobos e bufes, nas
                                        indicar que o texto/espetculo ter-
cortes da Idade Mdia. As msca-
                                        minou; fim. Dependendo da inten-
ras do Arlequim* e do Polichinelo*,
                                        o do autor, pode ser pano lento ou
da Commedia dell'Arte, so seus
                                        pano rpido; cortina.  Pano de boca.
antepassados mais imediatos. Foi no
                                        A cortina situada na linha da boca
ambiente circense, a partir do scu-
                                        de cena, nos palcos  italiana. Serve
lo XVIII, que desenvolveu suas ca-
                                        para ocultar o ambiente cenogrfico
ractersticas atuais. Palavra
                                        da vista do pblico, antes do come-
introduzida em nossa lngua por vol-
                                        o do espetculo; cortina de boca,
ta de 1813, para designar o artista
                                        ou, simplesmente, cortina.  Pano
que, em espetculos de circo, conta
                                        de cho. Pano grosso que se esten-
pilhrias, executa acrobacias grotes-
                                        de sobre as tbuas do assoalho do
cas, mantendo a platia excitada e
                                        palco, para torn-lo homogneo e de
em estado de euforia. Do italiano
                                        acordo com o cenrio.  Pano de
pagliaccio.
                                        ferro. V. Cortina de ferro.  Pano de
Palliata (comoedia). V. Comoedia        fundo. A grande e ltima tela situada
Palliata.                               no fundo do palco, completando a
                                        cenografia. Iniciada junto aos regu-


                                    211
panorroto                                                              parbase

ladores, serve tambm como                intrprete; parte que cabe a cada ator/
complementao ao tema cenogrfi-         atriz representar; texto destinado a
co iniciado pelos rompimentos;            um ator/atriz, com falas, rubricas e
rotunda.  Pano-telo. Grande tela         marcaes, compondo determinada
cenogrfica, ligada  opereta ou         personagem.  Como houve um tem-
revista, que reproduzia um panora-        po em que a reproduo de todo o
ma, uma alegoria, um motivo dram-        texto da pea era altamente onerosa,
tico ou uma crtica bem humorada,         a produo tinha o cuidado de man-
montada no primeiro plano, logo atrs     dar tirar cpias, em separado, dos
do comodim* ou da cortina corredia.       papis de cada personagem, que
                                          eram entregues a seus intrpretes,
panorroto. Termo e recurso fora de
                                          donde provm o nome; parte.  Mar-
uso, que consistia num grande telo
                                          car o papel. Diz-se das anotaes
com aberturas fingindo portas e jane-
                                          feitas por cada intrprete, em suas
las, colocado em frente ao pano de
                                          falas, de todas as observaes fei-
fundo. Fingia uma parede de fundo.
                                          tas pelo diretor do espetculo, inclu-
Pantaleo. Mscara clssica da            sive a movimentao e postura. 
Commedia dell'Arte, que pode re-          papel-ttulo. Papel do personagem
presentar o prottipo do cidado          que d ttulo a uma pea.
simples e pai bondoso, ou do velho
                                          parbase. Fala inicial na comdia gre-
mercador avarento, libertino, meticu-
                                          ga, dirigida ao pblico, e que exigia
loso, s vezes lbrico e ridculo, sem-
                                          dos coristas o domnio de sete tcni-
pre vtima de Arlequim*, Escapino*
                                          cas vocais especficas, entre elas, a
e de outras personagens considera-
                                          commation, que era uma breve aber-
das espertas. Na escala social do
                                          tura cantada, a anapestes, que era o
sculo XVIII, representava a burgue-
                                          solo falado do corifeu, e o pnigos,
sia e todas as manobras dessa clas-
                                          que era um amplo perodo dito sem
se para se sobrepor  aristocracia
                                          tomar flego, provocando aparente-
decadente. Descendente direto do
                                          mente um efeito de histeria cmica,
"tentador" das farsas religiosas me-
                                          tcnica que vamos encontrar mais
dievais, veste-se de preto e verme-
                                          tarde no galimatias medieval, ou nos
lho e, da mesma maneira como surge
                                          discursos em linguagens incompre-
sem piedade diante dos seus ricos
                                          ensveis do dramaturgo francs
fregueses,  cheio de ternura e dedi-
                                          Molire*, e at mesmo em Eugne
cao para com sua famlia.
                                          Ionesco.* Outra peculiaridade da
pantomima. V. Mmica. Designao          parbase  quando ela surge sob a
particular das representaes teatrais    forma de um corte na ao, ocasio
dos finais de espetculos dos circos      em que o autor, atravs do corifeu,
de cavalinhos; pantomina.                 expe suas idias pessoais, seus sen-
                                          timentos e suas advertncias sobre
papel. O texto de cada personagem
                                          determinados assuntos, com um li-
dentro da pea, a ser vivido pelo/a
                                          geiro acompanhamento de cnticos.


                                      212
Paradoxo (sobre o comediante)                                          passarela

Sculos mais tarde, Bertholt Brecht*,     diametralmente oposto ao que tra-
inspirando-se na parbase e usan-         tou a srio. A clebre La fille de
do a tcnica do teatro oriental, criou    madame Angot, de Charles Lecocq
a Teoria do Distanciamento.*              (1832-1918), foi transformada pela
                                          veia satrica de Artur Azevedo*, em
Paradoxo (sobre o comediante).
                                          A filha de Maria Angu.
Reflexes sobre esttica teatral, fei-
tas pelo escritor francs Denis           prodo. No antigo teatro grego, a
Diderot*, escritas entre 1769/1777 (s    parte lrica da tragdia, na qual o coro
publicadas em 1830), em que ele con-      declamava ou cantava, ao mesmo
sidera, antecipando Brecht*, que o        tempo em que executava movimen-
distanciamento do/a ator/atriz em re-     tos coreogrficos. Do grego
lao s prprias emoes e a luci-       pardos.
dez na representao so necessri-
                                          parte. V. Papel.
as para que ele/ela consiga atingir o
espectador. V. Distanciamento.            partenaire. Bailarino que forma par
                                          com uma bailarina.
paraso. Designao pela qual foram
denominadas, em perodos e cultu-         pas de deux (de trois, de quatre,
ras as mais diversas, as galerias de      etc.). Em dana, tudo o que forma um
uma sala de espetculos; torrinha;        fragmento separado, executado por
poleiro; gerais. Fora de uso.             um, dois, trs, quatro bailarinos,
                                          fora do conjunto do corpo de baile.
paraskenios. As faces laterais sali-
entes,  esquerda e  direita do          passar. Diz-se do movimento que o
logeion* da cena grega, diante das        ator executa, quando, na cena, vai
quais eram colocados uns prismas          ocupar uma posio diferente daque-
triangulares, os periactos, que, ro-      la em que se encontra; deslocamen-
dando sobre eixos, serviam para su-       to do intrprete em cena durante as
gerir cenrios e decoraes;              falas; a ao de um ator passar de
paraskmas.                               um lugar para outro, cortando outra
                                          personagem. V. Cortar; Marcao.
parceria. Unio de dois ou mais au-
tores na feitura de uma pea.             passarela. Palavra de origem espa-
                                          nhola para caracterizar o prolonga-
pardia. Imitao burlesca, irnica ou
                                          mento do proscnio em direo  pla-
satrica, ridicularizando uma obra tr-
                                          tia como se fosse uma ponte, nor-
gica ou dramtica; arremedo. As pe-
                                          malmente sob a forma de um arco ou
ras cmicas e operetas sofreram mui-
                                          semicrculo. Usa-se especialmente
to com as imitaes burlescas, onde
                                          nos espetculos de revista
os autores procuravam o lado cmi-
                                          musicada, quando se quer levar a vi-
co das situaes srias, seja fazen-
                                          so de beleza dos intrpretes e dos
do aparecer os defeitos das obras
                                          figurinos para mais perto do espec-
parodiadas, seja apresentando o re-
                                          tador. Passarela de servio. Plata-
verso da medalha, no sentido


                                      213
passe-par-tout                                                ptio (lado do)

forma volante que se movimenta en-      pastoril. Folguedo popular dramti-
tre as varandas, permitindo certos      co de origem europia, introduzido
servios da equipe tcnica na caixa     no Brasil pelos jesutas em fins do
do teatro.                              sculo XVI, e cuja ocorrncia maior
                                        se registra na Regio Nordeste. Ori-
passe-par-tout. Expresso francesa
                                        ginalmente de cunho profano-religi-
para designar um tipo de rompimen-
                                        oso, apresentava cenas da Nativida-
to* neutro que funciona como a mol-
                                        de e era representado entre o Natal e
dura de um quadro, e cuja funo,
                                        as festas dos Santos Reis. A partir
semelhante  boca de cena e aos
                                        do sculo XIX, adquiriu carter pro-
contra-reguladores, serve para re-
                                        fano, caracterizando-se como cor-
duzir a abertura da boca de pera. 
                                        des com diversas personagens, en-
usado especialmente em operetas e
                                        tre as quais as mais importantes so
revistas como moldura de um qua-
                                        os pastores ou as pastoras, que por-
dro vivo.
                                        tam pandeiros e maracs e realizam
passo. Em dana, cada um dos movi-      pequenas representaes dramti-
mentos que o/a danarino/a executa      cas, onde os cantos e as danas me-
com os ps.                             recem destaque. Esses atos ocorrem
                                        normalmente nos dias de sbado.
passos. Gnero teatral que ocorre em
                                        [Cf. Pastoral.]
Portugal, situado entre os proverbes
franceses e o entrems espanhol.        pataqueira. Expresso em uso at o
                                        comeo do sculo XX, para qualifi-
pastor. Designao dada ao gnero
                                        car um artista sem importncia den-
pastoral, no Maranho.
                                        tro do elenco. Era o comparsa, ou
pastoral. Poesia pastoral, s vezes     figurante, que ganhava uma pataca,
com forma dramtica de espetculo       donde a expresso. Fora de uso.
profano, inspirada nos amores dos
                                        pateada. Manifestao de descon-
pastores, originada na Itlia e muito
                                        tentamento e desagrado por parte do
popular durante a Idade Mdia (s-
                                        pblico, diante de um espetculo que
culo XVI) com a denominao de
                                        no est agradando, por meio de
pastorelle. De argumento lendrio,
                                        sapateados sobre o piso da platia,
inspirado pelo ambiente buclico,
                                        assobios, apupos. Podia ser dirigida
sua ao normalmente transcorre
                                        a um s intrprete, como ao elenco,
entre pastores ou outros tipos ca-
                                        ou mesmo ao autor simbolizado pelo
ractersticos da zona rural. Encena-
                                        texto. Uma das formas da vaia tea-
dos nas aldeias durante as festas de
                                        tral. A expresso caiu de uso pela
Natal e dos Reis Magos, com ativa
                                        metade do sculo XX.
participao de msica apropriada,
foi o embrio da pera. O hbito       ptio (lado do). Historicamente, so-
relativamente conservado nas pas-       bretudo no teatro francs, o nome
torais do Natal. [Cf. Pastoril.]        tradicional como foi designado por
                                        largos anos o lado direito do espec-


                                    214
pau de Molire                                                    pea (teatral)

tador, quando os elencos estavam           teve no escritor francs Alexandre
ensaiando uma pea. Hbito e cos-          Dumas Filho* um de seus mais im-
tume que se originaram em meados           portantes artfices.  Pea de idias.
do sculo XVIII, na sala das               Essa tendncia tem sua origem, teo-
Tulherias, utilizada pela Comdie          ricamente, com a produo literria
Franaise, cujo palco dava o lado          do dramaturgo noruegus Henrik
esquerdo para o jardim do palcio e        Ibsen*, e nela esto includos textos
o direito para o ptio: donde lado do      dramticos em que as personagens
ptio* (ou direita) e lado do jardim*      (algumas delas so o alter ego do
(esquerda). Fora de uso.                   autor) discutem, com forte argumen-
                                           tao terica, as idias que formu-
pau de Molire. V. Basto de
                                           lam ao longo da trama. Alm de Ibsen,
Molire.
                                           pode-se incluir nesa linha alguma
pausa cmica. Intervalo cmico entre       produo do dramaturgo irlands
dois momentos de tenso dramtica,         Bernard Shaw*, como O homem do
para descontrair os espectadores.          destino (1896), O homem e o super-
                                           homem (1905) e Pigmalio (1913);
pausas mortas. Expresso cunhada
                                           do francs Jean-Paul Sartre*, como
por Konstantin Stanislavski*, para
                                           As moscas (1943), Mortos sem sepul-
qualificar o alheamento dramtico do
                                           tura (1946), Entre quatro paredes
cantor de pera ao terminar a inter-
                                           (1944) e As mos sujas (1947); e do
pretao de sua ria, e que, mesmo
                                           brasileiro Joracy Camargo (1898-
permanecendo em cena, mostra-se
                                           1973), como Deus lhe pague (1932),
estranho ao que est se desenvolven-
                                           Um corpo de luz (1945) e Figueira
do  sua volta.
                                           do inferno (1954).  Pea herica.
pea (teatral). 1. O texto literrio, em   Aquela de grandes lances e fortes
prosa ou em verso, religioso ou pro-       emoes espetaculares, envolvendo
fano, para adultos ou para crianas,       intensa movimentao de atores e
em que predomina o dilogo, prprio        massas de figurantes, tendo por fi-
para ser representado num palco; a         gura central um heri desassombrado
obra teatral na sua forma literria,       e sofredor que,  fora de seu valor
pronta para ser encenada. 2. A ence-       moral e bravura guerreira, ou triunfa
nao desse texto.  Uma pea con-         com vida ou sucumbe com glria. Um
siste, tradicionalmente, de enredo,        belo modelo desse gnero  Cyrano
personagens e dilogos. De acordo          de Bergerac, de Edmond Rostand.*
com a classificao dos gneros, a          Pea roceira. Era normalmente
pea pode ser cmica (comdia), dra-       aquela pea que se desenrolava en-
mtica (drama), trgica (tragdia) ou      tre a gente simples, moradores nor-
satrica (stira).  Pea bem feita.        malmente de lugarejos afastados dos
(pice bien-faite). Modelo de drama        centros urbanos, revelando virtudes
muito popular no teatro francs da         supostamente sadias e hbitos rs-
segunda metade do sculo XIX, que          ticos, com linguagem carregada de


                                       215
Pcora, Renato                                                     peripcia

"sotaques", musicada, cmica ou        perder-se. Diz-se da situao do ar-
dramtica. Recebia tambm o rtulo     tista ao se esquecer da sua fala, em
de sertaneja. Classificao em desu-   cena; ter um branco.
so nos dias atuais.  Pea sacra. O
                                       performance. Forma de expresso
mesmo que drama sacro.
                                       artstica que consiste no ato de pro-
Pcora, Jos Renato (1926-1234).       duzir gestos, atos e "acontecimen-
Dramaturgo brasileiro, fundador do     tos", cujo desenrolar no tempo e cujas
Teatro de Arena de So Paulo           implicaes (previstas em maior ou
(1956), do qual foi diretor durante    menor grau) constituem a obra em si.
doze anos, perodo em que montou       Na maior parte das vezes realizada
textos fundamentais para a             pelo/a prprio/a artista, podendo ser
dramaturgia brasileira e mundial       ele/a prprio/a o material do ato; a
como Eles no usam black-tie, de       performance est estreitamente liga-
Gianfrancesco Guarnieri*; pera        da ao happening*,  land art* e a
dos trs vintns e Crculo de giz      certo tipo de "interveno", cujo
caucasiano, de Bertholt Brecht*; A     material  o ambiente social.
escola de mulheres, de Molire*; 
                                       performtico. Referente a perfor-
margem da vida, de Tennessee
                                       mances.
Williams.* Tem de sua autoria vri-
os textos para teatro, entre eles      periacto. Um dos recursos
Plantas rasteiras. Dirigiu o Tea-      cenogrficos do teatro grego anti-
tro Brasileiro de Comdia e o Te-      go, que consistia de um prisma reto,
atro da Praa, dois importantes        de base triangular, girando sobre um
ncleos da dramaturgia brasileira.     eixo vertical, e tendo em cada uma
Entre suas montagens mais brilhan-     das faces verticais um trainel ou bas-
tes esto Alegro desbum (1973) e       tidor pintado com elementos
Rasga corao (1979), ambas de         cenogrficos diferentes, de modo a
Oduvaldo Viana Filho.*                 permitir uma rapidssima troca de ce-
                                       nrios, em geral com o auxlio de ou-
p-de-galo. Armao feita com as
                                       tros periactos prximos ou cont-
cordas de suspenso, dispostas em
                                       guos. Ficavam  altura dos
ngulo reto, de modo a aumentar
                                       parasknios e tambm serviam para
os pontos de apoio das varas con-
                                       encobrir a entrada dos atores. Equi-
vergentes.
                                       valem aos modernos rompimentos.*
pelotiqueiro. Malabarista de feira;    Periactes.
saltimbanco.
                                       peripcia. Lance de narrativa que
penetra. Freqentador de teatro        complica a ao e retarda o desenla-
habituado a assistir aos espetcu-     ce, alterando a face da intriga, modi-
los sem pagar ingresso; aquele que     ficando a ao e a situao das per-
penetra na casa teatral sem pagar;     sonagens. Pode ocorrer em momen-
carona.                                tos especficos, mudando totalmen-


                                   216
permanente                                                             pertence

te a direo da ao dramtica. Foi       das figuras que aparecem num texto
recurso usado fartamente na com-         teatral, recriadas pelo dramaturgo, a
dia latina, sobretudo por Plauto*,        partir dos traos fundamentais de uma
nos espetculos da Commedia               criatura a ser interpretada por um pro-
dell'Arte, nas peas romnticas do        fissional sobre um palco; figura hu-
sculo XIX, nos vaudevilles do in-       mana includa numa histria teatral;
cio do sculo XX, sobretudo nos de        figura dramtica. Do latim persona,
autoria de Georges Feydeau.*              mscara de ator de teatro.  Perso-
                                          nagem aberta. Qualificao usada
permanente. Credencial fornecida
                                          por vrios diretores e tericos de
pela direo da casa de espetculos,
                                          teatro, a partir da dcada de 60 do
ou empresrios e produtores, que d
                                          sculo passado, para identificar a
direito a seu portador de assistir aos
                                          personagem que, pelas caractersti-
espetculos sem necessidade de pa-
                                          cas especiais de sua criao, ultra-
gar ingresso.
                                          passa todas as interpretaes pos-
perna. Elemento cenogrfico, de co-       sveis, podendo, independente dos
locao vertical, cuja parte virada       quadros sociais, impor-se a grupos
para o palco  recortada de modo que      diferentes, suscitar uma participa-
sirva tanto de bambolina como de          o universal. Hamlet, Fedra,
rompimento; fraldo de pouca lar-         Lorenzaccio, Henrique IV so pro-
gura que pende da mesma vara de           ttipos de personagens abertas,
uma bambolina. Perna de afinao.         porque sugerem interpretaes e
Nome pelo qual  designado o se-          smbolos sociais em maior nmero
gundo travesso da varanda, onde as       do que explicam, e porque no pem
manobras mantm os panos devida-          termo a uma experincia.  Perso-
mente afinados.  Perna de susten-         nagem-tipo. Aquela que representa
tao. Barra de madeira ou de ferro       um padro de comportamento. 
fixada na varanda, onde se enfiam         Personagem-ttulo. A que d ttulo
malaguetas para amarrao das cor-        a uma obra: Otelo, de Shakespea-
das de sustentao das varas.*            re*; Galileu Galilei, de Bertholt
                                          Brecht*; Maria Cachucha, de
pernas. V. Rompimento.
                                          Joracy Camargo (1878-1973); Irene,
persona. Palavra latina para dizer        de Pedro Bloch (1914-1997).
mscara. Especificamente, significa
                                          personas. Pessoas disfaradas em
a mscara do teatro antigo que de-
                                          personagens e agindo como tais,
signava as feies da personagem
                                          propiciando a existncia do gnero
que o ator representava.
                                          dramtico.
personagem. Instrumento da
                                          pertence. Adereo de uso pessoal
dramaturgia que conduz a ao e pro-
                                          de cada ator/atriz, nas cenas ou em
duz o conflito.  o ser humano recri-
                                          todo o espetculo  cigarros, lenos,
ado na cena por um/a artista-autor/a
                                          armas, etc.; adereo.
e por um/a artista-ator/atriz; cada uma


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peso                                                           Pinto, Apolnia

peso. Pea macia, de madeira ou de      Pintar (o rosto). Maquiar(-se); a
ferro, atada s pontas das manobras,     ao do artista, de se caracterizar para
para que no escapem das carretilhas,    atuar em cena.
gornes ou moites, quando no es-
                                         Pinter, Harold (1930-1234). Drama-
to presas nos cenrios.
                                         turgo e diretor de teatro ingls, cuja
picadeiro. 1. O centro da arena dos      obra alguns crticos inserem no Te-
circos. 2. Ensaio corrido e exaustivo,   atro do Absurdo*; caracteriza-se so-
em que o diretor trabalha um/a s        bretudo pelos dilogos geis, pelo
ator/atriz, dando-lhe os gestos, as      clima de angstia diante de uma
entonaes das falas, a mscara,         vaga e indeterminada ameaa e pe-
todo o comportamento exterior e, se      las personagens tragicmicas, intr-
possvel, interior da personagem,        pretes da solido, do medo e da bru-
para que o/a intrprete absorva o        talidade das relaes humanas. En-
papel em tempo limitado.                 tre sua produo, pode-se destacar
                                         O importuno (1960), A volta ao lar
Pickelhering. Nome pelo qual era
                                         (1965), Velhos tempos (1971), Terra
designado, na Alemanha, o cmico
                                         de ningum (1974).
introduzido nos dramas shakespea-
reanos pelos prprios comediantes        Pinto, Apolnia (1854-1937). Atriz
ingleses que viviam naquele pas.        brasileira, nascida no camarim n. 1
                                         do Teatro Artur Azevedo, em So
Pice bien-faite. O ideal cnico bur-
                                         Lus do Maranho. De grande ver-
gus resumia-se na chamada "pea
                                         satilidade e talento natural, estreou
bem-feita", em que as coisas se de-
                                         em cena aos dois anos de idade, em
senrolavam exatamente de acordo
                                         1866, no mesmo teatro, na mesma ci-
com as expectativas do pblico. Ha-
                                         dade de seu nascimento e na mesma
via uma apresentao, um desenvol-
                                         pea em que a me atuava, quando
vimento, um clmax e um desenlace.
                                         do seu nascimento, A ciganinha de
Uma intriga interessante era imperi-
                                         Paris (Apolnia seria mais tarde de-
osa: a caracterizao das persona-
                                         lirantemente aplaudida no pas e em
gens nem tanto, a seriedade do con-
                                         Portugal, justamente no papel da in-
tedo muito menos. Uma boa dose
                                         gnua, desse drama). Transforman-
de sentimentalismo que fizesse jor-
                                         do-se numa das maiores empresri-
rar as lgrimas certas, na dose exata,
                                         as de sua poca, levou pioneiramen-
no momento correto era o ideal. A
                                         te o teatro brasileiro  Europa, sendo
misso do teatro era distrair as pla-
                                         ovacionada em Portugal e na Fran-
tias. Quanto mais iluso, melhor. Ia-
                                         a. Em 1897, trouxe da Europa um
se ao teatro para ver sancionada, em
                                         projetor de cinema Lumire, que ins-
forma de arte, uma estrutura de valo-
                                         talou no Teatro Lucinda, exibindo
res h muito cultivada, e no para
                                         pelculas francesas, portuguesas e
assistir s contestaes desses mes-
                                         espanholas, juntamente com seus es-
mos valores.
                                         petculos de teatro.


                                     218
Pirandello, Luigi                                             pites (de escora)

Pirandello, Luigi (1867-1936). Dra-       Research de Nova York, retornando
maturgo italiano, cuja obra defende        Alemanha para assumir a direo
com sagrada obsesso a pluralidade        do Freie Volksbhne, de Berlim. As-
do ser individual e a intil luta que o   sumindo o carter pico, poltico e
homem trava para atingir a verdade        tcnico como tnica de suas monta-
de sua prpria identidade, a qual, no     gens, introduziu o palco giratrio e
entender dele, sempre aparece frag-       pistas rolantes (novidade cnica que
mentada em hipteses e aparncias         ele utilizou em 1928 na montagem de
que se anunciam umas s outras.           O bravo soldado Schweik, de
Exerceu grande influncia no teatro       Jeroslav Halsek), o cenrio em vri-
do sculo XX, preparando o terreno        os nveis, a projeo cinematogrfi-
para o chamado Teatro do Absur-           ca, inovaes que caracterizam o te-
do.* Foi diretor do Teatro d'Arte         atro moderno. Foi o primeiro ence-
(1925) e inspetor dos teatros esta-       nador a intercalar documentrios ci-
tais em Roma, Turim e Milo. Ga-          nematogrficos, desenhos anima-
nhou o Prmio Nobel de Literatura         dos e psteres na cena teatral, o que
em 1934. No campo de sua imensa e         lhe deu motivo para criar a expres-
diversificada obra de teatro, podemos     so teatro total.* Sendo um dos
destacar O falecido Matias Pascal         principais diretores a estabelecer a
(1904), Assim , se lhe parece (1917),    ligao entre teatro e poltica, exer-
Seis personagens  procura de um          ceu forte influncia na formao te-
autor (1921), Henrique IV (1923), Esta    atral de Bertholt Brecht, de quem foi
noite se improvisa (1930).                precursor, com a inveno do "dra-
                                          ma pico". Est entre os vrios di-
pirueta. Movimento do/a bailarino/
                                          retores que reduziram a importncia
a ao dar uma volta sobre si mesmo,
                                          do autor, no teatro, muitas vezes ma-
na ponta dos ps.
                                          nipulando os textos para servirem
Piscator, Erwin (1893-1966). Diretor      s suas idias. Entre suas encena-
e terico do teatro alemo que, jun-      es mais importantes, destacam-se
tamente com Bertholt Brecht*, criou       Os bandoleiros (1927), de Schiller*,
a esttica do Teatro pico*, respon-      O vigrio (1963), de Rolf
svel pela reformulao dos princ-       Hochhuth*, e O interrogatrio
pios aristotlicos da arte teatral, ao    (1965), de Peter Weiss.*
mesmo tempo em que negava a es-
                                          Pitof, Georges (1884-1939). Ator e
cola naturalista/psicolgica desen-
                                          diretor de teatro francs, dirigiu e in-
volvida por Konstantin Stanis-
                                          terpretou com sua mulher, Ludmilla
lavski.* Entre 1924/27, desenvolveu
                                          (1895-1951), diversas obras do tea-
sua concepo de teatro poltico, no
                                          tro moderno, baseando sua esttica
Berliner Volksbhne. Em 1932 emi-
                                          na predominncia do ator.
grou para os Estados Unidos, onde
dirigiu, at 1951, o Dramatic             pites (de escora). Dispositivos
Workshop da New School for Social         para sustentar as escoras aos


                                      219
placement                                                                planos

trainis; ganchos, presilhas de me-       guagem de direo e marcao tea-
tal.  Pites de amarrao. Servem         tral, a expresso de "Fulano est no
para a sustentao de trainis.           primeiro plano, passando para o se-
                                          gundo", etc. V. Quarteladas. 2. Em
placement. A postura perfeita do/a
                                          linguagem de marcao e direo,
bailarino/a clssico/a ao atingir o seu
                                          cada um dos segmentos em que, con-
nvel mais alto de tcnica, quando
                                          vencionalmente, se imagina esteja
ele/ela consegue distribuir o peso do
                                          dividida a rea do palco, para melhor
corpo levemente balanceado sobre
                                          determinao de posies e movi-
seu centro de gravidade.
                                          mentos dos atores em cena. Os pla-
Planchon, Roger (1931-1234). Dire-        nos tm denominaes uniformiza-
tor teatral e dramaturgo francs, que     das e gerais: esquerda, direita e cen-
foi buscar inspirao nas estticas       tro, e cada uma dessas trs fatias do
dos tericos alemes Bertholt             palco subdivide-se em esquerda e
Brecht* e Erwin Piscator*, no drama       direita alta ou baixa, centro alto e
elisabetano e no clssico espanhol,       centro baixo. Dependendo da escola
para criar uma linguagem cnica que       do diretor, pode-se ainda falar numa
centra a ateno do pblico na con-       rea mdia. O proscnio  o plano
duta social das personagens. Fun-         neutro. O plano tem tambm o nome
dador do Thtre de la Comdie, de        de linha.  Plano cenogrfico. Pla-
Lyon, depois diretor do Thtre de        no segundo o qual devem ser ar-
la Cit de Villeurbanne, assumindo        mados ou desarmados os cenri-
em 1972 a direo do Novo Teatro          os, de acordo com as determina-
Nacional Popular, com Patrice             es do cengrafo e do diretor do
Chreau (1944-1234) e Robert Gilbert.     espetculo.  Plano de cena. Plano
Sua obra pessoal est carregada de        cenogrfico.  Plano geral. Esp-
uma crtica cheia do humor da con-        cie de livro onde esto anotadas
versao social e literria.              todas as indicaes referentes ao
                                          desenrolar do espetculo, para uso
planipedes. Gnero teatral romano,
                                          do contra-regra e do diretor teatral.
surgido do mimo*, representado an-
                                           Plano de luz. Roteiro organizado
tes dos espetculos ou nos interva-
                                          de forma minuciosa pelo eletricista
los dos mesmos.
                                          e iluminador, que garanta um acom-
planos. 1. Espaos em que o piso do       panhamento seguro e no momento
palco  dividido, escamoteveis ou        exato, da iluminao do espetcu-
reajustveis, constitudo(s) de uma       lo.  Plano da sala. Planta ou mapa
rua e uma ou vrias falsas ruas. Nu-      da sala do teatro, com indicao
merados a partir do proscnio, par-       das filas de cadeiras, frisas, cama-
tem, convencionalmente, do plano          rotes, e sua respectiva numerao.
zero at quantos forem necessrios        As direes das casas de espetcu-
para a construo da cena, sendo que      los devem manter um plano desse
o mnimo  de oito. Surge da, na lin-    tipo sempre junto  bilheteria, para


                                      220
planta                                                              pochade

orientao dos espectadores, ao         origem plebia, que escreveu cerca
comprarem seus ingressos.               de 130 comdias, das quais apenas
                                        21 so reconhecidas como autnti-
planta. Mapa ou levantamento gr-
                                        cas e chegaram intactas at nossos
fico da rea de representao, feito
                                        dias. Homem essencialmente de te-
pelo cengrafo e pelo diretor do es-
                                        atro, Plauto adaptou com invulgar
petculo, onde constam minuciosa-
                                        talento os textos dos autores gre-
mente localizados todos os planos
                                        gos da chamada Comdia Nova,
e pormenores, desde a colocao de
                                        entre os quais Menandro*, injetan-
mveis e utenslios at o mnimo de-
                                        do-os com os temperos do humor
talhe cenogrfico.  um instrumen-
                                        arguto e vivaz ao gosto do paladar
to indispensvel para a boa realiza-
                                        romano, imprimindo um ritmo fren-
o do espetculo, no s para a
                                        tico que faz o espectador esquecer
construo da cenografia, como da
                                        as inverossimilhanas. A ao se
marcao. Com a ajuda da planta
                                        articula geralmente em torno de um
baixa, o ensaiador justifica todos os
                                        criado astuto, geralmente escravo,
movimentos, as aes dos/das in-
                                        que manipula seus patres, engana
trpretes no cenrio, as entradas e
                                        os velhos e protege os casais apai-
sadas, bem como os efeitos especi-
                                        xonados. J bastante caracterizadas,
ais; planta baixa.
                                        as personagens prenunciam os ti-
plantao. Disposio dos elemen-       pos da Commedia dell'Arte. Entre
tos de um cenrio, de acordo com a      suas melhores peas esto Anfi-
planta.  Plantao  italiana. Plan-    trio, Aululria, Asinaria, O sol-
tao clssica feita com trainis de    dado fanfarro, Os prisioneiros,
um lado e outro do palco, paralela-     cujos temas e enredos ainda so
mente  boca de cena, marcando os       muito apreciados nos dias atuais.
vrios planos da cena.                  Alm de muito popular na sua po-
                                        ca, o teatro de Plauto exerceu influ-
plantar. Armar um cenrio de acor-
                                        ncia sobre Shakespeare*, Molire*
do com sua planta.
                                        e Goldoni.*
platia. 1. O espao do edifcio tea-
                                        pli. Palavra francesa para identifi-
tral equipado de poltronas, e, em al-
                                        car o movimento de joelhos que se
guns teatros, com frisas, camarotes
                                        dobram, feito pelo/a bailarino/a no
e galerias, destinadas ao pblico. O
                                        curso de sua exibio.
piso da platia  ligeiramente incli-
nado de forma que a cabea do es-       plot. Palavra inglesa para designar o
pectador em frente no cubra a vi-      ncleo central da ao dramtica,
so do palco de quem est atrs. 2.     num texto literrio de obra teatral.
prprio pblico.  Platia alta. O
                                        pochade. 1. Palavra francesa, hoje
balco nobre.
                                        fora de uso, mas muito corrente nos
Plauto, Maccius ou Maccus (254-         meios teatrais em fins do sculo XIX,
184 a. C.). Dramaturgo romano de        para caracterizar uma pea ligeira,


                                    221
pocket show (show de bolso)                                             ponta

de carter crtico, burlesco ou hu-      pol. Armao de madeira sobre a qual
morstico, includa normalmente          se assentam os estrados e pratic-
em shows de variedades, quadros          veis; polia.
de revistas e music-hall. O termo
                                         poleiro. Espao da platia, normal-
 cunhado da pintura executada su-
                                         mente na parte mais alta do edifcio,
mariamente em poucas pinceladas.
                                         onde os ingressos so mais baratos.
2. Obra ligeira, feita com rapidez.
                                         Termo usado, no Maranho, para in-
3. Pea cmica, escrita de uma as-
                                         dicar as galerias; gerais. A denomi-
sentada; chanchada.
                                         nao tem cunho pejorativo.
pocket show (show de bolso). Es-
                                         Polichinelo. 1. Mscara tradicio-
petculo rpido, de curta durao,
                                         nal, natural de Npoles, Itlia, com
realizado num espao pequeno, em
                                         as caractersticas convencionais
bairros, cidades pequenas, com tex-
                                         que o humorismo popular costuma
to carregado de humor e voltado para
                                         atribuir aos napolitanos: sentimen-
o pblico daquela regio. Surgiu no
                                         talismo, gulodice, pouca vontade de
incio dos anos 80 do sculo XX.
                                         trabalhar, e um certo fatalismo na
poo da orquestra. Parte rebaixada       concepo da vida. Descende de
da platia, entre a boca de cena e as    Maccus*, da comdia latina, algu-
primeiras filas de cadeiras, onde fica   mas vezes representada como um
a orquestra nos espetculos musi-        palhao e, outras, como uma figura
cais como peras, operetas e revis-      quase dramtica. Excelente cantor,
tas; fosso.                              Polichinelo traja-se de branco, para
                                         indicar a fundamental candura e ino-
Potica. Obra de Aristteles*, es-
                                         cncia da alma da personagem. 
crita por volta de 334 a. C., da qual
                                         bem mais antiga que a mscara fran-
s chegaram alguns fragmentos aos
                                         cesa de Pierr. 2. Boneco de madei-
nossos dias. Nela, o autor tenta defi-
                                         ra, com uma enorme corcunda, de
nir a dinoia ou pensamento, o enre-
                                         nariz adunco e vermelho, ricamente
do ou fbula, a personagem, a dic-
                                         vestido, usando chapu de dois bi-
o, o espetculo e a melopia, os
                                         cos, que representa, no teatro de ma-
seis elementos essenciais da obra
                                         rionetes, a personagem Pulcinella,
teatral, entendendo o autor, por
                                         da Commedia dell'Arte italiana. V.
piesis, toda e qualquer criao ar-
                                         Cortina  Polichinelo.
tstica, e no apenas a poesia.
Aristteles estabeleceu o conceito       ponta. 1. Papel de pouca extenso e
de catarse e a distino dos gne-       sem muito interferncia no enredo de
ros. A maior parte dos fragmentos se     uma pea ou de um espetculo, mes-
refere  tragdia,  epopia e  com-   mo assim nem sempre de pouca im-
dia, constituindo-se na primeira ten-    portncia; rbula. 2. Em bal, o mo-
tativa literria de desenvolver uma      vimento do/a bailarino/a nas pontas
teoria de teatro.                        dos ps.



                                     222
pontar                                                             postios

pontar. Ato de uma pessoa, adrede      corado ou, em casos excepcionais,
preparada para a funo, ler o texto    praticado das coxias, quando no
da pea durante o espetculo, so-       usado o "ponto eletrnico", que
prando aos atores, em cena, as pa-     consiste num pequeno aparelho co-
lavras dos dilogos, com o objeti-     locado no ouvido do intrprete e
vo de lembrar alguma fala de re-       operado por controle remoto; o pro-
pente esquecida; arte de falar de      fissional encarregado de pontar a
forma inaudvel para a platia, mas    pea.  Ponto de vista. Ponto ima-
claramente compreensvel para o        ginrio localizado a 1,30m acima do
ator em cena.                          assoalho do palco e a uma distncia
                                       da boca de cena equivalente  me-
ponte. Na caixa do teatro, a passa-
                                       tade da largura dela, que serve de
gem area que liga uma varanda* a
                                       orientao ao cengrafo para a cons-
outra, no urdimento. Serve para co-
                                       truo do cenrio, de modo a asse-
locar ou arrumar os refletores, pro-
                                       gurar perfeita visibilidade aos es-
duzir "chuvas", soltar "neve" ou
                                       pectadores sentados nos vrios
fazer cair as folhas do outono so-
                                       pontos da sala. V. Ler no ponto.
bre a cena. V. Passarela de servi-
o. No palco, poro do assoalho       poro. 1. Parte da caixa do teatro,
que se pode elevar sobre o plano       por baixo do palco, com acesso ao
geral da cena.                         espao cnico por meio de alapes.
                                       Pode ter mais de um pavimento, nu-
ponto. 1. Local, no proscnio, devi-
                                       merados de cima para baixo. 2. No
damente protegido por um antepa-
                                       jargo teatral, diz-se da pea quan-
ro ou concha, onde fica uma pessoa
                                       do fracassa logo nos primeiros dias
com o texto integral da pea que
                                       da temporada e tem que ser retirada
est sendo encenada. 2. Profissio-
                                       s pressas de cartaz: "Vai para o po-
nal integrado a um elenco, que ser-
                                       ro". 3. A fala que o ator pronuncia
ve de apoio para os artistas, duran-
                                       quase inaudvel.
te o espetculo, e cuja funo  di-
tar baixinho partes do texto (pala-    porteiro (da caixa). Pessoa respon-
vras, slabas e at mesmo marca-       svel para impedir que estranhos ao
es) que no esto bem memoriza-      espetculo passem  caixa do teatro.
dos pelo intrprete, corrigindo-lhe,
                                       Ps-Guerra (Espetculos do). Espe-
assim, eventuais lapsos de mem-
                                       tculos que misturavam o gnero
ria; cabe-lhe tambm dar ao pessoal
                                       cabar* e o teatro tradicional, muito
tcnico as deixas de preparao ou
                                       difundido aps a Primeira Guerra
de execuo de manobras e efeitos.
                                       Mundial, na Frana.
O nome do profissional que exercia
essa funo chegou a figurar nos       posse. Parte do ingresso a um espe-
programas dos espetculos.  O         tculo, que fica com o espectador.
uso do ponto, no proscnio, foi
                                       postios. Implementos usados pelos
abolido, com a prtica do texto de-
                                       atores e atrizes na caraterizao e


                                   223
praa (fazer a)                                                        presena

composio das personagens. So          Prtinas. Dramaturgo e ator grego,
cabeleiras, costeletas, bigodes, bar-    contemporneo e rival de squilo*
bas, "crnios", etc.                     (teria vivido c. 469 a. C.). Deu grande
                                         fora  tragdia, afastando dela a fi-
praa (fazer a). 1. Ato de preparar
                                         gura dos stiros, criando para estes
uma cidade ou uma comunidade para
                                         um gnero prprio, o drama satrico,
receber um elenco ou espetculo. 2.
                                         que na Grcia antiga era representa-
Parada de um elenco em determina-
                                         do logo aps, mas independentemen-
da cidade para fazer espetculos.
                                         te, da pea principal. Escritor prolfi-
praieta. Trainel de pouca altura, que    co, dele nos chegou apenas um lon-
forma um pequeno cenrio comple-         go e original fragmento.
mentar, que tanto pode representar
                                         preciso. Virtude contida num tex-
um trecho de praia, como um tufo
                                         to dramtico, em que as palavras no
de ervas, um tronco derrubado, um
                                         extravasam seus limites, nele no exis-
amontoado de pedras, tambm ser-
                                         tindo mais palavras ou mais ao do
vindo para ocultar da platia as fon-
                                         que as necessrias.
tes de luzes colocadas no piso do
palco para iluminar o fundo da cena.     pr-estria. Expresso que substi-
                                         tui o galicismo avant-premire, para
pranchada. Estrado de madeira as-
                                         identificar o espetculo mostrado
sentado sobre os pols ou cavaletes
                                         antes da estria para convidados es-
na construo de praticveis.
                                         peciais, a imprensa e patrocinadores.
prateleira. Palavra que designava a
                                         premiados inditos. O grande con-
situao de um artista de qualidade
                                         tingente de dramaturgos brasileiros
retirado do elenco e deixado sem ocu-
                                         premiados, mas proibidos de publi-
pao. J sem uso no meio teatral.
                                         car suas obras ou encenar seus tex-
praticvel. Elemento cenogrfico         tos pela censura do Golpe Militar de
constitudo de um estrado formado        1964. S foram revelados ao pas nos
de uma prancha de madeira fixada         anos 80, aps a revogao do AI-5.
sobre pols e cavaletes, que serve
                                         premire. O primeiro espetculo
para dividir o palco em planos, e so-
                                         de uma pea ou de uma tempora-
bre o qual atuam os atores, de acor-
                                         da; estria.
do com a necessidade da ao da
pea, ou na construo de escadas;       preparao. V. Preveno.
plano que reproduz desnveis natu-
                                         presena. Habilidade do/da intrpre-
rais. Colocam-se tambm no gnero
                                         te, usando seu talento e sua tcnica
praticvel elementos cnicos como
                                         de representar, para fazer de sua per-
camas, balces e janelas, suscetveis
                                         sonagem uma presena viva no es-
de serem utilizados pelo ator, em opo-
                                         petculo, notada e "real". Para con-
sio aos elementos figurados, que
                                         seguir isso, o/a intrprete tem que
apresentam esses mesmos objetos
                                         usar todo o conjunto de conhecimen-
em apenas duas dimenses.


                                     224
prespio                                                             programa

tos tericos e treinamentos prticos    teatro, que nem sempre  a diva, no
adquiridos ao longo de exerccios       sentido pejorativo assumido a par-
exaustivos.                             tir do teatro lrico; a atriz mais im-
                                        portante de um elenco,  qual so
prespio. Na tradio natalina, da
                                        confiados os papis mais destaca-
passada a diversas outras naes,
                                        dos. A figura com esses privilgios,
como o Brasil, a representao ou
                                        e a expresso, esto fora de uso.
encenao do nascimento de Jesus
Cristo e das cenas que a ele se se-     primeira gambiarra. Gambiarra lo-
guiram.  provvel que a Igreja, na     calizada logo atrs da boca de cena.
Idade Mdia, tenha comeado a re-
                                        primeiro ator. O ator mais importan-
presentar o nascimento de Jesus
                                        te de uma companhia teatral a quem
usando bonecos.
                                        so confiados, em geral, os papis
presepista. 1. Comediante que           de maior destaque.
participa dos autos de Natal ou pre-
                                        prncipe (lugar do). Nas estruturas
spios. 2. Fabricante de figuras de
                                        clssicas do edifcio teatral, no tea-
prespio.
                                        tro  italiana, o espao central na pla-
prestidigitao. A arte ou habilida-    tia, que propicia a viso completa
de com que o mgico executa seus        do espectador, substitudo atualmen-
nmeros; a arte da iluso e da magia;   te pelo "camarote oficial".
ilusionismo.
                                        Princpio das Trs Unidades. V. Re-
prestidigitador. Artista que, pela      gra das Trs Unidades.
destreza e habilidade dos movimen-
                                        produtor. Profissional responsvel
tos de suas mos, adquirida atravs
                                        por todos os aspectos administrati-
de longo treinamento, faz deslocar
                                        vos e comerciais de uma companhia,
ou desaparecer objetos, iludindo os
                                        de um espetculo, ou at mesmo da
olhos do espectador, produzindo
                                        carreira profissional de um artista. Em
uma sensao de magia; ilusionis-
                                        alguns pases, como Estados Unidos
ta; mgico.
                                        e Frana, onde investe seu capital
preveno. Palavra j fora de uso,      na montagem de um espetculo, o
para identificar o sinal produzido      produtor tem alguns privilgios,
pelo ponto e com regular antece-        como o de escolher desde o diretor
dncia, alertando o pessoal da va-      de um espetculo at o mais humilde
randa, contra-regra e cortineiros, de   dos colaboradores. Essa figura apa-
que estava se aproximando a hora        receu e se imps a partir da metade
para a execuo de determinada ao     do sculo XX.
prevista no roteiro. V. Execuo.
                                        programa. Material impresso, distri-
prima-dona. Expresso adaptada do       budo gratuitamente (ou vendido) ao
italiano prima donna, para designar     pblico  porta de entrada do teatro,
a primeira atriz de uma companhia de    antes do espetculo. Alm de conter



                                    225
projetor                                                        protagonista

comentrios sobre o espetculo, in-     de 1919, feito exclusivamente por
formaes sobre autoria, traduo e     operrios. V. Teatro proletrio.
sobre a prpria pea, exibe o nome
                                        prlogo. 1. Criado por Tspis*, era o
de todo o elenco, dos intrpretes e
                                        discurso de abertura recitado por um
seus personagens, direo, cengra-
                                        ator sobre o tema da pea, mas fora
fo, figurinista, maquiador e todo o
                                        da ao da mesma, dirigido ao pbli-
corpo tcnico.
                                        co geralmente pelo autor disfarado
projetor. Aparelho de iluminao        numa personagem. 2. Nos dias atu-
provido de lentes especiais, do qual    ais, quadro ou cena inicial de uma
a lmpada pode se aproximar ou se       pea de teatro, onde uma s perso-
distanciar, de modo a abrir ou fechar   nagem, antes do texto da pea pro-
o cone de luz; o mesmo que refletor.    priamente dita, informa sobre even-
 Projetor de efeitos. Aparelho de       tos j passados ou faz um resumo
projeo munido de lmpadas, len-       crtico do que vai acontecer.
tes e espelhos, que podem proporci-
                                        propaganda. Publicidade do espe-
onar uma iluminao homognea, ou
                                        tculo.
a projeo detalhada de transparn-
cias com figuras estticas ou em mo-    proscnio. Parte do palco, normal-
vimento.  Projetor mvel. Peque-        mente em curva, que avana desde
no projetor de luz que pode ser mu-     a boca de cena at o fosso da or-
dado de posio sem grandes difi-       questra, em direo da platia;
culdades, mesmo ao longo do espe-       pode ser fixo ou no. Nos antigos
tculo, conforme as convenincias       teatros gregos e romanos, e tam-
das cenas.  Projetor de proscnio.      bm no teatro elisabetano e demais
Cada um dos projetores dispostos        palcos antigos (com exceo do te-
nas paredes ou suspensos do teto        atro medieval), era o espao do pal-
da sala, com a finalidade de iluminar   co compreendido entre a cena e o
reas do proscnio ou antecena.         espectador, onde se verificava a
Projetor de rampa. Pequeno proje-       maior parte da ao dramtica. V.
tor de luz que se usa, em geral, no     Prosknion.  Proscnio falso.
equipamento da ribalta.  Projetor       Diz-se quando, por exigncia da
parablico. Projetor em que a lmpa-    cenografia, o fosso da orquestra 
da pode mover-se para mais perto        coberto, ampliando o proscnio.
ou mais longe do foco de um espe-
                                        prosknion. Palavra grega para de-
lho parablico, aumentando ou di-
                                        signar o espao onde atuavam os
minuindo assim o cone de luz, sem
                                        atores dentro do crculo central, a
necessidade de lentes; refletor.
                                        orchestra, na arquitetura teatral da
Proletrio (Movimento). Movimen-        antiga Grcia.
to dramtico criado pelos encenado-
                                        protagonista. A principal persona-
res e tericos Erwin Piscator* e
                                        gem de uma pea teatral; persona-
Hermann Schller, em Berlim, no ano
                                        gem cuja histria  relatada no enre-


                                    226
prtase                                                             putti-wallah

do, e muitas vezes  a chave de toda      Pisstrato (c. 600-527 a. C.). Tirano
a pea. O protagonista, muitas ve-        grego que, no ano 534 a. C., insti-
zes,  indicado no prprio ttulo da      tuiu em Atenas os concursos para a
pea, como no caso de Britnico           representao de tragdias, cujo pri-
(1669), de Jean Racine*, e Cndida        meiro vencedor foi Tspis.*
(1895), de Bernard Shaw.* O heri.
                                          publicidade. Conjunto de medidas
prtase. No antigo teatro grego, a        tomadas junto aos rgos de impren-
primeira parte da ao dramtica, na      sa, ou outros instrumentos, como
qual o argumento  anunciado e ini-       panfletos, cartazes, anncios, etc.,
cia seu desenvolvimento.                 para atrair a ateno do pblico para
prtase, seguia-se a eptase* e a         o espetculo.
catstase.* Dentro da diviso cls-
                                          pblico. Pessoas que se renem na
sica de um drama,  o momento da
                                          platia de um teatro para assistir a
exposio do assunto.
                                          um espetculo.
protofonia. Introduo orquestral
                                          pulpitum. O antigo palco dos roma-
de uma pera. Neologismo criado
                                          nos, separado das primeiras fileiras
por Castro Lopes para substituir o
                                          do auditrio pela orquestra, onde
galicismo ouverture. Famosssima
                                          permanecia o coro.
no Brasil, como uma espcie de se-
gundo hino nacional,  a protofonia       pureza. Diz-se das falas, em um tex-
da pera O guarani, de Carlos Go-         to dramtico, que esto de acordo
mes (1836-1896).                          com as leis e as normas das regras
                                          gramaticais.
prova de papis. Prtica em uso at a
terceira dcada do sculo XX, que         Essas regras so quebradas quando
consistia na primeira leitura dos pa-     a personagem fala usando regiona-
pis feita pelos/as intrpretes e aten-   lismos, ou quando sua condio so-
tamente acompanhada pelo ponto.           cial a obriga a desobedecer s regras
Como os/as intrpretes at ento no      de linguagem estabelecidas pelo sis-
recebiam o texto integral da obra,        tema.
essa primeira leitura servia para as
                                          putti-wallah. Expresso pela qual 
possveis correes nas cpias, e
                                          conhecido na ndia o manipulador
para que cada intrprete tomasse
                                          de fantoches, popularmente encon-
conhecimento do texto integral.
                                          trado em festas como as de
prova de roupas. Ensaio de figurino.      Dussehra, Diwali e por volta da po-
                                          ca do Natal cristo. O titereteiro indi-
provrbio. Comdia ligeira, cujo en-
                                          ano costuma ir de casa em casa le-
redo se desenvolve em torno de um
                                          vando seus bonecos e marcando
provrbio que lhe serve de ttulo. Um
                                          espetculos. A arte do fantoche tem
autor clssico de provrbios foi o
                                          grande receptividade na ndia, onde
poeta e dramaturgo francs Alfred
                                           uma ocupao tradicional que pas-
de Musset.*
                                          sa de gerao em gerao.

                                      227
Qorpo-Santo, Jos Joaquim de Cam-       sido escritas no auge do romantis-
pos Leo, dito, (1833-1883). Drama-     mo, nada tm de romnticas: apre-
turgo brasileiro, precursor do teatro   sentam, muito pelo contrrio, situa-
praticado em nosso sculo por           es conflituosas peculiares  soci-
Samuel Beckett*, Eugne Ionesco*,       edade gacha do sculo XIX, des-
Harold Pinter*, e que, por isso mes-    prezando por completo a linguagem
mo, quando descoberto por               ornamental, em que a frase seca, des-
Guilhermino Csar, em 1962, foi con-    carnada e despida de adjetivos d o
siderado precursor do Teatro do         ritmo de sua prosa e a tnica predo-
Absurdo.* Produzindo sua obra na        minante  a farsa. Hostilizado de for-
segunda metade do sculo XIX,           ma cruel na sua poca, o autor vin-
Qorpo Santo escrevia com uma rapi-      ga-se da sociedade e dos desacer-
dez incrvel, tendo produzido quase     tos humanos, retratando-os na sua
todas as suas comdias em 1866, ano     dramaturgia. Muito prximas da pan-
em que, s no ms de maio, comps       tomima circense, suas peas s fo-
oito delas, entre as mais notveis de   ram encenadas pioneiramente a par-
sua rica bibliografia: Mateus e         tir de 1966, pelos alunos do Curso de
Mateusa, no dia 14; Hoje sou um: e      Arte Dramtica da Universidade Fe-
amanh outro, dia 15; Eu sou vida;      deral do Rio Grande do Sul, sob a
eu no sou morte, dia 16; A separa-     direo de Antnio Carlos de Sena,
o de dois esposos, dia 18; O mari-    que, por sugesto do escritor
do extremoso ou o pai cuidadoso,        Guilhermino Csar, montou Mateus
dia 24; e Um credor da Fazenda          e Mateusa e Eu sou vida; eu no
Nacional, dias 26/27. Escrevendo        sou morte.
nos gneros mais diversos, suas pe-
                                        quadro. Diviso dos atos, ou de cada
as despertam o interesse pelo car-
                                        ato de uma pea, em cenas menores,
ter inusitado que apresentam, no
                                        com direito inclusive a mudana de
quadro da dramaturgia brasileira de
                                        cenrios.  Quadro de aviso. Local
costumes, quebrando, inclusive,
                                        onde as ordens administrativas da
aquela noo rigorosa da poca da
                                        casa de espetculos so afixadas,
"pice bien faite". Apesar de terem
quarta parede                                            Quinault, Philippe

para conhecimento do elenco e dos       nicos que pudessem ajud-los a atin-
funcionrios, a figurando, entre ou-   gir essa iluso, atravs da qual admi-
tras coisas, a ordem de ensaio, os      tiam atingir a plena verdade da per-
horrios, o nome dos atores convo-      sonagem. Foi um dos pontos bsi-
cados.  Quadro de efeitos. Equi-        cos para a interpretao naturalista.
pamento e controle do quadro de
                                        quartelada. Divises do piso do pal-
luz, provido de recursos que acio-
                                        co em pranchas de 1x1, perfeitamen-
nam dispositivos para a produo
                                        te ajustadas e removveis quando a
de efeitos de luz (ou de som) ao lon-
                                        encenao exigir, para fingir pores,
go de um espetculo. V. Efeito de
                                        produzir efeitos mgicos, dar a idia
luz.  Quadro de luz. Espcie de
                                        de que a cena do palco encontra-se
console de onde o eletricista con-
                                        num andar superior de um edifcio
trola todas as fontes de luz que ser-
                                        etc.; tampa dos alapes. As
vem ao espetculo, ligando ou des-
                                        quarteladas dividem o palco em pla-
ligando refletores, aumentando de
                                        nos que so numerados do
intensidade ou diminuindo os fo-
                                        proscnio (plano zero) at o fundo
cos, de acordo com o projeto de ilu-
                                        do palco, sendo que uma cena nor-
minao do espetculo. V. Efeito de
                                        mal tem de seis a oito quarteladas.
luz.  Quadro vivo. Representao
                                        Dessa diviso ou configurao do
de cenas imveis, de quadros, es-
                                        piso do palco  que foram criadas
culturas clebres, cenas dramticas
                                        expresses prprias para situar os
ou histricas, feitas por pessoas. O
                                        intrpretes em cena: primeiro, segun-
nascimento de Jesus  um dos te-
                                        do ou terceiro plano. Cada srie de
mas preferidos para esse gnero de
                                        quarteladas ou pranchas tem o
dramatizao.
                                        nome de rua.  Quarteladas meno-
quarta parede. Linha imaginria co-     res. Srie de pranchas estreitas, de
locada  altura da boca de cena, e      aproximadamente 25cm no plano do
que teoricamente separa o/a ator/       palco, que ficam entre as ruas.
atriz da platia, protegendo-o/a e
                                        quarteto. Trecho musical cantado
deixando-o/a isolado do pblico. A
                                        por quatro artistas.
teoria, para uns, foi formulada por
Diderot*, em 1758, em sua obra          quarto dos senhores. Local privile-
Discours de la posie dramatique;       giado no edifcio teatral ingls, no
para outros, atribuda a Andr          perodo elisabetano, reservado para
Antoine*: "Estejam vocs ensaian-       o pblico mais abastado que podia
do ou representando para um pbli-      pagar ingresso mais caro.
co, no pensem neste pblico, faam
                                        Quinault, Philippe (1635-1688). Au-
de conta que ele no existe, que o
                                        tor de comdias e tragicomdias.
pano de boca continua fechado e
                                        Colaborou com Corneille* e
vocs esto isolados do mundo."
                                        Molire*, alcanando sucesso como
Antoine reforou a proposta, dotan-
                                        libretista de Lully.*
do seus atores de mecanismos tc-


                                    230
rbula. O mesmo que ponta; papel           raisonneur. Palavra transplantada da
sem muita projeo. Expresso fora         lngua francesa, aplicada  persona-
de uso.                                    gem da comdia ou da stira, incum-
                                           bida da responsabilidade de estar
rabulista. Ator habituado a fazer
                                           sempre com a razo ou sempre pron-
rbulas. Expresso fora de uso.
                                           ta para explicar as razes e idias
Racine, Jean Baptiste (1639-1699).         desenvolvidas pelo texto. De pouca
Considerado o maior poeta trgico          autenticidade, est ali adrede para
francs, escreveu tragdias formal-        expressar exclusivamente os pontos
mente perfeitas e que se tornariam         de vista do autor, sendo uma forma
clssicas no gnero, como Andr-           hbrida deste. Criado por Molire*,
meda (1667), Britnico (1669), Fedra       na sua comdia O misantropo
(1677). Sua grandiosidade est no         (1666), para comentar a situao e
s na beleza de seus versos, que ex-       o comportamento dos demais per-
primem perfeitamente emoes for-          sonagens, tornou-se mais tarde uma
tes e sutis, como na criao do            caracterstica marcante no teatro
suspense trgico, de feio classi-        francs da poca, ganhando posio
camente contida.                           nas chamadas peas de tese.
raconto. Na msica lrica, a ria em       rampa. 1. O mesmo que ribalta. 2. Na
que o cantor faz uma narrao. A           linguagem tcnica de cenografia, re-
Bomia, de Puccini (1858-1924), tem        cortes horizontais representando
o clebre raconto de Mimi.                 normalmente montanhas distantes.
radiator. Ator que atua em                 3. Nos espetculos de revista, a pas-
radioteatro. Fem. Radiatriz, radioatriz.   sarela que avana em direo  pla-
                                           tia para exibio das coristas, vede-
radiatro. Neologismo criado pelo           tes, ou evolues coreogrficas.
dramaturgo brasileiro Pedro Bloch
                                           rapsodos. Menestris na Grcia An-
(1914-1997), mas de uso escasso,
                                           tiga, oriundos da Jnia, no litoral da
para qualificar o teatro adaptado e
                                           sia Menor, que andavam de cidade
apresentado pelo rdio; radioteatro.
                                           em cidade recitando poemas picos,

                                       231
rebolado                                                                  rgie

grande parte resultante da vulgari-       a inteireza de seus sentimentos  pla-
zao dos poemas de Homero, ele           tia. V. Actor's Studio.
por sua vez tambm um rapsodo. Os
                                          refletor. Equipamento de ilumina-
recitativos eram feitos com ou sem
                                          o, cujo cone de luz se abre ou se
acompanhamento musical.
                                          fecha pelo deslocamento da lmpa-
rebolado. Expresso pejorativa, de        da em relao ao foco de um espe-
princpio, tendo depois aceitao         lho cncavo no fundo do equipamen-
geral, para identificar o teatro de re-   to. Os refletores so usados em gru-
vista musicada. Surgiu em razo de        pos e instalados em vrios pontos
as coristas e vedetes, que se exibiam     da platia ou da caixa do teatro, de
normalmente em trajes sumrios,           modo que o palco receba a ilumina-
danarem se rebolando. V. Revista.        o adequada em todos os seus pla-
                                          nos, e de acordo com um projeto
rcita. 1. Espetculo de declamao
                                          previamente estabelecido. A esses
e, por extenso, espetculo teatral.
                                          aparelhos, so aplicados discos com
2. Concerto de msica erudita. 3.
                                          placas de celofane ou outro materi-
Rcita do autor e dedicada a ele.
                                          al colorido, dependendo do interes-
recitativo. Trecho narrado ou dialo-      se do espetculo; projetor.
gado entre duas etapas cantadas,
                                          reforo lateral. Sarrafo comple-
com ligeira linha meldica procuran-
                                          mentar ou ripa de madeira, usada
do seguir as inflexes da voz. O
                                          para reforar a estrutura lateral de
barbeiro de Sevilha, de Rossini,
                                          um trainel.
contm muitos trechos recitativos.
                                          regente. O profissional que dirige
reconhecimento. V. Anagnrise.
                                          a orquestra e que, nos musicais, pe-
recorte. Rompimento* cnico de-           ras e operetas, ensaia os artistas-
corado, solto no centro do palco,         cantores. Sua relao, durante o es-
com a funo de complementar a            petculo,  diretamente com o dire-
cena com um motivo cenogrfico.           tor ou ensaiador, sendo por este ou-
Pode ser construdo em folhas de          vido sobre a distribuio dos papis
madeira, papelo, ou outros mate-         e quanto s exigncias vocais a se-
riais, apoiado sobre o piso do pal-       rem observadas; maestro-regente.
co e preso em esquadros, ou pen-
                                          rgia. A bambolina ricamente ador-
durado por tirantes.
                                          nada, normalmente de veludo, colo-
recurso dos silncios. Recurso            cada na frente de todas as demais,
expressivo, muito trabalhado na           bem  vista do pblico.
dramaturgia e no cinema americanos,
                                          rgie. Em pera, o trabalho do com-
a partir da prtica do Actor's Studio,
                                          positor que acumula a funo de re-
no qual o/a intrprete atua sem pala-
                                          gente da orquestra. A prtica come-
vras, servindo-se exclusivamente da
                                          ou com Richard Wagner* e
expresso facial, pela qual transmite
                                          Giuseppe Verdi*, quando passaram


                                      232
rgisseur                                                             remontar

a se fazer presentes nos ensaios de       conhecidos tambm pelo nome de
suas obras para supervisionar a en-       pernas. Cada regulador consiste ge-
cenao. Mas foi o regente-compo-         ralmente em duas armaes ou
sitor austraco Gustav Mahler (1860-      trainis, construdos de sarrafos, for-
1910) que fixou sua funo e a desig-     rados de pano e ligados por dobra-
nao definitiva, estabelecendo a         dias que facilitaro us-los sob a
moderna idia de rgie, quando diri-      forma de biombos. Os reguladores
giu a pera de Viena, de 1897 a           servem de ponto de apoio para pren-
1907. Mahler no era apenas o res-        der as paredes das cenografias. Al-
ponsvel pela preparao musical          gumas vezes esses reguladores so
das peras ali montadas, mas tam-         simples cortinas de tecidos de cores
bm pela encenao das mesmas.            neutras que caem naturalmente  al-
                                          tura da boca de cena, sem armao
rgisseur. Palavra francesa que, no
                                          de madeira; bastidores Regulado-
teatro de pera, serve para identifi-
                                          res-mestres. Os bastidores mveis
car o diretor da parte teatral do gne-
                                          que se conjugam com a bambolina-
ro, responsvel pelos cenrios e fi-
                                          mestra, emoldurando a boca de cena.
gurinos, pela movimentao cnica
                                          Servem basicamente para regular as
dos atores, iluminao e tudo o mais.
                                          dimenses do espao ocupado pelo
Regra das Trs Unidades. Princpio        cenrio; primeiros reguladores. V.
bsico aristotlico, que consiste na      Contra-reguladores.
observao rgida de normas bsi-
                                          relaxamento. Segundo os tericos
cas para que um texto teatral seja
                                          clssicos das tcnicas da interpreta-
considerado tecnicamente perfeito,
                                          o,  o estado ideal para que o ator
conhecido como a clssica unidade
                                          "incorpore" sua personagem, adqui-
de ao, que disciplinava o texto,
                                          rindo um estado fsico e espiritual
obrigando-o a um nico enredo de
                                          perfeito para a correta desenvoltu-
tema linear; unidade de tempo, que
                                          ra no desempenho de seu papel. Essa
restringia a 24 horas os eventos apre-
                                          tenso tende a reprimir e "matar" os
sentados no palco; e unidade de es-
                                          sentimentos, e o ator, segundo tal
pao, que limitava a ao a um nico
                                          "escola", para evitar esse nvel de
local. As unidades de tempo e de es-
                                          bloqueio e antes de iniciar qualquer
pao tinham a inteno de conven-
                                          tipo de trabalho, deve procurar pra-
cer a platia a acreditar no que via,
                                          ticar exerccios adequados, buscan-
e, quando usadas com habilidade,
                                          do manter seus msculos em estado
podiam produzir textos de enorme
                                          de "relaxamento".
fora dramtica e concentrao de
idias, como em Corneille* e Racine.*     remoo. Ato de remover o material
                                          de cena, depois que o espetculo
reguladores. Elementos laterais usa-
                                          encerra sua temporada.
dos para demarcar verticalmente a
cena e limitar o proscnio, regulan-      remontar. 1. No jargo de palco, o
do a largura da boca de cena. So         movimento do ator ao se deslocar da


                                      233
remonte                                                          representao

boca de cena em direo ao fundo do       representao. 1. Ato de represen-
palco; andar para a parte superior da     tar; interpretar. 2. Cada uma das ve-
cena. 2. Na linguagem de produo e       zes em que um espetculo  levado
encenao, fazer com que a pea vol-       cena para ser visto pelo pblico.
te a ser representada, quer pelo mes-      Representao dramtica. Ativi-
mo elenco, quer com outros artistas,      dade essencialmente criadora, base-
com a mesma concepo esttica do         ada na observao, atravs da qual
espetculo passado ou com nova lei-       se exteriorizam os sentimentos, usan-
tura cnica; reensaiar uma pea j exi-   do mmica, sons, palavras e ritmos
bida, fazendo-a retornar  cena;          prprios. A representao, como tal,
recolocar um espetculo em cartaz.        existe provavelmente desde os
                                          primrdios da humanidade, em prin-
remonte. 1. Na linguagem do palco,
                                          cpio sob a forma de canto e dana.
a ordem dada pelo diretor do espet-
                                          A primeira forma de representao
culo durante os ensaios, para que o
                                          de que se tem conhecimento docu-
ator se desloque para o fundo da
                                          mental ocorreu na antiga Grcia,
cena ou repita a marcao feita ante-
                                          quando atores participavam de ceri-
riormente. 2. Substituio de um ator
                                          mnias religiosas. O teatro grego,
por outro, num papel j ensaiado e
                                          que serve de parmetro para a hist-
at mesmo apresentado.
                                          ria dessa manifestao artstica, flo-
renda. A quantia em dinheiro arre-        resceu entre os sculos V e IV a. C.,
cadada com a venda dos ingressos,         tendo o coro, originalmente, como
na bilheteria do teatro, ou de outras     elemento de destaque. Praticado em
fontes, tais como patrocnio, co-         princpio s por homens, as mulhe-
merciais, doaes, etc.                   res comearam a participar do ato
                                          teatral a partir do sculo III, a. C.,
rentre. Palavra francesa, de largo
                                          em Roma. Com o desenvolvimento
uso nos meios teatrais brasileiros,
                                          do cristianismo na Europa, a repre-
para identificar o retorno de um ar-
                                          sentao teatral foi proibida, desa-
tista s suas atividades, depois de
                                          parecendo virtualmente no final do
muito afastado do palco.
                                          sculo VI, s voltando a vigorar na
repertrio. O conjunto de peas que       Idade Mdia, com os jograis e os
uma companhia dispe prontas para         atores itinerantes que atuavam nos
encenao; as peas que fazem par-        mistrios* e participavam de com-
te da relao de espetculos de um        panhias ambulantes. Os atores pro-
elenco. V. Teatro de repertrio.          fissionais s foram aparecer com a
reprego. Pequeno trainel, indepen-        encenao do drama secular no tea-
dente das demais peas da                 tro elisabetano, na Commedia
cenoplastia, usado para completar o       dell'Arte e em outras manifesta-
ambiente cenogrfico, podendo fin-        es. Nesse perodo da histria do
gir uma janela, uma rvore, um poo,      ator, as mulheres s voltaram  cena
um banco, etc.                            na Itlia e na Inglaterra, aps a Res-


                                      234
representar                                                             revista

taurao de 1660. Antes, os papis        piadas picantes, o gnero nasceu
femininos eram desempenhados por          provavelmente por volta de 1715, nos
rapazes e adolescentes.                   teatrinhos de feira de Saint-Laurent
                                          e Saint-Germain, na Frana. Os des-
representar. Arte de reproduzir em
                                          cendentes dos Comici dell'Arte, que
gestos, falas e movimentos uma si-
                                          haviam se radicado em Paris desde o
tuao preestabelecida, ou toda uma
                                          sculo XVI, a convite do Rei, sem
histria criada por um dramaturgo;
                                          poder falar na corte as tolices que
interpretar um papel, num espetcu-
                                          falavam em seus espetculos " ita-
lo de teatro, para julgamento ou en-
                                          liana", comearam a fazer uma esp-
tretenimento de uma platia; viver
                                          cie de revista satrica e burlesca dos
uma personagem dramtica.
                                          acontecimentos teatrais do ano. Os
reprisar. Reencenar uma pea j           primeiros textos, A cintura de Vnus,
mostrada a um pblico; uma segun-         O mundo s avessas, A revista dos
da apresentao de um determina-          teatros so atribudos a Lesage (1668-
do espetculo. Tornar a pr em            1747). O gnero, j no formato de
cena; repetir.                            revue de fin d'anne, chega a Por-
                                          tugal, deixando o carter restrito de
reprise. Repetio; a ao de reprisar.
                                          tratar exclusivamente dos aconteci-
revista. Gnero teatral, de carter po-   mentos teatrais, e passa a abordar
pular, que mistura as diferentes lin-     os fatos polticos, sociais, religio-
guagens dramticas, o canto, a dan-       sos, econmicos e financeiros mais
a, a comdia, a opereta, o circo e o     importantes do ano. De Portugal,
teatro declamado, num mesmo gne-         passou para a Inglaterra e, das Ilhas
ro. Sem grande preocupao com um         Britnicas, para os Estados Unidos,
enredo rgido e contnuo, e se apro-      onde recebeu toques de requinte.
ximando freqentemente da pardia,        Aceita aqui no Brasil, a revista foi
em ritmo musical, a revista tende ao      em princpio uma espcie de recapi-
escracho, satirizando os costumes         tulao alegre dos principais acon-
sociais e polticos de uma poca, no     tecimentos do ano anterior, pelo que
se furtando de repetir velhas piadas,     eram chamadas de revistas do ano.
surrados cacoetes e tipos surrados        Cronologicamente, a primeira revis-
pelo uso, mas do agrado das plati-       ta brasileira a ser encenada foi As
as. Seus atos so divididos habitu-       surpresas do Sr. Jos Piedade, de
almente em quadros mais ou menos          Figueiredo Novaes, mostrada em
independentes entre si, ainda que li-     1859 ou 60. Mas s com O
gados por um tema comum e uma su-         mandarim, de Artur Azevedo* e
cesso de nmeros coreogrficos e         Moreira Sampaio, em 1877, o gne-
esquetes humorsticos. Primando           ro cria status e realmente se instala
pelo luxo, pela ostentao ferica das    no pas. Revistas desses autores,
luzes e dos brilhos, por um elenco        como Cocota (1885), O bilontra
cujo forte so as belas vedetes e as      (1886), Mercrio (1887), dos fins do


                                      235
rezar                                                        Rodrigues, Nelson

sculo XIX, contriburam para fir-         ponsvel pela postura internacional
mar o gnero no Brasil.                    do teatro brasileiro, modificando de
                                           forma inconfundvel a linguagem e o
rezar. Termo fora de uso para quali-
                                           tratamento dramtico do texto tea-
ficar a deficincia do ator que falava
                                           tral. Suas peas refletem com crueza
seu papel num tom de voz quase
                                           a condio humana a partir de tipos
inaudvel para a platia.
                                           extrados da vida cotidiana, usando
rhesis. Na tragdia grega clssica,        principalmente a paisagem carioca.
espcie de discurso que sucedia ao         Sua primeira pea encenada, em 1939,
prlogo. Foi provavelmente com a           A mulher sem pecado, j mostrava
introduo do segundo ator que sur-        um autor novo, polmico, de forte
giu a necessidade de adicionar um          personalidade. Anos depois, em 28
segundo rhesis.                            de dezembro de 1943, acontece a
                                           grande revoluo de texto e carpin-
ribalta. 1. Nos teatros de estilo itali-
                                           taria, que se reflete na linguagem da
ano, o espao morto do palco, entre
                                           encenao, com a montagem de Ves-
a boca de cena e a platia; proscnio.
                                           tido de noiva, pelo grupo amador Os
2. Na linguagem dos tcnicos em ilu-
                                           Comediantes, sob direo de
minao, a fileira de lmpadas dis-
                                           Ziembinski (o texto s  publicado
postas ao longo do proscnio, en-
                                           no ano seguinte). Essa pea revela
tre a cena e o poo da orquestra, ao
                                           toda a fora e originalidade do autor,
nvel do piso do palco, protegida por
                                           incorporando  dramaturgia nacio-
uma calha para ocult-la da viso do
                                           nal modernos padres literrios. Sem
pblico. Voltadas para cima, a fun-
                                           abdicar do potico, assimilado espon-
o dessas luzes  iluminar o pri-
                                           taneamente, Nelson Rodrigues nun-
meiro plano do palco e o rosto dos
                                           ca esqueceu a corporeidade cnica
atores; linha de fogo; rampa.
                                           do drama.  poderosa a vocao tea-
rivetes. Aparelhos de iluminao           tral de seu dilogo, feito de econo-
cnica, da ordem dos tanges e das         mia e valorizando demais a presena
gambiarras, dispostos horizontal-          do ator. Suas peas se incorporam
mente e disfarados da vista do p-        prontamente no domnio natural do
blico pelos trainis ou outros elemen-     teatro e da literatura, condio rara
tos cenogrficos.                          na produo literria brasileira. E a
roda maluca. Rodzio que gira em           linguagem foi a maior contribuio
torno de seu eixo, utilizado em prati-     de Nelson Rodrigues ao teatro bra-
cveis ou outros elementos cnicos,        sileiro, que adquiriu a partir de sua
permitindo a mudana de direo            presena dimenso enciclopdica.
destes, para qualquer lado, quando         Um grupo de estudiosos de sua obra
movimentados.                              costuma dividir o teatro de Nelson
                                           Rodrigues em dois blocos cclicos
Rodrigues, Nelson (1912-1980). Dra-        distintos: o das peas mitolgicas,
maturgo de dimenso universal, res-        em que o teatrlogo procura desven-


                                       236
rolim                                                       Rostand, Edmond

dar as razes dos instintos humanos,     mente dos espetculos musicados,
e o ciclo das tragdias cariocas.        garantindo a proteo da entrada dos
Outro grupo, mais detalhista, fala de    intrpretes; cenrios secionados, co-
um filo mtico, peas psicolgicas      locados verticalmente nas partes la-
e tragdias cariocas. Ao morrer, sem     terais, com a finalidade de bloquear
incluir os volumes de crnicas e os      a viso do movimento interno da cai-
romances, deixou 17 textos para tea-     xa do teatro, da platia. Quando os
tro, todos encenados, e apenas dois      ambientes so de interior, os rompi-
no publicados: A serpente e Anti-       mentos, invariavelmente, so repre-
Nelson Rodrigues. Das suas peas,        sentados sob a forma de colunas:
todas de nvel relevante, citaremos:     quando de exterior, so rvores ou
A mulher sem pecado (1939), Vesti-       tufos vegetais. Os rompimentos so
do de noiva (1943), Anjo negro           numerados a partir da boca de cena
(1946), lbum de famlia (1946),         para o fundo do palco.
Dorotia (1948), A valsa n 6 (1951),
                                         Roscio, L. Roscio Colle. Comedi-
Senhora dos afogados (1956), A fa-
                                         grafo trgico romano, introdutor da
lecida (1954), Perdoa-me por me tra-
                                         mscara no teatro romano. Morreu
res (1957), Os sete gatinhos (1958),
                                         no ano de 62 a. C.
O Boca de Ouro (1959), seguindo-se
O beijo no asfalto, Bonitinha, mas       Rostand, Edmond (1868-1918). Dra-
ordinria, Toda nudez ser castiga-      maturgo francs, nascido em Mar-
da, etc.                                 selha. Diplomou-se muito jovem em
                                         Direito, na Universidade de Paris, e
rolim. Carretilha sobre a qual de-
                                         ainda jovem freqentava os meios
vem correr as cortinas nos teatros.
                                         intelectuais e artsticos. Escreveu sua
romper. Cometer uma falha tcni-         primeira pea de teatro, Le gant
ca na construo dos cenrios, que       rouge (A leiva vermelha), em 1888.
deixa brechas atravs das quais a pla-   Em 1893, escreveu Les deux Pierrots
tia devassa as coxias, flagrando        (Os dois Pierrs), que no agradou
toda a movimentao dos tcnicos e       ao pblico, mas em 1894 fez algum
artistas, enquanto o espetculo          sucesso com Les romanesques (Os
acontece. No sendo proposital tal       romnticos), encenado na Comdie
tipo de coisa, constitui, no entanto,    Franaise. Sarah Bernardt*, a maior
uma grave falha no planejamento ou       atriz de seu tempo, levou ao palco A
na montagem do cenrio.                  princesa longnqua (1895), A
                                         samaritana (1897), e O filhote de
rompimento. Elemento delimitador
                                         guia (1900), escritas especialmente
da cena, tambm chamado de perna
                                         para ela. Sua obra-prima, no entanto,
(quando de tecido) ou bastidor (em
                                          Cyrano de Bergerac, em cinco
armao de madeira forrada de pano).
                                         atos, estreada em 1897. Chantecler
Em nmero necessrio para cumprir
                                         (1910) marcou seu ltimo grande su-
sua finalidade, compe as laterais
                                         cesso no teatro. Edmond Rostand
dos cenrios tradicionais, principal-


                                     237
roteiro                                                              rubrica

soube manejar com habilidade as        roubar. Representar um papel secun-
qualidades do romantismo com o vi-     drio de modo to eficiente que des-
gor do neo-romantismo. Algumas         vie a ateno da platia, que deveria
de suas peas podem ser tomadas        estar concentrada nos atores princi-
como modelos de dramaturgia.           pais, para se: roubar a cena.
roteiro. Relao pormenorizada do      rouge. Palavra de origem francesa
material a ser utilizado num espet-   para identificar um p de tinta ver-
culo, devidamente distribuda aos      melha usado em maquiagem para a
vrios setores da produo ou de-      pintura do rosto do/a intrprete, ha-
partamentos a que est afeta a exe-    vendo em diversos tons; vermelho.
cuo do espetculo. Tecnicamen-
                                       rua. Nome que se d  faixa do
te, todas as reas que atuam num
                                       assoalho do palco formada por uma
espetculo so obrigadas a manter
                                       srie de quarteladas paralelas  boca
rigorosamente seus roteiros de ta-
                                       de cena. Uma rua fica entre duas ca-
refas: contra-regra, iluminador,
                                       lhas, alternadas com falsas ruas.
sonoplasta, eletricista, etc.  Ro-
teiro de direo. Livro em que o       rubrica. Anotaes paralelas s fa-
diretor do espetculo anota todos      las, que os dramaturgos fazem em
os detalhes de sua criao e os mei-   seus textos, para dar as indicaes
os que usou para p-los em prti-      que acham necessrias sobre cen-
ca.  Roteiro do guarda-roupa. Re-      rios, tons de falas, gestos especiais,
lao detalhada das roupas a se-       entradas e sadas de cena das perso-
rem usadas ao longo do espetcu-       nagens, detalhes de guarda-roupa e
lo, catalogadas por atos e cenas.      s vezes de caracterizao, para me-
 Roteiro do maquinista. Discri-        lhor entendimento dos/das atores/
minao dos cenrios descritos nos     atrizes e at mesmo da direo, so-
seus mnimos detalhes, ato por ato,    bre o comportamento e o carter da
cena por cena.                         personagem, em determinadas situ-
                                       aes. Essas indicaes encontram-
rotunda. Cortina de pano colocada
                                       se normalmente destacadas entre pa-
em semicrculo, no fundo do palco,
                                       rnteses. As rubricas so fartas ao
determinando a profundidade em
                                       longo do romantismo. Nas peas da
que o espetculo vai acontecer. Ela
                                       Antiguidade clssica greco-romana,
no s limita o espao de cena quan-
                                       e ao longo de muitos perodos da
do no h outro elemento plstico,
                                       histria da dramaturgia mundial, as-
como pode envolver os cenrios.
                                       sim como no texto contemporneo,
Geralmente de cor neutra, pode ser
                                       elas no aparecem, estando suben-
confeccionada em veludo, flanela ou
                                       tendidas nas indicaes de compor-
outro material adequado.
                                       tamento das figuras em cena e na fala
                                       das prprias personagens.




                                   238
sada falsa. Recurso de marcao         salada. Referncia jocosa aos perso-
utilizado pelo ator, por sugesto do     nagens Salrio e Solano, papis de
texto ou da direo do espetculo,       pouca relevncia que figuram em O
que consiste em interromper a sada      mercador de Veneza, de Shakespea-
de cena; movimento falso de sada        re*: quando a personagem fala, "Es-
de cena.                                 tou fazendo uma salada", ela quer
                                         dizer que tanto faz estar falando de
sainete. Criao dramtica espanho-
                                         uma coisa como de outra.
la, variante do entremez, de curta
durao e carter alegre, do qual par-   saltimbanco. Artista popular
ticipam duas, no mximo trs perso-      itinerante, de origem italiana, que exi-
nagens. Depois de algum tempo de         be sua arte na rua, feiras e circos por
uso e algumas alteraes, passou a       sua conta e de forma histrinica. Os
designar um gnero mais ligeiro e        saltimbancos eram possivelmente os
sinttico, popularizado pela palavra     nicos atores profissionais durante
inglesa sketch.                          a Idade Mdia; bufo; pelotiqueiro.
Salacrou, Armand (1899-1234).            sanefa. Bambolina que cobre a parte
Dramaturgo francs, ligado ao            superior do pano de boca, junto ao
surrealismo, na dcada de 20, quan-      arco do proscnio.
do escreveu A ponte da Europa
                                         sapatas. Peas de metal para fixar o
(1927), sob a influncia dos escri-
                                         cenrio ao piso do palco. Podem ser
tores Alfred Jarry (1873-1907) e
                                         rgidas, com dobradias ou planas.
Antonin Artaud.* Depois de pro-
                                         So tambm conhecidas pelo nome
duzir algumas comdias naturalis-
                                         de p.
tas de temtica burguesa, como
Uma mulher livre (1934), envere-         sapatilha. Sapato especial para uso
dou para o chamado teatro de tese,       dos/das bailarinos/as.
de feio ontolgica. Ligou-se pos-
                                         sarilho. Fio ou corda fina, usada para
teriormente ao ator e diretor fran-
                                         amarrar dois sarrafos de trainis um
cs Charles Dullin*, no Thtre de
                                         ao outro, fazendo-os passar em li-
l'Atelier (1921).

                                     239
sarrafo                                                             stiros

nha sinuosa por entre pregos enfia-    Nobel de Literatura em 1964, que
dos pela metade nos sarrafos de cada   ele recusou ir receber.
uma das partes a serem juntadas.
                                       stira. 1. Forma de teatro grego que
sarrafo. Ripa de madeira, preferen-    trata de maneira burlesca os temas
temente de madeira mole e leve, que    mitolgicos. Na Grcia antiga, du-
serve para a construo de cenrios.   rante os festivais em honra a
                                       Dioniso*, cada autor concorria nor-
Sartre, Jean-Paul (1905-1980). Dra-
                                       malmente com uma trilogia: trs tra-
maturgo, filsofo e romancista fran-
                                       gdias e um drama satrico, que era
cs, um dos principais expoentes
                                       uma forma burlesca do tema trgico
do movimento existencialista, pro-
                                       que o precedera. 2. Gnero caracte-
ps uma viso do homem como
                                       rizado pelo humor desabrido, uso
dono de seu prprio destino e cuja
                                       ilimitado da pardia e intensa iro-
vida  definida pelo projeto pesso-
                                       nia, geralmente carregado de forte
al de cada um e suas prprias
                                       contedo crtico, moral ou poltico,
aes. Sua viso da existncia hu-
                                       visando ridicularizar tipos ou deter-
mana, a partir de uma rigorosa an-
                                       minadas categorias sociais.  Sti-
lise filosfica, orientada pelo m-
                                       ra menipia. Gnero de stira srio-
todo fenomenolgico, desenvolvi-
                                       jocosa, criada por Menipo.* O g-
do e exposto em O ser e o nada,
                                       nero foi introduzido em Roma por
est refletida nas peas As moscas
                                       Varro (116-27 a. C.). Geralmente em
(1943), Mortos sem sepultura
                                       prosa, caracteriza-se pela varieda-
(1946), As mos sujas (1948) e
                                       de de temas e pelo interesse na ex-
O Diabo e o bom Deus (1951). As
                                       posio de idias. Utilizando dois
posies iniciais de Sartre sofrem
                                       ou mais interlocutores, o interesse
transformaes radicais, determina-
                                       dramtico da stira menipia  sus-
das, por um lado, pelo carter aber-
                                       tentado mais pelo conflito de idias
to de sua viso existencialista, por
                                       e no de carter.
outro, por seu progressivo
engajamento poltico. Desse modo,      Stiros. Entidades mitolgicas que
Sartre foi levado a inserir o          representavam, na cultura antiga, os
existencialismo dentro de uma con-     espritos masculinos das florestas e
cepo filosfica mais ampla, en-      montanhas, freqentemente retrata-
contrando no marxismo essa con-        dos como tendo uma metade huma-
cepo. Sartre participou da resis-    na e outra metade na forma de um
tncia francesa contra o nazismo, e    caprino, que agitavam as festas
fundou, em 1945, a revista Les         dionisacas com gritos, obscenida-
Temps Modernes. De sua vasta pro-      des e imprecaes. Afastados pos-
duo dramtica, ainda podem ser       teriormente do corpo da tragdia, por
distinguidas Entre quatro paredes      serem julgados incompatveis com o
(1945) e A prostituta respeitosa       valor das composies, criou-se para
(1946). Foi-lhe atribudo o Prmio     eles o drama satrico.


                                   240
satura lanx                                           Schiller, Friedrich von

satura lanx. Espcie de ato varia-       Scarlatti, Alessandro (1660-1725).
do do teatro romano, recheado de         Compositor italiano apontado como
piadas, msica e dana, semelhan-        o iniciador da pera moderna. Anun-
te s modernas revistas musicais,        cia e torna-se um dos expoentes do
que teve origem na zona rural. O         Barroco. Faz uso, na sua obra, de
nome, em princpio, referia-se s        abundante orquestrao meldica,
peles de cabra que os pastores usa-      usa o recitativo com maior modera-
vam para se proteger do tempo. S        o e d valor predominante  ria. 
depois  que passou a designar           o criador da chamada abertura itali-
esse gnero, que reunia canes          ana, que tem um comeo rpido, se-
cmicas ou narrativas recitadas          guido de um movimento mais lento,
com acompanhamento de flauta e           retornando  vivacidade para con-
gesticulao peculiar. Ao ser intro-     cluir, base para o estabelecimento da
duzido nas cidades, sofreu influ-        estrutura sinfnica. Sua primeira obra
ncia dos atores etruscos.               foi Mitriades Eupator (1770), estu-
                                         pendo fracasso artstico. Deixou onze
sawari. No teatro kabuki*,  o mo-
                                         peras de sua autoria.
nlogo repleto de lamentaes, com
o objetivo teatral exclusivo de "to-     Schiller, Johann Cristoph Friedrich
car o corao" da platia. Em japo-      von (1750-1805). Dramaturgo alemo,
ns, sawari significa tocar.             seduzido pelo movimento pr-ro-
                                         mntico Sturm und Drang, expres-
SBAT. Sigla pela qual  popularmen-
                                         so de rebeldia de sua gerao, que
te conhecida a Sociedade Brasilei-
                                         o levou a escrever o drama Os ban-
ra de Autores Teatrais, entidade de
                                         doleiros (1781), sucesso triunfal no
classe que representa juridicamen-
                                         incio de sua carreira. Indicado como
te e defende moral e materialmente
                                         poeta oficial do Teatro de Manheim,
os direitos do autor teatral brasilei-
                                         escreveu, dentro do esprito pr-ro-
ro, dos diretores, tradutores e todos
                                         mntico, a pea Intriga e amor (1783),
quantos tenham direitos sobre a ren-
                                         em linguagem realista e com forte
da de um espetculo teatral. Funda-
                                         componente de crtica social que
da em 1917, por Chiquinha Gonzaga
                                         antecipa o drama burgus do sculo
(1847-1935), Viriato Correia
                                         XIX. A partir de 1787, em Weimar, em
(1884-1967) e Raul Pederneiras
                                         contato com Goethe, abandona os
(1874-1953), ela tambm represen-
                                         princpios anrquicos do Sturm und
ta seus associados fora do pas, atra-
                                         Drang*, proclamando o ideal de um
vs de suas associadas congneres.
                                         humanismo puro e valorizando os
Scaramuccio. Ator italiano que vi-       conceitos clssicos do Bom/Belo/
veu entre 1606 e 1694, criador de uma    Verdadeiro. Ainda em Weimar, escre-
personagem hbrida de palhao e          veu a parte mais significativa de sua
Arlequim, que exerceu enorme influ-      obra, da qual, alm do drama histri-
ncia no teatro italiano de Paris.       co em versos, Dom Carlos (1787),
Scaramouche.                             intercalando paixes individuais com


                                     241
Schlegel                                                                 senha

a defesa eloqente da liberdade civil     es de arte dramtica e literatu-
e da tolerncia, que marca uma fase       ra). Seu irmo, Friedrich, foi o fun-
nova na sua produo, merecem re-         dador da escola romntica alem.
ferncia Maria Stuart (1799-1800), A
                                          scopos. Cantores de festas surgidos
donzela de Orlans (1801), Guilher-
                                          em Roma durante a Idade Mdia, os
me Tell (1803-1804). Parte de sua Ode
                                          quais, posteriormente, se espalharam
 Alegria (1785) aparece na Nona
                                          por toda a Europa; poetas e canto-
Sinfonia de Beethoven. Ao lado de
                                          res que andavam pelas cortes euro-
Goethe*, Schiller foi o intelectual que
                                          pias, desde o sculo VI, conviven-
mais influncia exerceu na arte alem
                                          do de forma fraterna com os criado-
no sculo XIX.
                                          res de mimos e com os jograis.
Schlegel, August Willhelm von
                                          screens. Palavra inglesa para identi-
(1767-1845). Escritor alemo, teve
                                          ficar os painis mveis criados pelo
atuao relevante como crtico e
                                          encenador e terico Edward Gordon
como jornalista, chegando a trans-
                                          Craig*, colocados em sentido verti-
formar sua casa num importante cen-
                                          cal, nos quais a cor seria simblica e
tro da vida intelectual, nela reunindo
                                          traduziria a atmosfera da cena, pos-
as principais figuras do movimento
                                          sibilitando dividir o palco  maneira
romntico de Jena. Foi um dos mais
                                          de um tabuleiro.
destacados colaboradores do peri-
dico Die Horen, dirigido por             script. Palavra inglesa, que se ajus-
Schiller*, fundando seu prprio jor-      tou melhor ao cinema e  televiso,
nal, o Atheneum, em companhia do          para identificar o texto bsico de
irmo Friedrich (1772-1829), to logo     apoio para a direo e produo do
aquela publicao deixou de circu-        espetculo.No caso do teatro, a
lar. Colaborou tambm com outra im-       pea; roteiro.
portante publicao, o Allgemeine
                                          season. Palavra inglesa para identifi-
Literaturzeitung, onde publicou no-
                                          car o perodo do ano de forte con-
tveis ensaios sobre as obras de
                                          centrao de espetculos, em deter-
Goethe.* Foi o mais importante tra-
                                          minado local; a estao; o forte da
dutor da poca, vertendo a seu idio-
                                          temporada.
ma a obra potica de Shakespeare*,
traduzindo tambm vrias obras de         Sneca, Lucius Annaeus (4 a. C.-65
Caldern de la Barca.* J em Berlim       d. C.). Pensador e poeta dramtico
(1801), onde passou a lecionar litera-    romano, principal representante do
tura e arte, empreendeu, em compa-        estoicismo em Roma. As tragdias
nhia de Mme. de Stel, uma srie de       cuja autoria  atribuda a ele exerce-
viagens atravs da Alemanha, Fran-        ram grande influncia no teatro in-
a e Sucia. Suas conferncias reali-     gls e italiano dos sculos XVI e
zadas em Viena seriam, mais tarde,        XVII, antecipando o Barroco.
reunidas no livro intitulado Uber         senha. Identificao que o porteiro
dramatisch Kunst und Literatur (Li-       de um teatro entrega ao espectador,

                                      242
seqncia                                                      Shakespeare

quando, durante o espetculo, este      da utilizao dos temas. Um dos mai-
sai do prdio, mas pretende retornar    ores nomes da cultura universal, ex-
logo em seguida. Pode ser um car-       poente do Renascimento na Ingla-
to especial ou parte de um bilhete     terra, nasceu e foi educado em
de entrada.                             Stratford-on-Avon (ou upon-Avon),
                                        transferindo-se por volta de 1589
seqncia. A ao dramtica limita-
                                        para Londres, provavelmente como
da pela entrada ou sada de cena de
                                        ator. Em 1549, aparece como um dos
uma personagem de relevo, a qual
                                        proprietrios da companhia Lord
implica, invariavelmente, em altera-
                                        Chamberlain, a mais importante da
o na marcao de cena, determi-
                                        poca e, em 1589, do Globe Theatre,
nando a introduo de um novo tema
                                        onde, alm de acionista, era o prin-
ou da alterao do clima da ao.
                                        cipal dramaturgo. Seus textos tea-
serata d'onore. Expresso italiana,     trais no obedecem  clssica uni-
fora de uso, para qualificar a rcita   dade de tempo, lugar e ao, da tra-
em benefcio de um artista lrico.      dio aristotlica. Situando-se na
                                        convulsiva transio do feudalismo
set. Termo ingls para identificar um
                                        para o capitalismo, suas peas so
ambiente cenogrfico, especialmen-
                                        construdas de pequenas cenas que
te no cinema ou na televiso, pre-
                                        desenvolvem um enredo central, em
parado para uma representao.
                                        torno do qual gravitam vrios sub-
sexteto. 1. Trecho de msica, em es-    enredos, alternando o vivo e gros-
petculo lrico, cantado por seis ar-   seiro linguajar das camadas popula-
tistas. Exemplo clssico  o de Lucia   res com o lirismo potico e densa re-
de Lammermoor, de Donizetti (1797-      flexo sobre a condio humana.
1848). Hoje extensivo a todos os g-    Pode-se distinguir em sua obra dra-
neros musicais, quer no canto, quer     mtica, constituda de peas histri-
na forma instrumental.                  cas, comdias, tragdias e tragico-
Shakespeare, William (1564-1616).       mdias, trs perodos bem distintos:
Poeta e dramaturgo ingls, cuja obra    o da juventude, que vai de 1590 a
funde uma viso potica e refinada      1600, marcado por um entusiasmo
do mundo a um forte carter popular,    elisabetano, quando foram produzi-
na qual assassinatos, violaes da      das Henrique IV, Ricardo II, A
lei, da moral e dos costumes, inces-    megera domada, Romeu e Julieta,
tos e traies so os ingredientes      Sonhos de uma noite de vero, O
usados para entretenimento do p-       mercador de Veneza, entre outras;
blico. Acrescente-se a isso o cuida-    um segundo perodo, que vai de 1600
do que teve de aproximar os atores      a 1608, marcado por concepes po-
do pblico, o que ocorre tanto na       lticas, quando sombrias tragdias se
organizao material da cena  o pal-   alternam com algumas comdias do
co mais profundo que largo, avan-       gnero: Hamlet, Otelo, Macbeth, Rei
ando at o meio da platia  quanto    Lear, Coriolano, etc.; e, a partir de


                                    243
Shakespeare                                                              show

1608, um perodo de paz espiritual,      textos, que se disfaram em pajens e
quando ele escreve Cimbelino, A          mensageiros, lacerados entre os ob-
tempestade, Henrique VIII.  not-       jetos de seu amor e os rivais. Sua
vel a evoluo do seu estilo, que        viso csmica da condio humana
avanava da retrica barroca para o       representada pela simbologia de
lirismo despojado. Aos melodramas        elementos, como se encontra em Rei
de incio de carreira, Henrique IV       Lear e Macbeth, ou interpretaes
(1589-1592), Ricardo III (1592-1593),    do absurdo e do social risvel, expl-
Tito Andrnico (1593-1594), basea-       cito em Tmon de Atenas. Shakes-
dos num sistema de compensao           peare no divide, mistura. Da no
em que se inflige terror quando no      ser surpreendente que o perodo ro-
se  capaz de inspirar amor, ele con-    manesco marque a concluso de sua
trape as comdias construdas so-       obra: Cimbelino (1609), Conto de in-
bre a questo da identidade, como A      verno (1610), A tempestade (1611).
comdia dos erros (1592) e A megera
                                         Shaw, George Bernard (1856-1950).
domada (1593-1594). Logo em segui-
                                         Dramaturgo irlands, crtico e pro-
da, ele prope uma imensa iluso
                                         pagandista poltico. Suas peas sa-
agravada pelos jogos de linguagem,
                                         tricas esto carregadas de idias fi-
como em Canseiras de amor balda-
                                         losficas e sociais. Comeou a es-
das (1594/1595), ou lembra ao seu
                                         crever suas comdias, brilhantemen-
leitor/platia que a "vida  puro tea-
                                         te irnicas e polmicas, na dcada
tro e o poder uma coroa oca", como
                                         de 1890, mas s obteve sucesso a
est em Ricardo III (1595), Henrique
                                         partir de 1905, quando viu encena-
IV (1597/1598), Henrique V (1598/
                                         das Major Brbara, Csar e
1599) ou, "como o amor  feito de
                                         Clepatra (1906), ndrocles e o
caprichos e arrebatamentos", como
                                         Leo (1912) e, sobretudo, Pigmaleo
se flagra em Os dois cavaleiros de
                                         (1913). Shaw perde sua popularida-
Verona (1594), Romeu e Julieta
                                         de ao se opor  Primeira Guerra Mun-
(1594/1595), Sonho de uma noite de
                                         dial, readquirindo-a com De volta a
vero (1595). Homem de teatro por
                                         Matusalm (1912), seguindo-se San-
excelncia, como dramaturgo, Sha-
                                         ta Joana (1923). Ganhou o Prmio
kespeare prepara com habilidade as
                                         Nobel de Literatura em 1925.
armadilhas para seus encenadores
futuros, como no caso de Falstaff,       shingeki. Forma ocidentalizada de
que bem pode ser um cnico ou um         teatro moderno no Japo, surgida em
palerma; a personagem Antnio, de        1920, onde foram abolidos a msi-
O mercador de Veneza, que pode ser       ca, o canto e a dana.
um mrtir da probabilidade comerci-
                                         show. Palavra transplantada do ingls,
al ou um homossexual masoquista;
                                         para identificar o espetculo ligeiro
ou as personagens masculinas de
                                         de msica popular, acompanhado de
Muito barulho por nada, travestidas
                                         orquestra ou de um nico instrumen-
de mulher, e as femininas, em outros
                                         to (acstico), com um ou mais canto-


                                     244
sinal                                                                    sketch

res, adornado ou no de coreografia;      Arte de Moscou, criado pelo pr-
espetculo.  Show-business. Pala-         prio Stanislavski, por volta de 1911,
vra inglesa para identificar a ndole     poca urea do realismo, em que
do espetculo; show biz.                  pontificavam expresses como
                                          Tchekhov* e Gorki (1868-1936). A
sinal. Aviso que  dado ao pblico,
                                          nova esttica marcou presena no
antes do pano de boca ser aberto,
                                          teatro norte-americano, entre 1925
para incio do espetculo. Tradicio-
                                          e 1935, com os textos de Sidney
nalmente esse sinal era dado por
                                          Kingsley (1906-1995) e Clifford
pancadas batidas numa barra de fer-
                                          Odets.* O Sistema ou Mtodo  a
ro, e a cortina s era aberta depois
                                          tcnica graas a qual o ator pode
de acionado o tradicional basto de
                                          fazer o uso mais integral possvel
Molire.* Com a modernidade, pas-
                                          de si mesmo como intrprete.
saram a usar sirenes eltricas e ou-
tros recursos tecnolgicos.               sken. Pequena plataforma nos anti-
                                          gos teatros gregos, despida de ce-
Singspiel. Pea alegre, de origem ale-
                                          nrios, onde se desenvolvia a maior
m, com dilogo falado e interldios
                                          parte do espetculo. Ao fundo des-
musicais, forma intermediria entre a
                                          sa plataforma, existia uma parede
pera e a comdia, que antecipa de
                                          maior que o dimetro do crculo cen-
certo modo a opereta e o musical mo-
                                          tral do espao cnico, com trs pas-
derno. O gnero, tradicionalmente
                                          sagens convencionais, a saber: a
apresentado por atores e no por
                                          porta do Palcio, a comunicao com
cantores  fato que impunha a pre-
                                          a gora ou com a cidade, e uma ter-
ponderncia do texto e da parte de-
                                          ceira, que levava ao campo ou a um
clamada , explorava situaes que
                                          pas distante; tenda onde o ator gre-
destacavam a diferena entre a vida
                                          go se ocultava para tornar a apare-
rural e a citadina, naturalmente na sua
                                          cer. Criao de squilo*, esse espa-
face corrupta.
                                          o poderia ser tambm representado
Singspiem. Gnero lrico alemo, no       por uma "barraca" construda atrs
qual se alternam dilogos falados ou      da orchestra (em relao ao espec-
cantados e rias. O apogeu do gne-       tador), servindo, inclusive, de pano
ro foi com Rapto do serralho, de          de fundo para o espetculo. Foi evo-
Mozart (1756-1791).                       luindo at se transformar no espao
                                          cnico atual.
siparium. Vu mmico, espcie de
cenrio, menor que o auleum,* usa-        sketch. Palavra da lngua inglesa,
do nos planipedes* romanos.               que significa esboo, usada para
                                          identificar um texto dialogado, de re-
Sistema. Nome pelo qual Kons-
                                          duzida durao, geralmente de car-
tantin Stanislavski* preferia cha-
                                          ter cmico, usado prioritariamente
mar o seu Mtodo* de representa-
                                          nos quadros das revistas musicais e
o e criao teatral. O Sistema ou
                                          shows de variedades; esquete.
Mtodo foi adotado pelo Teatro de


                                      245
sofita                                                               spot-light

sofita. Nome dado ao urdimento           ais, que acompanham a ao dram-
onde so fixados as roldanas e ou-       tica, ora marcando passagens, ora
tros equipamentos cnicos.               ilustrando: galopes de cavalos, bu-
                                         zinas de carros, partida ou freada de
Sfocles (c. 495-406 a. C.). Dramatur-
                                         automveis, sons de troves, vento
go grego que, juntamente com
                                         e ondas de mar, campainhas de tele-
squilo* e Eurpides*, criou a trag-
                                         fones e portas de rua, multido, vo-
dia, inovando o gnero ao introduzir
                                         zes de animais, etc.
um terceiro ator e criando a trilogia
livre, na qual cada uma das trs pe-     soprano. No gnero lrico, o registro
as era mais ou menos independen-        mais agudo da voz feminina na esca-
te das demais. Suas tragdias, de        la clssica de classificaes. Nessa
grande fora lrica, so permeadas por   gama, ainda so registrados o sopra-
intensa ao psicolgica, em que se      no ligeiro e o soprano colatura, se-
misturam a vontade e as paixes hu-      guindo-se o meio-soprano, que 
manas, num mundo determinado pela        mais grave.
fatalidade. Somente sete de suas pe-
                                         soprar. Pontar. V. Ponto.
as chegaram at nossos dias, entre
elas dipo rei, dipo em Colona,         sotie. Pea de pequena extenso, vi-
Antgona, Electra, as mais conheci-      vaz e licenciosa, que floresceu na
das, divulgadas e encenadas.             Idade Mdia, e cujo objetivo era cen-
                                         surar e ridicularizar a tolice humana,
solilquio. O ato de a personagem
                                         sob todas as formas e aspectos. Cri-
conversar consigo mesma; monlo-
                                         ao dos Enfants-sans-Souci, ficou
go.  a fala solitria, em que o ator/
                                         popularmente conhecida como a
atriz-personagem externa seu pensa-
                                         pea dos sots, isto , dos loucos, e
mento e sua inteno a respeito de
                                         teve vida til at o sculo XVII.
algo que j aconteceu (reflexo), ou
de aes a serem desenvolvidas.          soubrette. 1. Palavra francesa para
                                         identificar a personagem feminina
solista. Intrprete, um cantor ou uma
                                         de pouca influncia na intriga, ge-
cantora, que se exibe s.
                                         ralmente uma criada de quarto es-
solo. Trecho artstico, seja da msi-    palhafatosa, ou uma confidente
ca e sua execuo, ou da dana, em       sempre bem humorada ou algo rid-
que o intrprete atua sozinho.           cula. 2. A atriz que desempenha
                                         essa personagem.
sonoplasta. O tcnico encarregado
dos efeitos de som de um espet-         spot-light. Palavra inglesa para iden-
culo que envolve msica, rudos,         tificar um pequeno projetor de luz
efeitos especiais.                       muito intensa e concentrada, usado
                                         para destacar uma personagem no
sonoplastia. Conjunto de sons, m-
                                         cenrio ou determinados detalhes da
sicas e rudos produzidos nos basti-
                                         cena; spot.
dores ou em mesas e cabines especi-



                                     246
Stanislavski, Konstantin                              Stanislavskiana (Escola)

Stanislavski, Konstantin Serguievith      perfeita, Stanislavski partiu do natu-
Alexeiev (1863-1938). Encenador e         ralismo de Hauptmann*, ao qual as-
terico do teatro russo, responsvel      sociou o simbolismo de Maeterlink
por uma das grandes transformaes        (1862-1949) e o realismo potico de
passadas pela arte dramtica, quer        Tchekhov.* Sua primeira grande pro-
como espetculo, quer como arte da        duo foi Os frutos da imaginao,
interpretao. Fundou, em 1888, a So-     de Leo Tolstoi (1828-1910). Mas
ciedade de Arte e Literatura, que o       seus maiores triunfos foram com as
projetou como ator e encenador em         peas de Tchekhov (A gaivota, 1898;
seu pas. Reagindo contra o estilo        Tio Vnia, 1899; As trs irms, 1901;
retrico e exageradamente romnti-        e O Jardim das cerejeiras, 1904), que
co do teatro russo do sculo XIX,         nem sempre aprovava suas monta-
introduziu um estilo naturalista de in-   gens, considerando-as excessiva-
terpretao, dando nfase aos aspec-      mente trgicas. Sua teoria da repre-
tos comuns da vida, com suaves to-        sentao exerceu uma influncia
ques de percepo potica. Em 1897,       muito grande no teatro e no cinema
conheceu Nemirovitch-Danchenko            modernos. Ela exige que os atores
(1858-1943), com o qual criaria o Tea-    "vivam literalmente suas persona-
tro Artstico de Moscou, que servi-       gens dentro e fora do palco", para
ria de laboratrio para elaborar e tes-   que entendam bem seus papis. Nos
tar um sistema de regras e comporta-      Estados Unidos, a idia de represen-
mentos de representao, baseado          tar usando a tcnica da "imerso to-
na naturalidade, fidelidade histrica     tal" levou  criao do mtodo, ofi-
e busca de uma verdade, apoiada           cialmente desenvolvido pelo
num realismo psicolgico, levando         Actor's Studio*. Todos os princpi-
o ator ao estudo introspectivo da         os tericos de Stanislavski esto
personalidade de sua personagem,          registrados nos livros A preparao
sistema que ficou mundialmente co-        do ator, A construo da persona-
nhecido pelo nome de O Mtodo Sta-        gem e A criao do papel. V. Mto-
nislavski. Essa fase foi interrompida     do; Sistema; Actor's Studio.
por um curto perodo em que reali-
                                          Stanislavskiana (Escola). Escola
zou espetculos simbolistas experi-
                                          que segue o modelo de representar
mentais na companhia do cengrafo
                                          proposto por Konstantin Stanisla-
e terico ingls Gordon Craig* e da
                                          vski. Toda escola stanislavskiana
bailarina Isadora Duncan*, mas, logo
                                          autntica insiste num ponto bsico:
aps a Revoluo Russa, volta ao
                                          a teatralizao do corpo exige mais
naturalismo psicolgico, realizando
                                          que a simples repetio do treina-
montagens memorveis, como O
                                          mento atltico. Os exerccios fsicos
trem blindado (1927), de Ivesovolod
                                          podem fortalecer a musculatura e tor-
Ivanov, Otelo (1927), de Shakespea-
                                          nar o artista flexvel, dando ao ator
re*, e Almas mortas (1932), de Nikolai
                                          um perfeito controle de seu corpo,
Gogol.* Para chegar a uma sntese
                                          que poder transform-lo num


                                      247
Strasberg, Lee                                                        subtexto

virtuose. Mas no basta ao ator ser      universal, teve uma vida atormenta-
um ginasta do imaginrio: ele tem        da, chegando muitas vezes aos limi-
que ser seu prprio auto-analista.       tes da insanidade. Suas peas, em
                                         geral mordazes e pessimistas, exer-
Strasberg, Lee (1901-1982). Profes-
                                         ceram profunda influncia sobre o
sor de arte dramtica e diretor de te-
                                         drama moderno, como O pai (1887) e
atro norte-americano. De descendn-
                                         Senhorita Jlia (1888). Strindberg
cia austraca, comeou sua carreira
                                         escreveu tambm dramas histricos,
artstica como ator do Teatro Guild,
                                         como Erik XIV (1899) e Rainha
onde realizou as mais interessantes
                                         Cristina (1903).
produes dos anos 20. Abandonou
o elenco do Guild em 1931, em sinal      strip-tease. Espetculo que consis-
de protesto contra o que considera-      te no desnudamento radical do/da
va um "comportamento apoltico" do       executante.
grupo, indo formar seu prprio gru-
                                         Studio. V. Actor's Studio.
po, o Group Theater*, escola de arte
dramtica que utilizou o Mtodo* de      Sturm und Drang. Expresso ale-
Stanislavski, e que funcionou de         m, que pode ser traduzida por
1931 a 1937. Com o Group Theater,        "tempestade e mpeto", cunhada no
Strasberg montou as primeiras pe-        fim do sculo XVIII, para caracte-
as de Clifford Odets* e o primeiro      rizar o movimento esttico que
musical americano, de autoria de Kurt    exerceu forte influncia sobre a li-
Weill.* Em 1947,  convidado por Elia    teratura alem, entre 1770 e 1790,
Kazan* a se juntar ao Actor 's           e cujas idias definiram o pr-ro-
Studio.*                                 mantismo alemo. Entre os anima-
                                         dores do movimento, estavam os
Stratford-on-Avon ou upon-Avon. Ci-
                                         dramaturgos Goethe* e Schiller.*
dade do centro-oeste da Inglaterra,
prxima a Londres, que se glorificou     subir. Movimento do ator ao se des-
na histria da cultura inglesa por ter   locar do proscnio para o fundo do
sido o bero de nascimento de            cenrio. O termo foi criado na Fran-
William Shakespeare*, onde cresceu       a, onde os palcos, at a construo
e estudou esse dramaturgo, at se        do Thtre des Champs-Elyses,
transferir definitivamente para Lon-     em 1913, tinham um declive acen-
dres. Possui um teatro  margem do       tuado para facilitar a viso da pla-
Avon, onde a Royal Shakespeare           tia. V. Descer.
Company realiza anualmente o famo-
                                         subtexto. Designao surgida nos
so Festival Shakespeare.
                                         laboratrios de Konstantin Stanis-
Strindberg, Johan August (1849-          lavski* e de Bertholt Brecht*, para
1912). Teatrlogo sueco, o mais leg-    identificar toda a fala mental, no
timo representante do naturalismo        escrita, mas existente em potencial
europeu e precursor do expressio-        no entrecho dramtico; fala de apoio
nismo no teatro. Dotado de talento       para a criao do papel, no dita nem


                                     248
superior                                                     Svoboda, Joseph

escrita, mas idealmente pensada e        ansiosa no pblico; forte tenso no
possvel de existir. Enquanto o tex-     enredo de uma pea.
to  escrito pelo autor, o subtexto,
                                         sutezerifu. Expresso do teatro tra-
que tem suas origens na moderna
                                         dicional japons, o kabuki*, que sig-
concepo do contexto literrio e da
                                         nifica "fala improvisada". Remete aos
criao da personagem,  criao do
                                         primrdios do gnero, em que o tex-
intrprete.
                                         to era pretexto para a arte do ator.
superior. Na linguagem de palco, refe-   Com esse artifcio, o ator rompe com
rncia que indica a colocao do ator    o tom da oratria solene fazendo uma
mais para o fundo da cena em relao    observao prfida ou maliciosa.
ribalta e a outra personagem.
                                         Svoboda, Joseph. Criador da lanter-
suspense. Palavra inglesa que con-       na mgica*, que tentou, a partir de
siste na habilidade do escritor em       1958, aliar e sincronizar o cinema com
"suspender" a ao, adiando o des-       o teatro. O projeto, desenvolvido
fecho e assim instigando a tenso,       com a colaborao de Alfred Rodock,
o medo ou a curiosidade; efeito lite-    logrou combinar a imagem projetada
rrio de representao teatral, que      com a cena vivida no palco, dando
consiste em injetar forte tenso na      chance ao ator para se manifestar em
narrativa, produzindo expectativa        diferentes planos fsicos e temporais.




                                     249
Tabarin, Antoine Girard, dito (1584-    ral para todo o elenco. V. Quadro
1622). Bufo de feira e autor de far-   de avisos.
sas, que se tornou extremamente
                                        tabernria. No antigo teatro roma-
popular ao lado do seu comparsa e
                                        no, a comdia de inspirao popular,
irmo Matre Mondor. Famoso por
                                        cuja ambientao e personagens
sua eloqncia, armava um tablado
                                        eram copiadas das classes mais po-
para a venda de seus blsamos e
                                        bres; fbula tabernria.
elixires, de onde representava suas
farsas para atrair compradores. Usa-    Tablado. 1. Nomenclatura dada ao
va meia-mscara, barba em tridente,     assoalho do palco, em sentido res-
espada de madeira, acessrios obri-     trito, e ao prprio palco e ao teatro
gatrios da farsa, envolvendo-se        em sentido mais amplo; estrado
com uma veste talar, de onde a          improvisado em um palco. 2. Gru-
corruptela tabar,  qual possivelmen-   po de teatro fundado no Rio de Ja-
te deva o seu codinome. Sua compa-      neiro, em 1951, por Maria Clara
nhia era formada de sete pessoas,       Machado.* Dedicado inicialmen-
entre msicos e um criado marroqui-     te apenas ao teatro para crianas,
no. Ficou clebre o seu chapu, que     diversificou o gnero ao longo de
usava de diferentes modos e servia      sua vasta experincia, instituindo,
para diferentes misteres.               inclusive, um curso de arte dram-
                                        tica donde saram os maiores ex-
tabarinades. Espcie de dilogo de
                                        poentes das novas geraes de in-
rua criado por Antoine Girard
                                        trpretes do teatro brasileiro.
Tabarin, muito em voga em Paris, por
volta de 1624, no Teatro da Pont-       tableaux vivants. Gnero dramti-
Neuf, casa de espetculos de carter    co ocorrido na Frana medieval, que
popular.                                consistia na realizao de temas pios,
                                        na frente de teles pintados.
tabela. Espcie de ordem do dia onde
consta horrio dos ensaios, hora do     tacha. Espcie de prego curto de ca-
espetculo, modificao de ordem        bea grosas, ligeiramente achatada,
administrativa e comunicao ge-        apropriado para prender a fazenda
tacharola                                                            Tartufo, O

aos sarrafos dos cenrios e os pr-       e mais importantes de seu tempo, que
prios cenrios ao piso do palco.          certa vez escreveu: "Ele se preocupa
                                          em patetizar o personagem trgico
tacharola. Tacha de cabea dupla,
                                          para traz-lo de volta  vida. Ele gri-
uma aps a outra, sendo que a pri-
                                          ta, ele  natural demais. Nos furores
meira cabea impede a inteira pene-
                                          de Orestes, ele faz grande sucesso,
trao no sarrafo, enquanto a segun-
                                          mas tem a extravagncia de um lou-
da facilita sua retirada. Apropriada
                                          co de asilo...". Talma era o preferido
para fixar os cenrios no piso do pal-
                                          de Napoleo.
co. V. Tacha.
                                          tambor. Cilindro em que se enrolam
tafife. Estria de madeira que, pela sua
                                          as cordas que prendem o panejamen-
flexibilidade,  usada para fortalecer
                                          to de uma caixa de teatro, principal-
e acompanhar o contorno de um de-
                                          mente o de boca de cena, equipa-
senho na orla de um trainel ou de um
                                          mento substitudo por equipamento
reprego.
                                          mecnico nos teatros mais moder-
talco. Folha de chumbo ou zinco fle-      nos. Quando curto, em sentido hori-
xvel que, por seu brilho coruscante      zontal, serve para movimentar o pano
e sua variao de cores, foi larga-       de boca; quando longo e em posi-
mente usada pelos cengrafos e            o vertical, em nmero de dois e
iluminadores para efeitos especiais       colocados em extremidades opostas,
de iluminao nos espetculos de          so utilizados para a movimentao
fantasia e revistas musicais. Com os      giratria da rotunda panormica.
meios modernos da tecnologia e o
                                          tango. Conjunto de lmpadas dis-
avano tcnico dos refletores, ficou
                                          postas verticalmente numa caixa de
fora de uso.
                                          ferro ou madeira, disfarada da vista
talento. meias/cales enchumaa-         da platia pelos bastidores ou rom-
dos, usados para disfarar os defei-      pimentos. Serve para a iluminao
tos das pernas dos intrpretes.           lateral da cena.
Talia. Na mitologia grega, a musa da      tapadeira. Dispositivo cenogrfico
comdia, representada por uma ms-        que serve para disfarar as abertu-
cara e uma guirlanda de louros.           ras do cenrio, impedindo que a pla-
                                          tia devasse o interior do palco.
Talma, Franois Joseph (1763-1826).
O maior ator trgico francs de sua       tapete de grama. Extenso tapete
poca. Tentou regenerar a tradio        recoberto de rfia para simular gra-
do grande estilo declamatrio da re-      mado.
presentao, reintroduzindo o toque
                                          Tartufo, O. Pea do dramaturgo fran-
pattico que j comeava a ser es-
                                          cs Molire*, escrita em 1664, cuja
quecido, o que ele fez sem medir as
                                          personagem-ttulo  um beato fan-
conseqncias. Os crticos de sua
                                          tico que se hospeda na casa de
poca no o poupavam, como foi o
                                          Orgon, um rico burgus, que lhe
caso de Geoffrey, um dos mais duros

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Tchekhov                                                                teatro

oferece todos os seus bens em troca      tao.  Golpe teatral. Efeito dra-
do casamento com sua filha. Com o        mtico sbito ou imprevisto, que
tempo, a palavra tartufo transfor-       muda radicalmente a linha da ao;
mou-se em substantivo comum para         interveno inesperada de uma
significar "indivduo hipcrita e ga-    nova personagem na trama.  Lu-
nancioso". Na pea de Molire, a fi-     gar teatral. Espao onde  apresen-
gura  mais pattica e contraditria     tado o espetculo teatral, estabele-
do que a de um simples vilo.            cendo a relao cena/pblico. O es-
                                         pao teatral independe do local
Tchekhov, Anton Pavlovitch (1860-
                                         onde possa estar instalado, que
1904). Dramaturgo russo, que locali-
                                         pode ser no edifcio teatral, na nave
zou sua obra dramtica na zona rural
                                         de uma igreja, numa praa pblica,
russa, envolvendo personagens da
                                         numa estao de estrada de ferro
pequena burguesia e da aristocracia
                                         ou num vago de metr. O lugar te-
decadente. Em suas peas, os dilo-
                                         atral  formado pelo lugar do espec-
gos tradicionais so muitas vezes
                                         tador e pelo lugar cnico, onde o
substitudos por monlogos parale-
                                         ator atua e a cena acontece.
los, em que cada personagem deixa
entrever suas mgoas ou sentimen-        teatralidade. Qualidade do que 
tos mais profundos, principalmente       teatral.
a frustrao e a impotncia. A valori-
                                         teatralizao. Ato ou efeito de
zao de sua obra dramtica deveu-
                                         teatralizar alguma coisa, que pode ser
se muito a Stanislavski* e ao Teatro
                                         um romance, um poema, uma cena
de Arte de Moscou, que montou suas
                                         de rua, um gesto, etc. O que foi trans-
melhores peas, entre elas A gaivo-
                                         posto para a linguagem teatral.
ta (1897), Tio Vnia (1899), As trs
irms (1901), O jardim das cerejei-      teatralizar. Adaptar um texto de ou-
ras (1904).                              tro gnero literrio para a cena do
                                         teatro; dar forma teatral a obra de
te-ato. Expresso proposta pelo en-
                                         outro gnero.
cenador brasileiro Jos Celso
Martinez Correia*, para substituir       teatro. Expresso usada para iden-
o tradicional e consagrado teatro,       tificar o espetculo montado com
pretendendo com isso uma re-vo-          todos os preciosismos de uma est-
lio, ou seja, um processo de "vol-     tica ou escola historicamente ultra-
tar a querer".                           passada, nutrida das linhas tradicio-
                                         nais dos movimentos cnicos padro-
teatrada. Funo teatral.
                                         nizados, gestos estereotipados, ce-
teatral. Relativo ao teatro, que bus-    nrios com rigidez clssica, dico e
ca produzir efeito sobre o especta-      iluminao tradicionais, o intrprete
dor. Toda manifestao prpria para      seguindo as normas de fala e postu-
se transformar em espetculo,            ra em cena, falando obrigatoriamen-
independendo de enredo e de um           te de frente para a platia e nunca
local especfico para sua apresen-       ficando de costas para esta. Um tea-


                                     253
teatro                                                                   teatro

tro que se comportava diametralmen-      retrata a existncia humana sob o
te contrrio s vanguardas e experi-     prisma da incomunicabilidade, da
mentalismos. A expresso pode ser        irracionalidade e da inutilidade de
aplicada para caracterizar o teatro      viver. Apesar da diversidade do esti-
profissional, empresarial, que no       lo e da tcnica teatral desenvolvida
admite riscos financeiros.               por cada um, so considerados ex-
                                         poentes dessa tendncia os
teatro. 1. Como expresso esttica, a
                                         teatrlogos Samuel Beckett*, Jean
arte especfica transmitida de um pal-
                                         Genet*, Arthur Adamov*, Eugne
co para uma platia, por um ator ou
                                         Ionesco*, Fernando Arrabal*,
atriz; a arte de representar. 2. Como
                                         Harold Pinter*, Boris Vian, Alfred
expresso arquitetnica,  o edifcio
                                         Jarry (1873-1907). V. Absurdo. [Cf.
com caractersticas especficas, do-
                                         Qorpo-Santo.]  Teatro amador.
tado basicamente de um palco, de
                                         Teatro feito por atores que no tm
onde so representadas para uma          o teatro como atividade principal.
platia obras dramticas  peras,        Teatro de Arena. Tipo de casa de
comdias, bals, revistas musicais,      espetculo em que o palco fica no
dramas, etc. 3. O conjunto das obras     centro da platia, como nos velhos
dramticas de uma poca (o teatro        anfiteatros  em alguns casos em n-
elisabetano), de um pas (o teatro       vel inferior a esta , e o pblico sen-
brasileiro), de uma corrente esttica    tado em volta. Forma de palco e de
(o teatro romntico), de um autor (o     representao, surgida nos Estados
teatro de Nelson Rodrigues). Enten-      Unidos nos anos 30, idealizada pela
dido como drama, o teatro pressu-        diretora de teatro Margo Jones (1911-
pe uma sntese de vrios elemen-        1955), espalhando-se depois para a
tos estticos, pois se vale da contri-   Europa, tornando-se muito popular
buio de outras artes, tais como a      depois da Segunda Guerra Mundial;
arquitetura e as artes plsticas, na     thtre en rond (teatro em crculo)
cenografia e na iluminao, ademais      dos franceses; teatro de bolso.  His-
da msica, da dana e da literatura.     toricamente, o Brasil participa dessa
Como gnero literrio ou forma dra-      renovao esttica com o Teatro de
mtica, traduzida em gestos e sons,      Arena, que funcionou na cidade de
o teatro tem sido reconhecido por        So Paulo numa casa de espetcu-
diversos nomes, obedecendo  voga        los com 150 lugares. Fundado por
poltica, os hbitos sociais ou  es-    Jos Renato Pcora* (1926-1234), no
cola literria em moda, bem como o       incio da dcada de 50, o Arena de
estilo de sua representao. De acor-    So Paulo teve uma contribuio es-
do com essas variantes, ele pode ser:    petacular para a renovao da est-
 Teatro do Absurdo. Tendncia te-        tica teatral brasileira, reformulando
atral de vanguarda, desenvolvida a       radicalmente a linguagem oficial de-
partir das concepes filosficas do     fendida ento pelo Teatro Brasilei-
existencialismo, sobretudo de Jean       ro de Comdia, o TBC.* O grupo
Paul-Sartre* e Albert Camus*, a qual     teve um de seus colaboradores mais


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eficientes em Augusto Boal*, que, a       rico alemo Bertholt Brecht*, dando
partir de 1956, passou a dirigir o n-    origem ao Sistema Curinga*, teoria
cleo estudantil da organizao. J        desenvolvida mais tarde por Boal.
antes, em 1955, o grupo fundou o           Teatro de bolso. Sala de espetcu-
seu ncleo carioca, dirigido por Sr-     los de pequenas dimenses. V. Tea-
gio Cardoso* e Glauce Rocha (1933-        tro de Arena.  Teatro de bonecos.
1971), que preferiu dar nfase           Gnero de espetculo onde as per-
temtica e  postura poltica, voltan-    sonagens so "vividas" por bone-
do-se para uma dramaturgia partici-       cos que se exibem de diferentes for-
pante, preocupada em expressar a          mas, cujos tamanhos so variados,
realidade brasileira e valorizando ain-   os estilos de se movimentar diferen-
da mais o autor nacional. Durante a       tes de um para outro, dependendo
dcada de 60, o Arena (de So Pau-        do material usado, do objetivo a ser
lo) abrigou o Teatro Oficina*, cons-      atingido, entre uma srie de outras
tituindo uma das fases mais impor-        circunstncias, inclusive da poca
tantes para a maturidade do teatro        em que foram criados, do pas e da
brasileiro, promovendo o autor naci-      cultura onde atuam. As formas mais
onal, revelando nomes como de             generalizadas so a da marionete e
Oduvaldo Viana Filho*, Augusto            a do fantoche, existindo bonecos
Boal*, Edy Lima (1926-1234),              que so manipulados eletronica-
Gianfrancesco Guarnieri*, entre           mente.  Teatro Brasileiro de Co-
outros. Com a dissoluo do grupo         mdia, TBC. Fundado em 1948 pelo
estvel e a sada de Boal do Pas para    empresrio Franco Zampari (indus-
a Argentina, por causa das presses       trial brasileiro de origem italiana, em-
polticas da Ditadura Militar instala-    presrio artstico e principal funda-
da no pas a partir de 1964, o Arena      dor desse elenco e da Companhia
perdeu sua funo principal, trans-       Cinematogrfica Vera Cruz, empre-
formando-se numa simples casa de          endimentos que enriqueceram a cul-
espetculos. Enquanto teatro politi-      tura nacional), que exerceu grande
camente engajado, um de seus gran-        influncia no panorama do teatro bra-
des momentos foi a montagem, em           sileiro de sua poca, no s elevan-
1965, de Arena conta Zumbi, texto         do o nvel profissional do teatro na-
dos mais discutidos da dramaturgia        cional, como requintando a produ-
brasileira na primeira metade da d-      o dos espetculos, desde o reper-
cada de 60, de autoria de Augusto         trio at a concepo cnica. No re-
Boal e Gianfrancesco Guarnieri, com       pertrio, alternou peas de carter
msicas de Edu Lobo. A grande ori-        estritamente comerciais com textos
ginalidade do espetculo, para a his-     de alto valor artstico e literrio, pri-
tria do teatro brasileiro, est em que   vilegiando os bons autores estran-
nele o grupo conseguiu assimilar para     geiros, muitos dos quais encenados
a linguagem nacional as tcnicas de       pela primeira vez em nosso pas. Dos
representao do dramaturgo e te-        dramaturgos brasileiros, apenas


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Ablio Pereira de Almeida conseguiu      no seu livro O teatro e seu duplo
ter um de seus textos encenado pelo      (1938), recomenda que o teatro deva
elenco. Essa poltica de discrimina-     ser um evento energtico e mgico
o do produto nacional atingiu tam-     para o pblico, devendo se libertar
bm a seleo de diretores, perodo      dos espaos convencionais para
em que o pas foi tomado por not-       acontecer onde a prpria vida esteja
veis estrangeiros como Ruggero           acontecendo. A esse conceito, ele
Jacobi (1920-1981), Luciano Salce        deu o nome de Teatro da Crueldade,
(1922-1989), Gianni Ratto (1916-1234),   por acreditar que esse tipo de re-
Adolfo Celi (1923-1985), Flaminio        presentao foraria o pblico a
Bollini Cerri (1924-1978) e Ziembinski   confrontar seus sentimentos mais
(1908-1978). Apenas o elenco, com        profundos, num processo inevita-
exceo de Eugnio Kusnet (1898-         velmente doloroso.  Teatro de
1975), manteve os talentos brasilei-     Dioniso. Grande espao situado na
ros, revelando profissionais de alto     encosta da Acrpole de Atenas, no
nvel como Paulo Autran*, Walmor         santurio de Dioniso Eleutrio. Fun-
Chagas (1930-1234), Cleide Yconis       dado no comeo do sculo V a. C.
(1922-1234), Cacilda Becker (1921-       Podia abrigar at 17.000 espectado-
1969), Srgio Cardoso*, entre outros.    res sentados.  Teatro-documento.
Teatro de Brinquedo. Movimen-            Espetculo cujo texto, normalmente
to de renovao tentado no teatro        isento de situaes anedticas e per-
brasileiro, no fim da dcada de 20       sonagens fictcios,  construdo com
do sculo passado, criao de            informaes reais, tais como atas de
Eugnia e lvaro Moreyra.*  Tea-         processo, testemunhos pessoais,
tro de cmara. Espetculo com pou-       crnicas, notcias jornalsticas, rela-
cos atores e destinado a pequenas        trios, etc., sobre acontecimentos
salas.  Teatro clssico. Na distin-      histricos.  Teatro elisabetano.
o dos gneros,  aquele que obe-       Designao pela qual ficou conheci-
dece rigidamente  Lei das Trs Uni-     da a produo teatral na Inglaterra
dades aristotlicas de tempo, lugar e    durante o perodo em que o pas era
ao, e normalmente pode compor-         governado pela rainha Elizabeth I
tar at cinco atos. Teatro de con-       (1558-1603).  desse perodo a pro-
sumo. Diz-se do espetculo que no       duo dos dramaturgos William
exige do espectador muita concen-        Shakespeare*, Ben Jonson*,
trao ou raciocnio para entender e     Christopher Marlowe*, entre outros.
digerir o que est acontecendo no         Teatro pico. Gnero de teatro di-
palco. Espetculo de fcil absoro;     dtico, que se caracteriza sobretudo
teatro digestivo.  Teatro da Corte.      pela fabulao e pelo efeito de dis-
V. Teatro da Residncia.  Teatro         tanciamento*, e cujas peas so
da Crueldade. Esttica teatral de van-   estruturadas de forma que desper-
guarda, especialmente identificada       tem a atividade crtica do especta-
com a obra de Antonin Artaud* que,       dor, em termos ticos e sociais, evi-


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teatro                                                                  teatro

tando, acima de tudo, a empatia da       de Janeiro, o TEB recrutava jovens
catarse aristotlica. Largamente usa-    no-profissionais com aptido para
do pelo antigo teatro religioso e        a arte dramtica, o que levou seu
catequtico, sua conceituao teri-     idealizador a criar, em 1944, um Cur-
ca s ocorreu a partir de 1920, com a    so de Frias de Teatro, instalado no
obra de Bertholt Brecht* e com o         Teatro Fnix, de onde saiu o Teatro
encenador Erwin Piscator*, cuja pro-     Experimental do Negro, de Abdias
posta leva a uma rea diametralmente     Nascimento, tambm de grande im-
oposta  do chamado teatro dramti-      portncia para a arte dramtica naci-
co, que conduz o pblico a um esta-      onal. O perodo ureo do Teatro do
do psicolgico/emocional liberador       Estudante do Brasil ocorreu nas
das emoes. O pico tem cunho nar-      dcadas de 40 e 50, quando revelou
rativo, que se acentua pela prpria      talentos como Srgio Cardoso*, Te-
maneira de os atores se exibirem, e      resa Raquel (1934-1234), Pernambuco
pelo uso de recursos tais como car-      de Oliveira (1924-1234), B. de Paiva,
tazes, projees, narradores em off,     Miriam Prsia, entre dezenas de ato-
etc., e por meio de cortes abruptos      res, tcnicos, autores e diretores.
na ao. O ponto essencial desse         Teatro da Experincia. Realizao
tipo de teatro, segundo Brecht,  que    do arquiteto e artista plstico brasi-
ele se dirige mais  razo do espec-     leiro Flvio de Carvalho (1899-1973),
tador que aos seus sentimentos. Ain-     que, em So Paulo, no ano de 1933,
da que voltando-se contra                estabelece, com esse nome, um cen-
Aristteles*, a expresso  de ori-      tro de pesquisas no campo da ceno-
gem aristotlica e assinala, em sn-     grafia, da iluminao, da dico e
tese, uma narrativa falha da unidade     outras reas do espetculo, propon-
de tempo. E embora seja grande a         do-se transformar o teatro, como lin-
contribuio de Bertholt Brecht          guagem cnica. Para dar corpo a seu
para a renovao do gnero, j eram      projeto, Flvio de Carvalho encenou
conhecidas manifestaes nesse           uma pea de sua autoria  falada,
sentido desde a Idade Mdia. V.          cantada e danada , inspirada no
Brecht, Bertholt; Distanciamento.        perodo da escravido, O bailado
 Teatro estvel. Companhia ou            dos mortos, onde criou um ritual que
grupo teatral que s se exibe em         era uma mistura de primitivismo e fu-
determinado palco, ligado a uma          turismo, e durante o qual era cele-
empresa proprietria de uma casa de      brada a morte de deus  que ele
espetculos.  Teatro do Estudan-         grafava sempre com letras minscu-
te do Brasil. Fundado em 1938 por        las. Com cenrios do artista plstico
Paschoal Carlos Magno* com o ob-         Oswaldo Sampaio, o espetculo s
jetivo de divulgar os clssicos naci-    foi mostrado em trs sesses, proi-
onais e estrangeiros e tornar o teatro   bido pela polcia do ditador Getlio
um veculo de elevao cultural para     Vargas, que inclusive fechou o Clu-
o povo brasileiro. Instalado no Rio      be dos Artistas Modernos  onde


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teatro                                                                   teatro

funcionava o Teatro  para qualquer      colocadas poltronas; constroem-se
tipo de atividade artstica, apesar do   frisas; os camarotes so instalados
protesto dos artistas e dos intelec-     num nvel acima; balces e galerias
tuais do porte de Procpio Ferreira*,    surgem no alto. Espalham-se ante-
Mrio Pedrosa (1900-1981), Caio Pra-     salas, sales luxuosos e salas de gala
do Jr. (1907-1990), Geraldo Ferraz       pelo prdio inteiro, interligadas por
(1905-1979), entre outros. A partir de   escadarias suntuosas. O palco se
ento, Flvio de Carvalho foi termi-     transforma numa caixa mgica, po-
nantemente proibido de voltar a se       dendo haver at cinco espaos do
exibir em outras experincias do g-     mesmo tamanho em condies de se
nero.  Teatro  italiana. Estilo de      movimentar para cima e para baixo,
casa de espetculo na qual a separa-     em sentido vertical ou para um lado
o entre o palco (o lugar cnico) e a   e para outro no sentido horizontal,
platia (lugar do espectador) fica bem   possibilitando a mudana rpida de
definida. A representao na caixa       cenrios e ambiente. Por uma con-
tica (o palco) fica separada do p-     veno esttica, a representao na
blico por uma moldura de janela (a       caixa tica (cnica) fica "distante" do
boca de cena), atravs da qual o p-     pblico, como se estivesse aconte-
blico simplesmente espia o que est      cendo atravs de uma janela aberta
acontecendo do outro lado. A idia       para "outro mundo".  Teatro de
desse estilo de organizao e forma      guerrilha. Denominao proposta
de diviso da casa de espetculos        pelo dramaturgo Peter Gay para a ten-
surgiu no Renascimento. O Teatro         dncia surgida na cidade de So Fran-
Olmpia, da cidade de Vicenza, It-      cisco, Estados Unidos, entre 1959 e
lia, foi o primeiro modelo desse novo    1960, que consistia em experincias
estilo de arquitetura (1585), muito      feitas fora das instituies oficiais e
embora ainda apresentasse influn-       teatrais, por grupos politicamente
cias, tanto gregas como romanas, e       engajados, que discutiam temas como
at mesmo da Idade Mdia. O Teatro       servio militar obrigatrio, guerra,
Farnese (1628), da cidade de Parma,      ecologia, emancipao feminina. Te-
Itlia, j apresentava um local deter-   atro de agitao poltica, usava como
minado e bem definido para o pbli-      lema "chegar, representar, comover
co, constitudo de uma enorme esca-      e fugir".  Teatro itinerante. Com-
daria que comeou a desaparecer nas      panhia ou grupo de teatro que se
construes seguintes. Essa estru-       desloca freqentemente de um local
tura, contudo, s vai se definir com a   para outro, ou se encontra em excur-
construo do Alla Scalla, de Milo      so pelo pas.  Teatro-Jornal. Ex-
(1778), a partir do projeto              perincia feita por Augusto Boal*,
arquitetnico de Giuseppe Piermarini     em 1970, na cidade de So Paulo, com
(1734-1808). A casa de espetculo        o que restou do Teatro de Arena.
passa a ser constituda por uma sala     Boal pretendia mostrar que qualquer
em forma de ferradura: na platia so    pessoa, mesmo que no fosse artis-


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teatro                                                                   teatro

ta, poderia fazer do teatro um meio      param da sua primeira verso, cada
de comunicao. Foi seu primeiro es-     uma delas representada por um ni-
boo para o que viria denominar Te-      co elenco, dez anos mais tarde j con-
atro do Oprimido.  Teatro livre. Mo-     tava com mais de vinte pases e mais
vimento empreendido pelo terico         de trinta elencos no seu quadro so-
francs Andr Antoine* no fim do         cial. Seu segundo diretor foi Claude
sculo XIX, visando liberar o teatro     Panson, que esteve no cargo at
da submisso s regras tradicionais,     1966, seguido de Jean-Louis
demonstrando que se podia fazer          Barrault*, seguido pelo Ministro da
"teatro que no seja teatro". Ele fez,   Cultura Francesa, Andr Malraux
 poca, um apelo a todos os escri-      (1901-1976). Reintegrado  funo em
tores notrios, mesmo que no tives-     1972, Barrault transforma o Teatro
sem conhecimento e experincia em        das Naes em Festival Internacio-
dramaturgia, para que escrevessem        nal, onde cada pas mostrava aquilo
textos cheios de sinceridade e calor     que considerava mais significativo
para ser interpretados com f.  Te-      de sua cultura teatral.  Teatro da
atro lrico. 1. Casa de espetculo       natureza. Experincia de teatro ao
prpria para a apresentao de mu-       ar livre, promovida em 1916, no Rio
sicais, peras e operetas. 2. gnero     de Janeiro, por Joo do Rio (1880-
que caracteriza a pera e a opereta.     1921) e Alexandre Azevedo, seme-
 Teatro em movimento total. Proje-       lhante  experincia feita na Frana
to do diretor e cengrafo francs        pelo Teatro Livre, de Orange, em
Jacques Polieri (1928-1234), criador     Nimes. O local escolhido para a ex-
de um revolucionrio e fantasioso        perincia brasileira foi o Campo de
espao cnico  ou de comunicao,       Santana, e dela participaram artistas
como ele preferia (1970) , que pro-     famosos da poca. O primeiro espe-
punha colocar o pblico em plata-        tculo exibido foi Orestes, de squilo,
formas mveis, instaladas no interi-     na traduo de Coelho de Carvalho,
or de uma esfera, onde se desenvol-      a 23 de janeiro. O local estava equi-
veria o espetculo.  Teatro das          pado com setenta camarotes, mil ca-
Naes. Organizao de carter in-       deiras e espao para dez mil pessoas
ternacional, proposta ao governo         em p.  Teatro Oficina. V. Oficina.
francs em 1954, pelo Instituto Inter-    Teatro de pera. Casa de espet-
nacional de Teatro, como resultado       culos onde prioritariamente so en-
pelo xito do Primeiro Festival Inter-   cenados os gneros pera e opereta,
nacional de Arte Dramtica, realiza-     ou grandes musicais.  Teatro P-
do em abril daquele ano, em Paris.       nico. Movimento esttico-poltico
Esse primeiro evento, sob a direo      criado em 1962 pelos freqentadores
de A. M. Julien, funcionou no            do Caf de la Paix, em Paris, lidera-
Thtre Sarah Bernhardt, estenden-       do pelos dramaturgos e encenado-
do-se, nos subseqentes, a outras        res Fernando Arrabal* (espanhol),
salas. Das doze naes que partici-      Alejandro Jodorowsky (1929-1234) 


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teatro                                                                   teatro

chileno, filho de pais russos ,         grafia, a iluminao, qualquer tipo de
Roland Topor (1938-1997)  francs,      efeito de som e msica e at mesmo
filho de poloneses  e Jorge Lavelli     o espao especial reservado  repre-
(1932)  argentino, naturalizado fran-   sentao.  Teatro Proletrio. Mo-
cs. Destitudo de regras e dogmas e     vimento esttico iniciado em 1919,
inspirado pelo hapenning*, para os       em Berlim, por Erwin Piscator*, ins-
adeptos dessa nova linguagem, o          pirado no movimento Proletkult,
inslito, a crueldade e a surpresa       dos tericos russos Aleksandr
tm mais importncia que a mensa-        Bogdanov (1873-1928) e Platon
gem, razo pela qual eram postas em      Kerzhentsev (1881-1940), visando a
cena personagens neurticas, num         "acentuao e propagao consci-
mundo de magia, totalmente               ente da luta de classes". A linha das
desvinculado da tcnica dramtica        encenaes desprezava o lado pu-
aristotlica tradicional. No manifes-    ramente artstico, esforando-se por
to publicado na revista La Brche,       enfatizar mais o aspecto do mani-
eles admitem que o pnico  uma          festo. Piscator percorria os bairros
maneira de ser, presidida pelo humor,    proletrios de Berlim, com seus ape-
terror, azar, pela confuso e euforia.   trechos de encenao num carrinho
Desde o ponto de vista tico, o p-      de mo. Esse movimento teve pouca
nico tem como base a exaltao da        durao, no apenas devido s difi-
moral em plural, e, do ponto de vista    culdades financeiras, como pela fe-
filosfico, esse movimento agia se-      roz oposio do prprio Partido Co-
gundo o axioma de que a "vida  a        munista, que, atravs de seu rgo
memria e o homem  o azar". O p-       central, afirmava ser a arte uma ati-
nico se realiza na festa pnica. O       vidade muito sagrada para ficar ser-
movimento teve aproximadamente           vindo a fins de mera propaganda.
cinco anos em atividade. Seu ponto        Teatro de repertrio. Elenco que
alto foi o espetculo A guerra dos       rene uma certa quantidade de pe-
mil anos, de Fernando Arrabal*,          as prontas para serem encenadas, e
mostrado em Paris, em 1965, com          sai em temporada pelo pas. Teatro
durao de cinco horas, marcado por      de revista. V. Revista; Rebolado. 
um clima de sadismo, histerismo e        Teatro da residncia. Companhias de
parania pura. V. Arrabal, Fernando.     teatro criadas na Alemanha at fins
 Teatro Pobre. Concepo criada          do sculo XIX, agregadas  corte dos
pelo terico e encenador polons J.      prncipes, duques ou  corte real, para
Grotowski*, criador do Teatro-Labo-      quem faziam espetculos. Mais co-
ratrio de Wroclaw, que se baseia        nhecidas como Teatro da Corte, pas-
fundamentalmente na relao ator/        savam a integrar os bens e utensli-
espectador. Eliminando o suprfluo,      os dos monarcas. Remanescente
Grotowski props um teatro sem ar-       dessa poca  o Residenztheater, de
tifcios, no qual seria abolida a        Munique, Alemanha. Cada vez mais
maquiagem, a indumentria, a ceno-       formais e inflexveis nos seus estilos


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teatro                                                                 teatro

de exibio, os teatros da corte pas-    surgidos na Europa e nos Estados
saram a se institucionalizar como re-    Unidos nas primeiras dcadas do
presentantes de uma arte oficial,        sculo XX, que impunham ao texto o
sendo rebatizados, depois de 1918,       valor literrio que a dramaturgia es-
com o ttulo de "teatros estaduais".     tava perdendo, defendendo, inclusi-
 Teatro de Rua. Movimento                ve, pontos de vista social, poltico
underground de forte tendncia po-       ou religioso. So representativos
ltica, surgido nos Estados Unidos,      desse perodo dramaturgos como
da inteno dos grupos militantes de     Paul Claudel*, Bernard Shaw*, Luigi
praticar uma forma de arte imediata      Pirandello*, Sean O'Casey (1880-
que no precisasse do edifcio tea-      1964), Eugene O'Neill*, T. S. Eliot
tral para se exibir. Os grupos iam ao    (1888-1965), Christopher Fry (1907-
pblico onde este se encontrava         1234), Federico Garca Lorca*, Jean
nas ruas e praas, nas igrejas, nos      Anouilh (1910-1987), Armand
bares e cafs, nos metrs, nas sa-      Salacrou*, entre outros. Esses au-
das das fbricas.  Teatro rstico.       tores transmitem preferentemente
Termo proposto pelo encenador            sua "mensagem" atravs dos gran-
Peter Brook*, para substituir a de-      des temas da mitologia ou da hist-
signao, segundo sua opinio j         ria antiga.  Teatro total. Preconi-
gasta, de teatro popular, classifi-      zada por Richard Wagner*, a idia
cando o elenco que no se instala        tomou forma em 1926, quando Erwin
nos edifcios convencionais, mas         Piscator* e Walker Gropius* proje-
atua em espaos alternativos, como       taram a construo de uma casa de
carroes, vages de trem, gara-         espetculos em Berlim, onde o es-
gens, quartos de fundo ou stos,        pectador fosse "arrebatado" para o
celeiros, armazns, igrejas, com a       meio do fato cnico, passando a par-
platia de p ou sentada ao redor das    ticipar integralmente dos eventos, e
paredes e participando ativamente        nada do que estivesse acontecen-
do espetculo. Um espetculo fisi-       do, tanto em cena como  volta dele,
camente bem mais prximo do pbli-       espectador, lhe fosse ocultado. Ato-
co, podendo ser com atores huma-         res e ao envolveriam a platia num
nos ou fantoches.  Teatro de som-        corpo nico, por meio de rampas que
bra. Espetculo teatral em que a ao    deslizariam, proscnios que se ele-
dramtica  mostrada ou sugerida         variam ou abaixar-se-iam, escadas
pelas sombras dos atores projetadas      que subiriam ou desceriam, numa
de fora, sobre tela translcida. Esses   transformao constante do espao.
atores podem ser figuras humanas         Nessa forma de espetculo, gestos,
ou bonecos recortados em cartoli-        sons, luzes, volumes, vozes, movi-
na; teatro de silhuetas.  Teatro de      mentos, ritmos, todas as formas de
tese. Tendncia assumida pela            expresso artstica  a includos
historiografia do teatro, para identi-   documentrios cinematogrficos, de-
ficar e classificar os dramaturgos       senhos animados e psteres  devi-


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teatro                                                                    telari

am ser conjugadas para dar ao es-         "a vanguarda, no teatro, seria consti-
pectador uma viso absoluta da in-        tuda por um pequeno grupo de auto-
veno cnica. Para Charles               res de choque  s vezes encenado-
Dullin*, que adotou a idia, gesti-       res de choque , seguidos, a alguma
culao, mmica, colorido, msica         distncia, pelo grosso da tropa de ato-
e movimentao tinham o mesmo             res, autores, animadores, definindo-
peso do dilogo. Em 1946, Joseph          se em termos de oposio e de ruptu-
Svoboda*, com a colaborao de            ra."  Teatro varivel. Pensado por
Alfred Rodock, fazem uma tentati-         Raimund von Doblhoff, tentou agru-
va de combinar e sincronizar o ci-        par os mtodos cnicos mais tradici-
nema ao teatro. [Cf. Teatro em mo-        onais com os mais vanguardistas 
vimento total.]  Teatro de van-           cenrios circulares envolvendo os es-
guarda. Expresso que designa um          pectadores, palco isabelino e italia-
grupo de indivduos ou de idias "       no, cenrios mltiplos, dispositivos
frente de sua poca". No h no te-       com passarelas de origem oriental, cir-
atro, para este movimento, uma data       co, music-hall, ilusionismo, etc.
histrica que precise o nascimento
                                          teatrlogo. Artista que compe ou
da esttica que ficou conhecida por
                                          escreve peas de teatro; o escritor
teatro de vanguarda. Os historiado-
                                          ou autor de textos para ser represen-
res arriscam o segundo Ps-Guerra,
                                          tado no teatro; dramaturgo.
a partir da encenao das obras dos
dramaturgos Eugne Ionesco*,              teia. O conjunto de urdimento de uma
Samuel Beckett*, Jean Genet*,             caixa de teatro; grelha.
Arthur Adamov*, entre outros. O
                                          telo. Trainel (ou painel) de grandes
modelo francs de vanguarda estti-
                                          propores para uso no fundo da
ca se popularizou na Inglaterra com o
                                          cena; tela cenogrfica pintada com
nome de Teatro do Absurdo*, o que
                                          desenhos em perspectiva, represen-
ocorreu com a estria de Pai Ubu, de
                                          tando ruas, praas, jardins e campos,
Alfred Jarry (1873-1907). Atemporal e
                                          geralmente usado para compor o fun-
impreciso, o qualificativo vanguarda
                                          do de cenas de operetas e revistas
pouco define como esttica, pois, di-
                                          musicadas. A funo bsica desse
ante de Sfocles,* Eurpides* foi van-
                                          elemento cenogrfico  encerrar uma
guarda; Racine* esteve na vanguar-
                                          seqncia de rompimentos, da ser
da de Corneille*; e Oduvaldo Viana
                                          usado principalmente no fundo da
Filho*, na de Joracy Camargo (1878-
                                          cena. Mas dependendo do efeito ou
1973). Cada nova escola ou esttica,
                                          da necessidade, ele pode aparecer
 medida que a voga se esgota nas
                                          em primeiro plano.
convenes e repeties de suas pr-
prias frmulas, vira vanguarda. O dra-    telari. Prismas triangulares usados
maturgo francs Eugne Ionesco* re-       nas encenaes dos intermezzi, na
gistrou, em 1962, num jornal parisiense   segunda metade do sculo XVI, de-
que, por analogia ao servio militar,     corados com os mesmos motivos do


                                      262
teleta                                                                Terncio

assunto do fundo do cenrio e colo-      do Odin Teatre, da Dinamarca, para
cados de cada lado da cena, uns atrs    traduzir sua proposta, surgida no in-
dos outros. Muito semelhantes aos        cio dos anos 60 do sculo XX, de
periactos* gregos, quando girados        mudana radical nos valores cultu-
sobre um eixo vertical, tornavam pos-    rais do teatro ocidental,  margem do
svel uma variedade rpida de muta-      teatro tradicional (veculo de valo-
es cnicas. Deram origem aos bas-      res culturais ultrapassados), e do te-
tidores modernos.                        atro de vanguarda (apenas empenha-
                                         do na busca de valores distintos do
teleta. Pequena tela, pintada ou no
                                         tradicional  conseqentemente um
com elemento cenogrfico, coloca-
                                         teatro marginal). Na proposta do Ter-
da estrategicamente nos intervalos
                                         ceiro Teatro, atores e diretores dei-
dos rompimentos. Serve para impe-
                                         xam de considerar a representao
dir, durante o espetculo, a viso das
                                         teatral, por mais original e refinada
coxias por parte da platia. V.
                                         que seja, como a meta final de seu
Fraldo.
                                         trabalho. O ato teatral, concebido
tema. A idia central de uma pea te-    agora como ateli de criao ou la-
atral. O tema  a base da unidade        boratrio de vida, deixa de ser uma
sobre a qual o texto teatral repousa.    expresso refinada de signos cultu-
                                         rais, para se transformar num modo
tempo. Determinao da velocidade
                                         de vida e de comunicao entre os
na qual devem ser executadas as v-
                                         homens, alterando o tecido social,
rias etapas do espetculo; ritmo.
                                         no qual desaparecer a ciso entre
temporada. 1. Perodo de tempo em        atores e espectadores. Nessa condi-
que o espetculo permanece em car-       o, o ato de "estar o teatro no mun-
taz. 2. O conjunto das peas que es-     do"  apenas uma maneira de mudar
to sendo ou foram mostradas em          as relaes humanas. No Terceiro
determinado perodo.                     Teatro, os muros se separam e a divi-
tenor. Registro mais agudo das vo-       so das artes do espetculo desapa-
zes masculinas, na escala clssica       rece, assim como desaparece a espe-
de classificao dos tons. Subdivi-      cializao do/da ator/atriz, podendo
de-se em tenor ligeiro, tenor lri-      ele/ela ser, a um mesmo tempo, dan-
co, tenor dramtico, tenor bufo e o      arino/a, cantor/a, malabarista e acro-
heldetenor, que  o tenor pico da       bata. V. Antropologia (teatral).
escola alem, presena obrigatria       tero. Corda que  atada entre a cur-
nas obras de Wagner.*                    ta e a do meio, ou entre a do meio e a
Teoria do Distanciamento. V. Distan-     comprida, quando a extenso da
ciamento.                                vara* assim o exige, para melhor afi-
                                         nao do cenrio.
Terceiro Teatro. Expresso criada,
por analogia a Terceiro Mundo, por       Terncio, Publius Terentius Afer
Eugenio Barba (1937-1234), fundador      (185-159 a. C.). Comedigrafo latino


                                     263
Tspis                                                               tetralogia

originrio de Cartago, o principal elo   justamente a de esclarecer a pergun-
de ligao entre o drama antigo e o      ta formulada pelo corifeu ou pelo
drama cristo, e cujo refinado realis-   coro, repousando nele o embrio do
mo e humor influenciou a comdia         ator e, nessa troca de informaes,
de costumes. Influenciado pela obra      o rascunho do dilogo. Isso deve ter
de Menandro* e outros autores gre-       ocorrido provavelmente por volta de
gos da Comdia Nova, orientou suas       560 a. C. A tradio tambm lhe atri-
peas para uma platia refinada e        bui a humanizao da mscara dos
culta, distinguindo-se mais pela cor-    coreutas, que at ento tinha feies
reo do estilo que pela variedade       sobrenaturais ou animalescas, he-
da urdidura. Ao contrrio de Plauto*,    rana dos rituais mais primitivos.
favorito das platias populares,         Tambm lhe  atribuda a criao do
Terncio evitou os aspectos              prlogo da tragdia, tendo sido ele,
burlescos, dando preferncia  an-      provavelmente, o primeiro autor pre-
lise psicolgica e a questo moral,      miado nos concursos institudos por
sobrepondo-se s peripcias dram-       Pisstrato*, em Atenas, no ano 534
ticas e aos exageros cmicos de seus     a. C. O nome de Tspis tornou-se
contemporneos. Justamente por seu       sinnimo de arte teatral.
estilo permanentemente elegante,
                                         teto. painel de grandes propores,
refinado realismo, humor e linguagem
                                         colocado horizontalmente sobre o
requintada, foi um dos autores lati-
                                         topo dos trainis, fechando o cen-
nos mais lidos, representado e tra-
                                         rio na parte superior e dando  ceno-
duzido durante a Idade Mdia e
                                         grafia a idia de forro.  Teto de do-
Renascimento, servindo de modelo
                                         brar. Tipo especial de teto,
para os clssicos franceses, sobre-
                                         construdo de forma que possa ser
tudo Molire*, influenciando o de-
                                         dobrado e servir para vrios fins.
senvolvimento posterior da comdia
de costumes. De sua obra sobraram        tetralogia. 1. Conjunto de quatro pe-
apenas seis comdias: Andria,            as  trs tragdias e um drama sat-
Frmio, O eunuco, Os irmos, A so-       rico  que os antigos poetas gregos,
gra e Autoflagelador.                    na poca de squilo*, eram obriga-
                                         dos a apresentar nos concursos. A
Tspis. Poeta trgico grego, mais ou
                                         tetralogia era encerrada, depois da
menos lendrio, nascido possivel-
                                         carga trgica jogada sobre a platia
mente na Icria, nos princpios do
                                         pelas tragdias, com a representao
sculo VI, considerado o criador do
                                         de uma pea divertida, cujo objetivo
teatro grego, e a quem a humanida-
                                         era o de desfazer a carga de tristeza e
de deveria, segundo Aristteles*,
                                         angstia, por certo deixadas pelas
uma srie de importantes contribui-
                                         peas anteriores. A expresso e o g-
es para o desenvolvimento do g-
                                         nero tm o mesmo sentido e o mes-
nero, entre elas a transformao do
                                         mo significado, tanto para os gregos
exarconte* num dialogante, o hip-
                                         como para os latinos. 2. Na msica
critas (respondedor), cuja funo era


                                     264
tetralgico                                                               tipo

lrica,  tambm a reunio de quatro     theoricon. Ajuda financeira fornecida
peras que desenvolvem o mesmo           aos atores e autores, pelo estado gre-
tema, cujo exemplo clssico  O anel     go, num determinado perodo his-
dos Nibelungos, que compreende as        trico, para cobrir as despesas com
peras O ouro do Reno, As                a manuteno da arte teatral.
valqurias, Siegfried e Crepsculo
                                         thimelici. Espcie de ator surgido
dos deuses, de Richard Wagner*,
                                         em Roma durante a Idade Mdia.
mostrada pela primeira vez em 1876,
por ocasio da inaugurao do Tea-       timele. Altar de Dioniso, no antigo
tro de Bayreuth, construdo sob ori-     teatro grego, colocado bem no cen-
entao do prprio Wagner.               tro da orchestra, em volta do qual
                                         evolua o coro.
tetralgico. Relativo a tetralogia.
                                         Tmido. Uma das personalidades do
texto. A matria-prima sem a qual,
                                         tipo "gal", na velha escola de re-
teoricamente, no pode existir o es-
                                         presentao: aquele que se mostra-
petculo.  a matriz do espetculo,
                                         va de maneira tmida, hesitante na
que pode ser sob uma forma rudi-
                                         forma de expressar suas idias, de
mentar de roteiro, ou contedo lite-
                                         um retraimento quase patolgico.
rrio mais sofisticado, contendo o
                                         Fora de uso.
enredo, as falas das personagens,
rubricas e todas as indicaes do        Tpico. Uma das vrias caracters-
autor. Mas nem sempre todas essas        ticas do gal, na velha escola de te-
indicaes existem num texto tea-        atro: aquele revestido de ingenuida-
tral, e houve pocas e escolas em        de provinciana, o que era manifesta-
que nem as rubricas de entrada e         do na forma de olhar, no linguajar
sada de cena estavam explcitas.        carregado de regionalismos, nos tra-
Com a voga que se convencionou           os grosseiros de sua fisionomia, nas
chamar de "teatro do diretor", at       atitudes, na forma de andar, nas rou-
mesmo o texto  passvel de sofrer       pas mal ajeitadas no corpo.
interferncia do "construtor do es-
                                         tipo. Personagem que rene as ca-
petculo".
                                         ractersticas distintas de uma classe
Theater, Group. V. Group Theater.        ou uma situao social, um carter
                                         ou uma faixa etria. Muito popular
thatron. Na antiga arquitetura gre-
                                         ao longo do sculo XIX, o tipo foi
ga, o prdio destinado ao espetcu-
                                         perdendo sua fora diante das con-
lo teatral; nesse gnero de constru-
                                         quistas de novas linguagens e com-
o, as arquibancadas em que o p-
                                         portamentos dramticos, resistindo
blico se alojava eram concntricas,
                                         no Brasil at o final dos anos 30 e
em semicrculo de 27 graus. V. Kilon.
                                         meado dos 40 do sculo passado.
theologion. Suporte cenogrfico do      Dividido em categorias, eram identi-
teatro grego, instalado em plano ele-    ficados por sinais exteriores de com-
vado, de onde falavam os "deuses".       portamento, tiques nervosos, carac-


                                      265
tipo                                                          Tirso de Molina

tersticas vocais, posturas. A classi-   criadinha, segunda criadinha, me
ficao hierarquizada de intrpretes     nobre, governanta, caricata. Esta
e personagens, a partir da constitui-    diviso estabelecia, inclusive, a
o do fsico e da exigncia             base do salrio de cada tipo. Como
histrinica, originou uma classifi-      quem ditava o "modelo" era a Fran-
cao especfica, e essa catalogao     a, esse rigor esquemtico desapa-
foi rigorosamente cumprida pelo te-      receu logo aps a Revoluo Fran-
atro dito clssico. Os tipos mais ca-    cesa, que alterou muito os modelos
ractersticos tinham a seguinte clas-    tradicionais impostos pela socieda-
sificao: caricato ou pai nobre,        de apeada do poder.
normalmente o av ou qualquer tipo
                                         tirada. Nas tragdias e melodramas,
de idoso (esse tipo, mais tarde, pas-
                                         longa fala de efeito a ser dita por uma
sou a ser chamado de centro* dra-
                                         das personagens. Nesse momento,
mtico ou cmico, que, de acordo
                                         o ator ou atriz tomava o centro da
com o gnero em que estivesse figu-
                                         cena e despejava sobre a platia sua
rando  comdia, drama ou farsa ,
                                         preciosidade elocutria; fala exten-
podia ser cmico gordo, primeiro ou
                                         sa de um s personagem, interrom-
segundo cmico); dama central ou
                                         pendo o dilogo.
caricata  na mesma faixa etria do
caricato, quando se tratasse de dra-     tiro. At meados do sculo passa-
ma (nas comdias, em Portugal, este      do, assim se dizia a pea de bilhete-
tipo recebia a denominao de ca-        ria garantida, geralmente um
racterstica, dama amorosa (normal-      dramalho do tipo O mrtir do
mente a filha e sempre a ingnua da      Calvrio, ou peas de um repert-
pea); gal, que se subdividia em        rio especfico, que as companhias
amoroso, a personagem que repre-         em dificuldades financeiras remon-
sentava o papel do eterno enamora-       tavam s pressas para angariar al-
do ou amante, na intriga amorosa, e      gum dinheiro. Fizeram parte desse
segundo amoroso ou gal moo,            repertrio de emergncia, alm da j
protagonista (o ator principal); tira-   citada O mrtir do Calvrio, ence-
no (que se transformou mais tarde        nada ordinariamente pela Semana
no gal mau e no cnico); financis-      Santa, A cabana do Pai Toms, Mi-
ta; pai pobre; lacaio (que virou cri-    lagres de Santo Antnio, O conde
ado, mais tarde). O feminino lacaia      de Monte Cristo, Os dois proscri-
acabou se transformando em               tos, entre dezenas.
soubrette*, de sua origem francesa
                                         Tirso de Molina, Gabriel Tllez, dito
e, finalmente, em criada, pondera-
                                         (1583-1648). Dramaturgo espanhol,
dos e pedantes. As mulheres obe-
                                         autor de dramas e comdias de trama
deciam  seguinte classificao: in-
                                         barroca. Frade mercedrio, foi puni-
gnua, amoreuse, primeira atriz jo-
                                         do por sua ordem religiosa, por es-
vem, jovem protegida, coquete,
                                         crever comdias profanas. Introdutor
grande coquete, segunda coquete,
                                         da personagem Don Juan na litera-


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ttere                                                               tragdia

tura teatral, com a pea El burlador    car-se no centro da cena, ficando em
de Sevilla, criou o teatro de costu-    evidncia no palco; ... o palco. Ao
mes espanhol. Escreveu mais de 300      do ator de sair de um local de pouca
peas, publicadas entre 1621 e 1635,    evidncia para se colocar no centro
como El condenado por desconfia-        de interesse, ocupando a rea forte
do, La prudencia en la mujer, Dom       da cena, transformando-se, conse-
Gil de las calzas verdes, Deleitar      qentemente, de fugura sem proje-
aprovechando.                           o que era, em figura centro das
                                        atenes.
ttere. Boneco de madeira, pano ou
outro material, articulado ou no,      tons. 1. As variantes do clima emoci-
animado pelas mos de seu mani-         onal de um espetculo. 2. Em carac-
pulador ou suspenso por fios que        terizao (2), as nuanas de uma
se fixam  cabea, mos, joelhos e      maquiagem.
ps, presos em uma trave que serve
                                        torrinha. Nas casas de espetculo
de sustentao a partir da qual  mo-
                                        onde a platia est dividida em vri-
vimentado. Recebe diferentes no-
                                        os nveis de localizao,  a ordem
mes, de acordo com a regio onde
                                        de galeria mais alta, aquela que fica
surge, ou de acordo com seu mani-
                                        mais prxima do teto do teatro,
pulador, ou ainda quanto ao materi-
                                        onde os preos so mais reduzidos;
al de que  feito: bonifrate, fanto-
                                        geral, poleiro, galinheiro.
che*, mamulengo*, marionete. O
teatro de bonecos tem sido, desde       tour. Palavra francesa para identi-
pocas remotas, uma forma univer-       ficar o movimento circular feito
sal de entretenimento, tanto para o     pelo/a bailarino/a. Mais recente-
homem de pouco saber como para o        mente, reduo para o galicismo
de conhecimento requintado. No          tourne; viajar.
Oriente, os tteres so considerados
                                        tourne. Palavra francesa para qua-
uma das formas mais delicadas e re-
                                        lificar a excurso de um artista ou uma
quintadas de arte dramtica.
                                        companhia dentro ou fora do pas,
titerear. Movimentar tteres.           levando um ou mais espetculos.
titeriteiro. Aquele que maneja o t-    tragdia. Gnero dramtico, tradici-
tere. Variante de titereiro.            onalmente de origem grega (Grcia
                                        Antiga, fins do sculo VI a. C.), que
togata. Reunio de todas as peas
                                        se caracteriza pela luta de um heri
romanas de origem e carter nativo.
                                        contra um destino inexorvel que
Continham um carter realista, repas-
                                        determina suas aes e lhe impe
sado de pureza ingnua, beirando
                                        quase sempre um fim funesto  a
perigosamente a grosseria. Floresce-
                                        morte fsica e a destruio de tudo
ram em Roma, entre 170 e 80 a. C.
                                        aquilo que se relaciona com ele. Ori-
tomar ... a cena. Ao do ator, par-    ginou-se dos rituais dionisacos, que
tindo de um palco secundrio, colo-     coincidiam com as colheitas e cons-


                                    267
tragdia                                                                 trgico

tituam-se de danas, cantos e pre-      depois, o coro, que tinha papel sali-
ces, dos quais participavam toda a       ente quando de sua origem, foi cain-
populao. Seu contedo, em prin-        do de importncia, perdendo, inclu-
cpio, foi inspirado no mito extrado    sive, o carter lrico primitivo. Segun-
das antigas lendas que alimentavam       do as concepes clssicas, os prin-
a trama nos primeiros tempos de sua      cipais elementos da tragdia so a
ocorrncia. Mas logo o acervo de         intriga, a idia ou pensamento, a dic-
narrativas sobre Dioniso* comeou        o, a melodia e o espetculo. A tra-
a ficar to escasso, que foi preciso     gdia clssica grega atingiu seu apo-
recorrer aos deuses e heris huma-       geu com as obras de squilo*,
nos, mudana que comeou a ocor-         Sfocles* e Eurpides.* O gnero
rer a partir do sculo V a. C., numa     entrou em declnio a partir do sculo
fuso enriquecedora entre mitos di-      IV a. C., para depois ressurgir em
vinos e hericos. O termo, na sua        Roma, com Sneca.* Aps o
origem, no traduzia o sentido que       Renascimento, a tragdia desponta
hoje temos, de amarga severidade,        com outra roupagem, nos fins do
mas era a informao de que homens       sculo XVI, com Shakespeare*, na
envoltos em peles de bode, protegi-      Inglaterra. Diferente da tragdia gre-
dos com grotescas mscaras de ani-       ga, que normalmente mostrava o ho-
mais, cantariam e danariam no dia       mem acabrunhado pelo destino, a
da prova do vinho. Com o passar dos      tragdia isabelina libertava, numa
tempos, a caracterstica mmica e        exploso anrquica, todas as foras
grosseira foi sendo ultrapassada e       boas ou ms da alma humana. Final-
substituda por solenidades realiza-     mente, ela acaba se transformando
das por homens, especialmente es-        ou se diluindo em outros gneros,
colhidos entre os integrantes da         como o drama e o romance.
orchestra. Em relao  fabulao,
                                         tragdia burguesa. Comdia sria;
cabia ao autor encadear os aconteci-
                                         drama burgus. O nome parece ter
mentos de forma a provocar na pla-
                                         sido criado por Beaumarchais (1732-
tia uma tenso permanente, desper-
                                         1799), mas foi precisamente Nivelle
tando o temor ou a piedade, que logo
                                         de La Chausse (1692-1754) quem
seria aliviada pela catarse. Para con-
                                         definiu com preciso a natureza des-
seguir manter a tenso constante e
                                         se tipo de drama: "meio termo entre
obedecer ao princpio da verossimi-
                                         tragdia e comdia". Diderot* foi o
lhana, a pea deveria obedecer ao
                                         seu mais apaixonado terico.
Princpio das Trs Unidades  de
espao, tempo e ao , preconiza-       tragedigrafo. Autor de tragdias;
do por Aristteles*. Quanto  for-       trgico.
ma, compunha-se inicialmente de
                                         trgico. At meados do sculo XX,
uma sucesso de momentos dram-
                                         o ator especializado na interpretao
ticos, intercalados por passagens l-
                                         de personagens trgicas, de trag-
ricas, onde o coro intervinha. Mas,
                                         dia. Fem. Trgica.


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tragicomdia                                                         travesti

tragicomdia. Pea de teatro que se     travamento. Amarrao feita por meio
aproxima do gnero tragdia, quer       de sarrafos, escoras, amarraes,
pelo carter do assunto abordado,       para evitar que o cenrio se movi-
quer pelo comportamento das per-        mente, quando usado no decorrer do
sonagens, mas se assemelha  co-        espetculo, possibilitando o uso de
mdia pelos incidentes e desenlace,     portas e at mesmo que um ator se
resumindo-se numa triste histria       encoste numa "parede".
que faz rir.
                                        travesti. Homem desempenhando
tragicmico. Relativo ou prprio da     papel de mulher, ou vice-versa. His-
tragicomdia.                           toricamente, o homem assumiu por
                                        largo espao de tempo na histria
trainel. Armao de sarrafos que
                                        do teatro, a responsabilidade de in-
serve para armar o cenrio. O trainel
                                        terpretar os papis femininos, veda-
, na verdade, a base de todo o cen-
                                        da que era, em algumas culturas, a
rio, servindo para uma infinidade de
                                        presena da mulher no palco. Para
objetivos e funes. Juntando ade-
                                        suprir essa lacuna, as companhias
quadamente vrios trainis, monta-
                                        lanavam mo de rapazes ou homens
se um gabinete, constroem-se as di-
                                        bem afeioados para desempenhar
vises da cena, etc.; reprego.
                                        os papis das damas e senhoritas.
traje. O vesturio; as roupas das       Algumas culturas, como a japonesa,
personagens.                            e alguns gneros orientais tradicio-
                                        nais, ainda mantm essa proibio,
trama. O conjunto de intrigas que
                                        sobretudo o gnero n. Com a libe-
forma o enredo; intriga.
                                        rao da mulher, essa lacuna foi de-
trambolho. Pedao de madeira pesa-      saparecendo, e aconteceram casos
da ou de ferro, atado a uma corda e     curiosos e exemplos clssicos, como
suspenso ao urdimento, e que serve      na pera de Richard Strauss (1864-
para esticar as manobras, quando        1949), Cavaleiro da rosa (1911), em
elas esto fora de uso.                 que um cantor, travestido por exign-
tramia. Designao que era dada       cia da pea, tem de "fingir" ser mu-
maquinaria, quase artesanal,            lher. A partir de ento, a histria do
construda para produzir efeitos es-    teatro ficou cheia de atrizes e atores
peciais nos espetculos de mgica.      que interpretaram papis de sexo di-
Movimentava complicados mecanis-        ferente, como ocorreu com Sarah
mos de jogos de fios, cordas, tambo-    Bernhardt*, no papel de Hamlet, de
res e roldanas, pesos e contrapesos,    Shakespeare*, e da atriz brasileira,
para ascenso ou descida em cena        Cacilda Becker (1921-1969), que fez
de personagens ou objetos: mqui-       um excelente papel masculino em
na teatral. Com as tecnologias mo-      Pega-fogo, de Jules Renard (1864-
dernas, est fora de uso.               1910), e, quando morreu, interpreta-
                                        va o Astragon da pea Esperando



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treinamento                                                     tritagonista

Godot, de Samuel Beckett.* Foi tam-     panhias, entre elas, mais freqen-
bm antolgico o papel feminino in-     temente, as lideradas por Jaime
terpretado pelo encenador e ator na-    Costa (1897-1967), Leopoldo Fres
turalizado brasileiro, Zbigniew         (1882-1932), Procpio Ferreira* e
Ziembinski (1908-1978), numa nove-      Luclia Peres (1881-1962). Uma das
la de televiso.                        caractersticas tpicas da Gerao
                                        Trianon era que s aos chamados
treinamento. Ato de treinar algo com
                                        primeiros atores era permitido usar
objetivo especfico. Em teatro, o
                                        o proscnio e o centro do palco 
treinamento difere do trabalho de di-
                                        as conhecidas reas nobres da
reo. No treinamento, o diretor
                                        cena  como espao de represen-
lida com cada ator individualmente,
                                        tao, de onde quase sempre brin-
com o objetivo de atingir o aprimora-
                                        davam a platia com um improviso
mento integral de quem a ele se sub-
                                        caloroso, em que pouco ou nada
mete. V. Picadeiro.
                                        importava a verossimilhana. Es-
Trianon (Gerao). Estilo e com-        tes atores eram os nicos que no
portamento peculiar de encarar o        ensaiavam, o que constitua outra
teatro como texto e como espet-        caracterstica desse perodo e des-
culo, adotado pelo Teatro Trianon,      sa casa de espetculo.
casa de espetculos com mil luga-
                                        trilogia. Na Grcia antiga, o poema
res, inaugurada no Rio de Janeiro
                                        dramtico formado de trs tragdias,
em 1915, cujas histrias, que fanta-
                                        cujos temas se sucediam e se interli-
siadas, apimentadas ou simples-
                                        gavam, para serem representadas nos
mente copiadas do cotidiano, atra-
                                        concursos e jogos solenes. A
am diariamente centenas de espec-
                                        interligao dos temas foi quebrada
tadores. Os textos ali encenados,
                                        a partir de Sfocles*, quando cada
exclusivamente de autores nacio-
                                        um dos poemas adquiriu sua prpria
nais, tratavam de fatos ao mesmo
                                        autonomia; trilogia livre.  Trilogia
tempo atemporais  amores e qi-
                                        da Devorao. Com esse ttulo, fica-
proqus  e circunstanciais. Entre
                                        ram conhecidos os textos dramti-
os autores ali mais representados,
                                        cos de Oswald de Andrade* envol-
estavam Gasto Tojeiro (1880-
                                        vendo seu "teatro antropofgico",
1965), Paulo Magalhes (1900-
                                        formado pelas peas O rei da vela e
1972), Bastos Tigre (1882-1957),
                                        O homem e o seu cavalo (1934) e o
Joracy Camargo (1878-1973),
                                        ato lrico A morta (1937).
Oduvaldo Viana (1892-1973)  o pri-
meiro dramaturgo a escrever em          trio. 1. Trecho de msica cantada por
"brasileiro", em oposio              trs artistas. 2. Conjunto ou grupo
prosdia portuguesa normal e obri-      de trs artistas.
gatria da dramaturgia nacional.
                                        tritagonista. Criado por Sfocles*,
Sem elenco prprio, o Trianon era
                                        foi historicamente o terceiro ator a
alugado por temporada pelas com-
                                        surgir no espetculo teatral.


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trolol                                                                     tutu

trolol. Assim ficou conhecido e era      peciais, mecanismos, mutaes e
tratado pela imprensa, por algum tem-     muita habilidade para fazer aparecer
po, o "teatro musicado" brasileiro.       ou desaparecer objetos; habilidade
                                          manual nesse gnero de espetculo.
trombeta (soando). No sculo XIV,
na Inglaterra, os artistas ambulantes     trussa. Pequeno calo ajustado ao
se anunciavam ao som de trombe-           corpo, que o ator veste por cima da
tas, trompas ou clarins. Existe muita     cala de meia.
referncia sobre o hbito  "trombe-
                                          tsunar. No kabuki*, a interrupo
ta soando"  nas comdias de Sha-
                                          brusca de uma tirada em prosa, para
kespeare.*
                                          uma passagem composta em metro
tropo. 1. Dilogo curto entre dois ato-   e bem ritmada, conhecida da platia,
res, surgido no primeiro milnio de       com o objetivo de elevar o tnus l-
nossa era, a partir de um truque in-      rico do dilogo e instaurar o subli-
ventado pelo monge Tulio (ou             me, o potico.
Toutilo), na Sua, para ajudar os can-
                                          TUCA. Sigla para dizer o Teatro da
tores na memorizao das msicas:
                                          Pontifcia Universidade Catlica
consistia na inveno de escrever
                                          de So Paulo, fundado em 1965, e
sobre as notas musicais algumas
                                          uma das frentes de resistncia  Di-
palavras adequadas  melodia, ge-
                                          tadura Militar que se instalou no
rando da, entre os cantores que se
                                          Brasil, a partir de 1 de abril de
alternavam, o texto dialogado. 2.
                                          1964. Iniciando suas atividades com
Tambm com essa designao, sur-
                                          a montagem de Morte e vida
ge na Idade Mdia, a primeira mani-
                                          severina, do poeta Joo Cabral de
festao dramtica desse perodo,
                                          Mello Neto (1920-2000), msica de
constituda de pequeno recitativo ou
                                          Chico Buarque de Holanda (1944-
dilogo inserido na liturgia da missa,
                                          1234), sob a direo de Silney
originando-se dele o drama litrgico.
                                          Siqueira (1934-1234), o grupo reali-
troupe. Palavra francesa para iden-       zou grandes espetculos, com uma
tificar a "companhia" ou grupo de         corajosa militncia poltica. Foi gran-
artistas reunidos em sociedade ou         de sua colaborao para o desenvol-
ligados a um projeto de trabalho,         vimento da msica popular brasilei-
para percorrer ou no o pas.             ra do perodo. Suas instalaes fo-
                                          ram incendiadas em 1984, e o teatro
truo. Bobo; palhao; saltimbanco.
                                          s foi reaberto em 1988.
truque. Subterfgio usado pelos
                                          tutu. Saiote de gaze branca das bai-
mgicos e ilusionistas, para produzir
                                          larinas.
efeitos surpreendentes, consegui-
dos por meio de equipamentos es-




                                      271
Underground. Palavra inglesa que      regente, para que a orquestra e a
identifica o movimento de vanguar-    cena (entenda-se, o cantor), entida-
da que animou a vida cultural nos     des encarregadas de construir o dis-
Estados Unidos nas dcadas de 50      curso musical da obra, estejam no
e 60 do sculo XX, sobretudo nas      mesmo nvel de tenso.
reas do cinema, teatro e impren-
                                      urdimento. Todo o espao que vai
sa, caracterizado pelo baixo custo
                                      do alto da boca de cena para cima,
da produo, pela exibio em pe-
                                      invisvel para a platia e fartamente
quenos espaos e pela caractersti-
                                      equipado, para uso variado dos tc-
ca no convencional dos espetcu-
                                      nicos na realizao de um espet-
los. Os principais centros under se
                                      culo.  guarnecido de forte e firme
localizaram em Nova York e So
                                      madeiramento, ao qual se fixam rol-
Francisco. Significa subterrneo.
                                      danas, moites, gornes, ganchos e
unidade de tom. Conhecimento          outros dispositivos usados nos tra-
subjetivo que um elenco, na pre-      balhos das manobras. O urdimento
parao de um espetculo, adquire     se compe de varandas.
atravs do conjunto de aes do
                                      utilidade. Termo aplicado aos ato-
texto, e que facilita o nivelamento
                                      res de uma companhia habituados a
da representao.
                                      fazer pequenos papis (rabulistas*),
unidade dramtica. No gnero          mas que, numa eventualidade, po-
pera, a identificao que deve       dem ser aproveitados em outros de
existir entre o processo de inter-    maior responsabilidade.
pretao e recriao, proposta pelo
vcuo. Diz-se do espao morto entre     lizaes mais altas da platia; o po-
as falas, ou qualquer tipo de ao      pular poleiro; as gerais.
que quebre a unidade de andamento
                                        varanda. Espao de servio consti-
do espetculo.
                                        tudo de balces ou plataformas a
vaia. Manifestao ruidosa de de-       meia altura do urdimento, acima da
sagrado a um espetculo ou a um         boca de cena, onde esto os supor-
dos/das intrpretes, podendo ser        tes para fixao das varas que sus-
individual, em grupo ou coletiva.       tentam cenrios e equipamento de
[Cf. Apupo.]                            iluminao, servindo de passagem
                                        area para os maquinistas; local,
vale. Entrada de favor, isenta de pa-
                                        sempre protegido da vista da pla-
gamento de impostos.
                                        tia, onde so feitos os movimentos
vamp. Corista "fatal", provocante.      dos cenrios, quando suspensos
Abreviatura para vampira.               pelo urdimento; espcie de balces
vanguarda. V. Teatro de vanguarda.      estreitos utilizados pelos maquinis-
                                        tas para fazer subir ou descer, com a
vo wagneriano. Tradicionalmente,       ajuda de cordas, os elementos dos
o espao entre o proscnio e a pla-     cenrios; ponte mvel que estabe-
tia, reservado aos msicos; poo       lece a comunicao entre as passa-
da orquestra.                           relas direita e esquerda, no palco 
vara. 1. Elemento horizontal, de ma-    italiana.  Varanda de lastro. Local
deira ou metal, onde ficam pendura-     onde se colocam as caixas de con-
dos os panos, os refletores e os pr-   trapeso com as cargas adequadas
prios cenrios, que podem ser abai-     para cada vara; varanda de carrega-
xados ou levantados por meio de         mento.  Varanda de manobra. Bal-
cordas. As varas ficam presas ao        co instalado em toda a extenso
urdimento e so em nmeros ade-         do urdimento, onde so afixadas as
quados s necessidades do espet-       manobras. Na afinao ideal, a tra-
culo. 2. Tambm receberam por mui-      dio faz fixarem-se permanente-
to tempo essa denominao as loca-      mente, na da esquerda, as mano-
varandista                                                         vaudeville

bras das gambiarras. Existem tea-       (1829-1817). Outra vertente, cons-
tros com mais de uma varanda,           tituda de cnticos satricos e patri-
umas sobre as outras.                   ticos, admite ter sido seu criador
                                        o operrio Olivier Basselin (nasci-
varandista. Expresso fora de uso,
                                        do no Vau de Vire, c. 1850), com o
para identificar o tcnico da equi-
                                        objetivo puro e simples de externar
pe de maquinistas que opera exclu-
                                        a indignao e o repdio do povo
sivamente da varanda.
                                        francs contra os ingleses que pre-
variedades (show de). Categoria         tendiam invadir a Frana. Da
de espetculo ligeiro, na qual os g-   Normandia, o gnero teria corrido
neros se misturam, formando uma         o pas com o nome genrico de
colcha de "variedades" com trechos      Chants du vau de Vire, j na forma
de comdia, monlogos, canto,           de comdia, ornamentada com can-
dana, e at magia.                     es de crtica poltica ou aos cos-
                                        tumes, popularizando-se ento com
vaudeville. Gnero de comdia li-
                                        o nome de comdies meles de
geira, com intriga divertida e viva,
                                        vaudevilles, a partir do qual simpli-
em que se combinam canes, ge-
                                        ficou-se at atingir a forma que che-
ralmente compostas a partir de me-
                                        gou at ns. Qualquer que tenha
lodias simples e populares. Em sua
                                        sido sua origem, as caractersticas
forma original, o gnero misturou
                                        do gnero tomaram a forma defini-
ao espetculo nmeros de danas,
                                        tiva de comdia leve e divertida, que
cantos, exerccios acrobticos, tex-
                                        acabou competindo mais tarde com
tos humorsticos, monlogos,
                                        a comdia e a opereta, e finalmente
transfigurando-se, com o passar
                                        evoluiu para a comdia ligeira. Po-
dos tempos, numa comdia ligeira,
                                        pularizando-se nos teatros france-
ancorada na intriga e no qiproqu
                                        ses da segunda metade do sculo
e despida de qualquer pretenso
                                        XIX, recebeu a adeso de muitos
psicolgica, moral ou filosfica, em
                                        escritores famosos, entre eles
que a ao, de comicidade um tanto
                                        Eugne Labiche*, Georges
artificial e grosseira, passou a ocu-
                                        Courteline (1858-1929), Georges
par mais espao que o estudo de
                                        Feydeau*, etc. Chegou a ser um
caracteres. Originrio dos cnticos
                                        tipo de espetculo de variedades
satricos ou bquicos, o vaudeville
                                        muito difundido nos Estados Uni-
origina-se de vrias vertentes. Uma,
                                        dos, dos fins de 1890 at a dcada
remonta ao sculo XVIII, com
                                        de 1930. Composto de dez a quinze
Lesage (1668-1747) e Fuslier (?-?),
                                        nmeros, sem relao entre si, exi-
quando incorporam a nova lingua-
                                        biam cabar, musicais cmicos e
gem s comdias de sua autoria,
                                        dramticos, nmeros de acrobaci-
exibidas no Thtre de la Fore, que
                                        as, malabarismos, mgicas, "ho-
acabou dando origem  pera c-
                                        mens fortes", animais amestrados,
mica*, criada por Grtry (1713-1813),
                                        entre outras atraes.
Philidor (1726-1795) e Monsigny


                                    276
vazante                                                      Verdi, Giuseppe

vazante. Diz-se de espetculos que       veia cmica. Graa elegante de um
acontecem continuadamente com            autor ou ator, que sabe provocar o
casa vazia; falta de pblico.            riso com facilidade: "Artur Azevedo
                                         tinha uma veia cmica afiadssima";
vedete. 1. Expresso para qualificar,
                                         "Regina Cas tem uma veia cmica
especialmente no teatro de revista,
                                         inimitvel".
a figura feminina considerada a atriz
principal, quer pela beleza fsica,      velrio. Antigo toldo usado para co-
quer pelo talento para danar e can-     brir e resguardar da chuva e do sol
tar. 2. Por extenso, atriz que se so-   os teatros romanos. Transformou-
bressai num espetculo teatral; ve-      se mais tarde nas cortinas postas na
deta; estrela.                           boca de cena, que velavam o ambi-
                                         ente do palco aos olhos do especta-
vedetismo. Comportamento de ve-
                                         dor, antes do incio de qualquer fun-
dete; estrelismo.
                                         o, logo transformado na luxuosa
Vega, Lope de (Flix de Lope de Vega     cortina montada aps os regulado-
y Carpio, dito (1562-1635). O primei-    res de boca de cena, que se abre para
ro grande dramaturgo espanhol, pro-      os lados e  usada para o incio e o
vavelmente o escritor mais prolfico     encerramento do espetculo; corti-
da histria literria do Ocidente, au-   na nobre.
tor de uma obra que varia de 1.200 a
                                         vento. Expresso de caixa de tea-
1.500 peas teatrais. Teve vida sen-
                                         tro para identificar a necessidade de
timental muito agitada, mesmo de-
                                         abrir passagem: "Foi preciso dar um
pois de se ordenar sacerdote em 1613,
                                         vento para poder passar".
e vrias das mulheres com quem
manteve relaes amorosas influen-       ventriloquismo. Tcnica de falar sem
ciaram de alguma forma sua obra. Foi     mover os lbios, adquirida a partir
o criador da comdia de cunho naci-      de intenso treinamento em abafar a
onal, com elementos cmicos, trgi-      voz  sada da laringe, fazendo com
cos, dramticos, eruditos e popula-      que a fala parea vir de outra pessoa
res. Muitas de suas produes dra-       ou de um boneco, que normalmente
mticas se caracterizam pela vitali-     acompanha o artista/manipulador.
dade e pelo enredo intrincado, como      Arte ancestral, que remonta  anti-
Perbez y el comendador de Ocaa        guidade egpcia, ainda  uma forma
(1614), El caballero de Olmedo e         popular de entretenimento, tendo
Fuente ovejuna (1604). Entre suas        passado do Oriente para a Itlia, e
peas, ainda merecem destaque O          dali para a Espanha, de onde se es-
alcaide de Zalamea (1600) e La           palhou para o mundo; ventriloquia.
dorotea (1632).
                                         ventrloquo. O/a artista que pratica
vegete (). Na linguagem de caixa de     o ventriloquismo.
teatro, o tipo idoso no gnero farsa;
                                         Verdi, Giuseppe (1813-1901). Com-
papel de velho gaiato e ridculo.
                                         positor italiano, cuja obra dramti-


                                     277
verniz                                                         Viana, Renato

ca, desde as primeiras partituras,      vestimentas cnicas. Conjunto
sofreu constante evoluo. Sua          dos elementos cenogrficos e ce-
fama comeou a partir de sua parti-     notcnicos que criam o envoltrio
cipao na luta pela unificao e in-   do espao cnico e determinam a
dependncia da Itlia, o que se re-     caixa cnica.
flete na sua primeira pea sinfni-
                                        vus. Grandes telas transparentes,
ca, Nabuco (1841), onde exprime
                                        de tarlatana ou fil, lisas ou com
com maestria seus ideais polticos,
                                        desenhos, colocadas uma aps ou-
tema que volta em Rigoletto (1851).
                                        tra que, abertas uma a uma, do a
Sua nica comdia, Falstaff (1893),
                                        impresso de diluio da cena ou
escrita quando o compositor j era
                                        desabrochamento de um sonho.
idoso,  considerada a mais perfei-
ta de sua obra, juntamente com          Viana Filho, Oduvaldo (1936-
Otelo (1887). Smbolo da unidade        1974). Dramaturgo e ator, um dos
italiana, filho do romantismo, dra-     fundadores do Teatro de Arena*,
maturgo nato movido por um dina-        em So Paulo, e do Grupo Opi-
mismo constante, soube compor           nio*, no Rio de Janeiro. Entre
como poucos o recitativo dramti-       suas peas mais conhecidas, vale
co, os coros, a orquestra, o canto      salientar Chapetuba Futebol Clu-
expressivo e lrico. Os libretos de     be (1957), A longa noite de cris-
suas peras adaptaram enredos de        tal (1969), Rasga corao (1974),
dramaturgos clssicos, em particu-      uma das mais importantes obras da
lar Shakespeare* e Schiller.*           dramaturgia brasileira.
verniz. Lquido feito com uma mis-      Viana, Renato (1894-1953). Drama-
tura de breu branco e goma laca dis-    turgo e ator, foi o primeiro intelectu-
solvidos em ter, usado em carac-       al brasileiro a se insurgir contra a
terizao, para colar barbas, bigo-     mesmice do teatro nacional fiel a um
des, fixar cabeleiras e outros pos-     modelo portugus, de muito ultra-
tios ao rosto do intrprete.           passado. Nesse sentido, deu incio
                                        a um movimento de reao, valen-
verruma. Instrumento de ferro,
                                        do-se da ajuda de personalidades de
prprio para fixar as escoras maio-
                                        projeo, que participaram da Sema-
res no assoalho do palco.
                                        na de Arte Moderna (1922), entre elas
vesperal. Em algumas regies do         o compositor Heitor Villa-Lobos
Brasil, como no Maranho, espet-       (1887-1959) e o poeta e historiador
culo na parte da tarde. [Cf. Matin.]   da literatura brasileira, Ronald de
                                        Carvalho (1893-1935). Com eles, fun-
vestbulo. rea de entrada do pr-
                                        dou, ainda em 1922, a Sociedade dos
dio do teatro onde geralmente fi-
                                        Companheiros da Quimera, cujo ob-
cam as bilheterias, a sala de espera,
                                        jetivo, revelado ao ser "deflagrada"
o guarda-casaco, bombonires, etc.
                                        a Batalha da Quimera, era a implan-



                                    278
Viana, Renato                                                      Vicente, Gil

tao de um teatro brasileiro digno       meno em sua poca, conservando
da cultura artstica e intelectual na-    lugar de destaque na evoluo do
cional vigente. O movimento foi apre-     teatro brasileiro.
sentado ao pblico com o espetcu-
                                          Vicente, Gil (1465-1536). Dramatur-
lo A ltima encarnao de Fausto,
                                          go e poeta portugus, fundador do
de Goethe, nunca antes encenado
                                          teatro em seu pas. Gil Vicente  con-
em terras brasileiras, mostrando,
                                          siderado a maior figura da literatura
alm disso, "pela primeira vez no
                                          renascentista portuguesa, antes de
Brasil, o teatro de sntese, de aplica-
                                          Cames, e intrprete de duas po-
o da luz e do som como valores
                                          cas diferentes, pois sua obra teatral
dramticos, da importncia dos si-
                                          remonta  tradio dramtica medie-
lncios, dos planos cnicos e da di-
                                          val portuguesa, avanando at o te-
reo". Em 1936, por sua iniciativa,
                                          atro renascentista, sendo parte sig-
criou-se, no Rio de Janeiro, o Tea-
                                          nificativa da primitiva dramaturgia
tro-Escola, com subveno do Mi-
                                          peninsular, ao lado de espanhis
nistrio da Educao e Sade e da
                                          como Juan del Encina.* Realizou
Prefeitura da cidade. O fato, curio-
                                          uma obra original e variada, atacan-
samente, provocou protesto da clas-
                                          do desassombradamente as mazelas
se teatral, que no admitia esse tipo
                                          de todas as classes sociais de sua
de "regalia"  custa dos cofres p-
                                          poca, desde as do homem do cam-
blicos, e resultou num agitado pro-
                                          po ao rei e ao papa. Verdadeiro ho-
cesso contra o criador do Teatro-
                                          mem de teatro, acumulava as fun-
Escola, que ainda chegou a montar
                                          es de autor, ator e encenador. Es-
dois textos inditos seus, Sexo e
                                          crevendo em castelhano e em portu-
Deus, e que, tambm pela primeira
                                          gus, sua rica produo pode ser di-
vez na histria do teatro brasileiro,
                                          vidida em trs etapas: os autos, de
colocavam em cena temas polmi-
                                          enredo religioso; as tragicomdias,
cos, como a abordagem freudiana do
                                          de enredo patritico, mitolgico ou
indivduo, os tabus sexuais, o abor-
                                          de cavalaria; e as comdias e farsas,
to e o adultrio. Renato Viana foi tam-
                                          de temtica popular. Encarregado
bm o primeiro intelectual brasileiro
                                          das festas palacianas, desfrutou de
a divulgar no Brasil as teorias do Te-
                                          uma situao econmica bem cmo-
atro Livre  esttica formulada pelo
                                          da e propcia para garantir despreo-
francs Andr Antoine*  e a falar
                                          cupadamente sua longa produo
sobre Paul Fort (1872-1960),
                                          dramtica de 34 anos, desde sua pri-
Copeau*, Max Reinhardt (1873-
                                          meira pea Auto da visitao (1502),
1940), Gordon Craig*, Meyerhold*,
                                           representao de uma comdia em
Stanislavski*, etc. Apesar de a una-
                                          vora, intitulada Floresta de enga-
nimidade da crtica considerar suas
                                          nos. Destacam-se nessa numerosa
peas cerebrais, melodramticas e
                                          produo, obras como Auto da n-
falsas, malgrado mesmo a fraqueza
                                          dia (1509), Exortao da guerra
de sua dramaturgia, ele foi um fen-
                                          (1521), Farsa de Ins Pereira, (1523),


                                      279
Vidouchaka                                                                voz

Juiz da Beira (1525), Amadis de          so por suas tragdias carregadas de
Gaula (1533). Sua obra-prima  a         horror. Chegou a rivalizar com seu
Trilogia das Barcas, a Barca do in-      contemporneo Lope de Vega.* Sua
ferno (1516), a Barca do purgat-        obra mais importante  a epopia re-
rio, (1518) e Barca da glria (1519).    ligiosa El Monserrat (1587).
Vidouchaka. Personagem extico e         viver (o papel). Habilidade ou tcni-
bastante comum a um gnero de te-        ca que o intrprete desenvolvia, na
atro popular, surgido na ndia no s-    escola naturalista, para interpretar
culo XI.  representado por um ano      sua personagem o mais prximo
brmane, corcunda, com enormes           possvel da verdade. A historiografia
dentes, olhos amarelos e completa-       do espetculo aponta a atriz france-
mente calvo. Ridculo por suas ex-       sa Raquel, como podendo ser a pri-
presses, suas vestes e sua              meiro profissional do teatro a viver
glutonaria. Concupiscente e lbrico,     um papel, segundo essa tendncia
brincalho e grosseiro, surge espan-     esttica. Teria acontecido em uma
cando a todos e falando uma lingua-      pea de Jean Racine*, em janeiro de
gem desabrida.  uma espcie de ori-     1843. Os adeptos dessa escola de
gem e pai espiritual dos Polichinelos,   representar, submetem-se a uma ela-
Fantoccini, Karagoses, Joes-Redon-      borada construo dramtica, envol-
dos e Beneditos do mundo inteiro;        vendo pantomima e declamao. O
Vicouchaka.                              Mtodo* de Konstantin Stanisla-
                                         vski* leva a esse caminho naturalis-
vilo. A personagem malvada de
                                         ta de viver um papel.
uma trama.
                                         voz (estar em). Estado ideal do ator,
Virus, Cristbal de (1550-1609).
                                         ao estar na posse de todos os seus
Poeta e dramaturgo espanhol, famo-
                                         recursos vocais.




                                     280
Wagner, Richard (1813-1883). Com-       onde escreveu suas teorias revolu-
positor alemo, que se tornou expo-     cionrias sobre a arte, publicadas
ente do romantismo e produziu uma       nos livros A obra de arte do futuro
obra altamente revolucionria. Des-     (1850) e pera e drama (1851). Essa
de suas primeiras peras, que par-      nova viso da pera ele revela de
tem do romantismo de Weber e da         forma mais completa na tetralogia O
tradio sinfnica de Beethoven,        anel dos Nibelungos: O ouro do Reno
afastou-se radicalmente da concep-      (1854), As valqurias (1856), Siegfried
o italiana, rompendo, sem conces-     (1856/69) e Crepsculo dos deuses
so, com a pera convencional e         (1874), apresentadas pela primeira
concebendo o gnero como arte to-       vez em 1876, na inaugurao do Te-
tal que devia reunir num mesmo pla-     atro de pera de Bayreuth, que
no a msica, o teatro dramtico, a      Wagner projetou para atender a seus
dana e as artes plsticas, funda-      ideais dramtico-musicais, constru-
mentos que defende nos textos te-      do (1872/1876) graas  ajuda de
ricos, escritos quando de seu exlio    Lus II da Baviera. Ele volta a mos-
e postos em prtica pela primeira vez   trar seu novo conceito de pera nas
nas peras Tanhuser (1844) e           obras Tristo e Isolda (1859) e Os
Lohengrin (1848). Renunciando aos       mestres cantores de Nuremberg
floreios vocais, Wagner imps uma       (1862/67). Sua ltima obra foi Parsifal
ao musical contnua, intensifican-    (1877/1882). Adepto de um teatro
do a participao orquestral, alm de   mtico/simblico, chegou a uma fu-
valorizar a importncia do libreto      so estreita entre texto e msica, a
como fundamento do drama lrico.        uma unidade temtica criada pela ex-
Com nfase nos temas da mitologia       plorao do leitmotiv e por uma
germnica, tornou-se o precursor do     simbiose bem sucedida entre as vo-
nacionalismo alemo agressivo.          zes e os instrumentos. O cromatismo
Proscrito por ter participado da re-    de Tristo e Isolda  o ponto de par-
voluo de 1846, em Dresden, onde       tida da msica do sculo XX, influen-
exercia a funo de regente da corte,   ciando compositores como Saraus,
viajou por Zurique, Veneza e Paris,     Mahler, Debussy e Schnberg, que

                                    281
Weill, Kurt                                              Williams, Tennessee

partiu das inovaes wagnerianas para    todas de autoria de Brecht. Musi-
desenvolver a msica atonal e            cou tambm outros dramaturgos, e
dodecafnica.                             autor da trilha sonora do filme
                                         Street scene, do dramaturgo, dire-
Weill, Kurt (1900-1950). Msico
                                         tor de teatro e tambm de cinema
e compositor alemo, naturalizado
                                         Elmer Rice (1892-1967). Levando s
americano depois da ascenso do
                                         ltimas conseqncias sua concep-
nazismo na Europa, e cuja maior am-
                                         o popular e comunicativa da m-
bio foi tirar a pera de sua fase
                                         sica, utilizou diversos ritmos, des-
romntica, gua-com-acar, tornan-
                                         de o lrico e jazzstico, at ritmos de
do-a mais inteligente, socialmente
                                         salo de dana. Criador da
agressiva e didtica, objetivo que
                                         Singspiel, pea em que se interca-
conseguiu atingir ao se juntar a
                                         lam canes e cenas faladas. Aca-
Bertholt Brecht* (1926), com quem
                                         bou sendo cruelmente perseguido
passou a trabalhar estreitamente a
                                         pelos nazistas durante a II Guerra
partir da montagem da pera dos
                                         Mundial, tendo que deixar a Ale-
trs vintns, adaptao da pera
                                         manha em 1933, indo morar nos Es-
dos mendigos (1728), de Gay.* An-
                                         tados Unidos, onde viveu at 1935.
tes de seu encontro com Brecht*,
Weill trabalhou como maestro da          Weiss, Peter (1916-1982). Dramatur-
pera de Westflia, comps vrias        go sueco de origem alem. Militante
obras instrumentais, realizando ex-      poltico, insistia na idia de que todo
perincias com msica atonal, per-      intelectual s justificaria sua obra
odo em que desenvolveu intensa           atravs do comprometimento polti-
atividade com as propostas de            co. Realizou um teatro engajado, for-
Schnberg. Abandonou, depois de          temente ligado a Brecht*, merecen-
algum tempo, as concepes ditas         do destaque A perseguio e o as-
de vanguarda, retornando ao siste-       sassinato de Jean Paul Marat (1964)
ma tonal e s funes meldicas, que     e O interrogatrio (1965).
o levariam definitivamente s msi-
                                         Williams, Thomas Lanier Williams,
cas cnicas. Assim, comps msi-
                                         dito Tennessee (1911-1983). Drama-
cas para o bal infantil russo, quan-
                                         turgo norte-americano. Produziu
do, de sua visita a Berlim em 1926,
                                         uma obra de grande impacto social e
trabalhou com o poeta expressionis-
                                         intensidade emocional, discutindo,
ta Georg Kaiser (1878-1945) na reali-
                                         em textos densos, a Amrica da vio-
zao da pera O protagonista. Foi
                                         lncia, do radicalismo religioso, da
nessa poca que encontrou a forma
                                         crueldade social, do sexo e do so-
definitiva de sua arte, cuja primeira
                                         nho desfeito. Defendendo um "tea-
manifestao seria Ascenso e que-
                                         tro destinado a fazer ver e a fazer
da da cidade de Mahagonny (1927),
                                         sentir", usando de muito talento e
seguindo-se A pera dos trs vin-
                                         uma linguagem original, constri
tns (1928), Final feliz (1928), Aque-
                                         seres sensveis, apesar da instabili-
le que diz sim (1930), entre outras,


                                     282
Wilson, Bob                                                         workshop

dade marcante no carter de seus         quem o autor teria ensinado a falar, e
tipos, ora acossados pela solido,       que repete no palco a sua cura e re-
ora pelo fracasso, que tentam esque-     educao. Seus textos e espetcu-
cer com sonhos vos sobre o futuro       los, muitos deles com durao de
e o passado. Com  margem da vida        tempo fora dos parmetros tradicio-
(1945), recebeu o Prmio do Crculo      nais, apresentam sempre as mesmas
dos Crticos da Cidade de Nova York.     caractersticas de envolvimento fas-
Com Um bonde chamado desejo,             cinante, atravs da imagem. O olhar
anlise implacvel da desintegrao      do surdo, por exemplo, teve a dura-
mental de uma mulher, ganhou o pri-      o de sete horas em Nancy e cinco
meiro Prmio Pulitzer, que lhe veio      em Paris (sem incluir as quatro ho-
s mos, uma segunda vez, em 1955,       ras do prlogo). KA montain and
com Gata em teto de zinco quente.        guardenia terrace, apresentado
Entre sua produo, pode ainda des-      numa colina no Festival de Chiraz,
tacar-se Calor e fumaa (1948), A        no Ir, em 1972, demorava oito dias
rosa tatuada (1950), De repente no       e oito noites. Em Paris, Ouverture
ltimo vero (1958), O doce pssa-       foi apresentada durante seis dias em
ro da juventude (1959), A noite do       sesses que iam do meio-dia  meia-
iguana (1961).                           noite e, em seguida, na pera Cmi-
                                         ca, durante vinte e quatro horas
Wilson, Robert, dito Bob (1941-1234)
                                         ininterruptas. Sua companhia, a
Terico de uma forma total de tea-
                                         Byrds, reunia pessoas de todas as
tro. Mudo at os 17 anos de idade,
                                         idades, de todas as origens sociais
exprimia-se atravs da pintura, ativi-
                                         e raciais, que formavam uma espcie
dade que exerceu at 1965. Quando
                                         de comunidade espiritual, para a qual
se preparava para entrar no curso
                                         a prtica teatral constitua mais o
de arquitetura, uma bailarina con-
                                         aprofundamento de uma tica do que
vence-o de que seu mutismo no era
                                         uma atividade esttica. Ao longo de
uma doena originria de deforma-
                                         suas excurses internacionais, Bob
o fisiolgica, mas de um
                                         Wilson inclua ao seu elenco atores
traumatismo emocional: trs meses
                                         das localidades por onde passava.
depois desse encontro, ele comeou
a falar. Seu teatro  extraordinaria-    workshop. Designao que rece-
mente influenciado por esse pero-       beram, nos Estados Unidos e In-
do de sua vida, onde a palavra , ou     glaterra, as diversas escolas tea-
totalmente proscrita, ou despojada       trais de vanguarda, a partir de G. P.
de sua habitual funo. Seu primei-      Baker (1866-1935), da Universida-
ro espetculo que chamou a aten-         de Harvard, que funcionou de 1905
o do pblico, em primeiro lugar na     a 1924. A partir da, comearam a
Frana e logo depois na Europa in-       aparecer outras oficinas pelo mun-
teira, foi O olhar do surdo inteira-     do inteiro, sendo que as que mais
mente mudo, que tinha como ator          se destacaram foi o Dramatic
principal um artista negro jovem, a      Workshop, fundado em 1940 e diri-


                                     283
workshop                                                 Worttondrama

gido por Erwin Piscator*, e o        Worttondrama. Palavra alem, cria-
Theater Workshop, de Littlewood,     da por Richard Wagner*, para de-
que apareceu em 1954. A expres-      signar uma narrativa musical cont-
so  tambm usada para identifi-    nua e essencialmente dramtica,
car cursos de teatro que objetivem   com a qual o compositor pretende
estreitar o contato entre o espec-   criar uma nova atitude musical e
tador e o teatro.                    teatral. Literalmente, em alemo,
                                     palavra/som/drama.




                                 284
Zanni. Criado, ora esperto e malici-   amor, de Lope de Veja*, com msica
oso, ora bonacho e estpido, em       de autor desconhecido, apresenta-
qualquer situao gluto, figura po-   da em 1629, seguindo-se El jardin
pular e obrigatria no elenco da       de Falerina, de Caldern de La Bar-
Commedia dell'Arte. Usava sem-         ca*, estreada na presena dos reis
pre uma meia-mscara feita de cou-     espanhis, na Casa de Recreio La
ro, barba descuidada, chapu de        Zarzuela, sendo que, a partir de en-
abas largas, e, na cintura, uma ada-   to, tais gneros de espetculos pas-
ga de madeira.  provvel que seu      saram a receber a denominao de
nome seja uma reduo de               Fiestas de Zarzuela, para logo em
Giovanni, aparecendo sob dife-         seguida reduzir-se para zarzuela. Foi
rentes variantes: Zannoni, Zan,        largamente cultivada pelos drama-
Sanni. Outra etimologia leva  pa-     turgos mais significativos da poca.
lavra grega sannos, bobo, e ao la-
                                       zarzuelista. Autor de zarzuelas.
tim sannio, pantomimeiro.
                                       Zibaldoni. Repertrio de canovacci*
zarzuela. Espcie de pera cmica
                                       da Commedia dell'Arte, elaborado
espanhola, em que eram alternados
                                       por famosos comediantes, nos
os cantos e a declamao. Origina-
                                       quais figuram falas, definies, pi-
da das antigas composies musi-
                                       adas, anedotas, e at mesmo pe-
cais intercaladas nas representa-
                                       quenos trechos de dilogos que
es dramticas dos sculos XV e
                                       serviam de guia para diversas com-
XVI,  cantada geralmente pelas
                                       panhias, em diferentes pocas da
atrizes. A primeira pea digna des-
                                       Histria do Espetculo.
se nome foi a gloga La selva sin




                                   285
                      CRONOLOGIA
  de acontecimentos influentes na formao da cultura teatral



581 a 560 a. C.  Data provvel da criao do primeiro coro cmico,
inventado em Atenas, pelo poeta Susrion, originrio da Icria.
543 a. C.  Realiza-se a primeira Grande Dionisaca, organizada por
Pisstrato, em Atenas, na qual o primeiro prmio coube a Tspis,
considerado historicamente o primeiro poeta trgico.
185 a. C.  Nasce o comedigrafo latino Publius Terentius Afer,
cujo refinado realismo e humor influenciaram mais tarde a comdia
de costumes.
55 a. C.  Pompeu manda construir o primeiro teatro permanente de
Roma, instalado no Campo de Marte.
1460 (ou 1465)  Nasce em Guimares (ou Barcelos) o dramatur-
go portugus Gil Vicente, a maior figura da literatura renascentista
de seu pas, antes de Cames. Estreou na literatura dramtica em
1502, com o Monlogo da visitao.
1562  Nasce Lope de Vega, em Madri.
1564 (23 de abril)  Nasce, em Stratford-on-Avon, ou apon-Avon,
Inglaterra, o dramaturgo William Shakespeare.
      em Canterbury, Inglaterra, nasce o dramaturgo Christopher
Marlowe.
1576  O ator ingls James Burbage constri em Londres The
Theatre, a primeira casa de espetculos da Inglaterra.
1580  Inaugurao do Teatro Olmpico, em Vicenza, Itlia, o pri-
meiro edifcio teatral inteiramente coberto do mundo. Projeto do ar-
quiteto Andrea di Puerto, o Palladio, como era mais conhecido em
sua poca, foi dotado de um cenrio fixo no palco, construdo em
                             CRONOLOGIA


perspectiva e representando ruas e palcios. A rea destinada para a
platia, em forma de anfiteatro, revela influncia tanto da velha Grcia
como de Roma antiga e da Idade Mdia.
1597   apresentada a pera Daphne, para um pblico privado, no
Palcio Pitti, em Florena, Itlia. De autoria de Jacopo Peri, com
libreto do poeta Ottavio Rinuccini, foi a primeira obra no gnero.
c. 1600  Em Florena, Itlia, acrescenta-se msica  tragdia de
inspirao lrica, surgindo da o melodrama.
1616 (23 de abril)  Morre William Shakespeare.
1628  Inaugurado em Parma, Itlia, o Teatro Farnese, projetado
pelo arquiteto Giovanni Battista Aleotti, cuja originalidade foi sua es-
trutura, onde j estava determinado o lugar do espectador, destacan-
do-se uma enorme escadaria reservada, em princpio, para o prnci-
pe, seus convidados e a corte. A platia era livre, como o espao de
uma praa onde se realizavam torneios.
1637  Inaugurado o Teatro San Cassiano, em Veneza, Itlia, que
abrigar tambm espetculos de pera.
1642  Triunfantes nas eleies, os puritanos ingleses, que conside-
ram o teatro uma atividade imoral, mandam fechar, por decreto go-
vernamental, todos os teatros do Reino Britnico e demolir alguns
edifcios.
1651   inaugurado em Npoles, Itlia, o primeiro teatro dedicado
exclusivamente  pera.
1680  Por determinao de Lus XIV,  criada, no ms de agosto, a
Comdie Franaise, da fuso da troupe do Hotel de Bourgogne
(especializada no repertrio trgico) e a do Hotel de Gungaud
(mais ligada ao repertrio cmico). O plano do Rei Sol era o de dotar
a Frana de uma instituio nica, encarregada da manuteno e do
enriquecimento do repertrio dramtico nacional, com a misso de
preservar a cultura tradicional da Frana.
1707 (25 de fevereiro, Tera-Feira de Carnaval)  Nasce, em
Veneza, Carlo Goldoni, que se tornaria o maior comedigrafo italiano.
1749   reprisada no Teatro San Angelo, em Veneza, Itlia, a
comdia de Carlo Goldoni, A viva astuciosa, que provocaria me-


                                  288
                        UBIRATAN TEIXEIRA


morvel polmica, de treze anos de durao, contra o ex-jesuta Pietro
Chiari, e que terminou suscitando as iras da Inquisio contra os dois
autores.
1763  Nasce, em Paris, o ator trgico francs Franois-Joseph
Talma.
1778  Inaugura-se em Milo, Itlia, o Teatro Alla Scalla, projetado
e construdo pelo arquiteto Giuseppe Piermarini, at hoje um dos mais
clebres e importantes do Ocidente. Serviu de modelo para centenas
de outros edifcios, criando um novo conceito de palco, conhecido
pelo nome de "palco  italiana".
1803  Nasce, no Rio de Janeiro, Joo Caetano dos Santos, que se
tornaria empresrio, ator, dramaturgo e terico, fundador da primeira
companhia de teatro brasileira.
1815  Nasce em Paris Eugne Labiche, comedigrafo francs,
mestre do vaudeville, que levou ao apogeu esse gnero de comdia
ligeira.
1828  Nasce em Cristinia, Noruega, o poeta e dramaturgo Henrik
Ibsen, um dos pioneiros do teatro moderno e autor de algumas peas
consideradas precursoras do teatro expressionista, entre elas Peer
Gynt e Brandt.
1829 (15 de janeiro)   criada a Sociedade do Teatrinho da Rua
dos Arcos, a mais antiga sociedade de teatro amador conhecida no
Brasil, inaugurada com o drama O desertor francs. Foram 50 os
seus membros fundadores. Em maio do ano seguinte (1830), pouco
antes da abdicao do Imperador Pedro I, realizam um espetculo
de gala sob o ttulo Ministrio constitucional.
       15 de maio  Pelo aviso n 88, S. M. o Imperador probe os
estudantes de Direito de So Paulo de realizar representaes tea-
trais durante o perodo de aulas, mesmo em teatro particular.
       21 de junho  Pelo aviso n 123, ficava proibida a encenao
de peas no Teatro So Pedro, "sem o prvio exame do
desembargador encarregado do expediente da Intendncia Geral da
Polcia".
1833  Nasce o dramaturgo gacho Jos Joaquim de Campos Leo,
Qorpo-Santo, precursor do Teatro do Absurdo que viria a ser prati-

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                            CRONOLOGIA


cado por Beckett, Ionesco, Pinter, entre outros, no comeo do sculo
XX. Indito em vida, sua obra foi revelada na dcada de 60 do scu-
lo passado, pelo pesquisador Guilhermino Csar.
       Nasce na Itlia o grande ator trgico Tommaso Salvini.
1839  Nasce, no Rio de Janeiro, Joaquim Maria Machado de Assis,
que viria se tornar o mais importante crtico de teatro de seu tempo e
autor de algumas obras dramticas, entre elas o clssico Antes da
missa.
1841   criada, em So Lus, a Sociedade Dramtica Maranhense,
que deu impulso invulgar  arte dramtica na capital do Maranho.
1849  Nasce em Estocolmo, Sucia, o dramaturgo August
Strindberg, precursor do expressionismo no teatro. Dotado de talen-
to universal, teve vida atormentada, chegando algumas vezes aos
limites da insanidade. Mais conhecido como dramaturgo fora de seu
pas, poucos escritores so to subjetivos quanto Strindberg e, quase
sempre,  difcil separar sua vida da prpria obra, constituda de cer-
ca de oitenta volumes.
1857  Estria, em novembro, a pea O demnio familiar, de Jos
de Alencar.
1858  Pelo decreto n 2.294, de 27 de outubro, ficam aprovados os
estatutos da Imperial Academia de Msica e pera Nacional, sendo
um de seus objetivos "preparar e aperfeioar artistas nacionais me-
lodramticos".
       Ano provvel da estria da primeira opereta bufa da Hist-
ria, Orfeu nos infernos, de Jacques Offenbach.
1859  Ano provvel do aparecimento da primeira revista do ano
brasileira, As surpresas do sr. Jos da Piedade, atribuda a
Figueiredo Novaes.
        inaugurado no Rio de Janeiro o Alcazar Lyrique, o pri-
meiro caf-concerto brasileiro, que se tornou, na poca, o templo da
pera no Brasil.
1868 (6 de agosto)  Nasce em Villeneuve-sur-Fre, Aisne, Fran-
a, o poeta e dramaturgo Paul Claudel.



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                        UBIRATAN TEIXEIRA


1875  Inaugura-se na Frana a pera de Paris, segundo projeto do
arquiteto Charles Garnier, tornando-se o exemplo arquitetnico mais
exuberante e requintado da histria do teatro  italiana.
1876   construdo e inaugurado na cidade de Bayreuth, Alema-
nha, o Festspielhaus, teatro projetado pelos arquitetos Brueckwald
e Semper, primeira tentativa arquitetnica para modificar o modelo 
italiana das casas de espetculos. Sob a influncia das idias revolu-
cionrias de Wagner, referente  cena e  arquitetura teatral, a sala
deixa de ser em forma de ferradura, transformando-se num anfitea-
tro com a acstica melhorada e permitindo melhor visibilidade, por
ser em degraus. Os balces, frisas e camarotes laterais so elimina-
dos, ficando s os balces de fundo. As luzes da platia, que at
ento continuavam acesas, passam a ser apagadas quando o espet-
culo se inicia e a orquestra ganha o fosso, providncias que permi-
tem melhor concentrao do espectador no espetculo.
1878  Thomas Edison inventa a lmpada eltrica incandescente,
que muda radicalmente o conceito de cenrio e estilo, na representa-
o.
1880  A iluminao eltrica  adotada na maioria das salas de es-
petculo, na Europa.
1882 (30 de setembro)  Nasce Leopoldo Fres, ator dramtico
brasileiro que, na imprensa, em que tambm atuou, se notabilizou
com o pseudnimo de Joo da Ega.
1886  O duque Jorge de Saxe Meiningem funda uma companhia
permanente de teatro, com o objetivo de reestruturar as bases vigen-
tes na organizao, interpretao e encenao teatrais.
1887  Andr Antoine funda em Paris o Teatro Livre, cujo principal
objetivo era o de libertar a cena francesa da escravido do dinheiro,
da censura e dos chamados autores de sucesso. Teatro-Escola para
uso dos comediantes e renovadores da esttica, a servio dos escri-
tores experimentais, o Teatro Livre encenou, da data de sua funda-
o at 1896, 124 textos de autores inditos, ou jovens dramaturgos
rejeitados pelos diretores das salas tradicionais. Com o apoio do cha-
mado grupo naturalista e realista  Zola, os Goncourt, Alphonse
Daudet , que lhe confiavam suas obras, a companhia teatral de
Antoine define "regras de interpretao repentista e verdadeira, im-


                                 291
                           CRONOLOGIA


pregnada de realidade", que finalmente reintroduz a sobriedade de
expresso e naturalidade na cena francesa.
1888  Nasce em Porto Alegre, Brasil, o dramaturgo e animador de
teatro lvaro Moreyra, fundador do Teatro de Brinquedo, que mui-
to contribuiu para a renovao do teatro brasileiro.
        criado na Frana, por Signoret, o primeiro teatro de mari-
onetes literrias, O Pequeno Teatro, instalado na Sala Vivienne. Com
vida muito curta, obteve resultados bem curiosos, representando
Cervantes, Aristfanes, Shakespeare, mistrios e lendas bblicas.
1889  Nasce em Maison-Laffitte o poeta, dramaturgo, cineasta e
desenhista Jean Cocteau, cuja vasta obra ainda hoje  muito apreci-
ada no Ocidente.
1890  Paul Fort funda, em Paris, o Thtre d'Art, para combater o
naturalismo de Andr Antoine e impor a esttica do simbolismo.
       Andr Antoine publica seu terceiro ensaio sobre teatro, Le
thtre libre, onde rene o essencial de suas idias sobre a encena-
o e a representao.
1892  Nasce em Nova York o dramaturgo, terico e encenador
Elmer Rice, detentor, em 1929, do Prmio Pulitzer, com a pea Street
scene.
1893  Nasce o diretor de teatro alemo Erwin Piscator, ligado ao
teatro documentrio e pico, ativista comunista, com idias pacifis-
tas. Influenciou profundamente a obra de Bertholt Brecht e na dca-
da de 20, em Berlim, Alemanha, fez uma experincia pioneira, em-
pregando a projeo de filmes nos espetculos, usando para tanto
grandes aparatos cinematogrficos.
       Lugn-Poe funda o Thtre de l'Oeuvre.
1895 (14 de fevereiro)  Estria no Teatro St. James, em Londres,
Inglaterra, a ltima comdia escrita por Oscar Wilde, The importance
of being earnest, conhecida no Brasil pelas tradues A importn-
cia de se chamar Ernesto e A importncia de ser prudente.
      Adolph Appia publica o ensaio La mise-en-scne du drame
wagnrien.



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                        UBIRATAN TEIXEIRA


1896  Encenao de Ubu rei, de Alfred Jarry, no Thtre de l'Oeuvre,
em Paris. Considerada precursora do teatro moderno universal, de-
sencadeou acirrada polmica a partir dos comentrios cidos de Lugn-
Poe.
      Nasce em Marselha, Frana, o poeta e dramaturgo francs
Antonin Artaud.
1898 (10 de fevereiro)  Nasce em Augsburg, Alemanha, Bertholt
Brecht, criador de uma nova e revolucionria linguagem dramtica
que influenciou grande parte do teatro ocidental.
       Nasce em Ivelles, Bruxelas, o dramaturgo Michel de
Gelderod, cujo nome de batismo era Adolphe Martins.
       Konstantin Stanislavski funda o Teatro de Arte de Moscou,
que lana as peas de Anton Tchekhov.
       Encenao de A estrada de Damasco, de August Strindberg,
espetculo precursor do expressionismo no teatro.
1904  O ator e terico do teatro alemo Georg Fuchs (1868-1949)
publica A cena do futuro, onde ataca o naturalismo, defendendo o
princpio de que o teatro deve conservar o seu carter de jogo, e que,
como representao, no deve iludir o pblico, mostrando ser o que
no , mas afirmar o carter emocional da representao dramtica.
1905  G. P. Baker cria, na Universidade Harvard, a primeira ofici-
na (workshop) de arte dramtica do mundo. Funciona at 1924.
       Gordon Craig publica sua obra fundamental, De l'art du
thtre.
1906  Nasce em Dublin, Irlanda, Samuel Beckett, um dos mais
importantes autores do chamado Teatro do Absurdo, Prmio Nobel
de Literatura em 1969.
1907   construdo em Munique, Alemanha, o Knstler-Theater
(Teatro dos Artistas) onde seriam colocadas em prtica as idias de
George Fuchs (1868-1949).
1908  Morre no Rio de Janeiro, onde viveu a vida inteira, o crtico
teatral e dramaturgo Machado de Assis.




                                 293
                            CRONOLOGIA


1910  Nasce em Paris, no dia 19 de dezembro, o dramaturgo e
"poeta maldito" Jean Genet.
1912  Nasce em Recife, Pernambuco, Nelson Rodrigues, que viria
a revolucionar a literatura dramtica nacional, ao fugir do modelo
francs que dominava o cenrio teatral brasileiro. Pioneiro e radical
na sua postura, suas peas refletem com crueza a condio humana,
a partir de tipos extrados da paisagem urbana, particularmente da
sociedade carioca.
        A convite de Stanislavski, Gordon Craig vai a Moscou para
dirigir Hamlet, com o elenco do Thtre d'Art.
       Nasce, a 23 de novembro, em Slatima, Romnia, o drama-
turgo Eugne Ionesco.
1913  Intelectuais e tericos italianos publicam o manifesto O tea-
tro de variedades, que serviu de lanamento para o Movimento
Futurista, o qual afirmava que o espetculo deve possuir uma excita-
o ertica, provocar um estupor imaginativo, e o pblico no pode
ficar passivo. Representa uma proposta de ruptura com o "teatro
dramtico".
       Construo, em Paris, do Thtre des Champs-Elyses,
equipado com o primeiro palco plano do teatro francs. At ento,
os palcos eram inclinados, para facilitar a viso do pblico, o que
gerou as expresses subir e descer, ainda hoje usadas na marca-
o de cena.
        O ator, diretor e terico do teatro Jacques Copeau funda, na
Frana, o Thtre du Vieux Colombier e a Companhia dos Quinze.
Sob sua orientao, o cengrafo Francis Jourdain elimina a ribalta
nessa casa de espetculos, um dos elementos mais tradicionais do
palco  italiana, unindo palco e platia por uma escada. Copeau sim-
plificava ao mximo os cenrios de seus espetculos, evitando re-
construir arqueologicamente o lugar da ao dramtica, usando a luz
para sugerir a atmosfera, e os figurinos para ressaltar a personagem.
1914  Nasce em Columbus, Mississippi, Estados Unidos, o drama-
turgo Tennessee Williams.
1915  Os futuristas italianos lanam um segundo manifesto intitulado
Teatro futurista e sinttico, defendendo a idia de um "teatro


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                        UBIRATAN TEIXEIRA


atcnico, dinmico, simultneo, autnomo, algico, irreal e sinttico",
onde o pblico tem que deixar de ser passivo, razo por que a cena
deve invadir a platia. Pampolini, cengrafo e terico, aproveita a
onda e lana tambm seu Manifesto da cenografia futurista, onde
naturalmente nega os princpios do naturalismo e a reconstruo his-
trica, admitindo que a cenografia deve fazer parte do espetculo,
acompanhando a forma dinmica do espetculo: "A cena deve viver
a ao teatral na sua sntese dinmica, deve exprimir, como o ator
exprime e vive em si mesmo e de maneira imediata a alma da perso-
nagem concebida pelo autor".
1918  Stanislavski organiza um Stdio de pera, com o objetivo de
aproximar a experincia por ele desenvolvida no Teatro de Arte de
Moscou sobre a interpretao, com o setor lrico do Teatro Bolshoi,
dando incio a um fecundo centro de estudos e pesquisas prticas,
fundamentado na anlise das relaes cantor-ator.
1922  Acontece a Semana de Arte Moderna, no Brasil, que teo-
ricamente desperta desejos de mudana na rea teatral. Nesse ano,
o Brasil recebe pela primeira vez a visita da famosa companhia
francesa de revista, Bataclan, dirigida por Madame Rusimi, res-
ponsvel pela estilo bataclnico das vedetes, com as pernas des-
pidas das antiquadas meias grossas, obrigatrias s bailarinas do
gnero. Da segunda vez que visitou o pas, nesse mesmo ano, veio
com o elenco da companhia a famosssima vedete do Folies
Bergres, Mistinguett.
          O dramaturgo, encenador e empresrio teatral Renato Viana
junta-se ao compositor Villa-Lobos e ao poeta e ensasta Ronald de
Carvalho, para fundar a Sociedade dos Companheiros da Quimera,
cujo objetivo, revelado ao ser "deflagrada" a Batalha da Quimera,
era a implantao de um teatro brasileiro digno da cultura artstica e
intelectual nacional vigente.
1924  Pampolini, na Itlia, lana o segundo manifesto da cenogra-
fia futurista, A atmosfera cnica futurista, onde prope que nos
prximos tempos o espao cnico seja polidimensional e
poliexpressivo, ou seja: represente a unio das quatro dimenses do
espao teatral atravs de uma cena-sntese, uma cena-plstica e uma
cena-dinmica.



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                             CRONOLOGIA


1925  O Teatro antipsicolgico abstrato, de Pampolini, na Itlia,
prope a eliminao radical da criatura humana no espetculo.
1926  Antonin Artaud publica na Nouvelle Revue Franaise um
manifesto onde defende o princpio de que o teatro no dever ser
mera "representao".
1927  lvaro e Eugnia Moreyra fundam, no Rio de Janeiro, o
Teatro de Brinquedo, cujo elenco  formado por senhores e senho-
ras da chamada alta sociedade carioca, com o objetivo de praticar
um teatro que pudesse fazer "sorrir e pensar" ao mesmo tempo. O
elenco encenaria autores jovens, e o projeto daria guarida a progra-
mas de pantomima, musicais, apresentao de lendas brasileiras,
poetas declamando seus poemas, msicos tocando suas msicas,
"uma brincadeira de pessoas cultas, servindo aos que tm curiosida-
de intelectual". No manifesto de lanamento da idia, lvaro e
Eugnia informavam que "a mise-en-scne  de brinquedo e acha-
mos melhor acabar com a marcao: cada um fica e faz como me-
lhor entender, mesmo que atrapalhe os demais da companhia. O que
importa  o Teatro; a ordem, o mtodo; a disciplina anula a expres-
so que s o instinto sabe criar". A casa de espetculos tinha 180
lugares e foi inaugurada com a pea Ado, Eva e outros membros
da famlia, de lvaro Moreyra e vinte dias depois estria O espet-
culo do arco-da-velha, que  uma colagem de esquetes onde "m-
sicos tocam suas msicas, poetas declamam suas poesias e atores
exibem pantomimas de sua criao".
       Antonin Artaud funda, em companhia de Vitrac, o Teatro
Alfred Jarry.
1929  Erwin Piscator funda, com Hermann Schller, o Teatro Pro-
letrio, que servir para difundir sua idia de um Teatro Poltico, onde
a palavra arte, smbolo da manifestao burguesa, deveria ser elimi-
nada: "O teatro  poltica,  conscincia, e por isso deve mostrar a
luta de classe e sua misso revolucionria".
       Ricardi, um dos lderes do movimento futurista, na Itlia, cria
o Teatro da Cor, onde prope que a cor funcione como personagem
autnoma.




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                        UBIRATAN TEIXEIRA


       Walter Gropius funda, na Alemanha, a Bauhaus (casa de
construo), escola voltada para a formao, pesquisa e reflexo no
campo das artes visuais  arquitetura, urbanismo, pintura, escultura,
desenho industrial e teatro.
1930   fundada em So Paulo a Associao de Artistas Brasilei-
ros, que passa a ser dirigida pelo grande entusiasta do teatro Celso
Kelly, e formada por Brutus Pedreira, Santa Rosa, Maria Luiza
Barreto Leite, Agostinho Olavo, Gustavo Dria, Eugnia e lvaro
Moreyra.
1931  Cheryl Crawford, Harold Clurman e Elia Kazan fundam nos
Estados Unidos o Group Theater, que mais tarde se transformaria
no Actor's Studio, responsvel pela transformao da tcnica e for-
ma de representar dos atores americanos, influenciando enormemente
o resto do Ocidente.
1932 Antonin Artaud publica, no ms de outubro, o primeiro mani-
festo do Teatro da Crueldade, onde proclama sua determinao de
diminuir a importncia do dramaturgo em favor do diretor.
1933  Nasce em Rzesnow, Polnia, Jerzy Grotowski, fundador de
um Teatro-Laboratrio em Opole (1959), dedicado ao ator e  pes-
quisa teatral. Em 1968, ele exps seu pensamento no livro Em busca
de um teatro pobre, de onde surge o Mtodo Grotowski para a for-
mao do ator.
        O arquiteto e artista plstico brasileiro Flvio de Carvalho
funda, em So Paulo, o Teatro da Experincia, logo proibido pela
polcia do ditador Getlio Vargas, apesar do protesto de artistas e
intelectuais.
1936  Stanislavski publica A preparao do ator, que diz respeito
ao trabalho interior do artista, particularmente do ator, exercitando o
seu esprito e sua imaginao segundo sua teoria da representao,
que ficou conhecida pelo nome de Mtodo.
        O dramaturgo e animador de teatro brasileiro Renato Viana
cria, no Rio de Janeiro, o Teatro-Escola, com subveno do Minist-
rio da Educao e Sade e da Prefeitura da cidade, provocoando
protesto da classe teatral, que no admitia esse tipo de "regalia" 
custa dos cofres pblicos.


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                            CRONOLOGIA


1937 (26 de dezembro)   publicada a lei n 92, criando o Servio
Nacional do Teatro, SNT, do Ministrio de Educao e Sade. Seu
primeiro diretor  o dramaturgo Abadie Faria Rosa.
1938  Fundado em So Paulo o grupo Os Comediantes, extenso
da Associao de Artistas Brasileiros, que se prope desenvolver
um movimento de renovao esttica da cena nacional. A estria s
aconteceu no ano seguinte (1939) com a comdia A verdade de
cada um, de Pirandello, dirigida por Adauto Filho.
        Antonin Artaud publica, na Frana, O teatro e seu duplo,
inspirado essencialmente no teatro tradicional de Bali e na cultura
dos ndios mexicanos. A partir de 1968, a obra transforma-se na bblia
dos novos encenadores ocidentais, influenciando, at nossos dias, a
esttica da encenao.
        Morre, no ms de agosto, o terico e diretor russo Konstan-
tin Stanislavski.
1941  Chega ao Brasil, no ms de setembro, fugindo da guerra na
Europa, e da perseguio nazista aos judeus, o encenador polons
Zbiegniew Ziembinsky, que se tornaria o responsvel pela grande
renovao esttica e modernizao do espetculo no Brasil.
1943 (28 de dezembro)  Encenada a pea Vestido de noiva, de
Nelson Rodrigues, pelo grupo Os Comediantes, no Teatro Munici-
pal do Rio de Janeiro. Dirigida por Ziembinski, com cenrios de
Santa Rosa, configurou-se no marco inicial do moderno teatro brasi-
leiro, revolucionando o panorama da dramaturgia e da encenao
teatral no pas.
1945 (17 de setembro)  O decreto-lei n 7.958, assinado pelo pre-
sidente Getlio Vargas, cria o Conservatrio Nacional de Teatro, li-
gado  Universidade do Brasil.
1947  Em outubro, nos Estados Unidos, Elia Kazan, Cheryl Crawford
e Robert Lewis transformam o Group Theater em Actor's Studio,
um lugar onde atores, escritores e diretores possam estudar e treinar,
livres das presses da arte comercial. Elegem para linha de trabalho
os ensinamentos de Konstantin Stanislavski. Kazan e Lewis foram
os nicos professores do grupo at 1948, quando se incorporou a
eles o austraco Lee Strasberg.


                                 298
                        UBIRATAN TEIXEIRA


        Por sugesto do crtico de arte e negociante de quadros
Christian Zervos, o ator e diretor de teatro Jean Villar cria, na Fran-
a, o Festival d'Avignon. O evento tinha por objetivo atingir grande
pblico, para uma reflexo coletiva sobre o destino da arte dramtica
em dimenso planetria, priorizando, nas encenaes, trabalhos de
pesquisa e experimentaes. O Festival, na sua origem, tinha a dura-
o de vrias semanas e acontecia sempre no ms de julho.
1948 (6 de janeiro)  Depois de sete meses de ensaios, Paschoal
Carlos Magno estria, no Teatro Fnix, o Hamlet de Shakespeare,
marcando o incio da carreira do Teatro do Estudante do Brasil.
Com um elenco de jovens intrpretes totalmente desconhecidos do
pblico e da imprensa, o TEB iniciava uma fase de revelaes para
a histria do teatro brasileiro. Desse elenco annimo, revelaram-se
os melhores intrpretes da gerao, como Srgio Cardoso, Srgio
Brito, Maria Fernanda, Jacy Campos, Fregolente, Luiz Linhares. A
direo do espetculo foi de Hoffman Hamish, e os cenrios, do
estreante Pernambuco de Oliveira.
        Industriais paulistas, tendo  frente o empresrio Franco
Zampari, fundam o Teatro Brasileiro de Comdia, que originalmen-
te fica instalado numa garagem, com capacidade para 356 lugares,
na cidade de So Paulo. Foi o primeiro elenco profissional a ter sob
contrato cinco diretores simultaneamente  Adolfo Celi, Ziembinski,
Luciano Salce, Flamnio Bollini e Ruggero Jacobbi  e foi pondervel
sua contribuio para a modernizao do espetculo brasileiro. Fun-
cionou normalmente at o ano de 1964.
       Morre o poeta e dramaturgo francs Antonin Artaud.
1949  Depois de um exlio prolongado para escapar ao furor nazis-
ta, Bertholt Brecht retorna  Alemanha e funda, em Berlim Oriental,
juntamente com Benno Besson e Erich Engel, o Berliner Ensemble,
que chega a ser um dos maiores elencos de teatro do Ocidente.
        Stanislavski publica A composio da personagem, onde
trata das chamadas tcnicas exteriores  treinamento do corpo e
trabalho rigoroso da voz, ambos, instrumentos com que o artista no
palco expressa convincentemente o que desenvolveu na sua etapa
da criao interior.



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                            CRONOLOGIA


1951  Maria Clara Machada funda, no Patronato da Gvea, Rio de
Janeiro, O Tablado, elenco inicialmente dedicado ao teatro infantil,
transformando-se posteriormente em Escola de Teatro.
        De 9 a 13 de julho,  realizado o Primeiro Congresso Brasi-
leiro de Teatro.
        Julien Beck e Judith Malina fundam, nos Estados Unidos, o
Living Theater, que se posicionaria frontalmente contra o teatro
comercial praticado na Broadway, inaugurando a corrente dos gru-
pos Off-Broadway, que posteriormente geraria os Off-Off. Com uma
proposta revolucionria que influenciou a cena de seu tempo, o Living
passa a falar do homem e seus problemas contemporneos. A im-
portncia desse grupo est na revelao de que qualquer lugar pode
se transformar em espao teatral, na coreografia usada para organi-
zar esses lugares, e no esforo da atuao do ator, tudo em funo
da palavra e da mensagem que ele divulga.
1952  O diretor polons Jerzy Grotowski funda o Teatro-Labora-
trio, na cidade de Opole, transferido em 1956 para Wroclaw. So-
frendo da influncia do teatro praticado e pregado por Antonin Artaud,
do teatro oriental, da pera de Pequim, do Kathakali indiano e do
n japons, ele elabora sua teoria da pobreza, difundida no seu livro
Em busca de um teatro pobre, publicado em 1968.
1953  O diretor de teatro e professor da Escola de Arte Dramtica
de So Paulo, Jos Renato Pcora, funda o Teatro de Arena, com
elenco formado por atores sados da Escola de Arte Dramtica, e
que revolucionaria a dramaturgia nacional da poca, tanto na arqui-
tetura do palco como na do espetculo, praticando um teatro com
sotaque brasileiro e tema nacional. Foi o primeiro elenco brasileiro
criado para atuar num palco tipo arena, lugar teatral que fugia dos
padres clssicos do palco  italiana, estabelecendo sua ao no centro
da platia, seguindo a proposta da norte-americana Margo Jones, do
Theater-in-the-round. Justificando questo econmica para ado-
o desse modelo revolucionrio para a tradio nacional, sua es-
tria foi feita no Museu de Arte Moderna de So Paulo e o grupo s
conseguiu um teatro permanente em 1955, quando foi feita a adapta-
o de uma antiga loja na rua Theodoro Baima, 94, com 150 lugares.
Mas tarde foi rebatizado de Teatro Experimental Eugnio Kusnet.



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                       UBIRATAN TEIXEIRA


       De 25 a 29 de novembro,  realizado o Segundo Congresso
Brasileiro de Teatro.
        Esperando Godot, de Samuel Beckett, marca o comeo
definitivamente histrico do que ficou convencionado chamar de
Teatro do Absurdo.
1955 (23 de fevereiro)  Morre de cncer, aos 83 anos de idade, o
dramaturgo e poeta francs Paul Claudel.
      O Instituto Internacional de Teatro funda o Teatro das Na-
es Unidas.
1956  O Presidente da Repblica, Juscelino Kubitscheck, assina a
regulamentao da lei n 1.565, que estabelece a obrigatoriedade da
representao, pelos elencos nacionais, de pelo menos uma pea
brasileira para cada trs estrangeiras.
       Por decreto da Presidncia da Repblica,  criado o Teatro
Nacional de Comdia  TNC, rgo ligado ao Servio Nacional do
Teatro, do Ministrio da Educao e Cultura.
        realizado na cidade de Salvador o I Congresso Brasileiro
de Lngua Falada no Teatro, cujo principal objetivo  o de encontrar
uma "lngua-padro" para o teatro brasileiro.
       Morre Bertholt Brecht.
1957  Fundado em Paris o Teatro das Naes, que vai revelar
para o Ocidente o teatro tradicional japons, n, kabuki e bunraku,
assim como os elencos africanos.
1963  Morre, em outubro, o dramaturgo, poeta e cineasta Jean
Cocteau.
1964 (1 de abril)  Fascistas, membros da Sociedade Brasileira de
Defesa da Tradio, Famlia e Propriedade  TFP pem fogo no
prdio da Unio Nacional de Estudantes, UNE, na Praia do Flamengo,
no Rio de Janeiro, onde estava sediado o Centro Popular de Cultura,
CPC, que desenvolvia uma esttica revolucionria de texto e espet-
culo, inspirado no Agitprop e no Teatro de Guerrilha. A estria do
grupo, ali, seria com Os Azeredos mais os Benevides, de Oduvaldo
Viana Filho, j em ensaios sob a direo de Nelson Xavier.



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                            CRONOLOGIA


       Eugnio Barba cria o Odin Teathre, com sede na Dinamarca,
que se transformaria num grande centro de renovao da arte teatral
do Ocidente.
        Morre, no Rio de Janeiro, o dramaturgo e animador do teatro
brasileiro lvaro Moreyra.
1965  Em fevereiro, o governador do Estado do Rio de Janeiro,
Carlos Lacerda, sanciona lei isentando o teatro de pagamento de
impostos.
        (27 de maio)  O Presidente da Repblica, Humberto de
Alencar Castelo Branco, sanciona a lei n 4.641, que regulamenta a
profisso do trabalho na rea do teatro. Era diretora do Servio Na-
cional do Teatro Heliodora Carneiro de Mendona.
        A Censura Federal, criada pela Ditadura Militar instalada no
Brasil desde 1964, comete a primeira proibio total, de uma srie a
perder de vista, de espetculos teatrais: O vigrio, do dramaturgo
alemo Rolf Hochhuth.
         criado, no Rio Grande do Sul, o Instituto Estadual de Tea-
tro, subordinado  Secretaria de Educao e Cultura do Estado, com
o objetivo de superintender toda e qualquer atividade teatral no Esta-
do.
1966  Estria nacional do dramaturgo Plnio Marcos, com a monta-
gem de Dois perdidos numa noite suja, em So Paulo.
       Morre Erwin Piscator, um dos maiores encenadores e teri-
cos do teatro alemo, criador do Teatro Proletrio.
1967  Estria de O Rei da vela, de Oswald de Andrade, no Teatro
Oficina de So Paulo. Escrita entre 1933 e 1937, a pea foi dirigida
por Jos Celso Martinez Correia e encenada como espetculo-mani-
festo.
        Estria nacional de lbum de famlia, de Nelson Rodrigues,
pelo Teatro Jovem, dirigida por Kleber Santos. Escrita em 1946, o
texto nunca tinha sido, desde ento, liberado para encenao.
1968  Jos Celso Martinez Correia faz, com o Oficina de So
Paulo, o ensaio geral de Galileu Galilei, de Brecht, para a censura.



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                        UBIRATAN TEIXEIRA


O teatro brasileiro e a Nao, de um modo geral, viviam momentos
de perplexidade com a instituio do Ato Institucional n 5, em 13 de
dezembro, o mais cruel e radical de todos, responsvel pelo banimento
de todos os direitos constitucionais e civis do cidado brasileiro.
       As Foras Armadas obrigam a Censura Federal a cancelar
o Concurso de Dramaturgia promovido pelo Servio Nacional de
Teatro, SNT, por ter premiado a pea de Oduvaldo Viana Filho, Papa
Highirte.
        mostrado pela primeira vez, num espetculo no Brasil, o
nu total e frontal, na pea  Calcut.
        Grotowski publica Para um teatro pobre, onde expe suas
teorias sobre arte dramtica, sobretudo a influncia que recebeu do
teatro oriental, o mtodo de formao do ator, de Meyerhold, a
biomecnica, e tambm reavalia a metodologia de Stanislavski.
1969  Morre, no ms de junho, a atriz Cacilda Beker, de hemorra-
gia cerebral, quando representava o papel de Estragon, da pea Es-
perando Godot, de Beckett, dirigida por Flvio Rangel.
1970  O encenador ingls Peter Brook cria, em Paris, o Centro
Internacional de Pesquisa Teatral, instalado na Manufatura dos
Gobelinos, nas Boeffes du Nord.
1971  Morre a atriz Glauce Rocha, de colapso cardaco, aos 38
anos, depois de seu trabalho em Ponte sobre o pntano, de Aldomar
Conrado, dirigido por Joo das Neves, para o grupo Opinio.
        Morre Napoleo Muniz Freire, de parada cardaca, durante
a temporada de Casa de bonecas, de Ibsen, onde atuava como ator
e foi o autor do cenrio.
1972  Morre, de ataque cardaco, no ms de agosto, o ator Srgio
Cardoso, no meio da gravao da telenovela Antnio Maria.
        Surge, no Rio de Janeiro, o grupo Asdrbal Trouxe o Trom-
bone, criado a partir de um curso de teatro ministrado por Srgio
Brito.
1974  Sob forte presso da Censura Federal e perseguio poltica
ostensiva, movida pela Ditadura Militar, o Teatro Oficina considera-



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                            CRONOLOGIA


se incapaz de continuar sua trajetria, dando por encerrada suas ativi-
dades, depois da priso e tortura de Jos Celso Martinez Correia, seu
principal animador.
       Morre o dramaturgo Oduvaldo Viana Filho, o Vianinha.
       A empresria e produtora Ruth Escobar realiza o Festival
Internacional de Teatro, trazendo encenadores e tericos de porte
internacional para visitar nosso pas, entre eles Bob Wilson e
Grotowski.
1975  Orlando Miranda, diretor do Servio Nacional de Teatro,
restabelece o Concurso de Dramaturgia, suspenso desde 1968 por
deciso da Ditadura Militar. Foram reunidos 371 textos novos, sendo
conferido o prmio pstumo a Rasga corao, de Oduvaldo Viana
Filho. O concurso havia sido cancelado justamente por ter premiado
Papa Highirth, outro texto do mesmo dramaturgo.
1976  Tempo de espera, do dramaturgo maranhense Aldo Leite,
um drama que fala sobre a realidade rural brasileira, onde o dilogo
foi abolido, comove o pblico paulista e carioca, sendo convidado a
participar do Festival de Nancy, na Frana.
       Ruth Escobar repete o Festival Internacional de Teatro,
grandemente comprometido por presses polticas, mesmo assim com
excelente repercusso artstica. Pela primeira vez vm ao Brasil elen-
cos da Uganda, Islndia e do Ir. De grande repercusso foi a pre-
sena do grupo catalo El Joglares.
        Morre Paulo Pontes, autor e pensador da dramaturgia
brasileira.
1978  O Servio Nacional de Teatro cria o Mambembo, projeto
que levar os elencos a viajar pelo interior do Pas, financiados com
recursos federais.
       (24 de maio)  O profissional do teatro, no Brasil,  finalmen-
te reconhecido por lei federal, a lei n 6.533, que regulamenta a pro-
fisso de artistas e tcnicos, fixando a jornada de trabalho e conce-
dendo outros benefcios.
1979 (1 de janeiro)  Extinto o Ato Institucional n 5, o famigerado
AI-5, o mais cruel e desumano de todos os atos institucionais baixa-


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                        UBIRATAN TEIXEIRA


dos pela Ditadura Militar que governou o pas a partir de 1964. O AI-
5 imps uma censura odiosa a todas as manifestaes artsticas e
culturais brasileiras, considerando o Teatro como manifestao ini-
miga do Estado.
1981  O Servio Nacional de Teatro  transformado em Instituto
Nacional de Artes Cnicas, INACEM, incluindo no seu crculo de
interesse o circo, a dana e a pera.
1982  Renato Arocolo e Raffaela Rosselini, do Teatro dell' IRAA 
Instituto de Pesquisa de Arte do Ator  sediado em Roma, lanam,
com a ajuda da UNESCO, um projeto intitulado Teatro Fora do Tea-
tro, cujo objetivo  o de explorar "as possibilidades de um teatro de
comunicao, que promova o conhecimento e a compreenso entre
culturas de povos diferentes". A primeira experincia foi feita no sul
do Chile, numa reserva de ndios mapuche.
1995 (30 de dezembro)  Morre em Berlim, de cncer no esfago,
aos 66 anos de idade, o dramaturgo alemo Heiner Mller, uma das
personalidades mais importantes do moderno teatro ocidental. Mller
dirigia a companhia Berliner Ensemble, criada na dcada de 50, em
Berlim Oriental, pelo seu amigo Bertholt Brecht. Marxista filiado,
Mller avanava o sinal at onde lhe permitia o regime comunista da
extinta Alemanha Oriental, com peas que colocavam em xeque os
dogmas ideolgicos do partido. Entre seus principais textos esto
Hamletmachine e Quartet, ambos encenados no Brasil.
1999 (14 de janeiro)  Morre na Itlia o terico polons Jerzy
Grotowski, aos 65 anos de idade. Grotowski esteve no Brasil em
1966, a convite do SESC So Paulo.
2004 (24 de fevereiro)  Morre no Rio de Janeiro, aos 90 anos de
idade, o teatrlogo Pedro Bloch, autor de As mos de Eurdice, Os
inimigos no mandam flores, Esta noite choveu prata, entre ou-
tros grandes sucessos de pblico e bilheteria.




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